sexta-feira, 17 de maio de 2019

Destruição necessária e destruição abusiva

Destruição necessária e destruição abusiva
  
Dando continuidade aos estudos e textos sobre o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, hoje discutiremos a destruição necessária e abusiva na visão Espírita e Umbandista, tema este apresentado no Livro III do Livro dos Espíritos, capítulo 6. Para que possamos entender a explicação posterior teremos que entender primeiramente o que é DESTRUIÇÃO. A destruição nada mais é que uma lei da natureza, uma lei divina, necessária para que haja sempre uma renovação nos ciclos. Isso, em todos os aspectos de uma existência. É uma forma de transformação com o intuito de renovar, melhorar e ajudar a evolução que cada um busca.

Para que todos os seres se mantenham neste ciclo evolutivo, o instinto de destruição foi dado como um fim providencial. Estes se destroem entre si com o objetivo de manter o equilíbrio. O melhor exemplo seria o equilíbrio no âmbito reprodutivo do nosso planeta, pois não o havendo, existiria um excesso de seres, uma superlotação, causando o desequilíbrio. Este fim, para o qual a destruição nos leva, não é um fim definitivo, mas parcial. É o fim de um corpo do Ser, não da alma (sua verdadeira essência).


Durante cada vivência em nossa existência, são dados, pela natureza, meios de preservação. Mas por que seriam dados esses meios se a destruição é certa e inevitável? Todos nós teremos um fim, seja em qual aspecto for, mas, desde que não nos cuidemos e protejamos, este fim pode chegar precocemente, antes mesmo de termos atingido nosso objetivo.

De acordo com o que ouvimos e/ou aprendemos no decorrer de nossa vivência, a morte nos conduz a uma “vida” melhor e nos livra dos males deste mundo. Então, por que tantos a temem instintivamente? Como dito anteriormente, o instinto de conservação nos foi dado para que prolonguemos ao máximo a vida, a fim de completar a tarefa que nos propomos a cumprir. Como tudo tem que haver um equilíbrio, junto aos meios de conservação, foi colocado os agentes destruidores para servir de contrapeso.

A necessidade de destruição não é “igual” em todos os mundos, mas proporcional ao estado e necessidade de cada um. Em se tratando de mundos com uma maior elevação espiritual e moral, essa necessidade vai se dissolvendo, pois as condições de existência são absolutamente distintas. Tratando-se de nosso mundo, a Terra, sempre será necessária a destruição. À medida que o espírito superar a matéria, esta necessidade de destruição (interna em cada ser) diminuirá. O direito da destruição existe para o controle e é regulado de acordo com a necessidade e segurança, o abuso nunca foi um direito.


Em alguns casos, pelo abuso de liberdade, os seres acabam cedendo aos maus instintos. Com isso, a bestialidade predominam os limites da necessidade e segurança, isso ocorrerá quando o único objetivo da destruição for simplesmente o prazer sem utilidade. Qualquer destruição que ultrapasse esses limites estará violando a lei divina. Quando seguidos esses maus instintos, haverá, após seu próprio fim, a necessidade de prestar contas desse abuso.

Como a Umbanda trabalha sempre em prol da lei divina, trabalhamos somente com a destruição necessária, não a abusiva. Os fins são necessários para novos começos, novos ciclos, novos aprendizados. O simples fim de uma flor ou de uma folha para o uso daquela energia, o fim de laços com pessoas com as quais não são mais compatíveis, o fim de um casamento, a saída de um emprego, o fim de um caminho ruim onde nada de bom poderia ser absorvido (não mais, pois até certo momento algo iria ser tirado como aprendizado), tudo isso é destruição. Para que um novo ciclo seja gerado, um anterior tem que ser destruído. No trono da geração, mãe Iemanjá é quem inicia e pai Omolú quem termina os ciclos. 

Como diz o saudoso Pai Barnabé: “Caminhos novos são necessários. O que de bom tem a se aprender por um caminho que já foi trilhado?” Esses caminhos se tratam de ciclos, ciclos já terminados através da destruição necessária.


Junio de Oxalufã

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