quarta-feira, 19 de junho de 2019

Progresso da Legislação Humana

Progresso da Legislação Humana

No livro III, capítulo 8, do Livro dos Espíritos, é tratado  sobre o progresso da legislação humana, onde a primeira indagação feita é sobre a possibilidade de a sociedade ser regida apenas pelas leis naturais sem o recurso das leis humanas. A reposta é que sim, caso os homens as compreendessem e quisessem praticá-las. 

No entanto, a sociedade tem suas exigências e precisa de leis particulares. A instabilidade das leis humanas está no fato dos mais fortes fazerem as leis a seu favor, havendo a necessidade de mudá-las na medida da compreensão humana sobre a justiça. As leis mais estáveis são aquelas feitas para todos e que se identificam com a lei natural.


No que se refere à necessidade de leis severas, sabe-se que uma sociedade depravada requer mais severidade em suas leis, sendo que, infelizmente, essas se destinam a punir o mal praticado e não o cortar pela raiz. Somente a educação pode reformar os homens.

A reforma das leis humanas ocorrerá naturalmente, pelas influências e circunstâncias. Muitas já foram reformadas e muitas outras ainda serão.


Lara de Ogum Iara

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Civilização

Civilização

 Dando continuidade ao Livro III dos Espíritos, no capítulo VIII, Kardec faz perguntas sobre a Civilização. Nesse texto irei explicar sobre o tema e como ele atinge nossos dias de hoje.

Antes de começar, vamos entender o que é uma Civilização. “Civilização é um substantivo que pode ser definido como o conjunto de caracteres próprios da vida social, econômica, cultural e política de um país ou região. Ou seja, civilização é o conjunto de tudo que é próprio de um cidadão. Se, a princípio, o significado de cidadão era algo restrito apenas a quem residia nas cidades, hoje se entende que o conceito de cidadão estende-se a todo aquele que faz parte de uma nação.” Tivemos desde a antiguidade diversas civilizações que, com suas formas distintas e suas leis, deixaram marcas que podem ser vistas até hoje desde a sua existência. Entre elas podemos citar três para que possamos entender, a civilização Egípcia, Grega e Romana. E o que seria um Ser civilizado? Aquele bem-educado, civil, cortês.


Pois bem, dando continuidade, Kardec inicia perguntando se a Civilização é um progresso ou decadência da Humanidade. Aos nossos olhos nos parece ser decadência, pois só vemos uma humanidade egoísta e cheia de orgulho. Mas os Espíritos respondem que é um progresso incompleto, pois como o próprio Kardec começa explicando em seu comentário no final das respostas, que assim como todas as coisas, a civilização tem seus degraus e os Homens ainda estão na infância desta, passando para a maturidade de se civilizar, porque nesse momento nossa sociedade ainda não pode dizer que está com a civilização completa. 

Na mesma pergunta, Kardec faz um acréscimo com outra, “É razoável condenar-se a civilização?”, os Espíritos respondem: “Condenai antes os que abusam dela e não a obra de Deus.”, A obra de Deus, a Lei do Progresso,  traz para que possamos viver em sociedade, com a nossa civilização, mas para que tenhamos essa civilização, precisamos de leis, ordens e pessoas civilizadas a fim de ter amor ao próximo. Kardec dá sequência questionando se algum dia sumirá todo esse mal que a civilização causa e por que ela não produz imediatamente o bem que poderia produzir. Os Espíritos explicam que “o fruto não pode vir antes da flor”. O mal da nossa civilização desaparecerá quando estivermos tão desenvolvidos moralmente quanto intelectualmente, pois o homem nos dias de hoje têm a inteligência avançada, nos mostrando isso através de sua ciência e tecnologia, mas não tem a moral totalmente desenvolvida, não estão preparados e nem dispostos a terem seu lado civilizado a fim de produzir todo o bem que a civilização poderia nos oferecer. Kardec finaliza suas perguntas sobre o tema, com a seguinte: “Por que sinais se pode reconhecer uma civilização completa?” os Espíritos deixam claro que só teremos uma civilização completa quando forem deixados de lado todos os nossos vícios, quando nos comportarmos como irmãos praticando a verdadeira caridade cristã.


Em uma conversa com um dos guias trabalhadores do nosso terreiro, Pai Zé Baiano, pelo médium Ederson de Ogum Xoroquê, o questionei sobre a nossa civilização nos dias atuais. 

O mesmo, acrescentando a resposta dos Espíritos sobre a civilização,  informou-me que a nossa civilização é incompleta por não termos amor ao próximo, por não olharmos para o próximo com amor, por estarmos sempre a favor do nosso ego e orgulho. Nós estamos sempre apontando o dedo para o próximo sem saber os caminhos que o outro teve que caminhar, sem saber as lutas  e dores que ele teve que passar para estar ali. 

Uma sociedade que vê que o outro precisa apenas de uma mão estendida ou um abraço apertado, mas que ainda assim deixamos nosso ego gritar dentro de nós e ao invés de ajudar, preferimos ou achamos mais fácil apontar, criticar.  

Pai Zé Baiano, com toda sua luz, continua dizendo que nos dias de hoje, nós, filhos de terra, vivemos em meio a sangues derramados ao chão, por falta de amor, por ambição de bens materiais ou vícios fúteis, que doenças psicológicas que existem hoje, como, por exemplo, a depressão, existe pelo mal da civilização, por tudo isso de ruim que optamos por fazer e oferecer, ao invés de usarmos a lei que Deus nos ensina sobre amar ao próximo, sobre caridade e sobre sabermos viver como irmãos. Segundo Pai Zé Baiano, saberemos que nossa civilização está completa quando a falta de amor não mais existir.

 “Não aponte um dedo, quando você aponta o dedo para o outro, você aponta quatro dedos para você mesmo… Não aponte um dedo, estenda a mão e ajude quem precisa.” - Caboclo Sete Flechas

Karol de Xangô

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Povos Degenerados

Povos Degenerados

Dando continuidade ao estudo do livro dos espíritos, no livro 3 capítulo VIII (povos degenerados) os espíritos no esclarecem sobre o progresso moral e intelectual, dando-nos um maior esclarecimento, no capítulo VIII, sobre progresso dos povos degenerados.
Retornando um pouco nos esclarecimentos fornecidos sobre a marcha do progresso, os espíritos nos dizem “O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade do homem por seus atos”. Meditando sobre a frase nos dita, podemos perceber que quanto mais o homem adquire conhecimento, mais responsabilidade terá sobre seus atos, pensamentos e conduta.

Kardec questiona na pergunta de número 786, sobre a recaída moral que ocorre com algumas populações após passarem por fortes comoções, abalos ou tragédias. E onde estaria o progresso nessas situações, pois o progresso acontece com todos a todo o momento. É-nos então explicado em uma comparação que, quando uma casa apresenta algum problema em sua estrutura, ela é derrubada para que uma nova, maior e mais confortável seja posta em seu lugar. Dessa forma, podemos ver o progresso ocorrendo, mas não devemos pensar que os povos que sofreram o dissabor da estrutura abalada possuem moral menos elevada. Esses povos abriram caminho para que seus irmãos se desenvolvam e melhorem ainda mais o que fora por eles deixado.


Esclarecem-nos também que um imenso número de espíritos elevados encarnados em nossa atual existência, com moral elevada, já foi, em períodos passados de nosso planeta, seres bárbaros que se desenvolveram com o passar de suas existências. E nos dizem também que as raças rebeldes ao progresso (progresso esse moral) estão fadadas a se extinguirem. 

Ao final do capítulo, questionados se algum dia todos os povos de nosso planeta se tornarão uma única nação, os espíritos nos explicam que isso não seria possível. Uma vez que existem diferentes climas, diferentes ecossistemas e que os povos de cada localidade precisam se adequar e evoluir conforme a natureza do local onde vivem. Mas nos dizem que a real união dos povos, em uma só nação, será pela CARIDADE, que deve ser o laço que une a todos nós. Para que dessa forma possamos crescer moralmente como UM, e nos aproximarmos de DEUS. Dessa maneira, nosso planeta irá repelir ou espíritos malfazejos, devido à diferença nas vibrações, de maneira natural. Até que esses se elevem e compartilhem da mesma caridade dos que em nossa Terra habitarem.


Ao analisarmos o referido capítulo sobre a ótica Umbandista, podemos perceber diversas semelhanças. O pilar de nossa amada Umbanda, “O desenvolvimento do espírito para a prática da CARIDADE”, é a fórmula para que possamos nos elevar e nos colocarmos em contato mais próximo com nosso criador. Outro ponto fundamental “A Umbanda tem fundamento e é preciso preparar”, a ignorância e estado de estagnação são os maiores escudos dos que se colocam contra a marcha do progresso. 

Acredito que a melhor frase para resumir o que nos foi explicado, unindo a doutrina Kardecista, O Evangelho de Jesus Cristo e a base da Umbanda trazida para nosso plano pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, seria “ Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.


Pedro de Xangô

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Marcha do Progresso

Marcha do Progresso

Prosseguindo com o estudo recém iniciado das Leis Morais, continuar-se-á a  desenvolver o Capítulo VIII da Parte Terceira de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. No que tange às Leis Morais, versar-se-á sobre a Lei do progresso, especificamente, a Marcha do Progresso, versada nas questões 779 a 785.

Para explicar inicialmente a matéria tratada de forma resumida, porém, objetiva e completa, o progresso deve ser entendido como evolução espiritual. É natural e involuntário, isto é, não é resultado de conhecimento adquirido ou acumulado como vários médiuns pensam e independe de nossa expressão de vontade. E por ser uma lei divina, não há uma forma de ser desconsiderada. Querendo ou não, de alguma forma, o ser humano vai evoluir conscientemente, sendo que essa questão da consciência de que está passando por evolução é a representação do respeito ao livre arbítrio de cada um, dogma tanto umbandista quanto kardecista.


O progresso é individual, cada um progride no seu tempo, conforme vai amadurecendo espiritualmente. Então, cada pessoa é responsável por sua própria evolução, pelos seus atos, pensamentos e decisões, quando a sua consciência está progredida. Outra característica dele é a progressividade, ou seja, o progresso é sempre crescente (para frente), não retroage (retorna ao estado anterior).

O progresso de um reflete no do outro, visto que temos a mesma essência/origem. E aquele que está mais progredido, retorna para ajudar aqueles que ficaram para trás, que progrediram menos, visando o objetivo final da providência. Existem duas fases internas, em se tratando de progresso, denominadas: progresso intelectual e progresso moral, respectivamente.

O progresso intelectual é aquele resultante das nossas experiências terrestres, das coisas que ouvimos, vemos, presenciamos, e tiramos daquilo algum conhecimento a ser aplicado, algum proveito. À medida que o espírito vai se aprimorando e progredindo nessa primeira fase, o desenvolvimento material, que compreende conquistas pessoais, profissionais, etc., vai se mostrando mais aparente, demonstrando a desnecessidade de ser continuado, o que não se deve acontecer. Essa fase ainda nos faz perceber o bem e o mal, para que possamos tomar decisões e decisões acertadas, dessa forma, a responsabilidade pelas nossas escolhas aumenta.


A questão 783 desencadeou uma resposta dos Espíritos Superiores esclarecedora no tocante ao resultado da ocorrência de fenômenos, tragédias e demais ocorrências que já aconteceram, que sempre são vistos com maus olhos. Devemos ter em mente que tudo o que acontece possui uma razão, uma justificativa divina. Então, quando é percebido que a evolução está muita lenta ou paralisada, isto ocorre para tirarmos um aprendizado, para que voltemos nossos olhos ao lado positivo das coisas. Esses acontecimentos demonstram a representação de Ogum, que diferentemente do que se pensa, não traz guerras e sim a paz, porém, para que haja a paz é necessário primeiramente que haja guerras, conforme já explicado anteriormente.

Mister se faz ressaltar que o egoísmo, o orgulho, a ignorância em todas as suas vertentes, o desinteresse em conhecimento, o estado de sentir que não há mais necessidade aprender nada, entre outras características afins, não fazem parte da marcha do progresso. Afinal, obstam, atrasam, mas não paralisam a marcha do progresso.


Encerrando, o progresso do homem interfere no desenvolvimento do planeta e o desenvolvimento coletivo ocorrerá quando estivermos na mesma frequência, em perfeita sintonia com as leis divinas.

A umbanda concorre significativamente com o progresso de cada um. A evolução espiritual é a maior de suas funções estratégicas. As entidades, através de suas orientações, trabalhos, mandingas, quebra de demandas, auxiliam com conhecimentos passados nos terreiros que devemos aplicá-los em nosso cotidiano. Para aprofundamento sobre o assunto, aconselhamos a leitura do livro Umbanda – Uma Escola Evolutiva, de André Cozta.

Axé!

Hélder de Logunam

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Estado de Natureza

Estado de Natureza

O Capítulo VIII da terceira parte do livro dos espíritos apresenta questões a respeito da lei de progresso, e às três primeiros perguntas, que estão sendo abordadas neste texto, fazem referência ao estado natural.

Na pergunta de número 776, é perguntado ao espírito da verdade se a lei natural seria idêntica ao estado natural. Como resposta, o espírito da verdade diz que são coisas distintas. Sendo que o estado natural é o estado primitivo, incompatível com a civilização. Já a lei natural contribui para o progresso da humanidade.

A lei natural é vista por nós umbandistas como sendo a manifestação da justiça divina, levando cada situação a quem é de direito, sendo lições, dificuldades,  recompensas e alegrias. Segundo essa lei, nada acontece na Terra sem a aprovação de Deus. Sendo assim, até as maiores atrocidades, covardias e injustiças aos olhos humanos teriam um propósito maior para o aprendizado e evolução dos envolvidos e até mesmo da humanidade.


Na pergunta 777, o entrevistador faz a observação que o homem em estado de natureza teria menos necessidades e por isso menos tribulações. Continuando nessa linha de raciocínio, ele pergunta se o homem nesse estado primitivo teria a mais perfeita felicidade na Terra. A resposta é que depende da ótica em que se vê. Essa felicidade é a felicidade do primitivo, do bruto. É ser feliz da mesma forma dos animais. E termina relatando que as crianças também são mais felizes que os homens feitos.

Como comentário, podemos acrescentar que é mais simples a vida sem tantas responsabilidades e problemas atuais, mas com certeza viemos a este mundo para explorar nossas potencialidades e gerar complicações para que possamos evoluir diante delas, como acreditam todas as religiões espiritualistas. Do contrário, qual seria o sentido da vida?


A pergunta 778 questiona se é possível o homem retornar aos seus estados primitivos. O espírito da verdade revela que não é possível. Que a evolução é algo natural do ser humano, pois foi criado por Deus desta maneira, segundo sua vontade. Pensar em retornar às condições mais primitivas seria negar a lei do progresso.

A resposta está condizente com o pensamento umbandista, uma vez que somos uma religião espiritualista e cremos na lei do progresso, sendo impossível o ser humano regredir em sua evolução.

Ricardo de Ogum Matinata

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Vida de Insulamento. Voto de Silêncio

Vida de Insulamento. Voto de Silêncio 

Dando continuidade aos estudos e textos acerca do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, neste texto abordaremos o tema apresentado no Capítulo 7 do Livro III, a Vida de Insulamento e o Voto de Silêncio.

Primeiramente, devemos compreender que o insulamento é o ato de se isolar da sociedade. Os espíritos são questionados sobre como o insulamento é visto por eles, e todas as respostas são categóricas e bem claras. O ato de se isolar da sociedade nada mais é do que um ato egoísta e não tem nada de benéfico ao nos isolarmos. O insulamento faz com que o ser humano se preocupe unicamente com seu bem-estar, esquecendo do amor e da caridade que devemos praticar diariamente. 

Na Umbanda, sabemos que devemos ter contato com a sociedade sim, pois é no dia a dia que devemos praticar os ensinamentos adquiridos no Terreiro. O insulamento é um ato egoísta, pois no dia a dia temos contato com as mais diferentes pessoas, das mais diferentes idades e gêneros. 


O contato com os irmãos nos faz refletir nossas próprias atitudes diárias, proporciona aprendizado, pois, ao vermos uma pessoa fazendo algo que, no nosso ponto de vista, é errado, teremos o senso crítico de não realizar o mesmo ato. O mesmo ocorre para ações positivas. Se observarmos uma pessoa fazendo algo que, no nosso ponto de vista, é bom (ou certo), tendemos a repetir a ação.  

Retornando ao Livro dos Espíritos, Kardec também apresenta esclarecimentos sobre o voto de silêncio. O silêncio é uma prática de recolhimento e de autoconhecimento, no entanto o voto de silêncio é desnecessário. A voz e a comunicação são faculdades essenciais ao ser humano. Seu uso abusivo ou a restrição do seu uso faz com que algo seja denegrido, com isso devemos ter a ciência de usar a voz e nos comunicar nos momentos certos e em quantidades exatas. 


Na Umbanda sagrada, as sete linhas são subdivididas em sentidos da vida: a Fé, o Amor, o Conhecimento, a Lei, a Justiça, a Evolução e a Geração. A Evolução então é feita por 2 orixás, que juntos trabalham para que o ser humano chegue ao equilíbrio da evolução vital. Um destes orixás é Nanã, dotada de sabedoria e  o outro é Obaluaê.

 Em linhas gerais, Obaluaê é o orixá do silêncio e da quietude. Para evoluirmos em nossa vida, precisamos ser silenciosos, no entanto silêncio no momento certo e da maneira correta. Por este motivo, a sábia Nanã está na Evolução com Obaluaê, pois devemos ter sabedoria para falar. Silêncio também não leva a nada, pois devemos conviver e compartilhar ideias e experiências com os irmãos, porque aqueles que compartilham ideias evoluem juntos.  


Victor de Oxumarê

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Pena de Morte

Pena de Morte

Em continuação aos nossos estudos do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, em seu Livro III, Capítulo IV, Lei da Destruição, vamos tratar sobre as perguntas 760 a 765 que Kardec faz aos espíritos sobre pena de morte. 

Esse assunto é abordado nos dias atuais e encontramos várias linhas de pensamentos, sendo que existem países que aplicam tal sanção e outros não. É um tema que gera várias interpretações conforme a realidade de cada local. 

Já de início, Kardec questiona se a pena de morte irá algum dia desaparecer da legislação humana e a resposta é que isso acontecerá com o tempo, quando o homem encontrar outros meios de sanar seus problemas.


É também falado pela espiritualidade que o homem procura o meio mais fácil de eliminar o problema e, muitas vezes, não dá oportunidade de arrependimento à pessoa que agiu fora da Lei, existindo outros meios sem ser a pena de morte. 

Ainda é citado na resposta dos espíritos, que o homem sempre julga uma coisa necessária quando não encontra nada melhor. Mas também é dito pelos espíritos que, nos últimos anos, (ressalta-se que o livro foi escrito no século XIX), as penas e punições evoluíram bastante com a criação de novos mecanismos de legislação.

Em continuidade, é questionada uma fala de Jesus Cristo “Quem matar pela espada perecerá pela espada”. De imediato, os espíritos respondem e dizem que há  equívoco na interpretação dessa fala, pois quem aplica essa lei é Deus  e não o homem. O bem que fizer retornará para você e o mal também, ao longo de suas encarnações, e não a lei que o homem aplica e julga. Ainda responde com outra frase de Jesus: “Perdoai aos vossos inimigos” colocando assim sentido em toda fala de Cristo, onde devemos fazer nossa parte perdoando e amando. 


Kardec finaliza o capítulo indagando o que devemos pensar sobre a pena de morte em nome de Deus. E a sábia resposta é que fazer algo dessa maneira é se colocar no lugar de Deus, distanciando assim o conhecimento sobre Deus, o que não exime a responsabilidade de quem  pratica o  crime em Seu nome.

Na Umbanda, aplicamos as lei do amor e da caridade e tudo é baseado em torno dessas leis. Então, seja qualquer coisa fora disso, na Umbanda não praticamos. Também de forma Cristã, não julgamos aqueles que pensam de modo diverso ou vivem de maneira diferente. 

Levando em consideração o tema abordado, podemos analisar que preservamos a vida em todas as suas formas, a natureza, suas plantas e animais. Somos a favor da preservação da vida humana e da cura, da reforma íntima e pessoal através da lei do amor e caridade.


Os Orixás, na Umbanda, trazem o equilíbrio para nossas vidas, nos mostram as divergências existentes em todos os âmbitos do mundo, trazendo aprendizado com as diferenças e tornando possível praticar o que é ensinado dentro dos terreiros e tendas de Umbanda. 

O tema abordado é complexo, conforme dito anteriormente, principalmente quando se trata de culturas diferentes. Há locais em que a população acha comum e há outros em que não, porém, independente da posição em que cada um se coloca perante tal fato, o principal é que devemos ter respeito  ao tempo  e à evolução de cada um.

Criar conflitos porque existem conflitos não ajuda a resolver nenhum problema, apenas dificulta. Então, através do conhecimento, do amor e da caridade, o homem encontrará seu caminho perante Deus.

Pai Igor de Oxum.’.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Duelo

Duelo

No livro III, capítulo 6 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec nos esclarece a respeito do Duelo. As primeiras perguntas esclarecem se o duelo pode ser considerado um ato de legítima defesa, e a resposta é não. O duelo é um costume bárbaro e já praticamente extinto, em sua forma literal, de nossa sociedade moderna. E à medida que nossa sociedade for evoluindo espiritualmente, compreenderemos que a prática é tão ridícula quanto os combates antigos, que eram erroneamente chamados de Juízo Divino. Como a humanidade pôde pensar que o caos e a destruição seria um Juízo Divino? Talvez por acharem dentro de si o caos e a destruição, sendo então necessário para se expurgar o que há de pior na humanidade.

Nas perguntas seguintes, nos é apresentado a ideia de que o duelista conhecendo sua fraqueza e ainda sim se dispõe a um duelo, mesmo sabendo que sucumbirá, podemos considerar como suicídio. E se ambos conhecem suas fraquezas, e ambos conhecem sua força, e ainda sim se dispõem a um duelo, podemos dizer que seria um assassínio e um suicídio ao mesmo tempo, já que ambos irão ferir, e ambos sairão feridos. O espírito também nos apresenta as duas chagas da humanidade: O orgulho e a vaidade.


Trazendo ao ensinamento Umbandista, podemos nos desprender do significado literal da palavra Duelo, como algo bárbaro que remetemos nosso pensamento a uma luta corporal entre dois cavaleiros com espadas reluzentes, e começar a pensar no duelo como as batalhas que travamos todos os dias. Podemos achar que não vemos mais duelos em nosso cotidiano moderno, mas estamos enganados. De fato não veremos mais espadas sendo empunhadas trazendo ferimentos e morte, mas vemos batalhas com diferentes armas: os pensamentos e as palavras. 

A cada vez que somos atacados e atacamos de volta, podemos pensar em um duelo. Uma batalha ali está sendo travada. E sabemos, conforme o ensinamento trazido pelo Livro dos Espíritos, que haverá sempre alguém que sucumbirá e ambos irão ferir e serão feridos. E essas batalhas geralmente começam quando justamente o ego, a vaidade e o orgulho são feridos. 


Queremos sempre ter razão, sempre sermos vencedores e superiores, e criamos batalhas desnecessárias por isso. Ferimos e somos feridos por simples vontade de poder, mesmo que o poder de se vangloriar como vencedor de uma batalha que não há prêmio a não ser o ego inflado. Podemos pensar que fugir de um duelo, ou mudando o vocábulo, fugir de uma discussão é uma ameaça de nossa honra, saibamos que há mais honra em assumir seu erro, refletir, aprender com ele e fazer seu mea culpa do que lutar por isso, mesmo sabendo de sua fraqueza e que eventualmente sucumbirá. Ou ainda pior, vai se indispor com irmãos, irá ferir, para somente se vangloriar vencedor. 


Layla de Omolu

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Crueldade

Crueldade

No texto de hoje, trataremos do tema Crueldade, presente no Capítulo VI, Livro Terceiro, p. 433-435.

Kardec é respondido acerca da crueldade e da visão da espiritualidade sobre o que leva o homem a ser cruel com seu semelhante. Inicialmente, é esclarecido sobre a ligação existente entre o sentimento de crueldade e o instinto de destruição, onde tal sentimento é considerado o pior da destruição, advindo de uma natureza má do ser. Vale dizer que a destruição tem seu “lado positivo” visto que abre portas à reconstrução, caracterizando o encerramento de certos ciclos e início de outros. Já a crueldade, não tem a mesma “função”, sendo caracterizada sempre como algo negativo, por essência.

Somos esclarecidos, no decorrer do livro, acerca da baixíssima evolução espiritual presente nos seres cruéis, chamados de primitivos, visto que dada à sua pouca evolução, são exacerbadamente apegados à matéria, levando-os a cogitar a ideia de que não há necessidade de desenvolvimento espiritual. Tais seres, por conseguinte, são habitados por espíritos, também de baixa vibração – visto que energias afins são necessárias para a composição do contexto energético desses seres – havendo a necessidade de que seres de maior grau evolutivo encarnem nesses mundos a fim de evoluí-los pelos seus ensinamentos.


A espiritualidade responde, ainda, acerca do fato de que, mesmo que sejam cruéis, tais seres não o fazem sem possuir qualquer senso de bondade; o fazem dada sua baixa evolução espiritual, estando dormente neles a bondade e senso moral necessários para a boa lida com o próximo.

Vale dizer que, à medida que o ser desenvolve sua espiritualidade, será cada vez menos materialista e, por conseguinte, menos cruel com seus semelhantes, pela lógica de antagonismo entre tais perspectivas, onde o desenvolvimento de uma, acaba por sobrepor-se e reduzir o desenvolvimento da outra.

É válido, ainda, afirmar que, sob a ótica da ideia de que os pares se aprimoram, mesmo em civilizações bem desenvolvidas, existem seres cruéis, para que estes possam evoluir no contato com os que os cercam.
Por fim, é respondido a Kardec sobre a possibilidade de expurgo dos seres cruéis. A espiritualidade afirma que, à medida que os seres evoluem, aqueles que permanecem cruéis têm a possibilidade de se aprimorarem e se adequarem ao contexto evolutivo do ambiente que os cercam. Porém, quanto maior o grau evolutivo do mundo habitado, menor a incidência de seres cruéis, visto que estes, conforme supracitado, encarnam com a intenção única de se abdicarem das ações de crueldade, por meio do aprendizado vindo daqueles que os cercam.

Sendo assim, podemos, certamente, afirmar que a humanidade, um dia, viverá em plena harmonia e paz, porém, nada se pode dizer no tocante ao tempo despendido para tal feito, nem do caminho traçado pela humanidade, para que alcancemos tal patamar evolutivo.


Na Umbanda, a crueldade é vista como a falta de amor próprio e, por conseguinte, de amor por aqueles que nos cercam. A falta de amor pelo próximo leva o homem a agredir verbal e/ou fisicamente seu próximo, sem que haja uma intenção clara de proporcioná-lo algum aprendizado. 

Um exemplo claro ocorre quando, no processo de criação de seus filhos, os pais, no ímpeto da raiva, agridem seus filhos que possam ter quebrado as normas estabelecidas naquele lar. Tal ato não tem a intenção única de ferir os filhos e sim, de ensiná-los – mesmo que pela dor – a não realizarem mais tais feitos. A crueldade, neste caso, seria evidente no caso de uma agressão desnecessária e intencionada, simplesmente, à geração de dor no próximo.

Outro exemplo são os Exus que, por diversas razões, acabam por executar a Lei Divina, impingindo ao ser um castigo/ dor/ perda a fim de que possam existir aprendizado e evolução, demonstrando, assim, a clara intenção de aprimoramento daquele que fora ferido/ lesado.

Importa, ainda, salientar a ideia de que os nossos guias e mentores espirituais têm pleno conhecimento de nossas vontades a medos, agindo somente em casos de urgência e/ ou extrema necessidade.

Axé!

Matheus de Obaluaê

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Assassínio

Assassínio 
O capítulo 6 do livro III do Livro dos Espíritos,  nos traz um diálogo com o espírito da verdade a respeito do assassínio e das visões divinas sobre variações deste crime. Neste subtema Kardec faz 6 perguntas para esclarecer o assunto; na primeira ele pergunta se o assassinato seria um crime aos olhos de Deus. Como resposta, o espírito da verdade diz que é um grande crime, pois quando um Ser tira a vida de seu semelhante, ele não retira somente a vida deste, mas também toda uma sequência de provas e expiações e também de missões pelas quais o indivíduo deveria ter passado para sua evolução. O mal deste crime estaria aí. 
Na ótica umbandista, essa resposta faz sentido porque cremos que encarnamos neste mundo para viver dificuldades e, a partir delas, evoluirmos, assim como cumprir missões próprias e até para a coletividade. Sendo assim, o assassinato poderia interromper esse ciclo.

Na segunda, Kardec pergunta se todos os assassinos têm o mesmo grau de culpabilidade. O espírito responde que Deus é justo e julga mais pela intenção do que pelo fato.


Isso também se encaixa na visão umbandista uma vez que somos julgados muito pelo que sentimos. Quando os espíritos vão para o umbral eles são corroídos pelas suas próprias culpas e angústias. Para que Deus os perdoe é necessário que antes eles perdoem a si próprios.

Depois Kardec pergunta se, em caso de legítima defesa, Deus perdoaria o assassino. Desta vez o espírito responde que somente a necessidade poderia ser justificativa para esse crime, mas tendo o agredido como preservar sua vida sem tirar a do agressor, assim deve fazê-lo. A umbanda também enxerga esse aspecto de maneira similar.
A quarta pergunta refere-se a qual culpa o homem tem dos assassinatos que comete em guerra. O espírito responde que, quando obrigado a isso, ele não teria culpa, mas é sim culpado pelas crueldades que venha a cometer. É avaliado também o sentimento de humanidade que demonstre. 

Aqui voltamos à resposta do que comentamos na segunda pergunta. Somos julgados pelo que sentimos e por nossas intenções principalmente. Se ele é obrigado a matar o “inimigo” ele não tem culpa disso, mas se sente prazer nisso e executa com excessos já é outro o cenário.

  Na penúltima pergunta, Kardec questiona a respeito de qual tipo de assassinato seria mais condenável aos olhos de Deus: o parricídio (o filho que mata o pai) ou o infanticídio (o pai que mata os filhos). A resposta é que são igualmente condenáveis, pois todo crime é um crime.


Tudo isso depende das circunstâncias que os crimes ocorrem também, dependendo das intenções e excessos um pode ser pior que o outro.

Na sexta e última pergunta, Kardec indaga a respeito de povos que são evoluídos em aspecto intelectual, mas que tenham o infanticídio como um costume sagrado e previsto na legislação. O espírito responde que o desenvolvimento intelectual não está ligado ao desenvolvimento espiritual e nem na necessidade do bem. Um espírito superior em inteligência pode sim ser mau.  Isso é comum aos que vivem muito sem melhorar, apenas sabem. 

Com certeza, a evolução intelectual não está ligada a fazer o bem, não somente na visão umbandista, mas isso é facilmente notado na humanidade, quando grandes planos intelectuais como de Hitler, Pablo Escobar, Osama Bin Laden e vários estelionatários são realizados para benefício próprio e para infortúnio de vários. Há de se lembrar que a felicidade não é deste mundo e tudo que for feito em busca de uma felicidade plena na terra à custa da desgraça alheia será cobrado, se não por Deus pela própria consciência no desencarne.

Axé

Ricardo de Ogum Matinata

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Guerras

Guerras

  Este tema encontra-se compreendido ainda no Capítulo VI, Parte Terceira, do Livro dos Espíritos, que trata sobre a Lei de Destruição. O estudo desta citada Lei é de fundamental importância para o entendimento do direcionamento e planejamento divino, mesmo quando só conseguimos enxergar por meio de nossos olhos materiais a destruição, a dor, o desespero, as tragédias, etc. Quando o ser humano, por sua ignorância, olha ao seu redor e só vê desgraças, guerras, tristeza e sofrimento, é sinal de que precisa de orientação para sua evolução, desenvolvimento e progresso no sentido de compreender o plano de Deus, seja material, seja espiritual, ambos de extrema perfeição.

Diferente do que a primeiro momento se imagina, a lei de destruição é uma lei de renovação, visto que é preciso primeiramente que se forme um caos para posteriormente vir a paz. As guerras ainda são necessárias neste mundo para o desenvolvimento espiritual e trazem com os seus términos uma renovação no tempo, espaço e pessoas.

Por se tratar de um assunto de compreensão dificultada, serão exemplificados alguns dos objetivos de Deus até mesmo no tocante às guerras, sejam elas internas, particulares, familiares, no ambiente de trabalho, no trânsito, religiosas, para que o conhecimento seja devidamente alcançado.


Primeiramente, é preciso entender a causa dessas guerras. Quando Kardec questiona os Espíritos, eles respondem que as guerras são causadas pelo instinto animal dos homens que prevalecem sobre os instintos espirituais. Então, podemos tirar de ensinamento que, quando nos deparamos com alguma situação que pode desencadear a guerra, devemos deixar de lado o orgulho, a cobiça, o egoísmo, o preconceito, o desejo errôneo de fazer justiça e fazer  escolhas acertadas, não nos deixar agir impulsivamente, pois, somente assim, o Espírito que habita em cada um terá condições de evoluir. Sempre devemos potencializar a nossa natureza espiritual e tomar as decisões pensando no bem coletivo e deixando de lado nossos vãos desejos individuais.

Exemplificando, a maioria das guerras nos lares são causadas porque um dos cônjuges quer escravizar a consciência do outro, quer devastar mais e mais o outro. Com isso, a paz, o amor, a alegria, a felicidade vão perdendo seu posto para o desejo de vitória, o desejo de ganhar, para que a razão daquele prevaleça, mesmo tendo que usar de mágoas e humilhações. Isso demonstra o que precisa ser feito diante dessas situações: repensar as nossas atitudes e fazer uma valoração se aquela conduta denota respeito à Lei Maior ou senão oferecer o silêncio quando não tiver nada de proveitoso a oferecer.

No trânsito, a maioria dos acidentes ocorre porque um dos motoristas não sabe respeitar o direito do outro ou conduz o veículo numa pressa desenfreada, sendo que poderia ter planejado sair com antecedência, ou senão por ser nervoso, compulsivo, imprudente. Isso porque não há uma pacificação interna do homem, ainda está em um estado de guerra interna, o que precisa ser trabalhado.


Prosseguindo, Kardec pergunta aos Espíritos se um dia acabarão as guerras. A resposta é sim, mas isso depende do desenvolvimento dos seres humanos. Nos mundos celestes, por exemplo, não haveria razão alguma para ter guerra, considerando o grau de regeneração espiritual individual.

Dando continuidade, pergunta-se a motivação para existência das guerras. A interpretação das respostas denota que estas são necessárias para alavancar a marcha do progresso da humanidade. Alguns Espíritos se apresentam resistentes, endurecidos a acabar com o egoísmo e o orgulho. E essas duas características devem ser vencidas para conseguir a libertação da alma. Por isso a guerra, a dor, a violência são necessárias para a liberdade e progresso que levam ao mundo de regeneração.

Analisando o momento contemporâneo em que vivemos, podemos perceber que ainda somos muito bélicos, respaldados de agentes de segurança munidos de armamentos para resguardar a segurança e proteção da sociedade, o que não seria necessário se houvesse basicamente o respeito. Respeito às diferenças, às opiniões, às crenças, ao estilo de vida.


Em cada palavra dita, em cada atitude tomada, em cada gesto, devemos pensar antes nas consequências que poderão advir, pois, podemos ser responsáveis por devastar, destruir a alegria e a esperança, aprisionar consciências do outro, tudo isso para instigar a outrem ter o mesmo pensamento que o nosso, pensando ser a verdade absoluta.

Relacionando o assunto guerras com a Umbanda podemos raciocinar o seguinte. A definição de Umbanda é “A manifestação do espírito, para a prática da caridade”. Ogum é o Orixá da guerra. Partindo desse pressuposto, as Entidades, principalmente as que trabalham na irradiação de Ogum, vêm em terra mostrar que Ogum não traz/cria a guerra, mas sim a paz, Ele acaba com a guerra. Porém, para ter a paz, precisa ter a guerra primeiramente. Em caráter complementar, recomenda-se a leitura do texto que trata especificamente sobre Ogum.
De lição, nesse mundo famigerado e faminto por guerra, sejamos paz.

Márcia de Oxóssi e Hélder de Logunam

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Flagelos Destruidores

Flagelos Destruidores

Dando sequência aos estudos sobre o Livro dos Espíritos, no Capítulo VI trataremos sobre a  Lei de destruição.

Em todos os lugares, todos os dias alguém perde uma pessoa querida, sendo a dor  dela e de mais ninguém. Muitas vezes acontecem grandes tragédias que marcam a vida de várias pessoas como nos casos de terremotos, erupções de vulcões, tsunamis, ou epidemias, ou seja, verdadeiros flagelos destruidores.

Muitas pessoas questionam o porquê de tamanho castigo, assim como Kardec questiona na questão 737: Com que fim Deus fere a humanidade por flagelos destruidores?


No entanto, nós umbandistas sabemos que os chamados flagelos destruidores têm a finalidade de promover o progresso. A vida física é muito rápida, e tudo se destrói para se refazer: é uma constância, fazer, desfazer e  refazer sempre para melhor evolução.

Como é para nossa evolução, poderia Deus empregar outros meios menos dolorosos? Sim, e o faz diariamente nos dando conhecimento para agirmos devidamente com raciocínio. Contudo, muitas das vezes nos deixamos levar pelos prazeres e pelo imediatismo, perdendo o senso da realidade, sendo necessária muitas vezes uma grande dor, um choque para que  acordemos. Exemplo disso é quando uma guia nos orienta a perdoarmos uma pessoa específica. Pode ser que, levados pela teimosia, não perdoamos a tempo e alguma circunstância  da vida leva aquele alguém a desencarnar causando-nos choque e dor.

Devemos sempre nos lembrar de que somos passageiros, frágeis, semeadores. O que plantamos colheremos, seja aqui ou em outra vida. 


Kah de Obá

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Destruição necessária e destruição abusiva

Destruição necessária e destruição abusiva
  
Dando continuidade aos estudos e textos sobre o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, hoje discutiremos a destruição necessária e abusiva na visão Espírita e Umbandista, tema este apresentado no Livro III do Livro dos Espíritos, capítulo 6. Para que possamos entender a explicação posterior teremos que entender primeiramente o que é DESTRUIÇÃO. A destruição nada mais é que uma lei da natureza, uma lei divina, necessária para que haja sempre uma renovação nos ciclos. Isso, em todos os aspectos de uma existência. É uma forma de transformação com o intuito de renovar, melhorar e ajudar a evolução que cada um busca.

Para que todos os seres se mantenham neste ciclo evolutivo, o instinto de destruição foi dado como um fim providencial. Estes se destroem entre si com o objetivo de manter o equilíbrio. O melhor exemplo seria o equilíbrio no âmbito reprodutivo do nosso planeta, pois não o havendo, existiria um excesso de seres, uma superlotação, causando o desequilíbrio. Este fim, para o qual a destruição nos leva, não é um fim definitivo, mas parcial. É o fim de um corpo do Ser, não da alma (sua verdadeira essência).


Durante cada vivência em nossa existência, são dados, pela natureza, meios de preservação. Mas por que seriam dados esses meios se a destruição é certa e inevitável? Todos nós teremos um fim, seja em qual aspecto for, mas, desde que não nos cuidemos e protejamos, este fim pode chegar precocemente, antes mesmo de termos atingido nosso objetivo.

De acordo com o que ouvimos e/ou aprendemos no decorrer de nossa vivência, a morte nos conduz a uma “vida” melhor e nos livra dos males deste mundo. Então, por que tantos a temem instintivamente? Como dito anteriormente, o instinto de conservação nos foi dado para que prolonguemos ao máximo a vida, a fim de completar a tarefa que nos propomos a cumprir. Como tudo tem que haver um equilíbrio, junto aos meios de conservação, foi colocado os agentes destruidores para servir de contrapeso.

A necessidade de destruição não é “igual” em todos os mundos, mas proporcional ao estado e necessidade de cada um. Em se tratando de mundos com uma maior elevação espiritual e moral, essa necessidade vai se dissolvendo, pois as condições de existência são absolutamente distintas. Tratando-se de nosso mundo, a Terra, sempre será necessária a destruição. À medida que o espírito superar a matéria, esta necessidade de destruição (interna em cada ser) diminuirá. O direito da destruição existe para o controle e é regulado de acordo com a necessidade e segurança, o abuso nunca foi um direito.


Em alguns casos, pelo abuso de liberdade, os seres acabam cedendo aos maus instintos. Com isso, a bestialidade predominam os limites da necessidade e segurança, isso ocorrerá quando o único objetivo da destruição for simplesmente o prazer sem utilidade. Qualquer destruição que ultrapasse esses limites estará violando a lei divina. Quando seguidos esses maus instintos, haverá, após seu próprio fim, a necessidade de prestar contas desse abuso.

Como a Umbanda trabalha sempre em prol da lei divina, trabalhamos somente com a destruição necessária, não a abusiva. Os fins são necessários para novos começos, novos ciclos, novos aprendizados. O simples fim de uma flor ou de uma folha para o uso daquela energia, o fim de laços com pessoas com as quais não são mais compatíveis, o fim de um casamento, a saída de um emprego, o fim de um caminho ruim onde nada de bom poderia ser absorvido (não mais, pois até certo momento algo iria ser tirado como aprendizado), tudo isso é destruição. Para que um novo ciclo seja gerado, um anterior tem que ser destruído. No trono da geração, mãe Iemanjá é quem inicia e pai Omolú quem termina os ciclos. 

Como diz o saudoso Pai Barnabé: “Caminhos novos são necessários. O que de bom tem a se aprender por um caminho que já foi trilhado?” Esses caminhos se tratam de ciclos, ciclos já terminados através da destruição necessária.


Junio de Oxalufã