Música
Música refere-se a combinação e a organização de sons e silêncios ao longo do tempo. É uma forma de expressão que utiliza os sons como matéria prima, assim como a linguagem convencional utiliza palavras. Dentro da música existem algumas divisões importantes:
Melodia: Normalmente é a parte que você cantarolar (assobiar, gruda na cabeça);
Harmonia: É a combinação de vários sons tocando de forma compatível (todos os instrumentos conversando entre si, sintonizados, harmoniosos);
Ritmo: É a pulsação da música, quem organiza o tempo musical. (palmas, balanço da cabeça, pé batendo);
Timbre: Identidade de cada som, cada voz tem um timbre único, assim como os instrumentos, por mais que toquem a mesma nota.
Resumidamente é isso, a arte de combinar sons e silêncios a fim de transmitir algo.
Em termos de respostas, perguntas como: “Em que momento surgiu a música?” ou “Quando e como o homem primitivo começou a fazer música?” entram no campo do impossível, porém, sabe-se que a origem e desenvolvimento da música acompanham e se confundem com a história da humanidade. O som e o ritmo estão presentes na natureza e são, possivelmente, os primeiros componentes da linguagem musical com os quais o homem entrou em contato, já no útero, através das pulsações do coração materno. O homem experimenta a existência de elementos rítmicos e sonoros em seu próprio corpo, através dos batimentos cardíacos, na respiração, ao caminhar e produzindo sons com o corpo, através das mãos, dos pés e da voz. Não há arquivos sonoros das épocas primitivas, porém existem algumas hipóteses sobre a origem do canto humano.
Alguns pesquisadores afirmam que o canto surge pela necessidade de expressar sentimentos (PAHLEN, 1965); outros, ainda, acreditam que o homem, encantado com os ruídos emitidos pela natureza, tenta imitar o som dos pássaros, de ondas, ventos e trovões, iniciando seu próprio (BAITELLO JR. apud ZAREMBA; BENTES, 1999). O ritmo pessoal que cada homem possui facilita o desenvolvimento da sua capacidade musical. O homem primitivo, ao observar fenômenos da natureza e animais, pôde experimentar sentimentos impossíveis de serem expressados em seu vocabulário restrito. Dessa forma, desde a Pré-história é impossível dissociar a música da emoção.
Apesar das diferenças entre os pensamentos sobre a origem do canto e da fala, há uma concordância que a música é um meio de comunicação muito importante entre os homens. E através dessa comunicação musical, o ser humano conseguiu também se fortalecer como espécie, pois através desse entendimento entre espécies, foi possível a aproximação e a formação de grupos, tornando o homem um ser social. Além do canto, o homem pré-histórico percebeu que ao assoprar ossos furados, bater palmas ou percutir em peles de animais curtidas e esticadas poderia produzir diferentes sons.
Todas as hipóteses da prática musical no período pré-histórico foram traçadas a partir de pesquisas arqueológicas, antropológicas e musicológicas. Os instrumentos mais antigos, flautas feitas de ossos com apenas um orifício, são do Paleolítico Inferior (período mais antigo da Pré-História dos humanos), usados provavelmente em caçadas para imitar sons ou cantos de animais e pássaros, ou para os homens se comunicarem. No Paleolítico Médio foram encontradas flautas com três a cinco orifícios. Em 2009 foi descoberta no sul da Alemanha, próximo à caverna de Hohle Fels, uma flauta feita de osso de abutre, datada de 35 mil anos, com quase 22 centímetros e cinco buracos, o osso tem marcas de linhas em volta dos buracos, sugerindo que os buracos foram calibrados para produzir um som melhor. Vários instrumentos musicais foram encontrados nessa área, reforçando a ideia de que os humanos paleolíticos desenvolveram uma cultura rica. Foram encontrados no total quatro fragmentos de quatro flautas. Além da flauta quase inteira em osso de urubu, três instrumentos foram feitos em marfim de mamute.
Os sumérios possuíam um método próprio de leitura musical e se utilizavam de instrumentos para acompanhamento vocal. Sua música tinha o estilo religioso e estava presente em todas as cerimônias solenes ou familiares. Construíram instrumentos de sopro a partir de chifres de animais e produziram também instrumentos de percussão. A música era para os sumérios, assim como a literatura, a linguagem e a matemática, uma das disciplinas básicas do ensino formal.
Para os babilônios, a música estava associada à animação de tropas durante as batalhas; alegravam os banquetes e festas em tempos de paz. O canto era utilizado para a caça, o amor, o ódio, a guerra, evocação dos mortos, estados de transe, entre outros. Para os assírios, a música era símbolo de poder, respeito e vitória. Os músicos eram mais reverenciados e estimados que os próprios sábios. A música hebraica sofreu influência de outros povos, porém consolidou-se com características próprias: caráter religioso, guerreiro, festivo e de lamentação. A Bíblia constitui a principal fonte documental sobre a referência à música hebraica. Não há muitas informações sobre a música fenícia, os fenícios são considerados os inventores de alguns instrumentos musicais, como a flauta dupla.
Os egípcios tinham uma abundante atividade musical e diversidade de instrumentos musicais. A música egípcia estava ligada à religião, mas possuía um estilo de música para cada ocasião: de caráter religioso, nos cultos aos mortos e aos deuses; de caráter militar, quando eram cantados hinos em honra aos vencedores; de caráter social, animando banquetes solenes, cantos de trabalho, entre outros. A música egípcia era composta por cantos acompanhados por instrumentos e danças. Era coletiva e as mulheres tinham um papel importante e os músicos uma situação social inferior. A única notícia que se tem da cultura musical medo-persa antiga é que ela abrangeu toda a música e instrumentos musicais dos egípcios e mesopotâmicos, especialmente assírios, babilônios. A música persa é monofônica, ou seja, todos os instrumentos têm o mesmo padrão melódico sem conotações harmônicas. Na Grécia antiga, a música estava vinculada a todas as manifestações sociais, culturais e religiosas. Era a mais importante das artes, essencial para a educação e considerada uma força obscura, conectada com potenciais do bem e do mal. Bem ensinada, poderia ser um dos meios para atingir a virtude, segundo Platão. (do grego surgiu o a palavra mousiké téchne, que significa “a arte das musas”)
A música cristã não surgiu do nada; ela herdou a estrutura das sinagogas judaicas da Antiguidade. Nos primeiros séculos, a música era estritamente monofônica (apenas uma melodia, sem harmonia ou acordes). Os salmos bíblicos eram cantados de forma direta, herdando a tradição dos levitas de Jerusalém. Diferente dos Caldeus, os primeiros cristãos evitavam instrumentos em cultos públicos para se diferenciarem dos rituais pagãos romanos. O foco era a "música do coração" e a clareza da palavra. Com o tempo, essa tradição se consolidou no Canto Gregoriano. O ritmo aqui não era marcado por batidas de tambor, mas pelo ritmo da respiração e das sílabas do texto em latim. A música era vista como um reflexo da harmonia celestial. Cantar em coro simbolizava a união da comunidade ("um só corpo, uma só voz").
Enquanto a tradição europeia focou na melodia, a música africana desenvolveu uma complexidade rítmica e tímbrica inigualável. A polirritmia é o coração da música africana. Diferentes ritmos são tocados ao mesmo tempo por vários instrumentos de percussão (como o Djembe ou o Talking Drum). O que parece confuso para ouvidos destreinados é, na verdade, uma sobreposição matemática perfeita de tempos. Na maioria das línguas tradicionais africanas, não existia uma palavra isolada para "música". Ela estava integrada à vida: existiam canções específicas para plantar, para colher, para rituais de passagem e para contar a história da tribo (preservada pelos Griots, os contadores de histórias). A “Chamada e Resposta” é uma técnica onde um líder canta uma frase e o grupo responde. Essa estrutura é a base de quase tudo que ouvimos hoje, do Blues ao Jazz e ao Samba. O uso da Kora (harpa-alaúde) e da Kalimba (piano de polegar) demonstra uma busca por timbres metálicos e ressonantes que imitam elementos da natureza ou vozes ancestrais.
Dentro da cultura indígena a música é transmitida dos mais velhos para as crianças de forma oral. Ela pode estar ligada a momentos especiais, como festas, rituais, narrativas míticas e também ao dia a dia da aldeia! Os povos também cantam para brincar, caçar, pescar e construir as suas malocas. O canto e o som do Maracá servem para abrir canais de comunicação com a pajelança e realizar curas. Diferente dos Caldeus, as culturas indígenas das Américas focaram menos em cordas e mais em aerofones. É comum encontrar flautas e apitos que muitas vezes são feitos de bambu, ossos de animais ou argila, com afinações que imitam o som da floresta. Também é encontrada a percussão de corpo e solo, constituídas por batidas de pés rítmicas que conectam o corpo do indígena à terra, criando uma vibração que ressoa no solo.Introdução dos instrumentos na Umbanda.
O primeiro terreiro fundado por Pai Zélio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas trabalhava sem atabaques, usando apenas as palmas e cantos na sustentação das giras, alguns terreiros ainda mantêm essa tradição. Outras tendas fundadas por Pai Zélio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas, introduziram os atabaques devido, principalmente, à influência das culturas africanas e do Candomblé. Os pontos de umbanda trazem no corpo e na letra uma grande miscigenação, atribuindo ritmo, palavras de origem indígena e africana, nomes de santos.
Na Jurema, o Maracá se fez presente desde o início do culto, tendo origem com a cultura indígena, ele tem a função de ritmar, dissipar energias e evocar a força dos ancestrais e encantados. A introdução do ilu (tambor) na Jurema Sagrada ocorreu como parte da influência e miscigenação com as religiões afro-brasileiras, especialmente no Nordeste, trazendo o tambor de origem iorubá, para conduzir o ritmo das giras e a chegada das entidades. Os pontos juremeiros possuem grande presença católica em sua estrutura, tanto na melodia cantada, quanto aos versos que citam os santos católicos.
A Curimba é quem compõem o grupo musical dentro do terreiro e cabe a curimba movimentar a energia vinda do congá, distribuindo-a pelo terreiro, potencializando, através das ondas sonoras, as vibrações e dissolvendo as energias negativas, criando assim um ambiente propício para os trabalhos que serão realizados. Seus integrantes devem cantar, bater palmas e tocar do início até o encerramento da gira para manter a vibração dos trabalhos e impedir que ela flua de maneira diferente do que está sendo exigido no momento. Qualquer desequilíbrio na energia pode atrapalhar a concentração dos médiuns incorporados, atrapalhando também o trabalho como um todo. A curimba auxilia na concentração e no foco dos médiuns de incorporação através dos toques e cantos que irão envolver suas mentes, ajudando na alteração de consciência e na criação de uma atmosfera psíquica positiva para os trabalhos. É também um grande polo movimentador, potencializando a energia que vem do congá. Além de auxiliar na sintetização da egrégora, a curimba, através da frequência emanada pela harmonia, é capaz de, por si só, auxiliar a quem necessita de um aumento vibracional, pois assim que a música entra em contato com o corpo (seja ele espiritual ou não), ela faz com que a frequência vibracional se modifique, mesmo que seja uma pequena porção.
O curimbeiro deve estar sempre atento à sua função para evitar confusões que possam atrapalhar o andamento dos trabalhos durante a gira. Pensamentos e emoções alheios podem gerar um contra fluxo energético, afetando negativamente os atendimentos. O fluxo de energia emanado pela curimba deve ser sempre ordenado e constante. Assim como os instrumentos que compõem a curimba, os seus integrantes também vão emanar energia. Por essa razão, é de extrema importância que o médium da curimba se monitore no decorrer do seu dia a dia e, principalmente, nos dias de gira. Durante a semana devem fazer suas firmezas, orações, vigiar os pensamentos, ações e palavras, sempre prezando pela paz e equilíbrio.
Nos dias de gira o curimbeiro, assim como todos os integrantes da casa, devem se manter serenos, cumprir os preceitos e chegar mais cedo no terreiro para entrar em contato com as energias ali presentes. Caso o médium chegue agitado, ele deve se sentar, acalmar seus pensamentos, meditar, restabelecer o equilíbrio e adequar sua vibração. Se o médium está vibrando raiva, ansiedade, tristeza, desânimo, todos esses sentimentos serão emanados para o restante do terreiro, isso causará desequilíbrio na energia da gira e irá atrapalhar os trabalhos que estão sendo realizados. Por isso é tão importante que os curimbeiros sempre executam sua função com amor, gratidão e felicidade, para que possam emanar boas vibrações e contribuir positivamente para o resultado dos atendimentos.
Lays de Oxaguian