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terça-feira, 31 de março de 2026

Estrela de Davi nos pontos riscados

 Estrela de Davi nos pontos riscados

A história da Estrela de Davi, conhecida no hebraico como Magen David ou Escudo de Davi, é uma narrativa que atravessa milênios e diversas civilizações antes de se consolidar como o principal símbolo da identidade judaica e um pilar esotérico na Umbanda. Embora a tradição a conecte ao rei bíblico de Israel, não existem registros arqueológicos de que Davi a utilizasse no século X a.C.; na verdade, o hexagrama, uma figura geométrica de seis pontas formada por dois triângulos sobreposto, era um motivo decorativo comum em culturas antigas tão distintas quanto a indiana, onde é chamado de Shatkona, a egípcia e a mesopotâmica. Em sinagogas da Antiguidade, o símbolo aparecia ocasionalmente, mas dividia o protagonismo com a Menorá, o candelabro de sete braços, que era o verdadeiro emblema distintivo do povo hebreu naquela época.

A associação mística e o nome "Escudo de Davi" ganharam força durante a Idade Média, especialmente dentro da Cabala e de tratados de magia. Nesse período, o símbolo passou a ser visto como um poderoso talismã de proteção, alimentado por lendas que afirmavam que o exército do Rei Davi portava escudos com esse formato para garantir invencibilidade. Paralelamente, no mundo ocultista, o hexagrama ficou conhecido como "Selo de Salomão", representando o domínio espiritual sobre os elementos e a união dos opostos, como o fogo e a água ou o masculino e o feminino. Foi somente a partir do século XVII, em Praga, que a estrela começou a ser adotada oficialmente como um símbolo comunitário judaico, ganhando contornos políticos e identitários no século XIX com o movimento sionista, que buscava um emblema que representasse os judeus de forma análoga ao que a cruz representava para os cristãos.

Atualmente, a Estrela de Davi é frequentemente utilizada em múltiplos contextos: nas sinagogas e na diplomacia como marca nacional; na joalheria e na cultura popular como amuleto de proteção e boa sorte, na Alta Magia e na Umbanda como um símbolo de equilíbrio hermético. No terreiro, ela é essencial para assentar energias, representando o axioma de que o que está em cima é como o que está embaixo, servindo como um portal que harmoniza as forças dos Orixás com a vida terrena dos fiéis.

Estrela de David judaica seis pontas de estrelas em preto com o ícone de  vetor de estilo de bloqueio 552643 Vetor no Vecteezy

A presença da Estrela de Davi, ou hexagrama, nos pontos riscados da Umbanda constitui um dos exemplos mais profundos do sincretismo e da complexidade esotérica que definem esta religião brasileira. Longe de ser uma mera apropriação estética, o símbolo é utilizado como uma ferramenta de escrita sagrada, funcionando como um mapa geométrico que traduz leis universais para o plano material através do uso da pemba.

Dentro da umbanda, a estrela representa a união entre o plano espiritual e o plano físico. O triângulo com o vértice voltado para cima simboliza a ascensão da alma, a busca humana pelo divino e a força do elemento fogo, enquanto o triângulo com o vértice para baixo representa a descida da luz divina, a manifestação dos Orixás na matéria e o elemento água. Esse encontro de direções opostas sinaliza que, naquele momento ritualístico, o terreiro se torna um ponto de equilíbrio.

Além da simbologia geométrica, a Estrela de Davi no ponto riscado assume uma função prática de regência e organização de forças. Em muitas doutrinas, as seis pontas da estrela são associadas a diferentes vibrações de Orixás, enquanto o centro do símbolo, o hexágono central, é reservado à irradiação de Oxalá, que atua como o eixo pacificador e unificador de todas as outras energias. O hexagrama atua como um verdadeiro escudo de proteção capaz de blindar o ambiente contra investidas de energias densas e espíritos desequilibrados, funcionando também como um condensador de força espiritual para trabalhos de cura e limpeza.

Em suma, a Estrela de Davi na Umbanda é uma assinatura de autoridade espiritual. Ela demonstra que a entidade que risca o ponto possui domínio sobre as leis do equilíbrio universal e utiliza essa sabedoria para manter a ordem e a proteção durante os rituais. Através deste símbolo, a religião reafirma sua identidade integradora, que une conhecimentos do ocultismo ocidental e tradições milenares para estabelecer um canal direto de comunicação com o sagrado.

Renata de Iansã


segunda-feira, 30 de março de 2026

Paciência

 Paciência

A paciência é uma virtude muito debatida atualmente, muito se fala sobre ter-se paciência com o próximo, porém as pessoas confundem muito a essência da palavra. Ser paciente não é aceitar tudo ou deixar a vida te levar, a saber reconhecer os seus limites e os limites das demais pessoas. Cada um de nós possui uma forma de ver o mundo e de trabalharmos nossas emoções nele, alguns são mais sentimentais e outros mais racionais. 

As diferenças fazem parte de quem somos e como tratamos os outros, possuímos características próprias e devemos trabalhar elas. A paciência nada mais é do que uma pequena árvore que vai crescendo aos poucos, ela precisa de cuidados constantes para que se torne uma árvore grande e bonita. 


A árvore Que Cresce Da Semente é Uma Grande árvore Com Cor Verde E As Mudas  Crescem Em Uma Grande árvore Ilustração Do Vetor PNG , Feijão, Era,  Botânico Imagem PNG e


A paciência precisa ser para nós mesmos e também para com o próximo. Quando aplicamos ela a nós, compreendemos que devemos dar tempo ao nosso tempo, que as coisas não acontecem sobre nosso próprio umbigo, e desta maneira precisamos ser pacientes e aprender a esperar. Já quando olhamos para o próximo, precisamos ter uma palavrinha bem parecida com a paciência, que nada mais é do que: Empatia. Empatia é a paciência própria refletida no próximo, é a aplicação direta. Até porque, para que sejamos empáticos, precisamos de ser pacientes e entender o próximo.

Desta maneira, conseguimos entender que nada é individual e a paciência não é algo limitado a 1 pessoa apenas, ela é um fator coletivo e social. Algo que devemos trabalhar em nós para podermos aplicar no outro.

Leonardo de Oxóssi”


quinta-feira, 26 de março de 2026

Caboclas na irradiação de Iemanjá

 Caboclas na irradiação de Iemanjá

Os caboclos são ancestrais indígenas que trabalham manipulando as sagradas forças da natureza, possuem um forte vínculo com a Mãe Terra e trazem consigo o seu modo de pensar e existir em perfeito equilíbrio com a mata. Nos terreiros, esses espíritos se manifestam como curandeiros, rezadores, lanceiros, guerreiros, chefes, flecheiros, caciques, agricultores, matriarcas e as encantadas d’água. E neste estudo em específico, quero falar um pouco das grandes guerreiras das matas que trabalham também com a energia d’água, guiadas por Iemanjá.

Pensando na água de fato, devemos sempre respeitá-la, pois sua força detém muitos poderes, causando desde o início da vida até a morte dos seres. Ela é um elemento que é a própria representação do conhecimento, passando por todas as civilizações, traz consigo a força primordial da vida na Terra, carregando toda nossa ancestralidade. A água purifica e, por esse motivo, é tão importante em diversos cultos religiosos. Além de tudo, é um elemento que trabalha nosso íntimo, assim como os diversos tipos de água, carregamos partes profundas e agitadas como os oceanos e partes rasas e tranquilas como a beira de um rio, sendo assim, em seus diversos tipos, a água manipula energias emocionais e sentimentais que carregamos conosco. 

Se tratando das águas de Mãe Iemanjá, devemos lembrar que toda e qualquer forma de vida existente hoje na Terra, foi originada no mar, sobre a força da grande Orixá Iemanjá. Quando pensamos no mar, podemos vê-lo como um grande ponto de força do nosso planeta, que decanta energia a todo instante e tem um grande poder curativo, já que no vai e vem de cada onda, a Mãe das Águas Salgadas sempre olha para cada filho, trazendo equilíbrio e geração. Esse vai e vem da corrente marítima, mostra que tudo passa em nossas vidas e que Iemanjá sempre estará comandando o barco, mesmo quando acreditamos que seja impossível navegar por determinados oceanos. 


O Brado - 08 DE DEZEMBRO - O DIA DE OXUM A CABOCLA IARA Para comemorar esta  data tão especial, o dia de Nossa Senhora da Conceição, nossa Grande Mãe  Oxum, falaremos


As caboclas que trabalham em sua linha, vibram em pontos de forças que remetem ao mar, como as praias e corais. Carregam consigo uma força muito grande do Sagrado Feminino e sempre fazem seu trabalho com cuidado e generosidade, abraçando quem as procura com ternura e dando-lhes o colo necessário. Podem se apresentar como guerreiras, caçadoras, sacerdotisas ou pescadoras, trabalhando também com descarregos emocionais, fornecendo uma verdadeira limpeza com a água salgada de Mãe Iemanjá. 

Os brados das Caboclas de Iemanjá são fortes e ao mesmo tempo delicados, são mantras que libertam a alma de sofrimentos. Seus movimentos são leves e resistentes, assim como as ondas do mar, limpam o terreiro com suas danças e retiram toda energia de baixa vibração, por outro lado, trazem consigo uma energia positiva, de renovação, para recarregar os lugares necessários. Além do conhecimento das matas, essas Caboclas de Água possuem uma força natural, carregam uma ancestralidade da origem do mundo e são capazes de nos ensinar ricos conhecimentos sobre a fauna e a flora, sobre a importância de sempre estarmos em harmonia com a Terra, com os animais e as plantas, mas principalmente sobre nossas questões mais íntimas. 

Assim como Iemanjá, as Caboclas de água possuem um grande colo e nele cabem todos os que as procuram, pois elas cuidam de todos os peixes sem distinção de cor, classe social, gênero, orientação sexual, seja lá quem for, essas Caboclas estarão prontas para comandar o barco de cada um rumo a um destino seguro. 

Alguns exemplos de Caboclas na irradiação da Mãe do Mar: Janaína, Jurema da Praia, Jandira, Mariana, Jussara, Cabocla da Areia, Areia Branca, Estrela do Mar. 

Salve as Caboclas d’Água! Okê, Caboclas!

Odocyaba, minha mãe Iemanjá!

Isabela de Iansã

terça-feira, 24 de março de 2026

Boiadeiros

 Boiadeiros

Os boiadeiros são uma linha de trabalho na Umbanda que irradiam com maior força a energia de Iansã, dos ventos, das mudanças, assim como um boiadeiro que na lida da época vivia em suas andanças, mudanças de rumo, estradas e rotas, para tocar a boiada até o destino final. Geralmente os guias com arquétipos de boiadeiros conversam de maneira firme e com trejeitos daqueles que tantas vezes recalcularam a rota e se entregaram às mudanças para finalizarem as travessias que faziam com as boiadas estradas afora.


Xilogravura Os Boiadeiros G - assinada por J. Borges - PE - Paiol - Sua  Loja de Artesanato


Além de auxiliarem os encarnados a lidarem com as questões relativas a mudanças, energias de estagnação, os boiadeiros foram trabalhadores de muita coragem, que encaravam os caminhos da vida sem saber o que lhe esperavam, ensinando e trazendo muito disso aos consulentes que são atendidos por eles. 

Costumam utilizar chicotes, laços e fumos para limpar energia e movimentar com firmeza as energias necessárias. O dia da semana desta linha é quinta-feira, a saudação é Xetruá e a cor de vela geralmente utilizada é laranja.

Mylene de Ogum Rompe Mato


segunda-feira, 23 de março de 2026

Abre caminho

 Abre caminho

A planta popularmente conhecida como abre-caminho é identificada, em grande parte do território brasileiro, como Eupatorium triplinerve, pertencente à família Asteraceae, embora o nome popular também seja atribuído a outras espécies aromáticas, o que reforça a importância da correta identificação botânica. Trata-se de uma planta herbácea perene, de crescimento vigoroso, folhas opostas, alongadas e ricas em glândulas secretoras de óleos essenciais, responsáveis por seu odor intenso e característico.

Uma curiosidade botânica relevante é sua elevada capacidade de adaptação a solos pobres e ambientes adversos, mantendo crescimento ativo mesmo sob condições limitantes. Esse comportamento fisiológico contribuiu para a construção simbólica da planta como elemento de abertura, desbloqueio e superação, valores transmitidos oralmente por gerações. Além disso, seu aroma intenso atua como repelente natural de insetos, reforçando sua aplicação histórica em práticas de proteção ambiental e doméstica.

Do ponto de vista fitoquímico, o abre-caminho apresenta uma composição complexa, contendo terpenos, flavonoides, cumarinas, taninos e lactonas sesquiterpênicas, substâncias amplamente estudadas por seus efeitos anti-inflamatórios, antimicrobianos, antioxidantes e digestivos. Na medicina tradicional, é utilizada como planta estimulante suave, auxiliar da circulação, do sistema digestório e em processos de limpeza orgânica, sendo também associada à sensação de vitalidade e clareza mental.


Abre Caminho Melífera ideal para cercas Vivas - Raizer Plantas para Abelhas


Na Umbanda, o abre-caminho é classificado como uma erva de descarrego e movimentação energética, amplamente empregada em banhos, defumações e amacis. Seu uso ritual está tradicionalmente associado aos Orixás Ogum, Exu e Iansã, além de entidades ligadas à ação, aos caminhos, às transformações e à quebra de estagnações espirituais. Simbolicamente, acredita-se que a planta favorece a remoção de bloqueios espirituais, mentais e emocionais, promovendo fluidez, coragem e direcionamento.

A interpretação espiritual de sua ação encontra paralelos científicos na resposta sensorial provocada por seus compostos aromáticos, que estimulam o sistema nervoso central de forma leve, podendo gerar sensação de alerta, renovação e disposição. Dessa forma, o abre-caminho se destaca como um exemplo da integração entre botânica, etnofarmacologia e espiritualidade afro-brasileira, evidenciando como o conhecimento tradicional e científico podem coexistir e se complementar na compreensão do uso das plantas sagradas.

Rebeca de Ossain


quinta-feira, 19 de março de 2026

Linha dos piratas

 Linha dos piratas

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre essa linha tão misteriosa e pouco falada, porém muito respeitada na Umbanda. Para que possamos ter um melhor entendimento, vou começar contando a história desse povo ainda em vida, para logo em seguida, relacioná-la com seu trabalho espiritual. Os primeiros piratas surgiram por volta de 1620 e atuaram até cerca de 1730, nas ilhas caribenhas, período em que foram combatidos pelos espanhóis e sofreram uma queda considerável. Sua chamada "época de ouro" ocorreu por volta de 1650, quando reinaram por mais de meio século. As bases da pirataria caribenha estavam localizadas principalmente nas colônias inglesas de Port Royal (atual Jamaica), Nassau (Bahamas), e na colônia francesa da Ilha Tortuga (atual Haiti). Um dos erros mais comuns é o uso indevido de termos usados para se referir aos piratas do Caribe. Pirata, bucaneiro e corsário são frequentemente usados como sinônimos, quando, na verdade, cada um tem uma origem e significado diferentes. 

Pirata é um termo genérico usado para descrever qualquer pessoa que tenha saqueado o mar, em qualquer época ou lugar. Os corsários recebiam o que era conhecido como "cartas de corso", que os autorizava, em nome de seus governadores ou monarcas, a atacar navios de nações inimigas (principalmente a Espanha, na época) em favor da nação que representavam. Na prática, é difícil determinar onde começa a pirataria e termina o corso, já que o mesmo indivíduo poderia ser considerado um corsário por seus compatriotas e um pirata por seus inimigos. Os bucaneiros surgiram de colonos que foram privados de suas terras e se tornaram caçadores e depois piratas por serem excelentes marinheiros.





A navegação é uma atividade fundamental para os povos que, como os ilhéus, vivem em locais cercados por água. Mesmo antes da chegada dos europeus, a navegação já havia sido desenvolvida pelos povos nativos das Américas, que projetaram diferentes tipos de canoas para navegar rios e mares, graças às quais conseguiram povoar as diferentes ilhas da região. Como contam os ancestrais, os indígenas Miskitos, que viviam na costa do que hoje é a Nicarágua, já visitavam as ilhas para pescar, caçar e coletar frutas. Eles precisavam ser excelentes navegadores, pois, embora relativamente próximos, o arquipélago fica a mais de 200 quilômetros de mar aberto de onde viviam. 

De fato, quando os primeiros colonos europeus chegaram, ficaram impressionados com as habilidades marítimas dos Miskitos e de outros povos indígenas da região, que possuíam grandes canoas que podiam navegar grandes distâncias, mesmo em meio a uma tempestade. Os remos portáteis, por exemplo, são de origem indígena, já que os europeus, só conheciam os remos fixos ao barco quando chegaram à América. Foi por meio de seus antepassados e a herança deixada por eles que os piratas se tornaram exímios navegantes, usando de seu conhecimento e habilidades para lutar por igualdade, respeito e liberdade. 





Historicamente, o cinema ajudou a disseminar a ideia de que os piratas eram rebeldes, caóticos, individualistas e anárquicos, lutando por seus navios de forma feroz e desorganizada, com o único pretexto de aumentar suas lendas e obter fama e fortuna. No entanto, os verdadeiros piratas operavam sob sistemas democráticos muito avançados para a época: os capitães eram eleitos pelas tripulações dos navios, que estabeleciam códigos de conduta pirata para melhorar a convivência interna, já que muitos deles eram ex-marinheiros mercantes ou tinham desertado da Marinha Real para escapar das condições de trabalho abusivas que tinham que enfrentar, e buscavam justiça econômica graças à habitual distribuição equitativa do saque entre toda a tripulação. 

Lendas como Edward Tatch, mais conhecido como Barba Negra, e Henry Morgan foram muito famosos nessa época. Nascido em 1680, em Bristol, na Inglaterra, Edward servia num navio corsário baseado na Jamaica quando decidiu virar pirata, assumindo a identidade de Barba Negra. Ele comandava o navio chamado “Vingança da Rainha Anne” um antigo navio francês que ele capturou e equipou com 40 canhões. Apesar da fama, Barba Negra não era sanguinário ou brutal como diziam, em vez disso ele se aproveitava de sua aparência assustadora pela qual era conhecido, para conseguir respeito e a redenção de suas vítimas. Ele trançava sua longa barba negra e colocava pavios acesos debaixo do chapéu, para soltar fumaça durante os combates, o que o fazia parecer um "demônio saído do inferno". Em 1718, após uma árdua batalha, foi morto em combate contra forças da marinha britânica lideradas pelo tenente Robert Maynard. Dizem que Barba Negra levou cinco tiros e mais de 20 golpes de espada antes de cair. 

Henry Morgan foi um corsário galês que se destacou por seus feitos no Caribe, atuando como um agente da Inglaterra durante as guerras contra a Espanha. De bucaneiro a corsário, sua história reflete a complexidade da uma época marcada por conflitos entre Inglaterra e Espanha, ambição e a busca por poder e riqueza. Causou mais mal do que bem, ele ajudou a transformar a Jamaica em uma forte colônia inglesa no Caribe, mas também foi culpado pela morte e tortura de inúmeros civis espanhóis inocentes e espalhou o terror por toda a costa espanhola. Em vez de ser punido, Morgan foi bem recebido na Inglaterra, nomeado cavaleiro (Sir) pelo rei Carlos II e retornou à Jamaica como vice-governador, ajudando a combater a pirataria na região que antes frequentava como corsário. Morreu em 1688 no meio de riquezas e títulos, recebendo uma despedida real. 

Depois dessa pequena aula de história, falarei agora da parte espiritual dessa linha. Como muitas vezes a compreensão dos seres humanos é limitada, e tudo precisa ser preto no branco, um dia um marinheiro me explicou que os piratas viriam a ser a polarização da esquerda da linha das águas. Assim como em outras falanges existe o cruzamento com a energia de Exu, nesta também há, por exemplo, na linha de preto velho eles são conhecidos como Preto Velho Quimbandeiro; na de Caboclo é Caboclo Xoroquê; e na linha do povo d’água, são os Piratas. 

Nesse lado da esquerda o trabalho deles é principalmente purificação, descarrego e quebra de demandas pesadas. Eles vêm levando e limpando tudo aquilo que você considera um “tesouro de valor”, mas que já não te acrescenta em nada. Trazem consigo a força e importância da simplicidade, ajudando você a enxergar o verdadeiro valor da vida. Ensinam como é viver com pouco, a confiar em si mesmo, passar através das dificuldades e reconhecer o valor da irmandade. Eles vêm retirando tudo aquilo que você acredita ser essencial, para que consiga enxergar o que realmente necessita, quem verdadeiramente permanece ao seu lado e a força interior que você possui para recomeçar. 

E os tesouros escondidos? Bom, os famosos tesouros dos piratas não passam de um mito que, no astral, é nada mais que uma forma de nos fazer refletir sobre o acúmulo de bens materiais que fazemos em vida. Usa-se dessa lenda para pensar: “Vale a pena acumular tanto para, no fim, deixar que outros encontrem e aproveitem?” Fala sobre desapego e deixar para trás a ganância, é isso que os Piratas trabalham em nós. 

Nas poucas vezes que os vi no terreiro, eles desciam uns aos outros por cordas em cima do mastro de sustentação do nosso telhado. Tinham uma aparência cadavérica, vestindo blusas, saias e calças pretas e rasgadas, além de tapa-olhos, chapéus e sorrisos instigantes. Essa apresentação de caveira remete a leva do que não vale mais nada e o fim de ciclos. O mar representa a calunga grande para os umbandistas, no entendimento comum quem trabalha em calunga normalmente é Exu, por isso a semelhança nos trabalhos entre ambas às falanges, pois lá foi onde esses homens viveram, trabalharam e morreram. Inclusive alguns deles se apresentam nas linhas de Exu, pela energia de ambos serem parecidas. 

Conversando com Seu Sete catacumbas e Seu Sete flechas, eles explicaram que, na nossa casa os piratas não são de serem vistos com frequência, são espíritos difíceis de tratar, não atendem e nem conversam, pois o trabalho deles é por sua totalidade espiritual, vem apenas em trabalhos específicos, porém não incorporados e apenas durante a noite. Durante o dia ancoram suas embarcações à beira das praias, onde repousam; e ao anoitecer saem pelo mundo afora, vagando e auxiliando aqueles que precisarem. 

As sereias são conhecidas por alcançarem o interior oculto, aquilo que sentimos, mas não contamos a ninguém. Elas trazem essas emoções à tona para trabalhar a cura, a libertação, o autoconhecimento e a aceitação. Portadoras da força encantada da natureza, são vistas na mitologia como entidades que conectam os reinos terrestre e aquático. Os Piratas se encontram muito com as sereias, já que com o belo canto das mesmas, também precisam abrir mão do que anseiam para olhar para si, explorando a profundeza de seus desejos e seu inconsciente. Por isso, se um dia você quiser saber mais sobre os piratas, pergunte a uma sereia, com certeza uma delas já vai ter se cruzado com um. 


Salve a força e sabedoria ancestral da pirataria! Saravá a banda do mar! Adarrêô, Pirata! 


Valentina de Oxum


terça-feira, 17 de março de 2026

Oração a Iemanjá

 Oração a Iemanjá

Salve a senhora da transformação, que me ensina todos os dias sobre aceitação e desapego. Pois o mar acolhe, envolve e, sabiamente, devolve ao ciclo natural aquilo que não lhe pertence ou que já cumpriu seu propósito. Que eu aprenda a não abraçar tudo, pois corro o risco de me sobrecarregar e perder o foco no que realmente faz sentido para o meu crescimento e bem-estar. Que a luz da sabedoria me guie, pois nem a dor, nem os traumas, podem conter aquilo que nasceu para expandir. Que a sua força me lembre sempre de que ressentimentos aprisionam a minha essência e interrompem o curso natural da minha força vital. Pois, assim como a água represada apodrece, a alma que se fecha em sofrimento perde a sua potência. Grande mãe, me ensine a abraçar a fluidez da vida, onde há momentos de acolher e outros de deixar ir, pois insistir em segurar o que já perdeu o seu valor me impede de receber novas oportunidades.


Odó Iyà! Salve, Iemanjá, que tem seu dia celebrado nesta quarta | Jornal A  Voz da Serra


Que suas águas me conduzam para o movimento que a vida nos chama. Um movimento que limpa, cura e transforma. Pois quando as águas fluem, tudo é renovado. Que a capacidade de superar, romper barreiras e renascer, se expanda dentro de mim. Mãe, solte minhas amarras, lave a minha essência, limpe os pesos que não são meus, as dores que já cumpriram seus ciclos, os medos que aprisionam minha liberdade. 

Não me permite esquecer quem eu sou, de onde eu vim e o poder que carrego dentro de mim. Que o amor cresça em abundância no meu ser. Que a mágoa não guie minhas ações, pois ela constrói barreiras que sufocam o espírito.

Iemanjá, me dê forças para abraçar a transformação e a renovação que a vida me oferece, sem medo de abrir mão do que já não serve à minha jornada, pois só assim encontrarei equilíbrio. Que sua força sagrada seja minha bússola, conduzindo-me por caminhos cheios de propósito.

Salve Iemanjá, que me ampara!

Camila de Iemanjá


segunda-feira, 16 de março de 2026

Xangô

 Xangô

O culto a Xangô iniciou-se onde, atualmente, se localiza a Nigéria, no antigo Império de Òyó, o reino mais importante e influente dos povos iorubás. Seu nome teve origem no idioma Iorubá, a etimologia da palavra Sàngó (Xangô) significa “Sa” quer dizer “senhor” e “ango” significa “fogo oculto”, sendo traduzido como “senhor do fogo oculto”.

A admiração e respeito por Xangô iniciaram ainda quando ele era um líder humano, venerado por sua força, poder militar e pela capacidade de fazer justiça para seu povo. Coroado o quarto Alafim (rei) de Òyó, Xangô chegou ao poder por ter destronado seu irmão Ajacá-Dadá de seu reinado, pois o achava com poucas habilidades para guerrear e não conseguia governar seu povo. Ajacá foi exilado de Òyó e colocado como rei de um pequeno vilarejo distante de seu irmão. Assim, Xangô deu início ao seu grande reinado, procurando sempre governar com o prestígio de seus súditos e reinava pautado na justiça e na razão. Com o passar do tempo, Xangô soube de um composto mágico da terra dos Baribas e mandou sua esposa Oyá buscá-lo, composto esse que seria o início do fim do reinado de Xangô. 

Quando Iansã tinha o composto mágico em mãos, sua curiosidade era grande e, em um certo momento, Oyá provou da poção e a cuspiu logo em seguida, pois o gosto a desagradou, mas quando Iansã cuspiu, entendeu o poder do líquido: a poção a fez cuspir fogo. Xangô, com ganância de poder, gostou do que soube, pois já era o homem mais poderoso entre os homens, com a possibilidade de cuspir fogo, seus inimigos iriam temê-lo ainda mais. O Grande Rei começou então a lançar seus assombrosos jatos de fogo e, em um dos disparos, atingiu árvores, incendiou pastagens e animais, seu povo com muito medo, chamou aquilo de raio e, da fornalha da boca de Xangô, o fogo jorrava e causava incontáveis acidentes no Reino de  Òyó, junto às chamas haviam barulhos e explosões, os quais ficaram nomeados de trovão.

Após o incêndio, os conselheiros de Xangô se reuniram e decidiram destituir o rei, enviando um general para derrotá-lo. Gbaca desafiou Xangô à luta, o venceu e humilhou Xangô, expulsando-o da cidade de Òyó. Xangô foi obrigado a cometer suicídio, para manter o costume antigo: se a desgraça caía sobre o reino, o rei era o culpado, posteriormente seus ministros tiravam sua coroa e obrigavam-no a tirar a própria vida.


A nova batalha de Xangô - revista piauí


Assim, Xangô cumpriu sua sentença e retirou sua vida em uma floresta próxima ao reino. As notícias espalharam pela cidade, mas ninguém encontrou seu corpo, seus fieis acreditaram que Xangô tinha sido transformado em uma força divina, um Orixá. Com isso, os povos iorubás acreditam que sua morte teria sido injusta e Orum, para ser justo, lhe concedeu a imortalidade e Xangô passou também a ser glorificado após sua morte, sendo cultuado por zelar pela justiça e pela ordem terrana, conhecido como Orixá do Trovão e Senhor da Justiça.

Em nossa casa, Xangô está assentado no pólo irradiador da quarta linha da Umbanda, a Linha da Justiça Divina, juntamente com Iansã, o Orixá absorvedor. O Orixá Xangô é o fogo que ilumina para julgar, é a divindade que carrega consigo a força da justiça, da razão e do juízo divino. Xangô está no trovão que ruge entre os céus e na energia incandescente e abrasadora que purifica nossas emoções. Traz consigo a força da razão, que não é uma força impulsiva, mas sim uma força pensada, calculada e baseada em valores éticos, sendo justa e construtiva.

Xangô personifica a força moral e cósmica que regula o equilíbrio do mundo, sua justiça é firme e imparcial, pois Xangô usa de seu fogo para iluminar os dois lados de uma situação, ouvindo-os e julgando-os com equilíbrio, agindo sempre com neutralidade. Além de seu fogo purificador, Xangô também usa o oxê: seu machado duplo e um dos símbolos mais poderosos na mitologia iorubá e nas religiões de matrizes africanas. O oxê traz, justamente, o equilíbrio em suas duas lâminas, mostrando que toda ação tem duas possibilidades e dois lados, sendo justo ou injusto diante os olhos de Xangô. Assim, utiliza o oxê para executar suas sentenças espirituais, punir os injustos e tomar suas decisões com seu golpe certeiro.

Xangô é a força de decisão, vontade e iniciativa. É a energia que traz consigo estabilidade e equilíbrio, a organização dos pensamentos e a vontade de vencer. Assim como um bom rei, Xangô traz a solidez em suas decisões, a discussão pela melhora e o espírito nobre das pessoas. Xangô também aguça o poder de liderança em seus filhos, a vontade de tomar iniciativas para ir atrás do que se acredita e conseguir alcançar aquilo que deseja. Muitos pensam em Xangô como uma força punitiva e até mesmo vingativa, mas devemos lembrar que sua justiça é equilibrada. Mesmo que seja uma força rigorosa, não é irredutível no sentido de ser inflexível ou insensível, mas sim inteligente e ponderado, nos ensinando que a justiça divina não é cega e muito menos automática, devendo sempre ser aplicada com consciência e responsabilidade.

A justiça de Xangô é firme e estável, assim como suas pedreiras, mas não é cega ao arrependimento. Xangô nos ensina que há julgamento e justiça, mas que também perdoar é um ato de coragem e de busca pelo equilíbrio. Perdoar também é justiça, quando esse perdão é acompanhado de cura, há um aprendizado e evolução e, assim como o objetivo do trabalho de Pai Xangô, há o restabelecimento do equilíbrio e a reconstrução da harmonia das relações envolvidas. Sua justiça nos ensina que devemos ser sempre firmes em nossos julgamentos, mas nunca cegos para aqueles que sinceramente querem consertar seus erros. Xangô não age por vingança, age para corrigir os erros e garantir que a verdade divina prevaleça.


Xangô, o pai justo, senhor das pedreiras, que venha nos valer! - Blog IJEP


Que, assim como Xangô, possamos ser firmes, justos e ponderados em nossas escolhas, que busquemos o equilíbrio em nossos julgamentos conosco e com o próximo. Que possamos equilibrar nossas escolhas de agir e esperar, falar e calar e, principalmente, de punir e perdoar, Xangô nos ensina que justiça não é sinônimo de ser irredutível, mas sim de sabedoria para reconstruir o equilíbrio perdido, sendo o perdão um ato de justiça divina, pois exige sabedoria e paciência para atingir o equilíbrio de sua balança. Comentando brevemente sobre seus filhos, são pessoas com uma personalidade forte de liderança, são incapazes de dar um passo maior que a perna, possuem senso de justiça aguçado, corajosos, se irritam com facilidade, bons debatedores, argumentadores e oradores, orgulhosos: não costumam admitir seus erros ou aceitar a derrota, são incisivos e autoritários: muitas vezes querem fazer as coisas do seu jeito, por pensarem que fazem melhor que outras pessoas.

Seu dia comemorativo é dia 24 de junho, dia da semana é quarta-feira, suas cores são laranja, marrom e vermelho. Suas oferendas podem ser feitas em pedreiras, montanhas e cachoeiras, sendo as mais conhecidas: amalá ou caruru de xangô (feito de quiabo cortado, camarão e dendê), milho assado, frutas como banana da terra, figo e romã, bebidas como cerveja branca e vinho tinto.

Kaô Kabecilê, meu Pai Xangô!

Isabela de Iansã


quinta-feira, 12 de março de 2026

Oração a Ogum

 Oração a Ogum

Salve o senhor das batalhas, aquele que me ensina a não temer os caminhos sinuosos, nem os desafios mais duros. Que eu possa compreender a guerra, antes de erguer minha espada, pois a vitória só

tem sentido quando o guerreiro sabe quem é.

Ogum, me dê forças para enfrentar minhas próprias inseguranças, para romper com as crenças que me limitam, para atravessar a ponte do costume. Que a coragem de viver faça morada em meu coração. Que na forja do meu ser, as experiências vividas se transformem em ferramentas para seguir adiante, pois aqui não há lugar para o desânimo.

Que as batalhas não endureçam meu coração, nem me transformem em algo que não sou. Que eu possa ser firme em minhas convicções, mas flexível o suficiente para aprender a me mover no fluxo dos acontecimentos, sem me tornar prisioneira de minha própria defesa.


Dia de Ogum - Portal C3


Grande senhor dos caminhos, proteja-me das encruzilhadas traiçoeiras que ameaçam a minha paz e o meu progresso. Me liberte das batalhas inúteis que apenas drenam minha energia, sem qualquer aprendizado. Guie minhas ações e pensamentos, trazendo ponderação. Molde meu coração com destreza, concedendo-me a serenidade necessária para reconhecer o momento de abaixar a espada e encontrar descanso. 

Que a sua força me faça maior, para que eu possa enfrentar os desafios dessa vida com coragem e discernimento. Que a sua presença guie meus passos e me conduza para a vitória e o crescimento. Me inspire a abraçar as várias faces da vida com vigor e criatividade.

Que todos que cruzam a minha estrada engrandeçam o meu crescimento espiritual, e que eu seja merecedora de vossas bênçãos! Que a sua luz me permita avançar, ainda que o medo me cerque. Que a coragem seja minha armadura, e minha arma seja a determinação de seguir adiante.

Salve Ogum, que não me deixa cair!

Camila de Iemanjá


terça-feira, 10 de março de 2026

Oxalá - Itã do silêncio

 Oxalá - Itã do silêncio

Os itãs, em nossa religião, nos ajudam a compreender os orixás, a forma como suas forças atuam em nossas vidas e no mundo que nos cerca, além de possibilitarem uma associação direta com as experiências que vivemos nos dias de hoje. O itã abaixo nos auxilia a entender a sabedoria de Oxalá para além da ideia de passividade: o episódio em que Oxalá, na forma de Obatalá, aceita o silêncio como o maior dos sacrifícios. 

Conta a tradição que Oxalá, em uma de suas jornadas, foi injustamente acusado de um crime que não cometeu. Diferente de Xangô, que reagiria com o trovão, ou de Ogum, que sacou a espada, ele escolheu o silêncio. Foi aprisionado por sete anos, suportando a humilhação e o cárcere sem proferir uma única reclamação ou tentativa de se justificar pela força. Nesse período, a terra sentiu a injustiça: a chuva parou, as colheitas secaram e a fertilidade cessou, pois, a ordem do “Pai do Branco” estava ferida. Somente quando a verdade veio à tona, por meios naturais e pela insistência da justiça divina, é que o mundo voltou a prosperar. Esse relato, revela que a força de Oxalá reside na resistência ética, uma capacidade de sustentar quem se é, independentemente do que dizem as vozes externas.


A primeira bênção de Oxalá do Ano


Hoje, vivemos na era da “opinião instantânea” e do ruído constante. O conhecimento empírico das comunidades de terreiro nos ensina que o tempo da natureza é diferente do tempo do relógio. Enquanto a sociedade moderna exige respostas em segundos, o povo de santo precisa entender o tempo de maturação.

Ao compararmos a postura de Oxalá com a nossa realidade atual, notamos algumas lacunas a serem trabalhadas, como a reatividade crônica: Enquanto Oxalá utiliza a pausa estratégica, nós reagimos impulsivamente a estímulos digitais e ofensas banais e também a verdade como processo pois na espiritualidade popular, a verdade não precisa ser gritada para existir; ela se manifesta no resultado, na colheita. O axé exige um silêncio interior que o mundo moderno desaprendeu ao buscar validação externa imediata.

O aprendizado que esse itã nos deixa é o da temperança. Em um cenário onde a saúde mental é corroída pelo excesso de informação, a postura de Oxalá sugere que a integridade pessoal vale mais do que a vitória em uma discussão efêmera. O silêncio aqui não é omissão, mas uma forma de acumular Axé.

Aprender com Oxalá hoje significa entender que, muitas vezes, a maior força não está em quem grita mais alto, mas em quem consegue manter a calma e a dignidade enquanto o mundo ao redor parece desabar. No fim, a verdade e a paz não são conquistadas no grito, mas na persistência silenciosa de quem sabe quem é.

Renata de Iansã