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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Bálsamo

 Bálsamo

Essa planta é bem popular no Brasil, especialmente em regiões de clima quente. O bálsamo pertence à família Crassulaceae, mesma família da Kalanchoe e da Echeveria. É uma planta suculenta de pequeno porte, com folhas grossas e carnudas, ricas em seiva, onde estão concentradas suas propriedades terapêuticas. É nativa do México e carrega em si diversas propriedades físicas e espirituais.



O bálsamo tem grande valor dentro da medicina popular e da fitoterapia, a seguir citarei algumas qualidades que fazem desta planta tão especial: Possui ação anti-inflamatória e é, talvez, sua propriedade mais conhecida. É usado para aliviar dores musculares, inflamações crônicas leves e irritações da pele. Também age como um cicatrizante natural. O gel presente nas folhas acelera cicatrização, ajuda a desinflamar feridas pequenas e reduz irritações e queimaduras leves. Muitas pessoas usam a folha amassada diretamente sobre a pele.

Utilizado como um analgésico suave que quando aplicado sobre regiões doloridas, pode aliviar torcicolos, traumas leves e dores articulares. Além disso, ele possui propriedades gastroprotetoras! Chás fracos da planta ajudam na digestão, em quadros leves de gastrite e como protetor do estômago. Deve-se ter cuidado com o uso interno, sempre utilizar com indicação médica ou espiritual. E por fim, ele ajuda a limpar a pele de microrganismos, sendo útil em picadas, pequenos machucados e irritações cutâneas em geral.

No plano energético e espiritual, o bálsamo é visto como uma planta de cura profunda, tanto no corpo quanto no campo astral. Essa erva é caracterizada como uma erva fria e diferente de ervas quentes como arruda e guiné, o bálsamo faz uma limpeza calma e restauradora. Ele não “arranca” energias densas de forma brusca, ele dissolve, suaviza e transmuta. Às vezes é incluído em banhos junto com alecrim ou manjericão para dar força e estabilidade.

Não é uma erva de “defesa combativa”, mas cria um escudo de serenidade, que compacta e reorganiza a aura, dificultando a entrada de energias invasivas. É excelente para pessoas ansiosas, quem enfrenta ambientes pesados e quem carrega a energia dos outros com facilidade. Ele também pode ajudar a clarear pensamentos e reduzir turbulência mental, o que ajuda na conexão com a intuição. Ele cria um estado interno de paz que favorece a mediunidade equilibrada. 

Como cultivar o bálsamo? 

Solo: O bálsamo é uma suculenta resistente, que pode ser cultivado em vasos ou diretamente ao solo, mas é importante oferecer substratos bem drenados e leves, ricos em matéria orgânica.

Clima: Desenvolve-se melhor em clima tropical e subtropical. Tolera bem o calor e curtos períodos de seca.

Luz: Suculentas de modo geral gostam de sol pleno ou meia-sombra. Em locais muito sombreados, pode perder o vigor e ter crescimento lento.

Regas: Como toda suculenta, o bálsamo não deve ser regado em excesso. Regue apenas quando o solo estiver seco ao toque.


Espero que este texto tenha levado um pouco de conhecimento para você leitor, axé!

Lays de Oxaguian


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Baianos

 Baianos

A linha dos Baianos é uma falange alegre que trabalha com alegria e sabedoria na linha de cura, proteção e quebra de demandas. A manifestação dessa linha é leve e enquanto quebram demandas, curam e protegem, dançam e também aliviam as dores dos consulentes, com risadas e alegrias típicas dos baianos de nosso País. Apesar de serem entidades brincalhonas, também sabem ser diretas e objetivas quando precisam em seus atendimentos.


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Além disso abrem caminhos, trabalham na quebra de demandas negativas e feitiços com uma sabedoria irreverente e única, trazendo a resiliência de um povo que apesar das lutas e batalhas, através de muita sabedoria ancestral conseguiram focar no melhor da vida, no lado bom, para viver a vida bem e amenizar os percalços que ocorreram no percurso.

Essa linha de trabalho irradia mais fortemente a energia dos Orixás Iansã e Oxalá, emanando fé e movimento, característicos da linha. Além desses Orixás, também relacionam a linha de trabalho aos Orixás Ogum e Oxóssi em alguns terreiros. Na Umbanda o dia dos Baianos comemora-se na terça- feira. 

Compartilho um ensinamento que uma Baiana me passou em uma experiência, disse que o “balançar” dos baianos incorporados, que também pode ser compreendido como uma dança, é uma forma de desviar dos problemas da vida, e que assim devemos fazer em nossa caminhadas, ir desviando dos percalços para não parar a caminhada e assim, irmos mais longe a cada dia.

Viva a Baianada!

Mylene de Ogum Rompe Mato.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Atabaques

 Atabaques

O atabaque é um instrumento musical sagrado, amplamente utilizado em rituais de Umbanda e em diversas outras religiões de origem afro-brasileira e afro-ameríndias. Sua origem remonta à África chegando ao Brasil durante o período da Diáspora Africana. O tambor e as cantigas eram elementos essenciais de conexão com o plano espiritual. No Brasil, os atabaques são geralmente encontrados em um trio, cada um com uma função e tonalidade distintas:

  • Rum (grave): O maior, geralmente tocado pelo Ogã chefe ou Alabê. Sua função é conduzir os trabalhos, dar os primeiros toques, repicar e impulsionar energias.

  • Rumpi (médio): De tamanho mediano, responsável por dar o ritmo e manter a harmonia, sustentando a energia básica do toque. 

  • (agudo): O menor, tocado por Ogãs ou atabaqueiros iniciantes, seguindo os toques do Rumpi.

Historicamente, a confecção tradicional dos atabaques (e dos tambores Batá cubanos) era feita a partir de troncos de árvores escavados para formar uma peça única. Contudo, por questões econômicas, esse método foi, por vezes, substituído pelo uso de ripas de madeira recicladas (como barris). A comercialização de tambores religiosos chegou a ser proibida no Brasil em retaliação a revoltas, como a Revolta dos Malês em 1835.


Descubra o Mistério do Atabaque na Umbanda | Raizes da Umbanda


No plano espiritual, os atabaques são um dos principais pontos de atração e distribuição de vibrações de um Terreiro. Eles acionam vibrações dos planos material e espiritual, aguçando, preparando e estimulando todos para a captação de energias. Após serem consagrados, deixam de ser meros instrumentos de percussão e tornam-se portais ou veículos para o Divino. Na África, existia o culto ao orixá Ayangalu (Ian/Ayãn), que era cultuado nos tambores e fazia a intermediação entre o chamamento do Sagrado ao profano na hora do rito, mas o culto a ele acabou se perdendo ou sendo transformado no Brasil. Contudo, a memória das obrigações e da alimentação do tambor, como qualquer Orixá, ainda existe.

A responsabilidade do Ogã/atabaqueiro é, portanto, atuar como um mensageiro entre o plano material e o espiritual, manipulando as energias básicas de sustentação, ordem e movimento através dos toques sagrados.

Representação dos elementos do atabaque

A madeira, que é regida por Xangô, tem a função de equilibrar a vibração do som e sustentar o cumprimento da justiça divina durante os trabalhos.

O ferro, que é regido por Ogum, tem a função de fortalecer o trabalho realizado no atabaque, dando garra e força ao Ogan e demais atabaqueiros, para enfrentar as dificuldades que ocorrerem durante os trabalhos, e energeticamente garantir a ordem.

O couro, que é regido por Exu, tem a função de atrair parte das energias condensadas trabalhadas dentro do congá, auxiliando na limpeza das mesmas, e quando o Ogã toca o couro do atabaque, a vibração produzida pelo toque, quebra a contraparte etérea destas energias, dissolvendo-as no astral.

Em suma, a história do atabaque é a história da fé afro-brasileira: um objeto material, vindo da África, que, uma vez consagrado e tocado por iniciados, transcende sua forma física para se tornar o ponto de convergência de forças ancestrais e divinas, onde, literalmente, o som do tambor se torna a linguagem de comunicação com os deuses. É como se o atabaque fosse um coração pulsante do terreiro: ele não apenas dita o ritmo, mas também regula a circulação de energia vital e espiritual, garantindo que o axé flua e o corpo ritual se mantenha vivo e conectado ao divino.

Thiago Cecílio de Oxóssi


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Asé

 Asé

Em nosso universo, para além do que podemos ver, tudo é circundado por uma “energia cósmica” que nada mais é que o princípio das coisas, é aquilo que nutre e traz vitalidade para a natureza, os animais e para nós, seres humanos. Ao longo do tempo, foram atribuídos diferentes nomes, por diferentes pessoas, para essa energia cósmica:

● Na yoga é chamada de Prana;

● Hermes Trismegisto a chamou de Telesma;

● O povo Yorubá a chamou de Asè, o que pra nós, umbandistas, nada mais é que nosso Axé.

Em Yorubá, esse termo Asè (Axé) significa REALIZAR. Se pararmos para pensar, tudo que está presente no universo, o que vemos e o que não vemos, é nutrido por essa energia. Logo, podemos entender, assim como o povo Yorubá, que tudo que conhecemos hoje, todo o princípio, cada partícula, molécula, energia e matéria é uma realização de Olorum, sendo o Axé uma força vital para nossas vidas.

Todos nós absorvemos, metabolizamos e doamos energia o tempo inteiro, seja para o ambiente, para objetos ou pessoas à nossa volta, seja dentro ou fora de um local sagrado. Assim precisamos compreender que essa energia está em movimento o tempo inteiro e que precisamos nutrí-la, cuidá-la e desenvolvê-la diariamente. Por ser uma energia, o Axé pode ser aplicado a diversas afinidades, pode ser absorvível, desgastável e acumulável. Podemos observar e sentir diferentes intensidades, cargas energéticas e diferentes manifestações, como por exemplo: cada Orixá possui uma energia diferente, o Axé vindo da irradiação de Ogum ou Iansã é diferente do Axé presente na irradiação de Oxalá e Nanã. Não significando que são energias mais fracas ou fortes que a outra, mas sim que são energias que vibram de formas diferentes, trazendo, cada uma delas, uma frequência e um Axé diferente uma da outra.


Axé.Asé (@axeasesp) • Facebook


Aproveitando o exemplo dos Orixás, uma maneira de podermos sempre realimentar e estarmos mais próximos desse Axé é fazendo nossas oferendas sempre com muito respeito, com a cabeça firme e com calma, para podermos conseguir nos conectar, absorver e sentir essa energia divina em nossas mentes e em nossos corações. No mundo de hoje, com todas tecnologias disponíveis tão facilmente, com nosso modo de vida rápido e, muita das vezes, no automático, precisamos ter um trabalho redobrado ao cuidarmos do nosso Axé. Estamos sempre muito preocupados com o trabalho, com os estudos, com cuidarmos das pessoas que amamos, sempre buscando resolver problemas o tempo inteiro e acabamos esquecendo de cuidar de nós mesmos e da nossa energia. Às vezes vivemos tão no automático que chega a ser imperceptível, porém precisamos sempre buscar nos conectar com nossa ancestralidade, com o divino e com o Axé que está sempre à nossa volta, mas esquecemos de enxergá-lo.

Dito isso, quero convidar cada um para cuidar de seu Axé, tire um tempinho do seu dia, todos os dias, mesmo que seja pequeno, para meditar e conectar-se consigo mesmo e com seu Orí, observe e sinta mais a natureza, mas faça com calma: sinta a brisa dos ventos, pare para ver um pôr do sol, observe a lua e seus sentimentos em cada fase dela, sinta a força das matas, das águas, das pedreiras, pois o Axé também está em cada uma dessas forças, ele está nos animais, nas plantas, nos minerais, está nos gestos, nas pessoas, nos pensamentos, nas falas, nosso Axé nos acompanha sempre, para além do terreiro. E como qualquer outra energia, é preciso ser cuidada, ser renovada e recarregada.

Que seu Axé seja leve!

Isabela de Iansã


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Alecrim

 Alecrim

O alecrim (Rosmarinus officinalis) é uma planta aromática perene, originária da região do Mediterrâneo, conhecida por suas folhas finas, rígidas e extremamente perfumadas. Seu crescimento ocorre de forma vigorosa em solos secos, bem drenados e sob sol pleno, o que faz do alecrim um símbolo natural de resistência, vitalidade e clareza. Seu aroma intenso é resultado da alta concentração de óleos essenciais presentes nas folhas, responsáveis por sua ação estimulante e purificadora.


7 benefícios do alecrim para a saúde e como utilizá-lo


Na Umbanda, essa característica é compreendida como a capacidade da erva de ativar a energia vital, despertar a mente e elevar o padrão vibratório do ambiente e da pessoa. O alecrim é considerado uma erva que atua principalmente na organização do campo energético, auxiliando na dissipação do cansaço espiritual, da confusão mental e da estagnação emocional. Seu axé favorece a lucidez, a concentração e o fortalecimento da fé, sendo muito indicado para momentos de recomeço e retomada da confiança.

Na prática umbandista, o alecrim é utilizado em banhos energizantes, defumações, firmezas espirituais e na preparação de ambientes, sempre com o objetivo de revitalizar, proteger e fortalecer o campo espiritual. Visto como uma erva de energia viva e renovadora, que simboliza a força da natureza em movimento, trazendo clareza, ânimo e equilíbrio dentro das práticas da Umbanda.


Alice de Xangô


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Abebé de Oxum e Iemanjá

 Abebé de Oxum e Iemanjá

Embora Oxum e Iemanjá compartilhem o domínio das águas e o uso do Abebé, a essência de seus espelhos revela facetas distintas da psique humana, funcionando como portais para diferentes níveis de autoconhecimento. Enquanto Oxum rege as águas doces dos rios que serpenteiam e se adaptam, Iemanjá governa a imensidão salgada do oceano, a origem de toda a vida. Essa distinção geográfica e espiritual reflete-se na maneira como cada uma utiliza o espelho e, consequentemente, no que cada uma exige de nossa maturidade emocional.

O Abebé de Oxum é o espelho do indivíduo e da estratégia. No contexto das comunidades tradicionais, ele representa a construção do "eu" e a preservação do axé pessoal. É o espelho que reflete o detalhe, a joia, a identidade que se lapida para brilhar. Oxum utiliza o espelho para a autogestão: ela se olha para se reconhecer poderosa antes de agir. Para a nossa psique, esse espelho é o chamado para a autoestima e para a inteligência emocional; é a ferramenta que nos permite ver nossas próprias sombras para que possamos transmutá-las em luz, impedindo que o julgamento externo nos defina.


Quando o Rio Encontrou o Mar Oxum e Iemanjá – música e letra de Cae lopes |  Spotify


Por outro lado, o Abebé de Iemanjá é o espelho da coletividade e da ancestralidade. Sendo ela a "Mãe cujos filhos são peixes", seu espelho não reflete apenas um rosto, mas um oceano de histórias. Nas práticas empíricas dos terreiros, o espelho de Iemanjá está ligado ao equilíbrio da mente (o Orí) e à profundidade do inconsciente. Se o espelho de Oxum nos ensina a amar quem somos, o de Iemanjá nos ensina de onde viemos. Ele funciona como uma superfície que acalma as ondas mentais, permitindo que olhemos para as nossas raízes e para o impacto de nossas ações na família e na comunidade. É um espelho que exige responsabilidade, pois reflete não apenas o indivíduo, mas toda a linhagem que o sustenta.

Comparando essas duas ferramentas com as necessidades da vida moderna, percebemos que sofremos de uma desregulação entre esses dois espelhos. Vivemos em um olhar para si mal compreendido, focado apenas na estética e no ego, enquanto negligenciamos a profundidade de Iemanjá, que nos conectaria à empatia e ao cuidado com o coletivo. O conhecimento espiritual popular nos recorda que o equilíbrio é fundamental: é preciso o brilho de Oxum para não nos anularmos, mas é necessária a imensidão de Iemanjá para não nos tornarmos superficiais.

Aprender com esses dois instrumentos é entender que o autoconhecimento possui camadas. Às vezes, precisamos do espelho de Oxum para resgatar nossa dignidade e brilho pessoal em meio ao caos; em outras, precisamos mergulhar no espelho de Iemanjá para silenciar o ego e compreender que somos parte de um oceano muito maior. 

Renata de Iansã


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Abacate

Abacate

O abacateiro é nativo das Américas, principalmente América Central e regiões do norte da América do Sul. Seu nome científico é Persea americana e evidências arqueológicas mostram seu cultivo há, pelo menos, 7 a 9 mil anos atrás. Povos como os Olmecas e, posteriormente, Astecas e Maias cultivavam e consideravam-o uma árvore sagrada, vendo o abacate como uma planta fundamental à vida, saúde e sustento do povo.  Para os astecas, o abacate era conhecido como “ãhuacatl”, significando fruto nutritivo e símbolo da fertilidade e vitalidade masculina. Esse povo usava o abacate principalmente para obter gordura vegetal, sustentando os guerreiros, trabalhadores e todo o povo de suas tribos. Era muito ofertado também a doentes, mulheres no pós parto, idosos e pessoas debilitadas, pois é um alimento que devolve a força e sustenta todo o corpo. 


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Em muitos estudos, é mostrado o uso medicinal do abacate entre os povos mesoamericanos: os Astecas usavam as folhas, sementes e cascas do abacate para problemas intestinais, parasitas e inflamações; já os Maias usavam-o como infusões para dores, principalmente para alívio de cólicas, tratamentos digestivos e recuperação física após as lutas e guerras.  

O abacate é uma planta de força, assim como moringa, jurema e cipó, que possuem como objetivo firmar, sustentar, ancorar e atuam do corpo para a terra. Diferente de plantas de luz: alecrim, manjericão e flores brancas, que são utilizadas para clarear, organizar os pensamentos e abrir a percepção de quem as usa. Dentro da Umbanda, o abacate traz força da terra, que sustenta o corpo e a energia do médium. As folhas do abacateiro são usadas para ancorar energia, para firmar o corpo espiritual e sustentam o campo energético após o descarrego, sendo utilizadas em banhos de firmezas, passes de sustentação e após descarrego e trabalhos pesados, as folhas não limpam, mas sim assentam a energia novamente, trazendo estrutura e base. 

A manipulação do abacate pode ser usando as folhas em banhos de firmeza e sustentação ou no Amaci, geralmente combinado ao manjericão e à moringa, por outro lado não pode ser feita em trabalhos de descarrego ou corte de demandas, pois o abacate firma, não faz limpezas por si só. 

Isabela de Iansã 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A porção individual do destino

 A porção individual do destino

No pensamento iorubá tradicional, a palavra Orí significa literalmente “cabeça”. Porém, espiritualmente, esse termo é entendido como a porção individual do destino. Ou seja, a centelha divina que cada pessoa carrega. Essa crença é historicamente fundamentada, mas em termos simples: Orí é o “eu interior”, nosso centro de consciência; a parte do ser humano que escolhe seu destino antes do nascimento; a ligação direta entre o indivíduo e Olodumaré (o Ser Supremo). Sendo assim, para o africano iorubá antigo, Orí é o verdadeiro guia da vida e nenhum orixá pode interferir no destino escolhido pelo Orí de uma pessoa sem seu consentimento. 

Em resumo: antes de nascer, o espírito da pessoa apresenta-se ao Ser Supremo, escolhendo seu destino e suas provações. Essa escolha se sela no Orí, que se torna guardião desse caminho. Desse modo, cada Orí é único e intransferível. As provações podem ser modificadas ao longo da existência, também por intermédio dos orixás, mas o destino não. O papel do Orí na vida prática é influenciar tudo que diz respeito ao percurso existencial. Respeitá-lo traz equilíbrio e prosperidade, enquanto ignorá-lo causa desarmonia e fracassos. 

Sendo assim, era comum nas tradições antigas iorubanas cultuar o Orí antes de cultuar orixás, pois acreditavam que o ser humano era responsável por agir de forma alinhada ao seu Orí, fazendo escolhas coerentes e honrando seu próprio destino. Essas crenças e tradições chegaram até o Brasil através desses povos, no entanto, sofrendo modificações. No Candomblé, é comum o que chamam de “Iniciação ao Orixá”, uma preparação da cabeça para receber o mesmo, através de um assentamento que é, na essência, um culto ao Orí primeiro. Já na Umbanda, a lavagem de cabeça (Amaci), pode ser entendida da mesma maneira. Outro exemplo é quando se toma um banho de descarrego ou carrego e só se lava da cabeça para baixo, para preservar o Orí. 


Orí Mejí: o significado de ter dois Orixás regendo a cabeça - Respeite  Nosso Axé


Agora vamos falar da relação entre Orí e Orixá, de acordo com as crenças dos mesmos povos. O Orí escolhe o destino e os Orixás auxiliam na realização desse destino, potencializando, protegendo e orientando o caminho que o Orí determinou. Os orixás não anulam e não substituem o Orí, não podendo também conceder além do que este permita. Essa hierarquia não diminui os orixás, pelo contrário, são eles que fornecem o axé e os mecanismos para que possamos viver nossa existência em plenitude, alinhados ao nosso propósito. Cada orixá, com sua força e energia firmadas, irão amplificar nossas capacidades e nos proteger de infortúnios evitáveis e energias destrutivas. De forma didática, é como se o Orí traçasse o mapa e o Orixá nos entregasse a bússola. 

O que seria então seguir ou ignorar o Orí? Quando nego minhas aptidões naturais, vivo uma vida baseada em ilusões, repetindo os mesmos erros, sem ética e integridade, isso acarreta perda de energia “travamentos” existenciais mesmo sob a proteção dos orixás, não porque eles puniram, mas porque a pessoa se afastou de seu próprio eixo, ignorando o Orí. Já quando Orí e Orixá estão equilibrados, há um alinhamento natural nas escolhas de vida, capacidades espirituais e missão pessoal. As oportunidades surgem, o indivíduo sente ter propósito, a energia vital circula e a saúde espiritual se fortalece. E a maneira de trazer esse equilíbrio é cuidando do Orí, cultuando seus Orixás, mantendo a ética como princípio de vida e, buscando acima de tudo, autoconhecimento.

Descobrir os orixás que regem a sua coroa é isso: uma condução ao autoconhecimento. Essa descoberta vai despertar e organizar aspectos internos do indivíduo (ou pelo menos deveria). A relação com o orixá obriga o indivíduo a se observar, confrontar seus defeitos e virtudes, enfim, “organiza” seu caráter. O orixá não é você. Mas o caminho até o orixá ajuda você a entender quem você é.

Entender melhor os orixás, na prática, nos ajuda a cumprir nosso destino. Eles vão despertar virtudes com suas matrizes arquetípicas, como: Nanã com sua sabedoria ancestral, Oxóssi com sua inteligência estratégica ou Iemanjá trazendo estabilidade emocional. Essas qualidades vão facilitar o caminho do Orí. Lembrando que nenhuma provação é cancelada, mas através da força dos orixás, podemos ressignificá-las.

“Orixá não tira o peso do destino. Ele fortalece os ombros.”

Camila de Iemanjá



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Jurema

 Jurema

Uma vez eu perguntei a um mestre Juremeiro como faria para iniciar um estudo sobre a Jurema, pois estava com dúvidas sobre a entidade Jurema, a árvore Jurema e a bebida Jurema. Ele me pediu para estudar primeiro o Rei Salomão, filho do Rei Davi que segundo a Bíblia pediu a Deus sabedoria para governar e recebeu muito mais bençãos, pois a maioria dos governantes pediam riqueza e longevidade. 

Não achei fontes que ligam a árvore Jurema à Jesus Cristo somente um sincretismo religioso entre os dois e que séculos antes segundo contos antigos, mas sem base histórica. Salomão teria construído seu templo com ouro vindo das terras que hoje está situado o Brasil e que o nome do nosso país seria uma homenagem a “Barzilai” um amigo Feníncio de Davi.


As Ervas e as Forças da Jurema - Aldeia de Caboclos


Nas religiões afro-brasileiras a Jurema Sagrada ou catimbó, Jesus faz um sincretismo com a árvore, tornando-a uma espécie de portal sagrado para o mundo espiritual.

A "Cabocla Jurema", quando personificada como entidade, tem sua lenda de origem atrelada ao Brasil, Caboclo Tupinambá. Os espíritos incorporados (Mestres, Caboclos, Malunguinho) trabalham sob as ordens de Jesus e do Criador, utilizando a ciência da Jurema para orientar e curar.

Clodonaldo Couto de Xangô


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Deus na Umbanda de Jurema

 Deus na Umbanda de Jurema

Primeiramente devo dizer o de praxe. Sim, a Umbanda de Jurema é uma religião monoteista, como a grande maioria das religiões ocidentais do mundo moderno. Venho neste texto tentar trazer um pouco dos ensinamentos que obtive ao longo destes anos praticando esta religião brasileira. Devo ressaltar que tudo o que for dito aqui está dentro da minha realidade e ela é edificada a partir dos aprendizados que obtive na Tenda de Umbanda Caboclo Sete Flechas e Jurema, a sua realidade e sua doutrina pode ser diferente.

Afinal, o que é Deus?

Deus é o tudo e o nada, Deus é a possibilidade de existência, vivência e morte. Deus é o infinito, a coesão entre os mundos e a possibilidade de algo. Difícil sintetizar Deus e trazer de uma forma clara o que é. Porém devo dizer que Deus não tem gênero, não tem local e nem tem finitude. 

Quando pensamos num Deus que não tem gênero logo podemos compreender que ele é isento de dualidades, pois Deus não é dual. Ele é único, único na sua existência e nas suas capacidades. A questão de gênero é meramente carnal, ou seja, o masculino e feminino estão embutidos EXCLUSIVAMENTE no plano material. Isso acontece porque a dualidade é necessária para a reprodução. Os animais se reproduzem e precisam de gametas distintos para se reproduzir, raros são as espécies hermafroditas. Ou seja, a reprodução, a dualidade e o gênero são características canais e físicas. Deus, dentro da sua grandiosidade, não necessitará de uma dualidade para existir, ele é tudo e todos ao mesmo tempo. O dia e a noite, o masculino e o feminino, etc., etc.  

Muitas vezes pensamos em Deus habitando planos superiores, distante da nossa realidade, em um céu onde apenas existe a bondade. Porém devemos repensar sobre isso. Quando voltamos nossos olhos para a Bíblia, em Gênesis 2:2-3 temos:

2E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

3E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.



Quando pensamos no descanso de Deus não devemos pensar naquele que pega suas coisas e vai pra casa dormir. O descanso de Deus está vinculado à aproveitar a criação, Deus descansa em tudo aquilo que foi criado por ele mesmo. Até porque não faria menor sentido Deus criar tudo aquilo que conhecemos e desconhecemos e após isso ele se distanciar de tudo, muito pelo contrário. Deus está em tudo aquilo que nos rodeia, no ar, nos animais, no espaço vazio e em nós. Deus não está no céu, distante e impossível de ser acessado, muito pelo contrário, Deus vivencia e está ao nosso redor diariamente.

Pensar em algo infinito é o desafio mais intrigante para a mente humana. No momento em que você pensar numa estrada infinita, sua mente, instantaneamente, irá começar a desenhar uma estrada, que em algum momento começou. Isso é Deus, Deus é infinito, difícil de pensar. Exatamente por isso que Deus é além de nossa compreensão humana. Nós, como seres encarnados, temos limitações físicas, mentais e espirituais, logo imaginar e vivenciar algo que está além do nosso conhecimento e vivência é muito difícil, na verdade impossível.

Deus na Umbanda de Jurema, a qual pratico a alguns anos, não difere das demais formas de ver Deus. O que tenho aprendido ao longo destes anos é que Deus vive na criação e possibilita que ela desenvolva e tome seus próprios caminhos. Deus não é punitivo, muito pelo contrário, o ser tende a vivenciar coisas ao longo de sua existência, que farão com que ele cresça moralmente e espiritualmente, sem pensar em um crescimento elitista e hierárquico. Deus, dentro da minha doutrina é amor e caridade, pois só assim assim tendemos ao crescimento e às boas práticas morais e éticas.

Enfim, onde estaria Deus? 

Como disse anteriormente, em tudo aquilo que nos rodeia, naquilo que é visível e no invisível, no universo mapeável e naquele ainda desconhecido dentro dos buracos negros. Deus não está dentro de uma igreja, nem mesmo num livro sagrado com escritas feitas por mãos humanas. Deus está em tudo, nas matas, na noite, nas flores e até mesmo nas dificuldades da vida. Isso mesmo, Deus também está nos momentos conturbados, até porque se não fossem eles, nós não teríamos objetivos na nossa vivência humana. 

Pai pequeno Victor de Oxumarê