quinta-feira, 28 de maio de 2020

Luanda


Luanda

               Compartilharei com vocês uma história contada pelo Preto Velho Pai Jacó de Aruanda, a qual tive a honra de ouvir para que pudesse transmitir a todos. História triste porém repleta de ensinamentos.
                Em seus tempos de encarnado Pai Jacó foi levado para "Luanda", lugar que, segundo ele, era muito bonito e ficava a beira mar, onde reinava principalmente o comércio de escravos que eram o produto de maior valor da época. 
             Os escravos eram levados para lá de todos os continentes, após perderem batalhas e virarem prisioneiros, por isso o ponto cantado diz: "Quando eu venho de Luanda eu não venho só". Eram poucos os que sobreviviam aos maus tratos e a falta de recursos nos navios negreiros, ou melhor, "tumbas flutuantes" e na tentativa de se manterem vivos bebiam água da chuva, comiam ratos ou até mesmo os restos mortais de irmãos que não haviam resistido.


                 Pai Jacó ressaltou que não eram somente negros os escravizados, mas também os pardos e qualquer um que fosse vulnerável aos brancos, isso mostra a diversidade dos Pretos Velhos, povo que sofreu sem jamais perder a fé.
               Quando chegavam em Luanda eram comercializados e transportados para o local onde trabalhariam, geralmente cafezais, fazendas ou casas de senhores brancos. Trabalhavam e apanhavam diariamente, eram torturados, mas contudo estavam vivos. Quando a noite chegava eles se ajoelhavam, tristes e pediam a Deus que um dia pudessem voltar para Luanda, lugar de paz e tranquilidade.
              Aruanda hoje, na Umbanda, é conhecida como o lugar onde habitam os espíritos de luz no mundo espiritual. Segundo Pai Jacó, para cada espírito a visão de Luanda/Aruanda será diferente pois cada um teve sua experiência e suas dores, mas para ele Luanda trás o sentimento de voltar pra casa. Com isso ele nos ensina a nunca perder a fé na vida, mesmo diante de todas as dificuldades.

Yasmin de Iansã


terça-feira, 26 de maio de 2020

O Trabalho do Caboclo 7 Flechas no Terreirinho


O Trabalho do Caboclo 7 Flechas no Terreirinho

          Neste texto falaremos do trabalho do guia chefe do nosso Terreirinho (juntamente com a Cabocla Jurema) o nosso querido Caboclo 7 Flechas. O Caboclo 7 flechas é uma entidade naturalmente de Oxóssi, como os demais caboclos, mas que recebera uma flecha de cada um dos Orixás (alegoria demonstrando que ele trabalha com a energia de todos Orixás), podendo atuar em qualquer âmbito e com todas as energias.
          Desde quando visitamos o Terreirinho pela primeira vez a presença do Caboclo Sete Flechas é logo percebida. Como guia chefe da casa ele carrega consigo uma grande energia. Ao incorporar é comum muitos dos médiuns sentirem essa grande energia, provocando muitas vezes arrepios, taquicardia e uma emoção muito grande.
      Em todo o tempo em que o Caboclo 7 Flechas guia nossos trabalhos, ele sempre foi uma figura muito imponente, mostrando muita seriedade nos trabalhos e cobrando sempre uma postura como esta dos membros da corrente tanto dentro como fora do terreiro. Além disso ele é muito sábio, tanto em aspectos fitoterápicos (domínio das ervas medicinais), como também da cura, evolução do ser, o valor da perseverança, o poder da autoconfiança e da força da mente e profundo conhecimento do verdadeiro amor e da verdadeira caridade.



          Este caboclo sempre se mostrou uma entidade que chega pra resolver, quando há a necessidade, ele “desce” no terreiro e põe ordem nas coisas, chamando atenção, dando orientações, fazendo modificações nos trabalhos, sugerindo outras mudanças, mas fazendo tudo isso de maneira muito objetiva, resolvendo os problemas rapidamente e logo dando espaço para outros guias se manifestarem.
          Este texto apesar de muito simples e curto tenta demonstrar um pouco da essência de um guia de tanta luz, que enfrenta qualquer dificuldade de peito aberto, que confia na evolução e no crescimento de cada filho e que lhes oferece ferramentas para isso. Esperamos que este texto possa ter demonstrado pelo menos uma fagulha da imensidão e luz desse querido Caboclo guerreiro.
          Como esse glorioso caboclo sempre nos disse: “Umbanda é coisa séria para gente séria”. Certamente temos muito a aprender e crescer e por vezes não nos sentimos capazes ou bons o suficiente para realizar determinada tarefa ou função, mas esse caboclo tenta nos mostrar que tendo seriedade e fazendo o melhor que pudermos, o que anteriormente seria impossível logo não será mais. A mudança é de dentro para fora.

Axé,
Ricardo de Ogum Matinata

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Remorso


Remorso

         O que é o remorso afinal? É se arrepender? É não deixar ir? É egoísmo?
     De acordo com o dicionário, a palavra remorso é definida da seguinte forma: substantivo masculino; inquietação, abatimento da consciência que percebe ter cometido uma falta, um erro; arrependimento, remordimento”. Mas, afinal, quais as consequências em nossa vida?
        Em uma conversa com um Preto Velho, ele me disse: “Fio, o passado não é nada mais que uma memória e vosmicê não pode deixar essa memória te assombrar no presente. Se vosmicê não deixa ele por lá, seu futuro nunca vai ser como deseja”. O vovô queria dizer com suas simples palavras que, por mais que lembremos de coisas que fizemos no passado, não podemos deixar o medo que sentimos por elas modelar nosso futuro. Ele ainda me disse “Não tenhais medo de voltar a ser quem era antes pois mesmo que vosmicê repita os mesmos erros, vosmicê jamais será a mesma pessoa por conta da vivência que tiveste até aqui”.


       Reconhecer erros é essencial para que não voltemos a cometê-los, mas também devemos aceitar que o que passou ficou na memória e não pode nos atingir agora. Sentir remorso de uma ação passada é exatamente o contrário disso: é reviver esta memória negativa a cada momento, e limitar nossas escolhas com base nas consequências de uma ação passada. Se existe algo em nossa trajetória que não nos deixa felizes ou orgulhosos, cabe a nós retirar a lição necessária e seguir nosso caminho.
          Todos buscamos equilíbrio em nossas vidas, buscamos ser alguém melhor e mais útil à nossa comunidade. Logo, tratar o passado apenas como um aprendizado, nos ensina a viver e aproveitar o hoje, e assim deixar o melhor legado possível para aqueles que amamos.

Axé!
Diego de Oxóssi


terça-feira, 19 de maio de 2020

A oração do Pai Nosso: Um pacto com Deus


A oração do Pai Nosso: Um pacto com Deus

           Hoje falaremos da oração ensinada por Jesus Cristo, a oração que a maioria das pessoas faz e conhece, mas será que conhecem mesmo? Na verdade, poucos param para pensar realmente no significado de cada trecho dessa bonita e forte oração, tentaremos analisar e mostrar durante o texto que esta oração clama por justiça e não que somente coisas boas aconteçam nas nossas vidas. Vejo como se fosse um pacto com o divino, em vários trechos, como se dissesse ““traga o que for de nosso merecimento”.
          “Pai Nosso que estais nos Céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.”
    A primeira parte demonstra a humildade dos homens perante a Deus, demonstrando nossas limitações e evocando o sagrado para nossas vidas. No fim desse trecho já se inicia o “pacto”: seja feita a vossa vontade e não a minha. Nesse trecho reconhecemos que não sabemos o que é melhor para nós mesmos e que enfrentaremos quaisquer dificuldades que o senhor achar necessária para o nosso crescimento. Se dependêssemos da nossa vontade ninguém escolheria passar pelos maiores traumas e dificuldades na vida, só depois podemos ver o quanto crescemos nessas situações. A vontade do senhor é soberana tanto no mundo físico quanto no mundo espiritual.



          “O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”
           A segunda parte, continua em tom de humildade, pedindo que o senhor nos possibilite o sustento de cada dia, o pão, que para mim é uma alegoria para o básico para nossa subsistência, um teto, comida, saúde para trabalhar etc.
           Outro ponto que funciona como um pacto é “perdoai-nos nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, ou seja, só nos perdoe se perdoarmos também. No evangelho de Mateus, esse trecho fala em dívidas no lugar de ofensas, na minha visão, essa versão foi preterida para que as pessoas não usassem a oração como desculpa para não pagar suas dívidas financeira, mas faz muito sentido quando pensamos em dívidas espirituais. Se eu falhei com alguém, humilhei, joguei energias negativas, desejei o mal para ela, eu automaticamente crio um laço energético com aquela pessoa, uma dívida espiritual. Caso eu perdoe quem me fez o mal, que o senhor possa absolver as vezes que fiz mal ao meu próximo. Perdoai nossas dívidas, ofensas, pecados, mas só se eu for merecedor e perdoar o meu próximo também. É como se disséssemos: que eu seja perdoado se eu perdoar, mas do contrário que eu sofra as consequências.


           “e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém.”

            A parte final pede que possamos ser fortes diante da tentação, que para mim é viver conforme aos olhos humanos e não aos de Deus, tentar servir a dois senhores, aos olhos humanos sempre temos pouco e nunca estamos satisfeitos, é como perseguir o vento, um caminho sem fim. Sempre achamos que temos pouco dinheiro, muitos desejam a mulher (ou homem) do próximo, tomamos todas decisões tendo como fim o status e o lado financeiro, sempre queremos muito além do que precisamos e isso tem reflexos muito sérios, tanto para a natureza quanto socialmente e quando as consequências chegam (catástrofes naturais, roubos, furtos, violência, desigualdade) nos assustamos, mas sempre colhemos o que plantamos. Nesses atos podemos ver vários dos pecados capitais, que não devem ser uma ameaça de que iremos para o inferno ou umbral, mas que tem grandes reflexos na própria vida diária. Devíamos mudar buscando um viver mais harmonioso e despertando nossa essência sagrada.
             A oração termina pedindo que nos livre do mal, que é tanto o mal de terceiros, mas principalmente do nosso próprio mal, este é realmente o que mais nos prejudica, nós umbandistas sabemos bem disso, não há pior demanda do que a que fazemos para nós mesmos. Mente negativa, baixa vibração e inveja tudo isso envenena o ser e deve ser evitado.
            Esperamos que esta leitura ajude a cada um ver a oração do pai nosso com outros olhos e enxergar o compromisso que faz com Deus a cada momento que a reza.

Axé,
Ricardo de Ogum Matinata

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Caridade

Caridade

  Dando inicio a este texto, pensemos na seguinte pergunta: para você o que significa caridade? A caridade nada mais é que praticar o amor ao próximo e para nós umbandistas essa palavra descreve quem somos. Quando eu me tornei Umbandista a caridade já fazia parte da minha vida e quanto mais conhecimento adquiria, mais ela se tornava essencial em meu viver. 
Em situações normais é comum que as pessoas façam caridade em datas especiais como a páscoa, dia das crianças e Natal, uma vez que tais datas despertam um sentimento maior de empatia pelo próximo. Atualmente estamos passando por tempos difíceis devido a pandemia que assola o mundo mas apesar das dificuldades, o desejo de fazer a caridade começou a despertar com maior intensidade nas pessoas e podemos perceber isso através dos pequenos gestos diários de cuidado uns com os outros e de doações feitas aos mais necessitados. São gestos lindos de se ver!


Contudo, há pessoas que necessitam de mais que alimentos e roupas, elas precisam de afeto, atenção e, apesar de no momento não ser possível abraçar fisicamente devido ao distanciamento social, podemos fazer com as pessoas se sintam abraçadas e acolhidas através de palavras de conforto. O abraço alimenta a alma e, em sua falta, devemos encontrar outras formas de suprimento.
Quem pratica a caridade não precisa de reconhecimento e status de pessoa generosa, precisa apenas do sentimento de pura gratidão e de missão cumprida que surgirá em seu coração após doar um pouco de si para quem precisa, de dormir tranquilo sabendo que fez a diferença na vida de alguém. 
Mas meus irmãos, saibam nem sempre receberão sorrisos em troca do bem que fazem, também encontrarão a ingratidão daqueles que não conseguem se satisfazer com o que recebem. Se você que estiver lendo este texto e já tiver passado por isso, vou lhe dar um conselho: não desanime, pois para tudo na vida sempre existem dois lados, o bem e o mal, o sim e o não, a gratidão e a ingratidão. Em qualquer situação faça tudo por amor e nunca pelo reconhecimento. Caridade é a forma mais simples de amar ao próximo.

Axé!
  Maísa de Oxalá

terça-feira, 12 de maio de 2020

Tome conta da sua encruzilhada

Tome conta da sua encruzilhada

      Muitas vezes nos chateamos por não estarmos tendo êxito nos nossos objetivos e sonhos. Há diversos motivos que dificultam alcançar o sucesso, hoje comentaremos sobre um motivo, muito simples, mas que está no caminho de muita gente. Esse motivo em questão é não tomarmos conta de nossa própria encruzilhada, mas o que significa isso? Como essa dificuldade é criada?
          A encruzilhada simboliza as múltiplas escolhas de cada momento da vida, nas quais cada um dos caminhos (escolhas) levará a diferentes destinos (conseqüências). Não tomar conta de sua encruzilhada significa não seguir o que se almeja, no fundo de seu coração, por um motivo ou outro. É muito comum isso acontecer quando a pessoa tem um sonho ou uma ideia e conta isso a outras pessoas. As outras pessoas, na maioria das vezes, colocam defeitos nas idéias reveladas e apontam inúmeros obstáculos no caminho do êxito para que aquilo ocorra. Algumas vezes isso ocorre por maldade ou inveja, em outras simplesmente porque para a pessoa que critica aquilo pode ser impossível para ela, de acordo com as habilidades que tem.


         
          É preciso lembrar que cada ser é único e nem tudo que é impossível para um, é para o outro. Outras vezes é a família que desencoraja a pessoa a seguir seu coração, fazem isso muitas vezes por ter um ideal de futuro para a pessoa, como: “meu filho será médico” ou “Você não vai perder tempo estudando artesanato, religião ou artes”. Deus tem um propósito para cada um e cada um tem dentro de si o seu sagrado divino, por isso ninguém melhor do que nós mesmos para saber o que é melhor para a gente, quando nos livramos das vaidades e da necessidade de aprovação. Todo o conselho bem intencionado é válido, mas deve prevalecer sempre a nossa vontade interior.
          O grande problema, porém, não é essa pressão externa e sim a pessoa tomar aquilo como verdade absoluta e abandonar suas idéias. Se houver firmeza de cabeça, nada disso irá afetar seus propósitos, nenhum mal olhado o deterá. Não existe pior demanda do que a que fazemos para nós mesmos, essa demanda é tão poderosa que não pode ser quebrada por ninguém, a não ser por nós mesmos.
          Tome conta da sua encruza, faça suas próprias escolhas baseadas naquilo que você sente. Se você não fizer isso outro fará e tomará as rédeas de sua vida por você. Será que você chegará aonde deseja dessa forma?
          TOME CONTA DA SUA ENCRUZILHADA!

Ricardo de Ogum Matinata

quinta-feira, 7 de maio de 2020

A limpeza do Terreiro além do que os olhos podem ver


A limpeza do Terreirinho além do que os olhos podem ver

          No dia a dia do terreiro a limpeza é fundamental para o bom andamento dos trabalhos, além dos aspectos óbvios referentes ao asseio do trabalho, também traz reflexos espirituais, dispersando acúmulo de energias negativas, viciosas (miasmas e cascões energéticos). Poucos são os membros de uma corrente mediúnica que se dispõem a ajudar na limpeza, o que a maioria não vê é que essa também é uma oportunidade de desenvolvimento mediúnico e de sondagem pelos guias do que realmente o coração do umbandista está cheio, possibilitando uma série de benefícios como veremos no decorrer do texto.
          A limpeza física do terreiro tem que ser bem feita e periodicamente realizada antes das giras, principalmente em um terreiro de chão de terra batido, como é o da Tenda de Umbanda Caboclo 7 Flechas e Cabocla Jurema, pois além de preparar o ambiente para a chegada dos guias e consulentes, existe o risco de animais peçonhentos, como aranhas, que podem se esconder atrás de folhas ou sujeiras, trazendo risco ao praticantes do culto.
          Por isso a limpeza não deve ser realizada somente no chão onde se pratica a gira, mas também em seus arredores. No aspecto espiritual, o terreiro é um local onde as pessoas se limpam, são descarregadas, se desfazem de sentimentos viciosos e de pensamentos nocivos, devido a isso o ambiente também acaba contaminado com tais “podridões”, daí também a importância de eliminar sujeiras, onde geralmente essas energias se concentram.


         Existem tradições de umbanda que usam inclusive uma água preparada previamente com ervas maceradas para que seja facilitada essa limpeza a nível espiritual, fazendo da limpeza uma espécie de defumação concentrada. Pode-se acender velas com propósito de potencializar o poder dispersor da limpeza frente aos miasmas e formas pensamentos negativos. No entanto, nem a água preparada, nem as velas, são fundamentais para que esses fins sejam alcançados, sendo muito mais importante para isso a vibração de quem limpa. Caso a pessoa que está fazendo a limpeza esteja carregada, contrariada de estar ali ou limpando com má vontade, é bem provável que ela faça a limpeza apenas física, estando na verdade, contaminando ainda mais o ambiente em aspectos espirituais.
          Outro aspecto da limpeza, que poucos se dão conta, é que ela pode ser uma aliada do médium que está se desenvolvendo e que quer ter uma boa consulta espiritual. Isso fica claro quando pensamos que ao chegar no terreiro ainda estamos com a mente muito agitada, ligada aos problemas mundanos, isso interfere diretamente na capacidade de concentração do médium, sendo assim vantajoso chegar cedo no terreiro se envolvendo com o trabalho e deixando de lado tudo aquilo que tumultua a mente. O membro que faz a limpeza do terreiro acaba tendo sua mente limpa também. Isso sem falar no contato, durante todo tempo da limpeza, com os guias, que tem forças assentadas naquele solo sagrado, trazendo boas intuições e sondando as reais necessidades e preocupações que devem ser tratadas no momento da consulta espiritual.
          Muitos evitam ou dão pouca prioridade em suas vidas para realizar a limpeza do terreiro, o que muitos não enxergam e que tratamos neste texto é que a limpeza do terreiro pode acelerar e muito o desenvolvimento espiritual através da elevação da capacidade de concentração e do contato mais prolongado com os guias do terreiro. Vimos também os reflexos físicos e espirituais da limpeza para o terreiro que são fundamentais para o bom fluxo do trabalho. Se você é um médium em desenvolvimento faça um teste, participando ativamente da limpeza, uma ou duas horas antes dos trabalhos, e compare com o dia em que chega direto para gira, com toda certeza notará uma grande diferença.

Axé,
Ricardo de Ogum Matinata

terça-feira, 5 de maio de 2020

Gratidão ao Terreiro


Gratidão ao Terreirinho

          Esse texto era para ter sido feito no aniversário de 3 anos da Tenda de Umbanda Caboclo 7 Flechas e Cabocla Jurema, mas devido a correria do dia a dia e das minhas limitações pessoais somente tomei a atitude de realizá-lo agora. Quero através dele demonstrar o divisor de águas que conhecer a Umbanda e o Terreirinho foi na minha vida.
          Tive a oportunidade de participar desta Tenda desde quase sua fundação, tendo entrado na corrente logo após dos membros fundadores. Desde criança tive contato com a espiritualidade, frequentava o espiritismo e tinha grande interesse por assuntos espiritualistas. No entanto, tinha sim, um grande preconceito com a Umbanda, pensava que a religião era o “baixo espiritismo” que dava bebidas e cigarros a espíritos viciados em troca de favores pessoais terrenos. Como hoje sabemos estava totalmente enganado.
          Quando soube que meu amigo de infância, agora Pai Igor de Oxum, estava frequentando a Umbanda, pensava eu que era um retrocesso, já que ele havia frequentado o Espiritismo, mesmo assim ficava com certa curiosidade. Às vezes nas conversas entre amigos rolava um papo relacionado que ia quebrando meu preconceito aos poucos e alimentando minha curiosidade. Foi então que certa vez aceitei o convite de conhecer o Terreirinho. 

         
          Fui uma vez e achei muito bacana, reencontrei os Pretos Velhos, havia conhecido alguns no Vale do Amanhecer, e de quebra encontrei alguns amigos queridos de outras épocas do Espiritismo como Hélida e sua filha Beatriz, achei os pontos cantados muito bonitos e animados. Fui uma segunda vez e me apaixonei, conheci os Erês e os Exus. O medo que eu cultivava da figura do exu, se transformou em pura admiração e respeito. Eu passava por tempos turbulentos, desempregado no âmbito profissional e com entes queridos doentes no âmbito familiar. Encontrei meu lugar no Terreirinho, onde pude tirar minhas mágoas do peito, reencontrar minha fé e enxergar que eu havia plantado a maior parte dos problemas por que passava. Foi naquele chão de terra batida que derramei muitas lágrimas, me emocionei muito e percebi que enquanto eu não assumisse a responsabilidade pela mudança que eu queria na minha vida ela não ocorreria.
          Foi no terreirinho também que aprendi que devemos olhar mais para nós mesmos e menos para terceiros, evitando julgamentos infelizes, tais como eu fiz com a Umbanda antes de conhecê-la. Foi também com a Umbanda que aprendi que o maior amor é e sempre deve ser o amor próprio, a pessoa mais importante na nossa vida somos nós mesmos, por isso nossa felicidade não pode depender de terceiros. Aprendi também que a primeira caridade deve ser realizada com as pessoas mais próximas, tendo paciência com um familiar que o irrite entre outros. Nada adiantando doar dinheiro ou roupas, caso isso não seja feito de coração.
          Entendi que a maior magia é a realizada quando você muda de atitude na vida, trata as pessoas bem e corre atrás do que quer, com essa magia o mundo também te responde diferente. Perdi o medo de não ser bom o bastante para algo, apenas sempre tentando fazer o melhor que puder. Dentre outros fundamentais ensinamentos que até hoje tento internalizar e aprimorar. 


          Com o tempo fui me ligando cada vez mais no Terreirinho e tendo cada vez mais espaço nele, fiz novos amigos que tem seu espaço no meu coração, destaco aqui Natália Franga e Bruno de Oxóssi, outros grandes amigos entraram na corrente depois de mim, como William de Xangô. Tive oportunidade de, nas palavras do Pai Igor, ser fundamental em certo momento para a continuidade do terreiro, mas tenho consciência que aquele momento foi apenas um dos vários momentos que uma ou duas pessoas foram fundamentais para que o trabalho continuasse. Como exemplo cito, no começo quando havia apenas dois médiuns incorporando, em cada uma daquelas giras os dois foram fundamentais, sem citar cambones, consulentes e tudo mais que também são fundamentais.
          Depois de tudo isso chegou o momento de me mudar de cidade por razões profissionais, chorei muito na minha despedida, e disse e ainda afirmo que se o Terreiro fizesse metade do que fez por mim por outras pessoas já estaria fazendo muito. Ainda hoje faço parte da corrente, já não tão presente, mas sempre tentando lembrar os ensinamentos e com muita vontade de voltar um dia e ser mais frequente de novo nessa nossa grande família.
          Queria por fim agradecer a cada um nessa caminhada a cada irmão de corrente, mesmo os que já saíram, e é claro a cada guia que em sua humildade veio nos prestar a caridade, em especial aos meus guias.

Axé,
Ricardo de Ogum Matinata

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Duração das Penalidades Futuras



Duração das Penalidades Futuras

              Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, o capítulo dois da quarta parte aborda o tema: duração das penalidades futuras.
              Neste capítulo Kardec questiona aos espíritos sobre a duração e a natureza do sofrimento após a morte e lhe é esclarecido que isso dependerá da necessidade de cada um, mas que esse sofrimento em hipótese alguma será infinito. Em algumas doutrinas fala-se sobre céu e inferno e que os pecadores são destinados a queimar pela eternidade no fogo desse inferno, mas essa crença se deve a uma má interpretação dos textos sagrados.
              Atualmente a teologia reconhece que o fogo se refere ao estado mental do espírito que está sofrendo e que para ele o sono não existe, o tempo realmente parece mais longo e pelo fato de estar passando por provações, acha que seu sofrimento será eterno.
              Deus com toda sua benevolência, criou espíritos ignorantes mas deu a cada um a capacidade de buscar ser melhor e se arrepender de seus erros para que dessa forma se purifiquem a cada encarnação, diminuindo gradativamente qualquer traço de maldade que possa haver. Acreditar que o Criador, com toda sua perfeição, possa destinar suas criaturas ao sofrimento eterno, seria no mínimo loucura. Deus no momento da criação, sabia que por vezes as almas tendem a falhar e por isso deu meios para se esclarecessem com suas próprias experiências

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              Como resposta às perguntas de Kardec, os reveladores citam alguns filósofos e cristãos que desde o início dos tempo explicam de forma clara a atuação divina quanto às penalidades.
          "A lei que rege a duração dos sofrimentos é, portanto, eminentemente sábia e benevolente, uma vez que subordina a sua duração aos esforços do Espírito para se melhorar. Nunca interfere no seu livre arbítrio: se faz mau uso, dele sofre as consequências."
São Luís

              "Ensinai, antes de mais nada, que Ele é justo em Sua perfeição e que o homem não compreende sua justiça. Mas a justiça não exclui a bondade e Ele não seria bom se condenasse aos mais horríveis e perpétuos sofrimento a maior parte de suas criaturas."
Santo Agostinho

              "Esforçai-vos em combater, destruir a ideia dos castigos eternos, pensamento blasfemo, ultrajante para com a justiça de Deus. Esse pensamento é a fonte mais fecunda da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiu as massas humanas desde que sua inteligência começou a se desenvolver."
Lammenais

              "Castigos eternos, como? Seria preciso então admitir que o mal é eterno. Somente Deus é eterno e não poderia ter criado o mal eterno porque assim seria preciso tirar o mais magnífico de seus atributos: o poder soberano, porque não seria soberanamente poderoso aquele que criasse um elemento destruidor de suas próprias obras."
Platão

              "O objetivo do castigo é apenas a redenção, querer que castigo seja eterno, por umas falta que não é eterna, é negar toda sua razão de ser."
Paulo, apóstolo

              Na Umbanda os guias de luz nos ensinam constantemente sobre a grandiosidade de Deus e nos esclarecem que as punições serão proporcionais aos nossos erros, cabe a cada um optar pelo melhor caminho a seguir e que o Senhor está sempre ao nosso lado apoiando nosso crescimento.
Larissa de Iansã

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Ressurreição da Carne


Ressurreição da Carne


          Trataremos agora dos ensinamentos revelados no livro 4 capítulo 2 “Ressurreição da Carne”.
          Inicialmente os espíritos são questionados se a ressurreição da carne é a autenticação da doutrina da reencarnação ensinada pelos espíritos. Em resposta, nos revelam que não poderia ser de outro modo, muitas vezes tomamos as palavras ao pé da letra, como por exemplo as palavras ressurreição e reencarnação, assim as palavras perdem seu sentido. 
          Também é abordado sobre a pluralidade das existências e sua relação com a justiça de Deus. Primeiramente devemos compreender que a pluralidade das existências são as diversas encarnações que o espírito precisa vivenciar seja na Terra ou em outros mundos, e é através destas diversas vivências que o espírito vai adquirindo experiências e conhecimentos para poder melhorar. 
          Dessa maneira, podemos observar na reencarnação a justificativa para as aparentes “injustiças” que os homens sofrem na Terra. As dificuldades que enfrentamos durante o período em que estamos encarnados remetem aos erros cometidos em vidas passadas, para que possamos aprender a partir deles e continuar trilhando nosso caminho em direção ao divino.

                                  Resultado de imagem para reencarnação

          Os espíritos também nos esclarecem que através da ressurreição da carne a Igreja Católica ensina a doutrina da reencarnação. A doutrina espírita não vai contra a doutrina da Igreja, pelo contrário, ambas as religiões se completam neste ponto, no entanto a igreja utiliza de uma linguagem mais figurada, ao passo que a doutrina espírita utiliza uma linguagem mais direta. 
          Levando em consideração a doutrina umbandista, devemos primeiramente lembrar que a reencarnação faz parte de um processo maior espiritual, ou seja, a reencarnação é necessária para que possamos crescer como seres. Ouvimos muito nos terreiros de Umbanda os ensinamentos dos guias, em diversas ocasiões  ouvimos dizer que Deus não nos atribui uma dificuldade se ele não acreditar na nossa capacidade de superação, ou seja, nossas dificuldades fazem parte de um bem maior. 
          Outro ponto que deve destacar é sobre o uso de formas de linguagens diferentes. Os ensinamentos contidos na Bíblia Sagrada utilizam principalmente de parábolas, isso acontece, pois para o povo daquela época essa linguagem era necessária para que fosse melhor compreendida. Quando Jesus diz “A Fé move montanhas”, devemos pensar não no monte Everest mudando de local, e sim na mensagem por trás disso, que através de nossa fé teremos força para passar por todas as dificuldades. 
          Axé e bons estudos

Pedro” de Xangô

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Penalidades Temporais


Penalidades Temporais


           No segundo capítulo da quarta parte do livro dos espíritos, um dos temas abordados é sobre as penalidades temporais. Questionamentos terrenos como a vida e o pós-morte, ainda levantam discussões nas mais diversas religiões, pois estão associados principalmente ao sofrimento material e moral.
           Durante a vida, uma vez que a alma está encarnada em um corpo físico, esta pode passar por aflições que podem gerar diversos sofrimentos materiais. Após a morte esse espírito obviamente não pode mais sofrer fisicamente, no entanto, de acordo com as faltas cometidas, pode sofrer profunda dor moral e escolher passar por situações até piores em uma nova existência para seu aprendizado. Como forma de expiação, sofrerá a dor das faltas que um dia causou.
           Desta forma, podemos compreender que as dificuldades enfrentadas na vida atual nem sempre são resultantes de faltas cometidas nesta existência, podendo ser resultado de erros de vidas anteriores. Como estamos tratando de providências divina, o que na maioria das vezes temos pouca informação sobre, nem sempre isso será aplicado, nas palavras dos espíritos de luz: toda transgressão às leis de Deus, especialmente à lei de justiça, deve ser compensada por um esforço equivalente de correção.

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           Com o passar da vida, todos nós temos oportunidades de depuração e crescimento, no entanto, aqueles que não fazem o mal mas também não procuram desapegar das influências da matéria, não fazendo nada para melhora de si mesmo tende a permanecer estagnado até obter entendimento do que precisa ser reparado. Quando esse momento chega, cai sobre eles o peso do tempo perdido e da infelicidade.
           Assim como Kardec escreveu em seu livro do século passado, orientado por espíritos de luz, também nos foi revelado recentemente em nosso terreiro, pelo Exu Sete Catacumbas, que espíritos mais depurados (de maior elevação) vivem em outros mundos onde a matéria não gera interferência e alcançam a felicidade plena. Onde não há vaidade, ego, nem outros vícios terrenos, sendo estes espíritos livres de angústia e tormentos causados por faltas carnais.
          "A felicidade futura está para o homem em razão da soma do bem faz; a da infelicidade em razão do mal praticado e das infelicidades que tenham feito.”
Larissa de Iansã


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Natureza das Penas e Gozos Futuros


Natureza das Penas e Gozos Futuros
           
              Dando continuidade ao estudo da quarta parte do livro dos espíritos, capítulo dois, falaremos agora sobre a natureza das penalidades e dos prazeres futuros.
             
              Após a morte, as penalidades dos atos são sentidos com maior intensidade, uma vez que a matéria não sente mais as sensações. Há aqueles que, por pura ignorância e falta de conhecimento não acreditam que seus atos terão consequências após o desencarne, mas isso não os impedirá de sentir.
              Existem diversas consequências para aqueles espíritos que de alguma forma prejudicaram alguém ou a si mesmo quando encarnados, mas a maior tortura para eles é não poder mais satisfazer seus vícios e pensar que estão condenados a sofrer essa aflição para sempre. Eles vêm a felicidade dos justos e a causa da sua infelicidade e compreendem sua culpa, fazendo disso seu martírio.
              O culpado de atos perversos é condenado a estar na presença de sua vítima como forma de castigo até que tenha reparado suas faltas em novas existências, enquanto esse dia não chega, é perseguido pelo arrependimento de suas atrocidades. 
               A felicidade dos bons espíritos consiste em compreender a felicidade do próximo sem invejar, não alimentar sentimentos ruins como ódio, ciúme e ambição. Especialmente, consiste em conhecer todas as coisas para que possa transmitir seus conhecimentos a outros espíritos na esperança de ajudá-los, dessa forma não fazer com que sua felicidade seja egoísta. Quando o desapego espiritual é atingido, o ser é livre do peso de seus atos condenáveis pois venceu as provas a que ele próprio se submeteu e então pode se unir a espíritos que desfrutam da mesma sensação.

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              Os espíritos perversos, por sua vez, procuram desviar do caminho do bem aqueles que são mais influenciáveis, encarnados ou não. No entanto, essa influência é maior sobre os encarnados pois são mais incentivados por paixões materiais, vícios e as coisas terrenas.
              Kardec questiona aos espíritos sobre a doutrina do fogo eterno, elas elucidam que o fogo remete ao símbolo da ação mais enérgica, sendo uma espécie de crueldade que os povos antigos imaginavam e que, ainda na contemporaneidade, alguns tomam como realidade. Os espíritos de luz ressaltam que não é necessário ter conhecimento do espiritismo para alcançar a elevação, mas a compreensão da espiritualidade ajuda o homem a ser melhor.
            Na Umbanda concordamos plenamente com esse raciocínio pois acreditamos que, independente da religião que se segue, o que assegura bom êxito no futuro é a prática do bem, do amor e da caridade. Qualquer caminho que nos conduza a prática do bem, é válido.
Larissa de Iansã

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas


Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas

              Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, trataremos agora das informações contidas no livro 4, capítulo 2 “ Intervenção de Deus nas penas e recompensas”.

              Inicialmente, Kardec questiona sobre a importância dada por Deus a cada homem, se cada homem é realmente importante e se Deus cuida de cada um, de cada passo, visto que a Grandeza de Deus é incalculável e nós somos minúsculos. Os espíritos reveladores orientam que Deus cuida de cada detalhe de sua criação e que nada é insignificante aos olhos D’ele e da sua bondade.
              Posteriormente, Kardec indaga sobre a importância dada por Deus aos nossos atos, para nos punir ou recompensar, e se tais atos não são insignificantes para a grandeza de Deus. Os Espíritos então esclarecem que Deus traçou limites através de sua lei, a punição está nos limites, todos os excessos irão gerar consequências, como doenças e muitas vezes a morte. As punições são de nossa total responsabilidade, quando tentamos ultrapassar a linha da lei de nosso Criador. Deus em sua bondade infinita, envia até nós espíritos que nos possa inspirar a seguir sempre no caminho D´Ele. 

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              Os ensinamentos contidos no capítulo acima, se assemelham com a doutrina Umbandista. Todos os atos por nós realizados são avaliados durante todo o tempo, a lei dos Homens não é a mesma de Deus. No culto aos Orixás temos Ogum e Xangô, representantes da lei e da justiça divina, quando nossos atos, palavras, pensamentos e hábitos se desviam da lei e da justiça de Deus não teremos bons frutos. Não se pode plantar laranja e esperar que nasçam morangos.
              Os guias que nos acompanham estão ao nosso lado durante toda nossa caminhada, nos amparando e intuindo sempre para o caminho do amor, da caridade e da fé. Porém muitas vezes nossos olhos e ouvidos se fecham para eles, muitas vezes estamos com a vibração tão baixa devido aos excessos cometidos que o som de nossos pensamentos nos ensurdece, nossa visão se embaça e não conseguimos deixar que nos auxiliem.
              Olorum nos dá sempre, a cada segundo, a chance para sermos melhores e nos aproximarmos dele, e em sua perfeição infinita, não nos carrega em nossa caminhada, mas nos ensina a andar junto dele.
Pedro” de Xangô