sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Ogum

Ogum


Hoje falaremos de uns dos orixás mais conhecidos e cultuados na umbanda, meu querido pai Ogum. Abordaremos quais os seus pontos de atuação, qual a sua essência, a linha em que atua, falaremos brevemente sobre seus chamados falangeiros, as características de seus filhos e algumas curiosidades. 


Ogum é o senhor da guerra, o senhor dos caminhos. Algumas pessoas podem estranhar uma divindade ou força de Deus voltada para a guerra que é vista como algo ruim, no entanto, não são somente nessas batalhas que Ogum atua. Ele atua principalmente nas batalhas da vida, tanto nas internas quanto nas externas. Ou seja, quando alguém está desacreditado e não tem forças para continuar caminhando frente às dificuldades é a essa força que podemos recorrer. Quando necessário Ogum nos dá a coragem para enfrentar nossos fantasmas, para olhar de frente para nossas falhas e reconhecer nossos defeitos, faz isso para que ao fim dessa guerra interna possamos evoluir e com essa evolução vem o merecimento de novas oportunidades que serão encaminhas por essa mesma força. A resiliência ou persistência é uma característica marcante da irradiação de ogum, assim Ogum nos ajuda continuar lutando nos momentos mais difíceis. E não é só nesse aspecto psicológico que ele atua, externamente ele trabalha para abrir caminhos (criar oportunidades) para quem merece e se prepara como já comentamos.


Ogum é marcial, ou seja, é retratado como um bravo guerreiro. Até por isso é sincretizado com São Jorge, o santo guerreiro que se voltou contra os romanos quando perseguiam os cristãos. Outro atributo ligado a Ogum é o de ser o orixá “vencedor de demandas”. As demandas são as “magias negras” que impedem uma pessoa de obter sucesso, considero que essas “magias” não são somente os chamados maus olhados e demais energias negativas emitidas por terceiros para prejudicar uma pessoa, mas também a própria consciência desmotivada ou fraca da pessoa. Ogum atua eliminando todos esses bloqueios, muitas vezes trazendo a guerra interna ou externa para que o indivíduo possa mudar sua cabeça e conduta.






O orixá Ogum é considerado também o senhor do ferro, da agricultura e da tecnologia, essas qualidades são atribuídas a Ogum devido a uma de suas lendas contar que nos tempos antigos a agricultura era muito difícil devido ao homem não saber manipular o ferro e conseguintemente não existir boas ferramentas. Essa lenda diz que Ogum presenteou os homens ensinando-os a fazer ferramentas e armas com o ferro e a partir disso ouve uma grande revolução na agricultura. A partir desse dia, segundo a lenda, Ogum passou a ser reverenciado como o senhor do ferro, da agricultura e também da tecnologia (por ter trazido novidades revolucionárias). Essa lenda se encaixa bem também quanto à abertura de caminhos, também atribuída a ogum, que é quase impossível sem ferramentas dependendo do local, nesse caso estamos falando de caminhos físicos e não das oportunidades. A guerra também pode se encaixar nessa lenda já que com o ferro foi possível criar armas muito mais poderosas.

A linha de atuação de Ogum é a quinta linha, a linha da lei. Essa linha trabalha juntamente com a linha da justiça para trazer o que é de merecimento para cada pessoa, de acordo com seu merecimento perante as leis de Deus. Ogum é o orixá irradiador do trono da lei, e essa linha trabalha especificamente no ordenamento dos processos da vida. Enquanto Ogum por si só estimula os seres para se organizarem para vencer seus problemas, Oroiná, que é o orixá absorvedor da linha, retira a ordem dos processos que poderiam ser destrutivos caso se concretizassem. 

Ogum tem uma particularidade que é ter falangeiros, que são uma espécie de entrecruzamento de sua energia com outros orixás, sendo eles, entidades que estão hierarquicamente apenas abaixo dos orixás. Cada um desses falangeiros tem uma energia diferente e um campo de atuação diferente no qual essa energia especifica é necessária. Como nosso propósito hoje é falar apenas do orixá ogum não nos aprofundaremos muito quanto a esses falangeiros, apenas os citaremos abaixo e informaremos em qual energia atuam. Futuramente postaremos textos abordando as particularidades de alguns desses falangeiros e de seus filhos. 

Divisão dos falangeiros e a energia em que vibram juntamente com a energia do orixá Ogum: 

Ogum Megê: Trabalha na energia de omolú, na linha das almas.

Ogum Beira-Mar: Trabalha na vibração de Iemanjá.

Ogum de Ronda: Trabalha na vibração de Exu.

Ogum Matinata: trabalha na vibração de Oxalá.

Ogum Dilei ou Delê: Trabalha na vibração de Xangô.

Ogum Iara: Trabalha na vibração de Oxum.

Ogum Rompe-Mato: Trabalha na vibração de Oxossi.

Além desses são encontrados também: Ogum Sete Ondas, Ogum Sete espadas, Ogum malê, Ogum das pedreiras, Ogum Caiçara, Ogum do oriente, Ogum das matas, Ogum Xoroque, Ogum Naruê, Ogum Sete Lanças, Ogum Sete Mares, Ogum do Ouro, Ogum Menino, Ogum da Lua, Ogum dos Rios, Ogum da estrada, Ogum Rompe Folha, Ogum Bandeira, Ogum Gererê, entre outros. São muitos falangeiros, isso ocorre devido a ogum ser o orixá que tem acesso a todos os lugares da criação divina, sendo necessários muitos entrecruzamentos de energia para que isso seja possível. 

Os filhos de Ogum são fáceis de reconhecer. São conquistadores, gostam muito de desafios. São guerreiros, têm grande foco em seus objetivos e dificilmente desistem antes de alcançá-los. Têm grande teimosia e tentam provar que estão certos quase sempre. São muito francos e não fogem a uma discussão ou briga. Na maioria das vezes são pouco vaidosos, gostam de estarem bem vestidos e arrumados, mas dão pouca prioridade para isso. Em regra não são muito gulosos, comem para viver e não o contrário. São amigos leais. Não têm paciência. São solidários, não gostam que os menos favorecidos sejam explorados ou mal tratados. São frios, viris, sexistas, impulsivos e intolerantes. Afeitos às profissões militares e à informática. Têm o gênio muito difícil. São independentes. E ambiciosos. São disciplinados e Inteligentes. Líderes natos. 

As cores de ogum são o vermelho e o azul escuro. Seus elementos são o Ar e o fogo, apesar de existirem falangeiros da água. Sua data comemorativa é dia 23 de abril devido ao sincretismo com São Jorge. O dia da semana de Ogum é a terça-feira. Seus símbolos são as espadas de ogum, seu escudo, sua lança e as ferramentas agrícolas. Sua saudação é “Ogunhê!” e “Patacori Ogum!”. Sua pedra mais comum é a granada.

Com isso terminamos nosso texto, espero que tenha sido o bastante para dar uma noção real de uma fração da grandiosidade e da grande força desse magnifico orixá do qual eu tenho o privilegio de ser filho. Que Ogum esteja conosco abrindo todos os caminhos necessários para nossa evolução espiritual e derrubando todas as demandas internas e externas.

Patacori Ogum!
Ogunhê, meu pai!
Ricardo de Ogum Matinata


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