quarta-feira, 15 de maio de 2019

Privações voluntárias. Mortificações

Privações voluntárias. Mortificações

O Livro III dos espíritos, em seu capítulo 5, nos ensina que a lei da conservação obriga o homem a prover as necessidades do corpo, uma vez que sem força e saúde é impossível o trabalho.

Desta forma, não se pode julgar o homem por buscar seu bem-estar, pois é um desejo natural. No entanto, deve-se deixar claro que Deus proíbe o abuso, assim, a busca pelo bem-estar não deve ser à custa de outrem e nem vos diminuir as forças físicas e morais.

Quanto às privações voluntárias serem meritórias aos olhos de Deus, é dito: “fazei o bem aos vossos semelhantes e mais mérito tereis”. Existem as privações voluntárias que serão meritórias, como as privações dos gozos inúteis, pois desprende o homem da matéria e eleva sua alma. Meritório significa resistir à tentação.


A vida de mortificação ascética pode ser considerada meritória? A resposta foi que se essa vida somente servir para quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo. A verdadeira mortificação é quando priva a si mesmo para trabalhar para o outro.
No que se refere à restrição de certos alimentos, é dito que é permitido ao homem alimentar-se de tudo que não lhe prejudique a saúde.

Quanto à alimentação animal, afirma-se que a carne alimenta a carne, pois do contrário o homem perece. Assim, tem que se alimentar conforme reclame a sua organização. No entanto, será meritório abster-se da alimentação animal ou qualquer outra, se praticar em benefício dos outros. Só há mortificação havendo privação séria e útil.

Tratando das mutilações operadas no corpo do homem ou dos animais, é certo que a Deus não pode agradar o que seja inútil e o que for nocivo lhe será sempre desagradável. Deus só é sensível aos sentimentos que lhe elevam a alma.


É indagado se os sofrimentos que nós mesmos criamos são capazes de nos elevar como os sofrimentos deste mundo nos elevam. A resposta é que apenas os sofrimentos naturais são capazes de nos elevar, porque vêm de Deus. Os sofrimentos voluntários de nada servem, quando não concorrem para o bem de outrem. Sofrer alguém voluntariamente, apenas por seu próprio bem é egoísmo; sofrer pelos outros é caridade.

Por fim, é esclarecido que contra os perigos e os sofrimentos é que o instinto de conservação foi dado a todos os seres. Desta forma, devemos fustigar o nosso espírito e não o nosso corpo, mortificar o nosso orgulho, e sufocar o nosso egoísmo, fazendo assim muito mais pelo nosso adiantamento do que se infligir rigores que já não são deste século.

Lara de Ogum Iara

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