segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Alma

A Alma

Dando continuidade nas discussões acerca do Livro dos Espíritos, ainda no Livro II, o Capitulo 2 traz informações bastante pertinentes sobre  “A Alma”. 
Primeiramente, é discutido sobre o que seria a alma e o espírito. Os espíritos afirmam que alma e espírito são a mesma coisa, complementando que ambos são seres inteligentes, ou seja, dotados de sanidade e discernimento divino, pois quando se trata do plano espiritual as leis terrenas e materiais não são aplicáveis. Na verdade pode até haver leis comuns entre os planos (material e espiritual), no entanto, nós no plano material (encarnados) temos pouca capacidade de compreensão acerca do assunto.
Em um segundo momento, é tratado sobre o elo do corpo com a espírito/alma. Na ocasião, é explanado que o homem em Terra é composto por três partes essenciais, sendo elas: a matéria, o próprio corpo no qual o espirito habita; a alma (ou espírito) e o perispírito, este de composição semimaterial que permite a conexão entre espirito e matéria. Pensemos agora sobre o “Axé” na Umbanda, a palavra oriunda do povo Iorubá significa “força, poder, realização”.  O “Axé” também funciona como o “Amém", “Assim Seja”; Axé também pode significar “vida” e tudo aquilo que possui vida tem Axé em si. Pode-se dizer que o Axé é a própria energia do pai Olorum (Deus) aplicado na sua criação, no entanto vale destacar que alguns estudos apontam que o Axé é a energia responsável pela união do corpo espiritual e do corpo físico, ou seja, a energia divina responsável  pela sustentação da alma e da matéria.     
  Retomando ao livro dos espíritos, há afirmação por outros espíritos de que o corpo nada mais é do que o envoltório, a casca, de um espirito/alma. Então a alma pode sim abandonar o corpo, neste momento, aquele corpo tende a se desintegrar e se desfaz. A morte nada mais é do que o rompimento do elo entre espirito e matéria e o corpo sem a alma nada mais é do que  “carne sem inteligência”. Sabemos que na Umbanda se acredita que o processo de morte e nascimento é necessário. Esta vida que estamos vivendo é só mais uma, ou seja, outras já ocorreram, e outras ainda podem vir. O processo evolutivo se dá no plano espiritual, e o nascer e renascer ocorrem porque temos que aplicar o conhecimento e/ou trazer um projeto a ser realizado na matéria oriundo do plano espiritual.  Utilizando outras palavras, somos espíritos e viemos do plano espiritual com um objetivo, estamos aqui para aplicar algo, ou até mesmo auxiliar outro espirito que está apenas no plano espiritual. Não há uma regra para o encarne e o desencarne, e estamos muito longes de compreender como e porque acontece, no entanto conclui-se que essas “missões” são dadas por Olorum e o objetivo final estamos mais longes ainda de compreender. 


Dando continuidade, é discorrido sobre a frase trazida por alguns filósofos ao longo da história, definindo a alma como “uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Na ocasião, os questionamentos foram feitos dizendo que tal afirmativa é ambígua e os espíritos discorrem sobre a frase afirmando que ela não é ambígua, pois tudo depende do sentido que se emprega à palavra alma, visto que existem acepções diferentes da mesma. Caso se entenda que a alma é o princípio da vida, logo ela é sim uma centelha anímica emanada de um Todo.
Os conhecimentos umbandistas nos mostram que Olorum é o grande provedor da vida, ou seja, Dele é que provém a vida. Olorum que define a existência de um espirito, de uma alma. Uma vez que uma alma é criada, há vida (estando este espirito encarnado ou não). Como já discutido em outros textos aqui do blog acerca do Livro dos Espíritos, Deus é o todo, ou seja, toda a criação é parte de Deus, não é o todo que compõe o Deus. No meu entendimento, a frase “a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo” faz todo o sentido, pois o pai Olorum (sendo Ele o todo) é ao que proverá a animação (vida) para a alma. Deus é quem cria, anima e consome seguindo sua vontade.        
A alma, em nenhum momento, pode ser subdividida, posto que a alma é como se fosse o núcleo do ser, sendo o perispírito e o corpo material componentes também deste ser.  Porém ressalta-se que ela não está presa e reclusa ao corpo, pois irradia e se manifesta exteriormente e, além disso, à medida que o espírito (alma) evoluiu, ela passa por processos singulares evolutivos, tais como o desencarne e a encarnação. Quando encarnado, um ser em seu período infantil/juvenil não possui uma alma/espírito incompleto. Ele se encontra na sua totalidade e, à medida que aquele ser cresce, os conhecimentos obtidos são em relação à vida terrena e espiritual. E, na vida terrena, realmente à medida que uma pessoa se torna mais velha, ela passa por mudanças físicas, ao passo que as mudanças espirituais estão aquém do que podemos vislumbrar e compreender, pois estamos ainda na matéria.
No decorrer da leitura do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, é notório que diferentes espíritos descrevem a “alma” de maneiras diferentes. Quanto a isso, foi se esclarecido que  nem todos os espíritos são esclarecidos igualitariamente. Na Umbanda, essa diferença pode ser facilmente observada analisando os diferentes arquétipos dos guias trabalhadores na nossa religião. O olhar de um Preto Velho é diferente, pois aquele espírito teve experiências e vivências diferentes daquelas vivenciadas por um Caboclo, por um Baiano, Cigano, Marinheiro, etc. Logo, essas vivências diferenciadas levaram a visões diferentes acerca de um fato comum. Caso questionemos um mesmo fato para diferentes guias (Pretos Velhos, Caboclos, Baianos, etc) todos responderão de maneiras diferentes, o que os difere de nós é a dimensão na qual habitamos e a quantidade de conhecimento que é dada aos seres encarnados.


Para finalizar este capitulo, os espíritos esclarecem a respeito do que seria a “alma do mundo”. Na ocasião, é dito que o termo “Alma” é bastante elástico, podendo ser compreendido de diversas maneiras por diferentes seres. Dizer que a Terra tem alma é levar em consideração o conjunto dos espíritos abnegados (desprendidos da matéria) que dirigem para o bem as ações humanas. Na Umbanda, podemos comparar estas almas abnegadas aos falangeiros, ou seja, aqueles espíritos que já encarnaram no passado e que devido à sua evolução espiritual longa e de extrema luz divina, hoje estão distantes do plano material e mais próximos do plano divino. Exemplificando, o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi um ser encarnado que posteriormente recebeu a missão de fundar a Umbanda. Ao completar com resplandecência a missão, ele se ateve ao plano espiritual, não mais trabalhando incorporado com médiuns, apenas de forma indireta.


Victor de Oxumarê

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