quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Necessidade do Trabalho

Necessidade do Trabalho

O livro III do livro dos espíritos, em seu capítulo 3, fala sobre a necessidade do trabalho. Afirma-se que este é a Lei da Natureza, por essa razão que constitui uma necessidade, sendo que o espírito trabalha assim como o corpo, uma vez que toda ocupação útil é trabalho.

O homem trabalha por ser consequência de sua natureza corpórea, pois, se não o fizesse, continuaria na infância e não aperfeiçoaria sua inteligência. Tudo na natureza trabalha, limitando-se às suas necessidades e desenvolvimento intelectual. Os animais trabalham para sobreviverem e para cumprirem com os desígnios de Deus, contribuindo para a realização do objeto final da Natureza. Já o homem trabalha para conservar o corporal e desenvolver-se intelectualmente.


Em mundos mais aperfeiçoados também se trabalha, claro que na proporção de suas necessidades. Sem o trabalho o homem se tornaria inútil e inativo. Quanto aos homens que já possuem bens suficientes e que o trabalho não lhe é necessário para sua existência, entendemos que apesar de possuir bens materiais suficientes, este não se isenta do trabalho, muito pelo contrário, este se obriga a trabalhar pelos seus semelhantes, e aperfeiçoar sua inteligência. No que se refere às pessoas impossibilitadas ao trabalho, Deus quer que estes sejam úteis na medida de suas faculdades.

Por fim, fala-se da obrigação dos filhos trabalharem para os pais, assim como estes trabalharam para os filhos. Essa afeição recíproca foi criada para que existisse a ajuda mútua entre os membros familiares, no entanto, isso vem sendo deixado de lado pela nossa sociedade atual.


Na Umbanda, nossos mentores e guias espirituais nos orientam muito em nossos trabalhos terrenos. Devemos ter paciência, saber enfrentar as dificuldades impostas pelo ambiente de trabalho, para ver se de fato estamos aprendendo o que nos é ensinado, ter paciência com os novatos, ensinar com paciência e respeitar o tempo das pessoas, sendo que esse trabalho terreno é uma forma de evoluir pessoalmente também. Muitas e muitas vezes com o trabalho terreno sendo realizado, não conseguimos ver claramente que há um trabalho espiritual sendo executado também. Exemplo disso é quando, às vezes, em uma situação de extremo estresse, você consegue se blindar contra aquela energia negativa da situação conflituosa, através dos ensinamentos dos nossos guias.

Trazendo para o lado mediúnico, podemos citar que, ao abrimos as portas do terreiro para atendimento ao público, é um trabalho, é uma responsabilidade, um compromisso onde não visamos fins lucrativos e sim o progresso espiritual.  Onde cada irmão de fé tem sua função, tem sua importância, onde ninguém è melhor nem pior que ninguém. O trabalho é em conjunto onde temos que conviver com as diferenças de nossos irmãos com os quais aprendemos imensamente uns com os outros. E somos relembrados a todo o tempo, ao vermos os guias atendendo no terreiro, que, mesmo após o desencarne, o trabalho continua.


Bruno de Oxóssi

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Sacrifícios

Sacrifícios

Ainda do capítulo II, “da lei de adoração”, Kardec pergunta aos espíritos como o homem foi levado a crer que um sacrifício pudesse agradar a Olorum. Os espíritos responderam que, a princípio, fazia-se isso devido à falta de crescimento moral e à predominância da matéria sobre o espírito. Com a moral pouco desenvolvida, primeiro começou-se a sacrificar animais e mais tarde homens a fim de agradar o Criador, pois a princípio não o reconheciam como fonte de bondade. E, também, quando queremos agradar a alguém escolhemos aquilo que de melhor temos para entregar ao próximo.

Na pergunta 670, Kardec pergunta se alguma vez esses sacrifícios podiam ter agradados a Deus e a resposta é que não. Porém Zambi não os julgava, pois reconhecia seus filhos ainda como ignorantes. Portanto levava-se em consideração a intenção que presidiu o ato. Mais tarde, com o conceito moral aprimorado, o homem foi levado a rever seus atos praticados através dos sacrifícios e repará-los, enquanto outros, por sua vez, compreendiam o mal que praticavam e continuavam a fim de satisfazer suas paixões e prazeres.


Em seguida, é questionado a respeito das guerras santas, tendo o princípio de que elas são travadas a fim de mostrar ao outro a verdade de um Deus que acredita. Em resposta, dizem que esses atos são influenciados através de maus Espíritos e que isso contravém a vontade do Altíssimo. Zambi pede para que amemos o outro como a nós mesmos, portanto como faremos que o outro reconheça a presença do Criador em cada um de nós se mostrarmos a nossa perversidade e não o nosso amor? Portanto as ditas “guerras santas” é um ato falho da humanidade ainda imoral em tentar, pela força, mudar a ideia do outro. Os espíritos esclarecedores ainda dizem que nossos atos devem ser condizentes com nossas ações através do evangelho de Jesus.

Questionado é também se oferendas feitas de elementos naturais e alimentos da terra teriam mais valia do que sacrificar seres. Em resposta disseram que mais agradável é, pois não ocorre o derramamento de sangue de vítimas. E em seguida continua com a seguinte frase “... a prece proferida do fundo da alma é cem vezes mais agradável a Deus do que todas as oferendas que lhe possais fazer”.


Na pergunta 673 Kardec finaliza com a pergunta: “Não seria um meio de tornar essas oferendas agradáveis a Deus consagrá-las a minorar os sofrimentos daqueles a quem falta o necessário e, neste caso, o sacrifício dos animais, praticado com fim útil, não se tornaria meritório, ao passo que era abusivo quando para nada servia, ou só aproveitava aos que de nada precisavam? Não haveria qualquer coisa de verdadeiramente piedoso em consagrar-se aos pobres as primícias dos bens que Deus nos concede na Terra?” Em resposta, os Espíritos esclarecem que o melhor meio de honrar Olorum é praticar o bem. Deus ama o simples e o melhor que podemos fazer é seguir os passos de Jesus.

Vale ressaltar que na Umbanda, não há a prática de sacrifícios, isso se da desde de sua fundação. E nas religiões cujas práticas ocorrem, como é o caso do Candomblé  assim o fazem carregando todo um fundamento que deve ser respeitado. Portanto, como cabe somente a Deus julgar cada um de nós, lembremos que quando praticados, existe todo um preparo e um fundamento, por isso merece o nosso respeito e compreensão. 


Ryan de Oroiná

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Politeísmo

 Politeísmo

O segundo capítulo da terceira parte do livro dos espíritos aborda sobre o politeísmo. Nele o espírito da verdade responde perguntas sobre o motivo de terem sido criadas as crenças politeístas e o quanto os fenômenos espiritualistas contribuíram para que fossem formadas essas crenças. A seguir tentaremos discutir esse texto sobre a ótica umbandista, além de explicitar o porquê da umbanda não ser uma religião politeísta, embora alguns leigos a enxerguem dessa forma devido ao culto aos orixás.
É perguntado ao espírito da verdade o motivo de terem surgido tantas crenças politeístas durante os tempos, embora, segundo a crença espiritualista, existir na realidade apenas um Deus. Para essa pergunta, o espírito responde que a compreensão de um Deus único somente é possível através do desenvolvimento da consciência humana. Como resultado de sua ignorância, o homem era incapaz de conceber um ser imaterial e que seria responsável pela ordem de todas as coisas. Desta forma o ser humano conferiu a Deus atributos de natureza corpórea e a partir daí tudo o que não pudesse ser compreendido por sua limitada inteligência era taxado como obra de uma potência sobrenatural. Com isso foram “reconhecidas” tantas potências divinas distintas quantos os efeitos que pudessem observar. No entanto o espírito da verdade ainda respondeu que, durante todos os tempos, houve sábios homens que conseguiram entender que seria impossível a existência de poderes múltiplos regendo o universo, sem que houvesse uma direção superior e que por isso elevaram sua consciência à compreensão de um Deus único.

A segunda pergunta feita ao espírito da verdade questiona se os fenômenos espiritualistas, que ocorrem e ocorreram em todos os tempos teriam contribuído para a criação e expansão da crença na pluralidade de deuses. Para isso tendo respondido que sem dúvida alguma influenciaram sim, pois tudo o que era sobre-humano era visto como sendo obra dos deuses, desta forma os próprios espíritos era vistos como deuses. Além disso, quando um homem era reconhecidamente diferenciado, seja por suas ações, pelo seu gênio, ou por um poder oculto (mediunidade?) que nem ele e nem os outros compreendiam, esse homem era considerado como um deus e até mesmo era cultuado após a sua morte.

A palavra deus era usada pelos antigos de forma muito mais ampla do que atualmente. Não fazia referência apenas a um criador supremo, mas a todo ser existente fora das condições da humanidade. Como as manifestações espiritualistas revelaram a existência de seres incorpóreos, os mesmos foram denominados como deuses, hoje sendo conhecidos como espíritos.  É uma questão de uso das palavras, tendo como única diferença que eles eram influenciados pelos que tinham interesse a erguerem grandes templos e altares muito lucrativos a tais deuses, enquanto hoje são considerados como simples criaturas como nós, porém desencarnados, uns tendo maior desenvolvimento espiritual e moral e outros tendo menor. Quando se estuda atentamente os atributos dos deuses pagãos, é possível notar uma grande semelhança com os dos espíritos desencarnados, nos diferentes graus da escala espírita, comparando seus estados físicos, as propriedades do perispírito e os papéis que desempenham na Terra. O Cristianismo não surgiu com o propósito de destruir uma coisa que está na Natureza, apenas orientou a adoração a quem é devida.


Quanto aos Espíritos, permanecem nas crenças e lembranças, conforme os povos, sob diversos nomes, e suas manifestações, foram e são interpretadas de maneiras diferentes e muitas vezes exploradas sob o prestígio do mistério. Se para as religiões as manifestação desses espíritos são vistas como miraculosas, para os incrédulos não passam de pura enganação. Hoje, com os estudos advindos do Espiritismo e do espiritualismo em geral, eliminando as ideias supersticiosas que ensombraram a humanidade por séculos, nos revela um dos maiores e mais sublimes princípios da Natureza.

Muitos leigos confundem-se com o fato de a umbanda cultuar diversos orixás, devido a isso logo pensam que a umbanda seria uma religião politeísta. Ao conhecer os reais fundamentos da religião fica claro que o culto aos orixás não tem nada a ver com o politeísmo. A Umbanda é uma religião que crê em um único Deus, sendo os orixás apenas energias derivadas dessa energia suprema.


Ricardo de Ogum Matinata

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A Prece

A Prece

Dando continuidade nos estudos, o tema abordado hoje é sobre a prece, apresentado no Livro terceiro, cap. II.

A prece é o ato de adoração a Deus, pensar nele, aproximar-se dele e comunicar-se com ele. Pela prece se faz três coisas: louvar, pedir, agradecer.  A prece agrada a Deus sempre que feita com fé, com amor, com o coração, com sinceridade. Não precisa ser feita por frases prontas. Aquelas vindas do coração são as mais verdadeiras, ao contrário das dos lábios, que nada valem. É um socorro que não se é recusado, a não ser para aqueles que são egoístas, orgulhosos e fazem a prece em vão. Com estes, Deus não se sensibiliza, a não ser que a pessoa tenha um sentimento de arrependimento e humildade. Aquele que ora sempre se fortalece, pois Deus envia espíritos bons para assisti-lo e o livrá-lo de todo o mal.


A eficácia da prece depende da maneira como é aplicada. Aqueles que oram muito, mas fecham os olhos para seus próprios defeitos não terão o mesmo resultado daqueles que a usam como um estudo de si mesmo. Deus sabe diferenciar o bem do mal e ajuda e perdoa àqueles que oram e mudam suas condutas.

A oração tem sempre como objetivo o bem. Pode-se orar para si mesmo quanto para alguém. Nossos pensamentos e nossas vontades têm um poder de ação muito além do que imaginamos. Sendo assim, a prece pelo próximo feita com sinceridade e ardência, atrai os espíritos bons em auxílio daqueles por quem oramos, fazendo com que lhe surjam bons pensamentos e a força necessária que seu corpo e alma precisam.

Se a prece feita de coração, sinceridade, humildade pode ser atendida, será que se fizermos por nós mesmos para mudar a natureza de nossas provas e mudar nosso curso, será atendida? Segundo os espíritos, Deus não pode mudar a ordem da natureza, a oração atrai espíritos bons para nos ajudar a passar pelas provações com coragem e nos dão forças para suportar os obstáculos. Se for de seu merecimento, Deus sempre vai te escutar e ajudar, ele nunca te deixa na mão.


A prece também pode ser feita em benefício aos mortos e aos espíritos sofredores, mas não tem efeito de mudar os desígnios de Deus. Ela faz com quem espíritos do bem se aproximem e os ajudam consolando e dando esperança para um caminho melhor.

Na umbanda não é diferente. A oração é atendida de acordo com o merecimento de cada um, de acordo com a forma aplicada e as mudanças que cada um está fazendo para merecer o retorno. A oração não deve ser feita apenas no momento de desespero ou por obrigação. Deve ser feita como agradecimento também e no momento em que seu coração sentir vontade de fazê-la. 

Karine de Nanã

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Vida Contemplativa

Vida Contemplativa

O Livro III do livro dos espíritos capítulo 2 aborda o tema da vida contemplativa, ou seja, indaga-se se tem perante Deus algum mérito os que possuem uma vida contemplativa, e não fazem nenhum mal. 
Esclarece-se que não, pois, apesar de não fazer o mal, também não se faz o bem, sendo, portanto, inúteis. Ressaltando que o fato de não fazer o bem é um mal. Deus quer que pensemos Nele, mas não que nossa vida seja voltada só para Ele ao ponto de esquecermos de nossos semelhantes. Deus lhe pedirá contas do bem que não foi feito.
Sabemos que é necessário fazermos o bem e sermos caridosos independente de quem seja a pessoa que o necessita. 


Mas para nos tornarmos pessoas caridosas, precisamos de ajuda e de criar bons hábitos, e para isso recebemos o incentivo dos Orixás e entidades. Eles vão nos apoiar nesse caminho. 

Dar a mão a quem precisa sem esperar nada em troca, e ter a certeza de que sempre colhemos o que plantamos.


Luíza de Oxum

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Adoração Exterior

Adoração Exterior

O assunto a ser tratado hoje é a adoração exterior, constante do capítulo II, parte terceira do Livro dos Espíritos. Tal assunto corresponde à Lei de Adoração, que segundo a doutrina espírita, é uma das 11 leis morais.

A Lei de adoração consiste basicamente em termos como premissa elevar o nosso pensamento a Deus e cultuá-lo ou adorá-lo, independente do nome que se tenha costume de utilizar. E, diante disso, nos aproximarmos do Criador de tudo e de todos, inclusive dos Orixás que representam a essência divina através da natureza.

Especificamente sobre o tema em apreço, a questão 653 e sua alínea “a” indaga sobre a utilidade da adoração usar de manifestações exteriores, isto é, em um templo ou outro local sagrado, por meio de cerimônias ou outros meios, de forma diversa a realizada internamente através dos sentimentos que vêm do nosso coração. Os Espíritos Superiores que respondem à questão são bem claros no sentido de que toda forma de adoração é útil, desde que expresse a verdade daquilo que buscamos demonstrar. Temos que sempre lembrar de que Deus sabe de tudo que está acontecendo e sendo feito, portanto, Ele sabe quais são nossas reais intenções, mesmo que tentemos omitir.


A questão 654 tem o objetivo de descobrir se Deus prefere a adoração interna ou externa. É óbvio que Ele não tem preferência por nenhuma maneira. O que importa é a verdadeira intenção que é colocada, haja vista serem recebidas as adorações sinceras, que expressem a verdade no tocante aos sentimentos do nosso íntimo.

A questão 655 trata sobre aquelas pessoas praticantes de determinada religião, que vão a uma gira, culto, palestra ou missa, mesmo não tendo total certeza das crenças e dogmas religiosos. Estas pessoas não são censuradas, pois tem o respeito. Todavia, aqueles que ridicularizam e profanam, estes sim são censurados, além de violar dispositivos constitucionais brasileiros que resguardam a laicidade do Estado. Ainda, aqueles que praticam qualquer religião que seja, visando tão somente a vaidade, ambição ou interesse, são desprezados por Deus.

Finalizando, a questão 656 interroga se é preferível a adoração individual ou a coletiva. Não existe tal preferência, todas têm a mesma valia, a mesma importância, apesar de que quando feita de forma coletiva todos devem estar na mesma sintonia e com as mesmas intenções, pois a intenção diversa de uma única pessoa pode contaminar as dos demais. Então, trata-se de aconselhamento de fazer a adoração a Deus de forma individual, simplesmente por meio do pensamento.


Na umbanda, assim como em outras religiões, por ter a característica de ser monoteísta, defende-se a existência de um único Deus Supremo, o qual denominamos Olorum, Zambi, Olodumaré, entre outras denominações. Comungamos que é imprescindível que Ele seja adorado e louvado, assim como no Espiritismo. A única diferença é que nossa forma de manifestar a gratidão pela vida, pela sua presença, pelas oportunidades concedidas, pela possibilidade de evolução e transformação e, demais benevolências que nos são proporcionadas, é através de oferendas aos Orixás, que são a mais pura manifestação D’ele, nos respectivos pontos físicos de força ou em um lugar sagrado como o Terreiro. 

Destaca-se que de nada adianta se valer de um ato de adoração a Deus, se não se está seguindo a sua Lei e os seus mandamentos, sendo uma pessoa caridosa, humanitária, que usa de artifícios para prejudicar o próximo, por exemplo. 

Recomenda-se a leitura dos textos “DEUS na Umbanda” e “Orixá”, redigidos pela irmã Luíza de Oxum e por nosso Pai de Santo Igor de Oxum.


Helder de Logunam

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Objetivo da Adoração

Objetivo da Adoração 

Seguimos com os estudos sobre a obra de Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”. Hoje falaremos sobre o tema “O Objetivo da Adoração”, abordado no Livro III, capítulo 2 do livro. Em seus estudos, Kardec questiona sobre o objetivo da adoração que, segundo a definição do dicionário Aurélio:
Adoração
a.do.ra.ção
substantivo feminino. Do latim adoratio.onis. Ação de adorar, de prestar culto a um ser superior, a uma divindade; veneração: adoração ao Santíssimo Sacramento. Expressão de afeto, de carinho, de homenagem ou submissão. 

Ao indagar à espiritualidade sobre a consistência da adoração,  é dito-lhe que isso será a elevação do pensamento a Deus. Pela adoração, nossa alma se aproxima Dele, como resultado de um sentimento inato. Nascemos com tal sentimento, assim como a noção de divindade. A nossa consciência nos condiciona a adorar como forma de buscar a proteção de Deus. 


Mas ora, e quem é ateu? Não adora? Pois sim, mesmo quem se diz ateu, crê que há algo superior que rege a vivência dos seres. Seja isso denominado de ciência, acaso, física ou universo. Esta noção de crer e acreditar é que definimos como adorar. A adoração está inerte aos seres. Faz parte da lei natural das coisas, e o homem já nasce com tal conceito formado dentro de si, independente dos caminhos que este vá tomar ao longo de sua vida, o sentimento de crer sempre estará presente. 

Na umbanda, a adoração é fonte de controvérsias entre seus filhos. Muitos pensam que, por termos diversas fontes de adoração como, por exemplo, os chamados orixás, a religião é politeísta. Isso é inverídico, visto que acreditamos somente em um Deus, Zambi, Tupã, Olorum, Criador. Independente do nome que damos, nós umbandistas cremos somente em um Deus e os orixás são formas distintas da energia divina, então ao adorarmos Iansã ou Omolu, por exemplo, estamos adorando a Deus! 

Axé a todos!

Diego de Oxóssi

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Divisão da lei natural

 Divisão da lei natural

Continuando o estudo do Livro dos Espíritos temos a Terceira Parte, dentro dela o Capítulo I com o título “Da lei divina ou natural” e dentro deste texto iremos abordar o tópico “Divisão da lei natural”. Antes de tratarmos de fato deste tópico, vamos interpretar o que é a lei divina ou natural. Pois bem, chamamos de lei divina ou natural conforme citado no Livro dos Espíritos a lei de Deus, sendo a lei que permite alcançar a felicidade. O que nos demonstra o certo e o errado perante o divino e não perante o homem.

Para compreendermos a divisão da lei natural, é feita a pergunta de número 647 no Livro dos Espíritos. A pergunta é se a lei de Deus está contida toda no amor ao próximo ensinado por Jesus, tendo como resposta que isso é todo dever de uns com os outros. Porém temos mais deveres para com todas as circunstâncias da vida, além do amor ao próximo, devem existir regras claras, caso contrário existiriam muitas interpretações errôneas.

Podemos ver, conforme a pergunta acima, que nós vivemos em uma complexidade de fatos e a lei divina é dada a todas circunstâncias de nossas vidas, seja amar ao próximo, seja amar a nós mesmos, seja respeitar, e entre várias outras. Porém, como somos seres falhos, essas leis devem ser claras para que possamos interpretar da maneira correta. Para sabermos se está correto ou não, devemos consultar a consciência. Nossa própria consciência tem a resposta para grande parte de nossos erros e dificuldades. Mesmo assim, tentamos nos enganar e tentar deixar a consciência tranquila com desculpas, porém no fundo sabemos a verdade.


Para nós umbandistas temos uma determinada linha de trabalho de espíritos que sempre trabalham com a nossa consciência e nos mostram o que realmente escondemos de nós mesmos, a chamada linha da esquerda, onde contém as entidades como Exu, Exu mirim, Pombagira, Pombagira mirim. Tais entidades são discriminadas por outras religiões ou pelos próprios umbandistas, sem fundamento, e tal discriminação surge justamente pelo seu trabalho. Esses espíritos revelam o íntimo do médium e daquele que os procuram mostrando a verdadeira face para a mudança positiva. Entidades que refletem a nossa própria consciência se demonstram de forma a assustar às vezes, e é justamente esse o arquétipo, a nossa própria consciência, em muitas vezes, teria uma aparência que nos assustaria. É sempre mais fácil julgar e colocar a culpa no próximo esquecendo o que somos e a responsabilidades que temos. Para vivermos a lei natural basta nos aprofundarmos em nosso próprio íntimo e enxergar o que realmente somos e o que podemos melhorar, caso contrário estamos sendo hipócritas e a hipocrisia é consigo mesmo.

A outra pergunta de número 648 é referente ao pensamento espiritual em relação à divisão da lei divina em dez partes, citando leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. A resposta é que tais leis compreendem as mesmas de Moisés e que abrange a essência da vida e cita em relação a todas citadas a justiça, amor e caridade como um tripé no qual apoiado o espírito consegue alcançar todas as outras.


Justiça, amor e caridade é o que a Umbanda traz consigo, assim como os espíritos que responderam a Kardec baseiam em tais virtudes, na Umbanda não foi diferente. O Caboclo das 7 Encruzilhadas, ao fundar a Umbanda, traçou algumas metas definindo o que seria a religião e mesmo com todas as variações ela deveria ter uma base, sendo uma das bases o amor e a caridade. E, desde então, todo terreiro que se diz Umbandista deve ter amor e caridade em suas bases, pois caso contrário, não é manifestação da religião Umbanda, podendo ser considerado outro culto. Ao praticarmos amor e caridade, aguçamos nossos sentidos para todas as práticas do bem, elevando nossos pensamentos em busca de sermos melhores e ativando nossos sentidos para erradicar os vícios e aumentar as virtudes.


Pai Igor de Oxum .’.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O bem e o mal

O bem e o mal 

Prosseguindo ao estudo do livro dos espíritos, o presente texto abordará sobre o bem e o mal, tema presente no capítulo I da parte terceira. Segundo é ensinado, o bem é aquilo que é feito conforme as leis divinas e o mal é tudo aquilo realizado em contrariedade às regras de Deus. O homem, se tiver fé em Deus e se realmente deseja saber a diferença entre ambos, é capaz de o fazer, visto que recebe inteligência do Alto para tanto. 

Para que não haja enganos quanto à apreciação do bem e do mal, basta analisar o que Jesus gostaria que se praticasse ou não, para que assim não se caia em erros. A fim de saber até que ponto algo é bom ou mal para o Ser em sua individualidade, deve-se ter em consciência que Deus dá a medida de tudo aquilo que seja necessário. Caso haja excessos, haverá também responsabilização por parte de quem se excedeu. 

É imperioso que se recorde que Deus criou a todos ignorantes a fim de que cada um opte pelo seu caminho. É necessário que existam experiências a fim de que o espírito conheça o que é bom e mal, e consequentemente aprenda e cresça em decorrência de seus méritos. 

A lei de Deus é una e uniforme. E, embora existam diferentes posições sociais das quais nascem necessidades diversas, a lei não deixa de ser única todos. A condição na qual o espírito nasça e viva, se dá devido à necessidade de progresso que não anula a homogeneidade da lei divina que é a mesma para todos. E, independente da posição em que o homem está, o bem será sempre o bem, e o mal será sempre o mal, sendo que este depende precipuamente da vontade de se praticá-lo, variando assim o nível de responsabilidade de cada um. 


Logo, aquele que sabe o que faz é mais culpado do que aquele que não o sabe. As situações intensificarão ou amenizarão a gravidade do mal e do bem, conforme os instrumentos que possui o indivíduo para a compreensão do que é bem e mal. No livro exemplifica-se tal situação utilizando-se a figura de um selvagem que age por seus instintos se nutrindo da carne humana. Referidos atos o tornam menos culpado do que o indivíduo consciente e instruído que pratica uma injustiça trivial. 

Mesmo que existam situações nas quais o mal seja necessário, o mal não deixará de ser o mal. E situações que exijam essas necessidades irão se desaparecer à proporção em que a alma se purifica. Caso o indivíduo pratique algum mal devido a situações impostas por outras pessoas, ele responderá por esse mal, porém detém menos responsabilidade do aqueles que o provocaram. 

Além do mais, quando alguém, mesmo que não tenha praticado, no entanto se vale do mal que outro tenha feito, responderá por isso, pois é tão culpado quanto o que pratica. Da mesma forma, censura-se aquele que deseja fazer o mal, mas não o faz devido a circunstâncias alheias a sua vontade. Contudo, se o indivíduo almeja o mal, tem a possibilidade de fazê-lo mas resiste a seu anseio, há virtude em sua resistência. 

Não basta apenas não se fazer o mal, é necessário que o homem faça o bem que estiver ao seu alcance, pois todo mal que resulte do bem que poderia ter sido feito e não o foi, gera responsabilização por parte do omitente. Todos possuem a oportunidade de praticar o bem, independente da posição em que ocupa no plano terrestre. Apenas o egoísta que enxerga somente a si, não visualiza as oportunidades diárias de praticá-lo. Realizar o bem não se restringe a ser caridoso, mas é também ser útil quando seja preciso. 


Os meios nos quais se encontram determinados homens podem representar a causa primária de muitos vícios e crimes, porém isso consiste em prova escolhida pelo espírito quando em erraticidade, a fim de que, mesmo com as seduções, consiga resistir. E, mesmo nesses locais, embora exista um arrastamento ao mal, isso não é irresistível, pois até nesses ambientes é possível se defrontar com grandes valores, posto que há muitos espíritos que suportaram o mal e consequentemente, nesse aspecto, foram incumbidos de auxiliar seus próximos. 

Quanto ao bem praticado, seu reconhecimento consiste no grau de dificuldades de realizá-lo. Isto é, se não há esforço e dedicação e se nada custa ao praticante, não se vê mérito em sua prática. A espiritualidade encerra essa parte com os seguintes dizeres: “Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva.”

Sempre em busca do trabalho caritativo, os espíritos trabalhadores de Umbanda vêm orientar os encarnados dando-lhes força e persistência para enfrentar os obstáculos que aparecem, quando na prática do bem. Além do mais, os guias espirituais mostram que é possível e gratificante caminhar na senda da luz, relembrando-nos qual o real propósito da encarnação. Mostram que não há mal, não há dor, não há dificuldades que não possam ser vencidas pelo trabalho, pela bondade, e principalmente, pelo amor. 

Que tenhamos todos nós, portanto, a consciência constante de praticar os atos conforme os ensinamentos divinos. Que saibamos ouvir Deus através dos espíritos que são instrumentos propagadores do bem que vêm nos auxiliar em cada rota de nossa vida e que possamos ser, também, multiplicadores de luz, paz, e todas as demais virtudes que podemos cultivar. 



Natália de Iemanjá

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Conhecimento da Lei Natural

Conhecimento da Lei Natural

Em continuação ao nosso estudo do Livro dos Espíritos, hoje vou abordar o seguinte tema “CONHECIMENTO DA LEI NATURAL’’. A primeira questão abordada é:  “Deus permitiu a todos os homens um meio de conhecimento a sua lei?’’ O livro é bem claro ao explicar que os homens bons e os que pesquisam sobre o assunto têm mais facilidade de entender a sua obra. Qualquer homem tem meios para alcançar tal conhecimento, mas nem todos conseguem entendê-lo, pois é necessário que o processo se realize. De acordo com o grau de perfeição do espírito, após a reencarnação, guarda em sua consciência a lei de Deus e é sempre lembrada na intuição. Mas os maus instintos do homem faz com que esqueça a lei de Deus ao decorrer de sua encarnação.

Deus confiou a alguns homens a missão de revelar sua lei, que estão entre nós desde os séculos mais remotos. Tais homens que são espíritos superiores, homens de bem, inspirados por Deus encarnados com o objetivo de fazer a humanidade progredir. Facilmente são reconhecidos por suas palavras e atitudes. Deus não poderia enviar mentirosos ou impuros para ensinar sua verdade. Jesus seria um modelo nítido de seus homens, sendo o ser mais puro que já desceu à Terra. Sendo assim, Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, se expressando em forma alegórica e em parábolas de acordo com a época que se fez presente na Terra. Então os homens que vêm na Terra com a missão de revelar as leis de Deus têm a missão de explicar as palavras de Jesus, já que são poucos os que entendem verdadeiramente e a praticam. Abrindo assim os olhos e ouvidos dos orgulhosos e desmascarando os hipócritas. A verdade nem sempre está ao alcance de todos, pois ela é como a luz: ‘’É preciso habituar-se a ela pouco a pouco, se não ela Ofusca’’. Na Umbanda conseguimos entender claramente esse trecho do livro. 


Para entendermos com mais facilidade quem são os homens enviados por Deus, podemos citar Budas, Padres, Pastores, Pai de Santos, entre outros, que mesmo com suas crenças diferentes, estão sempre em busca de passar a palavra de Deus para seus devotos. Também podem ser aqueles que estão ao nosso redor praticando o amor e caridade, trazendo de forma humilde e simples a pureza de Deus. Não basta apenas querer entender a obra de Deus, mas aquele que procura sempre ser um bom homem e está sempre em busca de praticar o bem, consegue com facilidade entendê-la. Quanto mais próximos procuramos estar da evolução, mais próximos estaremos de entender as obras divinas de Deus.

’’Procure sempre passar seu conhecimento para o próximo com humildade’’                                                                                                                      -Vovô Tercio de Aruanda


Ana Clara de Logunan