quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Direito de Propriedade. Roubo

Direito de Propriedade. Roubo

Temos no capítulo XI do livro terceiro, leis morais, do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, a premissa do “direito de propriedade. Roubo”. O dicionário Aurélio traz o significado de direito de propriedade como “direito que o homem tem de conservar o que lhe pertence e de apropriar-se daquilo que outrem lhe cede legalmente ou que adquire sem contestação.” e de roubo como “Esquivar-se. Tirar o que está em casa alheia ou o que outrem leva consigo. Cometer fraude em. Subtrair às escondidas, furtar. Rapar. Despojar de. Plagiar; dar como invenção sua o que outrem inventou. Arrebatar, enlevar, arroubar, extasiar.”. A partir desses significados no contexto atual vamos analisar as perguntas 880 a 885 de Kardec aos espíritos para o contexto da época e trazer para o atual relacionando a prática umbandista.
Os espíritos respondem conforme a pergunta de Kardec que o primeiro direito natural que todos temos é o de viver, sendo assim ninguém tem o direito de atentar contra a vida do próximo, o que podemos ver é uma regra que também se aplica hoje as nossas leis, onde cometer ato contra vida de alguém é crime. A Umbanda além da vida das pessoas preservamos toda a vida existente na terra como a natureza e seus animais como uma prática religiosa. Em sequência Kardec pergunta se juntar coisas enquanto vive para depois quando não conseguir mais trabalhar é correto, e os espíritos respondem  afirmativo, porém com a ressalva que, desde que isso se faça através de um trabalho honesto e que de forma coletiva, ou seja, não de maneira egoísta. Na lei atual se cometemos algum crime durante trabalho podemos ser presos, porém a questão do egoísmo é uma coisa da ética e moral, onde o sucesso também está atrelado a está questão, mas não é citado na lei dos homens. Na umbanda o trabalho de todos deve ser em conjunto para a construção do Templo material e individual que ocupa os corações de cada um, uma frase citada pelo Caboclo 7 Flechas dirigente de nossa Tenda é: “Só se tem amor naquilo que se constrói com as próprias mãos”.
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Continuando as perguntas, em sequência, é dito sobre direito natural de trabalhar  e viver, quando é perguntando se o homem tem o direito de defender aquilo que juntou e a resposta é justamente que sim por esses dois direitos citados anteriormente, desde que tenha sido adquirido de maneira honesta. Na lei atual também temos punições para aqueles que furtam, subtraem, e alguns mecanismos de defesa que ainda são falhos, porém existem. Na umbanda temos sim o direito de defesa, onde cada um cuida de suas coisas, de suas coisas particulares até mesmo do nosso próprio templo com muros e sistemas de segurança. 
Temos três perguntas a seguir que se correlacionam, a legitimidade da propriedade, o desejo de possuir e sua relação com certo e errado, tendo como resposta de acordo com os espíritos que tudo é legitimo, desde que não tenha prejudicado outras pessoas e o desejo de possuir é comum, porém possuir apenas pra si é egoísmo e ainda questionam se acumular para saciar suas paixões seria aprovado por Deus? E afirmam que o trabalho daquele que acumula pro amor e caridade é abençoado. Com vista nessas questões a lei dos homens não trata sobre acumular pra si ou para a caridade, ela permite que cada um acumule do jeito que acha correto, porém a legitimidade de seus bens é fiscalizada a todo momento conforme pagamento de impostos e declarações de bens para controle governamental e questões financeiras. Já na Umbanda temos a legitimidade também com o que foi adquirido através da honestidade e acreditamos que o acumulo de coisas materiais sem um fim prestativo apenas traz prejuízos o que traz energeticamente negatividade que faz a pessoa ter dificuldades de desapego e gerar sentimentos de egoísmo e vaidade.
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Por último temos a pergunta sobre o limite do direito de propriedade o qual os espíritos afirmam que não há limites desde que seja adquirido com honestidade e citam que na lei dos homens o que é correto hoje, amanhã pode não ser, devido a evolução e que as mudanças tendem a aproximar da lei divina e que essas transformações são necessárias. Tendo essa resposta podemos analisar que as leis de alguns anos atrás já são totalmente diferentes das leis de hoje e assim vamos nos adaptando as mudanças para melhor nos adequarmos. Na umbanda existem mudanças de práticas que são leis, também ocorrem de acordo com a evolução dos trabalhadores do local ou por questões culturais, o importante saber que os espíritos sempre trazem a renovação necessária a cada local conforme evolução dos trabalhadores.
Após analisarmos em diversos contextos este pequeno trecho do Livro dos Espíritos podemos perceber que tudo rodeia em torno do amor e da caridade e a luta constante sobre os excessos, paixões e vícios que levam ao desequilíbrio. Colocando a nossa vida em torno do amor e da caridade podemos guiar em prol ao crescimento moral e espiritual que todos almejam.

Pai Igor" de Oxum

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Justiça e Direitos Naturais

Justiça e Direitos Naturais

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, refletiremos sobres as informações transmitidas no livro III capítulo 11- Conhecimento do futuro quando um homem mata o outro 
Kardec começa questionando os espíritos sobre de onde vem o sentimento de justiça, se esse sentimento é adquirido pelo convívio na sociedade, ou faz parte da natureza do homem, somos esclarecidos que esse sentimento faz parte da natureza do homem desde sua criação, por esse motivo as injustiças cometidas por outros nos chocam tanto, causando tanto incômodo. Com o passar do tempo, e o convívio com os outros esse sentimento vai sendo apurado, com a elevação da moral. Mas a essências dessa virtude foi dado por Deus aos homens.
Muitas vezes o que parece justo para um pode não parecer justo aos olhos do outro, somos explicado que isso ocorre devido à contaminação do sentimento de justiça pelas paixões terrenas, o que faz com que vejamos as coisas sob um falso ponto de vista.
Os espíritos nos dizem que “A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um”, e que tais direitos são determinados tanto pela lei humana quanto pela lei natural. Com o passar do tempo a lei humana vai se alterando e se adequando à moral de época da humanidade, por exemplo, a escravidão, fogueira da inquisição e outros atos hoje tidos como abomináveis eram permitidos pela lei humana. Com a mudança da moral a lei dos homens poderá se aproximar ou se afastar da divina. Chamam-nos a atenção também, para o tribunal da consciência, pois o que fazemos em nossas vidas privadas, nossos pensamentos, estão sujeitos ao julgamento pelo tribunal de nossa consciência. 
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O codificador pergunta aos espíritos  reveladores em que se baseia a justiça para a lei natural, Qual seria sua “constituição”.Nos respondem então que temos no nosso coração essa base, essa justiça, para todos os nossos atos. E que quando sentirmos dúvidas, quando a linha entre ambas as justiças ficar tênue, devemos lembrar das palavras de Cristo “Deseje para os outros o que quereríeis para vós mesmos”, e dizem também que Deus não poderia ter nos dado guia mais seguro do que nossa própria consciência. 
Lembram-Nos ainda que Deus não fez uns de limo mais puro que outros, somos todos iguais, essa igualdade se mostra também nos direitos naturais e que esses são externos. 
A umbanda nos ensina sempre a diferenciar, ponderar, agir com empatia para com o próximo. Muitas vezes julgamos o irmão, nos achamos no direito de julgar por nos sentirmos superiores aos nossos irmãos, mas somos todos iguais. Acredito que se colocar no lugar do outro seria a forma mais justa de agir em algumas situações, aceitando que se caminhássemos por onde o outro caminhou, se pensássemos nas mesmas pedras que nosso irmão pisou, provavelmente agiríamos da mesma forma.

Xangô, orixá da Justiça, se mostra sempre com seu “oxé” (machado de corte duplo) para nos lembrar que a justiça sempre terá pelo menos dois pontos de vista. Outro símbolo da justiça é a balança, porém devemos nos lembrar que a justiça não está nos pratos da balança, mas sim no prego central que a sustenta e da mobilidade. 
Como diz o ditado “Está escrito na pedra”, a lei justiça e os direitos naturais foram gravados por Deus em nossos corações. 
Pedro Maciel ‘’ de Xangô

domingo, 13 de outubro de 2019

Resumo teórico do móvel das ações humanas

Resumo teórico do móvel das ações humanas
O livre arbítrio é um assunto sempre difícil de ser colocado em debate. Muitos semeiam a ideia de que “TUDO” já está escrito, predefinido e desta forma terá de ser. O homem não é conduzido ao mal porque está escrito, os atos realizados não estão antecipadamente dispostos como se Deus tivesse um ‘caderninho’, o que fazemos ou como agimos não resulta de uma sentença predeterminada, mas de nossos próprios atos.
Para sermos provados e buscarmos nossa própria evolução, podemos escolher uma existência onde estaremos sempre tendendo ao mal, tanto por influência de pessoas com as quais convivemos quanto ao meio onde estaríamos. Por mais que assim fosse, sempre teríamos uma escolha de seguir algo ou não, de seguir o “bem” ou o “mal”. Aí é que se encontra o livre arbítrio.
O livre-arbítrio se dá em dois âmbitos dispostos (e complementares): O espiritual e o corporal. No aspecto espiritual é quando um espírito, ainda em estado errante, escolhe (de acordo com a permissão divina) sua existência e as provações pelas quais deseja passar. No corporal é na possibilidade de ceder ou resistir às más tendências. Quando a alma cede à essas más tendências, está sucumbindo às provas que este mesmo escolheu superar quando ainda no espiritual.

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   Muito se fala da fatalidade, entendida como uma decisão prévia de todos os acontecimentos durante a vivência (sem a opção de mudar), ainda que sejam fatos poucos relevantes. Esta vai contra a ideia que temos de livre arbítrio, pois sendo assim, seres humanos seriam como robôs, sem vontade própria, somente máquinas programadas. Do que serviria a inteligência se tudo ocorresse fatalmente como definido anteriormente? Consequentemente não haveria bem ou mal, pessoas boas ou más,  certo e errado, pecados e virtudes. Sendo assim, Deus não haveria de “castigar” por faltar ou “recompensar” por méritos, visto que não haveria uma escolha autônoma. Portanto, quais motivos teríamos de buscar melhorias e evolução?

     Em um sentido mais amplo, a fatalidade tem sim uma finalidade que não seja a prescrição de uma vivência. Nesse caso, esta se dá no momento que obtivermos sucesso ou fracasso nas provações, ou seja, uma vitória uma ‘recompensa’ ou uma derrota, um ‘castigo’. “O detalhe dos acontecimentos está subordinado às circunstâncias que ele próprio provoca por seus atos”.

     As pessoas buscam eximir-se da culpa dos próprios atos julgando que a razão destes, poderia seria o local de onde vieram, onde e com quem viveram, e que a culpa é exclusivamente disso. Dessa forma, desconsideram sua própria natureza (seu espírito e essência). No Espiritismo acredita-se que o livre-arbítrio é desenvolvido juntamente com o desenvolvimento da inteligência e implica um aumento pela responsabilização dos atos praticados por mais que possamos ser induzidos e tenhamos influências externas.
Essa teoria da causa é a que mais nos revela sobre nós mesmos, pois tendo a faculdade de ceder às más tendências, é que observamos nossa verdadeira essência, cedendo àqueles que não se deve e fechando as portas que estes usam ou resistindo e mostrando nossa própria força.

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     Trazemos ao corpo nossas imperfeições carregadas em espírito, a oportunidade de aqui estar novamente é para que possamos buscar melhorias e  evolução moral. É justamente essas imperfeições que nos deixam abertas a ideias exteriores que nos induzem ao erro.
     
     A espécie humana que compõe a terra é uma das raças menos evoluídas, juntamente com o planeta, um dos menos evoluídos, por isso a existência de mais maus do que bons espíritos. Considerando isto, deveríamos buscar ao máximo nossa melhora para que não retornemos a tal ponto de precisarmos por aqui passar mais uma vez. O caminho é duro, a jornada é longa, mas o ponto que chegada, o qual almejamos tanto, irá recompensar cada um que por aqui passar. 

     Voltando-se para a Umbanda, o termo mais usado para o seguinte assunto é “karma”. É considerado que tudo aquilo que se faz ou se fala, afetando a outro ou ao universo de alguma forma, por menos relevante que seja, retorna ao autor. Se você faz o bem, este voltará, se faz o mal, da mesma forma será. Esse fato se liga diretamente a nosso Orixá Xangô, aquele que traz a justiça, aquele que é imparcial e sempre definirá imparcialmente a reação de acordo com cada ato. Muito se fala sobre os Exus, outro tabu, debatem sobre serem bons ou maus, fazerem o bem ou o mal, deve-se ressaltar que Exu não é bom, não é mal,é justo. Trará para nós aquilo que merecemos. São conhecidos também por “Agentes do Karma”. Não acredite que terá amor, disseminando ódio, nem sequer bondade, espalhando maldade. Você é quem traça seu próprio caminho, faça o bem a outrem e isso é o que retornará a ti. Como muitos dizem por aí:      

     “A gente colhe o que planta”.
Junio de Oxalufã

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Conhecimento do Futuro

Conhecimento do Futuro

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, refletiremos sobres as informações transmitidas no livro III capítulo 10- Conhecimento do futuro
No decorrer do capítulo, Kardec questionou os espíritos se o futuro pode ser revelado ao homem. Somos esclarecidos de que o futuro é na grande maioria das vezes oculto ao homem, apenas em casos raros e pontuais poderemos ter informações sobre ele.
O futuro nós é oculto, pois caso contrário, ficaríamos estacionados na evolução, apenas aguardando o fim, o ponto de chegada, mas não faríamos nada para chegarmos até lá. Exemplificam-nos com o recebimento de uma herança inesperada, caso seja revelado a um encarnado que ele receberá uma herança, muitos irão apenas aguardar até que ela chegue, não vivendo o presente e baseando suas vidas apenas no futuro, podendo inclusive, desejar a morte do ente de qual herdará. Continuam o exemplo nos esclarecendo de que caso a previsão não se cumpra, o homem terá que conviver com a possível decepção. 


Sobre o porquê Deus permite que para alguns algumas informações possam ser reveladas, nos explicam que a revelação nesses casos é necessária para o homem, induzindo o homem a agir de forma diferente da qual faria. Voltando ao caso da herança, caso o previsão não se cumpra o homem terá que lidar com a decepção. Tal decepção poderá ser a provação da qual ele precisa.
Kardec questiona a respeito sobre o motivo pelo qual Deus, mesmo sabendo se o homem fracassará ou não em determinada prova, mesmo assim o faz por ela. Os espíritos reveladores nos dizem que todos precisam passar pelo processo, do mesmo modo que passamos pela infância para alcançarmos a vida adulta. Dessa forma Deus dá ao homem total responsabilidade sobre suas ações, pois teremos a liberdade de fazer ou não fazer.
Se observarmos o capítulo do ponto de vista da Umbanda, podemos notar diversas semelhanças, principalmente no quis diz respeito ao por que alguns fatos nos são revelados. Muitos guias nos dizem sobre o futuro, sobre o quanto cada filho de fé irá evoluir e se melhorar, mas a busca pela melhora não depende do guia, mas sim do filho de fé. Caso um guia revele a um consulente que o mesmo será muito rico, terá muito dinheiro, caberá ao consulente correr atrás disso, trabalhar para que isso ocorra, ou ficar sentado esperando. Somos cem por cento responsáveis por tudo que ocorrem nossas vidas. 
O que você está fazendo para ter o futuro que você deseja?
Pedro Maciel ‘’ de Xangô

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Fatalidade

Fatalidade

No capítulo X do Livro III dos Espíritos, Kardec aborda a fatalidade e para elucidar o tema faz 17 perguntas aos espíritos da verdade, abaixo abordaremos cada uma dessas perguntas separadamente. Ao fim faremos uma reflexão sobre as perguntas quanto a ótica umbandista.
851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida? Todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, o que é o livre-arbítrio? 
Para esta primeira pergunta o espírito responde que a fatalidade existe somente pela escolha que o espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo, instituiu para si uma espécie de destino, que é consequência da maneira de como se encontra. Isso quanto às provas físicas, pois quanto às provas morais e tentações, o espírito, conforme seu livre-arbítrio, é sempre responsável por ceder ou resistir. Ao vê-lo fraquejar, um bom espírito pode vir em auxílio, mas não pode influir sofre ele de maneira a dominar a sua vontade. Um espírito mau pode influenciá-lo negativamente. No entanto, o espírito é livre para tomar as suas decisões conforme o livre arbítrio. 
852. Há pessoas que parecem perseguidas por uma fatalidade, independente da maneira por que procedem. Não lhes estará no destino o infortúnio? 
Para esta pergunta o espírito responde que talvez a má-sorte e o infortúnio sejam provas que eles devam passar e que eles escolheram antes de encarnar. Pensando desta forma estamos terceirizando o fracasso que quase sempre é devido ao seus próprios atos e escolhas. Tenha consciência de que os males que te afligem e isso já lhe servirá de consolo. A maneira de como entendemos cada coisa, de forma correta ou errada, nos levam a ser bem ou mal sucedidos conforme com nosso caráter e posição social. Achamos mais confortável e menos humilhante explicarmos o fracasso com a sorte ou o destino do que às nossas próprias falhas. A influência dos espíritos também contribui para isso, confere a nós a responsabilidade de nos blindar quando más ideias. 
853. Algumas pessoas só escapam de um perigo mortal para cair em outro. Parece que não podiam escapar da morte. Não há nisso fatalidade? 
O espírito responde que fatal somente a morte é, não podendo fugir dela quando chegar o momento.
a. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos? 
O espírito responde que não morrerá antes do momento correto e existem milhares de exemplos disso. Quando porém for a hora, não poderá impedir. Deus sabe como será a morte do homem e muitas vezes seu espírito também o sabe, devido isso ter sido revelado, quando escolheu essa ou aquela existência.

854. Sendo a hora da morte irreversível, poder-se-á deduzir que sejam inúteis as precauções que tomemos para evitá-la? 
O espírito responde que não, pois as precauções nos são sugeridas como ferramenta de evitarmos a morte que nos ameaça. São um dos meios empregados para que ela não se dê.
855. Com que fim nos faz a Providência correr perigos que nenhuma consequência devem ter? 
O espírito responde que o fato de se colocar em risco de vida constitui um aviso que você mesmo desejou, a fim de se desviar do mal e se tornar melhor. Quando escapamos destes perigos, quando ainda estamos sob a impressão do risco que corremos, cogitamos, mais ou menos seriamente, nos melhorarmos, conforme seja mais ou menos forte a influência dos bons espíritos. Caso a influência do mau espírito for maior, passará a pensar que do mesmo modo escaparás a outros perigos e deixas que de novo tuas paixões se desencadeiam. Por meio dos perigos que corremos, Deus nos lembra da nossa fraqueza e a fragilidade da nossa existência. Se examinarmos a causa e a natureza do perigo, notamos que, quase sempre, suas consequências teriam sido a punição de uma falta cometida ou da negligência no cumprimento de um dever. Deus, por essa forma, faz o espírito a cair em si e a se emendar.
856. Sabe o Espírito antecipadamente de que gênero será sua morte?
A resposta do espírito da verdade é que o espírito sabe que o tipo de vida que escolheu o expõe mais a um tipo de morte do que de outro tipo. Sabe também quais as lutas que terá de sustentar para evitar e que, se Deus permitir, não sucumbirá.
857. Há homens que afrontam os perigos dos combates, persuadidos, de certo modo, de que a hora não lhes chegou. Haverá algum fundamento para essa confiança?
O espírito responde que frequentemente o homem tem o pressentimento de seu fim, assim como pode ter o de que não morrerá. Esse pressentimento vem dos espíritos seus protetores, que assim o advertem para que esteja pronto a partir, ou lhe fortalecem a coragem nos momentos em que mais dela necessita. Pode vir-lhe também da intuição que tem da existência que escolheu, ou da missão que aceitou e que sabe ter que cumprir.


858. Por que razão os que pressentem a morte a temem geralmente menos do que os outros?
A resposta é que quem teme a morte é o homem, não o espírito. Aquele que a pressente pensa mais como espírito do que como homem.  Compreende que a morte é na verdade a libertação para seu estado original, de espírito, e que a espere.
859. Com todos os acidentes, que nos sobrevêm no curso da vida, se dá o mesmo que com a morte, que não pode ser evitada, quando tem de ocorrer? 
O espírito responde que os acidentes que temos durante a vida são coisas muito insignificantes, de modo que os espíritos nos podem prevenir deles e evitá-los algumas vezes, dirigindo o nosso pensamento, pois os sofrimentos materiais os desagradam. Isso porém nenhuma importância tem na vida que escolhemos. A fatalidade só existe no momento em que devemos aparecer e desaparecer deste mundo.
a. Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram? 
O espírito responde que sim, mas estes foram escolhidos pelo espírito antes de encarnar. No entanto nem tudo o que acontece está escrito, como muitos dizem. Um acontecimento qualquer pode ser consequência de um ato que realizou por livre vontade, de forma que, se não tivesse realizado, não passaria por isso. Imagine que queimou o dedo. Isso nada mais é o resultado da sua imprudência e efeito da matéria. Só as grandes dores, os fatos importante capazes de influir no moral, Deus os prevê, porque são úteis a sua depuração e a sua instrução.

860. Pode o homem, pela sua vontade e por seus atos, fazer que se não dêem acontecimentos que deveriam verificar-se e reciprocamente?
O espírito responde que sim, caso essa mudança não atrapalhe a sequencia de vida e aprendizados que ele escolheu. Essas mudanças são possíveis para fazer o bem, pois esse é o objetivo da existência, é facultado impedir o mal, inclusive o mal que ele próprio pode ter dado causa total ou parcial.
861. Ao escolher a sua existência, o Espírito daquele que comete um assassínio sabia que viria a ser assassino?
O espírito responde que não. Escolhendo uma vida de lutas, sabe que terá ensejo de matar algum de seus semelhantes, mas não sabe que fará. O crime só acontece, na maioria das vezes, se antes ele se sujeitar a praticá-lo. Aquele que toma uma decisão é sempre livre para fazê-la ou não. Se soubesse previamente que, como homem, teria que cometer um crime, o espírito estaria predestinado a isso. Ninguém é predestinado ao crime e todo crime, como qualquer ato, resulta sempre da vontade e do livre arbítrio. 
862. Pessoas existem que nunca tem bom êxito em coisa alguma, que parecem perseguidas por um mau gênio em todos os seus empreendimentos. Não se pode chamar a isso fatalidade? 
O espírito responde: “Será uma fatalidade, se lhe quiseres dar esse nome, mas que decorre do gênero da existência escolhida. É que essas pessoas quiseram ser provadas por uma vida de decepções, a fim de exercitarem a paciência e a resignação. Entretanto, não creias seja absoluta essa fatalidade. Resulta muitas vezes do caminho falso que tais pessoas tomam, em discordância com suas inteligências e aptidões. Grandes probabilidades tem de se afogar quem pretender atravessar a nado um rio, sem saber nadar. O mesmo se dá relativamente à maioria dos acontecimentos da vida. Quase sempre obteria o homem bom êxito, se só tentasse o que estivesse em relação com as suas faculdades. O que o perde são o seu amor-próprio e a sua ambição, que o desviam da senda que lhe é própria e o fazem considerar vocação o que não passa de desejo de satisfazer a certas paixões. Fracassa por sua culpa. Mas, em vez de culpar-se a si mesmo, prefere queixar-se da sua estrela. Um, por exemplo, que seria bom operário e ganharia honestamente a vida, mete-se a ser mau poeta e morre de fome. Para todos haveria lugar no mundo, desde que cada um soubesse colocar-se no lugar que lhe compete.”

863. Os costumes sociais não obrigam muitas vezes o homem a enveredar por um caminho de preferência a outro e não se acha ele submetido à direção da opinião geral, quanto à escolha de suas ocupações? O que se chama respeito humano não constitui óbice ao exercício do livre-arbítrio? 
Resposta do espírito: “São os homens e não Deus quem faz os costumes sociais. Se eles a estes se submetem, é porque lhes convêm. Tal submissão, portanto, representa um ato de livre- -arbítrio, pois que, se o quisessem, poderiam libertar-se de semelhante jugo. Por que, então, se queixam? Falece-lhes razão para acusarem os costumes sociais. A culpa de tudo devem lançá-la ao tolo amor-próprio de que vivem cheios e que os faz preferirem morrer de fome a infringi-los. Ninguém lhes leva em conta esse sacrifício feito à opinião pública, ao passo que Deus lhes levará em conta o sacrifício que fizerem de suas vaidades. Não quer isto dizer que o homem deva afrontar sem necessidade aquela opinião, como fazem alguns em quem há mais originalidade do que verdadeira filosofia. Tanto desatino há em procurar alguém ser apontado a dedo, ou considerado animal curioso, quanto acerto em descer voluntariamente e sem murmurar, desde que não possa manter-se no alto da escala.”
864. Assim como há pessoas a quem a sorte em tudo é contrária, outras parecem favorecidas por ela, pois que tudo lhes sai bem. A que atribuir isso? 
O espírito responde que muitas vezes é que essas pessoas sabem conduzir melhor seus negócios, mas que isso pode também ser uma prova. Muitas vezes ocorrem muitos êxitos que são seguidos de vários revezes, disso pode ser tiradas grandes e difíceis lições.
865. Como se explica que a boa sorte favorece a algumas pessoas em circunstâncias com as quais nada têm que ver a vontade, nem a inteligência: no jogo, por exemplo? 
Resposta do espírito: “Alguns Espíritos hão escolhido previamente certas espécies de prazer. A fortuna que os favorece é uma tentação. Aquele que, como homem, ganha; perde como Espírito. É uma prova para o seu orgulho e para a sua cupidez.” 
866. Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossa vida também é resultante do nosso livre-arbítrio?
O espírito responde que você mesmo escolheu a sua prova. Quanto mais rude ela for e melhor a suportar, mais se elevará. Os que passam a vida na abundância e na ventura humana são Espíritos fracos, que permanecem estacionários. Assim, o número dos desafortunados é muito superior ao dos felizes deste mundo, atento que os Espíritos, na sua maioria, procuram as provas que lhes sejam mais proveitosas. Eles vêem perfeitamente bem a futilidade das vossas grandezas e gozos. Acresce que a mais ditosa existência é sempre agitada, sempre perturbada, quando mais não seja, pela ausência da dor.
867. Donde vem a expressão: Nascer sob uma boa estrela?
O espírito diz que é uma antiga superstição que ligava a sorte dos homens e seus destinos as estrelas. Completa o espírito dizendo que algumas pessoas fazem a tolice de levar isso ao pé da letra. 
Nestas longas e reflexivas perguntas pudemos notar que o livro dos espíritos se encaixa bem com a filosofia umbandista mais uma vez, nós umbandistas também não acreditamos em um destino imutável, mas cremos que antes de encarnarmos planejamos quais lições deveriam ser exercitadas e aprendidas durante nossa existência corpórea, mas essas lições podem ser aprendidas em diversos caminhos diferentes que vamos escolhendo durante nossa vida. Nenhuma estrela manda no seu destino, nem o orixá ou o signo te obrigam a agir de uma determinada forma. Chega de desculpas, seja o senhor do seu destino e deixe de terceirizar responsabilidades. A sorte aos olhos humanos pode ser o azar no mundo espiritual. Um ganhador de um prêmio milionário da loteria pode desfrutar ao máximo os prazeres da carne, mas será que isso o engrandecerá espiritualmente?! Muito dificilmente. Tome as rédeas de sua própria vida, tome conta da sua encruzilhada.
Axé
Ricardo de Ogum Matinata

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Livre-arbítrio

Livre-arbítrio

O assunto discorrido neste texto versa sobre o livre-arbítrio, presente no Livro III, Capítulo X, de “O livro dos espíritos”, de Allan Kardec.

Apesar do tema aqui tratado está direcionado aos fundamentos da doutrina espírita, é de extrema importância registrar que praticamente a totalidade das religiões defende a questão do indivíduo ser livre para fazer suas próprias escolhas e tomar decisões por sua conta e risco. 

Inclusive o catolicismo, mesmo não havendo registros bíblicos específicos sobre livre-arbítrio, deixa implícito que o homem possui liberdade de escolha, todavia, é responsável pelo resultado gerado pelas ações que escolheu.

Livre-arbítrio tem várias definições segundo vários ramos: psicologia, filosofia, ciência, religião. Para o Espiritismo, restringe-se à liberdade de agir. Então, o conceito torna-se difícil de ser estabelecido, embora fácil de ser entendido. 


Fazendo-se um agrupado dos pontos mais importantes de cada ramo, temos que livre-arbítrio é a faculdade que o ser humano possui de escolher e decidir agir ou não agir, dentre várias opções, conforme sua própria vontade, sem condição, impedimento ou causa prévios.

O livre-arbítrio nasce automaticamente com o Espírito, mas isso não significa que seremos responsabilizados pelos nossos atos desde a infância. A criança, em fase de conhecimento, não pode ser responsabilizada por algo que nem entende. Com isso, a conquista do livre-arbítrio é de forma progressiva, proporcional à conquista da inteligência.

Isso implica que não podemos ser responsabilizados por algo que fizemos e não sabíamos que era errado, todavia, isso não permite querer fingir o desconhecimento sobre algo, visto que nada escapa aos olhos de Deus.

A faculdade do livre-arbítrio é do Espírito e não do corpo que o reveste. Cabe a cada Espírito buscar a sua melhora, o seu crescimento próprio e lutar contra as possíveis características negativas e defeitos os quais possui. Aquele Espírito que não apresenta possibilidade de pensar e raciocinar os atos da vida civil está isento de suas faculdades.


Uma questão polêmica discutida é sobre a questão do alcoólatra e usuário de entorpecentes. Este usa de componentes para se satisfazer e praticar atos infames, logo, cometeu duas faltas.

Quando pisamos de pés descalços em um terreiro de Umbanda devemos ter em mente que cada um é responsável pelo seu desenvolvimento moral, espiritual, profissional ou qualquer que seja. Que cada um é responsável por seus atos, suas escolhas e pelo resultado de seus feitos, seja positivo, seja negativo. Que sempre serão apresentados os caminhos a ser seguidos, mas que você jamais será induzido a tomar uma decisão fora da sua liberdade de escolha. E, sobretudo, que, dependendo do merecimento e do respeito e seguimento da Lei Maior, sempre haverá apoio e proteção para se fazer aquilo que colabore com a sua melhoria e evolução individual, desde que não afete o livre arbítrio do próximo. 

Na Umbanda, jamais haverá discriminação, desrespeito e preconceito sobre as crenças, a religião, a raça, o gênero, enfim, sobre a individualidade de cada um. A liberdade de escolha sempre será respeitada e a sensação de acolhimento, respeito e de pluralidade sempre estará presente. Aquele que age em confronto com o livre-arbítrio pode ser o que for, menos umbandista. 

Hélder de Logunam