terça-feira, 19 de novembro de 2019

Uniões Antipáticas

Uniões Antipáticas


No primeiro capítulo da quarta parte do livro dos espíritos, das penas e gozos terrestres, um dos temas abordados é sobre uniões antipáticas.  Esse tema é de fundamental importância ainda nos dias de hoje, uma vez que são comuns uniões entre casais que se tornam tóxicas e que acabam por prejudicar em diversas áreas os envolvidos. Para elucidar esse tema são feitas duas perguntas ao espírito da verdade, as perguntas estão descritas a seguir, juntamente com a resposta obtida e de nossos comentários a luz da ótica umbandista:
 939. “Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio? 
A essa pergunta o espírito da verdade responde que isso serve também como uma punição, mesmo que passageira. O espírito complementa dizendo que muitos acreditam amar verdadeiramente, mas quando passam a conviver com a pessoa “amada” veem que apenas se deixaram levar pelas aparências, que experimentaram um encantamento material. O espírito responde ainda que somente convivendo com a pessoa “amada” que se poderá realmente conhecê-la. O espírito cita também que muitas uniões que a princípio são antipáticas, acabam por voltar-se ao terno e verdadeiro amor recíproco, quando os casais realmente passam a se conhecer bem. Responde ainda que é o espírito quem ama e não o corpo, sendo assim quando passam as ilusões materiais, o espírito enxerga a verdade. Por fim é revelado que existem dois tipos de afeição: a do corpo e da alma, sendo frequentemente confundidas. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo.  Devido a isso muitos dos que julgavam se amar, quando dissipadas a ilusões, passam a odiar um ao outro. 

940. Não constitui igualmente fonte de dissabores, tanto mais amargos quanto envenenam toda a existência, a falta de simpatia entre seres destinados a viver juntos? 
O espírito responde que sim, são dissabores muito amargos. No entanto ele nos diz que esse é um tipo de infelicidade que na maioria das vezes nós mesmos somos a causa principal. Revela que o erro principal é (ou era) das nossas leis, pois Deus não pretende forçar ninguém a permanecer junto de alguém que lhe desagrade. Por outro lado, nessas reuniões, é comum buscarem satisfação do orgulho e da ambição, invés de afeição mútua. Assim sendo, o sofrimento é consequência dos próprios prejuízos. 
a. Mas, nesse caso, não há quase sempre uma vítima inocente?
Sim e para esta vítima isso é uma dura expiação. Mas a responsabilidade da sua desgraça recairá a quem lhe deu origem. Se houver entendimento espiritual deste sofrimento, a luz da fé encontrará consolação no futuro. A medida que os preconceitos se enfraquecem, as causas dessas desgraças íntimas também desaparecerão.
Este estudo se encaixa bem com a filosofia umbandista, uma vez que vemos na umbanda que a maior parte dos sofrimentos são causados por nós mesmos, principalmente quando buscamos reconhecimento e admiração aos olhos dos homens ao invés de buscar o melhor para nós mesmos. Muitas vezes se escolhe a pessoa para se estar junto devido apenas a beleza estética e a fatores de status ou financeiro, ao invés de se buscar alguém que realmente tenha uma afinidade de interesses e faça bem para si (que ajude a crescer e cresça junto). Devido a isso, como fruto do orgulho, muitas vezes, se tem uniões desastrosas. O que se planta é o que se colhe.
Ricardo de Ogum Matinata

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