sexta-feira, 28 de junho de 2019

Desigualdades Sociais

Desigualdades Sociais

No nono capítulo da terceira parte do livro dos espíritos, são discutidos aspectos da lei de igualdade, tais como igualdade natural, desigualdade de aptidões, desigualdades sociais, desigualdade das riquezas, as provas de riqueza e de miséria, igualdade de direitos entre os gêneros e igualdade perante o túmulo. 

Todos esses temas são de grande relevância e fazem referência a algo que, se analisado perante apenas a visão limitada dos homens, dão a impressão de que a vida na Terra seria injusta, com muitas facilidades para uns e muitas dificuldades para outros.   Mas, se analisarmos mais amplamente em um contexto espiritual, veremos que tudo é justo conforme a lei de Deus. Neste texto, aprofundaremos a análise sobre as desigualdades sociais e analisaremos as perguntas e respostas do livro dos espíritos sobre esse tema tentando vinculá-los à visão umbandista.

Na pergunta 806, é perguntado ao espírito da verdade se a desigualdade de condições sociais seria também uma lei da natureza. A resposta do espirito é que não, a desigualdade social é obra dos homens e não de Deus.


Continuando com essa pergunta, o entrevistador pergunta se algum dia essa desigualdade desaparecerá. O espírito da verdade responde que somente as leis de Deus são eternas e que a desigualdade social com o tempo vai se apagando. Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar e restará apenas a desigualdade de merecimento. Chegará um dia em que os homens deixarão de considerar-se como de sangue menos ou mais puro, somente o espírito é mais ou menos puro e isso não depende de posição social. 

Na pergunta seguinte, de número 807, é perguntado sobre o que pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos. O espírito responde que merecem ser condenados. Serão posteriormente oprimidos. Renascerão numa existência em que sofrerão tudo aquilo que fizeram os outros sofrerem.


Em uma análise umbandista do que foi discutido, é possível reconhecer que as desigualdades são fruto do egoísmo e do orgulho humano e seus excessos. No entanto, vale acrescentar que essas desigualdades podem ser utilizadas para o aprimoramento do espírito que pode ter tido piores oportunidades em uma existência e julgou seu semelhante que teve melhor sorte, que possa ter dito que seria fácil estar em seu lugar, que faria muito mais se tivesse as mesmas oportunidades. 

E também o contrário, aquele que teve a sorte de nascer em uma classe social elevada, que julgou o semelhante por não ter estudado, por exemplo, por não conseguir ter as mesmas condições que teve ou os mesmos bens, por ter se aproveitado do poder e do dinheiro para se beneficiar mesmo à custa da desgraça de outrem. 

Não seria uma grande oportunidade se um se colocasse no sapato do outro? Veriam que nenhuma dessas vidas é assim tão fácil e que cada um passa pelas dificuldades que tem que passar e que atrai. 


Com isso, não queremos dar a impressão de que não podemos buscar evoluir de posição social, podemos sim, é claro. Cada um atrai para si o que vibra, luta e o que busca. Nem sempre é possível alcançar esses sonhos, mas é preciso lembrar que os verdadeiros objetivos, os mais importantes, são os do nosso espírito (Somos antes de tudo espíritos e não homens) e talvez um enriquecimento não seria bom para aquilo que se almejou antes da reencarnação. Realidades diferentes, cada um carrega sua cruz, não cabe julgarmos. O rico de hoje pode ser o pobre de amanhã e vice-versa, nesta vida, ou em outra encarnação. 

Por fim, é importante dizer que, mesmo essas desigualdades sendo utilizadas para o aprimoramento do ser, isso não impede que a sociedade a diminua ou a elimine, pois sempre haverá outras formas e dificuldades para a lapidação do espírito.

Ricardo de Ogum Matinata

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Igualdade Natural

Igualdade Natural 

O texto tratará sobre IGUALDADE NATURAL, assunto presente na terceira parte do livro dos Espíritos capítulo IX. 

Somos partes iguais de um mesmo bolo, o recheio é outra coisa.

Igualdade significa ausência de diferenças. É quando todas as partes estão nas mesmas condições, possuem o mesmo valor ou são interpretadas a partir do mesmo ponto de vista.

A pergunta 803 diz o seguinte: “Todos os homens são iguais perante Deus?”


Todos nós sabemos essa resposta, mas, muitas das vezes, quando não interiorizamos a Lei da Umbanda nas nossas atitudes, nos nossos pensamentos, no nosso falar, achamos que Deus dá privilégio a algumas pessoas. 

Mas não, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Frequentemente dizeis: O sol brilha para todos, e com isso enuncia que todos temos a mesmas oportunidades, de aprimoramento, arrependimento, de negação, de praticar a caridade. Todos nós temos um recomeço, a lei de Deus é absoluta.

O Preto Velho Pai Barnabé fez a seguinte analogia: Deus fez um bolo e repartiu tudo do mesmo tamanho, o recheio é outra coisa. O recheio seria os orixás que regem cada um, por isso as diferenças. Diferença necessária para nossa evolução. Se todos fossem iguais não precisariam existir muitos e sim só um.

Kah de Obá

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Influência do Espírito no Progresso

Influência do Espírito no Progresso

Para um melhor entendimento do tema a ser abordado, começaremos com uma questão base: o espiritismo tornar-se-á uma crença popular ou permanecerá limitado a algumas pessoas?

Seguramente pode se dizer que ainda há de ser uma crença popular, pois todo conhecimento que nos é possibilitado, ora ou outra, vem à tona, toma seu lugar entre os demais conhecimentos. Até que isso venha a acontecer, há um caminho muito grande a ser percorrido, grandes lutas a sustentar, mais contra o interesse do que qualquer outro aspecto, pois há um embasamento muito forte ainda, na sociedade, do cristianismo, o qual não compete com crenças espíritas.

O tempo é o melhor condutor da transformação, tudo se dá através dele, as mudanças, a evolução, a experiência (tanto no mundo material quanto em espírito). Contudo, será um caminho mais rápido do que foi o cristianismo, pois este tinha toda uma criação, instrução e algo pra destruir, o espiritismo só tem o que EDIFICAR(no sentido de induzir à virtude pelos bons exemplos seguidos).


Por mais que haja pessoas e crenças que contrapõem ao espiritismo, ele pode sim contribuir para o progresso geral. Como? Com a destruição do materialismo, uma das maiores doenças da sociedade. O espiritismo nos ajuda a encontrar e entender onde estão nossos verdadeiros interesses, mostra que a verdadeira importância não é o que temos, mas o que somos e o que fazemos para com nossos semelhantes. Isso se dá através da destruição de preconceitos (nos mais diversos âmbitos, como: religião, classe, etnia, etc.) ensinando a solidariedade e o amor ao próximo, unindo-nos como irmãos.

O homem não pode ser transformado ou moldado como em um encantamento, um passe de mágica; são mudanças gradativas. Pensar que esse "encantamento" é possível, é acreditar que se conhece tão pouco o homem. A cada geração, um fragmento desse molde se dissipa, uma parte daqueles velhos hábitos se quebra, e é assim até que se esgote. Por mais que durante essa dissipação fosse resolvido apenas um problema, apenas um desvio de conduta ou um desvio moral, ainda assim seria um grande passo, pois o primeiro passo é que impulsiona os demais.


Outro questionamento muito comum é: por que esses ensinamentos nos foram passados no passado e vêm ser transmitidos apenas agora? A resposta se baseia em duas palavras: TEMPO e CAPACIDADE. Tempo certo para se obter a capacidade necessária para a compreensão de tal assunto. Não se ensina a uma criança o que está em nível de compreensão de um adulto, pois esta não tem a capacidade de absorção necessária e entendimento sobre aquela questão específica. 

Árvores não nascem subitamente, é preciso de cuidados, do adubo, da água para então após muito tempo ela vir a florescer e dar frutos. Quando mais se cuida, mais as raízes se aprofundam, sua base se torna sólida.

Visto que o espiritismo marcará o progresso da humanidade, por que os espíritos não o aceleram? Porque estes trabalham sob as leis divinas. E até mesmo Deus respeita as leis por Ele mesmo criadas, respeitando o tempo e a evolução de cada ser. Esse tempo é necessário para que sejamos convencidos pela razão, pela experiência e pela vivência, não pela força e pela imposição de crenças ou ideias. 


A umbanda é embasada na influência espiritual, onde ocorre também o trabalho através da incorporação (ou psicofonia, mais usado no espiritismo) para auxílio a quem necessita de ajuda, conselhos. Trabalha nossos próprios defeitos e para isso é necessário o autoconhecimento, precisamos reconhecer nossas falhas, para buscarmos uma forma de melhorarmos. 
A influência desses espíritos é para auxiliar-nos no crescimento moral e espiritual, induzindo sempre a melhorar as escolhas. Cada linha de trabalho é "ideal" para cada aspecto na vida:  pretos velhos trazem a paciência e humildade, os caboclos, conhecimento, as crianças, a pureza e alegria, Exus, os caminhos, auxiliando os que se perdem e agindo de acordo com o carma, Pombogiras, agem também no campo sentimental. 

Então, cada um destes influencia em um ponto específico da vida dos encarnados. Independente de qual ponto, esses guias buscam a ascensão espiritual juntamente a seus médiuns, evoluindo a cada passo, a cada trabalho, a cada ajuda e a cada conselho.

"Grandes são aqueles que sabem que a força espiritual é muito mais poderosa do que qualquer força material" - Ralph Waldo Emerson

Júnio de Oxalufã

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Progresso da Legislação Humana

Progresso da Legislação Humana

No livro III, capítulo 8, do Livro dos Espíritos, é tratado  sobre o progresso da legislação humana, onde a primeira indagação feita é sobre a possibilidade de a sociedade ser regida apenas pelas leis naturais sem o recurso das leis humanas. A reposta é que sim, caso os homens as compreendessem e quisessem praticá-las. 

No entanto, a sociedade tem suas exigências e precisa de leis particulares. A instabilidade das leis humanas está no fato dos mais fortes fazerem as leis a seu favor, havendo a necessidade de mudá-las na medida da compreensão humana sobre a justiça. As leis mais estáveis são aquelas feitas para todos e que se identificam com a lei natural.


No que se refere à necessidade de leis severas, sabe-se que uma sociedade depravada requer mais severidade em suas leis, sendo que, infelizmente, essas se destinam a punir o mal praticado e não o cortar pela raiz. Somente a educação pode reformar os homens.

A reforma das leis humanas ocorrerá naturalmente, pelas influências e circunstâncias. Muitas já foram reformadas e muitas outras ainda serão.


Lara de Ogum Iara

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Civilização

Civilização

 Dando continuidade ao Livro III dos Espíritos, no capítulo VIII, Kardec faz perguntas sobre a Civilização. Nesse texto irei explicar sobre o tema e como ele atinge nossos dias de hoje.

Antes de começar, vamos entender o que é uma Civilização. “Civilização é um substantivo que pode ser definido como o conjunto de caracteres próprios da vida social, econômica, cultural e política de um país ou região. Ou seja, civilização é o conjunto de tudo que é próprio de um cidadão. Se, a princípio, o significado de cidadão era algo restrito apenas a quem residia nas cidades, hoje se entende que o conceito de cidadão estende-se a todo aquele que faz parte de uma nação.” Tivemos desde a antiguidade diversas civilizações que, com suas formas distintas e suas leis, deixaram marcas que podem ser vistas até hoje desde a sua existência. Entre elas podemos citar três para que possamos entender, a civilização Egípcia, Grega e Romana. E o que seria um Ser civilizado? Aquele bem-educado, civil, cortês.


Pois bem, dando continuidade, Kardec inicia perguntando se a Civilização é um progresso ou decadência da Humanidade. Aos nossos olhos nos parece ser decadência, pois só vemos uma humanidade egoísta e cheia de orgulho. Mas os Espíritos respondem que é um progresso incompleto, pois como o próprio Kardec começa explicando em seu comentário no final das respostas, que assim como todas as coisas, a civilização tem seus degraus e os Homens ainda estão na infância desta, passando para a maturidade de se civilizar, porque nesse momento nossa sociedade ainda não pode dizer que está com a civilização completa. 

Na mesma pergunta, Kardec faz um acréscimo com outra, “É razoável condenar-se a civilização?”, os Espíritos respondem: “Condenai antes os que abusam dela e não a obra de Deus.”, A obra de Deus, a Lei do Progresso,  traz para que possamos viver em sociedade, com a nossa civilização, mas para que tenhamos essa civilização, precisamos de leis, ordens e pessoas civilizadas a fim de ter amor ao próximo. Kardec dá sequência questionando se algum dia sumirá todo esse mal que a civilização causa e por que ela não produz imediatamente o bem que poderia produzir. Os Espíritos explicam que “o fruto não pode vir antes da flor”. O mal da nossa civilização desaparecerá quando estivermos tão desenvolvidos moralmente quanto intelectualmente, pois o homem nos dias de hoje têm a inteligência avançada, nos mostrando isso através de sua ciência e tecnologia, mas não tem a moral totalmente desenvolvida, não estão preparados e nem dispostos a terem seu lado civilizado a fim de produzir todo o bem que a civilização poderia nos oferecer. Kardec finaliza suas perguntas sobre o tema, com a seguinte: “Por que sinais se pode reconhecer uma civilização completa?” os Espíritos deixam claro que só teremos uma civilização completa quando forem deixados de lado todos os nossos vícios, quando nos comportarmos como irmãos praticando a verdadeira caridade cristã.


Em uma conversa com um dos guias trabalhadores do nosso terreiro, Pai Zé Baiano, pelo médium Ederson de Ogum Xoroquê, o questionei sobre a nossa civilização nos dias atuais. 

O mesmo, acrescentando a resposta dos Espíritos sobre a civilização,  informou-me que a nossa civilização é incompleta por não termos amor ao próximo, por não olharmos para o próximo com amor, por estarmos sempre a favor do nosso ego e orgulho. Nós estamos sempre apontando o dedo para o próximo sem saber os caminhos que o outro teve que caminhar, sem saber as lutas  e dores que ele teve que passar para estar ali. 

Uma sociedade que vê que o outro precisa apenas de uma mão estendida ou um abraço apertado, mas que ainda assim deixamos nosso ego gritar dentro de nós e ao invés de ajudar, preferimos ou achamos mais fácil apontar, criticar.  

Pai Zé Baiano, com toda sua luz, continua dizendo que nos dias de hoje, nós, filhos de terra, vivemos em meio a sangues derramados ao chão, por falta de amor, por ambição de bens materiais ou vícios fúteis, que doenças psicológicas que existem hoje, como, por exemplo, a depressão, existe pelo mal da civilização, por tudo isso de ruim que optamos por fazer e oferecer, ao invés de usarmos a lei que Deus nos ensina sobre amar ao próximo, sobre caridade e sobre sabermos viver como irmãos. Segundo Pai Zé Baiano, saberemos que nossa civilização está completa quando a falta de amor não mais existir.

 “Não aponte um dedo, quando você aponta o dedo para o outro, você aponta quatro dedos para você mesmo… Não aponte um dedo, estenda a mão e ajude quem precisa.” - Caboclo Sete Flechas

Karol de Xangô

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Povos Degenerados

Povos Degenerados

Dando continuidade ao estudo do livro dos espíritos, no livro 3 capítulo VIII (povos degenerados) os espíritos no esclarecem sobre o progresso moral e intelectual, dando-nos um maior esclarecimento, no capítulo VIII, sobre progresso dos povos degenerados.
Retornando um pouco nos esclarecimentos fornecidos sobre a marcha do progresso, os espíritos nos dizem “O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade do homem por seus atos”. Meditando sobre a frase nos dita, podemos perceber que quanto mais o homem adquire conhecimento, mais responsabilidade terá sobre seus atos, pensamentos e conduta.

Kardec questiona na pergunta de número 786, sobre a recaída moral que ocorre com algumas populações após passarem por fortes comoções, abalos ou tragédias. E onde estaria o progresso nessas situações, pois o progresso acontece com todos a todo o momento. É-nos então explicado em uma comparação que, quando uma casa apresenta algum problema em sua estrutura, ela é derrubada para que uma nova, maior e mais confortável seja posta em seu lugar. Dessa forma, podemos ver o progresso ocorrendo, mas não devemos pensar que os povos que sofreram o dissabor da estrutura abalada possuem moral menos elevada. Esses povos abriram caminho para que seus irmãos se desenvolvam e melhorem ainda mais o que fora por eles deixado.


Esclarecem-nos também que um imenso número de espíritos elevados encarnados em nossa atual existência, com moral elevada, já foi, em períodos passados de nosso planeta, seres bárbaros que se desenvolveram com o passar de suas existências. E nos dizem também que as raças rebeldes ao progresso (progresso esse moral) estão fadadas a se extinguirem. 

Ao final do capítulo, questionados se algum dia todos os povos de nosso planeta se tornarão uma única nação, os espíritos nos explicam que isso não seria possível. Uma vez que existem diferentes climas, diferentes ecossistemas e que os povos de cada localidade precisam se adequar e evoluir conforme a natureza do local onde vivem. Mas nos dizem que a real união dos povos, em uma só nação, será pela CARIDADE, que deve ser o laço que une a todos nós. Para que dessa forma possamos crescer moralmente como UM, e nos aproximarmos de DEUS. Dessa maneira, nosso planeta irá repelir ou espíritos malfazejos, devido à diferença nas vibrações, de maneira natural. Até que esses se elevem e compartilhem da mesma caridade dos que em nossa Terra habitarem.


Ao analisarmos o referido capítulo sobre a ótica Umbandista, podemos perceber diversas semelhanças. O pilar de nossa amada Umbanda, “O desenvolvimento do espírito para a prática da CARIDADE”, é a fórmula para que possamos nos elevar e nos colocarmos em contato mais próximo com nosso criador. Outro ponto fundamental “A Umbanda tem fundamento e é preciso preparar”, a ignorância e estado de estagnação são os maiores escudos dos que se colocam contra a marcha do progresso. 

Acredito que a melhor frase para resumir o que nos foi explicado, unindo a doutrina Kardecista, O Evangelho de Jesus Cristo e a base da Umbanda trazida para nosso plano pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, seria “ Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.


Pedro de Xangô

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Marcha do Progresso

Marcha do Progresso

Prosseguindo com o estudo recém iniciado das Leis Morais, continuar-se-á a  desenvolver o Capítulo VIII da Parte Terceira de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. No que tange às Leis Morais, versar-se-á sobre a Lei do progresso, especificamente, a Marcha do Progresso, versada nas questões 779 a 785.

Para explicar inicialmente a matéria tratada de forma resumida, porém, objetiva e completa, o progresso deve ser entendido como evolução espiritual. É natural e involuntário, isto é, não é resultado de conhecimento adquirido ou acumulado como vários médiuns pensam e independe de nossa expressão de vontade. E por ser uma lei divina, não há uma forma de ser desconsiderada. Querendo ou não, de alguma forma, o ser humano vai evoluir conscientemente, sendo que essa questão da consciência de que está passando por evolução é a representação do respeito ao livre arbítrio de cada um, dogma tanto umbandista quanto kardecista.


O progresso é individual, cada um progride no seu tempo, conforme vai amadurecendo espiritualmente. Então, cada pessoa é responsável por sua própria evolução, pelos seus atos, pensamentos e decisões, quando a sua consciência está progredida. Outra característica dele é a progressividade, ou seja, o progresso é sempre crescente (para frente), não retroage (retorna ao estado anterior).

O progresso de um reflete no do outro, visto que temos a mesma essência/origem. E aquele que está mais progredido, retorna para ajudar aqueles que ficaram para trás, que progrediram menos, visando o objetivo final da providência. Existem duas fases internas, em se tratando de progresso, denominadas: progresso intelectual e progresso moral, respectivamente.

O progresso intelectual é aquele resultante das nossas experiências terrestres, das coisas que ouvimos, vemos, presenciamos, e tiramos daquilo algum conhecimento a ser aplicado, algum proveito. À medida que o espírito vai se aprimorando e progredindo nessa primeira fase, o desenvolvimento material, que compreende conquistas pessoais, profissionais, etc., vai se mostrando mais aparente, demonstrando a desnecessidade de ser continuado, o que não se deve acontecer. Essa fase ainda nos faz perceber o bem e o mal, para que possamos tomar decisões e decisões acertadas, dessa forma, a responsabilidade pelas nossas escolhas aumenta.


A questão 783 desencadeou uma resposta dos Espíritos Superiores esclarecedora no tocante ao resultado da ocorrência de fenômenos, tragédias e demais ocorrências que já aconteceram, que sempre são vistos com maus olhos. Devemos ter em mente que tudo o que acontece possui uma razão, uma justificativa divina. Então, quando é percebido que a evolução está muita lenta ou paralisada, isto ocorre para tirarmos um aprendizado, para que voltemos nossos olhos ao lado positivo das coisas. Esses acontecimentos demonstram a representação de Ogum, que diferentemente do que se pensa, não traz guerras e sim a paz, porém, para que haja a paz é necessário primeiramente que haja guerras, conforme já explicado anteriormente.

Mister se faz ressaltar que o egoísmo, o orgulho, a ignorância em todas as suas vertentes, o desinteresse em conhecimento, o estado de sentir que não há mais necessidade aprender nada, entre outras características afins, não fazem parte da marcha do progresso. Afinal, obstam, atrasam, mas não paralisam a marcha do progresso.


Encerrando, o progresso do homem interfere no desenvolvimento do planeta e o desenvolvimento coletivo ocorrerá quando estivermos na mesma frequência, em perfeita sintonia com as leis divinas.

A umbanda concorre significativamente com o progresso de cada um. A evolução espiritual é a maior de suas funções estratégicas. As entidades, através de suas orientações, trabalhos, mandingas, quebra de demandas, auxiliam com conhecimentos passados nos terreiros que devemos aplicá-los em nosso cotidiano. Para aprofundamento sobre o assunto, aconselhamos a leitura do livro Umbanda – Uma Escola Evolutiva, de André Cozta.

Axé!

Hélder de Logunam

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Estado de Natureza

Estado de Natureza

O Capítulo VIII da terceira parte do livro dos espíritos apresenta questões a respeito da lei de progresso, e às três primeiros perguntas, que estão sendo abordadas neste texto, fazem referência ao estado natural.

Na pergunta de número 776, é perguntado ao espírito da verdade se a lei natural seria idêntica ao estado natural. Como resposta, o espírito da verdade diz que são coisas distintas. Sendo que o estado natural é o estado primitivo, incompatível com a civilização. Já a lei natural contribui para o progresso da humanidade.

A lei natural é vista por nós umbandistas como sendo a manifestação da justiça divina, levando cada situação a quem é de direito, sendo lições, dificuldades,  recompensas e alegrias. Segundo essa lei, nada acontece na Terra sem a aprovação de Deus. Sendo assim, até as maiores atrocidades, covardias e injustiças aos olhos humanos teriam um propósito maior para o aprendizado e evolução dos envolvidos e até mesmo da humanidade.


Na pergunta 777, o entrevistador faz a observação que o homem em estado de natureza teria menos necessidades e por isso menos tribulações. Continuando nessa linha de raciocínio, ele pergunta se o homem nesse estado primitivo teria a mais perfeita felicidade na Terra. A resposta é que depende da ótica em que se vê. Essa felicidade é a felicidade do primitivo, do bruto. É ser feliz da mesma forma dos animais. E termina relatando que as crianças também são mais felizes que os homens feitos.

Como comentário, podemos acrescentar que é mais simples a vida sem tantas responsabilidades e problemas atuais, mas com certeza viemos a este mundo para explorar nossas potencialidades e gerar complicações para que possamos evoluir diante delas, como acreditam todas as religiões espiritualistas. Do contrário, qual seria o sentido da vida?


A pergunta 778 questiona se é possível o homem retornar aos seus estados primitivos. O espírito da verdade revela que não é possível. Que a evolução é algo natural do ser humano, pois foi criado por Deus desta maneira, segundo sua vontade. Pensar em retornar às condições mais primitivas seria negar a lei do progresso.

A resposta está condizente com o pensamento umbandista, uma vez que somos uma religião espiritualista e cremos na lei do progresso, sendo impossível o ser humano regredir em sua evolução.

Ricardo de Ogum Matinata

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Vida de Insulamento. Voto de Silêncio

Vida de Insulamento. Voto de Silêncio 

Dando continuidade aos estudos e textos acerca do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, neste texto abordaremos o tema apresentado no Capítulo 7 do Livro III, a Vida de Insulamento e o Voto de Silêncio.

Primeiramente, devemos compreender que o insulamento é o ato de se isolar da sociedade. Os espíritos são questionados sobre como o insulamento é visto por eles, e todas as respostas são categóricas e bem claras. O ato de se isolar da sociedade nada mais é do que um ato egoísta e não tem nada de benéfico ao nos isolarmos. O insulamento faz com que o ser humano se preocupe unicamente com seu bem-estar, esquecendo do amor e da caridade que devemos praticar diariamente. 

Na Umbanda, sabemos que devemos ter contato com a sociedade sim, pois é no dia a dia que devemos praticar os ensinamentos adquiridos no Terreiro. O insulamento é um ato egoísta, pois no dia a dia temos contato com as mais diferentes pessoas, das mais diferentes idades e gêneros. 


O contato com os irmãos nos faz refletir nossas próprias atitudes diárias, proporciona aprendizado, pois, ao vermos uma pessoa fazendo algo que, no nosso ponto de vista, é errado, teremos o senso crítico de não realizar o mesmo ato. O mesmo ocorre para ações positivas. Se observarmos uma pessoa fazendo algo que, no nosso ponto de vista, é bom (ou certo), tendemos a repetir a ação.  

Retornando ao Livro dos Espíritos, Kardec também apresenta esclarecimentos sobre o voto de silêncio. O silêncio é uma prática de recolhimento e de autoconhecimento, no entanto o voto de silêncio é desnecessário. A voz e a comunicação são faculdades essenciais ao ser humano. Seu uso abusivo ou a restrição do seu uso faz com que algo seja denegrido, com isso devemos ter a ciência de usar a voz e nos comunicar nos momentos certos e em quantidades exatas. 


Na Umbanda sagrada, as sete linhas são subdivididas em sentidos da vida: a Fé, o Amor, o Conhecimento, a Lei, a Justiça, a Evolução e a Geração. A Evolução então é feita por 2 orixás, que juntos trabalham para que o ser humano chegue ao equilíbrio da evolução vital. Um destes orixás é Nanã, dotada de sabedoria e  o outro é Obaluaê.

 Em linhas gerais, Obaluaê é o orixá do silêncio e da quietude. Para evoluirmos em nossa vida, precisamos ser silenciosos, no entanto silêncio no momento certo e da maneira correta. Por este motivo, a sábia Nanã está na Evolução com Obaluaê, pois devemos ter sabedoria para falar. Silêncio também não leva a nada, pois devemos conviver e compartilhar ideias e experiências com os irmãos, porque aqueles que compartilham ideias evoluem juntos.  


Victor de Oxumarê