A Orixá ancestral da lama
Nanã é a senhora da criação, é a Orixá que simboliza toda nossa ancestralidade, que traz consigo a força do barro, matéria da qual fomos todos criados. Sua força está em todas as etapas de nossas vidas, no princípio em nossa criação, ao longo da vida nos auxiliando na busca pela sabedoria ancestral e no final, quando voltamos para nosso princípio: o barro.
Nanã é a mais velha das Yabás, é a força do início e do fim, regendo os elementos terra e água, tem o controle sob águas barrosas e os pântanos. Ela habita o fundo das águas lodosas, como rios e manguezais, mas também é a senhora das garoas e da chuva mansa, sendo os banhos com águas de chuvas serenas um bom fundamento para aqueles que precisam renovar suas energias e que buscam a força dessa grande Orixá.
Ela também zela pela vida antes e depois de nossas encarnações. Mamãe Oxum cuida da gestação, Iemanjá zela pela maternidade, já Nanã cuida dos espíritos que assumem os corpos físicos e, após a sua vida terrena, encaminha-os para o terreno astral.
Nossa Mãe Ancestral nos traz sabedoria e atua no emocional dos seres vivos, auxiliando-nos em nossos sentimentos e emoções. Nanã, assim como uma grande avó, é protetora e acolhedora, nos ensina a compreender que tudo na vida há hora certa de acontecer, trabalhando nossa paciência e calma, nos ensinando que não podemos colher um fruto se este ainda estiver verde, pois só iremos conquistar essas virtudes através dos diversos frutos colhidos pela vida. Sem a energia dessa grande Orixá, seríamos seres afoitos, sem compreensão sobre o tempo e todos os seus ciclos.
Em nossa religião, Nanã assume o pólo negativo da Linha da Evolução, juntamente ao nosso Pai Obaluaê, que vem guiando a linha dos pretos velhos. A mais velha das Yabás também traz sua força por meio de caboclos e caboclas, como Caboclo Roxo, Cabocla Serena, Caboclo Treme Terra; a Cabocla Pena Roxa, por exemplo pode trabalhar na força de Oxóssi e carregar consigo a sabedoria de Nanã, sendo uma pajé anciã, transmitindo histórias e conselhos aos que precisam, entre outras linhas.
Seu instrumento de força é o ibiri, feito de folhas de palmeiras, búzios e palhas. Nanã o carrega em sua mão direita ou o deita sobre suas duas mãos, simbolizando o movimento de pegar e ninar uma criança. De acordo com as crenças e histórias, Nanã nasceu com esse instrumento e o carregou para todos os lugares que estava.
É preciso ter-se em mente que, apesar de Nanã estar intimamente ligada à morte, ela não é a morte em si (Orixá Iku). Nanã é quem acolhe os espíritos e os orienta no plano espiritual, é a força que, usando a energia do barro, irá decantar e paralisar energias densas e de baixa vibração e, ao mesmo tempo, Nanã restaura nossas forças e limpa o campo energético espiritual de cada um, renovando cada espírito para uma nova encarnação.
Algumas características de Nanã Buruku:
Cor: lilás ou roxa;
Ervas: manjericão roxo, dama da noite, folha de berinjela, folha de limoeiro, canela de velho;
Campo energético: pântanos, lama, cemitérios, águas profundas;
Dia da semana: sábado;
Chakra: frontal e cervical;
Saudação: Saluba, Nanã! (Nós nos refugiamos em Nanã);
Data comemorativa: 26 de julho;
Sincretismo: Santa Ana.
Seus filhos possuem figuras de avós. São carinhosos em excesso, são ranzinzas, preocupados com detalhes. Não possuem muito senso de humor, são pessoas sérias, valorizando muitos pequenos incidentes e transformando-os em grandes problemas em seus pensamentos. Por outro lado, são muito compreensíveis, acolhedores e dão bons conselhos, passando a impressão que são muito mais velhos que sua existência nesse plano. Trabalham bem o perdão aos que erram com eles. Exigem atenção e respeito de todos os que os cercam.
São calmos, benevolentes, buscam sempre agir com gentileza, mesmo em situações que os chateiam. São muito afeiçoados em crianças, possuindo tendência a se comportarem como avós e grandes mães.
Isabela de Iansã
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