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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Café

 Café

O café é um elemento extremamente importante no Brasil, considerando principalmente  nosso contexto histórico. O café sempre foi algo considerado valioso, tanto que em tempos passados éramos um dos principais exportadores de café do mundo. Assim, ele se consolidou muito na época da escravidão, tínhamos enormes fazendas com uma estrutura complexa para a criação e preparação dos grãos.



Quando entramos no contexto da Umbanda, conseguimos visualizar melhor entendendo o contexto por detrás do café. Uma linha que utiliza muito o café nos trabalhos dentro dos Terreiros é a linha dos Pretos Velhos. Vemos diversas vezes o café sendo usado em bebidas, em guiadas feitas com seus grãos e conseguimos ver em defumações, ou seja, ele é um elemento muito presente na umbanda. 

O café pode ser usado de diferentes maneiras de acordo com o trabalho, por exemplo: Um preto velho te dá uma xícara de café para beber durante um atendimento. Esse café além de ajudar na limpeza, vai esquentar a pessoa e trazer um sabor mais doce e acolhedor. Tudo no terreiro possui um significado e uma importância, devemos compartilhar esse tipo de visão, pois assim as pessoas conseguem entender o gigante valor que uma simples xícara de café possui.

Leonardo de Oxossi”


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Calunga pequena

Calunga pequena

O termo “calunga” é utilizado há muitos anos por povos africanos e, para nós umbandistas, é de muita valia saber o significado e diferenciar Calunga Grande de Calunga Pequena, conhecendo seus guardiões, como sair e entrar de cada uma delas e sempre respeitar a grande energia presente em ambos os locais. “Kalunga” foi uma palavra advinda do vocábulo Bantu, que traz em seu significado o “vazio” ou “espaço oco” que nascia dentro do peito de cada um quando um familiar ou uma pessoa querida desencarnava, sendo um sentimento muito parecido com que hoje chamamos de “luto”. Com o passar dos anos, o termo “Kalunga” foi sendo realocado e passou a se referir também aos cemitérios, pois os povos Bantos não tinham um vocábulo específico para se referirem a esses lugares, assim o “espaço vazio” físico desses povos se tornaram os cemitérios, os quais conhecemos por Calunga Pequena. 

Dentro da Calunga Pequena, encontra-se, muitas vezes, o Cruzeiro das Almas, um local sagrado e ponto de força extremamente importante, tanto para nós encarnados, quanto para os espíritos. Lá as pessoas depositam suas orações e seus sentimentos por todos aqueles que já desencarnaram, é o lugar em que, muitas vezes, vão para se tranquilizarem e para “manterem um contato” com seus entes queridos, como também para nos conectarmos com Pai Omolu.

Por outro lado, é também um ponto de força para todos os espíritos desencarnados, pois o Cruzeiro das Almas é uma grande fonte da energia divina e foco de luz. Podemos interpretar como uma via de mão dupla, muitas vezes vamos prestar nossas homenagens a alguma pessoa querida que já desencarnou e saímos de lá mais tranquilos, por outro lado a espiritualidade pode usar essa boa energia que foi depositada pelos encarnados, juntamente com a energia dos Orixás, para auxiliar os espíritos necessitados que estão na Calunga Pequena.



Então, podemos entender o Cruzeiro das Almas como uma espécie de farol que consegue auxiliar os encarnados, tal como encaminhar os espíritos que precisam ser cuidados por entidades de luz, sendo esse trabalho feito por guias que espalham o amor e a caridade como os Exus, Pombogiras e Pretos Velhos. Ao entrarmos na Calunga Pequena devemos respeito e reverência, assim como quando entramos nas matas, cachoeiras, nos bambuzais e no mar. No cemitério saudamos Pai Omolu, Ogum Megê e o Exu Guardião daquele local; e ao sairmos, devemos sempre pedir para que nenhuma energia pesada de espíritos sofredores nos acompanhe. 

Falando brevemente dessas três grandes forças protetoras da Calunga Pequena, o Pai Omolu tem sob seu domínio todos os espíritos que estão em processo de desencarne, ele é quem desata a conexão do espírito com o corpo material, guardando para que nenhum espírito de baixa vibração aproveite da energia daqueles que estão passando pelo desencarne. Já Ogum Megê é o falangeiro de Ogum que trabalha na linha das almas, uma espécie de entrecruzamento com Omolu, é quem desmancha magias, quem guarda os cemitérios e coloca disciplina nos espíritos insubmissos, trabalha também juntamente com Iansã, responsável por conduzir os espíritos desencarnados. E por fim, existem os espíritos iluminados que trabalham no meio de muita energia densa para levar a luz às almas, como os Exus e Pombogiras. É muito comum que os guardiões da Calunga Pequena sejam da falange dos Caveiras, como o Exu João Caveira, Exu Caveira, Tatá Caveira e Pombogira Rosa Caveira, mas não é uma regra, podendo ter outras falanges como guardiãs.

Que possamos respeitar a força das entidades e espíritos de luz que trabalham nesses locais e que sejamos guiados pelo farol do Cruzeiro das Almas, tendo sempre a proteção dos guardiões da Calunga Pequena.

Atotô, Pai Omolu! Salve o povo da Calunga Pequena!

Isabela de Iansã