quarta-feira, 29 de maio de 2019

Duelo

Duelo

No livro III, capítulo 6 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec nos esclarece a respeito do Duelo. As primeiras perguntas esclarecem se o duelo pode ser considerado um ato de legítima defesa, e a resposta é não. O duelo é um costume bárbaro e já praticamente extinto, em sua forma literal, de nossa sociedade moderna. E à medida que nossa sociedade for evoluindo espiritualmente, compreenderemos que a prática é tão ridícula quanto os combates antigos, que eram erroneamente chamados de Juízo Divino. Como a humanidade pôde pensar que o caos e a destruição seria um Juízo Divino? Talvez por acharem dentro de si o caos e a destruição, sendo então necessário para se expurgar o que há de pior na humanidade.

Nas perguntas seguintes, nos é apresentado a ideia de que o duelista conhecendo sua fraqueza e ainda sim se dispõe a um duelo, mesmo sabendo que sucumbirá, podemos considerar como suicídio. E se ambos conhecem suas fraquezas, e ambos conhecem sua força, e ainda sim se dispõem a um duelo, podemos dizer que seria um assassínio e um suicídio ao mesmo tempo, já que ambos irão ferir, e ambos sairão feridos. O espírito também nos apresenta as duas chagas da humanidade: O orgulho e a vaidade.


Trazendo ao ensinamento Umbandista, podemos nos desprender do significado literal da palavra Duelo, como algo bárbaro que remetemos nosso pensamento a uma luta corporal entre dois cavaleiros com espadas reluzentes, e começar a pensar no duelo como as batalhas que travamos todos os dias. Podemos achar que não vemos mais duelos em nosso cotidiano moderno, mas estamos enganados. De fato não veremos mais espadas sendo empunhadas trazendo ferimentos e morte, mas vemos batalhas com diferentes armas: os pensamentos e as palavras. 

A cada vez que somos atacados e atacamos de volta, podemos pensar em um duelo. Uma batalha ali está sendo travada. E sabemos, conforme o ensinamento trazido pelo Livro dos Espíritos, que haverá sempre alguém que sucumbirá e ambos irão ferir e serão feridos. E essas batalhas geralmente começam quando justamente o ego, a vaidade e o orgulho são feridos. 


Queremos sempre ter razão, sempre sermos vencedores e superiores, e criamos batalhas desnecessárias por isso. Ferimos e somos feridos por simples vontade de poder, mesmo que o poder de se vangloriar como vencedor de uma batalha que não há prêmio a não ser o ego inflado. Podemos pensar que fugir de um duelo, ou mudando o vocábulo, fugir de uma discussão é uma ameaça de nossa honra, saibamos que há mais honra em assumir seu erro, refletir, aprender com ele e fazer seu mea culpa do que lutar por isso, mesmo sabendo de sua fraqueza e que eventualmente sucumbirá. Ou ainda pior, vai se indispor com irmãos, irá ferir, para somente se vangloriar vencedor. 


Layla de Omolu

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