Kabbalah Hermética e Umbanda: Yesod
Yesod (do hebraico Yod, Sameck, Daleth), a nona sephirah da Árvore da Vida, está localizada na base do Pilar do Meio. Conhecida tradicionalmente como a Fundação ou Base, ela atua como o ventre ou receptáculo que concentra as emanações de todas as esferas superiores, funcionando como a transmissora imediata e única dessas forças para o plano físico (Malkuth). Se compararmos o plano material a um grande navio, Yesod seria a casa das máquinas do plano astral.
O Depósito das Imagens e a Luz Astral Esta esfera é descrita como o depósito de imagens do inconsciente humano, o plano astral ou a "luz astral". Assim como a Lua reflete a luz do Sol sobre a Terra sem possuir brilho próprio, Yesod reflete e filtra a imagem de Tiferet. Por causar essa refração mística que distorce a luz pura, ela é denominada a Esfera da Ilusão ou Maya. As figuras do inconsciente e dos sonhos que ali habitam manifestam-se de forma pouco clara, podendo tanto auxiliar quanto ludibriar o indivíduo, embora a verdade essencial reside sempre por trás delas.
Na magia prática, Yesod é a esfera indispensável para qualquer operação que busque produzir efeitos no plano físico. Isso ocorre porque a matéria astral de Yesod é maleável e pode ser moldada pela mente humana através da imaginação e da visualização. É nela que as energias fluidas do desejo de Netzach, após serem organizadas e formatadas pelas estruturas de Hod, são corrigidas, equilibradas e finalizadas antes de se manifestarem na Terra. Psiquicamente, ela rege o Corpo Astral ou campo das emoções, enquanto no aspecto biológico governa o aparelho genital e a libido, carregando o impulso instintivo gerador da vida.
A Correlação com o Orixá Iemanjá Na Umbanda, Yesod encontra sua correspondência direta na figura de Iemanjá, estabelecendo pontes profundas entre a cabala ocidental e a teologia umbandista por meio de seus arquétipos lunares e aquáticos:
A Grande Mãe e a Fundação: Yesod é regida astrologicamente pela Lua, astro que governa as marés e simboliza o mistério e o comportamento feminino. Sob essa influência, Yesod se conecta ao arquétipo de Iemanjá como a Grande Mãe que dá à luz toda a humanidade, representando a base fértil e o útero cósmico sobre o qual todo o plano material se manifesta. O próprio mar, divinizado na figura de Iemanjá, serve como o grande símbolo físico de Yesod.
Yesod-Chesed (A Grande Mãe do Amor): Quando a sephirah canaliza as emanações de amor, fé e misericórdia vindas de Chesed, ela se sincretiza com as deusas maternais e protetoras. Aqui, Iemanjá atua como a "Mãe da Humanidade", a senhora do mar que rege a maternidade, a beleza, a família e o amor protetor, servindo como um manto celestial que acolhe as emoções humanas. Essa sinergia se materializa nas práticas litúrgicas da Umbanda dedicadas a Iemanjá, cujo dia de regência é o sábado (tradicionalmente associado às forças de Yesod). Seus elementos rituais envolvem a prata (o metal lunar de Yesod), o cristal e a água do mar, manifestando-se sob a cor azul-claro e utilizando frequentemente a estrela de cinco pontas nos pontos riscados de suas entidade
Thiago Cecilio de Oxossi