quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Sematologia e Tiptologia

 

Sematologia e Tiptologia

 

Este é mais um texto que aborda a obra de Allan Kardec e hoje daremos continuidade nos estudos do Livro dos Médiuns, parte segunda, capítulo XI- Sematologia e tiptologia, abordando as comunicações entre o mundo espiritual e o nosso mundo.

Os espíritos encontram diversas maneiras de passar suas mensagens e se comunicarem conosco. Hoje iremos falar sobre a tiptologia. Confesso que antes de ler o “Livro dos Médiuns”, nunca sequer havia ouvido falar sobre o assunto. Em uma breve pesquisa feita no dicionário Oxford, encontrei a seguinte definição: “Tiptologia: substantivo feminino, espiritismo: 1: comunicação dos espíritos por meio de pancadas; 2: experiência que os espíritas realizam com mesas giratórias, chapéus etc.”

A tiptologia é uma forma de comunicação onde os espíritos transmutam seu campo energético para causar movimento na matéria. Baseando-se do mesmo princípio nos quais as sessões de mesas girantes eram executadas. Esta comunicação é dada por batidas na mesa, porém em sua forma mais básica, as batidas significam apenas sim ou não, onde apenas perguntas básicas são respondidas através das batidas.



Os espíritos utilizam da Tiptologia para se comunicar com o nosso plano e, ao fazer isso, utilizam também uma espécie de mimica. Em outras palavras, a energia empregada na afirmação ou negação das perguntas, forte ou fraca, implica na força que aquela verdade tem para ele. Esta força também traduz a natureza dos sentimentos que o trouxeram àquela sessão, movimentos bruscos implicam em violência, a cólera e a impaciência, batendo repetidamente fortes pancadas, como uma pessoa que bate arrebatadamente com os pés, chegando às vezes a atirar ao chão a mesa. Se é amável e delicado, inclina, no começo e no fim da sessão, a mesa, à guisa de saudação. Se quer dirigir-se diretamente a um dos assistentes, para ele encaminha a mesa com brandura, ou violência, conforme deseje testemunhar-lhe afeição, ou antipatia.

Tiptologia alfabética: com o tempo e o aperfeiçoamento das técnicas de comunicação com o mundo espiritual, a técnica da tiptologia sofreu adaptações para melhorar a qualidade das sessões. Com isso surgiu a tiptologia alfabética, que consiste na utilização das letras do alfabeto indicadas por pancadas. Desta forma, é possível que se obtenha palavras ou até mesmo frases inteiras. De acordo com o método adotado, a mesa dará tantas pancadas quantas forem necessárias para indicar cada letra, isto é, uma pancada para o a, duas pancadas para o b, e assim por diante... Desta forma, os presentes tomavam nota de cada letra expressa, e que ao fim se traduzia em uma mensagem do outro plano.

Para melhor garantir a independência ao pensamento do médium, imaginaram-se diversos instrumentos em forma de quadrantes, sobre os quais se traçam as letras, à maneira dos quadrantes do telégrafo elétrico.

Na Umbanda, ou pelo menos em nossa casa, não é costumeiro se comunicar com espíritos diretamente, através de métodos como a tiptologia, porém, sabemos que isso não significa que não há diálogo com outros espíritos que não nossos guias espirituais. É com a fé que temos em nossos Pretos Velhos, Caboclos e Exus, que conseguimos encaminhar e enviar mensagens de amor e paz aos espíritos desencarnados que nos cercam, e com a ajuda deles, conseguimos auxiliar as almas mais precisadas com conforto e acalanto.

Que a força de Deus acompanhe a todos!

Axé

Diego de Oxóssi

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Natureza das comunicações

 

Natureza das comunicações

 

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Médiuns, trataremos da parte segunda, capitulo 10: Natureza das comunicações.

Vimos que todo ato ou efeito vindo de livre vontade que manifeste caráter intencional, nos revela ser uma manifestação inteligente. Tudo muda quando essa inteligência ganha um desenvolvimento que possibilita a contínua troca de ideias e pensamentos, já não há então simples manifestações inteligentes, mas verdadeiras comunicações.

Kardec chama nossa atenção para variedade infinita que apresentam os espíritos quanto à inteligência e moralidade, gerando uma grande diferença entre os tipos de comunicações sendo estas, reflexos de sua elevação, saber e ignorância. Dividindo-as em 4 categorias, são elas: grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas.

Comunicações grosseiras: são comunicações vindas de espíritos que ainda possuem impurezas da matéria, não posem sentimentos, são arrogantes, em nada diferem das vindas de homens viciosos e grosseiros de nosso cotidiano.

Comunicações frívolas: provêm de espíritos levianos, zombeteiros ou brincalhões, são maliciosos e não dão a mínima ao que dizem. São comunicações em que muito se fala sem ter nada a dizer. Agradam os curiosos, são fúteis e em nada nos acrescentam.  A nossa volta sempre há espíritos levianos que se aproveitam para entrar em nossas comunicações em todas as ocasiões. Tentam encontrar nossas fraquezas. As pessoas que se condizem nesse gênero de comunicação dão acesso a esses espíritos levianos e delas se afastam os espíritos sérios.



Comunicações sérias: toda comunicação isenta de frivolidade e de grosseria é uma comunicação séria, porém, nem todos os espíritos sérios são igualmente esclarecidos, um espírito sério não domina necessariamente todos os assuntos; há muita coisa que eles ignoram, por isso os espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam submeter todas as comunicações ao uso da razão e da lógica. As comunicações sérias devem ter sempre atenção redobrada, pois vários espíritos presunçosos se aproveitam para tentar nos enganar usando de linguagem elevada, utilizando de elevados nomes, para transmitir ideias falsas.

Comunicações instrutivas: são comunicações sérias, cujo objetivo é o ensinamento dado pelos espíritos sobre a ciência e a moral. Para se retirar frutos dessas comunicações é preciso que elas sejam regulares e continuadas com perseverança. É através da continuidade, da regularidade, que a moral do espírito comunicador irá se revelar. Acontecem quando espíritos sérios se ligam aos que desejam instruí-los. Ao classificarmos a comunicação como instrutiva supomos que seja verdadeira, pois o que não for verdadeiro não pode se instrutivo. As comunicações possuem variados meios para que ocorram. Podendo atuar em diversos sentidos como nossa visão, tato, audição, olfato...

Para a Umbanda as comunicações são primordiais, trabalhadas por espíritos sérios e de alto grau de elevação moral, que se manifestam para nos passarem seus ensinamentos, sendo esta comunicação classificada como “instrutiva”. As comunicações citadas acima, são apenas algumas das diversas formas de contato que temos com o mundo espiritual. Devemos sempre nos resguardar e vigiar nossos pensamentos para termos discernimento e diferenciá-las. Os espíritos que se comunicam conosco são atraídos pela pureza e intenção de nossos pensamentos, por isso, devemos sempre nos manter em alerta. “ORAI E VIGIAI”.

Railany de Xangô

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Lugares assombrados


 Lugares assombrados

 

    No texto de hoje vamos abordar sobre o tema de lugares assombrados, capitulo IX, parte segunda do Livro dos Médiuns- Lugares Assombrados. Nesse capítulo irá se desenvolver sobre os lugares assombrados, o qual é uma crença que teve seu início na antiguidade e se estende até os dias atuais.

    A crença em que lugares abandonados são assombrados é dada pela imaginação da mente, uma vez que esses lugares apresentam a escuridão e o desconhecido fazendo com que até mesmo ventos e a sombra das arvores se transforme em algo maligno e assustador. Os espíritos estão por todas as partes e nem todos são obsessores, de tal maneira que podem ser espíritos a procura de um ente querido, os brincalhões e aqueles que estão para nos proteger.

    Há um fundo de verdade nas crenças dos lugares assombrados, os quais são as manifestações dos espíritos que o homem desde a antiguidade acreditou. No restante, apenas são colocações de lugares abandonados o que lhe fere a imaginação de ser habitado por espíritos, sendo assim abrirão portas para contos e poesias fantásticas o que acalentam a infância.  Por conseguinte, os espíritos podem se sentir atraídos por determinados lugares, pela energia ou até mesmo por estabelecer algo domiciliar a eles.

   

 Um resumo breve sobre os lugares assombrados, tal maneira que há espíritos que se identificam com certos lugares e com isso preferem se estabelecer ali, mas sem necessariamente ter que se manifestar por meios sensíveis. Qualquer lugar pode estabelecer um local de permanecia de uma espirito sendo ela obrigatória ou não, o qual se pode identificar por um ser evoluído. Tendo uma diferença entre os que se prendem ao material considerado como espíritos que nunca vão ser superiores, mas mesmo assim não pode se estabelecer que eles possuem intenções ruins.

    Na doutrina Umbandista que praticamos em nossa casa, acreditamos que os locais “assombrados” são aqueles em que residem espíritos que ainda possuem certo grau de conexão com o plano dos vivos, seja por de questões familiares, financeiras ciúmes... Dessa forma o espirito se fixa ao local ou pessoa em questão, podendo causar os mais diversos inconvenientes. Essa ligação pode ser imposta ao desencarnado, pois através dela poderá espiar os erros cometidos e as consequências de suas atitudes em quanto vivo.

    É possível observarmos uma divergência entre nossa doutrina e os ensinamentos contidos no capitulo. Quando Kardec pergunta  ao espírito revelador se os espíritos que costumam reunir-se tem preferência por dias e horas, a resposta é "não". Na Umbanda temos o “Ponto”, que seriam o dia e hora marcados para a realização dos trabalhos, em nossa casa, por exemplo, as giras acontecem as sextas-feiras (dia de Oxalá), tendo inicio as 19:00 horas e término as 23:00 horas. Tal horário foi determinado pelos guias que orientam nossos atendimentos. No plano espiritual não existe o tempo como estamos acostumados aqui, porém os guias que nos acompanham também desenvolvem trabalhos de auxílios diversos nos planos superiores. O “ponto” é uma forma dos encarnados se organizarem para o desenvolvimento, é uma forma de concentrar nossas energias e aumentar a força da egrégora formada para os atendimentos e proteção dos que estarão presentes. 

Lívia de Obaluaê

terça-feira, 27 de julho de 2021

Laboratório do mundo invisível

 

Laboratório do mundo invisível

 

Continuando nossos estudos sobre o Livro dos médiuns, hoje falaremos da segunda parte das manifestações espirituais, capítulo 8: O Laboratório do invisível.

Esse capítulo se inicia trazendo alguns questionamentos feitos por Kardec antes das perguntas direcionadas ao espírito de São Luís. O primeiro questionamento levantado por Kardec é sobre as roupas e objetos que os espíritos podem trazer em suas manifestações. Sabemos que quando desencarnamos, nada levamos do mundo físico, de onde os espíritos trazem esses objetos e roupas?

Kardec então levanta a hipótese de que, até certo ponto, podemos compreender a existência das roupas, se levarmos em consideração que aquela roupa faz parte do indivíduo e ao desencarnar, pode levar a roupa que estava ou outra roupa que costumava usar. O mesmo pode acontecer com traços físicos. Para esta pergunta, Kardec levanta a hipótese de que, para todo objeto no mundo físico, há no mundo espiritual o mesmo objeto, porém feito de fluído etéreo.

O segundo questionamento levantado por Kardec diz sobre a pneumatografia.  A pneumatografia é a escrita que acontece sem interferência do médium e sem o uso de instrumentos de escrita, como canetas e lápis, para essa comunicação. Neste tipo de procedimento é utilizado uma folha de papel em branco, após dobrá-la, deverá ser colocada em uma gaveta ou sobre algum móvel. Passado algum tempo, o papel pode ser desdobrado e nele estarão contidos desenhos, símbolos, frases, letras, etc. Kardec questiona de onde vem a tinta usada para escrever nesse papel, visto que nenhum instrumento de escrita foi deixado junto dele. Para esclarecer essas dúvidas, Kardec pergunta ao espírito de São Luís.



O diálogo se inicia com uma pergunta sobre um objeto portado por determinado espírito, este que em uma manifestação se apresentou para um encarnado que o conhecia, e o que seria aquele objeto? A resposta é que seria uma aparência, uma imitação, e que o objeto de tal aparição, serviu para que o encarnado que estava vendo o espírito não tivesse dúvidas, eliminando a chance de acreditar ser uma alucinação. Kardec diz que se o objeto é uma aparência, ele não é real. Mas poderia o objeto conter algo de material? O espírito responde que sim, é com a ajuda desse princípio material que o perispírito consegue plasmar também a aparência de roupas parecidas com as quais o espírito usava em carne.

Na próxima pergunta Kardec questiona sobre a primeira hipótese levantada no início deste texto (sobre roupas e objetos portados pelos espíritos) e o espírito responde que não. Os espíritos podem concentrar a energia etérea e dar a ela a forma que querem, inclusive de objetos materiais. Assim como os espíritos podem tornar aquele determinado objeto palpável para um encarnado e que o encarnado conseguiria segurar o objeto em suas mãos, crente de estar segurando um objeto material.

            Tomando como exemplo uma tabaqueira contendo rapé, Kardec pergunta se um encarnado, fazendo uso de um rapé plasmado por um espírito, sentiria o mesmo efeito de um rapé material. A resposta é positiva, o efeito seria igual. Kardec então questiona  se um espírito poderia fazer uma substância venenosa e se essa poderia fazer mal a um encarnado. A resposta é que sim, mas essa atitude não é permitida. Da mesma forma que podem plasmar uma substância venenosa, os espíritos podem plasmar substâncias benéficas, como as aplicadas sobre o jarro de água presente nas reuniões espíritas, a água fluidificada.

Ao ser questionado se o objeto plasmado pode tornar-se palpável, o espírito de São Luís esclarece que sim, podendo inclusive ser usado por um encarnado, mas não acontece por estar fora das leis.

            Na última pergunta, Kardec questiona se o espírito pode extrair do elemento universal, o que for preciso para escrever em um papel, possibilitando a explicação para o fenômeno da pneumatografia. A resposta é que sim, o espírito pode fazer isso.

            Resumindo as perguntas acima: o espírito tira da matéria/elemento universal     os elementos necessários para formar os objetos que desejar, esses objetos têm existência temporária, determinada pela vontade do espírito que os criou. Assim como a visibilidade e a tangibilidade desses objetos.



            Como último ensinamento desse capítulo, aprendemos que a existência de uma matéria elementar única é verídica. Todos os corpos da natureza nascem de tal matéria e as propriedades desses corpos vem das transformações sofridas por ela. Além disso, essa matéria pode sofrer adição de outras substâncias. Como exemplo a magnetização da água, o magnetizador transmuta, por meio dos fluídos magnéticos (substância que mais se aproxima da matéria cósmica universal) adicionando as propriedades desejadas por ele ao liquido. Assim como o espírito pode transmutar a água, ele pode produzir um efeito benéfico no organismo dos encarnados, sendo esse efeito chamado de passe ou cura por imposição das mãos.

Analisando os ensinamentos pela ótica umbandista podemos dizer que os espíritos dispõem do fluido universal e são mestres na manipulação e aplicação desse fluído energético. O fluído universal é energia inesgotável e de muito poder que vem de Olorum. Sendo assim os espíritos usam a energia universal para plasmar o que julgam necessário no momento, sendo uma roupa ou elementos de trabalho, podendo também direcionar essa energia para um encarnado, no momento do passe, cura ou fluidificação. Nos casos de passe, a energia irá atuar nos chakras e corpo espiritual, limpando-os e alinhando-os para que o equilíbrio e bem estar possam retornar ao corpo físico. Na fluidificação, a energia universal será adicionada ao líquido e este poderá produzir efeitos benéficos aquele que beber.

Layla de Omolu

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Bicorporeidade e transfiguração


Bicorporeidade e transfiguração


    Dando continuidade ao estudo do Livro dos Médiuns, falaremos hoje sobre o capítulo 7, segunda parte: Bicorporeidade e Transfiguração. 

    O capítulo se inicia contando histórias de pessoas que tiveram algumas experiências com visitas espirituais de pessoas vivas e explica também que quando adormecemos nosso espírito ganha mais liberdade, em relação ao corpo físico. Dessa forma, seria possível ver esses espíritos transitando, mesmo estando encarnados. 

    Kardec mostra depoimentos que exemplificam essas situações, como o de uma mulher que via em seu quarto uma menina que vendia frutas no seu bairro, só se conheciam de vista e, no momento que este fenômeno aconteceu, sabe-se que a menina estava dormindo. Outro caso é de um senhor que viu em sua casa uma jovem vestida de noiva no dia de Corpus-Christi, assustado, perguntou para a vizinhança se tinham visto alguém assim nos arredores da casa, mas não haviam visto ninguém. Um ano depois, na mesma data, em uma procissão, esse mesmo senhor viu novamente a jovem vestida de noiva. A jovem também se assustou e disse ao senhor que o havia visto naquela mesma data há um ano atrás. 

    O processo de bicorporeidade ocorre quando, isolado do corpo, o espírito de um vivo pode se mostrar com todas as aparências da realidade. Tornando-se momentaneamente perceptível. Na umbanda esse fenômeno é citado como desdobramento astral, onde o corpo físico adormece e o corpo espiritual se projeta por vários locais, podendo ter contato com pessoas já falecidas ou não. É importante lembrar que isso só acontece com a permissão de guias e mentores espirituais, se estivermos bem preparados e se o processo for necessário para nosso aprendizado. Devemos sempre nos preparar para que, no caso de vivenciarmos tal fato, o mesmo possa ser fonte de conhecimento. Meditar, fazer nossas orações e firmezas antes de dormir são algumas formas para auxiliar os trabalhos, assim ao despertarmos não estaremos “cansados”.

    Kardec também fala sobre “Homens Duplos” e conta que é possível se mostrar simultaneamente em dois lugares distintos, um corpo sendo real e o outro uma “aparência”. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e o segundo a vida anímica. Ao acordar os dois corpos se reúnem e a vida anímica penetra o corpo material.  Não parece possível que, quando separados, os dois corpos possam gozar simultaneamente e no mesmo grau da vida ativa e inteligente. 

    A transfiguração consiste na modificação do aspecto de um corpo vivo, temos um exemplo de uma  jovem de uns quinze anos gozava da estranha faculdade de se transfigurar, ou seja, de tomar em dados momentos as aparências de algumas pessoas mortas. Esse fenômeno repetiu-se centenas de vezes, sem qualquer interferência da vontade da jovem. Muitas vezes tomou a aparência de seu irmão, falecido alguns anos antes, reproduzindo-lhe não somente o semblante, mas também o porte e a corpulência. Um médico local, realizou a pesagem da moça antes e durante a transfiguração. O peso da moça era quase o dobro.

    A explicação para o termo transfiguração seria: ‘’Ação ou efeito de transfigurar ou transfigurar-se; metamorfose ou transformação. Ação de alterar radicalmente o aspecto, a forma. Alteração na maneira de pensar, de agir, de sentir.” No nosso entendimento umbandista, processo semelhante à transfiguração, guardadas as devidas proporções, ocorre durante a incorporação. O espírito (guia) se acopla ao médium, assim formando a terceira pessoa. Médium + espírito (guia)= terceira pessoa. Vale lembrar que a incorporação é um processo de muita responsabilidade, devendo ocorrer apenas em locais protegidos e sempre orientados pelos nossos mentores espirituais. O processo de incorporação não é uma possessão, e sempre ocorre com o consentimento do médium.

Clara de Oxum

terça-feira, 20 de julho de 2021

Manifestações visuais


 Manifestações visuais


    Daremos continuidade ao estudo do livro dos médiuns, hoje estudaremos os ensinamentos presentes no capitulo VI parte segunda: Manifestações Visuais.

    Devemos, primeiramente, fazer a diferenciação dos seguintes termos: visão, aparição e alucinação. A visão é a manifestação visual mais comum, que acontece durante os sonhos. Pode ser uma visão atual, relacionada ao momento presente, uma visão retrospectiva ligada ao passado ou, em casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Já a aparição ocorre enquanto desperto, enquanto gozamos plenamente de nossas faculdades. A alucinação é a explicação que os incrédulos atribuem para as manifestações visuais, ela exprime o erro, uma ilusão.

    Entre as manifestações dos espíritos, as visuais são as mais interessantes e mais “perigosas”, uma vez que os espíritos que se manifestam podem pertencer a qualquer classe, das mais elevadas as mais inferiores, podendo possuir boas ou más intenções. Ocorrem geralmente para mostrar que a alma conserva sua individualidade após a morte, que a morte é apenas um desprendimento da carne, uma alteração do estado físico. Devemos esclarecer que todos os espíritos são passíveis de se tornarem visíveis, no entanto nem sempre têm permissão ou vontade para tal. O principal objetivo daqueles desencarnados que se apresentam com má intenção é assustar e muitas vezes vingar-se. Já os com boas intenções vêm até nós para consolar, dar conselhos, provar sua existência e, até mesmo, pedir ajuda.

    Neste capitulo os reveladores nos lembram que o plano espiritual coexiste com o plano material, sendo assim, há espíritos nos rodeando a todo momento, da mesma forma como temos o ar que nos cerca, as células que constituem nosso corpo físico... Mas seria inconveniente se os víssemos constantemente, pois causaria uma perturbação muito grande, e, pensando estar sozinhos, agimos mais livremente. Os espíritos reveladores nos confortam ao esclarecer que não devemos ter medo das aparições pois são apenas espíritos, que devemos temer os vivos em nosso plano, visto que um espírito com más intenções não precisa necessariamente se colocar à visão, basta que exerça influência no pensamento do encarnado para induzi-lo ao mal. Por isso é importante mantermos os pensamentos positivos.



    Assim como todas as outras manifestações, a aparição está relacionada as propriedades do perispírito, estando sujeita a modificações de acordo com sua vontade. Kardec pergunta se os espíritos são capazes de se apresentar sob a forma de animais e os reveladores dizem ser possível, mas que nestes casos geralmente são espíritos muito inferiores. Ao contrário do que muitos pensam, nossos olhos não participam da visualização, mas sim a alma, prova disto é que mesmo com os olhos fechados as aparições podem ser visualizadas. É possível também que deixem impressões ao toque, se tornando momentaneamente tangíveis, palpáveis, provando que entre eles e nós existe matéria. 

    Durante o sono todos somos capazes de ver os espíritos, porém, quando em estado de vigília, é necessário que haja uma aptidão. Essa aptidão pode ser exercitada assim como os outros tipos de faculdades mediúnicas, mas os Reveladores recomendam esperar o desenvolvimento natural para que não surjam perturbações indesejadas.

    Ao analisarmos as informações contidas no capítulo, podemos observar diversas semelhanças entre o Kardecismo e a Umbanda. A visualização do plano espiritual sempre acontecerá com permissão e com um propósito. Podemos nos deparar com situações onde observaremos algum espírito em sofrimento que vem em busca de ajuda, da mesma forma um espirito de maior grau evolutivo pode se apresentar para nos solicitar auxilio. Sempre é importante questionarmos qual a finalidade daquele contato.

    Uma divergência entre a doutrina Kardecista e a da Umbanda praticada em nossa casa se mostra na pergunta de número 30, quando os reveladores destacam que os espíritos que se apresentam com formas de animais são muito inferiores. Em nossa doutrina temos diversos guias que se plasmam sob a forma de animais (como por exemplo os Caboclos Cobra Amarela e Pantera Negra) com o intuito de se adequar ao trabalho realizado por eles, não estando relacionado ao grau evolutivo. Para diferenciarmos as intenções daqueles que se manifestam à nossa visão, devemos sempre sentir a energia que eles transmitem, para que não sejamos enganados por maus espíritos.

Axé.

Pedro de Xangô e Larissa de Iansã

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Manifestações físicas espontâneas


 Manifestações físicas espontâneas


    
Estudaremos o Capítulo V – “Das Manifestações Físicas Espontâneas”, que se encontra na Segunda Parte do Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Este capítulo refere-se à análise das manifestações físicas ocorridas sem intervenção da vontade/involuntárias ou até mesmo contra a vontade. 
    Dentre os fenômenos espirituais já estudados anteriormente são muito comuns os ruídos e pancadas, mas deve-se sempre descartar as ilusões e causas naturais. Os ruídos espíritas tem intensidade e timbre bem variados e as pancadas são secas, ora surdas, fracas e leves, ora claras, distintas e, às vezes, retumbantes que alternam de lugares e se repetem sem regularidade mecânica. Esses ruídos e pancadas devem obediência e demonstram reconhecimento de uma causa de inteligência. 
    Certificado da manifestação espírita através de ruídos e pancadas não se deve ter medo, pois tais manifestações tem o propósito de chamar a atenção para algo ou de demonstrar a presença de uma força superior ao homem. Reconhecido o propósito, cessam os ruídos ou pancadas. Vários espíritos provocam os fenômenos por causas louváveis ou mesmo boas intenções como para se comunicar com certas pessoas, para dar recado ou aviso, pedirem algo para si ou para outros (ex.s: oração), solicitam, em nome deles, votos que não puderam cumprir ou para reparar uma ação má que não praticaram quando eram vivos, etc.

                                

    Contudo, existem vários outros tipos de manifestações físicas espíritas que podem levar a perturbações e estardalhaços (móveis e objetos derrubados, projetis lançados, portas e janelas são abertas e fechadas por mãos invisíveis, ladrilhos quebrados). Também podem acontecer de se ouvir tudo, mas quando se chega no local tudo está em ordem, e quando se sai começa toda a barulhada novamente.
    São manifestações de espíritos pouco evoluídos que os fazem por divertimento, que se agarram em frequência a um determinado indivíduo atormentando-o e perseguindo-o de casa em casa. Também poderão perseguir por vingança. Ocorre que, repita-se, não se deve ter medo, mas buscar saber o que querem esses espíritos, através de um médium respeitoso e, qualquer que seja o espírito, devemos sempre ter amor e oração/prece. Em capítulo próprio será tratada a questão referente às obsessões.
    Sempre se deve ter o cuidado de observar os fenômenos para verificar se são reais ou falsos, evitando a ilusão e fenômenos naturais, como já ponderado. Com relação aos casos de arremesso de objetos, os espíritos explicam que há sempre alguém encarnado por perto que o espírito utiliza sua energia para concretizar tais fenômenos. Essas pessoas, muitas vezes, não sabem que são usadas pelos espíritos e que são pessoas com faculdades mediúnicas naturais e avançadas. São raras as situações em que o espírito age sozinho, sem a energia de um encarnado. 
    No capítulo em referência, Kardec relata um diálogo com um espírito que provocava ditos fenômenos. Esse espírito explicou que apenas arremessava objetos que encontrava nas redondezas com a ajuda na energia de uma pessoa, mas que, se necessário fosse, também seria possível construir ditos objetos para conseguir seu intento. Ainda, os fenômenos de transporte têm a boa intenção do espírito e consiste no transporte espontâneo de objetos inexistentes nos lugares onde se encontram os observadores e são, na maioria, flores e, às vezes, frutos, confeitos, joias, etc.
    Kardec cita texto do Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, que explica ser o transporte o fenômeno mais raro, especialmente porque o espírito e o médium devem ter muita afinidade e semelhança capaz de permitir que a parte expansível do perispírito do encarnado se misture com o do espírito que tem a intenção de fazer o transporte, além do que a tangibilidade exige, também deve haver uma combinação muito especial para isolar e tornar invisíveis o objeto ou objetos destinados ao transporte.


    Em suma, os fenômenos de tangibilidade (ruídos, pancadas, arremesso de objetos etc) são frequentes, mas o transporte raramente acontece porquanto difícil de realizar, já que dependem de atos complexos entre espírito e médium. Sempre procure agir com honestidade, verdade e amor. “Falai com o coração”. Uma característica do fenômeno de transporte é que o médium somente o obterá em estado sonambúlico porque neste estado há o desprendimento natural ou uma forma de isolamento do espírito e do perispírito, o que facilita a combinação dos fluidos necessários. 
    Pois bem. Vejam que vários são os fenômenos espíritas involuntários que ocorrem em nosso meio, inclusive na Umbanda, e devemos sempre estar atentos a estes fenômenos, pois acontecem também como forma de algum espírito chamar a atenção para algo ou de demonstrar a presença de uma força superior. 
    Ainda, podem acontecer fenômenos como objetos lançados, movidos, etc, por espíritos zombeteiros, que pretendem apenas se divertirem, ou até mesmo espíritos vingativos. Cuidado devemos ter com nossa vibração, pois esses espíritos de uma vibração menos evoluída sintonizarão conosco apenas se estivermos na mesma frequência deles. Portanto, orai e vigiai sempre. Observemos e fiquemos atentos para excluirmos as ilusões e os fenômenos naturais, não confundindo com os fenômenos físicos espontâneos.
    No mais, a melhor conduta sempre é termos o amor no coração e agir com esse amor em relação aos nossos irmãos desencarnados que nos cercam (aqueles que nos auxiliam, os que nos pedem ajuda, os que querem retirar nossa energia magnética ou mesmo aqueles que pretendem nos prejudicar ou por qualquer outro motivo) e a oração sincera e verdadeira é a melhor solução.
    Axé e muita luz para todos e para nossos irmãos espíritos.


Girlei de Iemanjá

terça-feira, 13 de julho de 2021

Teoria das manifestações físicas

 
Teoria das manifestações físicas


    Dando continuidade nos estudos sobre o Livro dos Médiuns, trazemos hoje um ensaio sobre as manifestações físicas que os espíritos podem causar em nosso plano material, citado no capítulo IV, da segunda parte. Em seus estudos, o autor se depara com muitas indagações sobre qual a influência que o mundo espiritual exerce sobre nossos corpos materiais.
    Kardec questiona os espíritos em seus estudos com o intuito de investigar como tais fenômenos ocorriam, pois como já dito em textos anteriores, estavam sendo registrados eventos em que mesas e outros objetos se moviam através de influências sobrenaturais. Isso se deve ao fato de que espíritos são dotados de um fluido universal, que seria como um campo magnético. 
    Considerando que este capítulo foca mais nos fenômenos das mesas girantes, destaco alguns pontos: Uma combinação dos campos magnéticos dos médiuns presentes na sessão e dos espíritos é o que causa este fenômeno; Espíritos ditos inferiores (lembrando que na umbanda não cremos em castas espirituais, e sim padrões vibratórios) são os mais comuns a se aterem a tais fenômenos, dito que espíritos evoluídos não teriam interesse em comparecer a tais sessões. Como exemplo, um homem habituado ao trabalho acadêmico, teórico, não estaria tão apto para um trabalho de força física se comparado a um atleta.


    Esta combinação de fluidos (ou campos magnéticos) confere aos objetos uma espécie de “vida”, ou energia, que o faz se mover ou levitar, de acordo com o acontecimento momentâneo. Porém, essa energia atribuída ao artefato não é dotada de inteligência ou nada do tipo, é apenas uma força magnética que agirá sob o comando de um ser espiritual, encarnado ou não. Assim, quando um objeto é posto em movimento, levantado ou atirado para o ar, não é que o espírito o tome, empurre e suspenda, como o faríamos com a mão. O espírito o satura, por assim dizer, do seu fluido, combinado com o do médium, e o objeto, momentaneamente vivificado desta maneira, obra como o faria um ser vivo, com a diferença apenas de que, não tendo vontade própria, segue o impulso que lhe dá a vontade do espírito.
    Nem sempre a presença de um médium é necessária para que haja esta interação entre espírito e matéria. Caso tal ação seja oriunda de mal grado, um espírito pode sim interagir com a matéria e isso se deve à sua densidade energética elevada. No livro se utiliza muito a expressão “espíritos não evoluídos”, mas na nossa doutrina umbandista não acreditamos neste conceito e sim em espíritos que, por estarem sofrendo, são dotados de maior densidade. 
    Na época em que a obra fora redigida por Kardec, estas sessões de mesas girantes eram bastante comuns, e nem sempre os efeitos registrados eram os mesmos. A espiritualidade explicou ao autor que isso se deve a inúmeros fatores, o mais crucial seria a organização dos médiuns ali presentes. Hoje utilizamos a terminologia egrégora, ou seja, a somatória de energia ali concentrada naquele trabalho. Sabemos que a quantidade de médiuns pode ser indiferente para a execução de um trabalho espiritual, se não houver concentração energética por parte dos presentes. 
    Embora na Umbanda não ocorram sessões de mesas girantes ou mesmo a psicografia, que também ocorre pelos mesmos motivos supracitados, devemos compreender a natureza de tais fenômenos para que, se por acaso ocorra algo semelhante, não nos desesperemos. O princípio básico do Orai e Vigiai é o que devemos nos lembrar de que não estamos sozinhos e que temos Deus ao nosso lado para impedir que coisas ruins aconteçam. E claro, além disso, é necessário buscar auxílio do guia chefe da sua casa e a partir daí procurar uma solução. 
Axé!
Diego de Oxóssi

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Manifestações inteligentes


Manifestações inteligentes

 

O estudo que vamos realizar hoje trata- se de uma análise do capítulo III, da segunda parte do Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, sobre as manifestações Inteligentes.

Em busca do que parece ser de uma potência oculta, Kardec vai atrás de provas de uma inteligência existente em relação as manifestações espíritas pois tais fenômenos não provém da ação de uma corrente magnética, elétrica ou de um fluido qualquer.

Kardec faz a seguinte indagação: “Como todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente, ficou evidente que, mesmo admitindo que a eletricidade ou qualquer outro fluido exercesse uma ação, havia a presença de uma outra causa. Qual seria? E qual seria essa inteligência?"  A partir desse ponto começou sua observação. Iniciou o experimento da mesa girante, observado como primeiro efeito inteligente.



        A mesa obedecia a movimentos determinados, movia-se, levantava-se e dava pancadas sobre a influência de um ou mais médiuns e seus assistentes. Sem mudar de lugar, a mesa erguia-se alternativamente sobre o pé que lhe indicava, depois caía, batia um número de pancadas respondendo a uma pergunta. Outras vezes, sem o contato de pessoa alguma passeava sozinha pelos aposentos executando movimentos diversos. Concluiu-se então que uma manifestação inteligente se tratava de um ato livre e voluntário, exprimindo uma intenção ou respondendo a um pensamento.

Havendo inteligência oculta, seria possível obter respostas para perguntas feitas, o que de fato acontecia, a mesa respondia determinado número de pancadas. Pelo fato de as respostas serem insignificantes, surgiu-se a ideia de fazer com que a mesa indicasse letras do alfabeto que compusessem palavras e frases e, repetido o experimento por milhares de pessoas em todos os países, não restou dúvidas sobre a natureza das manifestações inteligentes.

Foi então que surgiu um novo sistema, uma nova experiência, que seria fazer esse contato através dos médiuns. As respostas trazidas através dos médiuns eram formais e fora do seu alcance intelectual, eram até dadas em línguas que estes ignoravam ou fatos que desconheciam. Foi-se aperfeiçoando a arte de se obter informações sobre o mundo dos espíritos. Estes indicaram outros meios e a eles se deve o das comunicações escritas, a psicografia, reconhecendo nesses fenômenos a intervenção de inteligências ocultas, a dos espíritos.

É importante observar que através dos seus experimentos e questionamentos Kardec nos trás a revelação sobre as manifestações, fatos que nos eram desconhecidos e por ele foram desvendados. Na Umbanda ocorre a manifestação do espírito para a prática do amor e da caridade, sem esses conceitos não há Umbanda; para nós as manifestações vêm através da incorporação, os espíritos de luz vêm para nos passar suas mensagens e seus ensinamentos, para nossa melhoria e evolução, nos auxiliando sempre para que nos tornemos pessoas melhores. Em todas as manifestações e a todo momento, estamos sempre aprendendo e colocando os ensinamentos em prática no dia a dia.

Railany de Xangô

terça-feira, 6 de julho de 2021

Manifestações físicas: mesas girantes

 

Manifestações físicas: mesas girantes

 

Neste texto abordaremos um contexto da doutrina espírita que está expresso no Livro dos Médiuns, capítulo II da segunda parte- Manifestações físicas: mesas girantes.

Sendo assim o assunto que irá se desenvolver ao longo do texto é sobre as diferenças entre as participações mediúnicas no espiritismo e na umbanda, por conseguinte também se desenvolverá sobre a doutrina das mesas girantes e os preceitos exigidos para uma manifestação.

Para entendermos as diferenças das participações mediúnicas no espiritismo e na umbanda temos que começar a falar um pouco sobre o começo das manifestações físicas por meio das mesas girantes, sendo esse fenômeno da doutrina espírita. As mais “recentes” manifestações físicas foram através das mesas girantes, uma vez que por meio delas os médiuns se reuniam e entravam em contato com o plano espiritual fazendo com que as mesas e objetos a sua volta se mexessem e estralassem, sendo essa a maneira com que as manifestações físicas eram demonstradas.



No começo dessas reuniões várias pessoas iam até os salões onde aconteciam tais fenômenos e admiravam como uma forma de distração, com o tempo as mesas girantes foram perdendo o interesse para a sociedade, de tal maneira que passou a “moda” e começaram a julgar esses acontecimentos.

Até mesmo os criteriosos e observadores deixaram de acompanhar e começaram a desprezar as mesas girantes, uma vez que perceberam que aquele fenômeno era algo sério e que iria prevalecer por um bom tempo e, com medo das consequências, começaram a menosprezar essa doutrina. O espiritismo foi alvo de preconceitos e rejeição, tal como a Umbanda, devido a acontecimentos dessa natureza.

Agora que explicamos sobre como funcionavam as manifestações físicas das mesas girantes, vamos entender sobre a participação mediúnica. No fenômeno espírita os médiuns deveriam participar da mesa girante para descobrir se realmente possuíam mediunidade e se poderiam novamente participar das reuniões, aqueles que não fossem médiuns não eram aceitos para participar.

Na umbanda considera-se que todas as pessoas são médiuns, alguns tem a mediunidade mais aflorada e outros que ainda precisam desenvolvê-la. Existem várias formas de mediunidade e cada pessoa desenvolve aquela que tenha maior necessidade no momento.  

Tanto no espiritismo, quanto na umbanda, existem preceitos que devem ser cumpridos e que seguem o mesmo raciocínio. Na hora da realização das manifestações é obrigatório ter recolhimento, absoluto silêncio e o mais importante, paciência e concentração para entrar em contato com o espiritual.

Espero ter ajudado com os seus estudos. Axé!

Lívia de Obaluaê

 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Ação dos espíritos sobre a matéria

 

Ação dos espíritos sobre a matéria

 

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, falaremos hoje sobre a ação dos espíritos sobre a matéria, tema do capítulo I, da segunda parte.

Descartando os argumentos materialistas, Kardec deixa uma reflexão já no início do capítulo: por que seres inteligentes, que vivem de algum modo em nosso meio, não poderiam de alguma maneira comprovar-nos sua presença? A crença de que os espíritos vivem concomitantes a nós é antiga, de todos os povos e está, além disso, confirmada nos livros sagrados. Nenhuma intuição sobreviveria por tanto tempo se não fosse bem fundamentada.

O que torna o fenômeno das manifestações dos espíritos incompreensível é pensar que a matéria está ausente neles e, dessa forma, não poderiam agir materialmente. Devemos nos lembrar que há no homem três componentes: a alma ou espírito, princípio inteligente onde reside o princípio moral; o corpo, envoltório que reveste temporariamente o espírito para objetivos providenciais; e o perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, um fio elétrico que liga a alma ao corpo.


    Após a morte há a desagregação do corpo, que é abandonado pela alma, no entanto, o perispírito nunca a abandona, ele segue, a reveste e, mesmo sendo etéreo e fluídico, não deixa de ser matéria. Desta forma, o conhecimento do perispírito é essencial para a explicação de problemas até então inexplicáveis. O perispírito é parte integrante do espírito, seja durante sua união como corpo o após a separação, eles nunca se separam. O espírito propriamente dito é como uma chama, o princípio intelectual e moral, ao qual não se saberia atribuir uma forma, mas em qualquer grau que se encontre, ele estará revestido pelo perispírito.

Durante a encarnação o perispírito serve como intermédio para todas as sensações que o espírito percebe, serve para recepção e transmissão de pensamentos, sensações etc. Ele adquire a forma humana e se apresenta, geralmente, sob a mesma forma de quando estava encarnado, mas sua matéria não é rígida como a matéria do corpo, é sutil, flexível, expansível e, por isso, tem a capacidade de se modificar de acordo com a vontade do espírito e até mesmo passar do estado sólido para o estado fluídico, alternativamente.

Podemos concluir que o espírito tem, portanto, necessidade de matéria para agir sobre a matéria e que o perispírito cumpre esse papel. Dessa forma todos os efeitos que envolvem a ação dos espíritos sobre a matéria entram na ordem dos fatos naturais e não há nada de sobrenatural na causa, que está inteiramente nas propriedades semimateriais do perispírito.

Pela ótica umbandistas percebemos a ação dos espíritos sobre a matéria da mesma forma que Kardec nos apresenta. O espírito, após compreender sua situação de desencarnado e adquirir certo grau de experiência, é capaz de se plasmar como deseja e da forma que melhor convém para a realização de seus trabalhos. Apesar de estarem sempre presentes, compartilhando do mesmo espaço, eles não se mostram a qualquer pessoa a fim de não gerar estranheza nos descrentes e de manter o equilíbrio entre os mundos. Como comprovação da existência e ação de tais espíritos, temos os guias que se apresentam em nosso terreiro para trazer ensinamentos aos que precisam de seu auxílio.

Axé.

Larissa de Iansã e Pedro” de Xangô

 

terça-feira, 29 de junho de 2021

Dos sistemas

 

Dos sistemas

 

O capítulo IV da primeira parte do Livro dos Médiuns nos fala dos sistemas de negação que os incrédulos e os inimigos do espiritismo criaram para “explicar” os fenômenos espíritas que a cada dia eram mais evidentes. Usavam inclusive argumentos que nem os espíritas tinham uma explicação uniforme para explicar tais fenômenos, situação essa, natural, pois toda ciência nova gera diferentes interpretações até que estabilize em algumas explicações mais uniformes.

São apresentados também sistemas que mistificam os fenômenos ainda que para enaltecê-los, como os que acreditam que se manifestam somente seres de luz, e são apresentados sistemas mais racionais e que condizem mais com as observações e estudos realizados a longo tempo. Ainda hoje é muito comum que incrédulos tentem explicar o que desconhecem, sendo a umbanda alvo de diversos preconceitos em função disso, vale a pena conferir cada um dos sistemas apresentados pois tanto o espiritismo, desde suas primeiras manifestações, como a umbanda nos dias de hoje são alvos de diversas delas, tais como, atribuir as manifestações a forças malignas, a um auto hipnotismo dos médiuns, ao charlatanismo etc.

Os fenômenos espiritas podem sem divididos em efeitos físicos e efeitos inteligentes. Os que não acreditam em espíritos não acreditam também nos efeitos inteligentes, uma vez que não reconhecem nada além da matéria e explicam os efeitos físicos com os quatro sistemas a seguir:


Sistema do charlatanismo: Nesse sistema os incrédulos explicam os fenômenos alegando que todos são fruto de enganação. Pois alguns dos efeitos podem e já foram imitados, sendo todos os espíritas ingênuos e todos os médiuns, para eles, enganadores. Para esse argumento o livro dos médiuns diz que os enganadores simulam várias coisas reais para tirar vantagem, nem por isso as coisas reais que eles imitam deixam de existir de verdade. Da mesma forma, não é porque alguns usam mal dos conhecimentos espirituais que nada dele é verdadeiro. Além disso, o livro comenta ainda que existem muitas pessoas de reputação inquestionável que afastam tal hipótese.

Sistema da loucura: Outros acreditam que os que não são charlatões são loucos, tendo a prepotência de se achar tão lúcidos a ponto de poder definir quem é louco ou não. É verdade que algumas pessoas, tanto do espiritismo como de qualquer outra religião ou crença possam ficar loucas, mas isso nada prova contra a religião.

Sistema de alucinação: Alguns dizem que na verdade não há o fenômeno, mas sim uma ilusão de ótica. Quando dizem que viram uma mesa se erguer e se mover no ar, para eles, na verdade, nada disso ocorreu. Tendo a pessoa sido enganada pelos próprios olhos. No entanto, muitos já passaram por debaixo de tais mesas e puderam conferir que a mesa estava realmente “flutuando” e muitos em conjunto viram as mesas se movendo rapidamente, será que haveria uma ilusão de ótica de todos eles?

Sistema do músculo estalante: Para o fenômeno de batidas em uma mesa, um cientista alegou que se tratava não de batidas na mesa, mas sim “contrações voluntárias, ou involuntárias, do tendão do músculo curto-perônio”. Ou seja, seria mais uma ilusão causada pelo próprio corpo de quem vê o fenômeno. Para esse argumento o livro comenta que nem todos que assistem ao fenômeno tem a faculdade de causar estalos com o referido tendão e que não é possível um barulho no interior do observador se manifestar em outro objeto distante desse. Além disso, mesmo que o fenômeno em questão fosse explicado por isso, ainda haveria muitos outros que não poderiam ser explicados da mesma forma.

Sistemas das causas físicas: Essa teoria dizia que os movimentos de objetos poderiam ser explicados pelo magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer. Caso os fenômenos fossem apenas físicos essa teoria poderia ter durado mais tempo, no entanto as batidas e os fenômenos muitas vezes se mostravam inteligentes, não podendo ser explicado puramente através de causas apenas físicas.

Sistema do reflexo: Surgiu também a hipótese que o que o fenômeno expressava era o reflexo do pensamento do próprio médium ou dos assistentes, mas isso com o tempo foi descartado, uma vez que não era raro o fenômeno responder com pensamentos diversos dos que acreditavam o médium e os assistentes. Além disso como explicar uma pessoa que não sabe escrever se comunicar escrevendo por simples reflexos, ou respondendo em línguas que desconhece etc.


Sistema da alma coletiva: Nesse sistema, acreditasse que nos fenômenos apenas a alma do médium se manifesta, no entanto estaria em contato com a alma de muitos outros vivos presentes e ausentes, formando um todo coletivo. Na obra em que está escrito esse sistema diz que: “Nada há de oculto que não deva ser conhecido!”. Essa teoria não tem nenhuma comprovação e claramente se vê que não é tudo que pode ser conhecido pelo homem.

Sistema sonambúlico: Já nesse sistema acreditasse que o conhecimento transmitido nos fenômenos também vem do médium, no entanto ele estaria em um estado alterado de consciência, como em um estado de inspiração, uma sobre-excitação momentânea das faculdades mentais. Ainda que o Livro dos Médiuns admita essa possibilidade, há casos que não podem ser explicados por essa teoria, como os médiuns que escrevem distraídos, como uma máquina, sem a mínima consciência do que estão escrevendo, e os que escrevem sem saber escrever, por exemplo.

Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco: acredita-se nas comunicações inteligentes, porém que somente os maus espíritos ou o diabo possam se comunicar. Essa teoria já teve muitos adeptos e ainda hoje tem uma pequena influência. O Livro dos Médiuns nos mostra que ela não faz sentido, uma vez que se Deus tudo pode, porque deixaria que apenas as más influências se comunicassem, seria mais sensato pensar que todos, tanto os bons quanto os maus têm essa faculdade. Outro aspecto que contradiz essa teoria é o de, em muitas comunicações, os espíritos pregarem apenas o bem e ensinarem formas de minimizar ou enfraquecer as influências negativas, se apenas os maus se comunicassem seria muito inconveniente para eles fornecer “armas” contra si mesmos.

Sistema otimista: Por outro lado, nesse sistema acredita-se que todas as comunicações provêm dos bons espíritos, uma vez que retirando a matéria, o espírito estaria com uma sabedoria suprema, nada para ele sendo oculto. Os que creem nessa teoria sofrem frustrações constantes ao verem manifestações de espíritos, não muito mais evoluídos que homens ruins, se manifestando, podendo-se constatar isso através do conteúdo de suas mensagens.

Sistema unispírita ou monoespírita: O referido sistema é uma variante do sistema otimista, os que acreditam nele creem que somente um espírito é responsável por todas as comunicações e fenômenos, sendo esse espírito o próprio Cristo. Creem que quando há comunicações desrespeitosas e ríspidas, tal espírito estaria testando os ouvintes. O Livro dos Médiuns trata como absurdo esse sistema e até mesmo uma blasfêmia com Cristo, uma vez que um espírito de tal grau de elevação seria incapaz de se sujeitar a comunicações de tão baixa vibração. Ainda argumenta que várias das comunicações são de parentes que já desencarnaram e que seria de uma atitude incompatível e sem proposito o próprio cristo se prestar a iludir os parentes de uma pessoa se passando por essa.

Sistema multispírita ou polispírita:  Esse sistema é fruto de uma longa observação e análise e é o que acreditam na maioria dos espiritualistas, é composto pelos seguintes fundamentos:

·         Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, às quais também se dá o nome de espíritos;

·         Os espíritos constituem o mundo invisível; estão em toda parte; povoam infinitamente os espaços; temos muitos, de contínuo, em torno de nós, com os quais nos encontramos em contato;

·         Os espíritos reagem incessantemente sobre o mundo físico e sobre o mundo moral e são uma das potências da natureza;

·         Os espíritos não são seres à parte dentro da criação, mas as almas dos que hão vivido na Terra ou em outros mundos, e que despiram o invólucro corpóreo; donde se segue que as almas dos homens são espíritos encarnados e que nós, morrendo, nos tornamos espíritos;

·         Há espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância;

·         Todos estão submetidos à lei do progresso e podem todos chegar à perfeição, mas, como têm livre-arbítrio, lá chegam em tempo mais ou menos longo, conforme seus esforços e vontade;

·         São felizes ou infelizes, de acordo com o bem ou o mal que praticaram durante a vida e com o grau de adiantamento que alcançaram. A felicidade perfeita e sem mescla é partilha unicamente dos espíritos que atingiram o grau supremo da perfeição;

·         Todos os espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens; indefinido é o número dos que podem comunicar-se;

·         Os espíritos se comunicam por médiuns, que lhes servem de instrumentos e intérpretes

·         Reconhecem-se a superioridade ou a inferioridade dos espíritos pela linguagem que usam; os bons só aconselham o bem e só dizem coisas proveitosas; tudo neles lhes atesta a elevação; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.



Sistema da alma material: Por último esse sistema somente diz sobre uma opinião particular sobre a natureza da alma. Para ele, alma e perispírito não seriam distintos. O perispírito seria a própria alma que estaria a se depurar gradualmente. A doutrina espírita considera o perispírito simplesmente como o envoltório fluídico da alma. Sendo matéria o perispírito, se bem que muito etérea, a alma seria de uma natureza material mais ou menos essencial, de acordo com o grau da sua purificação. O sistema em questão não contradiz qualquer dos princípios fundamentais da doutrina espírita, uma vez que não altera questões como o destino da alma; as condições de sua felicidade futura.

Tendo findado o estudo de todos esses sistemas de forma simplificada, fica claro que somente a experiência real e contínua com a espiritualidade pode nos levar mais perto do entendimento dos mistérios relacionados aos fenômenos espirituais. Fica claro também que muitas das explicações dadas para explicar tais fenômenos são extremamente sem fundamento, criada por pessoas que muitas vezes nem mesmo viram esses fenômenos e, se viram, viram de forma parcial (apenas comunicações de baixa ou alta vibração). Tudo isso gera um enorme preconceito com as religiões espiritualistas como o espiritismo, a umbanda, o candomblé e outras mais.

Axé

Ricardo de Ogum Matinata