A força da tempestade
Iansã vem da terra dos antigos povos iorubás, na África, senhora dos ventos, das tempestades, dos raios e dos movimentos da vida. Nada em Iansã é parado. Ela sopra o que precisa ir embora, levanta o que estava caído e ensina que mudar também é uma forma de viver.
Ser filho ou filha de Iansã é carregar essa força dentro de si. É sentir tudo com intensidade. É ter um coração que não aceita injustiças, uma alma que não se acomoda e uma coragem que muitas vezes aparece antes mesmo da certeza. Quem é de Iansã sabe que a vida raramente acontece de forma tranquila.
Existe sempre um vento interno empurrando para frente, pedindo mudanças, cobrando atitudes, exigindo verdade. Mas nem sempre é fácil. Há dias em que a tempestade parece não ter fim. Dias em que os pensamentos se atropelam, as emoções transbordam e o peso de sentir tudo tão profundamente se torna cansativo.
Muitas vezes os filhos de Iansã precisam lutar contra a própria impulsividade, contra a vontade de resolver tudo na hora, contra a dificuldade de aceitar que nem todas as batalhas dependem apenas da sua força.
Existe também o desafio de ser incompreendido. Porque por trás da imagem forte existe alguém extremamente sensível. Alguém que sente mais do que demonstra. Alguém que, apesar da coragem, também se machuca, também se decepciona e também precisa de acolhimento.
Ser de Iansã é aprender que força não significa estar em guerra o tempo todo. É entender que nem todo vento precisa virar furacão. Que algumas situações se resolvem com silêncio, outras com paciência e outras simplesmente com a sabedoria de deixar partir.
Quem carrega Iansã conhece o peso e a beleza das transformações. Sabe o que é perder, recomeçar, reconstruir e seguir em frente mesmo quando tudo parece desabar. E talvez seja justamente por isso que os filhos desse orixá nunca permanecem os mesmos. A vida os transforma constantemente.
Porque Iansã é assim. Ela é a tempestade, mas também é a brisa depois dela. E ser filho ou filha de Iansã é descobrir, ao longo da caminhada, que a maior força não está no vento que derruba tudo, mas na capacidade de continuar em pé depois que ele passa.
Eparrey, Iansã
Jéssica de Obaluaê