sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Incorporação na Umbanda

Incorporação na Umbanda


Muitas pessoas discutem a respeito da incorporação na Umbanda e o principal motivo dessa discussão é a respeito do grau de inconsciência do médium na incorporação. Nesse texto iremos esclarecer algumas dessas dúvidas em relação a esse fenômeno.

Primeiramente é importante se saber o que é incorporação. Esta é um acoplamento mental entre a entidade e o médium, havendo uma conexão áurica de ambos, onde os chacras do espírito se conectam aos do médium.
 
Encontra-se classificação de incorporação semiconsciente e inconsciente, não se utilizando o termo incorporação consciente porque nesse caso há uma irradiação do espírito e não propriamente uma incorporação. Mas, o primordial aqui não são os nomes, mas sim se entender como funciona esse mecanismo de incorporação.

Na incorporação semiconsciente, o médium, durante a incorporação, interagindo sua consciência à consciência do espírito, entra em transe detendo o controle de algumas faculdades como, por exemplo, da visão, como se estivesse em um sonho. Da mesma forma, também não possui o controle de outras faculdades, podendo se citar a prática de gestos de forma involuntária pelo médium. Este sabe conscientemente que naquele momento os seus gestos estão sendo realizados pelo guia espiritual.
 
Em relação à incorporação inconsciente, não quer dizer que o médium não está presente no momento da incorporação. Isto pode raramente ocorrer, contudo, esta também pode acontecer, por exemplo, quando o médium embora no momento da incorporação esteja ali presente, não se lembre de nada do que ocorreu ao final da incorporação.

Na verdade, hoje em dia, não se vê mais a incorporação totalmente inconsciente. Pode ser que no passado tenha existido, pois naquele momento seria algo necessário para o desenvolvimento da religião. O que acontece hoje é o transe mediúnico, ou seja, incorporação semiconsciente, que pode ser mais ou menos profundo. Quanto mais profundo o transe, menor a consciência do médium e, consequentemente, quanto menos profundo o transe, maior será a consciência do médium. 

A partir do momento em que o médium perde a sua coordenação motora e começa a se portar de uma maneira diferente, seja ela, através de incorporações de exus, erês, caboclos, pretos velhos, etc, significa que o seu nível de consciência está em parte quebrado, momento este em que o médium já começa a trabalhar. Nesse caso, na incorporação, o médium estará ciente de tudo o que acontece ao seu redor, porém o seu corpo fica à disposição da entidade em que trabalha naquele momento, isso seria o transe. Um exemplo claro desse transe é quando uma pessoa está assistindo televisão, mas sua mente está em outro lugar. Se chega alguém e pergunta sobre o que a pessoa está assistindo, a pessoa não sabe responder por estar “longe” dali.


Durante a incorporação, poderão ocorrer lapsos mais profundos e menos profundos de transe de acordo com o relaxamento e a concentração do médium. Sendo assim, pode ser que o médium não se lembre de algumas consultas e isso não significa que o mesmo estava inconsciente. Quer dizer que naquele momento específico da incorporação, o transe do médium foi em maior grau, impossibilitando que se lembrasse da consulta e pode ocorrer também que a própria entidade não deixe que o médium veja o atendimento, por se tratar de um assunto particular do consulente. O médium às vezes poderá se lembrar de algum fato posteriormente, pois se algo o fizer lembrar ou se o consulente o perguntar a respeito da consulta pode ser que o médium se lembre caso seja necessário, pois nenhuma entidade deixará lembranças no médium que constrangerão alguém ou que não sirvam de aprendizado ao mesmo. 

Portanto a incorporação é um trabalho em conjunto do médium e entidade. São duas consciências, duas personalidades que se unem formando uma terceira consciência ou terceira personalidade. 

Este é um assunto extenso não havendo pretensão de esgotá-lo nesse breve texto, contudo espera-se que ele tenha esclarecido algumas dúvidas do leitor. Por fim, necessário se faz que cada pessoa acima de tudo incorpore dentro de si todos os valores que as entidades de luz têm a nos passar.

Wiliam de Xangô
e
Natália de Iemanjá

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