O fumo e suas lendas
De modo amplo, o fumo é a folha da planta Nicotiana tabacum (e de espécies próximas). Após colhida e curada, seu uso é diverso: queimada, inalada, mastigada ou cheirada, dependendo da cultura e do contexto. Contém nicotina, substância de ação psicoativa e altamente viciante, além de outros compostos aromáticos e químicos que variam conforme o cultivo, a cura e o preparo. Muitas das histórias sobre o uso dessa planta estão ligadas aos rituais e práticas espirituais dos povos indígenas, especialmente na América antes da chegada dos europeus. Uma grande persona conhecida através desses costumes, é a Caipora.
Segundo uma das lendas, na mitologia indígena Tupi-guarani, a Caipora é uma entidade que protege os animais das florestas; aparece para assustar e confundir caçadores que entram na mata com intenção de matar mais do que precisam. Ela pune aqueles que caçam por ganância, espantando os animais, confundindo os cães de caça e os enganando com sons, assobios e pistas falsas para que se percam. Essa figura pode ser homem ou mulher, dependendo de quem a conta; tem o corpo pequeno, coberto de pelos, cabelos vermelhos e volumosos, alguns dizem que seus pés são virados pra trás, e vem sempre montada num queixada, o porco-do-mato, carregando uma lança na mão e seu fumo na boca.
Figura do folclore brasileiro, seu nome no tupi antigo é Caaporã, que significa “habitante do mato”, e se mostra presente através do assobio e do cheiro do fumo queimado. Os antigos diziam que quando o assobio tá perto é porque ela tá longe, e quando o assobio tá longe, é porque ela está por perto. Caipora teme a claridade, por isso o fogo é usado como forma de afastá-la. Mas há também quem prefira fazer um trato com ela: antes de adentrar a mata, o caçador deve deixar um pedaço de fumo de corda no tronco de uma árvore pedindo permissão pra caçar e voltar, dizendo em voz firme: “Toma, Caipora, deixa eu ir embora.”, e ela deixa mesmo.
É imperioso destacar que a prática de usar o fumo como oferenda, se dá pela cultura indígena que acredita no espírito do fumo. Um deus que habita em suas folhas, e que com sua fumaça, leva mensagens, acorda entidades e se entranha nas raízes dos vivos e dos mortos.
Lívia de Obaluaê
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