quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Autoamor ≠ Egoísmo

Autoamor ≠ Egoísmo


   Ao falar em autoamor as pessoas confundem com egoísmo, pensam que se amar é ser egoísta, são coisas completamente diferentes. Autoamor é algo que devemos ter e com ele conseguimos combater o egoísmo. Os dois sentimentos são pessoais, porém distintos, a compreensão de ambos são essenciais para o caminho da felicidade. A famosa frase "Conhece a ti mesmo" nos revela a importância do autoconhecimento desde muito antes dos tempos atuais.



   Autoamor é a valorização do seu lado bom e a superação do seu lado ruim, é amar-se, perdoar-se, sentir bem consigo. Para fazer isso devemos procurar ser aceito por nós mesmos, ao invés da criação de uma imagem para ser aceito pela sociedade, procurando dar o melhor para nós mesmos e não o que convém para o sociedade, lembrando que, satisfazer todas nossas vontades sem pensar no próximo não é dar o de melhor para nós, assim você não estará amando o próximo como a ti mesmo.

   Egoísmo é a satisfação dos caprichos sem levar em consideração o próximo. Satisfazer os caprichos não é autoamor. Pensar apenas em si não é amar o próximo como a ti mesmo e nem amar a Deus sobre todas as coisas, é um sentimento que regride e traz infelicidade, pois ele trará insatisfação nas conquistas. Por trás do Egoísmo temos o Ego, que é uma máscara criada por nós mesmos, que julga e cria aspectos que consideramos "inaceitáveis", o Ego é uma característica que não traz nenhum benefício para o ser, apenas afasta as pessoas, não permite o perdão, e traz a sensação de ter sempre a razão, sendo o sentimento oposto da humildade. Humildade não é ser pobre, não ter dinheiro, humildade é saber reconhecer seus erros e dificuldades, aceitando a verdade do próximo, independente de classe social, ou qualquer outra  coisa.

   Autoamor é o despertar da consciência, é amar a si, já o egoísta não se ama, ele gosta das coisas e das pessoas para satisfazer suas necessidades, essa é a principal diferença. Para melhor esclarecer coloco abaixo a questão número 919 do livro dos espíritos:


"919. Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?

— Um sábio da Antiguidade vos disse: “Conhece-te a ti mesmo”.

919-a. Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima, mas a dificuldade está precisamente em se conhecer a si próprio. Qual o meio de chegar a isso?

— Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: no fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e ver o que em mim necessitava de reforma. Aquele que todas as noites lembrasse todas as suas ações do dia, e, se perguntasse o que fez de bem ou de mal, pedindo a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, porque, acreditai-me, Deus o assistirá. Formulai, portanto, as vossas perguntas, indagai o que fizestes e com que fito agistes em determinada circunstância, se fizestes alguma coisa que censuraríeis nos outros, se praticastes uma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda isto: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, ao entrar no mundo dos Espíritos, onde nada é oculto, teria eu de temer o olhar de alguém? Examinai o que pudésseis ter feito contra Deus, depois contra o próximo e por fim contra vós mesmos. As respostas serão motivo de repouso para vossa consciência ou indicarão um mal que deve ser curado.

O conhecimento de si mesmo é portanto a chave do melhoramento individual. Mas, direis, como julgar a si mesmo? Não se terá a ilusão do amor-próprio, que atenua as faltas e as torna desculpáveis? O avaro se julga simplesmente econômico e previdente, o orgulhoso se considera tão somente cheio de dignidade. Tudo isso é muito certo, mas tendes um meio de controle que não vos pode enganar. Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça. Procurai também saber o que pensam os outros e não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque eles não têm nenhum interesse em disfarçar a verdade e geralmente Deus os colocou ao vosso lado como um espelho, para vos advertirem com mais franqueza do que o faria um amigo. Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas do seu jardim; que faça o balanço da sua jornada moral como o negociante o faz dos seus lucros e perdas, e eu vos asseguro que o primeiro será mais proveitoso que o outro. Se ele puder dizer que a sua jornada foi boa, pode dormir em paz e esperar sem temor o despertar na outra vida.

Formulai, portanto, perguntas claras e precisas e não temais multiplicá-las: pode-se muito bem consagrar alguns minutos à conquista da felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias para ajuntar o que vos dê repouso na velhice? Esse repouso não é o objeto de todos os vossos desejos, o alvo que vos permite sofrer as fadigas e as privações passageiras? Pois bem: o que é esse repouso de alguns dias, perturbado pelas enfermidades do corpo, ao lado daquilo que aguarda o homem de bem? Isto não vale a pena de alguns esforços? Sei que muitos dizem que o presente é positivo e o futuro incerto. Ora, aí está, precisamente, o pensamento que fomos encarregados de destruir em vossas mentes, pois desejamos fazer-vos compreender esse futuro de maneira a que nenhuma dúvida possa restar em vossa alma. Foi por isso que chamamos primeiro a vossa atenção para os fenômenos da Natureza que vos tocam os sentidos e depois vos demos instruções que cada um de vós tem o dever de difundir. Foi com esse propósito que ditamos O Livro dos Espíritos.
SANTO AGOSTINHO"

Após ler e reler essa questão várias vezes podemos começar a praticar, pois a teoria sem a prática se torna palavras ao vento.
Igor ∴ de Oxum

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