terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Divisão da lei natural

 Divisão da lei natural

Continuando o estudo do Livro dos Espíritos temos a Terceira Parte, dentro dela o Capítulo I com o título “Da lei divina ou natural” e dentro deste texto iremos abordar o tópico “Divisão da lei natural”. Antes de tratarmos de fato deste tópico, vamos interpretar o que é a lei divina ou natural. Pois bem, chamamos de lei divina ou natural conforme citado no Livro dos Espíritos a lei de Deus, sendo a lei que permite alcançar a felicidade. O que nos demonstra o certo e o errado perante o divino e não perante o homem.

Para compreendermos a divisão da lei natural, é feita a pergunta de número 647 no Livro dos Espíritos. A pergunta é se a lei de Deus está contida toda no amor ao próximo ensinado por Jesus, tendo como resposta que isso é todo dever de uns com os outros. Porém temos mais deveres para com todas as circunstâncias da vida, além do amor ao próximo, devem existir regras claras, caso contrário existiriam muitas interpretações errôneas.

Podemos ver, conforme a pergunta acima, que nós vivemos em uma complexidade de fatos e a lei divina é dada a todas circunstâncias de nossas vidas, seja amar ao próximo, seja amar a nós mesmos, seja respeitar, e entre várias outras. Porém, como somos seres falhos, essas leis devem ser claras para que possamos interpretar da maneira correta. Para sabermos se está correto ou não, devemos consultar a consciência. Nossa própria consciência tem a resposta para grande parte de nossos erros e dificuldades. Mesmo assim, tentamos nos enganar e tentar deixar a consciência tranquila com desculpas, porém no fundo sabemos a verdade.


Para nós umbandistas temos uma determinada linha de trabalho de espíritos que sempre trabalham com a nossa consciência e nos mostram o que realmente escondemos de nós mesmos, a chamada linha da esquerda, onde contém as entidades como Exu, Exu mirim, Pombagira, Pombagira mirim. Tais entidades são discriminadas por outras religiões ou pelos próprios umbandistas, sem fundamento, e tal discriminação surge justamente pelo seu trabalho. Esses espíritos revelam o íntimo do médium e daquele que os procuram mostrando a verdadeira face para a mudança positiva. Entidades que refletem a nossa própria consciência se demonstram de forma a assustar às vezes, e é justamente esse o arquétipo, a nossa própria consciência, em muitas vezes, teria uma aparência que nos assustaria. É sempre mais fácil julgar e colocar a culpa no próximo esquecendo o que somos e a responsabilidades que temos. Para vivermos a lei natural basta nos aprofundarmos em nosso próprio íntimo e enxergar o que realmente somos e o que podemos melhorar, caso contrário estamos sendo hipócritas e a hipocrisia é consigo mesmo.

A outra pergunta de número 648 é referente ao pensamento espiritual em relação à divisão da lei divina em dez partes, citando leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. A resposta é que tais leis compreendem as mesmas de Moisés e que abrange a essência da vida e cita em relação a todas citadas a justiça, amor e caridade como um tripé no qual apoiado o espírito consegue alcançar todas as outras.


Justiça, amor e caridade é o que a Umbanda traz consigo, assim como os espíritos que responderam a Kardec baseiam em tais virtudes, na Umbanda não foi diferente. O Caboclo das 7 Encruzilhadas, ao fundar a Umbanda, traçou algumas metas definindo o que seria a religião e mesmo com todas as variações ela deveria ter uma base, sendo uma das bases o amor e a caridade. E, desde então, todo terreiro que se diz Umbandista deve ter amor e caridade em suas bases, pois caso contrário, não é manifestação da religião Umbanda, podendo ser considerado outro culto. Ao praticarmos amor e caridade, aguçamos nossos sentidos para todas as práticas do bem, elevando nossos pensamentos em busca de sermos melhores e ativando nossos sentidos para erradicar os vícios e aumentar as virtudes.


Pai Igor de Oxum .’.

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