segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Umbral

Umbral



Falaremos hoje do tão temido Umbral. O Umbral é conhecido como uma região onde os espíritos que levaram vidas imorais passam por terríveis sofrimentos até que reconheçam seus erros e recebam uma nova oportunidade de progredir. É abordada em psicografias de vários espíritos, um deles é o médico André Luís, que escreveu o livro “Nosso Lar” por intermédio do médium Chico Xavier. Essa região é descrita nesses relatos como um local remoto, com uma lama mal cheirosa, vegetação rasteira e contorcida, pouca claridade, encoberta por uma fumaça, fios de água terrosa e poucos animais rastejantes e sinistros. Essas informações até aqui já são de conhecimento de muitos, mas é interessante abordarmos e refletirmos em outras questões mais profundas. Qual a forma como os espíritos são “levados” para lá? Será que o Umbral é igual para todos? Por que demora para chegar o socorro dos que estão perdidos lá? O Umbral é uma punição de Deus? Existe uma região física onde está localizado? Quais as diferenças com o inferno Católico? Existem semelhanças com a Terra? Devemos temer o Umbral?


Antes de tudo é prudente deixar claro que ninguém é dono da verdade e apesar de ter pesquisado, o propósito do texto é refletirmos e compartilharmos nossas opiniões sobre assunto, se você não concorda com a minha visão ou tem algo a acrescentar que possa nos agraciar com sua participação nos comentários. Todos têm muito que aprender. Dito isso, voltemos nossa atenção às questões. Os espíritos durante a vida vão construindo e modificando sua consciência mental, no desencarne o espírito não terá mais o corpo funcionando como ancora e será conduzido pela própria mente para perto de outros espíritos que vibram a mesma energia, sendo ela boa ou ruim. Isso já acontece quando dormimos, somos levados em desdobramento para os locais com energia similar a que estamos, seja ódio, amor, bondade etc. É através da nossa própria consciência que somos conduzidos ao Umbral. Devido a essa afinidade mental, existem diversas partes do Umbral com aglomerados de espíritos que estão fixados nas mesmas ideias, como por exemplo, o chamado vale dos suícidas. 

O que poucos sabem é que cada um de nós terá um Umbral particular e customizado para si. As pessoas subestimam o poder da mente. Ainda em vida a nossa mente é agente transformadora, isso se vê ao repararmos na vida de um pessimista mal-humorado e de um otimista que encara a vida de frente. Qual tem mais sucesso? É isso mesmo, o Umbral é construído no decorrer da vida de cada um, muitos inclusive vivem como se já estivessem lá. Deus nos deu uma ferramenta de grande perfeição que é o coração. Sempre que fazemos algo errado, lá no fundo sabemos disso e se não sabemos não somos culpados, pois fizemos por inocência. O umbral nada mais é do que todos os remorsos e culpas que vamos acumulando durante a vida. Quando encarnados conseguimos enganar os outros e a nós mesmos, muitas vezes somos bons e amigos por interesse e ainda sim conseguimos dormir tranquilos, pois sempre temos uma desculpa para tudo. No Umbral não conseguiremos fazer isso mais, seremos expostos ao pior de nós mesmos e teremos que admitir o nosso lado sombrio, teremos que abrir mão do orgulho tão enraizado durante a vida. Essa formação mental do umbral fica clara quando em um trabalho mediúnico do espiritismo ou da umbanda há o resgate de espíritos umbralinos. É comum eles chegarem dizendo que estão queimando ou relatando algum sofrimento e quando o doutrinador diz com firmeza que está tudo bem, que tudo já passou, que está em um hospital se recuperando, logo param de sentir essas dores. A customização do umbral próprio costuma estar ligada a fé que a pessoa teve em vida, se a pessoa teve uma fé católica ou evangélica, ao ter que confrontar seus erros poderão se sentir merecedoras do inferno e logo imaginarão isso com tanta força que serão capazes de sentir as chamas e tudo mais. Se for um umbandista, pode ser que se imagine sendo castigado ou escravizado por cobradores kármicos. Deixo claro que na minha opinião nada disso realmente acontece, é tudo fruto do sentimento de necessidade de autopunição. 



Quanto ao socorro que dizem demorar a chegar ao umbral, na verdade não é bem isso o que acontece. O que ocorre é que como o ser está em uma vibração muito baixa ele nem mesmo consegue enxergar um ser mais evoluído que vá oferecer ajuda, é necessário antes do resgate, achar respostas dentro de si mesmo. Reconhecer os erros no umbral pode demorar, uma vez que muitos com o sofrimento tentam culpar outras pessoas e até mesmo a Deus pela situação em que se encontram. Podendo essa regeneração levar mais ou menos tempo, dependendo do próprio espírito.

Como já foi possível notar, Deus em sua perfeição nos deu o coração para que pudéssemos ser responsáveis pelo nosso próprio “julgamento”. Sendo assim, o Umbral não é de maneira nenhuma uma punição de Deus. Deus não tem sentimentos humanos perversos como a vingança e Ódio, tambem não é sádico. Na verdade, não somos responsáveis pelo nosso julgamento, porque isso está ligado a nossa imperfeição de comparar e julgar o outro. Temos é que nos livrar do julgamento, se aprendermos a não julgar aos outros quanto suas falhas, no umbral também não nos sentiremos dignos da dor. No entanto, essa é uma missão difícil, caso consigamos, creio eu que não precisaremos passar pelo Umbral.

Quanto à localização física do Umbral, muitos dizem que fica na crosta terrestre e ao seu redor. Ele é descrito como tendo sete camadas, sendo a sétima a mais densa e trevosa e a as outras decrescentemente menos trevosas. Não há muita informação disponível sobre a diferença entre essas camadas, de repente em outro texto posterior poderemos tratar novamente do assunto com uma maior riqueza de detalhes.

As diferenças do Umbral com o Inferno católico são grandes, além da diferença óbvia que o inferno é um sofrimento para toda a eternidade e o umbral um passageiro com o fim de nos aprimorarmos, existem outras. O inferno é um local físico, sendo uma prisão de fogo, gerida por um ser maléfico e que tem como objetivo trazer o sofrimento aos “merecedores”. O umbral já é uma prisão mental, não sendo necessário ninguém para aprisionar o ser além de si mesmo. A Terra e o Umbral têm vibrações muito semelhantes, estamos muito mais próximos dos seres trevosos do que dos de luz, até por isso estamos encarnados. Caso fôssemos todos bons, não necessitaríamos da encarnação como mecanismo de evolução. Devido à semelhança vibratória da Terra e do Umbral, um influencia o outro. Os humanos encarnados que dão abertura as energias negativas e vibram nessa frequência, recebem energias dos seres umbralinos e o contrário também ocorre. Além disso, como já foi citado, é possível viver como se estivesse no umbral, mesmo encarnado, tamanhas podem ser as aflições de uma pessoa. 


Quando falamos em Umbral logo as pessoas se lembram da necessidade de serem bons para não irem para lá. Isso é realmente ser bom? Ser bom por interesse e temor não é o mesmo que ser bom pelo autêntico amor de Cristo. Acredito que, devido a isso, não devemos nos preocupar se vamos para o umbral ou inferno, mas sim se estamos seguindo o que Deus nos fala através do coração. Se nos estamos seguindo a nossa essência divina. Difícil? Olhe pra dentro de si e sempre saberá. O inferno e o umbral muitas vezes são usados para ameaçar a quem tem fé, para que a pessoa pare de fazer algo por temor. E muitos sacerdotes não veem que na verdade isso limita o ser, ele deixa de realizar as ações não porque realmente aprendeu que é algo ruim. Ele apenas esconde dentro de si suas vontades perversas e se o mesmo não confrontar esses desejos em vida terá que encarar isso no umbral. Não estou incentivando a seguirem seus instintos ruins, mas sim a reconhecê-los e trabalharem para melhorá-los invés de fingir que não estão lá.

Axé a todos!

Ricardo de Ogum Matinata

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