segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Os Minerais e as Plantas

Os Minerais e as Plantas

No capítulo 11 do livro II dos espíritos são feitas perguntas ao espírito da verdade sobre as diferenças entre os reinos biológico, mineral, vegetal e o animal. Neste texto discutiremos e analisaremos a primeira parte deste capítulo que faz referência ao reino mineral e vegetal. Essas perguntas e respostas nos ajudam a compreender diversas dúvidas que passam por nossas cabeças ao conhecer o universo espiritualista, tais como: Qual o grau de consciência tem esses reinos mais elementares? Eles são capazes de ter sensações da mesma maneira que os homens? Tudo isso será apresentado e discutido no decorrer deste texto baseado nos estudos de Kardec. Essa discussão é importante no universo umbandista, uma vez que todas essas dúvidas estão presentes no dia-a-dia de quem estuda a umbanda. Será trazida para discussão também um pouco da visão umbandista sobre os seres elementais e sua interferência nesses reinos.

Perguntado se seria mais adequada a divisão em três reinos (mineral, vegetal e animal) em duas classes (orgânicos e inorgânicos) ou em quatro classes com os humanos formando uma outra classe separadamente, o espírito da verdade nos revela que todas as classificações estão corretas conforme o que se analisa. Se nos basearmos no ponto de vista material, o adequado seria dividir em orgânicos e inorgânicos. Se for baseado no ponto moral o mais adequado seria a divisão em quatro graus. O reino mineral, que possui apenas matéria inerte ocupando a primeira classe, possuindo apenas força mecânica. As plantas seriam a segunda classe, pois mesmo sendo compostas de matéria inerte têm vitalidade. Os animais ocupariam a terceira classe já que possuem tudo o que os reinos anteriores possuem, mas, além disso, ainda têm uma espécie de inteligência instintiva. E por último, a última classe, seria ocupada pelos homens que dominam todas as outras classes por terem uma inteligência especial, com consciência do futuro, percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus.


O espírito da verdade nos revela também que as plantas não têm consciência de que existem, uma vez que não pensam, apenas possuindo vida orgânica. Revela ainda que as plantas recebem impressões físicas que atuam sobre sua matéria, mas não tendo percepções. Desta forma não tendo sensação de dor. É relatado também que a força que atrai as plantas uma para as outras independe de sua vontade, uma vez que não pensam. Sendo essa força apenas mecânica, sem que elas possam opor-se a isso.

Depois disso, são feitas algumas perguntas ao espírito da verdade sobre seres que poderiam estar entre as classes vegetal e animal, cuja riqueza de detalhe não quero furtá-los, por isso as perguntas foram transcritas na íntegra: “Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e a Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra?” 

Para essa interessante e rica pergunta, o espírito da verdade revela que tudo na natureza é transição, mesmo uma coisa não se assemelhando a outra, tudo está ligado entre si.  As plantas não pensam, tendo apenas um instinto cego e natural, assim como a ostra que se abre. No organismo humano, também temos exemplos de movimentos parecidos, sem a participação da consciência, tais como as funções digestivas e circulatórias. O piloro se contrai, ao contato de certos corpos, para lhes negar passagem. O mesmo provavelmente se dá na sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo implicam a necessidade de percepção ou vontade. 


É perguntado se nas plantas, como nos animais, não há um instinto de conservação, que lhe induza a procurar o que é útil e se afastar do que é nocivo. A isso o espírito da verdade nos diz que: “Há, se quiserdes, uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome de instinto.”

Por fim, o entrevistador pergunta ao espírito da verdade se nos mundos superiores as plantas são de natureza perfeita, assim como os outros seres. A isso a resposta foi que tudo é mais perfeito nos mundos superiores. Porém, as plantas sempre são plantas, os animais sempre animais e os homens sempre homens.

Com as informações que foram colhidas por Kardec, foi possível concluirmos que as plantas e os minerais não têm consciência ou vontade, mas na umbanda sabemos que por trás de cada coisa existem os seres elementares com um grau de consciência superior ao das plantas e inferior ao dos animais que auxiliam no desenvolvimento e conservação de plantas e outras coisas. 


Conforme o texto que trata sobre esse assunto no blog, os elementais são: “energias, espíritos ou forças que atuam na natureza. Realizam um trabalho muito importante, visto que é devido a eles que chegam aos homens os frutos, as ervas, as flores, as pedras, ou seja, tudo que é produzido na natureza tem  a atuação dos elementais.” Não nos alongarmos falando sobre isso neste texto uma vez que foge do nosso propósito inicial.

Com isso encerramos nossa análise sobre o texto de Kardec sobre os minerais e vegetais, esperamos que este texto possa ser útil para esclarecer possíveis dúvidas que surgirem sobre o tema.

Axé

Ricardo de Ogum Matinata

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