quarta-feira, 22 de maio de 2019

Guerras

Guerras

  Este tema encontra-se compreendido ainda no Capítulo VI, Parte Terceira, do Livro dos Espíritos, que trata sobre a Lei de Destruição. O estudo desta citada Lei é de fundamental importância para o entendimento do direcionamento e planejamento divino, mesmo quando só conseguimos enxergar por meio de nossos olhos materiais a destruição, a dor, o desespero, as tragédias, etc. Quando o ser humano, por sua ignorância, olha ao seu redor e só vê desgraças, guerras, tristeza e sofrimento, é sinal de que precisa de orientação para sua evolução, desenvolvimento e progresso no sentido de compreender o plano de Deus, seja material, seja espiritual, ambos de extrema perfeição.

Diferente do que a primeiro momento se imagina, a lei de destruição é uma lei de renovação, visto que é preciso primeiramente que se forme um caos para posteriormente vir a paz. As guerras ainda são necessárias neste mundo para o desenvolvimento espiritual e trazem com os seus términos uma renovação no tempo, espaço e pessoas.

Por se tratar de um assunto de compreensão dificultada, serão exemplificados alguns dos objetivos de Deus até mesmo no tocante às guerras, sejam elas internas, particulares, familiares, no ambiente de trabalho, no trânsito, religiosas, para que o conhecimento seja devidamente alcançado.


Primeiramente, é preciso entender a causa dessas guerras. Quando Kardec questiona os Espíritos, eles respondem que as guerras são causadas pelo instinto animal dos homens que prevalecem sobre os instintos espirituais. Então, podemos tirar de ensinamento que, quando nos deparamos com alguma situação que pode desencadear a guerra, devemos deixar de lado o orgulho, a cobiça, o egoísmo, o preconceito, o desejo errôneo de fazer justiça e fazer  escolhas acertadas, não nos deixar agir impulsivamente, pois, somente assim, o Espírito que habita em cada um terá condições de evoluir. Sempre devemos potencializar a nossa natureza espiritual e tomar as decisões pensando no bem coletivo e deixando de lado nossos vãos desejos individuais.

Exemplificando, a maioria das guerras nos lares são causadas porque um dos cônjuges quer escravizar a consciência do outro, quer devastar mais e mais o outro. Com isso, a paz, o amor, a alegria, a felicidade vão perdendo seu posto para o desejo de vitória, o desejo de ganhar, para que a razão daquele prevaleça, mesmo tendo que usar de mágoas e humilhações. Isso demonstra o que precisa ser feito diante dessas situações: repensar as nossas atitudes e fazer uma valoração se aquela conduta denota respeito à Lei Maior ou senão oferecer o silêncio quando não tiver nada de proveitoso a oferecer.

No trânsito, a maioria dos acidentes ocorre porque um dos motoristas não sabe respeitar o direito do outro ou conduz o veículo numa pressa desenfreada, sendo que poderia ter planejado sair com antecedência, ou senão por ser nervoso, compulsivo, imprudente. Isso porque não há uma pacificação interna do homem, ainda está em um estado de guerra interna, o que precisa ser trabalhado.


Prosseguindo, Kardec pergunta aos Espíritos se um dia acabarão as guerras. A resposta é sim, mas isso depende do desenvolvimento dos seres humanos. Nos mundos celestes, por exemplo, não haveria razão alguma para ter guerra, considerando o grau de regeneração espiritual individual.

Dando continuidade, pergunta-se a motivação para existência das guerras. A interpretação das respostas denota que estas são necessárias para alavancar a marcha do progresso da humanidade. Alguns Espíritos se apresentam resistentes, endurecidos a acabar com o egoísmo e o orgulho. E essas duas características devem ser vencidas para conseguir a libertação da alma. Por isso a guerra, a dor, a violência são necessárias para a liberdade e progresso que levam ao mundo de regeneração.

Analisando o momento contemporâneo em que vivemos, podemos perceber que ainda somos muito bélicos, respaldados de agentes de segurança munidos de armamentos para resguardar a segurança e proteção da sociedade, o que não seria necessário se houvesse basicamente o respeito. Respeito às diferenças, às opiniões, às crenças, ao estilo de vida.


Em cada palavra dita, em cada atitude tomada, em cada gesto, devemos pensar antes nas consequências que poderão advir, pois, podemos ser responsáveis por devastar, destruir a alegria e a esperança, aprisionar consciências do outro, tudo isso para instigar a outrem ter o mesmo pensamento que o nosso, pensando ser a verdade absoluta.

Relacionando o assunto guerras com a Umbanda podemos raciocinar o seguinte. A definição de Umbanda é “A manifestação do espírito, para a prática da caridade”. Ogum é o Orixá da guerra. Partindo desse pressuposto, as Entidades, principalmente as que trabalham na irradiação de Ogum, vêm em terra mostrar que Ogum não traz/cria a guerra, mas sim a paz, Ele acaba com a guerra. Porém, para ter a paz, precisa ter a guerra primeiramente. Em caráter complementar, recomenda-se a leitura do texto que trata especificamente sobre Ogum.
De lição, nesse mundo famigerado e faminto por guerra, sejamos paz.

Márcia de Oxóssi e Hélder de Logunam

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