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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fumo

 Fumo

O fumo é amplamente utilizado na Umbanda para trabalhos em defumação e energização dos guias. Sua utilização traz característica ancestral, pois desde os primórdios nossos ancestrais fazem uso do fumo para manipulação energética.

Além do fumo utilizado puramente, na maioria dos trabalhos de umbanda mistura-se ervas específicas conforme a necessidade de cada trabalho.



A fumaça gerada através do fogo no fumo gera a "queima", não ao do fumo mas também energética, podendo dependendo do trabalho ocasionar também a "impregnação " da energia emanada, no caso de energização através do  fumo.

Não se pode ignorar a importância e a essência da utilização do fumo e demais itens energéticos nos trabalhos, pois tudo tem um porquê.

Mylene de Ogum Rompe Mato


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Exu Arranca Toco

 Exu Arranca Toco

Certa vez, o Exu Arranca Toco me contou como passou a trabalhar na falange de Arranca Toco. Para compreender sua história, é preciso primeiro entender a missão dessa linha de trabalho. Os Exus Arranca Toco atuam sobre tudo aquilo que se encontra enraizado na vida das pessoas, sejam dores, vícios, traumas, obsessões, padrões de comportamento ou situações que impedem seu crescimento espiritual material. Seu trabalho é encontrar a origem do problema e arrancá-lo pela raiz.

Durante nossa conversa, ele me perguntou se eu já tinha visto alguém arrancar o toco de uma árvore. Respondi que sim e que era um trabalho difícil, pois não bastava cortar o tronco; era necessário retirar as raízes que permaneciam presas à terra. Então ele me explicou que sua missão era exatamente essa: ajudar a remover aquilo que mantém os filhos presos ao sofrimento, impedindo-os de seguir adiante. 

Em sua última encarnação, segundo me contou, foi uma pessoa de temperamento difícil e acabou atraindo muitos inimigos. Sua vida terminou de forma violenta, sendo assassinado e enterrado em uma mata fechada, próximo ao toco de uma árvore. Por muito tempo, permaneceu ligado à dor daquela experiência, preso às lembranças, às mágoas e aos sentimentos que ainda o mantinham conectado ao passado.

Foram necessários muitos anos de aprendizado e transformação para que pudesse se libertar dessas correntes invisíveis. Quando finalmente aceitou o amparo da espiritualidade, encontrou uma nova oportunidade através do trabalho na caridade. Foi então que passou a integrar a falange dos Arranca Toco, transformando a própria experiência de sofrimento em instrumento de auxílio para aqueles que também precisam se libertar de suas dores.

Desde então, trabalha auxiliando aqueles que buscam orientação e fortalecimento. Seu olhar sempre me chamou a atenção. Quando o questionei sobre isso, ele me explicou que os olhos de um Exu não se prendem às aparências. Eles enxergam além das máscaras, alcançando aquilo que muitas vezes tentamos esconder dos outros e até de nós mesmos. Ele vê os medos, os conflitos e as raízes dos problemas que carregamos em silêncio, trazendo à luz aquilo que precisa ser trabalhado e transformado. 



Seu trabalho carrega a força das matas e dos caminhos. Por isso, em sua atuação estão presentes as energias de Oxóssi e Ogum. De Oxóssi vem a sabedoria para identificar a raiz do problema, a paciência do caçador e o conhecimento daquilo que está oculto. De Ogum vem a coragem, a firmeza e a força necessária para cortar as demandas e remover os obstáculos que impedem o avanço daqueles que buscam auxílio.

Ao longo da minha caminhada, ele se tornou uma presença muito importante em minha vida. Como sua incorporação não acontece com frequência, ensinou-me algo que considero um dos seus maiores ensinamentos: a importância da conexão através da fé e do pensamento. Aprendi que não é necessário esperar uma manifestação física para conversar com os guias. Sempre que surge uma dúvida, uma angústia ou uma decisão importante, recorro a ele em pensamento, e essa conexão fortalece minha confiança na espiritualidade.

Foi também com ele que aprendi que nenhum guia resolve sozinho os problemas de alguém. Os guias nos oferecem amparo, direção e confiança, mas cada pessoa precisa encontrar dentro de si a coragem para dar os próprios passos. Muitas vezes esperamos soluções prontas, quando, na verdade, o maior trabalho é nosso. O guia aponta o caminho, sustenta e fortalece, mas a caminhada continua sendo responsabilidade de cada um.

Esse é o Exu Arranca-Toco que conheço: uma entidade firme e acolhedora, cuja história de superação se transformou em missão. Através de seus ensinamentos, compreendo diariamente que muitas das raízes que nos aprisionam precisam ser arrancadas por nós mesmos.

Eu sou pequenininho, de mim não faça pouco, olha lá ele é Exu, Exu Arranca Toco

Eu sou pequenininho, ninguém tem nada com isso, tem gente que é grande e não dá conta do serviço.

Laroyê, meu padrinho.

Jéssica de Obaluaê


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Medicina indígena

 Medicina indígena

Os povos indígenas trazem culturas ricas de tradições ancestrais e conhecimentos em todas as áreas da vida, principalmente quando se trata da área da saúde, de modo que as diversas práticas e saberes ficaram popularmente conhecidos como medicina indígena e esse conhecimento é transmitido de geração em geração, através de cada ancestral físico e espiritual da floresta.

Na floresta, o cuidado é coletivo, ou seja, sempre é cuidado o corpo, o espírito e a terra. Assim, quando um integrante da aldeia está doente, todos da aldeia se encontram doentes, pois o um é coletivo. As práticas de cura indígena envolvem rituais de banho, defumação, garrafadas, xaropes e chás.

Muito se observa os processos ensinados dos ancestrais para os mais jovens e a importância de preservarmos esses ricos rituais através de plantas medicinais como o cumaru, mucuíba, copaíba, andiroba. São usadas também raízes de árvores, folhas, sementes trituradas, óleos e leites das próprias plantas, cada uma tendo sua rica importância. A forma em que esses conhecimentos são passados para os mais novos é através de cantos, muito da cultura indígena é ensinado através de cantigas e de histórias nos encontros das aldeias.

Para os povos tradicionais, a medicina indígena não é apenas uma forma de cura do físico, está ligada à identidade dos povos e à natureza, é a mais pura raiz da ancestralidade brasileira, é uma energia vital para cada um que compõe o coletivo indígena, é uma forma de cuidar de si mesmo, do próximo e de preservar a natureza.



Os indígenas acreditam que muitas doenças acontecem por causa da destruição que causamos ao ambiente, seja ele terrestre ou aquático, pois o princípio de tudo é a Mãe Terra e ela é habitada pelos Waimahsã, que são seres guardiões da natureza, com os quais todos os seres humanas devem interagir e se comunicar para pedir licença e usufruir dos recursos que nossa casa pode nos dar. De outro lado, ao destruirmos os ambientes, estaremos destruindo a casa dos Waimhsã, assim eles lançariam doenças, conflitos e feitiçarias para àqueles que destruíram seu lar.

Nesse contexto, os povos tradicionais creem que não é possível tratar doenças apenas com medicamentos, a cura depende de uma combinação de vários fatores: medicina das plantas, benzimentos e, principalmente, mudança de costumes como dietas específicas para cada mazela, exclusão de carne, sexo, álcool, bem como diferentes tratamentos à mãe natureza.

Quando se há preconceito, as pessoas vestem uma ignorância enorme, a qual impossibilita o entendimento do conhecimento indígena. Digo isso pois várias pessoas acreditam que a cura tradicional e espiritual é na verdade uma cura que envolve magia e energias negativas, quando na verdade, é apenas uma medicina diferente da medicina branca e ocidental. 

É importante valorizarmos cada ensinamento trazido pela espiritualidade e por povos indígenas, sempre mantendo o respeito para compreendermos cada aspecto cultural de seus rituais e cerimônias de cura. Que os encantados das matas nos direcionam e nos guie na busca pelo conhecimento ancestral! 

Isabela de Iansã


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Música

 Música

Música refere-se a combinação e a organização de sons e silêncios ao longo do tempo. É uma forma de expressão que utiliza os sons como matéria prima, assim como a linguagem convencional utiliza palavras. Dentro da música existem algumas divisões importantes:

Melodia: Normalmente é a parte que você cantarolar (assobiar, gruda na cabeça);

Harmonia: É a combinação de vários sons tocando de forma compatível (todos os instrumentos conversando entre si, sintonizados, harmoniosos);

Ritmo: É a pulsação da música, quem organiza o tempo musical. (palmas, balanço da cabeça, pé batendo);

Timbre: Identidade de cada som, cada voz tem um timbre único, assim como os instrumentos, por mais que toquem a mesma nota.

Resumidamente é isso, a arte de combinar sons e silêncios a fim de transmitir algo.

Em termos de respostas, perguntas como: “Em que momento surgiu a música?” ou “Quando e como o homem primitivo começou a fazer música?” entram no campo do impossível, porém, sabe-se que a origem e desenvolvimento da música acompanham e se confundem com a história da humanidade. O som e o ritmo estão presentes na natureza e são, possivelmente, os primeiros componentes da linguagem musical com os quais o homem entrou em contato, já no útero, através das pulsações do coração materno. O homem experimenta a existência de elementos rítmicos e sonoros em seu próprio corpo, através dos batimentos cardíacos, na respiração, ao caminhar e produzindo sons com o corpo, através das mãos, dos pés e da voz. Não há arquivos sonoros das épocas primitivas, porém existem algumas hipóteses sobre a origem do canto humano.

Alguns pesquisadores afirmam que o canto surge pela necessidade de expressar sentimentos (PAHLEN, 1965); outros, ainda, acreditam que o homem, encantado com os ruídos emitidos pela natureza, tenta imitar o som dos pássaros, de ondas, ventos e trovões, iniciando seu próprio (BAITELLO JR. apud ZAREMBA; BENTES, 1999). O ritmo pessoal que cada homem possui facilita o desenvolvimento da sua capacidade musical. O homem primitivo, ao observar fenômenos da natureza e animais, pôde experimentar sentimentos impossíveis de serem expressados em seu vocabulário restrito. Dessa forma, desde a Pré-história é impossível dissociar a música da emoção.

Apesar das diferenças entre os pensamentos sobre a origem do canto e da fala, há uma concordância que a música é um meio de comunicação muito importante entre os homens. E através dessa comunicação musical, o ser humano conseguiu também se fortalecer como espécie, pois através desse entendimento entre espécies, foi possível a aproximação e a formação de grupos, tornando o homem um ser social. Além do canto, o homem pré-histórico percebeu que ao assoprar ossos furados, bater palmas ou percutir em peles de animais curtidas e esticadas poderia produzir diferentes sons. 

Todas as hipóteses da prática musical no período pré-histórico foram traçadas a partir de pesquisas arqueológicas, antropológicas e musicológicas. Os instrumentos mais antigos, flautas feitas de ossos com apenas um orifício, são do Paleolítico Inferior (período mais antigo da Pré-História dos humanos), usados provavelmente em caçadas para imitar sons ou cantos de animais e pássaros, ou para os homens se comunicarem. No Paleolítico Médio foram encontradas flautas com três a cinco orifícios. Em 2009 foi descoberta no sul da Alemanha, próximo à caverna de Hohle Fels, uma flauta feita de osso de abutre, datada de 35 mil anos, com quase 22 centímetros e cinco buracos, o osso tem marcas de linhas em volta dos buracos, sugerindo que os buracos foram calibrados para produzir um som melhor. Vários instrumentos musicais foram encontrados nessa área, reforçando a ideia de que os humanos paleolíticos desenvolveram uma cultura rica. Foram encontrados no total quatro fragmentos de quatro flautas. Além da flauta quase inteira em osso de urubu, três instrumentos foram feitos em marfim de mamute.



Os sumérios possuíam um método próprio de leitura musical e se utilizavam de instrumentos para acompanhamento vocal. Sua música tinha o estilo religioso e estava presente em todas as cerimônias solenes ou familiares. Construíram instrumentos de sopro a partir de chifres de animais e produziram também instrumentos de percussão. A música era para os sumérios, assim como a literatura, a linguagem e a matemática, uma das disciplinas básicas do ensino formal.

Para os babilônios, a música estava associada à animação de tropas durante as batalhas; alegravam os banquetes e festas em tempos de paz. O canto era utilizado para a caça, o amor, o ódio, a guerra, evocação dos mortos, estados de transe, entre outros. Para os assírios, a música era símbolo de poder, respeito e vitória. Os músicos eram mais reverenciados e estimados que os próprios sábios. A música hebraica sofreu influência de outros povos, porém consolidou-se com características próprias: caráter religioso, guerreiro, festivo e de lamentação. A Bíblia constitui a principal fonte documental sobre a referência à música hebraica. Não há muitas informações sobre a música fenícia, os fenícios são considerados os inventores de alguns instrumentos musicais, como a flauta dupla. 

Os egípcios tinham uma abundante atividade musical e diversidade de instrumentos musicais. A música egípcia estava ligada à religião, mas possuía um estilo de música para cada ocasião: de caráter religioso, nos cultos aos mortos e aos deuses; de caráter militar, quando eram cantados hinos em honra aos vencedores; de caráter social, animando banquetes solenes, cantos de trabalho, entre outros. A música egípcia era composta por cantos acompanhados por instrumentos e danças. Era coletiva e as mulheres tinham um papel importante e os músicos uma situação social inferior. A única notícia que se tem da cultura musical medo-persa antiga é que ela abrangeu toda a música e instrumentos musicais dos egípcios e mesopotâmicos, especialmente assírios, babilônios. A música persa é monofônica, ou seja, todos os instrumentos têm o mesmo padrão melódico sem conotações harmônicas. Na Grécia antiga, a música estava vinculada a todas as manifestações sociais, culturais e religiosas. Era a mais importante das artes, essencial para a educação e considerada uma força obscura, conectada com potenciais do bem e do mal. Bem ensinada, poderia ser um dos meios para atingir a virtude, segundo Platão. (do grego surgiu o a palavra mousiké téchne, que significa “a arte das musas”)

A música cristã não surgiu do nada; ela herdou a estrutura das sinagogas judaicas da Antiguidade. Nos primeiros séculos, a música era estritamente monofônica (apenas uma melodia, sem harmonia ou acordes). Os salmos bíblicos eram cantados de forma direta, herdando a tradição dos levitas de Jerusalém. Diferente dos Caldeus, os primeiros cristãos evitavam instrumentos em cultos públicos para se diferenciarem dos rituais pagãos romanos. O foco era a "música do coração" e a clareza da palavra. Com o tempo, essa tradição se consolidou no Canto Gregoriano. O ritmo aqui não era marcado por batidas de tambor, mas pelo ritmo da respiração e das sílabas do texto em latim. A música era vista como um reflexo da harmonia celestial. Cantar em coro simbolizava a união da comunidade ("um só corpo, uma só voz").

Enquanto a tradição europeia focou na melodia, a música africana desenvolveu uma complexidade rítmica e tímbrica inigualável. A polirritmia é o coração da música africana. Diferentes ritmos são tocados ao mesmo tempo por vários instrumentos de percussão (como o Djembe ou o Talking Drum). O que parece confuso para ouvidos destreinados é, na verdade, uma sobreposição matemática perfeita de tempos. Na maioria das línguas tradicionais africanas, não existia uma palavra isolada para "música". Ela estava integrada à vida: existiam canções específicas para plantar, para colher, para rituais de passagem e para contar a história da tribo (preservada pelos Griots, os contadores de histórias). A “Chamada e Resposta” é uma técnica onde um líder canta uma frase e o grupo responde. Essa estrutura é a base de quase tudo que ouvimos hoje, do Blues ao Jazz e ao Samba. O uso da Kora (harpa-alaúde) e da Kalimba (piano de polegar) demonstra uma busca por timbres metálicos e ressonantes que imitam elementos da natureza ou vozes ancestrais.

Dentro da cultura indígena a música é transmitida dos mais velhos para as crianças de forma oral. Ela pode estar ligada a momentos especiais, como festas, rituais, narrativas míticas e também ao dia a dia da aldeia! Os povos também cantam para brincar, caçar, pescar e construir as suas malocas. O canto e o som do Maracá servem para abrir canais de comunicação com a pajelança e realizar curas. Diferente dos Caldeus, as culturas indígenas das Américas focaram menos em cordas e mais em aerofones. É comum encontrar flautas e apitos que muitas vezes são feitos de bambu, ossos de animais ou argila, com afinações que imitam o som da floresta. Também é encontrada a percussão de corpo e solo, constituídas por batidas de pés rítmicas que conectam o corpo do indígena à terra, criando uma vibração que ressoa no solo.Introdução dos instrumentos na Umbanda.


 

O primeiro terreiro fundado por Pai Zélio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas trabalhava sem atabaques, usando apenas as palmas e cantos na sustentação das giras, alguns terreiros ainda mantêm essa tradição. Outras tendas fundadas por Pai Zélio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas, introduziram os atabaques devido, principalmente, à influência das culturas africanas e do Candomblé. Os pontos de umbanda trazem no corpo e na letra uma grande miscigenação, atribuindo ritmo, palavras de origem indígena e africana, nomes de santos.

Na Jurema, o Maracá se fez presente desde o início do culto, tendo origem com a cultura indígena, ele tem a função de ritmar, dissipar energias e evocar a força dos ancestrais e encantados. A introdução do ilu (tambor) na Jurema Sagrada ocorreu como parte da influência e miscigenação com as religiões afro-brasileiras, especialmente no Nordeste, trazendo o tambor de origem iorubá, para conduzir o ritmo das giras e a chegada das entidades. Os pontos juremeiros possuem grande presença católica em sua estrutura, tanto na melodia cantada, quanto aos versos que citam os santos católicos.

A Curimba é quem compõem o grupo musical dentro do terreiro e cabe a curimba movimentar a energia vinda do congá, distribuindo-a pelo terreiro, potencializando, através das ondas sonoras, as vibrações e dissolvendo as energias negativas, criando assim um ambiente propício para os trabalhos que serão realizados. Seus integrantes devem cantar, bater palmas e tocar do início até o encerramento da gira para manter a vibração dos trabalhos e impedir que ela flua de maneira diferente do que está sendo exigido no momento. Qualquer desequilíbrio na energia pode atrapalhar a concentração dos médiuns incorporados, atrapalhando também o trabalho como um todo. A curimba auxilia na concentração e no foco dos médiuns de incorporação através dos toques e cantos que irão envolver suas mentes, ajudando na alteração de consciência e na criação de uma atmosfera psíquica positiva para os trabalhos. É também um grande polo movimentador, potencializando a energia que vem do congá. Além de auxiliar na sintetização da egrégora, a curimba, através da frequência emanada pela harmonia, é capaz de, por si só, auxiliar a quem necessita de um aumento vibracional, pois assim que a música entra em contato com o corpo (seja ele espiritual ou não), ela faz com que a frequência vibracional se modifique, mesmo que seja uma pequena porção.



O curimbeiro deve estar sempre atento à sua função para evitar confusões que possam atrapalhar o andamento dos trabalhos durante a gira. Pensamentos e emoções alheios podem gerar um contra fluxo energético, afetando negativamente os atendimentos. O fluxo de energia emanado pela curimba deve ser sempre ordenado e constante. Assim como os instrumentos que compõem a curimba, os seus integrantes também vão emanar energia. Por essa razão, é de extrema importância que o médium da curimba se monitore no decorrer do seu dia a dia e, principalmente, nos dias de gira. Durante a semana devem fazer suas firmezas, orações, vigiar os pensamentos, ações e palavras, sempre prezando pela paz e equilíbrio. 

Nos dias de gira o curimbeiro, assim como todos os integrantes da casa, devem se manter serenos, cumprir os preceitos e chegar mais cedo no terreiro para entrar em contato com as energias ali presentes. Caso o médium chegue agitado, ele deve se sentar, acalmar seus pensamentos, meditar, restabelecer o equilíbrio e adequar sua vibração. Se o médium está vibrando raiva, ansiedade, tristeza, desânimo, todos esses sentimentos serão emanados para o restante do terreiro, isso causará desequilíbrio na energia da gira e irá atrapalhar os trabalhos que estão sendo realizados. Por isso é tão importante que os curimbeiros sempre executam sua função com amor, gratidão e felicidade, para que possam emanar boas vibrações e contribuir positivamente para o resultado dos atendimentos.

Lays de Oxaguian


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Xangô

 Xangô

Falar sobre o Orixá Xangô é retratar a imposição de uma pedreira, a resistência de uma rocha e também a força que ela carrega para ocupar e sustentar seu espaço. Xangô é um orixá guerreiro, que irradia sua força através das pedreiras, que também são a base das cachoeiras de Oxum.

O símbolo de Xangô é um machado, uma mistura de sua pedreira e a demonstração da sua força para lutar. Não apenas força este Orixá demonstra, apesar de duras e aparentemente imutáveis, as pedreiras também se moldam ao tempo, à natureza, seja em seus formatos, ou em cachoeiras que passam por elas, mostrando a  necessidade de se adaptar, por mais que essa adaptação possa ser demorada.



Os filhos de Xangô carregam consigo a fortaleza de uma pedreira, a sabedoria de anos que uma Rocha carrega consigo, mas carregam a necessidade de aprender a se moldar conforme o mundo externo solicitar e demandar.

Xangô meu pai.

Mylene de Ogum Rompe Mato


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Omolu

 Omolu

Omolu é o Orixá que representa a transformação, a cura e a renovação da vida. Na Umbanda, sua força está ligada ao encerramento de ciclos, à purificação e ao renascimento, lembrando que toda cura começa quando aceitamos transformar aquilo que já não nos serve. 

Seu elemento é a terra, símbolo da vida, da decomposição e do recomeço. É da terra que tudo nasce e para ela tudo retorna, tornando Omolu um Orixá profundamente conectado aos ciclos naturais da existência.

Suas cores mais tradicionais são o preto e branco, que representam o equilíbrio entre os opostos, a passagem da dor para a cura e da escuridão para a luz. Em algumas tradições, também são utilizados tons de palha, em referência às vestes que simbolizam humildade, recolhimento e mistério.

Omolu é conhecido como o grande curador. Sua atuação vai além da cura física, alcançando também as feridas emocionais e espirituais. Ele ensina que o sofrimento não é um fim, mas uma oportunidade de aprendizado, fortalecimento e evolução.



Na Umbanda, Omolu é reverenciado com profundo respeito, pois sua energia convida ao silêncio, à reflexão e ao acolhimento. Seu axé nos lembra que a verdadeira cura acontece quando corpo, mente e espírito encontram equilíbrio.

Mais do que o Orixá das doenças, Omolu é o Orixá da superação. Onde muitos enxergam o fim, ele revela a possibilidade de um novo começo, mostrando que toda transformação exige paciência, humildade e confiança no tempo da vida.

Os filhos de Omolu costumam ser pessoas reservadas, resilientes e muito responsáveis. São conhecidos pela empatia, pelo acolhimento e pela capacidade de superar desafios com serenidade. Valorizam relações verdadeiras, possuem grande força interior e, muitas vezes, encontram propósito em cuidar e ajudar o próximo. Entre seus aprendizados está equilibrar a dedicação aos outros com o cuidado consigo mesmos.

Erika de Ewá 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Pretos Velhos

 Pretos Velhos

Os Pretos Velhos ocupam um lugar de profundo respeito dentro da Umbanda. São espíritos de elevada evolução que se apresentam sob a forma de antigos negros escravizados, utilizando essa roupagem espiritual como um símbolo de humildade, resignação, amor ao próximo e sabedoria adquirida ao longo de inúmeras experiências. Na Umbanda, essa linha de trabalho representa a força da ancestralidade, da paciência e da fé inabalável. São entidades que acolhem sem distinção, orientam com palavras simples e profundas e demonstram, por meio do exemplo, que o verdadeiro crescimento espiritual nasce da prática da caridade, do perdão e da humildade. 

Embora se manifestem com a aparência de idosos que viveram no período da escravidão, a Umbanda ensina que os Pretos Velhos não são, necessariamente, espíritos de ex-escravizados. Essa forma de apresentação é um recurso espiritual carregado de simbolismo, que representa uma fase marcante da história do Brasil e homenageia aqueles que, mesmo diante da dor, da injustiça e do sofrimento, preservaram a fé, a dignidade e a esperança. A escravidão deixou profundas marcas na formação do povo brasileiro. Homens e mulheres africanos foram retirados de suas terras, separados de suas famílias e submetidos a condições extremamente difíceis. Ainda assim, mantiveram vivas suas tradições, sua espiritualidade e sua conexão com o sagrado, transmitindo valores que hoje fazem parte da identidade religiosa da Umbanda.

Os Pretos Velhos simbolizam essa herança espiritual. Representam a experiência acumulada, a serenidade diante das dificuldades e a capacidade de transformar sofrimento em aprendizado e compaixão. Seu ensinamento convida cada pessoa a cultivar a paciência, o respeito, a tolerância e a confiança na justiça divina. Durante os atendimentos espirituais, é comum que essas entidades utilizem uma linguagem simples, acolhedora e repleta de ensinamentos. Seus conselhos buscam fortalecer a fé, aliviar as aflições, promover o equilíbrio emocional e incentivar o desenvolvimento espiritual daqueles que os procuram. Sua atuação é marcada pela caridade, pela escuta fraterna e pelo profundo amor ao próximo.



Diversos elementos fazem parte da simbologia dos Pretos Velhos. O banco baixo representa a humildade; a bengala simboliza o apoio, a firmeza e a experiência adquirida na caminhada espiritual; o cachimbo, presente em muitas manifestações, é compreendido por diversas tradições umbandistas como um elemento ritualístico que simboliza a transmutação e o direcionamento das energias durante os trabalhos espirituais, não devendo ser interpretado apenas pelo seu aspecto material. Já o rosário ou o terço, frequentemente presentes, representam a fé, a oração e a constante ligação com o Divino.Mais do que símbolos, os Pretos Velhos expressam uma filosofia de vida baseada na simplicidade, na caridade e no amor incondicional. Seus ensinamentos recordam que a verdadeira força espiritual não está na imposição ou no orgulho, mas na capacidade de servir, compreender e acolher o semelhante.

Estudar a linha dos Pretos Velhos é compreender a importância da ancestralidade dentro da Umbanda e reconhecer o valor daqueles que transformaram a dor em luz, a opressão em sabedoria e o sofrimento em instrumentos de evolução espiritual. Sua presença nos terreiros inspira confiança, esperança e equilíbrio, fortalecendo a fé dos filhos e mostrando que toda caminhada pode ser iluminada quando conduzida com amor, humildade e dedicação ao próximo.

Bruna de Obá


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Guiadas

Guiadas


     As guiadas ou guias são consagrados usados por médiuns e praticantes, servem para proteção espiritual, firmeza energética e conexão com determinadas linhas espirituais. Funcionam como instrumento de defesa e canalização de energia. Normalmente as guiadas utilizadas para bloquear ou descarregar energias negativas durante as giras, ou atendimentos. Também funcionam como elo vibratório entre o médium e a entidade. As guiadas normalmente são de proteção, quando usadas no dia a dia ou trabalho simples. Ou de trabalho, específicas da entidade incorporada e usadas apenas em giras. 

Geralmente, cada linha tem suas cores de acordo com os trabalhos, por exemplo:

  • Verde: mata, caboclos, Jurema;

  • Branco: oxalá, paz e elevação;

  • ⁠Preto e vermelho: Exu e Pombogira, proteção de esquerda;

  • Preto e branco: pretos velhos, sabedoria.

Algumas casas aceitam que as guias sejam compradas prontas; em outras casas, assim como a nossa, são feitas pelos próprios médiuns, podendo ser preparadas usando contas, sementes, Búzios ou elementos naturais. Devem ser feitas em um momento e lugar calmo, ouvindo pontos de acordo com o fundamento da guia e se concentrando no momento; as guias não devem ser emprestadas, não devem ser usadas para dormir, em relações íntimas e algumas não se usam nas águas, por exemplo guias de Orixás que têm elemento fogo; devem passar por limpeza espiritual, em nossa casa colocamos uma vela de acordo com a guia para queimar ao lado da guia ou no caso da Jurema, descarregamos ela nos pés da Jurema no terreiro.



Em nossa casa os membros da corrente usam a guia branca de oxalá, mas giras e trabalhos na casa e a guia verde, branca e amarela, referente às cores dos Orixás que regem a casa, nas giras e em trabalhos referentes à casa. Os médiuns que já participaram do feitio da Jurema também usam a guia de Jurema que é verde, vermelha, amarela e branca, representando as cores das raízes que são utilizadas no feitinho para fazer o licor, essa é usada no dia a dia.

Os médiuns da corrente e auxiliares usam a guia verde, de Oxóssi, também usada no dia a dia. Os médiuns da corrente e colaboradores usam a guia amarela, de Oxum, utilizada apenas nas giras. Também temos as guias dos Orixás, onde cada médium utiliza as guias dos seus orixás de cabeça, normalmente do Orixá de frente e alguns do adjunto. As demais guias dependem da instrução dos guias da casa para serem usadas, no dia a dia ou apenas nas giras, de acordo com os trabalhos e necessidades de cada um.

As guias são uma forma de proteção e canalização de energia, são instrumentos sagrados e devem ser tratados com cuidado e respeito.

Rebeca de Ossain


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Oração a Exu

 Oração a Exu

Salve o guardião dos caminhos, senhor da ordem e do equilíbrio, que dá o chão para que eu

possa pisar.

Grande protetor, que conhece todas as encruzilhadas, sei que não há lugar que seus olhos não vejam ou porta que sua chave não abra.

Abra meus caminhos pra que eu possa caminhar, Exu. Me ensine também a reconhecer quando sou eu que estou bloqueando a minha estrada. E a diferenciar quando o que precisa se abrir não é o caminho, mas a minha postura diante dele.

Sei que sua força não apenas remove os obstáculos do mundo externo, mas que também revela os desvios internos que precisam ser realinhados. Que eu tenha coragem e humildade para reconhecer a minha desordem.

Senhor da comunicação, que compreende todas as línguas, todas as fomes, todas as direções.

Que eu aprenda o valor da palavra, a expressar o que sinto com clareza e firmeza, e saiba recebê-las de volta.

Que a sua luz carregada de puro movimento não pare de me transformar, conectar, nem de abrir e fechar portas para o mundo.



Divindade que não se prende, me ensine a viver na liberdade e no seu caos criativo, onde a cada dia que passar, eu possa aprender a aceitar a minha falta de controle perante a vida e as situações, e tenha sabedoria para dançar no ritmo da espiritualidade.

Que eu possa sempre honrar a sua força, lembrando que ela está em tudo e em todos, todo o

tempo, mantendo a roda da vida girando.

Sei que nada acontece antes do tempo certo. Exu, me conduza pelo caminho da paciência, e que eu não a confunda com a inércia, entendendo que ela é, na verdade, preparo e ação consciente. 

E as conquistas exigem tempo e constância, pois sem estrutura, nada se sustenta.

Que eu aprenda, com você, a entrar e sair de qualquer lugar. Que nenhum desafio me convença a parar de caminhar.

Exu, a você, peço com fé, mas também buscando andar com verdade, pois sei que os caminhos que se abrem contigo, só se percorre com coragem e presença.

Obrigada, Exu, por tudo!

Camila de Iemanjá


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Oxum

 Oxum

Oxum, é a orixá que traz em sua essência o amor em sua totalidade. Atua na segunda linha da Umbanda, juntamente com Oxumarê, sendo ela, a Orixá irradiadora do amor. Enquanto ela irradia, Oxumarê vem absorvendo todo o excesso, trazendo o equilíbrio para nossas vidas. 

Oxum é dona do ouro, da riqueza, prosperidade e abundância. Da beleza, gentileza e encanto. Traz consigo seu abebé (espelho de mão dourado), sendo suas cores o amarelo ouro e o rosa claro. Em algumas casas pode ser cultuada com a cor azul escuro também. Seu ponto de força são as águas doces (cachoeiras, riachos, nascentes, rios), sendo essa, a melhor representação do amor divino, pois, a água, é o que nutre toda a criação de Deus aqui na Terra. É o que nutre tudo que nós amamos, nutre a vida. A água também é ligada a outro domínio de Oxum, a fertilidade e fecundação.

O sincretismo varia, alguns a sincretizam com Nossa Senhora Aparecida (devido ao local de sua aparição, o rio), outros com Nossa Senhora da Conceição (pela grande representação do amor materno), e outros, ainda, com outras Santas. Sua data de adoração segue o sincretismo, sendo N.S Aparecida 12 de outubro e N.S da Conceição 08 de dezembro. As oferendas a Oxum costumam conter mel, ovos de galinha, frutas amarelas e doces, flores amarelas, rosas ou que nascem no pé da cachoeira. Velas amarelas ou rosas, dependendo do propósito da oferenda.


 


O espelho que Oxum carrega, não significa apenas beleza, traz uma forte representatividade. Quando voltado para si, nos mostra a importância do amor próprio, a importância de se enxergar por inteiro, dar a nós mesmos a devida atenção que merecemos. Nós conseguimos enxergar beleza e amor em tudo que tocamos e vemos, mas a maior dificuldade, é enxergar esse amor em nós mesmos. Devemos lembrar que, o amor deve brotar primeiro em nós, para que depois possamos passá-lo adiante.

É importante ressaltar que Oxum não se restringe a apenas beleza, gentileza e doçura. Em diversos itãns, Oxum demonstra que possui uma grande inteligência e astúcia, onde, através de suas estratégias, consegue derrotar um exército inteiro sem levantar nem uma espada.

O nome “Oxum”, faz referência ao rio Nigeriano, que traz o nome “Òsun”, e é o nome também de um pó de coloração avermelhada, utilizado em rituais para trazer a vida. Sua saudação original é escrita da seguinte forma: 



Significando então: Salve a benevolente mãezinha! Sendo mais comumente saudada com “Ora iê iê ô”.

Os filhos e filhas deste Orixá tendem a ser preguiçosos, egocêntricos, sabem mascarar seus sentimentos, são estrategistas, manipuladores, encantadores e costumam chamar atenção por onde passam. Prezam pela sua boa aparência, e amam se perfumar. São pessoas que quando amam alguém, são extremamente profundos em seus sentimentos, mas não choram por ninguém, só se for por raiva. Podem ter problemas com o perdão e o equilíbrio emocional. São ciumentos, vingativos e podem possuir baixa autoestima; são ambiciosos, teimosos, resilientes e controladores. São pessoas carismáticas, amorosas e normalmente gostam de crianças. 

Oxum é a imponência das águas fortes, mas também a delicadeza, beleza e encanto de uma nascente. Tem o perigo do ferrão da abelha, mas ao mesmo tempo tem a sutileza e a doçura do mel.

Oxum é muito mais do que podemos compreender; é doçura, encanto, beleza, imponência, inteligência, presença, sutileza, graciosidade…

Axé!

 

Lays de Oxaguian


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Exu de 2 cabeças

 Exu de 2 cabeças

Exu de 2 cabeças é um exu de encruzilhada, onde é seu ponto de forças; trabalha na força de Exu, Ogum e Iansã, referente aos caminhos e ventos. Trabalha trazendo o equilíbrio entre a razão e a emoção, se não houver equilíbrio, não haverá caminhos abertos. 



O ponto riscado do Exu de 2 cabeças são três tridentes, representando os três pólos (positivo, negativo e neutro), trazendo o equilíbrio, mostrando que tudo nessa vida tem dois lados e tem o caminho do meio, que é a busca pelo equilíbrio. Deve-se conhecer os dois lados para se escolher o caminho, que pode ser pro bem ou pro mal, depende do ponto de vista, sempre relacionado às leis divinas. O importante é que, ao escolher o caminho, deve-se sustentar essa escolha, mas não ter medo de voltar atrás se preciso for, pois permanecer no erro leva ao desequilíbrio. Ele fuma charuto e, por enquanto, bebe água (que é um líquido que pode se transformar naquilo que precisa).

Se precisar encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção, é só ir até ele.

Laroyê Exu de 2 cabeças 

Rebeca de Ossain


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A força da tempestade

 A força da tempestade

Iansã vem da terra dos antigos povos iorubás, na África, senhora dos ventos, das tempestades, dos raios e dos movimentos da vida. Nada em Iansã é parado. Ela sopra o que precisa ir embora, levanta o que estava caído e ensina que mudar também é uma forma de viver.

Ser filho ou filha de Iansã é carregar essa força dentro de si. É sentir tudo com intensidade. É ter um coração que não aceita injustiças, uma alma que não se acomoda e uma coragem que muitas vezes aparece antes mesmo da certeza. Quem é de Iansã sabe que a vida raramente acontece de forma tranquila.

Existe sempre um vento interno empurrando para frente, pedindo mudanças, cobrando atitudes, exigindo verdade. Mas nem sempre é fácil. Há dias em que a tempestade parece não ter fim. Dias em que os pensamentos se atropelam, as emoções transbordam e o peso de sentir tudo tão profundamente se torna cansativo.

Muitas vezes os filhos de Iansã precisam lutar contra a própria impulsividade, contra a vontade de resolver tudo na hora, contra a dificuldade de aceitar que nem todas as batalhas dependem apenas da sua força.

Existe também o desafio de ser incompreendido. Porque por trás da imagem forte existe alguém extremamente sensível. Alguém que sente mais do que demonstra. Alguém que, apesar da coragem, também se machuca, também se decepciona e também precisa de acolhimento.

Ser de Iansã é aprender que força não significa estar em guerra o tempo todo. É entender que nem todo vento precisa virar furacão. Que algumas situações se resolvem com silêncio, outras com paciência e outras simplesmente com a sabedoria de deixar partir.



Quem carrega Iansã conhece o peso e a beleza das transformações. Sabe o que é perder, recomeçar, reconstruir e seguir em frente mesmo quando tudo parece desabar. E talvez seja justamente por isso que os filhos desse orixá nunca permanecem os mesmos. A vida os transforma constantemente.

Porque Iansã é assim. Ela é a tempestade, mas também é a brisa depois dela. E ser filho ou filha de Iansã é descobrir, ao longo da caminhada, que a maior força não está no vento que derruba tudo, mas na capacidade de continuar em pé depois que ele passa. 

Eparrey, Iansã

Jéssica de Obaluaê


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Instrumentos dos guias

 Instrumentos dos guias

Os guias da Umbanda utilizam diversos instrumentos de trabalho durante os atendimentos e rituais. Esses instrumentos variam de acordo com a linha de atuação de cada entidade, podendo incluir velas, ervas, pemba, bengalas, água fluidificada, cachimbos, charutos, bebidas, dentre outros elementos específicos.

A função desses instrumentos não está no objeto em si, mas na energia e na finalidade espiritual que eles representam. As velas auxiliam na iluminação espiritual e na firmeza dos trabalhos. Já as ervas são utilizadas para limpeza e descarrego energético, a água fluidificada ajuda na harmonização das energias, e a pemba é empregada para traçar símbolos sagrados e pontos riscados.

Esses instrumentos são importantes porque servem como meios de transmissão das energias dos guias, auxiliando nos processos de cura espiritual, proteção, orientação e equilíbrio energético dos consulentes. Dessa forma, contribuem para que o trabalho espiritual seja realizado com maior eficiência e segurança.



Ou seja, todos os instrumentos que lhe for confiado para guardar deve se tratar com respeito, pois ali tem a energia do guia que ali trabalhou, seja para guardá-los ou os servirem.

João Pedro de Omolu


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Logunan

 Logunan

Logunan é uma das Orixás Yabás conhecidas como a Orixá do Tempo, sua saudação é "olha o tempo minha mãe". Por ser uma orixá do tempo, sua energia diz muito sobre o tempo de Deus e não o nosso tempo carnal. Este tempo de Deus seria o tempo que as coisas levam para acontecer conforme a vibração do universo e não nosso tempo no relógio. 

Além disso, esta Orixá também traz muito sobre a fé, pois junto com o tempo de Deus vem a espera. A espera pelo tempo dEle, pela organização ideal das vibrações para que as coisas ocorram, bem como a real necessidade para que aconteçam.



Logunan trabalha conosco a fé em saber esperar o tempo de Deus, compreender que é diferente do nosso carnal e confiar que no tempo dele que as coisas realmente devem acontecer, energética e espiritualmente, não no tempo que achamos ideal.. e que na maioria das vezes é o "agora", imediatamente.

Que possamos saber compreender e viver o tempo do universo, vibrar junto com a vontade divina. 

Axé!

Mylene de Ogum Rompe Mato


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Fumo

 Fumo

Na Umbanda, comumente vemos diversas entidades usando o fumo nos trabalhos. O uso do fumo é muito associado à limpeza do corpo espiritual e é usado como descarrego. A linha da esquerda usa bastante o fumo nas limpezas dos consulentes, o fumo atua descarregando energias pesadas e densas. Devemos entender que o fumo é um elemento que atua em diversos aspectos, pois tem suas propriedades naturais, por ser uma erva, porém ele queima, gerando energia e transformação. O fumo atual no sensorial do consulente e dos médiuns envolvidos no trabalho, trabalhando o cheiro misturado às outras ervas, trabalha a queima e o calor, transformando esse elemento em fumaça. Diversas linhas utilizam do fumo nos seus trabalhos, como Exus, Pombogiras, Caboclos, Pretos Velhos, Boiadeiros e Marinheiro. 



A utilização do fumo pode ser feita de maneira misturada com outras ervas, gerando assim um controle e também uma maior concentração energética ou pode ser usado puro e sozinho também, tudo isso depende da ocasião e do tipo de trabalho que está sendo realizado. O melhor jeito de entender a aplicação nos trabalhos é perguntando diretamente aos guias, pois assim eles explicam a maneira que eles conseguem visualizar o trabalho e como eles manipulam aquela energia. Dessa forma, até o trabalho flui melhor, pois conseguimos entender o que está sendo feito  e o que está acontecendo.

Devemos sempre entender que o fumo é um elemento sagrado e possui uma importância gigante na umbanda, por isso devemos usá-lo de maneira séria e respeitosa.

                                                                                                                    Leonardo de Oxossi”