quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Anjos e Demônios

Anjos e Demônios 

O tema anjos e demônios é abordado no Livro dos Espíritos, livro II capítulo 1, e esse tema não é levantado somente em tal local, e sim em todas as religiões. Mesmo aquelas em que não acreditam em tais seres, esse assunto é discutido devido a influência Católica em todo o mundo e na doutrina espírita e na umbandista não é diferente. 
Ao falar de anjos associamo-los a seres com proximidade a Deus, à proteção, a coisas boas. Já quando falamos de demônios associamo-los a seres que fazem ou trazem maldade, a ódio, à tristeza ou a perigo, a inimigos ou a seres afastados de Deus. Mas afinal, quem são esses seres segundo a doutrina espírita e segundo a doutrina umbandista? E o que eles trazem consigo? Será que eles realmente existem? Como podem influenciar o ser encarnado? Quais são suas  ligações com Deus?


No livro dos espíritos, as primeiras perguntas são referentes aos anjos, arcanjos e serafins, suas categorias e grau de escala e o tempo de evolução. Os espíritos respondem claramente que anjos, arcanjos e serafins são espíritos como nós e não são diferentes em termos de criação. Porém, tais seres que referimos são os espíritos puros, mais próximos à perfeição e que o grau da escala de perfeição é mais elevado.  Já percorreram os graus maiores de evolução e o tempo de evolução não é como imaginamos, pois vivemos em um universo cujo tempo é infinito e muitos desses espíritos já haviam atingido grau mais elevado quando já na criação deste planeta. 
Comparando a Umbanda com as afirmações de Kardec, percebemos mudança apenas nos nomes. Existem anjos, arcanjos e serafins, mas não com esses nomes, muitas vezes chamamos apenas de espíritos evoluídos. Já em algumas formas de doutrinas umbandistas tem-se a figura do anjo como o anjo de guarda e outros anjos e arcanjos. Tais seres possuem uma evolução muito grande e não manifestam e nem dão consulta, pois são seres de alta evolução que não é compatível com nossa vibração para tal coisa, sendo que isso varia de acordo com a forma ritualística de cada casa. Um exemplo que facilita para quem já conhece as bases umbandistas são os chefes de falanges ou a força verdadeira do Orixá que não manifestam para dar consulta, e sim apenas irradiam sua força nos médiuns para ajudar os pais e filhos de santo.
Já algumas casas umbandistas consideram como anjo de guarda algum guia ou entidade que cuida da coroa do médium (força  espiritual) o que difere de tal expressão de anjo como citamos agora, pois os guias que se manifestam em terreiro e dão consulta são seres também numa escala evolutiva não tão distante da nossa. Mas se dão consulta estão buscando a evolução da mesma forma como quem busca a consulta, contudo cada um na sua evolução e com visão diferente, pois é claro que um guia na condição de espírito de luz consegue enxergar além de nós enquanto encarnados.


Voltando para o livro dos espíritos, temos as perguntas de Kardec e respostas dos espíritos em relação a demônios. Será que estes realmente existem no sentido expresso da palavra? Pois quando se fala em demônio já imaginamos as piores coisas possíveis. A origem da palavra é grega, daïmon, significando gênio e inteligência e se aplicava aos seres incorpóreos sendo bons ou maus. No contexto divino, como se pode afirmar que Deus na sua infinita bondade, poderia criar seres que iriam sofrer eternamente com a soberania de sua natureza ruim? 
Somente desconhecendo os atributos de Deus que alguém faria tal afirmação e não conhecendo a interpretação cristã que alguma pessoa poderia afirmar isso. Ainda se diz sobre passagens bíblicas e a imaginação do homem com a figura do Satanás, e mostra que como Deus criaria um ser de pura maldade e energia negativa que disputaria forças com ele? A conclusão lógica de tudo é simples, não é possível a existência de seres de tais tipos. 
E os seres que fazem maldade o que são? São espíritos perdidos, que se perderam no caminho e devemos auxiliá-los para que encontrem a luz. E, além disso, não devemos nos deixar sucumbir perante tais energias negativas que os espíritos perdidos carregam, pelo contrário devemos sempre emanar amor que Cristo ensinou. 
Na Umbanda, não cultuamos e nem acreditamos em demônios. Temos os espíritos negativos chamados de Kiumbas, sofredores, eguns de baixa vibração, entre outras classificações de acordo com cada terreiro. Para tais espíritos procuramos emitir amor e conduzi-los para o reino do bem, do amor de Oxalá e Cristo, não existindo a figura do Satanás ou algo do tipo. 
Em algumas religiões existem a associação da palavra Exu com demônio. A palavra Exu é uma palavra Yorubana que se refere a uma divindade cultuada por tal povo. Sua primeira tradução foi feita por um ex-escravo na África, que se tornou padre evangelizador e para enfraquecer tal crença na época traduziu tal palavra como demônio, com intuito de expandir o catolicismo e enfraquecer a fé yorubana. O tempo foi passando e os escravos negros no Brasil sofrendo cada vez mais com seus patrões. Diante disso, pegaram sua fé e a usaram como forma de amedrontar seus patrões com intuito de sofrer menos, sendo assim criaram imagens e nomes assustadores para Exu. Tal fato surtiu efeito pouco tempo, sendo proibidos no Brasil os cultos dos escravos de origem africana, contribuindo assim para o preconceito e o temor a tais religiões. Diante de tais fatos, a imagem dessas entidades de religiões afrodescendentes ficou associada a demônio e coisa ruim. 
Com o passar dos anos, a Umbanda surgiu no início do século XX e tais contextos históricos já haviam passado, e as entidades de Luz começaram a manifestar nos terreiros de Umbanda com os nomes temidos de Exu e com arquétipos de formas temidas. E com essas manifestações mostram a todos que são espíritos de alta luz, mas que trabalham nos lugares trevosos onde poucos espíritos conseguem chegar para resgatar aquelas almas que estão muito distante da luz. E que para tal feito, têm que se manifestar de forma parecida com os seres trevosos para quebrar a “barreira” de resistência do ser trevoso e, assim, ajudá-lo a receber a luz, pois não tem como obrigar o espírito a querer receber a luz na existência do livre- arbítrio. Porém, é possível envolver com ele e o fazer mudar de ideia, sendo dessa maneira o trabalho de Exu  Além disso, eles nos ajudam e nos protegem de tais espíritos ruins e nos mostram bons caminhos assim como fazem com os espíritos trevosos. Seu papel é guiar o espírito perdido.


Exu na umbanda é protetor e guia espiritual, com seus nomes mostram sua maneira de trabalhar. Vou citar apenas um exemplo que é um dos nomes mais marcantes, o Exu Lúcifer, onde uma pessoa que não conhece doutrinas umbandistas associa-o imediatamente a algo ruim e contra forças do amor e caridade divina. É justamente ao contrário. Como expliquei, para saber a função de Exu  basta interpretar o nome que ele nos mostra como trabalha. Lúcifer, segundo a doutrina Católica, foi um anjo que de tanto amar a Deus teve suas revoltas e foi enviado para o inferno.  Existem várias teorias que dizem a respeito disso.  Alguns dizem que Deus o enviou, pois ele ficou com ciúmes e não gostava da humanidade e outros dizem que Deus confiava muito nele, mas ele se rebelou. Porém, não importam tais teorias neste momento, mas sim entender que a  palavra Lúcifer é ligada imediatamente ao amor a Deus  e como papel de Exu é mostrar o equilíbrio e o caminho. Lúcifer trabalha no equilíbrio e caminho da fé, mostrando como chegar e ter o amor de Deus.
Depois de explanar sobre anjos e demônios, afirmo que não existe nem um nem outro da maneira que imaginamos. Em nossa doutrina, os anjos seriam os espíritos de luz e demônios os espíritos que se perderam na caminhada da luz. Ambos podem influenciar nossas vidas e isso se dá de acordo com a vibração que emitimos no nosso dia-a-dia, seja ela de coisas boas ou ruins. A atração universal varia de acordo com o que cada ser emite. O poder divino está muito longe de nossa compreensão por completo, porém como seres na escala de subida em busca do amor divino, devemos ter em mente que a cada dia procuraremos o melhor para, assim, abraçar a vibração dos bons espíritos de alto grau evolutivo e ainda vibrarmos para que os espíritos em um grau abaixo do nosso possam também evoluir com a força do amor emitido por nós!

Que Olorum abençoe a cada irmão e dê muita Luz a todos!

Igor de Oxum

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