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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Banho de ervas

 Banho de ervas

O banho de ervas é um trabalho espiritual muito conhecido entre as religiões espiritualistas, como na Umbanda e Candomblé. Atuam na limpeza do campo energético, dissipando as energias densas e influências espirituais negativas. Ao mesmo tempo, promovem o reequilíbrio dos centros de força (chacras), elevam a frequência vibratória e expandem a sensibilidade mediúnica, favorecendo uma conexão mais harmoniosa com a espiritualidade e facilitando os processos de incorporação. Como resultado, contribuem para o equilíbrio físico, emocional, mental e espiritual, restaurando a harmonia e fortalecendo a proteção energética. 

Dentro de nossa casa espiritual, todos os trabalhos são realizados exclusivamente mediante a autorização e orientação dos Guias Espirituais. Seguimos, com respeito e humildade, os ensinamentos da espiritualidade maior, atuando sempre com responsabilidade, ética, segurança e em conformidade com os fundamentos da casa.

As ervas são manifestações sagradas da força da natureza e carregam em si uma vibração, uma essência e uma consciência próprias. Cada planta possui sua missão, sua energia e sua forma

particular de atuar nos campos físico, emocional, mental e espiritual. Assim como cada espírito é único, cada erva também expressa sua sabedoria de maneira singular. Nos banhos, defumações e demais práticas espirituais, as ervas estabelecem uma conexão com o campo energético de cada pessoa. Por isso, seus efeitos podem variar conforme a necessidade, a sintonia e a frequência vibratória de quem as utiliza. Uma mesma erva pode atuar de maneiras diferentes em cada indivíduo, respeitando sempre aquilo que a espiritualidade permite e aquilo que o momento de cada um requer.



As ervas de limpeza e descarrego são empregadas para promover a purificação do campo áurico, remover energias densas, desfazer cargas negativas e fortalecer a proteção espiritual. Entre as mais conhecidas está a arruda, uma das ervas mais tradicionais da Umbanda, reconhecida por seu grande poder de limpeza energética e de proteção contra influências negativas. Outra erva muito utilizada é a guiné, considerada poderosa nos banhos de descarrego por auxiliar na dissolução de demandas espirituais, na limpeza do campo energético e no fortalecimento da proteção espiritual. Já a comigo-ninguém-pode é amplamente respeitada por sua forte vibração de defesa, sendo utilizada para reforçar a proteção contra energias intrusas. Por se tratar de uma planta tóxica, seu uso deve ser sempre feito com cautela e sob orientação adequada.

Após a limpeza, entram em ação as ervas de equilíbrio, harmonização e fortalecimento, que têm como finalidade restaurar as energias, promover serenidade e elevar a vibração espiritual. O manjericão é muito utilizado por favorecer a paz, a harmonia, a prosperidade e o fortalecimento da fé. A alfazema, também conhecida como lavanda, transmite tranquilidade, suaviza as emoções e fortalece a conexão com as energias de luz. A camomila auxilia no equilíbrio emocional, acalma a mente e proporciona conforto ao espírito. O alecrim, por sua vez, é uma erva revigorante, que renova as energias, fortalece a coragem, desperta a alegria, estimula a clareza mental e fortalece o ânimo para a caminhada espiritual.

Na Umbanda, o preparo dos banhos de ervas vai muito além da simples combinação de plantas. Cada banho é elaborado de acordo com a necessidade espiritual de quem o recebe e, sempre que possível, deve seguir a orientação dos Guias Espirituais e da casa, para que sua força, seu propósito e sua vibração sejam utilizados de maneira consciente, respeitosa e em sintonia com a espiritualidade maior.

Bruna de Obá


terça-feira, 28 de julho de 2026

Arruda

 Arruda

A arruda é uma das ervas mais tradicionais da espiritualidade brasileira. Presente nos quintais de nossos avós, nas rezas das benzedeiras e nos terreiros de Umbanda. Ela é conhecida por seu potencial de proteção, limpeza energética e fortalecimento espiritual.

Na Umbanda, a arruda é considerada uma erva quente, de energia intensa e ação firme. Por isso, é muito utilizada em banhos de descarrego, defumações, benzimentos e na harmonização de ambientes. Seu uso busca auxiliar na remoção de energias densas e no fortalecimento do campo espiritual, sempre aliado à fé, à oração e à atuação dos Orixás e guias espirituais.



Os antigos já compreendiam que toda erva merece respeito. A arruda nunca foi utilizada de forma indiscriminada. Por ser uma erva quente, seu uso excessivo pode provocar cansaço energético ou irritações, especialmente em pessoas mais sensíveis. Também deve ser evitada durante a gestação e seu contato direto com a pele pode causar reações em algumas pessoas, principalmente quando há exposição ao sol.

Mais do que uma planta de proteção, a arruda representa a sabedoria ancestral transmitida por gerações. Seu verdadeiro poder está no uso consciente, no respeito à natureza e na compreensão de que as ervas são instrumentos sagrados que auxiliam o equilíbrio espiritual, mas nunca substituem a fé, a reforma íntima e as boas ações.

Erika de Ewá 


segunda-feira, 27 de julho de 2026

Xangô

 Xangô

Xangô é uma das divindades mais importantes e respeitadas nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Ele é o orixá do fogo, dos raios, dos trovões e da justiça. Conhecido como a representação máxima do poder, da autoridade e do equilíbrio, Xangô é o rei que não tolera a mentira, a injustiça e a traição.

Na mitologia iorubá, Xangô não é apenas um mito, mas também um ancestral que viveu na Terra. Ele foi o quarto Rei (Alafin) da cidade de Oyó, um poderoso império na região da atual Nigéria. Como governante, destacou-se por sua força, coragem e sabedoria política. Após seu falecimento, devido aos seus feitos extraordinários e sua ligação com as forças da natureza, ele foi divinizado e passou a ser cultuado como orixá. Orixá da Justiça, Xangô é o juiz supremo do plano espiritual. Ele pesa os dois lados de qualquer situação antes de agir e, por isso, ao pedir sua intervenção, é necessário ter a verdade e a razão do seu lado. Ele é implacável com mentirosos, ladrões e malfeitores. 



Seus símbolos são; o fogo, raios e trovões; e sua ferramenta é o Oxé, um machado de duas lâminas.  Ele representa que a justiça de Xangô corta para os dois lados, punindo o erro, mas também protegendo a verdade. Suas cores são marrom e vermelho. Seu domínio na natureza são as pedreiras (onde seu axé é mais forte).

Os filhos de Xangô costumam ser líderes natos, muito inteligentes, persuasivos e defensores ferrenhos dos oprimidos. Eles possuem um temperamento forte, são muito realizadores, mas podem ter dificuldade em lidar com a paciência quando se deparam com injustiças.

Sua saudação tradicional é "Kaô, Kabecilê!" (ou "Kaô Kabiyesile"), que significa algo como "Venham saudar o Rei!" ou "Saudações ao Rei Supremo!". A oração a ele pede justamente pelo equilíbrio e pela verdade:

"Que toda mentira caia por terra e que a verdade se revele. Afaste-me das injustiças, proteja-me das falsidades e fortaleça meu coração."

Clodonaldo de Xangô


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Oração a Oxalá

 Oração a Oxalá

Salve o senhor da fé, que ilumina os meus dias com a sabedoria de buscar a paz e traz calma ao coração! Me conduz na minha percepção sobre o tempo, para que eu possa abraçar sua fluidez, compreendendo que ele é vivo e moldado por nossas experiências. Que esse entendimento resgate em mim o poder de viver de forma plena, respeitando as histórias que carrego e o ritmo da minha vida.

Que eu não caia nas armadilhas do mundo atual que me rouba esse tempo. O tempo de respirar e sentir, de aceitar meus limites. Me ensine a não participar dessa corrida sem fim, motivada por exigências externas, que me empurram para longe de mim mesma.



Oxalá, me dê forças para resistir nos momentos em que minha fé oscilar. Pois a árvore cresce no tempo certo, sem pressa, porque confia na força de suas raízes. Assim também eu quero ser: conectada à essência ancestral que sustenta o meu caminhar, com a certeza de que a luz continuará reinando em meus dias, pois confio e me entrego nas mãos da espiritualidade.

Que o tempo seja meu aliado, não inimigo. Pois ele não me pressiona, apenas me guia. No fim, só o que importa é o respeito pela jornada vivida e a paciência que o processo exige. Crescer ou não crescer, são partes da mesma dança da vida, e ambos os movimentos possuem seu valor, desde que abraçados com respeito e sabedoria.

Grande pai, expanda meu poder de reflexão, torne minha mente serena e traga o equilíbrio necessário para atravessar os dias que desafiam minha fé e paciência. A Sua calma me faz forte, e é na paz que meu verdadeiro poder interior se revela. Que eu possa sempre renascer em fé, permitindo que ela me conduza pelos melhores caminhos e preencha o meu coração.

Salve Oxalá, que me ensina a perseverar!


Camila de Iemanjá


terça-feira, 21 de julho de 2026

Boiadeiros

 Boiadeiros

Os boiadeiros na Umbanda atuam principalmente sob a vibração e regência de Ogum, sendo reconhecidos como verdadeiros “soldados” do astral. Sua atuação está profundamente ligada à Lei Maior, trabalhando com firmeza para proteger, impor ordem e realizar limpezas espirituais mais densas.

Guiados pela força, coragem e senso de honra característicos de Ogum, os boiadeiros enfrentam demandas espirituais com disciplina e determinação, sempre em defesa do equilíbrio e da justiça. Embora tenham em Ogum sua principal regência, também podem atuar em outras vibrações, como a de Iansã, especialmente no combate às energias negativas e de desobsessão, e de Oxóssi, quando o trabalho envolve conhecimento, estratégia e desbravamento espiritual.

Na prática, os boiadeiros são especialistas em limpeza espiritual, no recolhimento e encaminhamento de espíritos perdidos, além de auxiliar no reequilíbrio mental e energético dos consulentes. Sua atuação é marcada por movimento, firmeza e condução como verdadeiros guias que organizam e direcionam as energias no plano espiritual.



Mesmo que frequentemente os trabalhos estão ligados a esses orixás, os Boiadeiros podem atuar sob a influência de outros Orixás, dependendo da necessidade espiritual. Os Boiadeiros atuam limpando energias negativas e ajudando no descarrego, preparando os médiuns para o trabalho espiritual e ajudam a manter a ordem dentro do terreiro. Eles valorizam médiuns que sejam corajosos, leais e honestos.

Seus instrumentos de trabalho mais comuns são o chapéu, o laço e o chicote. O laço é usado para capturar ou conter espíritos em desequilíbrio, enquanto o chicote é empregado para afastar energias negativas e, de forma simbólica, romper influências espirituais indesejadas por meio do seu estalo. Durante seus rituais, também é frequente o uso de cigarros de palha, charutos e bebidas como cachaça com mel ou até mesmo o café.


Bruna de Obá


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Oração à Oyá

 Oração à Oyá

Mãe Iansã, dona dos ventos e das tempestades, a senhora que domina a força do mais temível animal, e que voa leve e bela como uma borboleta, que a Senhora me ensine a voar também, que minhas asas e meu coração sejam guiados por sua ventania, que eu possa permanecer firme e inabalável, assim como o mais poderoso búfalo permanece. 

Mãe Iansã, que você possa me ensinar a ser guerreira do seu exército, que eu seja firme como o corte de sua espada, que eu não recue em meio a uma tempestade, que Você sopre, para mim, coragem de lutar, e que eu saiba dançar em meio a água que a Senhora, minha mãe, mandou para me banhar. 


Mãe Iansã, que assim como seus ventos que vêm e vão, eu saiba deixar minhas angústias e tristezas irem, e que eu permita as boas energias virem,  que eu deixe minha insegurança de lado, e que eu tenha a sabedoria de acreditar mais em mim. 



Que Você, minha mãe, me mostre a leveza, que eu possa ser a brisa que acalma,  que eu aprenda sobre a liberdade, sobre saber que meu lugar é no mundo, e, que,,  assim como o vento, eu tenha esperança de alcançar lugares melhores. 

Mãe Iansã, aqui venho te agradecer, por abrir meus caminhos com seus ventos, por me mostrar a beleza da vida,  por me escolher como sua guerreira,  pois em cada batalha que travou em minha vida, entro com a certeza de que nunca me faltarão armas para lutar, pois carrego a sua força, em mim. 


Isabela de Iansã


quinta-feira, 16 de julho de 2026

As Leis Herméticas - O Princípio do Mentalismo

 As Leis Herméticas - O Princípio do Mentalismo

As leis herméticas são princípios universais que, segundo a filosofia hermética, regem toda a existência. Elas buscam explicar como o universo funciona, abrangendo os planos material, mental e espiritual. Esses ensinamentos são atribuídos a Hermes Trismegisto, e tradicionalmente são apresentados em sete princípios:

1. Princípio do Mentalismo

2. Princípio da Correspondência

3. Princípio da Vibração

4. Princípio da Polaridade

5. Princípio do Ritmo

6. Princípio de Causa e Efeito

7. Princípio do Gênero

Hoje, falaremos no Princípio do Mentalismo, que é o primeiro dos sete e é abordado no livro O Caibalion, obra que sintetiza a filosofia hermética. Segundo esse princípio “O Todo é Mente; o Universo é Mental”.

A partir dessa perspectiva podemos compreender que tudo o que existe, tanto o visível quanto o invisível, o material e o imaterial, é uma manifestação da Mente Universal. Ou seja, a realidade que percebemos é produto do pensamento do Todo, a inteligência suprema que rege o cosmos, muitas vezes associada a Deus ou à força criadora do universo.

Na prática, a mente é vista como a força criativa primordial. Assim como o universo é uma criação mental do Todo, nós também possuímos o poder de moldar nossa própria realidade por meio do pensamento consciente pois, nossos pensamentos têm impacto direto sobre a nossa experiência.

Desta forma, o primeiro passo para se compreender as leis universais está em compreender e dominar a própria mente, quando conseguimos observar nossos pensamentos, também conseguimos compreender seus padrões e consequentemente dominá-los a nosso favor. Neste sentido, é importante destacar que o Princípio do Mentalismo não se reduz à ideia de “pensar positivo” , ignorando os fatores sociais, culturais ou os riscos concretos da vida. Não se trata de se iludir ou de negar os desafios do mundo material, mas sim de compreender a realidade em que vivemos.



A aplicação consciente do Mentalismo exige autoconhecimento e análise crítica: observar os padrões de comportamento, as influências do ambiente e os condicionamentos internos que moldam nossas experiências. Ao fazer isso, podemos nos condicionar de forma inteligente, ajustando nossos pensamentos, atitudes e ações para alinhar nossa energia com objetivos que refletem harmonia e equilíbrio. 

Em outras palavras, não é magia; é uma prática de consciência ativa. Assim como o Todo cria o universo por meio da mente, nós podemos influenciar nossa própria realidade ao reconhecer padrões. Com isso, desenvolve-se responsabilidade pessoal, discernimento e a capacidade de agir de forma ética consigo mesmo e com os outros.


Jéssica de Obaluaê


terça-feira, 14 de julho de 2026

Eucalipto

 Eucalipto

O eucalipto, cientificamente chamado de Eucalyptus, vai muito além de uma planta com cheiro forte e característico. Dentro da medicina alternativa e da espiritualidade, ele é visto como um símbolo de limpeza, renovação e equilíbrio. Na medicina natural, o eucalipto é bastante utilizado por seus efeitos benéficos sobre o sistema respiratório. Seu aroma intenso ajuda a abrir as vias aéreas, facilitando a respiração e trazendo uma sensação de alívio. 

Além disso, esse cheiro refrescante também contribui para melhorar o foco, acalmar a mente e reduzir sensações de cansaço e ansiedade. Por isso, é comum seu uso em inalações, banhos ou por meio de óleos essenciais.

Já no campo espiritual, o eucalipto é considerado uma planta com forte poder de purificação. Suas folhas são frequentemente usadas em banhos energéticos ou em práticas como defumações, com a intenção de limpar energias negativas e afastar pensamentos pesados. Acredita-se que ele ajude a abrir caminhos, trazendo mais leveza e favorecendo novas possibilidades na vida.



Outro ponto importante é sua associação com proteção energética. O eucalipto é visto como um elemento que ajuda a equilibrar o ambiente, criando uma atmosfera mais tranquila e harmoniosa. Ele não atua apenas na purificação do ar, mas também na sensação emocional das pessoas que estão naquele espaço.

De forma simbólica, o eucalipto também nos ensina sobre renovação e movimento. Assim como suas folhas se renovam constantemente e seu aroma se espalha com facilidade, ele nos lembra da importância de deixar as coisas fluírem e de desapegar do que já não faz bem. Dessa forma, o eucalipto pode ser entendido como um aliado no cuidado integral, atuando no corpo, na mente e na energia, promovendo bem-estar de maneira simples e natural.

Por fim, é sempre importante lembrar que, independentemente do contexto, seja na medicina alternativa ou em práticas espirituais, o uso de qualquer erva deve ser feito com responsabilidade e sempre com a devida orientação.


Bruna de Obá


segunda-feira, 13 de julho de 2026

Erva Guiné

 Erva Guiné

A guiné é considerada uma das ervas mais fortes dentro da tradição afro-brasileira. Seu nome científico é Petiveria alliacea, e ela possui um odor característico bastante marcante, o que já indica sua potência energética. Espiritualmente, a guiné é conhecida como uma erva de choque vibracional. Ela atua rompendo padrões energéticos negativos profundamente enraizados.



Seus usos incluem banhos de descarrego intenso, e defumações de ambientes carregados. Seu cheiro forte é associado à capacidade de “expulsar” energias negativas. Em algumas tradições, acredita-se que ela “denuncia” a presença de energias densas. 

Em nossa casa, geralmente é utilizada para defumações e em outros tipos de trabalhos, sendo estes orientados pela espiritualidade, conforme a necessidade do que será feito. Não é indicada para uso contínuo sem orientação e deve ser equilibrada com ervas mais suaves. Ela não apenas limpa, também quebra e transforma.


Salmo de Iemanjá


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Orixá Oroiná

 Orixá Oroiná

Oroiná ou Egunitá é a Orixá do fogo purificador. Porém a forma de atuação de sua força é diferente do fogo de Xangô. O fogo desta Orixá consome o desequilíbrio emocional, harmonizando os seres. É uma Orixá que atua na linha da lei, juntamente com Ogum, sendo ele o irradiador e ela a absorvedora. 


Oroiná atua também na linha da justiça. Neste caso, destruindo projetos que não avançaram bem, se fossem continuados. Seu dia da semana é quinta-feira. Suas cores são as do fogo: dourada, vermelha e amarela. Sua saudação é "Kali yê, minha mãe ". Oroiná faz sincretismo com Santa Sara Kali. 


Maria Pessoa de Oxum


terça-feira, 7 de julho de 2026

Erva doce

 Erva doce

Ao longo da história, as ervas sempre tiveram grande importância nos cuidados com a saúde física, emocional e espiritual. Desde as civilizações mais antigas, o ser humano aprendeu a observar a natureza e identificar nas plantas propriedades capazes de promover bem-estar, aliviar desconfortos e fortalecer o organismo. Antes mesmo do avanço da medicina moderna, chás, banhos e preparados naturais já faziam parte das práticas de cura e equilíbrio utilizadas por diferentes culturas. Esse conhecimento tradicional atravessou gerações e continua vivo até os dias atuais, unindo sabedoria ancestral e conexão com a natureza.

Entre as ervas mais populares está a erva-doce, reconhecida por seu aroma suave e por seus diversos benefícios naturais. Muito presente no cotidiano de muitas famílias, ela é tradicionalmente utilizada por suas propriedades calmantes, digestivas e relaxantes, além de despertar lembranças afetivas e costumes passados entre gerações. Também chamada de anis-verde, anis ou pimpinela-branca, a erva-doce possui propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, sendo frequentemente utilizada para auxiliar no alívio de dores de cabeça e desconfortos digestivos.



As sementes são a parte mais utilizada da planta, conhecidas pelo sabor levemente adocicado e pelo aroma marcante. Elas podem ser encontradas facilmente em feiras, mercados e lojas naturais, sendo muito usadas no preparo de chás, receitas e infusões. Já seu óleo essencial é bastante aplicado em massagens, aromatizadores e práticas terapêuticas. Além do uso medicinal e culinário, a erva-doce também ocupa espaço importante em práticas espirituais e energéticas. Muito utilizada em banhos, defumações e rituais, ela é associada à limpeza espiritual, ao equilíbrio energético e à atração de boas vibrações.

Sua energia é ligada ao acolhimento, à serenidade e à harmonia interior, auxiliando no relaxamento emocional, no alívio das tensões e na promoção de sentimentos positivos. Em tradições espirituais e naturalistas, como a Umbanda, a erva-doce é vista como uma planta capaz de fortalecer energias positivas, suavizar emoções negativas e favorecer a conexão com a paz, o amor e o equilíbrio espiritual.



Apesar de a erva-doce ser amplamente utilizada em práticas espirituais e energéticas, é importante lembrar que todo uso deve ser realizado com consciência, respeito e responsabilidade. Rituais, banhos e demais práticas espirituais devem, preferencialmente, ser feitos com orientação de pessoas experientes e de confiança dentro da tradição seguida. 

O uso inadequado ou sem conhecimento pode gerar interpretações equivocadas e descaracterizar o verdadeiro propósito espiritual da erva. O mais importante é utilizar a natureza com respeito, equilíbrio e sabedoria, valorizando tanto seus benefícios quanto os conhecimentos ancestrais que acompanham seu uso ao longo do tempo.


Bruna de Obá


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Cangaceiros

 Cangaceiros

O arquétipo dos cangaceiros na Jurema carrega uma força extremamente simbólica. Ele não representa apenas figuras históricas, mas um campo espiritual de resistência e sobrevivência. Inspirados no cangaço, esses espíritos trazem a energia do sertão: duro, resistente e verdadeiro.

Esta linha é rara de se ver em casas de Umbanda. Contudo, em nossa doutrina (Umbanda de Jurema), é mais comum de serem vistos pelo fato de termos a influência do catimbó Jurema, e mesmo assim, é raro quando o “Cangaceiro do Capão Comprido” desce em terra. 



Certa vez, foi descrito pela entidade a razão por sua rara aparição, à qual exige muita energia porque leva-se muita energia densa embora. Seu trabalho é voltado para as quebras de demandas e principalmente aquelas que nós mesmo impusemos para a própria mente.

O uso de couro nas vestimentas históricas simboliza proteção, o que também se reflete energeticamente. Sua ligação com o sertão os conecta fortemente com a terra. Na prática espiritual, atuam no corte de demandas pesadas, na proteção espiritual intensa e na quebra de trabalhos negativos. Eles ensinam que a espiritualidade também é força, posicionamento e coragem.


Salmo de Iemanjá


quinta-feira, 2 de julho de 2026

O uso do alecrim nos trabalhos na Umbanda

 O uso do alecrim nos trabalhos na Umbanda

O alecrim é uma erva muito usada na Umbanda para fins de limpeza e defumação na Umbanda. As propriedades são diversas e auxiliam diretamente nos trabalhos dentro dos terreiros.

O alecrim é muito utilizado em banhos para afastar energias negativas mais leves, cansaço espiritual e pensamentos ruins. Também é usado para equilíbrio, clareza e boas vibrações.



Algumas entidades usam o alecrim em seus trabalhos, por exemplo: Em banhos é usado para retirar más energias e limpeza bem como para restaurar a energia. Em defumações serve para limpar o ambiente dos consulentes. Em trabalhos das entidades, pode ser usado em copos com água, oferendas e em firmezas.


Leonardo de Oxóssi ”


terça-feira, 30 de junho de 2026

Emoções e Hermetismo

 Emoções e Hermetismo

Esse estudo convida a olhar para as Sete Leis Herméticas de um jeito bem prático e voltado para o Self (o Eu). A proposta é trazer esses princípios para o campo da psicologia, mostrando como eles podem ajudar no autodomínio trazendo equilíbrio no dia a dia. Quando alinhamos mente e emoções com as leis da vida, temos um norte mais palpável e com isso fica fácil encontrar o equilíbrio em meio caos diário.



Primeira lei: Princípio do Mentalismo, que afirma que tudo começa na mente. Ou seja, nossos pensamentos vêm antes das emoções e das ações. Como a mente é mais rápida, temos a chance de intervir: quando aprendemos a observar e direcionar nossos pensamentos, evitamos que ideias negativas se transformem em sentimentos que são mais difíceis de serem amenizados.

Segunda Lei: Princípio da Correspondência, aquela ideia de que o que está fora reflete o que está dentro. Remete a pequenos hábitos do cotidiano como desorganização, atrasos ou críticas constantes. Que muitas das vezes espelham nosso estado interno. Ao mesmo tempo, esses comportamentos acabam influenciando de volta, alimentando inseguranças e desordens emocionais.

Terceira Lei: Princípio da Vibração, Talvez seja a que esteja mais presente nos nossos dias. O vício em estímulos intensos. A busca constante por novidades, adrenalina e euforia pode até parecer prazerosa, mas muitas vezes nos afasta de uma felicidade mais estável e duradoura. O convite aqui é aprender a valorizar o simples, o cotidiano e os vínculos reais. Que em sua maioria nos trazem um

prazer contínuo e sem picos devido a naturalidade dos eventos.

Quarta Lei: Princípio da Polaridade, o foco está nos extremos, especialmente nas opiniões e crenças. A proposta não é escolher um lado e rejeitar o outro, mas buscar equilíbrio, reconhecendo o que há de válido em cada polo para construir uma visão mais madura e própria.

Quinta lei: Princípio do Ritmo lembra que tudo na vida oscila. Emoções, fases e acontecimentos seguem ciclos naturais. O problema surge quando nos entregamos demais aos extremos (seja de raiva, seja de euforia) porque isso sempre cobra um preço depois. O caminho mais saudável é cultivar constância e moderação.

Sexta lei: Princípio da Causa e Efeito, fica claro que nada acontece por acaso no mundo emocional. Muitas dores são consequência de atitudes impensadas ou desalinhadas. Em vez de apenas reagir ao sofrimento, o mais eficaz é investigar suas causas e trabalhar nelas, assumindo responsabilidade pelo próprio processo de mudança.

Sétima lei: Princípio do Gênero é apresentado como o equilíbrio entre forças complementares o mais sutil e o mais concreto, ou Yin Yang para as culturas orientais e até mesmo para Luz e Escuridão em conceitos mais ocidentais. Para que a vida flua melhor, é importante integrar essas dimensões e transformar ideias em ações, ao mesmo tempo, trazer mais sensibilidade e significado para aquilo que fazemos.

Espero que após esse estudo tenhamos uma visão mais ampla e aplicável dos conhecimentos herméticos no nosso dia a dia.


Thiago Cecílio de Oxóssi


segunda-feira, 29 de junho de 2026

O tempo ancestral de Nanã

 O tempo ancestral de Nanã

Quando o tempo é pensado na força ancestral de Nanã, devemos pensar que essa energia traz um tempo que não é linear, apresentando passado, presente e futuro, como conhecemos. Nanã carrega um tempo que apresenta ciclicidade e profundidade, carrega um tempo ancestral e sagrado, que traz uma força espiritual que nos conecta com o princípio de toda existência, pois a Mãe Ancestral carrega uma memória de quando a terra ainda era formada, onde as águas paradas já começavam a guardar os segredos da criação da vida. 

A manifestação do tempo ancestral de Nanã pode ser observada, por exemplo, nos ciclos da natureza, como as estações do ano e nos ciclos da lua, onde Nanã é associada à lua minguante, pois assim como Nanã habita nas águas paradas e profundas, a lua minguante é a fase final de todo ciclo lunar, é a energia necessária para que possamos recomeçar. Em muitos cultos, essa fase lunar é o tempo de rituais de encerramento de ciclos, assim como a energia de Nanã, que representa o final do ciclo da matéria, onde há a morte e o retorno à terra, como também decanta aquilo que não é mais necessário para que possamos iniciar uma nova fase. 




O tempo de Nanã é um tempo de transformação, paciência e reflexão. Nanã nos ensina que nem tudo precisa ser imediato, diferente do tempo de Iansã, que trabalha com um tempo rápido e dinâmico, trazendo o movimento impulsivo dos ventos. O tempo de Nanã é um tempo ancestral, lento e cíclico, ela traz uma energia estática de suas águas paradas, é um tempo que traz sabedoria, cura e amadurecimento para seus filhos. Iansã trará um tempo que proporcionará mudança, caminhos abertos, tendo como seu fim o movimento dinâmico, já Nanã manipula o tempo que decanta, que exige paciência, tendo como seu fim o repouso, repouso esse que nos trará de volta ao nosso princípio, para uma mudança silenciosa e demorada, mas cheia de aprendizado e carregada de uma sabedoria ancestral. 

 Nanã é muito associada ao processo de decantação, que nada mais é que o processo que separa o que é denso do que se é sutil. Da mesma forma que acontece a decantação, Nanã e seu tempo consegue purificar nosso corpo físico e espiritual, separando as energias densas, voltando-as para seu barro para serem trabalhadas, das energias que devem permanecer com seus filhos. Nanã manipula a energia que nos mostra que há um tempo necessário para que as situações, emoções, dores e aprendizados que vivemos se decantem para que haja uma separação do que precisamos absorver e aprender do que é preciso voltar à terra. 



É necessário dizer que a decantação é um processo demorado, que não pode ser apressado, pois quando se movimenta um processo que está sendo decantado, tudo se mistura novamente e assim é preciso começar outra vez o mesmo processo. Com isso, Nanã não permite que seu trabalho seja feito com pressa, pois seu tempo é baseado em reflexão, em recolhimento para nós mesmos. Tornando essa fala mais palpável, imaginem uma garrafa com água e barro, se a agitarmos, essa água fica turva por causa do barro, porém, se a deixarmos em cima de algum lugar para que esse barro decante, a terra irá assentar no fundo da garrafa e a água ficará limpa novamente. 

Esse é o ensinamento do tempo de Nanã: mesmo que sejamos seres imediatistas e, muitas vezes, preferimos um movimento e uma mudança mais brusca, com soluções palpáveis e mais rápidas, é preciso ter-se silêncio e espera para que algumas coisas se decantem e ajeitem por si só, pois não devemos apressar o que precisa ser transformado com calma, assim como a água da garrafa, precisamos de tempo para que aconteça nossa limpeza espiritual e emocional.   

                             

Isabela de Iansã


quinta-feira, 25 de junho de 2026

As Leis Herméticas - O Princípio da Correspondência

 As Leis Herméticas - O Princípio da Correspondência

As leis herméticas são princípios universais que, segundo a filosofia hermética, regem toda a existência. Elas buscam explicar como o universo funciona, abrangendo os planos material, mental e espiritual. Esses ensinamentos são atribuídos a Hermes Trismegisto, e tradicionalmente são apresentados em sete princípios:

1. Princípio do Mentalismo

2. Princípio da Correspondência

3. Princípio da Vibração

4. Princípio da Polaridade

5. Princípio do Ritmo

6. Princípio de Causa e Efeito

7. Princípio do Gênero

Hoje, falaremos do Princípio da Correspondência, que é o segundo dos sete e, é abordado no livro O Caibalion, obra que sintetiza a filosofia hermética. Segundo esse princípio “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

A partir dessa perspectiva, podemos compreender que há uma relação de semelhança e conexão entre todos os planos da existência. O universo e o ser humano refletem-se mutuamente, revelando padrões que se repetem em diferentes níveis da realidade.

Na prática, isso significa que aquilo que acontece no plano interno (nossos pensamentos, emoções e crenças) tende a se manifestar no plano externo, nas experiências e relações que vivemos. Da mesma forma, o mundo ao nosso redor também influencia e dialoga com o nosso mundo interno.



Dessa forma, o Princípio da Correspondência nos leva a observar padrões: o que se repete, o que se reflete, o que se manifesta de formas semelhantes em diferentes contextos. Ao perceber essas conexões, ampliamos nossa capacidade de interpretação da realidade e de nós mesmos.

Aplicar esse princípio exige consciência e responsabilidade: é necessário olhar para si, reconhecer padrões, mas também considerar o contexto em que se está inserido. Esse movimento permite maior coerência entre pensamento, sentimento e ação. Em outras palavras, o Princípio da Correspondência não oferece respostas prontas, mas amplia perguntas. E, nesse processo, favorece o autoconhecimento, a ampliação da percepção e uma relação mais consciente com a própria experiência.


Jéssica de Obaluaê


terça-feira, 23 de junho de 2026

Arruda

 Arruda

A arruda é uma planta muito conhecida por suas propriedades medicinais, energéticas e espirituais. Com seu aroma forte e característico, ela é utilizada há muitos anos por diferentes povos como auxílio para aliviar desconfortos como cólicas, dores e problemas digestivos. Além disso, tornou-se bastante popular por seu uso na proteção energética e na purificação dos ambientes.

Seu nome científico é Ruta graveolens, e ao longo do tempo a erva passou a ser associada à limpeza espiritual, à força e ao afastamento de energias negativas. Por isso, é comum encontrar ramos de arruda em casas, comércios e locais religiosos, sendo usada como símbolo de proteção e equilíbrio.

Na Umbanda, a arruda possui grande importância dentro das práticas espirituais. A erva é frequentemente utilizada em banhos, defumações e benzimentos com a finalidade de promover limpeza energética, descarrego e proteção espiritual. Também pode ser usada em trabalhos realizados por entidades espirituais para auxiliar no fortalecimento do campo energético, na harmonização e na abertura de caminhos.


Apesar de ser muito respeitada dentro das tradições espirituais, a arruda deve ser utilizada com responsabilidade e orientação adequada, especialmente em práticas religiosas. Além disso, ela não substitui tratamentos médicos, e seu uso medicinal deve ser feito com cautela, pois o excesso pode causar efeitos indesejados.


Bruna de Obá


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Boiadeiros

 Boiadeiros

A falange dos boiadeiros é uma linha muito importante na umbanda, atua em diversas casas, principalmente na nossa. Esta linha de trabalho traz o conhecimento dos caminhos da vida, do merecimento, do movimento pessoal de cada pessoa. Os boiadeiros trabalham na abertura de caminhos e na quebra de demandas, dando conselhos de diversas formas para clarear o caminho da vida das pessoas. 


Trazem consigo a essência do sertão, da superação das dificuldades sem perder o foco, da simplicidade da vida, da resiliência e da fé na proteção divina. Geralmente usam chapéu, costumam fumar palheiro ou cachimbo e tem adereços como o laço e o chicote, e bebem conhaque ou café. 

São regidos pela força de Iansã, e comumente também trabalham na Jurema Sagrada, juntamente com os mestres. Sua saudação é xetruá ou salve a boiada.  


Thiago Costa de Oxóssi


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Café

 Café

O café, tão presente no dia a dia de milhões de pessoas, carrega significados que vão muito além de uma simples bebida. Dentro da visão espiritual da Umbanda, ele é visto como elemento de força, firmeza e energia. O café é utilizado como símbolo de acolhimento, proteção e conexão entre as pessoas, sendo oferecido com respeito e intenção. O ato de servir um café representa carinho, escuta e troca de energia, algo profundamente valorizado dentro da religião.

Na espiritualidade, acredita-se que tudo possui vibração, e o café, por ser uma bebida forte e estimulante, carrega uma energia de movimento e despertar. Por isso, muitas vezes é associado à quebra de cansaço espiritual, ao fortalecimento da mente e à disposição para seguir caminhos difíceis. Algumas entidades, especialmente pretos-velhos e exus, aparecem simbolicamente ligados ao café, justamente por representar resistência, sabedoria e presença.



Além da visão espiritual, a ciência também explica muitos dos efeitos que fazem o café ser tão marcante. A cafeína atua diretamente no sistema nervoso central, aumentando o estado de alerta, melhorando o foco e reduzindo temporariamente a sensação de fadiga. Estudos mostram que, quando consumido com equilíbrio, o café pode trazer benefícios como melhora da concentração, estímulo cognitivo e até ação antioxidante, ajudando na proteção das células do corpo.

Curiosamente, essa sensação de “despertar” causada pela cafeína se conecta ao simbolismo espiritual atribuído ao café em muitas tradições populares. Enquanto a ciência explica os processos químicos e neurológicos, a espiritualidade interpreta os efeitos através da energia, da intenção e da conexão emocional que a bebida proporciona.

O cheiro do café também possui forte impacto emocional. Cientificamente, aromas ativam áreas do cérebro ligadas à memória e às emoções. Não é por acaso que o café costuma trazer sensação de conforto, lembranças familiares e acolhimento. Na Umbanda, isso também é percebido como uma energia afetiva, capaz de aproximar pessoas e harmonizar ambientes.



Mais do que uma bebida, o café se tornou símbolo de resistência, partilha e presença. Em uma roda de conversa, em uma madrugada difícil ou em um momento de oração, ele acompanha histórias, silêncios e reflexões. Na visão espiritual, aquilo que é compartilhado com verdade ganha força. E talvez seja por isso que um simples café consiga carregar tanto significado.

Entre a ciência e a espiritualidade, existe um ponto em comum: ambas reconhecem que pequenas experiências podem transformar estados físicos, emocionais e energéticos. O café desperta o corpo, aquece o coração e, para muitos, fortalece também a alma. 


Rebeca Galhardo de Ossain


terça-feira, 16 de junho de 2026

Bebida e fumo na Umbanda

 Bebida e fumo na Umbanda 

O uso de bebida e fumo na Umbanda carrega um significado muito mais profundo do que aparenta. Esses elementos atuam como instrumentos de manipulação energética, sendo utilizados pelas entidades de forma precisa e consciente.

O álcool, por exemplo, possui propriedades que facilitam a dissolução de energias densas. Ele atua como um agente de “quebra vibracional”, ajudando a desagregar cargas negativas acumuladas no campo espiritual. Já o fumo, ao ser queimado, transforma-se em fumaça (elemento que simboliza a transmutação). A fumaça carrega energias, direciona intenções, e atua como meio de limpeza e proteção.

No nosso terreiro, cultuamos a “Umbanda de Jurema”, e a bebida e o fumo são maneiras que os juremeiros utilizam para se conectarem com o sagrado. É por meio da utilização do fumo e do cachimbo, em que o cachimbo se torna a “arma” do juremeiro, realizando quebra de demandas e direcionando suas intenções.



Algumas entidades não “consomem” de fato o álcool, elas manipulam sua energia. Em alguns casos, o líquido é apenas levado à boca e depois descartado energeticamente. A composição do fumo (as ervas) tem impacto diretamente na questão de manipulação energética. 

Na Jurema, especialmente, o uso de bebida pode estar ligado a elementos naturais e ancestrais, como o licor de jurema, vinho, cachaça e preparados específicos. O médium deve ter consciência de que não é ele quem decide o uso desses elementos. Fora do contexto ritualístico, o uso excessivo pode enfraquecer a mediunidade, abrir brechas energéticas e até prejudicar o equilíbrio espiritual.  Assim, o que no ritual é ferramenta, fora dele pode se tornar desequilíbrio.


Salmo Gabriel de Iemanjá