A lei do retorno
Embora os conceitos de Karma, Dharma e Lei do Retorno sejam parecidos e muitas vezes usados juntos, eles têm significados distintos em suas tradições originais e funções espirituais.
Enquanto o Kharma e o Dharma vão ter sua origem nas religiões indianas como o budismo e o hinduísmo, a Lei do Retorno vai estar presente em diversas tradições espirituais (Espiritismo) e afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé. De forma resumida, poderíamos dizer que cumprir o Dharma gera um bom Kharma, que ativa uma Lei do Retorno positiva. Mas então, o que é a Lei do Retorno e qual o seu papel dentro da Evolução Espiritual?
A Lei do Retorno é uma crença espiritual e filosófica que afirma que tudo o que fazemos, seja bom ou ruim, retorna para nós de alguma forma. Essa ideia está presente em diversas tradições religiosas e também no nosso cotidiano, quando dizemos coisas como "aqui se faz, aqui se paga" ou "você colhe o que planta". Reuni alguns princípios que regem essa lei e que são fundamentais para que
entendamos como é o seu funcionamento:
1) Causa e efeito espiritual: toda ação gera uma consequência. Nossas atitudes, pensamentos e intenções criam uma energia que retorna para nós de forma equivalente.
2) Tempo e paciência: o retorno nem sempre é imediato. Pode vir em dias, anos ou até em outras encarnações (segundo doutrinas reencarnacionistas).
3) Justiça divina: está ligada à ideia de que o universo, Deus ou os orixás regulam as consequências com base na Justiça Maior, mesmo quando não compreendemos os porquês.
A Lei do Retorno não é punição, mas aprendizado. Ela nos convida à responsabilidade sobre nossos atos, palavras e pensamentos, pois tudo que emitimos nos será devolvido, mais cedo ou mais tarde.
Na Umbanda, muito se fala sobre karma, merecimento, caminhos abertos ou fechados. Mas poucos compreendem a profundidade da Lei do Retorno e como ela está intimamente ligada ao verdadeiro processo de evolução espiritual. Dentro da religião, essa energia de retorno é observada e equilibrada com o auxílio dos orixás e guias espirituais. Ela não pune, apenas ensina, sendo assim, um espelho da nossa conduta espiritual.
Existe uma crença entre as pessoas, de forma geral, de que evolução espiritual é sinônimo de ser "perfeito", ou de viver sem dor. Mas a Umbanda ensina o contrário: evoluir espiritualmente é reconhecer seus erros, assumir suas escolhas, e agir diferente a partir disso. E a Lei do Retorno é parte fundamental dessa evolução. A dor que retorna não é castigo, mas sim uma consequência educativa, um convite à mudança. O sofrimento, muitas vezes, não é sentença, mas sim uma ferramenta. Assim como o bem que volta não é um prêmio, é reflexo da vibração espiritual emitida.
O verdadeiro passo de evolução espiritual acontece quando a pessoa para de atribuir culpa aos outros (ou às entidades), e assume responsabilidade sobre sua própria vida.Esse entendimento liberta porque devolve ao espírito o poder de transformar sua jornada. Devemos, portanto, entender a Lei do Retorno como uma oportunidade de mudança, não um castigo divino. Ela orienta o espírito ao longo de sua jornada evolutiva, devolvendo com sabedoria tudo o que foi emitido, para que possamos aprender, curar e crescer. Desmistificar a evolução espiritual é compreender que não há atalho, mas há amparo. Evoluir não é se livrar do retorno, mas vivê-lo com consciência e fé.
Camila de Iemanjá
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