Orixá Ayrá
Toda tradição de culto aos Orixás, vem sendo repassada oralmente de geração em geração há séculos, logo, é comum que alguns cultos se percam, se aglutinem a outros ou que tenham formas diferentes de se cultuar um mesmo Orixá, levando em conta a forma como se é passada e o tempo de culto. Ayrá, Orixá cujo nome significa “redemoinho”, que em território africano é o que mais se assemelha a um furacão. Seu culto teve origem na cidade de Savé, hoje localizada no atual Benin, que fazia parte do reino de Ketu.
No caso do culto a esse Orixá, surgem diversas dúvidas e respostas na mesma proporção, tendo então este Orixá, uma identidade ainda hoje muito dividida para muitas pessoas. Quando o culto a Ayrá foi trazido ao Brasil pelos seus devotos, no período escravocrata, muitos cultos se misturaram, e contam que, Ayrá, foi incluído na família do raio, a qual Xangô pertence. Seu culto, então, foi aglutinado ao de Xangô, tornando-se tornando uma qualidade dele. Entretanto, outras casas, acreditam no culto independente deste Orixá, como é o caso do nosso terreiro.
É muito comum que procuramos encaixar a ação de cada Orixá em sua determinada “caixinha”, tendo um pensamento dicotômico. Mas quando falamos de Orixá, não se é possível agregar esse pensamento, pois a presença dessa energia divina, age em todos os locais em conjunto com todos os outros, mas cada uma vibrando em uma determinada energia.
Ayrá possui forte ligação com a linha da fé e justiça, permeando entre as duas. Ele age equilibrando nossas crenças, para que as mesmas não nos ceguem. Ayrá é um Orixá que também detém a paz e preza por estabelecê-la onde e quando for necessária. Este Orixá possui uma forte energia e grandeza, ele é imponente; é a junção de todos os ventos que provoca o movimento em nossa vida.
Ayrá movimenta e leva a justiça onde for necessária, por qualquer caminho que seja. Ele sempre nos avisa das mudanças “temporais” em nossa vida, como os ventos antes de uma forte tempestade, cabe a nós entender esta mensagem, e, assim como ele, sermos estratégicos, neutros e diplomáticos para lidarmos com nossos dilemas pessoais.
Sua data de louvação é dia 29 de junho, devido ao sincretismo com São Pedro. Sua cor é o branco (em algumas casas, se mescla com o marrom). Seu dia é na sexta-feira. Sua saudação é “Ayrá ponon opokodê” (Assim Ayrá fica feliz) / “Ayrá lê” (Ayrá está feliz). Em suas oferendas podem conter quiabos, flores brancas, velas brancas.
“A chuva de Ayrá apenas limpa e faz barulho como um tambor, Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor”
Ayrá lê!
Lays de Oxaguian