sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida

Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida

Dando prosseguimento nos estudos acerca do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, hoje discorreremos sobre a Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida, tópico este abordado no Capítulo 9 do Livro II.

Bem nas primeiras perguntas, os espíritos esclarecem muito bem como os espíritos influenciam nossas vidas. Muitas vezes esperamos que milagres imensos ocorram para que possamos vislumbrar a influência do espiritual em nós, no entanto os espíritos não fogem às leis naturais, ou seja, os espíritos influenciam nossas vidas das maneiras mais sutis,  nos aconselhando, orientando, dando ideias pertinentes. Na Umbanda, sabemos que isso acontece constantemente. Primeiramente como umbandistas devemos ter a ciência de que nada ocorre por acaso, ou seja, tudo no final tem um objetivo, não devemos vivenciar o objetivo, e sim o momento. Os espíritos que nos aconselham diariamente (Caboclos, Pretos-Velhos, Erês, Exus, etc) têm como objetivo a prática do amor e da caridade para que tanto eles quanto nós sejamos melhores. Cabe a nós encarnados sabermos distinguir a orientação de um guia e a influência de um espírito de baixa faixa vibratória. 

Em um segundo momento, os espíritos são questionados sobre a influência dos espíritos no desencarne. Neste momento, os espíritos questionados são categóricos e esclarecem que alguns espíritos têm a função de cumprimento da lei divina e natural, lembrando sempre que não devemos excluir e desconsiderar as leis naturais e nem mesmo mistificar os fatos cotidianos. Na Umbanda, os guias que trabalham na esquerda são chamados de cumpridor das leis divinas porque ocupam faixas vibratórias singulares, as quais atingem as partes mais íntimas do nosso Ser. Por isso, às vezes, as pessoas os temem, porque eles podem sim cumprir ordens de desencarne, sempre lembrando que não devemos  mistificar, e o mais importante: esses guias não irão retirar a vida de ninguém, pois eles não têm essa capacidade. Irão apenas influenciar a pessoa designada pelo divino ao desencarne para o momento do desencarne.  


  Outros questionamentos feitos aos espíritos são sobre espíritos diferentes com ideais e vontades diferentes. Neste momento é esclarecido que isso pode acontecer, desde que seja um desígnio de Deus.  Ou seja, se for designado que uma pessoa seja influenciada de maneira errônea pelos espíritos que a cercam para uma estagnação espiritual, isso acontecerá. Espíritos levianos, kiumbas, zombeteiros, etc. não têm o poder de provocar tal situação, no entanto eles podem tirar proveito de tal. O que atrai um espírito de baixa vibração não são os desígnios de Deus e sim a própria pessoa, ou seja, devemos sempre estar atentos às energias que vibramos e irradiamos. Pela lei da atração e do retorno, aquilo que pensamos acontece, ou seja, se pensarmos coisas negativas receberemos coisas negativas, e se pensarmos coisas positivas atrairemos positividade e espíritos de alto padrão vibratório, acarretando em boas energias sempre.    

         Dando continuidade ao questionamentos do Livro dos Espíritos e ainda dentro desta linha de pensamento, os espíritos são questionados sobre  a capacidade de um espírito levar as pessoas à caminhos prósperos e até mesmo caminhos danosos. Os espíritos são categóricos em todas as perguntas esclarecendo que não, os espíritos não têm a capacidade de levar nenhum encarnado a lugar nenhum,  isso iria afetar a lei do livre arbítrio. Nós encarnados somos responsáveis por aquilo que nos afeta, sendo ela uma coisa boa, próspera, ou ruim. 

Obtive um ensinamento há um tempo atrás e gostaria de compartilhar para elucidar tal situação.  Quando plantamos sementes, temos diversas opções e maneiras distintas de cuidar delas. Podemos preparar a terra antes de plantar, cuidar com carinho e amor, regando e depositando ali boas vibrações sempre. No entanto você também pode plantar e deixar que o clima se responsabilize por tal responsabilidade (água, adubo, etc.); o plantio também pode ser feito  sem o depósito de boas vibrações, tendo o plantio como uma obrigação. Obviamente, aquela semente deixada às condições climatológicas tem grandes probabilidades de não germinar. Aquela que recebeu energias negativas de “obrigação” também não, mesmo ela sendo regada. Isso porque quando plantamos devemos depositar ali boas vibrações, não adianta plantar milho esperando que nasça feijão. O que você colhe é exatamente aquilo que você mesmo plantou.   
 

Para finalizar, devemos sempre estar conscientes das energias que vibramos, porque isso acarretará espíritos que atraímos ou repelimos. Bons espíritos, espíritos de luz  estão sempre ao lado daqueles que vibram positivamente. Lembremos sempre de agradecer a Deus, pois é apenas com a permissão Dele que esses espíritos vêm do plano espiritual nos ajudar e aconselhar. Quando sentamos aos pés de um Preto Velho tenhamos a plena certeza de que cada palavra dita naquele momento  é para nosso bem e melhora pessoal. 
Um espírito que se manifesta na Umbanda e vê na religião a possibilidade de fazer o bem terá o aval divino do trabalho. E nós encarnados não devemos esperar os milagres grandiosos para compreendermos que os espíritos podem direcionar acontecimentos diários das maneiras mais sutis em nosso dia a dia. Às vezes o simples fato de encontrar um amigo antigo na rua pode ser um direcionamento divino. E nunca devemos esquecer de que devemos plantar flores e cuidar bem delas, pois assim iremos colher das mais belas variedades. 

Victor de Oxumarê

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Pressentimentos

Pressentimentos 

Neste tema, abordado no Livro II dos Espíritos, Capítulo 9, os espíritos discorrem sobre os pressentimentos, sensações e vontades as quais nós encarnados sentimos. 

Na primeira indagação, os espíritos são bem claros e esclarecem que os pressentimentos nada mais são que conselhos provenientes de espíritos que nos querem bem, denominada de voz do instinto. Todo espírito antes da encarnação tem total ciência de todas as fases da vida encarnatória, ou seja, ele conhece bem todas as experiências que estão por vir, pois este espírito provavelmente já obteve, em um processo encarnatório anterior, aquelas experiências ou experiências similares. Quando essas vivências anteriores se tornam muito fortes e ganham uma importância, elas se tornam pressentimentos, ou seja, a voz do instinto que expressa suas vivências em certos momentos da vida. 
Durante nossa vida encarnatória, sempre temos dúvidas e às vezes a nossa voz do instinto parece incerta. Nestes momentos de dúvida, os espíritos esclarecem que devemos pedir pelo nosso interior, pedindo a Deus (Olorum, Zambi) que consigamos compreender o que nosso íntimo quer nos clarificar. Por fim, os espíritos esclarecem que todos os pressentimentos e advertências provenientes de espíritos protetores são para o nosso bem e para nossa melhoria espiritual, no entanto ignoramos essas mensagens, o que nos leva muitas vezes à infelicidade e a frustrações.


Quando sentamos aos pés de um preto velho sempre ouvimos “siga seu coração meu filho”, nosso íntimo sempre nos quer clarificar as melhores coisas para nossa vida encarnatória. No entanto, devido aos diversos fatores que nos afligem, muitas vezes precisamos que uma Vovó, Vovô, Caboclo, Boiadeiro, etc. reafirmem nossas vontades e dúvidas.

Na Umbanda temos todos os aparatos necessários para que nossos pressentimentos não sejam apenas dúvidas. Temos contente contato com o nosso espiritual, contato com nossos guias e com o nosso íntimo. Devemos sempre ouvi-los, pois ninguém sabe mais de nós do que nosso próprio coração.

A Umbanda propõe a reforma íntima do Ser, a autoanálise para a melhora espiritual e, quando passamos a ouvir mais nosso íntimo, damos passos consideráveis no que diz respeito aos nossos próprios sentimentos. A Umbanda não faz milagre, ela apenas oferece a mudança e ela só acontece caso escutemos nosso coração.   


Victor de Oxumarê

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Anjos-de-guarda. Espíritos protetores, familiares ou simpáticos

Anjos-de-guarda. Espíritos protetores, familiares ou simpáticos

Dando continuidade aos nossos estudos, falaremos sobre Anjos-de-guarda, tema presente no capítulo 9, livro II. Espíritos protetores, familiares ou simpáticos. Todos nós, independente de religião, temos anjos da guarda que nos protegem e acompanham no decorrer da vida. Alguns, além da vida material. Esses anjos guardiões são espíritos protetores de uma ordem elevada, seres evoluídos de muita luz. Esses espíritos têm a função como de um pai para um filho, qual seja, a de guiar, proteger, ensinar, aconselhar, consolar e dar força nas dificuldades. Eles se ligam a nós do nascimento à morte(como citado anteriormente, alguns casos vêm de outras vivências e continuam após a morte física). 

O espírito protetor se torna obrigado a velar pelo espírito em evolução a partir do momento em que ele aceita a missão de acompanhá-lo. Mas antes disso eles podem, em alguns casos, escolher algum pelo qual tenha mais simpatia, isto é, afinidade. Por esse espírito protetor se ligar a alguém, ele não renuncia aos demais, porém, aquele(o qual foi escolhido) se torna prioridade. Algo que muita gente não sabe é que alguns desses espíritos protetores poderão, durante a caminhada do espírito em desenvolvimento, renunciar a missão. Claro que não por motivos fúteis, mas por necessidades acima de nossa compreensão. Com isso, o nosso guardião será substituído.


Em alguns casos, os anjos guardiões podem se "afastar" de seu protegido. Normalmente quando esses protegidos, em momentos de fraqueza, deixam sua energia cair para um padrão muito baixo, se tornando mais suscetíveis à influência de maus espíritos, consequentemente ignorando os conselhos de seu guardião. Se "afasta" mas nunca abandona.

Uma dúvida que muitas pessoas têm é: Por que nossos espíritos protetores às vezes nos deixam "sair do caminho"? Com certeza não por falta de força, mas porque querem, porque nós precisamos. É necessário para obtermos aprendizados que não conseguiríamos de outra forma. Isso é parte da evolução, tornando-nos espíritos mais fortes.

Simultâneamente, existem também espíritos familiares e simpatizantes. Estes, respectivamente, se ligam ao lar e através de similaridade/afinidade. Os espíritos familiares, apesar do nome, não se ligam diretamente à família, mas a membros dela e, consequentemente, ao lar, assim agindo por todos. Eles são atraídos pela egrégora formada no ambiente. Os espíritos simpatizantes são espíritos que atraímos através da nossa energia, podendo ser eles tanto bons como maus, também conhecidos como gênio bom ou gênio mau.

Na umbanda, os anjos guardiões têm a mesma definição, a mesma função. Nos acompanham, protegem e guiam, andam sempre com seu protegido. São como guerreiros, combatem o mal pelo qual não precisamos passar e os maus espíritos que às vezes tentam nos induzir. Como do lado espiritual não existem indisposições materiais, então independente da distância deles para com o nosso corpo e espírito, a influência é a mesma, tem a mesma força.

Trabalhamos também com guias espirituais que são escolhidos antes mesmo da nossa encarnação. Da mesma forma que os anjos guardiães podem se "afastar" pelos motivos explicados anteriormente, os guias espirituais da umbanda também podem. Estes são como os espíritos simpatizantes, podem ser definidos de acordo com a afinidade e semelhança, espiritual e energética, por determinação de nossa vibração nativa em nossa atual existência ou pela afinidade no grau de conhecimento. Existe o guia espiritual responsável por toda nossa linha espiritual, nossa coroa, determinado pelo Orixá e pela sua missão em sua existência. Devemos compreender que, além da afinidade existente, são espíritos determinados por superiores cósmicos, para nos acompanharem durante nossa missão.

Vale ressaltar que tudo aqui citado não é regra, é uma maioria. Tentar padronizar, ou sequer entender o mundo espiritual completamente, deixaria qualquer um louco, pois são coisas que vão além da nossa capacidade de compreensão.
Por fim, você atrai espíritos simpatizantes de acordo com seus atos e pensamentos, ou seja, pensamentos elevados atraem espíritos benéficos, pensamentos de baixa vibração, atraem espíritos maléficos, que não têm a acrescentar. Estes espíritos também são conhecidos como eguns, quiumbas, zombeteiros, etc. Você é completamente capaz, tem total controle de escolher o que/quem deseja ter por perto, definir sua energia. 

Orai e vigiai.



Júnio de Oxalufã

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas

Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas

Dando continuidade nos estudos sobre o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, hoje abordaremos o tema Transmissão Oculta do Pensamento, tema apresentado no Livro II, capítulo 8. 

Os espíritos, primeiramente, são questionados se existe algum tipo de afinidade entre os encarnados e os espíritos. Neste momento é esclarecido que essa conexão existe sim. O espírito de luz tende a estabelecer uma ligação (se aproximar) daquelas pessoas que tendem a emanar a luz e bondade; similarmente acontece com aquelas pessoas que emanam energias de baixa vibração (pessoas negativas, viciadas, depressivas, etc.) atraindo espíritos negativos. Essa ligação nada tem de carnal, ela é exclusivamente energética, mesmo que existam amores de vidas passadas, pois, quando juntos, aqueles espíritos vibram de maneira similar. Quando desencarnados e em vidas posteriores, caso mantenham a vibração, tendem a se aproximar.

Partindo do princípio de que os espíritos irão se aproximar ou se afastar devido as nossas vibrações energéticas, claramente espíritos irão se aproximar e/ou se afastar à medida que obtivemos vitórias e derrotas em nossa vida. Um espírito de luz, por exemplo, se aproximará e ficará feliz (de sua maneira) com os nossos sucessos durante a vida. O mesmo acontece quando nossas vibrações caem, pois isso possibilita a chegada de energia deletéria, o que não seria benéfico a eles também. 


Da mesma maneira que um espírito se aproxima, também podemos emanar aos espíritos que nos cercam energias negativas. Segundo os espíritos e esclarecimentos de Kardec o “egoísmo" e o “coração duro” são as piores maneiras de afligir um espírito. Isso porque a vida encarnada é passageira, ou seja, os espíritos habitantes do plano espiritual sabem que certas situações que acontecem são passageiras na vida carnal. No entanto, quando fechamos nosso coração e nos rodeamos de egoísmo, não conseguimos vislumbrar o quanto podemos evoluir com aquela situação.

Nos terreiros, vemos isso acontecer constantemente e o princípio é básico. Na Umbanda manifestam espíritos (guias) que não puderam se manifestar nas demais religiões da maneira que eram seus arquétipos. No início histórico da religião Umbandista, aqueles espíritos viram que aquelas pessoas emanavam aquela vibração e ali foram se manifestar das mais diversas maneiras (Pretos Velhos, Boiadeiros, Ciganos, Exus, etc.). 

Pensemos em terreiros onde os guias espirituais são Caboclos, por exemplo, ou seja, as pessoas vibram naquela frequência mais constantemente, logo a manifestação é maior de Caboclos e outras linhas que vibram similarmente. Diferente acontece em terreiros onde os guias são Exus e Pombogiras, onde as suas manifestações serão mais constantes. Tomemos cuidado, pois isso não deve levar ao culto exacerbado de uma única linha (ou guia), isso acontece devido à vibração. É a mesma coisa que querer que um caderno seja igual a um livro, são parecidos, são feitos dos mesmos materiais (ou similares)  mas tem finalidades e funcionalidades distintas, sem excluir sua singularidade.


Outra maneira que devemos vislumbrar a afeição dos espíritos ao nosso dia-a-dia umbandista, são nas nossas vibrações. Devemos sempre manter nossa energia vibrando na luz de pai Oxalá e na de todos os orixás. Sabemos que espíritos com baixa vibração sempre  estão de prontidão para usufruírem de nosso axé, por isso devemos sempre “Orar e vigiar”, não baixar a guarda  e diariamente realizarmos nossas preces. Orar, rezar, cantar pontos, dentre outras práticas fazem com que nossas vibrações se mantenham sempre alta, logo manteremos sempre ao nosso redor espíritos de luz, que nos ensinam e nos protegem. 



Victor de Oxumarê

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Convulsionários

Convulsionários

No capítulo IX da parte segunda do livro dos espíritos é tratado sobre o tema convulsionários, assunto abordado no presente texto. Os espíritos desempenham um papel muito grande nos fenômenos chamados convulsionários, mas o charlatanismos exploram e exageram esses efeitos que os fazem cair no ridículo. Dando muita ênfase aos efeitos perdendo assim a verdadeira essência das coisas. Então, o Convulsionário, vem de convulsão, um estado de êxtase extremo onde a pessoa, ao manifestar o espírito, deflagra reações de convulsão.

Os espíritos que participam desses fenômenos possuem uma natureza pouca elevada, espíritos de baixa luz, zombeteiros. Mas quem os atraem são as pessoas, pois como é dito: os semelhantes se atraem. Um espírito mentiroso não pode influenciar uma pessoa que não gosta de mentiras, tem que ter uma sintonia entre os dois. Toda tribulação causada pelos espíritos maus às pessoas, são devido ao fato de essas pessoas alimentarem ideias ruins. E em alguns casos há o efeito simpatia que faz com que a comunicação seja feita com mais facilidade. As pessoas, se magnetizando junto aos espíritos inferiores, entram numa espécie de sonambulismo desperto, ou seja, a pessoa está acordada, mas dormindo para a realidade. 


Outra faculdade que se nota  nos convulsionários é a insensibilidade física, muitas das vezes, exclusivo do efeito magnético. Em outras, a exaltação do pensamento provoca um anestésico. Pode-se usar uma analogia a uma pessoa que tivesse se machucado em uma briga e só o percebesse depois na calmaria. Os maus espíritos procuram por pessoas semelhantes. Se quiserem a companhia de espíritos puros, buscai a pureza.

Os guias de Umbanda sempre nos dizem: “Orai e Vigiai”. Deve-se sempre vigiar por onde anda ou o que sente, pois tudo isso atrai espíritos. Se estiver em algum lugar que remeta tristeza (negatividade), logo virão espíritos negativos, e vice-versa se sua sintonia estiver também negativa. Tudo isso é magnetismo e concluímos que se queremos a companhia de espíritos puros, é necessário buscarmos a pureza.

Kah de Obá

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Possessos

Possessos

No texto de hoje trazemos o tema Possessos tratado no Livro dos Espíritos, segunda parte, Capítulo IX, onde buscamos respostas para nove questões sobre obsessão, espíritos obsessores e pessoas obsediadas. Kardec trata essas questões, esclarecendo já na primeira pergunta que um espírito não pode tomar um corpo de outro espírito, o que acontece a nós encarnados é que as nossas atitudes, pensamentos e ações podem servir como atrativos a seres obsessores, servindo como condutores dessa mesma energia. Os obsessores atuam sobre nossas vontades, mas não têm a condição de praticá-las, o livre arbítrio é sempre do encarnado. 

O que Kardec vem nos mostrar, com bastante clareza, é que nós encarnados ficamos reféns dessas obsessões, sentimos como se fôssemos guiados por vontades que não são nossas, mas que a atraímos. “Sempre é possível, a quem quer que seja, subtrair-se a um jugo, desde que com vontade firme o queira.” Quis dizer, que nós atraímos o que refletimos, então a escolha é do encarnado. 

“Orai e vigiai “ é o que sempre escutamos dos nossos queridos guias espirituais da Umbanda na nossa busca diária de evolução. Para que os obsessores não tenham eficácia em suas obsessões, devemos sempre ter uma conduta moral do bem, buscando sempre pensamentos e atitudes que condizem com os ensinamentos de Olorum. Aquele que então não tiver puro o coração, influências negativas poderão exercer contra ele e como bons umbandistas, devemos nos entregar diariamente aos valores e a prática do amor e da caridade, lembrando sempre que o que aprendemos com os guias no terreiro deve ser colocado em prática a cada segundo no nosso dia-a-dia.


Ressalta-se também que formas exorcistas não têm nenhuma eficácia sobre esses maus espíritos. Encarnados devem mudar suas atitudes, buscar sempre o caminho evolutivo, assim, obsessores vendo que nada  conseguem,  afastam-se. 

Na Umbanda, quando percebido pela espiritualidade que uma pessoa está sendo obsediada, quando necessário os guias fazem as “puxadas”. Estas são resgates desses espíritos para dar-lhes chance de renovação de conduta, onde um médium de doutrinação, ou melhor, encaminhadores espirituais, exercem suas funções, de mostrar o melhor caminho. Qualquer que seja o motivo da existência deste sofredor, zombeteiro, kiumba, etc., devemos sempre orar, pois a prece é o meio mais eficiente para a cura da obsessão.

Devemos sempre orar e vigiar para que possamos caminhar para a evolução espiritual constante. Não somente pedir e clamar, devemos mudar atitudes e posturas que nos levam à baixa energia vibratória. “Deus assiste os que obram, não os que se limitam a pedir.”


Bianca de Oxóssi

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Influência oculta dos espíritos em nossos pensamentos e atos

Influência  oculta dos espíritos em nossos pensamentos e atos

Em continuidade aos nossos estudos, o presente texto abordará sobre o tema Influência  oculta dos espíritos em nossos pensamentos e atos, tema presente no capítulo IX, parte segunda. Os espíritos se fazem presente a todo momento em nosso contato terrestre, e mais do que questionável é saber até que ponto somos influenciados por estes. Se pensarmos, somos espíritos que pensamos e temos nossos próprios atos, mas com pensamentos confusos na maioria do tempo. Os caminhos nos são apresentados e a aproximação com os espíritos que estão nos influenciando depende da nossa vibração. 

O entendimento sobre tal influência foi explicado da seguinte maneira: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.” Concluindo que é comum sermos dirigidos em primeiro momento pelos espíritos, mas nunca esquecermos de que somos seres pensantes e temos nossas próprias características.

A distinção é notável para aquele que busca o entendimento. Como tratado no Livro dos Espíritos, o pensamento que se dá no primeiro momento geralmente são da própria pessoa e aqueles que vão surgindo no decorrer são pensamentos de espíritos ao seu redor e o caminho sempre será tomado pelo encarnado. Lembrando que todo ato tem consequências.


Visto que alguns homens são considerados como inteligente ou gênios, é comum questionarmos de onde vem tanta sabedoria e se são os pensamentos próprios ou influência. A resposta dada é que depende, algumas vezes vem do próprio espírito e outras são sugeridas por espíritos que julgam capacitados para tal conhecimento. Distinguimos os pensamentos à medida que Deus nos permite, pois então iremos conservar na indecisão do que seriam dia e noite, como dito.

Ao serem questionados sobre como distinguir o bom espírito do mau espírito, somos direcionados a estudar o caso e sempre ter o bom senso, pois nada que vem do bem irá nos encaminhar para lugar distinto deste. Atender sempre às boas inspirações é uma forma de evitar sair do rumo do que é bom.

Os espíritos imperfeitos nos induzem ao mal com a intenção de sofrermos a mesma dor que eles sentem, sem que cause qualquer diminuição no sofrimento deles. Suportar a felicidade do espírito que influenciam já lhe causam uma angústia. Essa permissão é como um instrumento para que o homem consiga provar sua fé e que persista em praticar o bem, passando por essas provações. Os espíritos só vibram na mesma energia que o outro emana e a vontade do homem pode repelir ou atrair, como exemplifica o termo usado 'o gato que tocaia o rato’.

A prática do bem é o que te afasta dessa influência, caminhar na luz divina e procurar sempre força na sua fé, pois da mesma forma que aproxima espíritos evoluídos pode ocorrer o inverso. Nenhum espírito é destinado a fazer o mal, mas não entendem o bem e como chegar até este. Vagam na obscuridade e se alimentam de pensamentos negativos dos homens, pois se fundem com a ideia de gerar a prática do mal.


A umbanda é luz, caridade e amor. As entidades são espíritos que nos orientam ao caminho do bem e que nos abrem as vistas para as opções que nos são oferecidas. Observamos que o sentimento de acolhimento e cuidado das entidades para conosco é imenso e notável, as palavras que nos incentivam a sermos pessoas melhores e vivermos na luz. Orai e vigiai. A energia que você vibra diz muito os pensamentos que você atrai. Desejar sempre o bem ao próximo e a si mesmo é o primeiro passo para afastar energias baixas.


Concluímos com essa parte do livro é que estamos aqui na Terra para termos a oportunidade de crescermos e evoluirmos como espíritos encarnados, sendo oferecido um constante aprendizado e cabe a nós mesmo entendermos o sentido da nossa vivência terrestre. Lembrando-nos que o erro não é justificável por influências, pois nós temos o livre arbítrio. E que por mais proteção que lhe é oferecida, só nós vamos atrair as energias que queremos.


Lara de Ogum Iara

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Faculdade que têm os Espíritos de penetrar os nossos pensamentos

Faculdade que têm os Espíritos de penetrar os nossos pensamentos

Hoje iremos dar continuidade aos nossos textos e abordar um novo capítulo. Iremos falar sobre a “Faculdade que têm os Espíritos de penetrar os nossos pensamentos” no Capítulo IX, onde se explica a intervenção dos Espíritos no mundo corporal, Livro Segundo, p. 456-458. 

Kardec começa questionando se os Espíritos têm a capacidade de ver tudo que fazemos e se eles podem conhecer nossos mais secretos pensamentos. Os Espíritos respondem que sim, que podem ver o que fazemos, mas somente o que seja de interesse deles e que geralmente eles veem o que queremos esconder de nós mesmos, sendo atos ou pensamentos.

Na nossa querida Umbanda, podemos assimilar essa resposta dos Espíritos com os nossos Guias. Além de muitas vezes nos acompanharem em várias ocasiões do nosso dia a dia, vendo todas nossas atitudes e pensamentos, também têm o “correr gira” dos nossos guias, onde quando sentamos para conversar, pedir ajuda ou conselho, eles correm gira com os guias que nos acompanham para saber o que estamos passando, o que pensamos e quais são nossos atos e pensamentos mais ocultos que, muitas vezes, a maioria de todos esses pensamentos e atitudes nunca foram contados a alguém. 

Mas, também sabemos que estamos rodeados de Espíritos, não sendo somente nossos guias espirituais. Mesmo não vendo, sentindo ou ouvindo, eles estão entre nós, muitas vezes tentando encontrar seu caminho ou se divertindo com nossos problemas. Esses também têm a mesma faculdade de penetrar em nossos pensamentos e saber tudo que escondemos de nós mesmos. Por isso, muita das vezes, quando nos encontramos na mesma vibração que eles, a grande maioria consegue nos fazer pensar coisas ruins e tristes, interferindo em nossos pensamentos e, dependendo da nossa vibração, até mesmo em nossas atitudes.



Kardec dá continuidade às perguntas questionando se seria então mais fácil esconder algo de alguém que está encarnado do que dessa mesma pessoa desencarnada. E também questiona o que os Espíritos pensam sobre nós encarnados. Os Espíritos respondem que sim, é mais fácil esconder algo de alguém que não está desencarnado, uma vez que apenas os Espíritos têm a capacidade de penetrar nossos pensamentos e, quando ocultamos coisas até de nós mesmos, é comum que tenhamos Espíritos observando nossos pensamentos e atitudes. O que os Espíritos pensam sobre nós varia de um para outro. Como conhecemos, dentro da Umbanda, temos os Eguns, Kiumbas e Sofredores, que são Espíritos que ainda não conseguiram se desapegar do mundo material, e como dito um pouco mais acima, quando estamos na mesma vibração que eles, permitimos que nos ataquem com pensamentos. Muitos se divertem nos fazendo passar por algo que não ficamos satisfeitos e quando isso acontece geralmente xingamos, reclamamos, onde damos apenas mais força para que consigam nos acompanhar. Outros só estão sem entender o que ainda fazem aqui e estão atrás de ajuda e também tem os sérios onde sentem piedade por nossas dificuldades passadas e tentam nos auxiliar.

Nós Umbandistas acreditamos muito na questão de energia/vibração e que esses Espíritos somente conseguem penetrar nossos pensamentos de forma a nos atrapalhar se estivermos na mesma vibração que eles, que seriam vibrações baixas, de tristeza ou raiva. Nossos guias estão sempre nos ensinando a nos proteger desse tipo de situação, para não deixarmos que pensamentos que não são nossos interfiram, para que estejamos sempre em boas vibrações. 

Sabemos também que, além desses Espíritos, temos nossos guias nos acompanhando sempre e que nunca estamos sozinhos. Muitas vezes eles nos ajudam através dos nossos pensamentos para nos livrar de algo ou auxiliar no que estivermos precisando, o que muitas vezes chamamos de “intuição”. Como já me dizia a Vovó Catarina “... não deixe qualquer coisa entrar nessa sua cabecinha fia, Orai e Vigiai os pensamentos, isso é importante, filtre os que são seus e os que não são...”
Adorei as Almas! Salve a Umbanda!
“Fio, se suncê precisar, é só pensar na Vovó que ela vem te ajudar…”



Karolaine de Xangô

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resumo Teórico de Sonambulismo, Êxtase e Dupla Vista

 Resumo Teórico de  Sonambulismo, Êxtase e Dupla Vista

Hoje continuamos nossos estudos sobre O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. O tema de hoje é o Resumo teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista, no Capítulo VIII – Emancipação da Alma – do Livro II. Sempre recomendamos a leitura do livro ou, em caso de impossibilidade, a leitura dos textos anteriores para que se possa ter contexto e compreensão suficientes.

Neste tema do livro, Kardec faz um resumo das respostas anteriores sobre sonambulismo, êxtase e segunda vista. Inicialmente, podemos afirmar que estas são, todas, formas de mediunidade que possuímos, em menor ou maior grau de desenvolvimento, mediante nosso histórico evolutivo, bem como nossa organização física.

Kardec afirma que o sonambulismo é inato, ou seja, é de ordem inerente ao ser humano, porém, tem duas instâncias, por assim dizer, que são de ordem natural ou artificial – mediante uma organização mais predisposta a tal. Ambas têm manifestações semelhantes em certos aspectos e diferem-se fundamentalmente pela sua utilização, visto que a manifestação provocada artificialmente pode ter finalidades não convencionais, tornando seu estudo científico dificultoso – por uma questão de ocorrências fantasiosas – e deixando seu uso na mão de irresponsáveis que buscam materialismo com a espiritualidade.



O Sonambulismo é uma forma pela qual o espírito se manifesta, visto que quando dormimos, nosso espírito se desprende de suas amarras físicas e vai de encontro ao mundo espiritual. O que ocorre enquanto o espírito está neste desdobramento – ou projeção astral – vai de encontro com o padrão vibracional em que nos encontrávamos no momento em que “pegamos no sono” e mediante capacidade do indivíduo, podem ocorrer sensações, clarividência, movimentos e/ou fala que vão de acordo com o grau de evolução do espírito, da predisposição mediúnica do ser e da necessidade de aprendizado.

Já o Êxtase é um estado de maior desprendimento do espírito, onde este pode ir a outros mundos mais evoluídos que o nosso e, lá estando, entra em contato com espíritos pertencentes a tais mundos. O extático, como é chamado aquele que está em estado de êxtase, percebendo o grau evolutivo destes mundos, sente vontade enorme de ali permanecer, porém, tem conhecimento de sua impossibilidade, visto que o rompimento de laços com seu corpo, poderia causar a estagnação de sua evolução – tendo-se em mente que adiantaria o processo de desencarne, podendo não ter enfrentado todas as provas devidas – e, por consequência, sua chegada nesses mundos.

Por fim, a Dupla Vista ou Segunda Vista trata-se de um desprendimento em maior nível que os anteriores, dependendo fortemente do grau de evolução do espírito e da grosseria da matéria a qual está ligado. É a visão da alma, sem que o corpo esteja adormecido. Nesse caso, o indivíduo tem maior percepção de tudo o que o cerca, seja de aspecto físico ou espiritual. Em mundos menos evoluídos, nos quais há menos necessidade de bens materiais e, por consequência, menos impureza na matéria, a Segunda Vista pode ser algo permanente aos seus viventes.



Na Umbanda, isso se reflete – de forma análoga e um tanto quanto grosseira – na incorporação, respeitadas as barreiras lógicas, como o fato de que a incorporação necessita de um segundo espírito e as mediunidades supracitadas são de ordem das capacidades do espírito, não sendo necessário um outro para que ocorram. As sensações, ideias, informações e conhecimentos são transmitidos aos médiuns de incorporação, bem como o espírito pode manifestar todo ou grande parte de seus conhecimentos – de vidas ou da presente – a quem deles necessite. Porém, volto a dizer que existem barreiras lógicas nesta analogia, visto que a incorporação exige um outro espírito e tais mediunidades são inerentes ao indivíduo, de caráter universal, porém, não se manifestam em todos os seres, dada sua necessidade, evolução e/ou organização fisiológica.

Como toda mediunidade, seu exercício responsável pode aumentar seu grau de percepção/ manifestação, assim como o seu uso indevido pode acarretar o “bloqueio” desta. Portanto é fundamental o estudo de nossas doutrinas e bases filosóficas, para que possamos exercer da melhor forma possível, tudo aquilo que nos é permitido, em busca de melhor qualidade de nossas vidas e daqueles que nos cercam.

Até o próximo texto! Axé!



Matheus de Obaluaê

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Dupla Vista

Dupla Vista

Tendo em vista o estudo do Livro dos Espíritos, como visto anteriormente, o Capítulo VIII trata da Emancipação da alma. O tema dupla vista integra o referido capítulo com seus devidos esclarecimentos. O fenômeno da dupla vista é conceituado como a visão da alma, é ver e sentir além dos sentidos humanos. Está intimamente ligado ao sonho e ao sonambulismo, pois dupla vista é a libertação do Espírito sem que o corpo físico esteja adormecido. 

Na maioria das vezes, a segunda vista presenteia a pessoa que a possui de forma espontânea. Não havendo nada que a impeça de surgir advinda da vontade de quem pretende possui-la. Podendo, ainda, ser desenvolvida. No desenvolvimento da segunda vista, os véus que encobrem as coisas vão se dissipando, sendo assim, tanto quem a possui de forma natural, quanto quem a adquire através de estudos e exercícios, pode fazer com que fique cada vez de forma mais clara. Como se compararmos ao instinto, a segunda vista pode ser mais clara, objetiva e aparecer de melhor forma em situações de perigo ou de grande comoção.


Como já explicado anteriormente, a segunda vista pode acontecer de forma natural, ou por faculdade de quem deseja desenvolvê-la. Mas existe ainda, a segunda vista de forma hereditária. Neste caso, ela acontece como na transmissão de características físicas. Como há grande semelhança nesta organização, elas se remetem da mesma forma.

As pessoas dotadas da segunda vista, não a tem como um fenômeno, mas sim algo natural, pois para elas naturalmente acontece. Essas pessoas acreditam que basta cada um atentar mais ao que acontece consigo que poderá perceber da mesma forma. Como de fato, no caso de exercícios e prática, a segunda vista pode ser vivenciada por todos os seres humanos.  Por este motivo, quem a possui de forma natural, não a trata de maneira especial, nem se sente diferente. 


O poder da dupla vista pode variar em graus. Indo desde a mais clara e nítida visão, até uma sensação obscura e confusa. Esta variável se dá de acordo com a segurança e o conhecimento que pessoa tem da própria dupla vista.  Estes graus variáveis se aplicam também no que tange ao esquecimento do que foi visto/sentido. O esquecimento é um fenômeno normal e acontece de forma gradativa. No primeiro momento ainda está hodierno, as lembranças são concretas, mas com o passar do tempo, essas lembranças vão ficando turvas e cada vez mais vagas, até chegado o momento do completo esquecimento, assemelha-se com as lembranças de um sonho, que se perdem e desaparecem.

Trazendo este fenômeno para a Umbanda, temos por mais uma vez a manifestação do Espírito (em sentido amplo) agindo em prol da caridade. Já que, ao tratarmos de dupla vista e sonambulismo, vemos que este fenômenos serão de forma mais recorrente quando há algum perigo. As pessoas dotadas da dupla vista, poderão ainda ter meios de serem de certa forma avisadas do perigo, podendo assim esquivar-se.


Adriele de Iansã