terça-feira, 26 de novembro de 2019

Intuição das penas e gozos futuros

Intuição das penas e gozos futuros 


No capítulo 2 da quarta parte do Livro dos espíritos, recebemos orientações a respeito de punições e recompensas futuras. 
Inicialmente é esclarecido de onde vem a crença de que existem punições e recompensas futuras e tem como resposta que pressentimos isso, nosso espírito nos permite lembrar inconscientemente de que após a vida encarnada somos punidos ou recompensados por nossas ações, dependendo da natureza de nossos atos.  Temos o livre arbítrio para escolher ouvir ou não essa voz interior. 
Kardec então levanta a  questão sobre qual sentimento domina a maioria dos homens no momento da morte: dúvida, medo ou esperança e a resposta é simples. Para aqueles sem fé, a dúvida; para aqueles que carregam culpa, o medo; e para os homens de bem, a esperança.
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Cada um escolhe como passar pela vida terrena. Há quem escolha o caminho da razão, da sabedoria divina e leve uma vida justa e, há quem escolhe o caminho dos vícios (quando falamos de vícios, estamos nos referindo aos sentimentos egoístas e excessivos),  esquecendo-se que será responsabilizado pelos seus atos. Kardec pondera que bons e maus coabitam mas não podem ser confundidos e que Deus determinará suas sentenças no plano espiritual.
Na umbanda temos os guias espirituais que sempre reforçam essa questão de causa e efeito e que nos intuem a agir com amor. Ao contrário do que diz no livro, aprendemos que a  lei divina é tão perfeita que não será Olorum quem nos punirá dos maus atos, e sim nossa própria consciência culpada quando estivermos no umbral e, a culpa perdurará por quanto tempo for necessário, até que consigamos nos perdoar para ir em busca da luz.
Larissa de Iansã

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Temor da Morte

Temor da Morte

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, discutiremos agora os ensinamentos presentes no Livro IV- capítulo I, mais especificamente sobre temor da morte.
Para muitas pessoas o medo da morte é uma causa de perturbação e esse medo é decorrente da dúvida sobre o futuro.  As pessoas são levadas acreditar que não existe nada além da vida presente ou que além daqui existe um paraíso e um inferno e que, muito provavelmente, irão para o inferno, uma vez que vivemos rodeados de pecados carnais, mortais para alma. 
Quando Kardec discute tal questão, os espíritos respondem que não há fundamento para semelhante medo e que só existe dúvida para quem não tem fé.

  Kardec explica ainda como a morte é mais difícil de ser aceita por pessoas materialistas pelo fato de estarem mais ligadas a vida do corpo que  à vida do espírito e que a ideia da morte as perturba porque acreditam que deixaram na Terra todas as suas afeições e que esse será o fim. Esse pensamento gera constante angústia perante as dificuldades da vida. 
Já para aqueles que têm fé e se elevam acima das falsas necessidades, há plena certeza no futuro e a vida se torna mais serena.
Analisando sob a ótica  umbandista, a morte não trás nenhum temor  pois a fé nos dá a certeza do futuro. Sabemos que a vida no plano físico é apenas uma  parcela de tudo o que já vivemos e ainda temos para viver em uma longa jornada na busca da evolução espiritual. Claro que devemos sempre nos lembrar que nossas ações, enquanto em terra,  terão consequências, positivas ou não, quando chegarmos no plano espiritual. 
Larissa de Iansã 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Uniões Antipáticas

Uniões Antipáticas


No primeiro capítulo da quarta parte do livro dos espíritos, das penas e gozos terrestres, um dos temas abordados é sobre uniões antipáticas.  Esse tema é de fundamental importância ainda nos dias de hoje, uma vez que são comuns uniões entre casais que se tornam tóxicas e que acabam por prejudicar em diversas áreas os envolvidos. Para elucidar esse tema são feitas duas perguntas ao espírito da verdade, as perguntas estão descritas a seguir, juntamente com a resposta obtida e de nossos comentários a luz da ótica umbandista:
 939. “Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio? 
A essa pergunta o espírito da verdade responde que isso serve também como uma punição, mesmo que passageira. O espírito complementa dizendo que muitos acreditam amar verdadeiramente, mas quando passam a conviver com a pessoa “amada” veem que apenas se deixaram levar pelas aparências, que experimentaram um encantamento material. O espírito responde ainda que somente convivendo com a pessoa “amada” que se poderá realmente conhecê-la. O espírito cita também que muitas uniões que a princípio são antipáticas, acabam por voltar-se ao terno e verdadeiro amor recíproco, quando os casais realmente passam a se conhecer bem. Responde ainda que é o espírito quem ama e não o corpo, sendo assim quando passam as ilusões materiais, o espírito enxerga a verdade. Por fim é revelado que existem dois tipos de afeição: a do corpo e da alma, sendo frequentemente confundidas. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo.  Devido a isso muitos dos que julgavam se amar, quando dissipadas a ilusões, passam a odiar um ao outro. 

940. Não constitui igualmente fonte de dissabores, tanto mais amargos quanto envenenam toda a existência, a falta de simpatia entre seres destinados a viver juntos? 
O espírito responde que sim, são dissabores muito amargos. No entanto ele nos diz que esse é um tipo de infelicidade que na maioria das vezes nós mesmos somos a causa principal. Revela que o erro principal é (ou era) das nossas leis, pois Deus não pretende forçar ninguém a permanecer junto de alguém que lhe desagrade. Por outro lado, nessas reuniões, é comum buscarem satisfação do orgulho e da ambição, invés de afeição mútua. Assim sendo, o sofrimento é consequência dos próprios prejuízos. 
a. Mas, nesse caso, não há quase sempre uma vítima inocente?
Sim e para esta vítima isso é uma dura expiação. Mas a responsabilidade da sua desgraça recairá a quem lhe deu origem. Se houver entendimento espiritual deste sofrimento, a luz da fé encontrará consolação no futuro. A medida que os preconceitos se enfraquecem, as causas dessas desgraças íntimas também desaparecerão.
Este estudo se encaixa bem com a filosofia umbandista, uma vez que vemos na umbanda que a maior parte dos sofrimentos são causados por nós mesmos, principalmente quando buscamos reconhecimento e admiração aos olhos dos homens ao invés de buscar o melhor para nós mesmos. Muitas vezes se escolhe a pessoa para se estar junto devido apenas a beleza estética e a fatores de status ou financeiro, ao invés de se buscar alguém que realmente tenha uma afinidade de interesses e faça bem para si (que ajude a crescer e cresça junto). Devido a isso, como fruto do orgulho, muitas vezes, se tem uniões desastrosas. O que se planta é o que se colhe.
Ricardo de Ogum Matinata

sábado, 16 de novembro de 2019

Decepções. Ingratidão. Afeições destruídas

Decepções. Ingratidão. Afeições destruídas

O presente texto trata sobre a decepção, a ingratidão e as afeições destruídas, assunto extraído do Livro IV, Capítulo I,  questões 937 e 938 de “O livro dos espíritos”, de Allan Kardec.
Decepção é o ato de indivíduo que causa desapontamento, desengano ou desilusão a outro e traz consigo o sentimento de tristeza ou mágoa. É quando você faz tudo que é possível para agradar alguém e recebe de volta o contrário. Pode estar relacionado a amizades, amor, familiares, animais, atitudes, etc.
Ingratidão é o inverso de gratidão. Ingratos são todos aqueles que não reconhecem os favores e benevolências oferecidos. Esse ato provoca consequentemente a desilusão. 
Afeições destruídas são resultantes de laços desfeitos ou rompidos, sejam laços familiares, de amor, de amizade.

Quem nunca passou por uma ou todas essas situações? Ainda mais que ninguém pode ser agradado a todo tempo. Essas situações muitas vezes são inesperadas e o indivíduo não pode permitir ser ferido, ser abalado, ser tomado pela emoção mal interpretada de engano e frustração. Mesmo se reportando a alguém próximo e a algum sofrimento dolorido, as pessoas não estão/praticam esses atos por acaso, tudo é para nosso crescimento e aprendizado neste mundo de provas e expiações.
Cada Espírito abrigado por cada um de nossos corpos carnais está em constante e contínua evolução. E não existe progresso, crescimento moral e espiritual, sem lições e obrigações a serem cumpridas. Muitas das vezes, é preciso sofrer, suportar dores para que saiamos da inércia evolutiva ou de entendimentos mal colocados.
Para que finde as decepções, ingratidões e afeições destruídas, faz-se necessário uma nova geração com ausência dessas emoções. E até que haja essa renovação de geração é preciso primeiramente experimentar e posteriormente sofrer as dores dessas emoções, pois, semelhante à gestação de um feto, onde a mãe sofre com sintomas durante a gestação, após a gestação no momento do parto e, ainda depois do parto com a parte de cicatrização, são todas as coisas novas que estão sendo fecundadas. 

Uma dica para que não mais experimente passar por esses processos é fazer as coisas, praticar os atos, fazer amizades, vivenciar momentos, por sua própria e precípua vontade, sem nada esperar em troca, pois, assim, evitará decepção, ingratidão ou afeição destruída. Isso se aplica a tudo, até mesmo religiosamente. A desilusão ocorre porque esperamos muito do nosso próximo.
Diante tudo que foi exprimido aqui, podemos concluir que para nos considerarmos umbandistas precisamos trazer a Umbanda para o nosso cotidiano, vivê-la intensamente no dia-a-dia. Não estar em um terreiro com expectativas em relação ao próximo. Entender que a Umbanda existe para nos revolucionar, nos tornar pessoas melhores, capazes de pensar, de agir, de estabelecer um senso crítico, de vencer as nossas batalhas e conquistar nossos objetivos. Quando isso for entendido e, acima de tudo, a fé estiver presente, tudo conspirará a nosso favor e prosperará.

“(...) Fazer o bem apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus.”

Helder de Logunam

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Perda de Entes Queridos

Perda de Entes Queridos

Dando sequência ao estudo do Livro dos Espíritos. No livro IV- capítulo I, recebemos orientações a respeito de Punições de Prazeres Terrenos.  Neste texto nos atentarmos mais profundamente à “Perda de entes queridos”.
Inicialmente Kardec questiona sobre a dor da perda de pessoas queridas, uma vez que tal perda é irreparável e os espíritos reveladores explicam que a morte é uma lei comum a todos os encarnados e que a perda representa uma prova ou expiação para os familiares. Na sequência Kardec aborda a possibilidade de comunicação com os entes queridos após o desencarne e afirma que não há profanação em tal ato desde que a evocação seja feita com respeito.
Entretanto deve-se atentar pois os espíritos são sensíveis às dores e lamentos dos que ainda estão no plano físico e lamentar sua partida os atrapalham seriamente a seguir seu caminho no plano espiritual e a serem felizes em suas novas vidas.
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Analisando as respostas do ponto de vista umbandista as doutrinas se divergem no que diz respeito a ter qualquer tipo de comunicação com os espíritos de entes queridos, uma vez que tal contato pode gerar sofrimento para as vidas de ambos os planos. Seria egoísmo da nossa parte pensar apenas na saudade que sentimos e esquecer dos danos que isso pode causar aos que estão no outro lado. Apesar de dolorosa, é uma provação necessária e que deve ser encarada com resiliência.
Para finalizar deixo o trecho retirado do comentário de Kardec referente a pergunta de número 936.
“Seria caridoso se aquele que continua preso ficasse triste porque o seu amigo foi libertado antes? Não haveria de sua parte mais egoísmo do que afeição em querer que o amigo partilhasse por mais tempo do seu cativeiro e dos seus sofrimentos? O mesmo acontece com dois seres que se amam na Terra; aquele que parte antes é o primeiro a se libertar, e nós devemos felicitá-lo por isso, aguardando com paciência o momento da nossa libertação.”  
Larissa de Iansã

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Felicidade e infelicidade relativas

Felicidade e infelicidade relativas


Dando continuação ao estudo da doutrina espírita codificada por Kardec, falaremos agora sobre a felicidade e a infelicidade relativa.
Logo no princípio, em sua primeira pergunta, Kardec questiona aos espíritos reveladores se é possível que o homem obtenha a completa felicidade durante sua vida terrena. Respondem-nos que não, não é possível que o homem alcance a felicidade completa durante sua vida terrena, uma vez que essa etapa, que a encarnação, é um período de expiação. Mas nos orientam dizendo que, caberá ao homem amenizar os males, e ser tão feliz quanto possível. Em sua vida terrena.
A vida terrena é lugar de aprendizado, desafios e expiação. Caberá a nós encarnados sermos tão felizes quanto nossa existência permita. A felicidade e a infelicidade não devem estar baseadas em bens materiais, em poder, dinheiro, posição social. A felicidade em aceitar com resignação as adversidades e pedras que estão no nosso caminho. A nossa vida não é uma estrada reta, asfaltada... É na verdade uma estrada de terra, com buracos, curvas e poeira, mas nem por isso devemos parar a caminhada.
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Se refletirmos, não será difícil nos lembrarmos de pessoas do nosso convívio que possuem muitos bens, conquistas, importantes cargos, mas que passam por grande infelicidade. O contrário também vem facilmente em nossa mente, quantas pessoas julgamos não terem nada, não terem “nem onde caírem mortas”, mas que estão sempre de bem com o vida, sempre felizes. Suportar as adversidades com gratidão é chave para a felicidade. 
Os guias que nos conduzem na Umbanda, pelo caminho do amor e da caridade, nos mostram a mesma visão dos espíritos reveladores. A infelicidade está na consciência de cada um, na falta de amor próprio, na inveja, no ego e na vaidade. Sempre nos mostram que devemos enxergar as adversidades como desafios a serem superados, através deles iremos evoluir, devemos agradecer pelas pedras no caminho. Outro ponto comum entre a doutrina espírita e a Umbanda, é que o homem é responsável pela maioria de suas dores aflições e infelicidades, quando não ama a si mesmo, e quando não passa pelas adversidades com resignação.
Pedro” de Xangô

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Conhecimento de si mesmo

Conhecimento de si mesmo

Dando continuidade aos estudos do livro dos espíritos no livro III, capítulo XVII, Kardec faz perguntas aos espíritos sobre o conhecimento de si mesmo, como consegui-lo e qual o meio mais fácil para tal.

Kardec começa questionando o espírito sobre qual seria a forma mais prática e eficaz que o homem tem para evitar o mal e evoluir. O espírito responde de forma simples e direta : “Conhece-te a ti mesmo”.  Na pergunta seguinte, o espírito é indagado sobre formas de se obter este autoconhecimento e,  novamente de forma direta, é respondido que é necessário que nós mesmos nos examinemos e perguntemos, ao final de cada dia, se durante aquele dia nossas ações causaram danos a nós mesmos, ao outro ou, se no decorrer daquele dia, alguma ação resultou em dor ou infelicidade ao próximo.
O autoconhecimento começa em você saber se portar mediante os irmãos, o que você faz para outras pessoas e, ainda mais importante, o que você é capaz de fazer por si próprio. É importante conhecer suas fraquezas,  defeitos e reconhecer  todas as suas falhas e, acima de tudo, suas qualidades. É preciso saber de todos os seus pontos fortes, ter em mente todos os seus limites e ter a sabedoria de reconhecer todos os seus acertos. Quando se faz essa autoanálise, você enxerga onde está errando e o que pode fazer para melhorar aquele atitude ou pensamento.

Nem sempre sabemos reconhecer nossas próprias qualidades, e é mais difícil ainda conhecer nossos defeitos e fraquezas, e é dessa forma que entregamos meios para sermos atacados por nossos inimigos, sejam espirituais ou encarnados. O autoconhecimento não se adquire de forma fácil e indolor. Ele é adquirido através de testes, experimentos, onde aos poucos  vamos conhecendo nossos limites, quebrando-os, conhecendo nossas fraquezas e defeitos.
Conhecer a si próprio leva a compreensão de alguns aspectos do nosso próprio comportamento, e quando esse comportamento é negativo, causa dano a si mesmo e àqueles que te rodeiam. Quando se conhece a origem  desse comportamento, é mais simples suprimi-lo. Conhecendo nosso próprio comportamento, temos a sabedoria para entender o comportamento alheio e tratá-lo de forma menos negativa, com mais compaixão. 
O autoconhecimento nos dá a sabedoria para julgarmos a nós mesmos. Sendo assim, como é possível julgar nosso igual, se não temos a sabedoria necessária para julgar a nós mesmos, julgar nosso próprio comportamento. Na Umbanda, nossos guias de luz tem como missão ajudar-nos a nos descobrirmos e melhorarmos, mas nada virá somente deles. É preciso a autoavaliação e compreensão de si mesmo.

Layla de Omolu

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Do Egoísmo

Do Egoísmo


Na redação de sua obra: O Livro dos Espíritos, Kardec investigou diversas nuances do comportamento humano através da ótica dos espíritos de luz. Em um dado momento, ao indagar sobre os vícios, notou que todos os inúmeros fatores viciantes para os seres humanos se resumem a um único sentimento: O Egoísmo.
O egoísmo pode ser visto como a origem de todos os vícios. Uma vez que parte deste sentimento de onipotência individual, a ideia de que nossas escolhas só importam a nós mesmos. Ora, é uma atitude muito egoísta se entregar aos vícios. Estamos abrindo mão do bem estar dos nossos semelhantes com quem convivemos em busca de prazeres da carne, em busca de nos sentirmos melhores perante a tais prazeres,
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Tais atitudes egoístas vão de frente com os princípios que regem a Umbanda: amor e caridade. O egoísmo fere o amor pois vai de encontro a filosofia do amor sem cobranças. Amar esperando algo em troca não é amor, é egoísmo. O egoísmo fere a caridade, pois fazê-la sem fundamento não é caridade, é satisfazer às vaidades do ego, é sucumbir ao egoísmo da carne. 
O egoísmo age como um ciclo vicioso, que se retroalimenta com atitudes egoístas oriundas de outras pessoas. É o choque que o homem experimenta do egoísmo alheio que o torna, frequentemente, egoísta, pois sente a necessidade de se colocar na defensiva. Seguindo esta lógica, passa a ser egoísta com o irmão, que por sua vez da continuidade a esta cadeia negativa.
Os guias espirituais que se manifestam num terreiro de Umbanda sempre nos orientam a buscar a humildade, a simplicidade e o perdão. Pois ao sermos assim abrimos mão das vaidades do nosso ego em prol do equilíbrio energético de nossas vidas. E o que seria a antítese do perdão, humildade e simplicidade? O próprio egoísmo. 
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A humanidade só encontrará a paz entre si quando nos despojarmos completamente do egoísmo. Seremos irmãos, não se fazendo mal, apoiando-nos reciprocamente. O forte não será mais o opressor, e sim o apoio aos mais fracos, criando por fim uma harmonia universal entre aqueles que habitam este mundo. 
Num mundo conturbado e corrido em que vivemos hoje, é de fato ser mais fácil falar do que viver sem o egoísmo. São muitas cobranças, sejam elas pessoais ou profissionais, são muitas as provações pelas quais passamos. E todo esse conjunto de fatores nos faz esquecer do real sentido do amor e da caridade, por isso é primordial buscarmos em nossa rotina um momento de reflexão, para buscarmos ser a melhor versão que podemos ser de nós mesmos.
Diego de Oxossi 

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Das Paixões

Das Paixões 
No livro III, cap. 12, trata do tema das paixões, e inicialmente diz que a paixão está no excesso provocado pela vontade, que a princípio foi dada ao homem para o bem, e que é o abuso a que ele se entrega que causa o mal.
A paixão é boa quando governada e perigosa quando governa.
Pergunta-se se o homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos próprios esforços e a resposta é que sim, e que lhe falta é à vontade.
Sendo que podem ter ajuda dos Espíritos, bastando apenas orar a Deus e ao seu bom gênio com sinceridade.
Existem pessoas que dizem querer algo, mas na verdade diz da boca pra fora, quando um homem diz que não pode superar suas paixões, é que seu Espirito nelas se agrada.
Por fim é dito que a melhor forma de se combater a predominância da natureza corpórea é a pratica da abnegação.
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Na Umbanda, aprendemos que constantemente devemos buscar o equilíbrio em nossas vidas, no trabalho, na família, na de, nos relacionamentos e nas paixões também. Nada em demasia faz bem, bem como a paixão não faz bem, pode danificar aquilo que amamos e podemos chegar a pontos de nossa vida que definhamos nas duvidas do que realmente é valido.
O amor na Umbanda Sagrada é regida por dois Orixás, Oxum e Oxumarê. Por sua existência, Oxum irradia amor por todos os âmbitos de nossa vida, paralelamente, Oxumarê retira os excessos (que são desnecessário). Quando falamos em amor e paixão pensamos apenas em relacionamentos, no entanto devemos levar em consideração tudo aquilo que permeia nossa existência.
Quando o amor se equilibra e a paixão some o fardo da vida fica mais leve.
Lara de Ogum Iara

terça-feira, 29 de outubro de 2019

As Virtudes e os Vícios

As Virtudes e os Vícios 

Dando continuidade sobre a obra de Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, neste texto abordaremos o tema; Virtudes e os Vícios, esta temática é abordada no capítulo 12, livro III.
Primeiramente, os espíritos são questionados sobre os méritos adjacentes às pessoas possuidoras de virtudes, as respostas são bem claros e explicam que todas as virtudes são dignas de mérito, não existe uma virtude melhor que a outra, todas mostram a evolução do ser humano, no entanto não devemos buscar adquirir uma virtude apenas pelo seu mérito, toda virtude deve ser sustentada pela caridade e pelo amor. 
Ainda é clarificado que algumas pessoas conseguem fazer o bem sem pensar, já outras pessoas antes de fazer pensam duas (ou mais) vezes; isso acontece porque aquele que faz o bem sem pensar já possui a virtude internalizada no seu ser, e assim devemos buscar sempre ajudar sempre os próximos.
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O bem deve ser feito sem pensar em quem, e por quem está sendo feito, aquela famosa frase que sempre aprendemos com os nossos queridos pretos velhos; Fazer o bem sem olhar a quem. Sempre devemos pensar na evolução sustentada pelo amor e pela caridade. Aquele que faz pensando na evolução não evolui, agora aquele que faz as coisas por amor e de coração, sem esperar recompensas e valorizações poderá ter a plena certeza que caminhará nos bons caminhos da vida.
Os espíritos também são questionados sobre a obtenção de conhecimento para a vida terrena, as respostas são bem claras e todas indicam que devemos sim adquirir conhecimento pessoal e científica durante a vida encarnada. Primeiramente, a aquisição deste conhecimento pode nos tornar capazes de ajudar outras pessoas, além do que a evolução espiritual se tornará mais rápida. O espírito por si só sendo perfeito é possuidor de todo o conhecimento, nos como seres em evolução devemos procurar o estudo como melhora diária e constante, para que possamos nos aproximar da perfeição divina.  
Assim podemos compreender o porque sempre temos que buscar o estudo, a Umbanda tem fundamento é preciso preparar, o preparo que devemos sempre fazer é o estudo, adquirir conhecimento faz parte da caminhada, não só espiritual, mas terrena também, pois o conhecimento é o maior símbolo de poder.  
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Os espíritos também são questionados sobre observarmos os defeitos dos outros, as respostas são claras e bastante interessantes. Podemos até observar os defeitos dos outros, no entanto nunca com o objetivo de julgamento, antes mesmo devemos fazer uma auto-análise buscando compreender se aquele defeito ja nao existe mais em nós. Quando observamos um defeito no irmao nao devemos repreendê-lo ou julgá-lo, pelo contrário, devemos dar a mão e buscar auxiliá-lo na melhora.
Para nós umbandistas, o julgamento é sempre um caso complicado, sabemos que tudo na vida tem dois lados, o que é justo para um não necessariamente será justo para o outro. Isso nos leva a crer que nao ha justica real, existe na verdade a ponderação, devemos sempre buscar a ponderação entre os dois lados na vida, porque tudo tem dois lados, duas opiniões, duas versões.
Nos como umbandistas, na procura da melhora, devemos sempre buscar não apontar o dedo, e sim dar a mão e ajudar, ensinar e estar de prontidão para quando os irmãos estiverem necessitados. Fazendo sempre o bem, com amor e caridade, sem olhar a quem.
Victor de Oxumarê

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Amor Materno e Filial

Amor Materno e Filial

No Capítulo 11 do Livro dos espíritos, Kardec fala sobre o amor maternal e filial, e questiona ao espírito, em sua primeira pergunta sobre o sentimento do amor materno aos homens e aos animais e tem como resposta, que no amor materno dos homens a natureza entrega esse amor aos filhos em meio de conservar eles. 
Já no animal esse amor está presente as necessidades materiais, o mesmo acaba pela falta de necessidade dos cuidados. No homem, esse amor persiste por longa vida, mesmo sem a necessidade dos cuidados matérias. 
Kardec então questiona ao espírito, sobre o desafeto de mães com os filhos, e ele responde que, às vezes é algo que o espírito do filho tem que passar, ou situações que aconteceram em outra existência daquele espírito que o fez passar por isso nesta vida. De toda forma, o espírito da mãe não ficará impune e o espírito do filho será recompensado pelo sofrimento.
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Em sua terceira pergunta, Kardec questiona, sobre os desgostos que muitos filhos dão aos pais, e tem como resposta que os pais tem como cargo e missão, “encaminhar os filhos para o bem" quando os desgostos dos filhos, se tornam repetitivos tem como consequência a mudança de personalidade do mesmo, e que os pais então neste caso, deixaram os filhos adquirirem está liberdade desde a infância e que só estão então, “colhendo o que plantaram".
As respostas se encaixam também para nós Umbandistas. O amor materno está ligado a Orixá Iemanjá, considerada mãe de quase todos os orixás, traz esse amor maternal aos seus filhos caminhando sempre com eles ao caminho do bem. O amor Maternal também vem Ligado a Orixá Oxum, que atua no ventre, e na gestação da mulher. 
Axé
         Yasmin de Iansã

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Caridade e amor do próximo

Caridade e amor do próximo 

Continuando nosso trabalho com o estudo dos textos do Livros dos Espíritos de Allan Kardec,  falaremos sobre Caridade e Amor ao Próximo, tema apresentado no livro III, capítulo XI .
    O Amor ao próximo e a Caridade é ter compaixão com todos, sejam eles inferiores, iguais, ou superiores nós. Até porque sabemos que somos todos iguais, e não existe essa classificação. Somos todos de carne e osso igualmente. Ser caridoso não é ter pena, é ter consciência que aquelas são pessoas que necessitam da nossa luz, da nossa força.É se colocar no lugar do outro, saber que um ser é afetado quando um semelhante seu é afetado.
   Amar os inimigos é perdoar quando ele errar contigo, e o perdão vai te revigorar, vai te ensinar muita coisa e você passará a valorizar as mínimas coisas. Nós nunca sabemos o que se  passa dentro da mente do próximo. Então é certeiro agir com amor, com calma, paciência. E mesmo quando vierem com sete pedras pra você, jogue uma pitada de amor e surpreenda.
Nunca nos esquecer que a caridade está nos pequenos atos, está no oferecer uma ajuda, está no falar um bom dia. A caridade está onde há amor. E fazer amor é fazer o bem. E devemos fazer o bem sem medir esforços. O mundo nos dá aquilo que nós damos a ele. Seja uma alma boa.
Muitas pessoas as vezes procuram terreiros pra poder simplesmente saber a sensação de incorporar, ou por querer trazer um amor antigo de volta e coisas do tipo. Mas em Terreiros honestos de Umbanda não são praticadas nenhum tipo de práticas fora da moral. O bem que é feito na Umbanda se resume em uma frase assim: " Faça todo bem que puder, usando todos os meios que puder, de todas as maneiras que puder, para todas as pessoas que puder, durante o maior tempo que puder." Umbanda é amor e caridade. Pra entrar na umbanda são necessários objetivos, e o 1° deles deve ser : Fazer caridade. E essa caridade na Umbanda é doar-se. E com toda certeza, o nosso amor, nosso tempo, nossa atenção é a coisa mais preciosa que podemos dar a alguém. É tirar o dia pra vestir o branco e fazer o preceito, pensar em coisas positivas. 
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E o simples ato de bater uma palma, cantar ponto mesmo que errado, isso tudo é ato de caridade.
      O amor que os guias nos trazem, cada um de uma maneira diferente. Seja em palavras de carinho, em colo, em abraço, seja em orientações. De todas essas formas eles trazem seu amor e sua sabedoria. Eles nos mostram a ser simples, caridosos, amorosos. Eles vem como todo seu axé e conhecimento pra essa terra trazer amor e fazer a caridade.
     A corrente mediúnica é uma constante evolução, a cada dia que se passa se aprende mais, a fazer o bem sem olhar a quem. Ver uma pessoa chorar aos pés de um preto velho e abrir todo seu coração e ficar ali recebendo conselhos até levantar com um sorriso no rosto, isso sim é caridade. Isso sim é ajudar o próximo e se ajudar em dobro. É doar o melhor de si pra ver o outro bem. É lutar como se a sociedade fosse um todo.
Ser caridoso além de tudo num terreiro de umbanda é ser caridoso fora dele também.
Amar ao próximo é ter respeito básico pelos outros. É compaixão, partilha, empatia. Isso tudo é ser humano, e ser humano é ser como os outros, e ser como os outros deve ser tudo. Lembremos sempre dessa frase:"Ignore a mão esquerda o que a direita fizer." Essa frase nos ensina que o que importa é o ato de ajuda. A Umbanda é uma religião recheada de luz, conhecimento, humildade e além bem tudo, muito amor e caridade.
Clara de Oxum

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Direito de Propriedade. Roubo

Direito de Propriedade. Roubo

Temos no capítulo XI do livro terceiro, leis morais, do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, a premissa do “direito de propriedade. Roubo”. O dicionário Aurélio traz o significado de direito de propriedade como “direito que o homem tem de conservar o que lhe pertence e de apropriar-se daquilo que outrem lhe cede legalmente ou que adquire sem contestação.” e de roubo como “Esquivar-se. Tirar o que está em casa alheia ou o que outrem leva consigo. Cometer fraude em. Subtrair às escondidas, furtar. Rapar. Despojar de. Plagiar; dar como invenção sua o que outrem inventou. Arrebatar, enlevar, arroubar, extasiar.”. A partir desses significados no contexto atual vamos analisar as perguntas 880 a 885 de Kardec aos espíritos para o contexto da época e trazer para o atual relacionando a prática umbandista.
Os espíritos respondem conforme a pergunta de Kardec que o primeiro direito natural que todos temos é o de viver, sendo assim ninguém tem o direito de atentar contra a vida do próximo, o que podemos ver é uma regra que também se aplica hoje as nossas leis, onde cometer ato contra vida de alguém é crime. A Umbanda além da vida das pessoas preservamos toda a vida existente na terra como a natureza e seus animais como uma prática religiosa. Em sequência Kardec pergunta se juntar coisas enquanto vive para depois quando não conseguir mais trabalhar é correto, e os espíritos respondem  afirmativo, porém com a ressalva que, desde que isso se faça através de um trabalho honesto e que de forma coletiva, ou seja, não de maneira egoísta. Na lei atual se cometemos algum crime durante trabalho podemos ser presos, porém a questão do egoísmo é uma coisa da ética e moral, onde o sucesso também está atrelado a está questão, mas não é citado na lei dos homens. Na umbanda o trabalho de todos deve ser em conjunto para a construção do Templo material e individual que ocupa os corações de cada um, uma frase citada pelo Caboclo 7 Flechas dirigente de nossa Tenda é: “Só se tem amor naquilo que se constrói com as próprias mãos”.
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Continuando as perguntas, em sequência, é dito sobre direito natural de trabalhar  e viver, quando é perguntando se o homem tem o direito de defender aquilo que juntou e a resposta é justamente que sim por esses dois direitos citados anteriormente, desde que tenha sido adquirido de maneira honesta. Na lei atual também temos punições para aqueles que furtam, subtraem, e alguns mecanismos de defesa que ainda são falhos, porém existem. Na umbanda temos sim o direito de defesa, onde cada um cuida de suas coisas, de suas coisas particulares até mesmo do nosso próprio templo com muros e sistemas de segurança. 
Temos três perguntas a seguir que se correlacionam, a legitimidade da propriedade, o desejo de possuir e sua relação com certo e errado, tendo como resposta de acordo com os espíritos que tudo é legitimo, desde que não tenha prejudicado outras pessoas e o desejo de possuir é comum, porém possuir apenas pra si é egoísmo e ainda questionam se acumular para saciar suas paixões seria aprovado por Deus? E afirmam que o trabalho daquele que acumula pro amor e caridade é abençoado. Com vista nessas questões a lei dos homens não trata sobre acumular pra si ou para a caridade, ela permite que cada um acumule do jeito que acha correto, porém a legitimidade de seus bens é fiscalizada a todo momento conforme pagamento de impostos e declarações de bens para controle governamental e questões financeiras. Já na Umbanda temos a legitimidade também com o que foi adquirido através da honestidade e acreditamos que o acumulo de coisas materiais sem um fim prestativo apenas traz prejuízos o que traz energeticamente negatividade que faz a pessoa ter dificuldades de desapego e gerar sentimentos de egoísmo e vaidade.
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Por último temos a pergunta sobre o limite do direito de propriedade o qual os espíritos afirmam que não há limites desde que seja adquirido com honestidade e citam que na lei dos homens o que é correto hoje, amanhã pode não ser, devido a evolução e que as mudanças tendem a aproximar da lei divina e que essas transformações são necessárias. Tendo essa resposta podemos analisar que as leis de alguns anos atrás já são totalmente diferentes das leis de hoje e assim vamos nos adaptando as mudanças para melhor nos adequarmos. Na umbanda existem mudanças de práticas que são leis, também ocorrem de acordo com a evolução dos trabalhadores do local ou por questões culturais, o importante saber que os espíritos sempre trazem a renovação necessária a cada local conforme evolução dos trabalhadores.
Após analisarmos em diversos contextos este pequeno trecho do Livro dos Espíritos podemos perceber que tudo rodeia em torno do amor e da caridade e a luta constante sobre os excessos, paixões e vícios que levam ao desequilíbrio. Colocando a nossa vida em torno do amor e da caridade podemos guiar em prol ao crescimento moral e espiritual que todos almejam.

Pai Igor" de Oxum