segunda-feira, 27 de maio de 2019

Crueldade

Crueldade

No texto de hoje, trataremos do tema Crueldade, presente no Capítulo VI, Livro Terceiro, p. 433-435.

Kardec é respondido acerca da crueldade e da visão da espiritualidade sobre o que leva o homem a ser cruel com seu semelhante. Inicialmente, é esclarecido sobre a ligação existente entre o sentimento de crueldade e o instinto de destruição, onde tal sentimento é considerado o pior da destruição, advindo de uma natureza má do ser. Vale dizer que a destruição tem seu “lado positivo” visto que abre portas à reconstrução, caracterizando o encerramento de certos ciclos e início de outros. Já a crueldade, não tem a mesma “função”, sendo caracterizada sempre como algo negativo, por essência.

Somos esclarecidos, no decorrer do livro, acerca da baixíssima evolução espiritual presente nos seres cruéis, chamados de primitivos, visto que dada à sua pouca evolução, são exacerbadamente apegados à matéria, levando-os a cogitar a ideia de que não há necessidade de desenvolvimento espiritual. Tais seres, por conseguinte, são habitados por espíritos, também de baixa vibração – visto que energias afins são necessárias para a composição do contexto energético desses seres – havendo a necessidade de que seres de maior grau evolutivo encarnem nesses mundos a fim de evoluí-los pelos seus ensinamentos.


A espiritualidade responde, ainda, acerca do fato de que, mesmo que sejam cruéis, tais seres não o fazem sem possuir qualquer senso de bondade; o fazem dada sua baixa evolução espiritual, estando dormente neles a bondade e senso moral necessários para a boa lida com o próximo.

Vale dizer que, à medida que o ser desenvolve sua espiritualidade, será cada vez menos materialista e, por conseguinte, menos cruel com seus semelhantes, pela lógica de antagonismo entre tais perspectivas, onde o desenvolvimento de uma, acaba por sobrepor-se e reduzir o desenvolvimento da outra.

É válido, ainda, afirmar que, sob a ótica da ideia de que os pares se aprimoram, mesmo em civilizações bem desenvolvidas, existem seres cruéis, para que estes possam evoluir no contato com os que os cercam.
Por fim, é respondido a Kardec sobre a possibilidade de expurgo dos seres cruéis. A espiritualidade afirma que, à medida que os seres evoluem, aqueles que permanecem cruéis têm a possibilidade de se aprimorarem e se adequarem ao contexto evolutivo do ambiente que os cercam. Porém, quanto maior o grau evolutivo do mundo habitado, menor a incidência de seres cruéis, visto que estes, conforme supracitado, encarnam com a intenção única de se abdicarem das ações de crueldade, por meio do aprendizado vindo daqueles que os cercam.

Sendo assim, podemos, certamente, afirmar que a humanidade, um dia, viverá em plena harmonia e paz, porém, nada se pode dizer no tocante ao tempo despendido para tal feito, nem do caminho traçado pela humanidade, para que alcancemos tal patamar evolutivo.


Na Umbanda, a crueldade é vista como a falta de amor próprio e, por conseguinte, de amor por aqueles que nos cercam. A falta de amor pelo próximo leva o homem a agredir verbal e/ou fisicamente seu próximo, sem que haja uma intenção clara de proporcioná-lo algum aprendizado. 

Um exemplo claro ocorre quando, no processo de criação de seus filhos, os pais, no ímpeto da raiva, agridem seus filhos que possam ter quebrado as normas estabelecidas naquele lar. Tal ato não tem a intenção única de ferir os filhos e sim, de ensiná-los – mesmo que pela dor – a não realizarem mais tais feitos. A crueldade, neste caso, seria evidente no caso de uma agressão desnecessária e intencionada, simplesmente, à geração de dor no próximo.

Outro exemplo são os Exus que, por diversas razões, acabam por executar a Lei Divina, impingindo ao ser um castigo/ dor/ perda a fim de que possam existir aprendizado e evolução, demonstrando, assim, a clara intenção de aprimoramento daquele que fora ferido/ lesado.

Importa, ainda, salientar a ideia de que os nossos guias e mentores espirituais têm pleno conhecimento de nossas vontades a medos, agindo somente em casos de urgência e/ ou extrema necessidade.

Axé!

Matheus de Obaluaê

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