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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Arruda em rituais de benzimento na Umbanda

 Arruda em rituais de benzimento na Umbanda

A arruda na Umbanda é mais do que uma mera erva: é proteção, limpeza e coragem. Originária dos Balcãs, introduzida na Europa e trazida para o Brasil no contexto colonial, a arruda já era venerada desde a Antiguidade como escudo contra energias ruins, na Grécia usada para afastar doenças, na Roma antiga para proteger do mal e na Idade Média contra feitiçarias e até a Peste Negra. Essa reputação atravessou séculos para entrar com força na Umbanda, angariando saberes populares e religiosos


 

Na umbanda, especialmente nos trabalhos de benzimento conduzidos por Pretos Velhos, a arruda é presença constante. A erva é classificada como quente, expressando sua potência em cortar o mau-olhado, esfriar obsessores e dissolver energias densas. Observa-se seu uso em passes nos consulentes, em defumações, banhos de descarrego, amuletos e patuás (cruzes, figas) que carregam proteção e vibrações de prosperidade. 

Além do uso prático, há um fundamento espiritual, ao “passar” os ramos sobre o corpo, o benzedor atua como canal para a arruda realizar sua tarefa de purificação. A fumaça forte dessas folhas queima o ambiente carregado, abrindo espaço para a luz espiritual, e o simples aroma já afasta espíritos negativos. 

Um detalhe curioso e revelador de como a Umbanda trabalha em sintonia com a natureza é que se acredita que a arruda se torna um tipo de termômetro espiritual: se o ambiente está muito pesado, ela murcha ou morre, como se “cedesse sua vida” para restaurar equilíbrio. Isso costuma servir de alerta para defumações e limpeza energética mais profundas.

Outro contraste interessante é entre arruda “macho” e “fêmea”: a macho, de folhas grandes e odor intenso, é associada à proteção e ao descarrego pesado; a fêmea, mais suave, frequentemente guardada para banhos de cura emocional e limpeza mais delicada. 

E, claro, o uso dessa planta tóxica requer cautela: seu uso interno pode ser perigoso podendo até causar abortos ou reações alérgicas. Por isso, na Umbanda, seu uso é restrito à aplicação externa jamais em chás ou ingestões caseiras. 

Renata de Iansã


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