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quinta-feira, 28 de maio de 2026

O arco-íris e a serpente

 O arco-íris e a serpente

O culto a Oxumarê teve origem em terras Mahin, do antigo Daomé, na região de Ifé, é chamado de Ajé Sàlugá, e é cultuado como a força que irá proporcionar riqueza a todos os homens. Seu nome possui raízes iorubás, significando “serpente que se move” ou “aquele que é dono do arco-íris”. “Òsù” é associado ao movimento e continuidade, já “Marè” remete à ideia da cobra, de algo que se alonga, assim como as serpentes. Dessa forma, pode-se entender a tradução como “a serpente do movimento contínuo”.

Oxumarê é o Orixá que personifica a mobilidade e a dualidade, sendo essa dualidade muito distante da confusão, representando para seus filhos a complementaridade e equilíbrio da vida. Oxumarê representa o eterno retorno, a renovação das energias, personificando a força do princípio e do fim, o masculino e o feminino, a transição de estados na matéria. Sua força traz a capacidade de unir energias opostas, como a união entre a água e a terra, a mortalidade e a imortalidade, proporcionando o início e o fim dos ciclos, atuando na renovação dos seres e conectando nosso mundo físico ao espiritual.

Os itãs iorubás, contam que Oxumarê, filho de Nanã, tinha como sua missão levar água para saciar a sede do mundo, trazendo o arco-íris após cada chuva, o qual simboliza esperança para que dias melhores aconteçam e, que ao final de seu arco-íris, terá prosperidade e abundância para seu povo. Oxumarê é a energia necessária para fazer com que o vapor da água ascenda até o céu e caia novamente sobre a terra em forma de chuva para os homens. Ademais, nos cultos iorubás, o arco-íris é um elemento divino e ativo, simbolizando a ponte entre o céu e a terra, seria o caminho por onde as forças divinas transitam, interligando o mundo espiritual e o material.

Outro símbolo importante deste grande Orixá é a serpente. Oxumarê representa tudo aquilo que é alongado, ele cuida desde o cordão umbilical dos recém nascidos até os ciclos durante toda a vida de cada filho. Oxumarê se manifesta como uma cobra que engole sua própria cauda, representando o eterno retorno e o ciclo da vida e da morte, da criação e da destruição, como também a continuidade, do movimento que nunca para. Assim como Oxumarê, a serpente também traz dualidade, ela pode curar, mas também mata, sendo muito temida e reverenciada. Traz também o ensinamento de renovação, da busca pela transformação constante e da adaptação, possibilitando que a pele velha se desfaz, dando lugar a uma nova pele.

Falado em mudanças e transformações, diferente de Iansã, a mudança de Oxumarê é uma mudança cíclica e contínua, associada, muitas vezes, com renovação periódica de um ciclo, trazendo prosperidade em um movimento serpentino (lento e ininterrupto). Oxumarê traz mudanças com constância, assim como as estações do ano, construindo estabilidade, de forma lenta, através de seu movimento. Por outro lado, o movimento de Iansã é impetuoso e avassalador, assim como os ventos e as tempestades, chegam e exigem ações rápidas, sendo uma mudança brusca e libertadora. Sendo assim, Oxumarê nos ensina constante adaptação aos ciclos e Iansã ensina a ter forças para mudar quando a vida nos exige coragem.



Oxumarê nos ensina que nada é estático, assim como a serpente que sempre muda de pele e o arco-íris vem após a chuva e sempre desaparece, a vida também se movimenta. Nos ensina que é importante não estagnar diante dos desafios, nos mostra que é importante e preciso dar pequenos passos constantemente em busca da evolução. Oxumarê traz o aprendizado que precisamos ser flexíveis, assim como o arco-íris se curva no céu, devemos nos adaptar à vida e suas mudanças. 

Esse grande Orixá nos mostra a valorizar diferentes forças e emoções que habitam nosso corpo físico, nos faz buscar a integração entre a razão e a emoção, o espiritual e o físico, nos ensina a acolher nossa totalidade, por mais contraditória que seja. Oxumarê nos mostra que, assim como no final de seu arco-íris existe um pote de ouro, há também esperança e beleza após as dificuldades da vida.

Que possamos cultuar a grande força de Oxumarê com respeito e sabedoria, para que nunca nos falte prosperidade e movimento constante.

Arroboboi, Oxumarê!

Isabela de Iansã