segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resumo Teórico de Sonambulismo, Êxtase e Dupla Vista

 Resumo Teórico de  Sonambulismo, Êxtase e Dupla Vista

Hoje continuamos nossos estudos sobre O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. O tema de hoje é o Resumo teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista, no Capítulo VIII – Emancipação da Alma – do Livro II. Sempre recomendamos a leitura do livro ou, em caso de impossibilidade, a leitura dos textos anteriores para que se possa ter contexto e compreensão suficientes.

Neste tema do livro, Kardec faz um resumo das respostas anteriores sobre sonambulismo, êxtase e segunda vista. Inicialmente, podemos afirmar que estas são, todas, formas de mediunidade que possuímos, em menor ou maior grau de desenvolvimento, mediante nosso histórico evolutivo, bem como nossa organização física.

Kardec afirma que o sonambulismo é inato, ou seja, é de ordem inerente ao ser humano, porém, tem duas instâncias, por assim dizer, que são de ordem natural ou artificial – mediante uma organização mais predisposta a tal. Ambas têm manifestações semelhantes em certos aspectos e diferem-se fundamentalmente pela sua utilização, visto que a manifestação provocada artificialmente pode ter finalidades não convencionais, tornando seu estudo científico dificultoso – por uma questão de ocorrências fantasiosas – e deixando seu uso na mão de irresponsáveis que buscam materialismo com a espiritualidade.



O Sonambulismo é uma forma pela qual o espírito se manifesta, visto que quando dormimos, nosso espírito se desprende de suas amarras físicas e vai de encontro ao mundo espiritual. O que ocorre enquanto o espírito está neste desdobramento – ou projeção astral – vai de encontro com o padrão vibracional em que nos encontrávamos no momento em que “pegamos no sono” e mediante capacidade do indivíduo, podem ocorrer sensações, clarividência, movimentos e/ou fala que vão de acordo com o grau de evolução do espírito, da predisposição mediúnica do ser e da necessidade de aprendizado.

Já o Êxtase é um estado de maior desprendimento do espírito, onde este pode ir a outros mundos mais evoluídos que o nosso e, lá estando, entra em contato com espíritos pertencentes a tais mundos. O extático, como é chamado aquele que está em estado de êxtase, percebendo o grau evolutivo destes mundos, sente vontade enorme de ali permanecer, porém, tem conhecimento de sua impossibilidade, visto que o rompimento de laços com seu corpo, poderia causar a estagnação de sua evolução – tendo-se em mente que adiantaria o processo de desencarne, podendo não ter enfrentado todas as provas devidas – e, por consequência, sua chegada nesses mundos.

Por fim, a Dupla Vista ou Segunda Vista trata-se de um desprendimento em maior nível que os anteriores, dependendo fortemente do grau de evolução do espírito e da grosseria da matéria a qual está ligado. É a visão da alma, sem que o corpo esteja adormecido. Nesse caso, o indivíduo tem maior percepção de tudo o que o cerca, seja de aspecto físico ou espiritual. Em mundos menos evoluídos, nos quais há menos necessidade de bens materiais e, por consequência, menos impureza na matéria, a Segunda Vista pode ser algo permanente aos seus viventes.



Na Umbanda, isso se reflete – de forma análoga e um tanto quanto grosseira – na incorporação, respeitadas as barreiras lógicas, como o fato de que a incorporação necessita de um segundo espírito e as mediunidades supracitadas são de ordem das capacidades do espírito, não sendo necessário um outro para que ocorram. As sensações, ideias, informações e conhecimentos são transmitidos aos médiuns de incorporação, bem como o espírito pode manifestar todo ou grande parte de seus conhecimentos – de vidas ou da presente – a quem deles necessite. Porém, volto a dizer que existem barreiras lógicas nesta analogia, visto que a incorporação exige um outro espírito e tais mediunidades são inerentes ao indivíduo, de caráter universal, porém, não se manifestam em todos os seres, dada sua necessidade, evolução e/ou organização fisiológica.

Como toda mediunidade, seu exercício responsável pode aumentar seu grau de percepção/ manifestação, assim como o seu uso indevido pode acarretar o “bloqueio” desta. Portanto é fundamental o estudo de nossas doutrinas e bases filosóficas, para que possamos exercer da melhor forma possível, tudo aquilo que nos é permitido, em busca de melhor qualidade de nossas vidas e daqueles que nos cercam.

Até o próximo texto! Axé!



Matheus de Obaluaê

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