Asé
Em nosso universo, para além do que podemos ver, tudo é circundado por uma “energia cósmica” que nada mais é que o princípio das coisas, é aquilo que nutre e traz vitalidade para a natureza, os animais e para nós, seres humanos. Ao longo do tempo, foram atribuídos diferentes nomes, por diferentes pessoas, para essa energia cósmica:
● Na yoga é chamada de Prana;
● Hermes Trismegisto a chamou de Telesma;
● O povo Yorubá a chamou de Asè, o que pra nós, umbandistas, nada mais é que nosso Axé.
Em Yorubá, esse termo Asè (Axé) significa REALIZAR. Se pararmos para pensar, tudo que está presente no universo, o que vemos e o que não vemos, é nutrido por essa energia. Logo, podemos entender, assim como o povo Yorubá, que tudo que conhecemos hoje, todo o princípio, cada partícula, molécula, energia e matéria é uma realização de Olorum, sendo o Axé uma força vital para nossas vidas.
Todos nós absorvemos, metabolizamos e doamos energia o tempo inteiro, seja para o ambiente, para objetos ou pessoas à nossa volta, seja dentro ou fora de um local sagrado. Assim precisamos compreender que essa energia está em movimento o tempo inteiro e que precisamos nutrí-la, cuidá-la e desenvolvê-la diariamente. Por ser uma energia, o Axé pode ser aplicado a diversas afinidades, pode ser absorvível, desgastável e acumulável. Podemos observar e sentir diferentes intensidades, cargas energéticas e diferentes manifestações, como por exemplo: cada Orixá possui uma energia diferente, o Axé vindo da irradiação de Ogum ou Iansã é diferente do Axé presente na irradiação de Oxalá e Nanã. Não significando que são energias mais fracas ou fortes que a outra, mas sim que são energias que vibram de formas diferentes, trazendo, cada uma delas, uma frequência e um Axé diferente uma da outra.
Aproveitando o exemplo dos Orixás, uma maneira de podermos sempre realimentar e estarmos mais próximos desse Axé é fazendo nossas oferendas sempre com muito respeito, com a cabeça firme e com calma, para podermos conseguir nos conectar, absorver e sentir essa energia divina em nossas mentes e em nossos corações. No mundo de hoje, com todas tecnologias disponíveis tão facilmente, com nosso modo de vida rápido e, muita das vezes, no automático, precisamos ter um trabalho redobrado ao cuidarmos do nosso Axé. Estamos sempre muito preocupados com o trabalho, com os estudos, com cuidarmos das pessoas que amamos, sempre buscando resolver problemas o tempo inteiro e acabamos esquecendo de cuidar de nós mesmos e da nossa energia. Às vezes vivemos tão no automático que chega a ser imperceptível, porém precisamos sempre buscar nos conectar com nossa ancestralidade, com o divino e com o Axé que está sempre à nossa volta, mas esquecemos de enxergá-lo.
Dito isso, quero convidar cada um para cuidar de seu Axé, tire um tempinho do seu dia, todos os dias, mesmo que seja pequeno, para meditar e conectar-se consigo mesmo e com seu Orí, observe e sinta mais a natureza, mas faça com calma: sinta a brisa dos ventos, pare para ver um pôr do sol, observe a lua e seus sentimentos em cada fase dela, sinta a força das matas, das águas, das pedreiras, pois o Axé também está em cada uma dessas forças, ele está nos animais, nas plantas, nos minerais, está nos gestos, nas pessoas, nos pensamentos, nas falas, nosso Axé nos acompanha sempre, para além do terreiro. E como qualquer outra energia, é preciso ser cuidada, ser renovada e recarregada.
Que seu Axé seja leve!
Isabela de Iansã