sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Transmigrações Progressivas


Transmigrações Progressivas

A expressão transmigração progressiva quer dizer reencarnação, já que transmigrar significa a alma passar de um corpo para outro. Os Espíritos transmigram sucessivas vezes, isto é, reencarnam, vão ocupando diferentes corpos físicos, progressivamente, conforme sua necessidade evolutiva. Progressivamente, porque a marcha evolutiva não retroage, a evolução conquistada é definitiva.
O clico transmigratório é o seguinte: encarnação no plano físico, desencarnação, transmigração para outro plano espiritual e encarnação novamente (nascer, morrer, voltar ao plano espiritual, nascer em outro corpo...), sucessivamente.
Diante dessa definição e exemplificação, podemos constatar que a reencarnação representa justiça, visto que Olorum proporciona aos Espíritos que habitam em nossos corpos várias existências corpóreas, como forma de progressão. Ou seja, evolução através de nosso esforço, das obras por nós praticadas, inclusive pelo sofrimento que tanto nos aflige.


O tema “Transmigrações Progressivas” está contido na Segunda Parte – Capítulo IV de “O livro dos Espíritos”, onde Allan Kardec, por meio das questões 189 a 196, faz questionamentos aos Espíritos Superiores, que respondem sabiamente da seguinte forma adaptada:

189 – Desde o início de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas faculdades?
Na primeira encarnação, quando o Espírito foi criado por Olorum e inicia sua caminhada evolutiva, Ele não se encontra na plenitude de suas faculdades, quais sejam: inteligência, vontade, sentimentos, etc. Essas faculdades são desenvolvidas ao longo do tempo, da mesma forma que as fases da vida: infância, adolescência, adulta e velhice. As primeiras encarnações são instintivas, o Espírito não tem nem noção de seus atos, sequer de si mesmo.

190 – Qual o estado da alma na sua primeira encarnação?
Equivalente à fase da infância, onde a alma se prepara e está apta a receber conhecimento a ser desenvolvido nas outras fases.

191 – As dos nossos selvagens são almas no estado da infância?
a) Então, as paixões são um sinal de desenvolvimento?
Sim, são almas de infância relativa, dotadas de paixões, porém, as paixões concorrem para o nosso desenvolvimento, mas não para a perfeição como um todo.

192 – Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios?
a) Pode ao menos o homem, na vida presente, preparar com segurança, para si, uma existência futura menos prenhe de amarguras?
Apesar de o Espírito ser criado simples e ignorante, Ele tem um imenso potencial divino. Sendo assim, há uma variedade de graus a serem conquistados. Mesmo tendo concorrido impecavelmente para uma evolução, longe está de ser perfeito, visto que o que julgamos perfeito é praticamente o mínimo da perfeição absoluta. Então, é impossível um Espírito tornar-se puro numa única encarnação.

193 – Pode um homem, nas suas novas existências, descer mais baixo do que esteja na atual?
O homem pode, mas o Espírito não. Kardec comenta que a marcha dos Espíritos é progressiva, porque Eles jamais regridem.

194 – É possível que, em nova encarnação, a alma de um homem de bem anime o corpo de um celerado?
a) A alma de um homem perverso pode tornar-se a de um homem de bem?
Não, não é possível a degeneração.
Sim, se houver o arrependimento, ele será recompensado.

195 – A possibilidade de se melhorarem noutra existência não será de molde a fazer que certas pessoas perseverem no mau caminho, dominadas pela ideia de que poderão se corrigir mais tarde?
Pensamento totalmente equivocado e sem fundamento nenhum, que não deveria nem mesmo ser levantado.

196 – Não podendo os Espíritos aperfeiçoarem-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição?
a) É o corpo que influi sobre o Espírito para que este se melhore, ou o Espírito que influi sobre o corpo?
O que é questionado é se temos que passar pelas tribulações terrenas para aperfeiçoamento e livramento das dificuldades, e a resposta é sim. É através das provações que somos submetidos a melhoramos cada vez mais, evitando o mal e praticando o bem. Esse mundo habitável é como se fosse uma escola e a cada avaliação temos que conseguir pontuação cada vez mais alta até atingirmos 100%.


Nós somos Espíritos vestidos em um corpo físico. Somos Espíritos perfectíveis, mas não perfeitos. Cabe a nós, por nossos atos, aproveitar as oportunidades que nos é oferecida para evolução pessoal e, consequentemente, da humanidade.
Tendo em vista que a transmigração progressiva é uma oportunidade que nosso Pai Olorum nos dá para evolução espiritual através de sucessivas encarnações dos Espíritos à matéria (corpo), a Umbanda concorre concreta e significativamente com ela, através das entidades, espíritos de alta vibração, mensageiras dos Orixás, que vêm para aconselhar, proteger, abrir caminhos, proporcionando assim a progressão de todos os encarnados que buscam ajuda espiritual. Ao mesmo tempo, buscam também sua evolução, visto que apesar de serem espíritos superiores, existem várias dimensões no plano espiritual a serem alcançadas. Há casos de algumas entidades evoluírem em um grau tão alto, como o Caboclo das Sete Encruzilhadas (fundador da umbanda), que nem prestam mais atendimento.
Transmigrações Progressivas é um tema de fácil compreensão, porém, de difícil aplicação. Temos que ter em mente que não é errando que se aprende, mas sim errando, analisando o erro e não permitindo ser praticado novamente. É deixando de lado os atos imorais e antiéticos e dando o nosso máximo sempre para sermos pessoas melhores.

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre... Tal é a lei.”


Helder de Oxalá


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Encarnação nos diferentes mundos


Encarnação nos diferentes mundos

Vamos dar continuidade aos estudos da obra O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. No texto de hoje continuamos a abordagem do Cap IV – Livro II.
Como dito anteriormente, existem diversos outros mundos habitados criados por Olorum. Logo, um espírito pode reencarnar em outro mundo, caso isso seja necessário para o cumprimento de sua missão. Já dizia Oxalá: “Há várias moradas na casa de nosso Pai”, assim como existem inúmeras moradas possíveis para os espíritos criados por Ele.
Independente de qual mundo seja feita a reencarnação, o processo será feito em um corpo material, já que o espírito precisa estar envolto em matéria para dar prosseguimento em sua evolução.
A reencarnação é um instrumento que o Criador nos proporciona para evoluirmos espiritualmente. Ela sempre será feita com um propósito, qualquer que seja o mundo, sendo que é possível o espírito, no ato do encarne, escolher em qual mundo o fará, dependendo do grau evolutivo em que se encontra.
Em todas as nossas encarnações passaremos pelo período da infância, sendo este o período quando amadurecemos nossas ideias e conceitos.
A inteligência adquirida em uma vida não se perde ao desencarnar, porém, não dispomos dos mesmos mecanismos para manifestá-la. Algumas vezes, interpretamos como intuição ou pressentimento, mas na verdade é reflexo de conhecimento acumulado em vidas passadas ou a ação de nossos guias espirituais nos protegendo. 


Os diferentes mundos existentes possuem graus evolutivos diferentes, e um espírito pode reencarnar em um mundo de grau inferior em caso de missão para ajudar no progresso daqueles que necessitam. Porém, o que não ocorre é um espírito que reencarna por expiação, reencarnar em um mundo inferior, visto que os espíritos podem permanecer estagnados, contudo não retrogradam.
O que ocorre normalmente é: se cumprimos o nosso propósito da vida em que vivemos, a vida subsequente será em uma realidade mais desenvolvida. Caso contrário, o espirito reencarna na mesma realidade e com o mesmo propósito. Isso ocorre com nossa coroa, nascemos com três Orixás regentes e as características do nosso orixá de frente nos diz muito sobre os aspectos que temos que evoluir. Quando um filho toma as características de seu Orixá de frente como sua verdade absoluta, e não como o que deve ser melhorado, ele está atrasando sua evolução. Por consequência, pode ser que em sua próxima encarnação possua o mesmo orixá de frente até que encontre o caminho que deve seguir.
Quanto mais evoluído um espírito se encontra, menos ligado à matéria está sua vida e mais próximo de Olorum está.
Nos mundos superiores à Terra, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, visto que ninguém se preocupa em causar dano a seu semelhante. Ao fim, o que resta é somente o períspirito, a forma etérea onde a matéria faz-se dispensável. São estes os ditos espíritos puros, que encontraram o grau máximo de evolução. Estes habitam certos mundos, porém não se encontram confinados a eles como os homens sobre a Terra. Eles podem, melhor que os outros, estarem por toda parte.


Diego de Oxóssi

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A reencarnação

A reencarnação

No capítulo IV do Livro dos Espíritos, Kardec trata da reencarnação, considerada um dogma do Espiritismo. A Reencarnação é a ideia de que o Espírito (Ser inteligente da criação) vive múltiplas existências corpóreas, experienciando diversas situações das quais resultam seu crescente aprimoramento.
Das questões 166 a 170, aqui transcritas, extrai-se a seguinte síntese da ideia da reencarnação: A marcha do progresso espiritual é individual e depende do Espírito a demora ou a rapidez com que evolui. Assim, aquele que aproveita melhor as experiências terrenas e corrige suas imperfeições, mais rapidamente ascende à bem aventurança espiritual, ou seja, torna-se Espírito puro. E, embora esse patamar evolutivo seja alcançado, não tem fim esse progresso.
Quanto à finalidade da reencarnação arguida na questão 167, há que se observar que depende também do planeta em que o Espírito está estagiando e também do seu próprio grau evolutivo. Assim, poderemos ter em um planeta como a Terra, que na escala dos mundos pertence à categoria de Provas e Expiações (em transição a mundo de Regeneração), de Espíritos missionários (àqueles que vêm em missão nos ajudar a crescer), de Espíritos em condição de reencarnação compulsória (àqueles cuja liberdade é momentaneamente suspensa e têm na reencarnação uma expiação), Espíritos que já alcançaram certo esclarecimento e desejam por à prova nas experiências terrenas o aprendizado alcançado, a fim de evoluir mais e mais, como em uma grande escola em que se encontram matriculados crianças do maternal à graduação superior, e ainda professores, mestres e doutores.


166 - A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea como acaba de depurar-se?
 — Submetendo-se à prova de uma nova existência.
166 – A) Como ela realiza essa nova existência? Pela sua transformação como Espírito?
 — Ao se depurar, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita da prova da vida corpórea.
166 – B) A alma tem muitas existências corpóreas?
 — Sim, todos nós temos muitas existências. Os que dizem o contrário querem manter-vos na ignorância em que eles mesmos se encontram; esse é o seu desejo.
166 – C) Parece resultar, desse princípio, que após ter deixado o corpo a alma toma outro. Dito de outra maneira, que ela se reencarna em novo corpo. É assim que se deve entender?
 — É evidente.
167 - Qual a finalidade da reencarnação?
 — Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça?
168 - O número das existências corpóreas é limitado ou o Espírito se reencarna perpetuamente?
 — A cada nova existência o Espírito dá um passo na senda do progresso: quando se despojou de todas as impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea.
169 - O número das encarnações é o mesmo para todos os Espíritos?
 — Não. Aquele que avança rapidamente se poupa das provas. Não obstante, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito.
170 - Em que se transforma o Espírito depois de sua última encarnação?
 — Espírito bem-aventurado; um Espírito puro.


A Umbanda também trata da reencarnação e os Guias sempre ensinam que a vida (instrumento de Olorum) nos coloca no exato lugar e no meio daqueles com quem devemos viver experiências que visem nosso aprendizado e ao desenvolvimento das virtudes (Orixás em nós).
Devemos a nós mesmos aproveitar cada situação que a vida nos oferece para ajustar nossa conduta em favor do nosso aperfeiçoamento, assim, a cada ofensa, o perdão; a cada obstáculo, a superação; a cada queda, a superação; cuidando sempre de observar a Lei Maior que é a prática do Amor e da Caridade em nossas missões e relações, seja com a natureza, seja com o outro, seja com as oportunidades trazidas à nossa própria vida.
No trecho seguinte, uma clara referência à reencarnação no Evangelho de Jesus: “Tendo chegado à região de Cesaréia de Felipe, Jesus perguntou aos discípulos: “Quem dizem por aí as pessoas que é o filho do homem?” Responderam: “Umas dizem que é João Batista, outras que é Elias, outras, enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas” . (Mateus 16, 13-14; Lucas 9, 18-19; Marcos 8, 27-28).

“Que cada amanhecer revele em nós mesmos nossos potenciais divinos.”


Hélida de Nanã

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Perturbação Espírita

Perturbação Espírita 

Dando continuidade à segunda parte do livro dos espíritos, buscando entender o processo da desencarnação, vamos falar sobre PERTUBAÇÃO ESPÍRITA. No item 163, Kardec pergunta se a alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo. E a resposta é que não é imediatamente, pois a alma passa por algum tempo em estado de perturbação.
A duração desse estado de perturbação vai variar diante da condição moral do espírito. Falamos de condições morais, da forma que o espírito conduziu sua vivência na forma carnal. Quando o indivíduo teve consciência dos ensinamentos espirituais antes e se desprende da matéria ainda quando encarnado, esse estado de perturbação pode nem acontecer, pois o mesmo entende que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo. Quando o homem carnal está ainda muito ligado à matéria, esse estado pode prevalecer por mais tempo, pois as memórias, sensações e sentimentos ainda estão muito presentes a esse espírito, não o deixando libertar sua consciência à vivência espiritual.


A Umbanda vem para nos auxiliar libertando a consciência da alma para um despertar espiritual, embasando essa libertação na reforma íntima no princípio do amor e caridade. A Umbanda busca a cada dia nos orientar sobre a necessidade do aprimoramento moral enquanto estamos na matéria, para que com esse conhecimento filosófico, quando aplicado diariamente, nos proporcione maior clareza mental e diminua a incidência de perturbação pós desencarne.

Axé



Bianca de Oxóssi e Ryan de Oroiná

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Separação da Alma e do Corpo

Separação da Alma e do Corpo

Separação da Alma e do Corpo é um tema abordado no Livro dos Espíritos, livro II capítulo lll, escrito por Allan Kardec. Segundo Kardec, o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que na morte.
O corpo, no instante da morte, sofre menos que na sua jornada da vida, sendo ela longa ou curta, sendo a morte para o espírito um ato prazeroso, pois é o fim daquela jornada. O ato da morte natural seria como uma máquina, ela precisa de óleo para girar, se o óleo acaba a máquina desliga. O nosso corpo funciona da mesma forma, os nossos órgãos envelhecem, o coração para de bombear sangue e, devido a essa falta de sangue, os órgãos param de funcionar, então o corpo desliga-se. Após o desligamento do corpo, vem a separação da alma e corpo. Como já foi citado no texto, a alma nada mais é que o nosso espírito, o que ocorre é que sempre existirá a separação entre o corpo e alma. O corpo sempre tem um fim, mas não é tão simples como parece, pois o corpo está ligado à alma e devido a isso existe um laço entre eles. Esse nó que existe deve ser desatado, para que o corpo e a alma se separem e isso ocorre porque o corpo e espírito criam um elo durante a jornada de vida terrena , sendo eles  ligados  por um envoltório seminatural, o períspirito. Essa separação é mais rápida ou mais lenta conforme vida mental da pessoa, conforme o preparo que ela tem para com a morte. No estado vegetativo  pode acontecer, às vezes, na agonia, que o espírito já tenha deixado o corpo, e naquele corpo existia apenas coração bombeando sangue para os órgãos e nada mais, tendo a alma já se ido.


Temos alguns exemplos de como o espírito age quando se desfazem os laços que o prendem ao corpo, servindo apenas para ilustrar e ficar mais fácil o entendimento. No ato que desprende do corpo, ele vê o futuro desdobrar-se em um momento de felicidade e Kardec utiliza o exemplo de uma lagarta que vem primeiro como uma larva que se rasteja, virando depois um casulo, e por fim se transformando em uma bela criatura, ocorrendo, assim, uma enorme transmutação de corpo e espírito. 
O momento da alma no mundo dos espíritos, nada mais é que um sentido da vida. Se encarnado você viveu com justiça, desencarnado você será tratado com justiça. Quem praticou o bem terá o bem, já quem praticou o mal no primeiro momento não se sentirá muito bem confortado e acolhido, pois se sentirá envergonhado. 
Na umbanda não é diferente, tratamos a separação de corpo e alma exatamente igual a Allan Kardec . O espírito e o corpo tem um elo em vida e, após a morte, os espíritos que praticaram o bem terão um local de encontro com outros espíritos que praticaram o bem, já os que praticaram o do mal irão para um local com pouca luz, mas  não de forma permanente, pois todos podem escolher caminhar na luz.
Tenham paciência na caminhada, pratiquem o amor e a caridade. Tenham cautela nas escolhas e palavras ditas, amem o próximo, respeitem as diferenças ,confiem no Pai Oxalá e em todos os orixás, pois eles são os guerreiros que nos trilham para o caminho de nossa Luz maior, Olorum !

Alessandra de Logun Edé

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A Alma após a Morte

A Alma após a Morte

Hoje vou falar um pouco sobre o que o Allan Kardec quis nos passar em relação ao assunto “A alma após a morte” ,tema constante no capítulo 3 do livro II do livro dos espíritos. Os espíritos, após a morte, sempre permanecem com sua personalidade, e guardam a aparência de sua ultima encarnação, que se resulta em seu períspirito. Apenas levam consigo, após a morte, as lembranças, sendo boas ou ruins. Quanto melhores forem, mais fácil será para  a própria evolução e até mesmo a aceitação do momento. 
Na umbanda, da mesma forma, quanto mais pura for sua vida carnal, melhor é para a evolução. Vemos muitos casos sobre os sofredores que não aceitaram que desencarnaram e ficam acompanhando pessoas. Mas também vemos espíritos que vêm para nos ajudar e nos orientar de forma sábia e pura. Como sabemos que os espíritos após a morte lembram-se de suas vidas anteriores? Kardec cita em seu livro: ‘’Não tendes essa prova nas comunicações que recebeis? Se não fosseis cegos, veríeis; se não fosseis surdos, ouvireis; pois que muito amiúde uma voz vos fala, reveladora da existência de um ser que esta fora de vós.’’ O que entendemos disso, é que temos a prova a todo momento, basta abrir a mente, os olhos e os ouvidos. 


Na umbanda, muitas vezes estamos sentados ouvindo uma orientação, mas de repente já estamos ouvindo histórias de vida dos guias. Muitas vezes acontece de um guia usar um instrumento de trabalho por causa de algo que aconteceu em alguma encarnação. Muitos pensam que as almas após a morte fazem parte de um todo, como se todos fossem um só, com qualidades e defeitos únicos, mas não é assim que acontece. Se assim funcionasse, todas as comunicações do mundo espiritual ao carnal seriam exatamente iguais. Da mesma forma, não existiram espíritos bons, ruins, tristes, alegres, puros, sábios e poderosos, seriam todos iguais, com defeitos e qualidades exatamente iguais. Um exemplo sábio sobre isso na umbanda são as falanges. Sabemos que existem falanges com um nome, mas com vários espíritos que trabalham dentro da mesma e assim cada um vai trazer ensinamentos diferentes e vão tratar da mesma situação de forma diferente, pois têm experiências diferentes. Sobre a vida eterna o que devemos entender? Não existe vida eterna. Existe sim, o espirito eterno. 
Corpo é algo temporário e, após a morte, a alma volta à vida eterna. Os espíritos que conseguem sua evolução, após passar por sua provação, estão sujeitos a viver sua felicidade eterna. 
Muito axé! 


Ana Clara de Logunam

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Materialismo

Materialismo

Para continuidade ao nosso estudo do Livro dos Espíritos hoje o tema é o Materialismo, tratado no Capítulo 2.
Matéria é o que sustenta o ser. O ser humano, na sua necessidade de explicar todas as coisas, acabou por limitar tudo em matéria, sem saber que a natureza pode esconder, em alguns momentos, determinadas matérias que são somente dela. 


Há tamanha necessidade de ver a matéria, que estudiosos passaram a acreditar que pelo fato de não verem a alma sair do corpo, no momento da morte, ali se esvaziava toda a vida daquele ser. Se assim fosse real, teríamos como consequência, o homem se colocando acima de tudo, colocando seus desejos matérias à frente.
Como prática na Umbanda, o fim da vida não se dá exclusivamente com a morte. A vida física daquele ser sim, mas o espírito continuará evoluindo. É importante salientar também que para evolução do espírito, não há necessidade de qualquer tipo de bem material.

Adriele de Iansã

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Alma

A Alma

Dando continuidade nas discussões acerca do Livro dos Espíritos, ainda no Livro II, o Capitulo 2 traz informações bastante pertinentes sobre  “A Alma”. 
Primeiramente, é discutido sobre o que seria a alma e o espírito. Os espíritos afirmam que alma e espírito são a mesma coisa, complementando que ambos são seres inteligentes, ou seja, dotados de sanidade e discernimento divino, pois quando se trata do plano espiritual as leis terrenas e materiais não são aplicáveis. Na verdade pode até haver leis comuns entre os planos (material e espiritual), no entanto, nós no plano material (encarnados) temos pouca capacidade de compreensão acerca do assunto.
Em um segundo momento, é tratado sobre o elo do corpo com a espírito/alma. Na ocasião, é explanado que o homem em Terra é composto por três partes essenciais, sendo elas: a matéria, o próprio corpo no qual o espirito habita; a alma (ou espírito) e o perispírito, este de composição semimaterial que permite a conexão entre espirito e matéria. Pensemos agora sobre o “Axé” na Umbanda, a palavra oriunda do povo Iorubá significa “força, poder, realização”.  O “Axé” também funciona como o “Amém", “Assim Seja”; Axé também pode significar “vida” e tudo aquilo que possui vida tem Axé em si. Pode-se dizer que o Axé é a própria energia do pai Olorum (Deus) aplicado na sua criação, no entanto vale destacar que alguns estudos apontam que o Axé é a energia responsável pela união do corpo espiritual e do corpo físico, ou seja, a energia divina responsável  pela sustentação da alma e da matéria.     
  Retomando ao livro dos espíritos, há afirmação por outros espíritos de que o corpo nada mais é do que o envoltório, a casca, de um espirito/alma. Então a alma pode sim abandonar o corpo, neste momento, aquele corpo tende a se desintegrar e se desfaz. A morte nada mais é do que o rompimento do elo entre espirito e matéria e o corpo sem a alma nada mais é do que  “carne sem inteligência”. Sabemos que na Umbanda se acredita que o processo de morte e nascimento é necessário. Esta vida que estamos vivendo é só mais uma, ou seja, outras já ocorreram, e outras ainda podem vir. O processo evolutivo se dá no plano espiritual, e o nascer e renascer ocorrem porque temos que aplicar o conhecimento e/ou trazer um projeto a ser realizado na matéria oriundo do plano espiritual.  Utilizando outras palavras, somos espíritos e viemos do plano espiritual com um objetivo, estamos aqui para aplicar algo, ou até mesmo auxiliar outro espirito que está apenas no plano espiritual. Não há uma regra para o encarne e o desencarne, e estamos muito longes de compreender como e porque acontece, no entanto conclui-se que essas “missões” são dadas por Olorum e o objetivo final estamos mais longes ainda de compreender. 


Dando continuidade, é discorrido sobre a frase trazida por alguns filósofos ao longo da história, definindo a alma como “uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Na ocasião, os questionamentos foram feitos dizendo que tal afirmativa é ambígua e os espíritos discorrem sobre a frase afirmando que ela não é ambígua, pois tudo depende do sentido que se emprega à palavra alma, visto que existem acepções diferentes da mesma. Caso se entenda que a alma é o princípio da vida, logo ela é sim uma centelha anímica emanada de um Todo.
Os conhecimentos umbandistas nos mostram que Olorum é o grande provedor da vida, ou seja, Dele é que provém a vida. Olorum que define a existência de um espirito, de uma alma. Uma vez que uma alma é criada, há vida (estando este espirito encarnado ou não). Como já discutido em outros textos aqui do blog acerca do Livro dos Espíritos, Deus é o todo, ou seja, toda a criação é parte de Deus, não é o todo que compõe o Deus. No meu entendimento, a frase “a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo” faz todo o sentido, pois o pai Olorum (sendo Ele o todo) é ao que proverá a animação (vida) para a alma. Deus é quem cria, anima e consome seguindo sua vontade.        
A alma, em nenhum momento, pode ser subdividida, posto que a alma é como se fosse o núcleo do ser, sendo o perispírito e o corpo material componentes também deste ser.  Porém ressalta-se que ela não está presa e reclusa ao corpo, pois irradia e se manifesta exteriormente e, além disso, à medida que o espírito (alma) evoluiu, ela passa por processos singulares evolutivos, tais como o desencarne e a encarnação. Quando encarnado, um ser em seu período infantil/juvenil não possui uma alma/espírito incompleto. Ele se encontra na sua totalidade e, à medida que aquele ser cresce, os conhecimentos obtidos são em relação à vida terrena e espiritual. E, na vida terrena, realmente à medida que uma pessoa se torna mais velha, ela passa por mudanças físicas, ao passo que as mudanças espirituais estão aquém do que podemos vislumbrar e compreender, pois estamos ainda na matéria.
No decorrer da leitura do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, é notório que diferentes espíritos descrevem a “alma” de maneiras diferentes. Quanto a isso, foi se esclarecido que  nem todos os espíritos são esclarecidos igualitariamente. Na Umbanda, essa diferença pode ser facilmente observada analisando os diferentes arquétipos dos guias trabalhadores na nossa religião. O olhar de um Preto Velho é diferente, pois aquele espírito teve experiências e vivências diferentes daquelas vivenciadas por um Caboclo, por um Baiano, Cigano, Marinheiro, etc. Logo, essas vivências diferenciadas levaram a visões diferentes acerca de um fato comum. Caso questionemos um mesmo fato para diferentes guias (Pretos Velhos, Caboclos, Baianos, etc) todos responderão de maneiras diferentes, o que os difere de nós é a dimensão na qual habitamos e a quantidade de conhecimento que é dada aos seres encarnados.


Para finalizar este capitulo, os espíritos esclarecem a respeito do que seria a “alma do mundo”. Na ocasião, é dito que o termo “Alma” é bastante elástico, podendo ser compreendido de diversas maneiras por diferentes seres. Dizer que a Terra tem alma é levar em consideração o conjunto dos espíritos abnegados (desprendidos da matéria) que dirigem para o bem as ações humanas. Na Umbanda, podemos comparar estas almas abnegadas aos falangeiros, ou seja, aqueles espíritos que já encarnaram no passado e que devido à sua evolução espiritual longa e de extrema luz divina, hoje estão distantes do plano material e mais próximos do plano divino. Exemplificando, o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi um ser encarnado que posteriormente recebeu a missão de fundar a Umbanda. Ao completar com resplandecência a missão, ele se ateve ao plano espiritual, não mais trabalhando incorporado com médiuns, apenas de forma indireta.


Victor de Oxumarê

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Objetivo da Encarnação

Objetivo da Encarnação 

O capítulo II da segunda parte do livro dos espíritos trata sobre a encarnação dos espíritos. Este texto abordará, especificamente, o objetivo da encarnação.  Allan Kardec primeiramente pergunta aos espíritos qual o objetivo da encarnação e em seguida indaga se a encarnação é necessária em se tratando daqueles espíritos que sempre seguiram o caminho do bem. 
Como não poderia ser diferente, os Espíritos nos trazem uma resposta muito esclarecedora nos mostrando a grandiosidade divina. A encarnação existe a fim de chegarmos à perfeição. Alguns encarnam com o objetivo de missão, outros de expiação, sendo que nesta última é  imperioso se enfrentar todas as provações  e mudanças oriundas do mundo corpóreo.  
Além do mais, cada Ser possui algo a ser realizado na criação. E este é um dos objetivos da encarnação. Esta propiciará ao Espírito possuir em cada mundo no qual encarna, um instrumento, ou seja, uma matéria, um corpo, que o colocará em condições para executar sua obra. E essa matéria  será adquirida conforme a matéria do respectivo mundo no qual está.  E, ainda, quando o Espírito concorre e auxilia no progresso do mundo, contribui para seu próprio progresso.


Elucidando a segunda indagação de Kardec, os espíritos nos mostram que todos os Espíritos são criados iguais, ou seja, todos terão que trilhar o caminho e enfrentar as dificuldades da vida. Um Espírito que sempre percorreu o caminho do bem não fica isento de suportar suas provas, visto que ele tem também algo a aperfeiçoar. O que poderá diferenciar é que esse Espírito aprenda de forma mais rápida e alcance mais rápido o seu propósito.
Dentro do terreiro nos é falado pelos guias espirituais, a todo o momento, que umbanda vive-se no dia a dia, e isso nos remete a entendermos um dos objetivos pelos quais aqui estamos: enfrentar as vicissitudes da vida corpórea aplicando os valores a nós repassados a fim de alcançarmos um dia a perfeição.
Não quer dizer que se estamos auxiliando em um terreiro,  em uma casa espírita, ou mesmo em um local que não seja de cunho religioso, que não enfrentaremos provas. Trilhar o caminho do bem não cria atalhos em se tratando de evolução. 
Algo que me chamou muito atenção foi quando no livro se encerrou esse assunto em comento dizendo que “ aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos". Pois bem, carregamos conosco algumas características negativas que muitas das vezes não somos capazes de reconhecê-las dentro de nós.  Neste ponto vejo que a Umbanda auxilia imensamente quando a pessoa  descobre ser filho de um determinado orixá, ou seja, quando naquela encarnação é revelado à pessoa sobre qual regência de orixá ela está. 


Falando sobre o orixá de frente, em específico, o encarnado tem a possibilidade, mesmo que em primeiro momento ele não queira reconhecer, de mostrar a si mesmo suas qualidades e também seus defeitos para que possa, assim, se aprimorar. Pois só se pode mudar e melhorar algo quando você identifica primeiramente que aquilo existe. 
Creio que a encarnação é uma benção, e embora em alguns momentos da vida seja difícil de entender alguns porquês com os quais lidamos, devemos entregar  todas as  nossas dúvidas, e tudo que trave a  fé, a Deus, pois  Nele encontramos o reconforto de que necessitamos. Devemos enfrentar as dores sabendo  há motivos para isso e que tudo há algo a nos ensinar. Devemos, sobretudo, sermos gratos a Deus, por nos permitir poder evoluir através de nosso esforço, pois é um presente saber que depende exclusivamente de nós a construção de nossa evolução. 

Natália de Iemanjá

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Anjos e Demônios

Anjos e Demônios 

O tema anjos e demônios é abordado no Livro dos Espíritos, livro II capítulo 1, e esse tema não é levantado somente em tal local, e sim em todas as religiões. Mesmo aquelas em que não acreditam em tais seres, esse assunto é discutido devido a influência Católica em todo o mundo e na doutrina espírita e na umbandista não é diferente. 
Ao falar de anjos associamo-los a seres com proximidade a Deus, à proteção, a coisas boas. Já quando falamos de demônios associamo-los a seres que fazem ou trazem maldade, a ódio, à tristeza ou a perigo, a inimigos ou a seres afastados de Deus. Mas afinal, quem são esses seres segundo a doutrina espírita e segundo a doutrina umbandista? E o que eles trazem consigo? Será que eles realmente existem? Como podem influenciar o ser encarnado? Quais são suas  ligações com Deus?


No livro dos espíritos, as primeiras perguntas são referentes aos anjos, arcanjos e serafins, suas categorias e grau de escala e o tempo de evolução. Os espíritos respondem claramente que anjos, arcanjos e serafins são espíritos como nós e não são diferentes em termos de criação. Porém, tais seres que referimos são os espíritos puros, mais próximos à perfeição e que o grau da escala de perfeição é mais elevado.  Já percorreram os graus maiores de evolução e o tempo de evolução não é como imaginamos, pois vivemos em um universo cujo tempo é infinito e muitos desses espíritos já haviam atingido grau mais elevado quando já na criação deste planeta. 
Comparando a Umbanda com as afirmações de Kardec, percebemos mudança apenas nos nomes. Existem anjos, arcanjos e serafins, mas não com esses nomes, muitas vezes chamamos apenas de espíritos evoluídos. Já em algumas formas de doutrinas umbandistas tem-se a figura do anjo como o anjo de guarda e outros anjos e arcanjos. Tais seres possuem uma evolução muito grande e não manifestam e nem dão consulta, pois são seres de alta evolução que não é compatível com nossa vibração para tal coisa, sendo que isso varia de acordo com a forma ritualística de cada casa. Um exemplo que facilita para quem já conhece as bases umbandistas são os chefes de falanges ou a força verdadeira do Orixá que não manifestam para dar consulta, e sim apenas irradiam sua força nos médiuns para ajudar os pais e filhos de santo.
Já algumas casas umbandistas consideram como anjo de guarda algum guia ou entidade que cuida da coroa do médium (força  espiritual) o que difere de tal expressão de anjo como citamos agora, pois os guias que se manifestam em terreiro e dão consulta são seres também numa escala evolutiva não tão distante da nossa. Mas se dão consulta estão buscando a evolução da mesma forma como quem busca a consulta, contudo cada um na sua evolução e com visão diferente, pois é claro que um guia na condição de espírito de luz consegue enxergar além de nós enquanto encarnados.


Voltando para o livro dos espíritos, temos as perguntas de Kardec e respostas dos espíritos em relação a demônios. Será que estes realmente existem no sentido expresso da palavra? Pois quando se fala em demônio já imaginamos as piores coisas possíveis. A origem da palavra é grega, daïmon, significando gênio e inteligência e se aplicava aos seres incorpóreos sendo bons ou maus. No contexto divino, como se pode afirmar que Deus na sua infinita bondade, poderia criar seres que iriam sofrer eternamente com a soberania de sua natureza ruim? 
Somente desconhecendo os atributos de Deus que alguém faria tal afirmação e não conhecendo a interpretação cristã que alguma pessoa poderia afirmar isso. Ainda se diz sobre passagens bíblicas e a imaginação do homem com a figura do Satanás, e mostra que como Deus criaria um ser de pura maldade e energia negativa que disputaria forças com ele? A conclusão lógica de tudo é simples, não é possível a existência de seres de tais tipos. 
E os seres que fazem maldade o que são? São espíritos perdidos, que se perderam no caminho e devemos auxiliá-los para que encontrem a luz. E, além disso, não devemos nos deixar sucumbir perante tais energias negativas que os espíritos perdidos carregam, pelo contrário devemos sempre emanar amor que Cristo ensinou. 
Na Umbanda, não cultuamos e nem acreditamos em demônios. Temos os espíritos negativos chamados de Kiumbas, sofredores, eguns de baixa vibração, entre outras classificações de acordo com cada terreiro. Para tais espíritos procuramos emitir amor e conduzi-los para o reino do bem, do amor de Oxalá e Cristo, não existindo a figura do Satanás ou algo do tipo. 
Em algumas religiões existem a associação da palavra Exu com demônio. A palavra Exu é uma palavra Yorubana que se refere a uma divindade cultuada por tal povo. Sua primeira tradução foi feita por um ex-escravo na África, que se tornou padre evangelizador e para enfraquecer tal crença na época traduziu tal palavra como demônio, com intuito de expandir o catolicismo e enfraquecer a fé yorubana. O tempo foi passando e os escravos negros no Brasil sofrendo cada vez mais com seus patrões. Diante disso, pegaram sua fé e a usaram como forma de amedrontar seus patrões com intuito de sofrer menos, sendo assim criaram imagens e nomes assustadores para Exu. Tal fato surtiu efeito pouco tempo, sendo proibidos no Brasil os cultos dos escravos de origem africana, contribuindo assim para o preconceito e o temor a tais religiões. Diante de tais fatos, a imagem dessas entidades de religiões afrodescendentes ficou associada a demônio e coisa ruim. 
Com o passar dos anos, a Umbanda surgiu no início do século XX e tais contextos históricos já haviam passado, e as entidades de Luz começaram a manifestar nos terreiros de Umbanda com os nomes temidos de Exu e com arquétipos de formas temidas. E com essas manifestações mostram a todos que são espíritos de alta luz, mas que trabalham nos lugares trevosos onde poucos espíritos conseguem chegar para resgatar aquelas almas que estão muito distante da luz. E que para tal feito, têm que se manifestar de forma parecida com os seres trevosos para quebrar a “barreira” de resistência do ser trevoso e, assim, ajudá-lo a receber a luz, pois não tem como obrigar o espírito a querer receber a luz na existência do livre- arbítrio. Porém, é possível envolver com ele e o fazer mudar de ideia, sendo dessa maneira o trabalho de Exu  Além disso, eles nos ajudam e nos protegem de tais espíritos ruins e nos mostram bons caminhos assim como fazem com os espíritos trevosos. Seu papel é guiar o espírito perdido.


Exu na umbanda é protetor e guia espiritual, com seus nomes mostram sua maneira de trabalhar. Vou citar apenas um exemplo que é um dos nomes mais marcantes, o Exu Lúcifer, onde uma pessoa que não conhece doutrinas umbandistas associa-o imediatamente a algo ruim e contra forças do amor e caridade divina. É justamente ao contrário. Como expliquei, para saber a função de Exu  basta interpretar o nome que ele nos mostra como trabalha. Lúcifer, segundo a doutrina Católica, foi um anjo que de tanto amar a Deus teve suas revoltas e foi enviado para o inferno.  Existem várias teorias que dizem a respeito disso.  Alguns dizem que Deus o enviou, pois ele ficou com ciúmes e não gostava da humanidade e outros dizem que Deus confiava muito nele, mas ele se rebelou. Porém, não importam tais teorias neste momento, mas sim entender que a  palavra Lúcifer é ligada imediatamente ao amor a Deus  e como papel de Exu é mostrar o equilíbrio e o caminho. Lúcifer trabalha no equilíbrio e caminho da fé, mostrando como chegar e ter o amor de Deus.
Depois de explanar sobre anjos e demônios, afirmo que não existe nem um nem outro da maneira que imaginamos. Em nossa doutrina, os anjos seriam os espíritos de luz e demônios os espíritos que se perderam na caminhada da luz. Ambos podem influenciar nossas vidas e isso se dá de acordo com a vibração que emitimos no nosso dia-a-dia, seja ela de coisas boas ou ruins. A atração universal varia de acordo com o que cada ser emite. O poder divino está muito longe de nossa compreensão por completo, porém como seres na escala de subida em busca do amor divino, devemos ter em mente que a cada dia procuraremos o melhor para, assim, abraçar a vibração dos bons espíritos de alto grau evolutivo e ainda vibrarmos para que os espíritos em um grau abaixo do nosso possam também evoluir com a força do amor emitido por nós!

Que Olorum abençoe a cada irmão e dê muita Luz a todos!

Igor de Oxum