sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Pactos

 Pactos

Dando continuidade aos estudos sobre a obra de Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, falaremos agora sobre os Pactos firmados entre os encarnados e o mundo espiritual, assunto presente em sua parte segunda, capítulo IX.

Em um dado momento, Kardec questiona a espiritualidade sobre a veracidade dos ditos pactos firmados com os maus espíritos. O que ele tem por resposta é que tal coisa não é de fato verdadeira e o que ocorre quando uma pessoa evoca os espíritos inferiores para provocar o mal a alguém é que essa pessoa está firmando uma demanda energética com tais espíritos. Isso causa um vínculo de subserviência a tais entidades, que se alimentam das más ações, gerando assim uma dependência. 


É dado como fábula as lendas de que pessoas “venderam a alma ao Satanás” para conseguir algo em troca. Porém, toda fábula traz em si uma lição verdadeira, um ensinamento moral. E o que isso quer dizer? Uma pessoa que evoca as forças dos maus espíritos para obter alguma vantagem renuncia à missão que lhe foi dada ao encarnar e às provações que lhe foram postas a suportar neste mundo. Como consequência, o filho não cumprirá a sua missão e pagará o preço na encarnação seguinte. Isso não quer dizer que o espírito ficará em infelicidade perpétua, porém tais ações o vincularão mais ainda à matéria e aos prazeres a ela vinculados. Por consequência, isso causa um atraso no progresso evolutivo do espírito, uma vez que a evolução consiste no desprendimento da matéria e ascensão a Deus.

Na umbanda, tampouco cremos em pactos firmados com as entidades, porém realizamos trabalhos espirituais em conjunto aos espíritos de luz que se manifestam no terreiro. Apesar de serem entidades de luz, devemos ter plena consciência da seriedade de tais trabalhos. Quando firmamos um acordo com um Exu  por exemplo, geramos ali uma demanda energética para abertura de caminhos que deve ser suprida com o trabalho que lhe fora pedido. A não realização de trabalhos em aberto gera consequências futuras ao desenvolvimento do filho de terra. Devemos ter a plena consciência de que um Exu, Caboclo, Preto Velho (ou outro guia) não dão e não tiram nada de ninguém, eles apenas apontam e despertam nossa consciência para as possibilidades e para os erros.

Portanto, ao firmarmos um compromisso com uma entidade que nos atenda naquele momento, devemos ter plena consciência da responsabilidade de tal trabalho e não devemos deixar de cumprir com nossa parte. 

Axé!


Diego de Oxóssi

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