Ewá é o véu que cobre e revela
Na neblina que envolve os caminhos ela se manifesta como mistério e encanto, guardiã dos segredos que só os olhos da alma conseguem decifrar. Sua beleza não é apenas contemplação: é magia que envolve, é poder que transforma, é enigma que, se não for compreendido, paralisa e cega.
Filha de rios e das águas turvas, ela dança entre os véus da existência, conduzindo o olhar para além da superfície. A serpente que a acompanha não é apenas guardiã, mas símbolo da transformação constante, da pele que se renova, da vida que se recicla. Assim é Ewá: movimento e quietude, mistério e revelação, morte e renascimento.
No campo sagrado dos cemitérios, ela habita como senhora do silêncio e do tempo. Ali, onde muitos veem apenas o fim, Ewá enxerga o portal da eternidade. Seus passos caminham entre os mundos, e é nesse espaço de transição que sua beleza se mostra mais plena: delicada como a neblina da manhã, mas firme como a certeza da noite.
Ewá é o equilíbrio que me sustenta, a adjunta que me guia. Quando a contemplo, percebo que sua beleza não é mero ornamento: é força, é lição, é prova. Quem não a estuda, quem não se aprofunda em seu mistério, corre o risco de se perder na contemplação, enfeitiçado por um encanto que prende ao invés de libertar.
Mas eu, como filha, aprendi que sua beleza é o caminho. Ela me ensina a atravessar a neblina sem medo, a honrar o silêncio do cemitério como um berço de sabedoria, a compreender a serpente como renascimento. Sua presença é meu espelho e meu guia, meu equilíbrio e minha força.
Ewá é o reflexo de tudo o que é sutil e grandioso. É a certeza de que a verdadeira beleza é mistério, é poder, é sabedoria e que só quem ousa ir além do encanto descobre a profundidade de sua luz.
Erika de Ewá
Nenhum comentário:
Postar um comentário