quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Os Animais e o Homem

Os animais e o homem

Nas perguntas 592 seguintes, no livro III, capítulo II do livro dos espíritos, é questionado aos espíritos a respeito das capacidades dos animais comparadas à capacidade humana. Perguntam também sobre a condição de cada um, visto que, em algumas situações, os animais se portam com maior senso moral que o humano. Daí se vem o esclarecimento de que o homem possui o livre-arbítrio e este faz com que além de serem semelhantes na composição física, o ser humano busque um crescimento moral através da sua inteligência. Ao contrário dos animais que ainda não logram do livre arbítrio e vivem sua expiação em prol de satisfazer as suas necessidades materiais, mesmo que muitas vezes pareçam ser dotados de uma capacidade diferenciada de comunicação. Nos animais, portanto, predomina o instinto, porém também há em muitos uma “vontade acentuada” e uma “inteligência limitada”.

Em seguida, questionado é a respeito da comunicação entre os animais, se eles possuem uma linguagem particular, e a resposta dada é que assim como o humano, os animais também se comunicam, com uma linguagem mais voltada a satisfazer suas necessidades. Porém alguns animais possuem a capacidade de imitação. É esclarecido que alguns animais possuem aptidão para imitar palavras por causa da sua formação vocal nos seus órgãos mais presentes entre as aves, assim como outros animais têm mais facilidade em imitar ações humanas, como nos casos dos macacos.


Já na pergunta 597, Kardec pergunta se os animais possuem espírito e a resposta é sim, porém é uma alma inferior à do homem, que, após o seu desencarne, a alma de um animal conserva apenas sua individualidade, a consciência de si, não. Aos animais também não lhes é dado o direito de escolha do reencarne, pois lhes falta o livre-arbítrio. Após o desencarne, o espírito de um animal é direcionado a um lugar diferenciado de um espírito errante, pois Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade, então após a morte, o animal é encaminhado por aqueles Espíritos superiores responsáveis por eles. Os animais progridem impulsionados pela lei do progresso e nos mundos superiores não conhecem a Zambi, pois para eles o homem é um deus.

Na pergunta 604, questionado é como Olorum na sua imensa sabedoria é capaz de criar seres inferiores uns dos outros. É explicado que a natureza é regida por elos e que, no momento, a nossa consciência ainda é dominada pelo orgulho e pelo ego e não conseguimos compreender e que essas leis não podem ser contrárias à sabedoria suprema do Criador. Os animais possuem inteligência da vida material, já no homem, “a inteligência proporciona a vida moral”.

Nas perguntas que se segue é dito que o homem e os animais são formados do mesmo princípio inteligente universal. O que os difere é a elaboração que o homem passou na sua formação.


Pergunta 607: Dissestes que o estado da alma do homem, na sua origem, corresponde ao estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida. Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento?

R: “Numa série de existências que precedem o período a que chamais Humanidade.”

Daí vem um esclarecimento que trata do princípio de nossa existência e é comparado como nossa vida corpórea que em um primeiro momento é o da infância. É um trabalho preparatório como uma criança que aprende a andar e a falar primeiro. Essa mudança é parte da energia do nosso Orixá Ancestral que sofre uma transformação para nos tornar Espírito, daí tomamos consciência do futuro com capacidade de distinguir bem e mal e a responsabilidade por nossos atos, denominado livre-arbítrio. E assim seguimos à fase da juventude e adulta que é o nosso caminho rumo à evolução. Esse período de início pode ter se iniciado na Terra ou não, nesse caso existe antes uma exceção.

Após o desencarne, o homem não toma consciência da sua existência antes da sua humanização por não conseguir se lembrar. Porém pode conservar traços desse período que com o tempo e suas experiências vão se apagando com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos são lentos, mas a partir do momento que o Espírito toma consciência de si esse processo é acelerado.


E assim Kardec finaliza na pergunta 610, perguntando se estariam enganados os Espíritos que disseram que o homem é um ser à parte da ordem da criação e a resposta dada é que a questão não foi desenvolvida, o homem é um ser a parte já que possui características diferentes de todos os outros seres e que “a espécie humana é a que Tupã escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-lo”.

“Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas.”

Axé a todos.



 Ryan de Oroiná

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