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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Filhos de Iemanjá

 Filhos de Iemanjá

Na Umbanda, Iemanjá é a Mãe das Águas Salgadas, senhora dos mares profundos, do acolhimento, da gestação da vida e dos afetos que ligam e sustentam. É o orixá que ensina sobre cuidado, pertencimento e amor que envolve, mas também sobre limites, maturidade emocional e responsabilidade afetiva. Ser filho ou filha de Iemanjá é, antes de tudo, carregar em si a força do mar não apenas no sentido biológico, mas no modo de estar no mundo.

Um dos principais desafios de quem é regido por Iemanjá é aprender a cuidar sem se anular. Filhos desse orixá costumam ser profundamente sensíveis, empáticos e disponíveis para acolher o outro. Têm facilidade em ouvir, proteger e amparar, muitas vezes assumindo o papel de “porto seguro” para familiares, amigos e até desconhecidos. O risco está em ultrapassar os próprios limites, esquecendo-se de si em nome das necessidades alheias. O aprendizado espiritual passa por entender que amar não é salvar, e que cuidar do outro não deve significar abandono de si mesmo.

Outro desafio importante está relacionado às emoções. Assim como o mar, os filhos de Iemanjá podem viver intensamente seus sentimentos, oscilando entre calmaria e tempestade interior. Tendem a guardar mágoas, carregar dores antigas e, por vezes, sofrer em silêncio. Na Umbanda, Iemanjá ensina que é preciso permitir que as emoções fluam, como as águas, sem represá-las. Elaborar perdas, frustrações e rompimentos são um exercício constante para esses filhos, que precisam aprender a confiar no movimento da vida e no tempo do axé.

Também é comum que os filhos de Iemanjá apresentem oscilações emocionais e energéticas ligadas aos ciclos lunares. A Lua, que rege as marés, influencia diretamente o campo emocional desses filhos, intensificando sentimentos, intuições e memórias, especialmente nas fases de lua cheia e lua nova. Nesses períodos, podem sentir maior sensibilidade, introspecção ou necessidade de recolhimento, assim como momentos de expansão afetiva e conexão espiritual profunda. O desafio está em reconhecer esses ciclos internos, respeitar o próprio ritmo e aprender a se equilibrar, compreendendo que essas variações fazem parte da sua natureza e da ligação ancestral com as águas.

A relação com a família e com os vínculos afetivos também é um campo de aprendizado. Filhos de Iemanjá geralmente valorizam muito o lar, a ancestralidade e os laços emocionais, podendo desenvolver dependências afetivas ou dificuldade em romper relações que já não fazem bem. O desafio espiritual está em compreender que o amor verdadeiro não aprisiona. Iemanjá, como grande mãe, ensina a nutrir, mas também a permitir que cada um siga seu próprio caminho.



Por fim, ser filho de Iemanjá na Umbanda é aprender a transformar sensibilidade em força espiritual. É reconhecer que a doçura não é fragilidade, mas potência. Que acolher não é fraqueza, mas sabedoria ancestral. Os desafios existem para lapidar a alma, ensinando equilíbrio entre emoção e razão, entre entrega e autonomia. Sob a proteção de Iemanjá, seus filhos aprendem que o mar ensina: tudo vem, tudo vai, e tudo pode ser purificado quando confiamos no movimento sagrado das águas.

Natália de Iemanjá


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Orixá Ewá

 Orixá Ewá

A Orixá Ewá é uma Orixá feminina de grande mistério e profundidade espiritual dentro das religiões de matriz africana, Ewá é conhecida como a senhora da visão espiritual, dos mistérios ocultos, da intuição e da sensibilidade da alma. Ewá governa a percepção além do visível, sendo ligada à clarividência, aos sonhos, às revelações espirituais e ao conhecimento que se manifesta de forma sutil. Ela ensina a enxergar não apenas com os olhos físicos, mas com o coração e o espírito, ajudando seus filhos e devotos a compreenderem verdades escondidas e caminhos que ainda não foram revelados.

É um orixá de natureza reservada, delicada e silenciosa, mas ao mesmo tempo extremamente firme. Ewá não se manifesta na força do confronto, e sim na inteligência espiritual, na estratégia e na sabedoria. Representa a pureza, a discrição, o recolhimento e o respeito aos segredos sagrados. Na natureza, Ewá está associada às águas doces, lagoas, fontes tranquilas e locais envoltos em mistério, onde a energia é calma, profunda e introspectiva. 

Suas cores tradicionais costumam ser o rosa, o lilás e, em algumas tradições, o branco, simbolizando sensibilidade, amor espiritual e elevação. Ewá atua fortemente na proteção espiritual, especialmente contra ilusões, enganos e energias ocultas. Ela auxilia no desenvolvimento mediúnico, no equilíbrio emocional e na abertura da consciência espiritual, sendo muito respeitada por sua ligação com os segredos da criação e do destino.



Cultuar Ewá é aprender o valor do silêncio, da observação e da fé profunda. Ela nos ensina que nem toda força faz barulho, e que muitas batalhas espirituais são vencidas com sabedoria, intuição e conexão com o sagrado.

João Pedro de Omolu


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Anis estrelado

 Anis estrelado

O anis estrelado (Illicium verum) é uma erva originária da Ásia, reconhecida pelo seu formato de

estrela e pelo sabor levemente adocicado. Muito utilizado na culinária, ele também é valorizado por suas propriedades medicinais e espirituais. Do ponto de vista terapêutico, o anis estrelado possui ação digestiva, antiinflamatória, antioxidante e calmante. É comumente usado para aliviar má digestão, gases, cólicas, ansiedade, insônia, tosse, gripe e outros desconfortos respiratórios.


Anis Estrelado: repleto de propriedades para a saúde


No campo espiritual, essa erva é conhecida por sua energia de proteção e purificação, sendo excelente para limpar ambientes, afastar energias negativas e promover equilíbrio emocional. Pode ser utilizada em banhos ou defumações, trazendo leveza, harmonia e sensação de bem-estar. O anis estrelado também é considerado uma erva que atrai prosperidade, sorte e novas oportunidades, abrindo caminhos e fortalecendo a fé. Durante momentos de reflexão ou meditação, seu aroma estimula a clareza mental, a intuição e a elevação espiritual, lembrando-nos que, mesmo diante das dificuldades, a luz sempre encontra espaço para brilhar.

Apesar de ser natural, seu consumo deve ser feito com moderação, especialmente por gestantes e crianças, para evitar reações indesejadas. Já em práticas espirituais, é sempre recomendado buscar orientação de guias ou líderes espirituais antes do uso.

Bruna de Obá


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O charlatanismo e a trapaça

 O charlatanismo e a trapaça

 charlatanismo e a trapaça são desvios graves quando observados à luz da espiritualidade, especialmente dentro da Umbanda, que se fundamenta na caridade, na verdade e na responsabilidade espiritual. A Umbanda não se constrói sobre promessas fáceis nem sobre o medo, mas sobre consciência, ética e compromisso com o bem. Onde há engano intencional, não há fundamento espiritual, há vaidade.

Espiritualmente, o charlatanismo nasce quando o indivíduo coloca o ego acima da mediunidade. Quando o dom deixa de ser instrumento de serviço e passa a ser ferramenta de poder, controle ou lucro desmedido, rompe-se o princípio básico da Umbanda: servir sem iludir. Guias verdadeiros não alimentam fantasias, não exploram dores alheias e não sustentam discursos que retiram do outro sua autonomia espiritual. A trapaça, nesse contexto, não é apenas moral; ela é energética.

Na Umbanda, o médium é ponte, nunca protagonista. Quando alguém se coloca como “dono da verdade espiritual”, cria dependência emocional ou vende soluções milagrosas, afasta-se da vibração dos guias e aproxima-se de campos espirituais desarmônicos. A espiritualidade séria não ameaça, não impõe medo, não cria urgências artificiais. Ela orienta, esclarece e respeita o tempo de cada um.

Os próprios guias da Umbanda são claros em seus ensinamentos: não existe trabalho espiritual que funcione sem verdade. Pode haver encenação, palavras bonitas e rituais vazios, mas sem propósito e sem ética nada se sustenta no plano espiritual. A trapaça pode até enganar os olhos humanos por um tempo, mas jamais engana o campo espiritual, que responde com desequilíbrio, queda de força e afastamento da proteção verdadeira.


Falsos Profetas


Charlatanismo também se manifesta quando se utiliza o nome da Umbanda para justificar práticas sem fundamento, misturando crenças, criando narrativas de medo ou cobrando valores abusivos sob a promessa de “resolver tudo”. A Umbanda não nega a necessidade de sustento material das casas, mas repudia a exploração da fé. O que é justo se constroi com transparência; o que é engano se constroi com manipulação.

Em nossa casa, esse princípio é levado com seriedade e respeito. Não há cobrança pelos trabalhos espirituais realizados. Tudo é feito pelo amor, pela caridade e pelo compromisso com o bem. A ajuda espiritual não é mercadoria, nem moeda de troca; é serviço, doação e responsabilidade. O que sustenta nossa casa é a fé consciente, o trabalho honesto e a união daqueles que compreendem que o verdadeiro axé nasce do coração limpo e da intenção reta.

Do ponto de vista espiritual, todo ato de trapaça retorna como aprendizado. A lei de causa e efeito atua silenciosamente, ensinando que aquilo que não é construído na verdade se desfaz. A Umbanda ensina que a espiritualidade não protege a mentira, não fortalece o orgulho e não sustenta o falso saber. Quem caminha fora da ética pode até ter discurso, mas perde axé.

Falar de charlatanismo na Umbanda não é acusar, mas alertar. Alertar que espiritualidade não é palco, não é espetáculo e não é comércio de ilusões. É compromisso diário com a verdade, com o respeito ao outro e com a própria consciência. Onde há humildade, há guia. Onde há verdade, há força. E onde há caridade, a Umbanda se mantém viva e verdadeira.

Érika de Ewa


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Caridade

 Caridade

Hoje abordarei sobre uma lei divina que é um dos pilares dos fundamentos da umbanda, a

caridade. Sabemos que a umbanda é uma religião que prega a fé, o amor e a caridade através da espiritualidade.

É importante ter em mente que a caridade parte do princípio de ajudar , acolher a quem tem maior necessidade de algo , doando a esta pessoa de forma fraterna uma parcela de ajuda para solucionar alguma falta. Devemos ater ao fato que a caridade não deve ser feita em troca de nada , status, dinheiro, reconhecimento ou até mesmo gratidão. Quando fazemos caridade buscamos apenas entender que estamos nos doando para ajudar o próximo.


Artigo | Umbanda, 115 anos de luz, caridade e amor - Brasil de Fato


No terreiro é sempre bom estar ciente que estamos praticando uma religião que é movida pela caridade e que o fato de estar presente em alguma função lá dentro sem esperar nada em troca se torna caridade. Praticar a caridade se torna gratificante e todos nós temos algo a contribuir, lembrando sempre que tudo deve ter um limite e que cada um tem o seu. A caridade deve ser praticada quando não se tira nada e não prejudica ninguém.

Thiago Costa de Oxóssi


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Camomila

 Camomila

A camomila é uma erva de energia suave, acolhedora e harmonizadora, amplamente utilizada para promover paz espiritual, equilíbrio emocional e tranquilidade mental. Seu axé atua de forma delicada, mas profunda, ajudando a aliviar tensões espirituais, pensamentos agitados e emoções desordenadas.

A camomila é considerada uma erva de limpeza leve, indicada para momentos em que o espírito se encontra cansado, entristecido ou sobrecarregado por energias do dia a dia. Diferente das ervas de descarrego forte, ela não “quebra”, mas acalma, reorganiza e harmoniza o campo energético.


Tenda de Umbanda Caboclo Sete Flechas e Jurema: Camomila


No plano espiritual, auxilia no fortalecimento da fé, na serenidade durante processos de aprendizado espiritual e na aproximação com vibrações mais elevadas. É muito utilizada para trazer conforto espiritual, clareza emocional e sensação de amparo. Seu uso ocorre principalmente em banhos de ervas, com a finalidade de acalmar e harmonizar. Também pode ser utilizada em defumações suaves, firmezas espirituais e na preparação de ambientes sagrados.

Reconhecida como uma erva de axé sereno e restaurador, que promove equilíbrio, paz interior e fortalecimento espiritual.

Rebeca de Ossain


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Bálsamo

 Bálsamo

Essa planta é bem popular no Brasil, especialmente em regiões de clima quente. O bálsamo pertence à família Crassulaceae, mesma família da Kalanchoe e da Echeveria. É uma planta suculenta de pequeno porte, com folhas grossas e carnudas, ricas em seiva, onde estão concentradas suas propriedades terapêuticas. É nativa do México e carrega em si diversas propriedades físicas e espirituais.



O bálsamo tem grande valor dentro da medicina popular e da fitoterapia, a seguir citarei algumas qualidades que fazem desta planta tão especial: Possui ação anti-inflamatória e é, talvez, sua propriedade mais conhecida. É usado para aliviar dores musculares, inflamações crônicas leves e irritações da pele. Também age como um cicatrizante natural. O gel presente nas folhas acelera cicatrização, ajuda a desinflamar feridas pequenas e reduz irritações e queimaduras leves. Muitas pessoas usam a folha amassada diretamente sobre a pele.

Utilizado como um analgésico suave que quando aplicado sobre regiões doloridas, pode aliviar torcicolos, traumas leves e dores articulares. Além disso, ele possui propriedades gastroprotetoras! Chás fracos da planta ajudam na digestão, em quadros leves de gastrite e como protetor do estômago. Deve-se ter cuidado com o uso interno, sempre utilizar com indicação médica ou espiritual. E por fim, ele ajuda a limpar a pele de microrganismos, sendo útil em picadas, pequenos machucados e irritações cutâneas em geral.

No plano energético e espiritual, o bálsamo é visto como uma planta de cura profunda, tanto no corpo quanto no campo astral. Essa erva é caracterizada como uma erva fria e diferente de ervas quentes como arruda e guiné, o bálsamo faz uma limpeza calma e restauradora. Ele não “arranca” energias densas de forma brusca, ele dissolve, suaviza e transmuta. Às vezes é incluído em banhos junto com alecrim ou manjericão para dar força e estabilidade.

Não é uma erva de “defesa combativa”, mas cria um escudo de serenidade, que compacta e reorganiza a aura, dificultando a entrada de energias invasivas. É excelente para pessoas ansiosas, quem enfrenta ambientes pesados e quem carrega a energia dos outros com facilidade. Ele também pode ajudar a clarear pensamentos e reduzir turbulência mental, o que ajuda na conexão com a intuição. Ele cria um estado interno de paz que favorece a mediunidade equilibrada. 

Como cultivar o bálsamo? 

Solo: O bálsamo é uma suculenta resistente, que pode ser cultivado em vasos ou diretamente ao solo, mas é importante oferecer substratos bem drenados e leves, ricos em matéria orgânica.

Clima: Desenvolve-se melhor em clima tropical e subtropical. Tolera bem o calor e curtos períodos de seca.

Luz: Suculentas de modo geral gostam de sol pleno ou meia-sombra. Em locais muito sombreados, pode perder o vigor e ter crescimento lento.

Regas: Como toda suculenta, o bálsamo não deve ser regado em excesso. Regue apenas quando o solo estiver seco ao toque.


Espero que este texto tenha levado um pouco de conhecimento para você leitor, axé!

Lays de Oxaguian


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Baianos

 Baianos

A linha dos Baianos é uma falange alegre que trabalha com alegria e sabedoria na linha de cura, proteção e quebra de demandas. A manifestação dessa linha é leve e enquanto quebram demandas, curam e protegem, dançam e também aliviam as dores dos consulentes, com risadas e alegrias típicas dos baianos de nosso País. Apesar de serem entidades brincalhonas, também sabem ser diretas e objetivas quando precisam em seus atendimentos.


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Além disso abrem caminhos, trabalham na quebra de demandas negativas e feitiços com uma sabedoria irreverente e única, trazendo a resiliência de um povo que apesar das lutas e batalhas, através de muita sabedoria ancestral conseguiram focar no melhor da vida, no lado bom, para viver a vida bem e amenizar os percalços que ocorreram no percurso.

Essa linha de trabalho irradia mais fortemente a energia dos Orixás Iansã e Oxalá, emanando fé e movimento, característicos da linha. Além desses Orixás, também relacionam a linha de trabalho aos Orixás Ogum e Oxóssi em alguns terreiros. Na Umbanda o dia dos Baianos comemora-se na terça- feira. 

Compartilho um ensinamento que uma Baiana me passou em uma experiência, disse que o “balançar” dos baianos incorporados, que também pode ser compreendido como uma dança, é uma forma de desviar dos problemas da vida, e que assim devemos fazer em nossa caminhadas, ir desviando dos percalços para não parar a caminhada e assim, irmos mais longe a cada dia.

Viva a Baianada!

Mylene de Ogum Rompe Mato.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Atabaques

 Atabaques

O atabaque é um instrumento musical sagrado, amplamente utilizado em rituais de Umbanda e em diversas outras religiões de origem afro-brasileira e afro-ameríndias. Sua origem remonta à África chegando ao Brasil durante o período da Diáspora Africana. O tambor e as cantigas eram elementos essenciais de conexão com o plano espiritual. No Brasil, os atabaques são geralmente encontrados em um trio, cada um com uma função e tonalidade distintas:

  • Rum (grave): O maior, geralmente tocado pelo Ogã chefe ou Alabê. Sua função é conduzir os trabalhos, dar os primeiros toques, repicar e impulsionar energias.

  • Rumpi (médio): De tamanho mediano, responsável por dar o ritmo e manter a harmonia, sustentando a energia básica do toque. 

  • (agudo): O menor, tocado por Ogãs ou atabaqueiros iniciantes, seguindo os toques do Rumpi.

Historicamente, a confecção tradicional dos atabaques (e dos tambores Batá cubanos) era feita a partir de troncos de árvores escavados para formar uma peça única. Contudo, por questões econômicas, esse método foi, por vezes, substituído pelo uso de ripas de madeira recicladas (como barris). A comercialização de tambores religiosos chegou a ser proibida no Brasil em retaliação a revoltas, como a Revolta dos Malês em 1835.


Descubra o Mistério do Atabaque na Umbanda | Raizes da Umbanda


No plano espiritual, os atabaques são um dos principais pontos de atração e distribuição de vibrações de um Terreiro. Eles acionam vibrações dos planos material e espiritual, aguçando, preparando e estimulando todos para a captação de energias. Após serem consagrados, deixam de ser meros instrumentos de percussão e tornam-se portais ou veículos para o Divino. Na África, existia o culto ao orixá Ayangalu (Ian/Ayãn), que era cultuado nos tambores e fazia a intermediação entre o chamamento do Sagrado ao profano na hora do rito, mas o culto a ele acabou se perdendo ou sendo transformado no Brasil. Contudo, a memória das obrigações e da alimentação do tambor, como qualquer Orixá, ainda existe.

A responsabilidade do Ogã/atabaqueiro é, portanto, atuar como um mensageiro entre o plano material e o espiritual, manipulando as energias básicas de sustentação, ordem e movimento através dos toques sagrados.

Representação dos elementos do atabaque

A madeira, que é regida por Xangô, tem a função de equilibrar a vibração do som e sustentar o cumprimento da justiça divina durante os trabalhos.

O ferro, que é regido por Ogum, tem a função de fortalecer o trabalho realizado no atabaque, dando garra e força ao Ogan e demais atabaqueiros, para enfrentar as dificuldades que ocorrerem durante os trabalhos, e energeticamente garantir a ordem.

O couro, que é regido por Exu, tem a função de atrair parte das energias condensadas trabalhadas dentro do congá, auxiliando na limpeza das mesmas, e quando o Ogã toca o couro do atabaque, a vibração produzida pelo toque, quebra a contraparte etérea destas energias, dissolvendo-as no astral.

Em suma, a história do atabaque é a história da fé afro-brasileira: um objeto material, vindo da África, que, uma vez consagrado e tocado por iniciados, transcende sua forma física para se tornar o ponto de convergência de forças ancestrais e divinas, onde, literalmente, o som do tambor se torna a linguagem de comunicação com os deuses. É como se o atabaque fosse um coração pulsante do terreiro: ele não apenas dita o ritmo, mas também regula a circulação de energia vital e espiritual, garantindo que o axé flua e o corpo ritual se mantenha vivo e conectado ao divino.

Thiago Cecílio de Oxóssi


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Asé

 Asé

Em nosso universo, para além do que podemos ver, tudo é circundado por uma “energia cósmica” que nada mais é que o princípio das coisas, é aquilo que nutre e traz vitalidade para a natureza, os animais e para nós, seres humanos. Ao longo do tempo, foram atribuídos diferentes nomes, por diferentes pessoas, para essa energia cósmica:

● Na yoga é chamada de Prana;

● Hermes Trismegisto a chamou de Telesma;

● O povo Yorubá a chamou de Asè, o que pra nós, umbandistas, nada mais é que nosso Axé.

Em Yorubá, esse termo Asè (Axé) significa REALIZAR. Se pararmos para pensar, tudo que está presente no universo, o que vemos e o que não vemos, é nutrido por essa energia. Logo, podemos entender, assim como o povo Yorubá, que tudo que conhecemos hoje, todo o princípio, cada partícula, molécula, energia e matéria é uma realização de Olorum, sendo o Axé uma força vital para nossas vidas.

Todos nós absorvemos, metabolizamos e doamos energia o tempo inteiro, seja para o ambiente, para objetos ou pessoas à nossa volta, seja dentro ou fora de um local sagrado. Assim precisamos compreender que essa energia está em movimento o tempo inteiro e que precisamos nutrí-la, cuidá-la e desenvolvê-la diariamente. Por ser uma energia, o Axé pode ser aplicado a diversas afinidades, pode ser absorvível, desgastável e acumulável. Podemos observar e sentir diferentes intensidades, cargas energéticas e diferentes manifestações, como por exemplo: cada Orixá possui uma energia diferente, o Axé vindo da irradiação de Ogum ou Iansã é diferente do Axé presente na irradiação de Oxalá e Nanã. Não significando que são energias mais fracas ou fortes que a outra, mas sim que são energias que vibram de formas diferentes, trazendo, cada uma delas, uma frequência e um Axé diferente uma da outra.


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Aproveitando o exemplo dos Orixás, uma maneira de podermos sempre realimentar e estarmos mais próximos desse Axé é fazendo nossas oferendas sempre com muito respeito, com a cabeça firme e com calma, para podermos conseguir nos conectar, absorver e sentir essa energia divina em nossas mentes e em nossos corações. No mundo de hoje, com todas tecnologias disponíveis tão facilmente, com nosso modo de vida rápido e, muita das vezes, no automático, precisamos ter um trabalho redobrado ao cuidarmos do nosso Axé. Estamos sempre muito preocupados com o trabalho, com os estudos, com cuidarmos das pessoas que amamos, sempre buscando resolver problemas o tempo inteiro e acabamos esquecendo de cuidar de nós mesmos e da nossa energia. Às vezes vivemos tão no automático que chega a ser imperceptível, porém precisamos sempre buscar nos conectar com nossa ancestralidade, com o divino e com o Axé que está sempre à nossa volta, mas esquecemos de enxergá-lo.

Dito isso, quero convidar cada um para cuidar de seu Axé, tire um tempinho do seu dia, todos os dias, mesmo que seja pequeno, para meditar e conectar-se consigo mesmo e com seu Orí, observe e sinta mais a natureza, mas faça com calma: sinta a brisa dos ventos, pare para ver um pôr do sol, observe a lua e seus sentimentos em cada fase dela, sinta a força das matas, das águas, das pedreiras, pois o Axé também está em cada uma dessas forças, ele está nos animais, nas plantas, nos minerais, está nos gestos, nas pessoas, nos pensamentos, nas falas, nosso Axé nos acompanha sempre, para além do terreiro. E como qualquer outra energia, é preciso ser cuidada, ser renovada e recarregada.

Que seu Axé seja leve!

Isabela de Iansã


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Alecrim

 Alecrim

O alecrim (Rosmarinus officinalis) é uma planta aromática perene, originária da região do Mediterrâneo, conhecida por suas folhas finas, rígidas e extremamente perfumadas. Seu crescimento ocorre de forma vigorosa em solos secos, bem drenados e sob sol pleno, o que faz do alecrim um símbolo natural de resistência, vitalidade e clareza. Seu aroma intenso é resultado da alta concentração de óleos essenciais presentes nas folhas, responsáveis por sua ação estimulante e purificadora.


7 benefícios do alecrim para a saúde e como utilizá-lo


Na Umbanda, essa característica é compreendida como a capacidade da erva de ativar a energia vital, despertar a mente e elevar o padrão vibratório do ambiente e da pessoa. O alecrim é considerado uma erva que atua principalmente na organização do campo energético, auxiliando na dissipação do cansaço espiritual, da confusão mental e da estagnação emocional. Seu axé favorece a lucidez, a concentração e o fortalecimento da fé, sendo muito indicado para momentos de recomeço e retomada da confiança.

Na prática umbandista, o alecrim é utilizado em banhos energizantes, defumações, firmezas espirituais e na preparação de ambientes, sempre com o objetivo de revitalizar, proteger e fortalecer o campo espiritual. Visto como uma erva de energia viva e renovadora, que simboliza a força da natureza em movimento, trazendo clareza, ânimo e equilíbrio dentro das práticas da Umbanda.


Alice de Xangô


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Abebé de Oxum e Iemanjá

 Abebé de Oxum e Iemanjá

Embora Oxum e Iemanjá compartilhem o domínio das águas e o uso do Abebé, a essência de seus espelhos revela facetas distintas da psique humana, funcionando como portais para diferentes níveis de autoconhecimento. Enquanto Oxum rege as águas doces dos rios que serpenteiam e se adaptam, Iemanjá governa a imensidão salgada do oceano, a origem de toda a vida. Essa distinção geográfica e espiritual reflete-se na maneira como cada uma utiliza o espelho e, consequentemente, no que cada uma exige de nossa maturidade emocional.

O Abebé de Oxum é o espelho do indivíduo e da estratégia. No contexto das comunidades tradicionais, ele representa a construção do "eu" e a preservação do axé pessoal. É o espelho que reflete o detalhe, a joia, a identidade que se lapida para brilhar. Oxum utiliza o espelho para a autogestão: ela se olha para se reconhecer poderosa antes de agir. Para a nossa psique, esse espelho é o chamado para a autoestima e para a inteligência emocional; é a ferramenta que nos permite ver nossas próprias sombras para que possamos transmutá-las em luz, impedindo que o julgamento externo nos defina.


Quando o Rio Encontrou o Mar Oxum e Iemanjá – música e letra de Cae lopes |  Spotify


Por outro lado, o Abebé de Iemanjá é o espelho da coletividade e da ancestralidade. Sendo ela a "Mãe cujos filhos são peixes", seu espelho não reflete apenas um rosto, mas um oceano de histórias. Nas práticas empíricas dos terreiros, o espelho de Iemanjá está ligado ao equilíbrio da mente (o Orí) e à profundidade do inconsciente. Se o espelho de Oxum nos ensina a amar quem somos, o de Iemanjá nos ensina de onde viemos. Ele funciona como uma superfície que acalma as ondas mentais, permitindo que olhemos para as nossas raízes e para o impacto de nossas ações na família e na comunidade. É um espelho que exige responsabilidade, pois reflete não apenas o indivíduo, mas toda a linhagem que o sustenta.

Comparando essas duas ferramentas com as necessidades da vida moderna, percebemos que sofremos de uma desregulação entre esses dois espelhos. Vivemos em um olhar para si mal compreendido, focado apenas na estética e no ego, enquanto negligenciamos a profundidade de Iemanjá, que nos conectaria à empatia e ao cuidado com o coletivo. O conhecimento espiritual popular nos recorda que o equilíbrio é fundamental: é preciso o brilho de Oxum para não nos anularmos, mas é necessária a imensidão de Iemanjá para não nos tornarmos superficiais.

Aprender com esses dois instrumentos é entender que o autoconhecimento possui camadas. Às vezes, precisamos do espelho de Oxum para resgatar nossa dignidade e brilho pessoal em meio ao caos; em outras, precisamos mergulhar no espelho de Iemanjá para silenciar o ego e compreender que somos parte de um oceano muito maior. 

Renata de Iansã