quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O bem e o mal

O bem e o mal 

Prosseguindo ao estudo do livro dos espíritos, o presente texto abordará sobre o bem e o mal, tema presente no capítulo I da parte terceira. Segundo é ensinado, o bem é aquilo que é feito conforme as leis divinas e o mal é tudo aquilo realizado em contrariedade às regras de Deus. O homem, se tiver fé em Deus e se realmente deseja saber a diferença entre ambos, é capaz de o fazer, visto que recebe inteligência do Alto para tanto. 

Para que não haja enganos quanto à apreciação do bem e do mal, basta analisar o que Jesus gostaria que se praticasse ou não, para que assim não se caia em erros. A fim de saber até que ponto algo é bom ou mal para o Ser em sua individualidade, deve-se ter em consciência que Deus dá a medida de tudo aquilo que seja necessário. Caso haja excessos, haverá também responsabilização por parte de quem se excedeu. 

É imperioso que se recorde que Deus criou a todos ignorantes a fim de que cada um opte pelo seu caminho. É necessário que existam experiências a fim de que o espírito conheça o que é bom e mal, e consequentemente aprenda e cresça em decorrência de seus méritos. 

A lei de Deus é una e uniforme. E, embora existam diferentes posições sociais das quais nascem necessidades diversas, a lei não deixa de ser única todos. A condição na qual o espírito nasça e viva, se dá devido à necessidade de progresso que não anula a homogeneidade da lei divina que é a mesma para todos. E, independente da posição em que o homem está, o bem será sempre o bem, e o mal será sempre o mal, sendo que este depende precipuamente da vontade de se praticá-lo, variando assim o nível de responsabilidade de cada um. 


Logo, aquele que sabe o que faz é mais culpado do que aquele que não o sabe. As situações intensificarão ou amenizarão a gravidade do mal e do bem, conforme os instrumentos que possui o indivíduo para a compreensão do que é bem e mal. No livro exemplifica-se tal situação utilizando-se a figura de um selvagem que age por seus instintos se nutrindo da carne humana. Referidos atos o tornam menos culpado do que o indivíduo consciente e instruído que pratica uma injustiça trivial. 

Mesmo que existam situações nas quais o mal seja necessário, o mal não deixará de ser o mal. E situações que exijam essas necessidades irão se desaparecer à proporção em que a alma se purifica. Caso o indivíduo pratique algum mal devido a situações impostas por outras pessoas, ele responderá por esse mal, porém detém menos responsabilidade do aqueles que o provocaram. 

Além do mais, quando alguém, mesmo que não tenha praticado, no entanto se vale do mal que outro tenha feito, responderá por isso, pois é tão culpado quanto o que pratica. Da mesma forma, censura-se aquele que deseja fazer o mal, mas não o faz devido a circunstâncias alheias a sua vontade. Contudo, se o indivíduo almeja o mal, tem a possibilidade de fazê-lo mas resiste a seu anseio, há virtude em sua resistência. 

Não basta apenas não se fazer o mal, é necessário que o homem faça o bem que estiver ao seu alcance, pois todo mal que resulte do bem que poderia ter sido feito e não o foi, gera responsabilização por parte do omitente. Todos possuem a oportunidade de praticar o bem, independente da posição em que ocupa no plano terrestre. Apenas o egoísta que enxerga somente a si, não visualiza as oportunidades diárias de praticá-lo. Realizar o bem não se restringe a ser caridoso, mas é também ser útil quando seja preciso. 


Os meios nos quais se encontram determinados homens podem representar a causa primária de muitos vícios e crimes, porém isso consiste em prova escolhida pelo espírito quando em erraticidade, a fim de que, mesmo com as seduções, consiga resistir. E, mesmo nesses locais, embora exista um arrastamento ao mal, isso não é irresistível, pois até nesses ambientes é possível se defrontar com grandes valores, posto que há muitos espíritos que suportaram o mal e consequentemente, nesse aspecto, foram incumbidos de auxiliar seus próximos. 

Quanto ao bem praticado, seu reconhecimento consiste no grau de dificuldades de realizá-lo. Isto é, se não há esforço e dedicação e se nada custa ao praticante, não se vê mérito em sua prática. A espiritualidade encerra essa parte com os seguintes dizeres: “Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva.”

Sempre em busca do trabalho caritativo, os espíritos trabalhadores de Umbanda vêm orientar os encarnados dando-lhes força e persistência para enfrentar os obstáculos que aparecem, quando na prática do bem. Além do mais, os guias espirituais mostram que é possível e gratificante caminhar na senda da luz, relembrando-nos qual o real propósito da encarnação. Mostram que não há mal, não há dor, não há dificuldades que não possam ser vencidas pelo trabalho, pela bondade, e principalmente, pelo amor. 

Que tenhamos todos nós, portanto, a consciência constante de praticar os atos conforme os ensinamentos divinos. Que saibamos ouvir Deus através dos espíritos que são instrumentos propagadores do bem que vêm nos auxiliar em cada rota de nossa vida e que possamos ser, também, multiplicadores de luz, paz, e todas as demais virtudes que podemos cultivar. 



Natália de Iemanjá

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