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quinta-feira, 25 de junho de 2026

As Leis Herméticas - O Princípio da Correspondência

 As Leis Herméticas - O Princípio da Correspondência

As leis herméticas são princípios universais que, segundo a filosofia hermética, regem toda a existência. Elas buscam explicar como o universo funciona, abrangendo os planos material, mental e espiritual. Esses ensinamentos são atribuídos a Hermes Trismegisto, e tradicionalmente são apresentados em sete princípios:

1. Princípio do Mentalismo

2. Princípio da Correspondência

3. Princípio da Vibração

4. Princípio da Polaridade

5. Princípio do Ritmo

6. Princípio de Causa e Efeito

7. Princípio do Gênero

Hoje, falaremos do Princípio da Correspondência, que é o segundo dos sete e, é abordado no livro O Caibalion, obra que sintetiza a filosofia hermética. Segundo esse princípio “O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.

A partir dessa perspectiva, podemos compreender que há uma relação de semelhança e conexão entre todos os planos da existência. O universo e o ser humano refletem-se mutuamente, revelando padrões que se repetem em diferentes níveis da realidade.

Na prática, isso significa que aquilo que acontece no plano interno (nossos pensamentos, emoções e crenças) tende a se manifestar no plano externo, nas experiências e relações que vivemos. Da mesma forma, o mundo ao nosso redor também influencia e dialoga com o nosso mundo interno.



Dessa forma, o Princípio da Correspondência nos leva a observar padrões: o que se repete, o que se reflete, o que se manifesta de formas semelhantes em diferentes contextos. Ao perceber essas conexões, ampliamos nossa capacidade de interpretação da realidade e de nós mesmos.

Aplicar esse princípio exige consciência e responsabilidade: é necessário olhar para si, reconhecer padrões, mas também considerar o contexto em que se está inserido. Esse movimento permite maior coerência entre pensamento, sentimento e ação. Em outras palavras, o Princípio da Correspondência não oferece respostas prontas, mas amplia perguntas. E, nesse processo, favorece o autoconhecimento, a ampliação da percepção e uma relação mais consciente com a própria experiência.


Jéssica de Obaluaê


terça-feira, 16 de junho de 2026

Bebida e fumo na Umbanda

 Bebida e fumo na Umbanda 

O uso de bebida e fumo na Umbanda carrega um significado muito mais profundo do que aparenta. Esses elementos atuam como instrumentos de manipulação energética, sendo utilizados pelas entidades de forma precisa e consciente.

O álcool, por exemplo, possui propriedades que facilitam a dissolução de energias densas. Ele atua como um agente de “quebra vibracional”, ajudando a desagregar cargas negativas acumuladas no campo espiritual. Já o fumo, ao ser queimado, transforma-se em fumaça (elemento que simboliza a transmutação). A fumaça carrega energias, direciona intenções, e atua como meio de limpeza e proteção.

No nosso terreiro, cultuamos a “Umbanda de Jurema”, e a bebida e o fumo são maneiras que os juremeiros utilizam para se conectarem com o sagrado. É por meio da utilização do fumo e do cachimbo, em que o cachimbo se torna a “arma” do juremeiro, realizando quebra de demandas e direcionando suas intenções.



Algumas entidades não “consomem” de fato o álcool, elas manipulam sua energia. Em alguns casos, o líquido é apenas levado à boca e depois descartado energeticamente. A composição do fumo (as ervas) tem impacto diretamente na questão de manipulação energética. 

Na Jurema, especialmente, o uso de bebida pode estar ligado a elementos naturais e ancestrais, como o licor de jurema, vinho, cachaça e preparados específicos. O médium deve ter consciência de que não é ele quem decide o uso desses elementos. Fora do contexto ritualístico, o uso excessivo pode enfraquecer a mediunidade, abrir brechas energéticas e até prejudicar o equilíbrio espiritual.  Assim, o que no ritual é ferramenta, fora dele pode se tornar desequilíbrio.


Salmo Gabriel de Iemanjá


terça-feira, 9 de junho de 2026

Preceito na Umbanda

 Preceito na Umbanda 

O preceito, dentro da Umbanda, pode ser compreendido como um estado de preparação energética e espiritual consciente. Não se trata apenas de seguir regras, mas de cultivar uma postura interna de respeito ao sagrado.

A palavra “preceito” está diretamente ligada à disciplina espiritual, sendo um dos pilares do desenvolvimento mediúnico. Ele funciona como um processo de preparação vibracional, onde o médium reduz interferências físicas, espirituais e mentais para tornar-se um canal mais limpo para a atuação das entidades.

Em nossa casa, são orientados pelo guia chefe da casa (Caboclo 7 Flechas), alguns preceitos básicos que devem ser seguidos nos dias de trabalhos mediúnicos, para que seja possível se conectar de uma maneira melhor com a espiritualidade e para que possamos ser médiuns responsáveis. Dentre esses preceitos, não ingerir alimentos pesados (fisicamente e espiritualmente) como carnes vermelhas e alimentos gordurosos; e não ter relações sexuais, pois durante nesse ato existe grandes trocas de energias



Além dos preceitos básicos, existem outros menos comentados, porém é dever de todo médium ter o conhecimento, pois também são extremamente importantes. Evitar ambientes com carga energética densa (discussões, brigas, locais muito agitados), manter pensamentos elevados e vigilância mental, praticar o silêncio interior e a introspecção antes dos trabalhos, e evitar excesso de estímulos (como música muito intensa ou conteúdos negativos) 

Muitos terreiros consideram que o preceito começa no pensamento. Ou seja, não adianta cumprir regras externas se internamente o médium está desequilibrado.

Outro ponto importante é que em alguns casos, o preceito pode não ser igual para todos. Ele pode variar conforme alguma necessidade específica de algum médium (este sendo orientado por algum guia), a um tipo de desenvolvimento mediúnico, etc. Quando bem compreendido, o preceito deixa de ser visto como obrigação e passa a ser uma ferramenta de fortalecimento espiritual.


Salmo Gabriel de Iemanjá


quinta-feira, 4 de junho de 2026

Toré

 Toré

Para nós umbandistas, estudar a cultura indígena amplia a compreensão da própria Umbanda, ao mesmo tempo em que contribui para uma postura de respeito, escuta e responsabilidade diante de tradições que seguem vivas e em constante luta por reconhecimento. A ancestralidade é a raiz invisível que sustenta quem somos, conectando cada passo nosso à memória viva dos que vieram antes, por isso, nesse texto falaremos um pouco sobre uma dança presente na cultura dos povos originários, que é o Toré.

O Toré constitui uma das expressões mais vitais da espiritualidade e da cultura das nações indígenas do Nordeste brasileiro, funcionando como um complexo ritualístico que entrelaça dança, cânticos e uma profunda consciência de identidade coletiva. Mais do que um evento performático, ele se estabelece como um pilar fundamental do sistema de crenças e da estrutura social de diversos povos originários. 

Historicamente, suas raízes precedem a invasão europeia e, embora não possua um marco temporal de origem único, consolidou-se através dos séculos como uma prática sagrada que resistiu às pressões da colonização. Durante períodos de intensa repressão e catequização forçada, o Toré assumiu um caráter de resistência, sendo muitas vezes mantido sob sigilo para assegurar a sobrevivência das tradições ancestrais diante da expropriação de terras e da violência cultural.



Atualmente, essa prática é preservada por diversas etnias, como os Pankararu, Pankararé, Kariri-Xocó, Xukuru-Kariri, Potiguara, Geripancó e Fulni-ô, que, apesar de compartilharem a base do ritual, imprimem variações características próprias em suas vestimentas, instrumentos e toantes. A dinâmica do Toré organiza-se habitualmente em uma roda, onde os participantes se movimentam ao ritmo marcado de maracás, zabumbas, gaitas e apitos e entoam cantos sagrados, chamados de Toante, que é cantado por apenas um “cantador” ou “cantadora” e acompanhado pelos gritos ritmados do grupo. 

O uso de adereços tradicionais, como pinturas corporais e cocares, contribui para a criação de uma atmosfera de transe e introspecção, facilitando a conexão com os encantados. Na visão de mundo dessas comunidades, essas entidades são espíritos ancestrais ou forças da natureza que oferecem proteção, cura e conselhos aos vivos durante a cerimônia cuja representação física é o Praiá, veste tradicional confeccionada com palha. 

Composto por duas partes, a máscara ou casaco, chamado Tanam, e a saia, seu objetivo é preservar a identidade do dançador, que, ao vesti-la, seguindo os preceitos religiosos, se torna o próprio Encantado. Cada comunidade possui um Toré próprio e singular, apresentando variações de toadas, ritmos e expressões. Na Umbanda, encantados são entendidos como espíritos ligados à natureza e à ancestralidade, que não passaram pelo ciclo comum de morte, mas permanecem atuando em outra dimensão espiritual, auxiliando com proteção, cura e orientação.



Para além do nível espiritual, o Toré desempenha um papel sociopolítico crucial, servindo como um instrumento de afirmação étnica e de luta por direitos territoriais. Ao longo das últimas décadas, o ritual foi frequentemente utilizado como uma prova pública da continuidade cultural indígena frente a políticas estatais que tentavam negar a existência desses povos. 

Assim, a cerimônia ultrapassa o âmbito religioso para se tornar um símbolo de reivindicação e resiliência. Embora possa ser realizado em celebrações comunitárias ou eventos políticos, o Toré guarda partes restritas e exige um profundo respeito por ser um saber sagrado. Sua permanência histórica é, em última análise, um testemunho da força adaptativa e da presença inabalável das culturas indígenas no cenário brasileiro atual.


Renata de Iansã 


terça-feira, 2 de junho de 2026

O livre arbítrio e a responsabilidade individual

 O livre arbítrio e a responsabilidade individual

O conceito mais difundido de livre arbítrio costuma estar associado à tradição cristã, especialmente à ideia de que Deus concedeu ao ser humano a liberdade de escolher seus caminhos. Em muitas leituras, essa liberdade aparece condicionada à promessa de recompensa ou punição (céu ou inferno) conforme as escolhas realizadas. No entanto, essa interpretação reduz a profundidade do que realmente significa ser livre.

Do ponto de vista filosófico, o livre arbítrio é compreendido como a capacidade humana de tomar decisões e agir de forma autônoma e consciente, segundo a própria vontade. Para Aristóteles, a escolha deliberada (prohairesis) nasce da reflexão sobre o que é justo e virtuoso; não é um impulso, mas uma decisão racional orientada pela ética. Já Santo Agostinho relaciona o livre arbítrio à capacidade de escolher o bem, entendendo que a verdadeira liberdade está alinhada à ordem divina. 

Sartre afirmava que o ser humano está “condenado a ser livre”, ou seja, não pode fugir da responsabilidade por suas escolhas. Para ele, a liberdade é inseparável da responsabilidade, pois cada decisão constroi quem somos. Em tradições orientais como o Budismo, a liberdade está associada à consciência das causas e consequências (karma). Não se trata de liberdade absoluta, mas da compreensão de que cada ação gera efeitos que retornam ao indivíduo.



Assim, podemos dizer que o livre arbítrio é um termômetro moral que nos conduz à nossa essência. Contudo, ele não existe isolado, pois vivemos em coletividade. Se utilizo minha escolha para ferir, manipular ou prejudicar o outro, minha ação deixa de ser expressão de liberdade consciente e passa a ser manifestação de ego ou ignorância. A verdadeira liberdade exige ética, consciência e responsabilidade.

Responsabilidade individual é o reconhecimento de que somos autores de nossos próprios atos. Não podemos atribuir ao outro, à sociedade ou ao destino as consequências daquilo que escolhemos fazer. Na perspectiva espírita, cada espírito é responsável por sua evolução. Não há punição eterna, mas aprendizado contínuo por meio das consequências naturais dos próprios atos.

Nesse sentido, responsabilidade individual é buscar o autoconhecimento, compreender limites, ambições e desejos para não ser dominado por eles. A única punição real é a própria consciência. Quando sabemos que determinada atitude pode magoar alguém e, ainda assim, escolhemos praticá-la, estamos assumindo o peso dessa consequência. Ser responsável é compreender que liberdade não é ausência de limites, mas consciência deles.



Em nossa casa, assim como em todas as religiões, existe uma hierarquia que deve ser respeitada. Hierarquia não é opressão, mas organização, pois ela garante equilíbrio, disciplina e harmonia espiritual. Na Umbanda de Jurema, aprendemos que mediunidade é compromisso. Não basta incorporar, cantar ou trabalhar espiritualmente, é preciso estar preparado moralmente para sustentar essa função. “Saber que posso não significa que devo.” Dominar as próprias vontades é ser livre. A liberdade não está em fazer tudo o que se quer, mas em fazer o que deve ser feito, como disse o Caboclo 7 Flechas.

Cada ação ecoa no plano espiritual, pois o médium que age por vaidade, orgulho ou disputa se desarmoniza não apenas a si, mas todo o coletivo. Já aquele que age com humildade compreende que sua liberdade está alinhada ao serviço.

A conclusão que se apresenta é que o livre arbítrio só encontra sentido pleno quando está conectado à responsabilidade individual e ao compromisso espiritual. Na Umbanda de Jurema, liberdade é consciência, é respeito à hierarquia, é compromisso com o axé da casa e com os guias que nos conduzem. Ser livre é escolher o bem; ser responsável é sustentar essa escolha. E no terreiro, essa verdade se manifesta na prática diária da caridade, da disciplina e do amor.


Jéssica de Obaluaê


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Mediunidade

 Mediunidade

Para falar sobre mediunidade, podemos nos basear nos ensinamentos do livro O Livro dos Médiuns e também na experiência prática vivida dentro da Umbanda.

A mediunidade pode ser entendida como uma faculdade natural do ser humano, que possibilita a comunicação entre o plano material e o plano espiritual. De acordo com essa visão, todas as pessoas possuem algum grau de mediunidade, embora em algumas ela se manifeste de forma mais sensível ou perceptível.

É importante compreender que a mediunidade não é um privilégio nem um poder extraordinário. Trata-se de uma capacidade humana que pode aparecer em diferentes níveis. Assim como outras habilidades, ela pode ser educada, desenvolvida e aprimorada por meio de estudo, disciplina, equilíbrio emocional e aprimoramento moral.

O exercício da mediunidade exige responsabilidade e consciência. Os espíritos que podem se comunicar através do médium apresentam diferentes níveis de evolução. Por isso, é fundamental cultivar pensamentos elevados, bom senso e discernimento, para manter sintonia com espíritos que tragam orientações positivas e construtivas. Nesse processo, atitudes como vigiar pensamentos, palavras e ações, além de praticar a humildade e o bem, tornam-se essenciais para um desenvolvimento mediúnico equilibrado.



Outro ponto importante é compreender que a mediunidade não tem como finalidade o espetáculo ou a curiosidade. Seu verdadeiro propósito é contribuir para o esclarecimento espiritual e para o progresso moral das pessoas. Quando bem orientada, ela pode servir como um instrumento de consolo, aprendizado e caridade, reforçando a compreensão de que a vida continua além do mundo material.

Dessa forma, a mediunidade deve ser encarada como um caminho de crescimento espiritual. Mais do que transmitir mensagens, ela convida o indivíduo a desenvolver responsabilidade, consciência e compromisso com o bem, tornando-se uma oportunidade de evolução moral e de maior compreensão das leis espirituais que regem a existência. 

Bruna de Obá


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Banho de ervas

Banho de ervas 

Na Umbanda, os banhos de ervas são bastante utilizados como um ritual sagrado de limpeza e conexão com o mundo espiritual. O banho é a renovação do corpo e da alma, pois para que a alma vibre harmoniosamente, o corpo precisa estar isento de cansaço e energias de baixas vibrações. 

Historicamente, os antigos Hebreus já usavam as abluções, que eram muito similares ao que hoje se conhece como os banhos de ervas. Na Índia, os banhos sagrados também são praticados há milênios, levando as pessoas para se banharem nas águas do Rio Ganges, cumprindo um ritual que, para esse povo, é sagrado. Já na África, a água é tida como uma portadora de grande força de poder e magia, o que reflete hoje em ritos de Candomblé e Umbanda, quando se fala nas Águas Sagradas de Oxalá. Além disso, para os indígenas, o banho nos rios era muito além de um banho, era uma busca por renovação de energia, de alegria, prazer e satisfação, o Rio Paraíba, por exemplo, é o rio sagrado para os povos Tupinambás, nele os indígenas faziam seus rituais sagrados. 



O banho com ervas pode ser um banho de descarrego, que são utilizadas ervas positivas, variando de acordo com a energia que a pessoa precisa recarregar e o que precisa ser mandado embora, envolvendo também quais Orixás carregam a força que será necessária nesse banho. O banho de descarrego deve ser tomado suavemente, com o pensamento voltado para energias positivas, firmando a força dos Orixás, guias e, principalmente, mentalizando a força de cada erva utilizada naquele banho, podendo também cantar os pontos cantados, invocando os espíritos que vibram com as plantas ali presentes. 

Ao finalizar o banho, deve-se recolher todas as ervas e jogá-las na natureza, seja em um rio, nas matas, no mar. Caso haja alguma dificuldade, também pode-se despachá-las em água corrente. 

A depender da tradição, após o banho de descarrego, deve-se fazer um banho de energização, com ervas de Oxalá ou dos Orixás que compõem a cabeça do médium. Esses banhos são feitos para ativar as forças dos Orixás, seus principais objetivos são revitalizar as funções psíquicas e abrir os chakras para que os guias se acoplem melhor. 

Outro banho de ervas que é popular nos rituais de Umbanda é o Amaci. Em alguns terreiros, o Amaci é feito somente quando há uma indicação feita por uma entidade, guia chefe do terreiro ou pai/mãe de santo. Sendo realizado da cabeça aos pés e é preparado de acordo com a coroa do médium que receberá o Amaci, que age como um neutralizador de energias de baixa vibração e, ao mesmo tempo, um energizador. 

Já em nosso terreiro, o Amaci é realizado visando àquela pessoa que já participa da casa e está decidido a continuar. É um compromisso firmado entre o médium e o terreiro, com a Umbanda e toda a espiritualidade. É preparado adicionando ervas maceradas à água e lava-se a cabeça do filho de santo com ela, bem como o médium também é instruído a permanecer em boas vibrações para receber a energia sagrada que o Amaci carrega. 

Deve-se lembrar que nenhum banho deve ser jogado sobre a cabeça, com exceção àqueles que forem orientados que sejam a partir da cabeça por um guia chefe de terreiro ou do próprio(a) pai/mãe de santo, pois banhos, normalmente, são do pescoço para baixo. É necessário atentarmos para o fato que banhos de ervas são manipuladores de energias, tendo situações específicas para serem usados, por isso deve-se sempre consultar guias e dirigentes da casa antes de utilizá-los. 

Isabela de Iansã



terça-feira, 19 de maio de 2026

Animismo e mistificação

 Animismo e mistificação

Na Umbanda, dois conceitos frequentemente discutidos dentro dos terreiros são animismo e mistificação. Ambos se referem a fenômenos que podem ocorrer durante a mediunidade, especialmente na incorporação, mas têm naturezas diferentes.

O animismo é frequentemente visto como um "tabu" ou um erro no desenvolvimento mediúnico, mas, na realidade, ele é uma parte normal de qualquer processo de comunicação espiritual. Entendê-lo é fundamental para o amadurecimento do médium e a pureza do trabalho no terreiro. O animismo refere-se aos fenômenos produzidos pela própria alma do médium. É a interferência da personalidade, das memórias, do subconsciente e da cultura do médium de incorporação na manifestação da entidade. 

Não é farsa: o animismo não deve ser confundido com a "mistificação" (fingimento). No animismo, o médium acredita no que está ocorrendo, mas o conteúdo é filtrado por sua própria mente. O processo ocorre geralmente por ideoplastia (projeção de ideias). O guia projeta um sentimento ou imagem mental, e o cérebro do médium converte isso em palavras quase instantaneamente. No início do desenvolvimento, o médium perguntou: "Sou eu ou é o guia?". Na verdade, são os dois. É uma parceria. 



Com o tempo, o médium aprende a identificar o "tom de voz" do pensamento do guia, que é diferente do seu fluxo de pensamento habitual. Nenhum médium é uma "folha em branco". O espírito utiliza o cérebro e o vocabulário do médium para se comunicar. Existe uma espécie de estoque mental. Se o médium, por exemplo, tem um vocabulário rico, a entidade terá mais facilidade em expressar conceitos complexos. O espírito não "injeta" palavras novas no cérebro do médium; ele manipula as que já existem. 

Se o médium nunca ouviu uma palavra técnica, o guia terá que usar uma metáfora para explicar o conceito. É por isso que um Caboclo em um médium do Sul do Brasil pode usar expressões diferentes de um Caboclo em um médium do Nordeste. O arquétipo é o mesmo, mas a "ferramenta" (o médium) oferece materiais diferentes. Se o médium possui traumas ou opiniões muito rígidas, esses elementos podem camuflar um pouco a mensagem espiritual. 

Quando o médium tem opiniões muito fortes ou preconceituosas, o espírito precisa "lutar" contra esse estoque para não deixar a mensagem ser distorcida. O Animismo traz junto com ele vários aspectos que necessitam de desenvolvimento pessoal para serem conduzidos e superados. O maior desafio enquanto desenvolvimento pessoal é aprender a distinguir o "eu" do "outro". Isso exige uma autoanálise profunda. O médium começa a questionar: "Esse pensamento é meu ou foi intuído?". Esse processo acelera a inteligência emocional. 

Quando o médium percebe que sua mente interfere na mensagem, ele entende que precisa de reforma íntima. Se a mente do médium está "suja" de preconceitos ou raiva, a mensagem passará por esse filtro distorcido. Muitos médiuns travam por medo do animismo. O desenvolvimento pessoal aqui envolve superar a síndrome do impostor e entender que o médium é um canal, e todo canal possui alguma resistência ou característica própria. 

Processo de confiança, busca por estudos. Para quem recebe a orientação (o consulente), a interferência anímica pode ser tanto um bálsamo quanto um risco. Se o médium atua de forma puramente anímica sem consciência, ele pode projetar seus próprios valores no consulente. Por exemplo, um médium conservador pode dar um conselho baseado em sua moral pessoal, e não na visão espiritual, o que pode atrasar a vida de quem busca ajuda. 



O consulente que entende o animismo aprende a não "idolatrar" o médium. Ele passa a filtrar as orientações com o próprio discernimento, entendendo que a comunicação espiritual é uma parceria humana espiritual, e não uma verdade absoluta e infalível. O consulente geralmente busca evidências. Quando o animismo é excessivo, a mensagem se torna genérica ("você terá luz", "as coisas vão melhorar"). Isso pode gerar ceticismo ou uma dependência emocional de respostas vazias.

Por sua vez, a mistificação é uma falsa manifestação espiritual, podendo ser involuntária ou consciente. O objetivo é simular o fenômeno mediúnico, ou seja, fingir uma incorporação ou mensagem espiritual para enganar as pessoas, abusando da fé delas. Diferente do animismo, onde o médium interfere na incorporação sem a intenção de prejudicar, a mistificação envolve uma má intenção, que pode ser guiada de duas formas 

- Ação dos espíritos: pode ocorrer pela interferência de espíritos levianos e zombeteiros se passando por guias sérios. 

- Motivações pessoais: quanto isto acontece, e não deve acontecer, o médium interfere na incorporação, passando à frente do guia ou até se passando por ele. 

Alguns médiuns desequilibrados fingem estar incorporados para suprir seu ego, vaidade, desejo de poder e atenção, ou até mesmo para enganar os consulentes. Quando isso ocorre podemos perceber que a qualidade da comunicação diminui, o fetichismo toma conta – em detrimento à qualidade da mensagem – a simplicidade da Umbanda dá lugar a manifestações emplumadas e estapafúrdias. 

O médium pode imitar a fala de um caboclo, simular gestos, transmitir mensagens confusas, enfim, os conselhos da “entidade” não acrescentam e, por vezes, podem interferir até mesmo no livre arbítrio do consulente. Quando vemos médiuns neste estado, de querer mistificar, já sabemos que seu caminho será curto, pois a espiritualidade é séria e rígida quanto à questão ética. A demanda por um caráter reto é visível nos trabalhos mediúnicos, já que todos os guias são agentes da Lei Maior e da Justiça Divina (direta ou indiretamente). 

Além de prejudicial ao trabalho espiritual e à egrégora da corrente, a mistificação interfere diretamente no crescimento pessoal e mediúnico. A mediunidade é desenvolvida com disciplina, autoconhecimento e sintonia espiritual. Quando ocorre a mistificação o médium passa a confundir suas próprias ideias com mensagens espirituais, deixando de distinguir intuição e enfraquecendo a comunicação com os guias. 

Dessa forma, se cria um padrão de manifestação que é artificial, baseado apenas no que se quer mostrar, impedindo que a mediunidade se torne clara, equilibrada e confiável. Essa dificuldade que o médium passa a ter de se comunicar com os guias de luz o afasta deles, podendo aproximar outros espíritos, como os zombeteiros. A mediunidade também é, acima de tudo, um caminho de crescimento interior. 

Quando alguém mistifica, evita confrontar suas próprias limitações, alimentando o ego espiritual e criando uma imagem falsa de si mesmo. Assim, a pessoa não aprende o caminho da humildade, não se dá a oportunidade de amadurecer e segue sem responsabilidade, emocional e espiritual. Enfim, o trabalho mediúnico depende muito de credibilidade e confiança. Um médium que mistifica e passa orientações incorretas ao consulente não está apenas interferindo no seu próprio crescimento pessoal, como interfere diretamente na vida da pessoa que foi buscar auxílio. E atitudes assim custam caro para todos. 

Camila de Iemanjá e Renata de Iansã


segunda-feira, 4 de maio de 2026

O preceito: um dos fundamentos sagrados da Umbanda

 O preceito: um dos fundamentos sagrados da Umbanda

O preceito é uma prática sagrada dentro da Umbanda, que tem como objetivo preparar para os trabalhos espirituais. Ritual que promove um alinhamento entre corpo, mente e espírito, elevando a vibração em sintonia com os trabalhos dos guias espirituais. 

Durante o preceito, o médium se purifica, deixando de lado o que é denso e terreno para elevar sua vibração. Por isso, durante esse período, recomenda-se abster-se de sexo, álcool e carnes vermelhas. Práticas que ajudam a manter a energia mais leve e receptiva. É um tempo de silêncio interior, oração, meditação e fé, no qual se busca a paz necessária para servir à espiritualidade com amor e equilíbrio.



Algumas casas também recorrem aos banhos de ervas, às preces e às palavras de luz para fortalecer o axé e o vínculo com o sagrado. Cada casa de Umbanda tem suas próprias orientações, mas todas compartilham o mesmo propósito: preparar o médium para estar em sintonia com a espiritualidade, em humildade e entrega.

Bruna de Obá


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Casca de coco no terreiro

 Casca de coco no terreiro

“Vovô não quer… Casca de coco no terreiro;

Porque faz lembrar… Dos tempos de cativeiro”

Cantamos muito esse ponto em nossa casa para a linha dos pretos velhos, um ponto cheio de significado e que evidencia a ancestralidade dentro da nossa religião. 

Na época da escravidão, a casca do coco era usada de várias maneiras porque era um material natural, gratuito e fácil de encontrar, permitindo que os escravizados improvisassem ferramentas e utensílios diante da extrema falta de recursos. Muitas vezes, as cascas eram amarradas aos pés como uma forma rudimentar de proteção, já que trabalhavam descalços em terrenos duros, quentes e cheios de pedras ou espinhos. Embora desconfortáveis, pesadas e abrasivas, essas cascas ajudavam a evitar ferimentos mais graves e tornaram-se símbolo de improviso forçado.

Além disso, a casca de coco era utilizada como cuia para comer e beber, para carregar pequenas quantidades de água ou comida, e até como ferramenta de trabalho, servindo como concha para escavar ou alimentar animais. Esses usos, tão ligados ao cotidiano de exploração, reforçaram sua associação com pobreza extrema, humilhação e desumanização. 

Para os escravizados, que não tinham acesso a objetos básicos como sapatos, utensílios domésticos ou instrumentos de trabalho dignos, a casca de coco representava a dureza cruel da vida no cativeiro.

Uma imagem contendo pessoa, no interior, homem, frente

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Conhecer a história dos pontos cantados é fundamental para compreender a profundidade espiritual, cultural e ancestral que sustenta cada canto dentro do terreiro. Os pontos não são apenas músicas, são vibrações e ensinamentos dos guias e a memória sagrada do povo que construiu essa religião. 

Renata de Iansã 


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Zé Pelintra

 Zé Pelintra

    Sem sombras de dúvidas, Zé Pelintra é uma das entidades mais conhecidas da Umbanda, muito se fala e se mostra sobre essa falange espiritual. Com tantas informações, algumas acabam se misturando e se confundindo. 

Zé Pelintra é muitas vezes associado à Lapa do Rio de Janeiro, quando falamos em Zé, o malandro da Boemia sempre vem à nossa mente, porém a história deste espírito é muito mais bonita e repleta de detalhes do que a maioria das pessoas pensam. Porém Seu Zé tem suas origens no Nordeste, mais especificamente no catimbó de Jurema, Zé é um espírito do catimbó, assim ele é considerado um grande mestre juremeiro.


Dependendo das raízes, seu Zé pode ser visto como quase um ser Iluminado, um espírito superior, como se fosse um Orixá na Umbanda.

As histórias dizem que seu Zé veio ao Rio de Janeiro, buscando melhores condições de vida e  emprego. Assim, ele encontra a Lapa, se apaixona pela boemia, e assim começa as histórias de Zé Pelintra como malandro.

Independente de ser um grande mestre da jurema ou ser um grande malandro da Lapa, esse espírito é muito sábio e também muito respeitado. Saber as origens das entidades, nos proporciona muito a conhecer sua linha de trabalho e também como elas podem nos ajudar. 

Leonardo de Oxóssi ”


terça-feira, 7 de abril de 2026

Leis

 Leis

As leis que regem o universo sempre foram objeto de reflexão em diversas tradições espirituais. Entre essas tradições, os ensinamentos do O Caibalion, inspirados na sabedoria atribuída a Hermes Trismegisto, apresentam sete princípios universais conhecidos como leis herméticas. Esses princípios descrevem a forma como a realidade se organiza, revelando que tudo no universo está submetido a uma ordem divina. Embora não façam parte oficialmente da doutrina da Umbanda, muitos desses conceitos encontram paralelos profundos com a compreensão das leis divinas presentes na prática e na filosofia umbandista.

Na Umbanda, acredita-se que o universo é regido por uma inteligência suprema, manifestada por Deus, muitas vezes chamado de Zambi ou Olorum. Essa compreensão se aproxima do Princípio do Mentalismo, que ensina que tudo o que existe tem origem em uma mente universal. Assim, o mundo material e o espiritual não são separados, mas expressões de uma mesma consciência criadora. Na vivência umbandista, esse entendimento se manifesta na fé de que todas as coisas estão sob a orientação divina e que os espíritos trabalham dentro de uma ordem cósmica estabelecida por Deus.



Outro princípio hermético fundamental é o da Correspondência, resumido pela máxima “o que está em cima é como o que está embaixo”. Na Umbanda, essa ideia se reflete na relação entre o plano espiritual e o plano material. Os terreiros são vistos como pontos de ligação entre esses planos, onde os guias espirituais — pretos-velhos, caboclos, crianças e outros trabalhadores da luz — atuam para orientar, curar e equilibrar os encarnados. Dessa forma, compreende-se que aquilo que ocorre no campo espiritual pode influenciar diretamente a vida material das pessoas.

A Lei da Vibração também encontra forte correspondência na prática umbandista. Segundo esse princípio, tudo no universo está em constante movimento e possui uma frequência energética própria. Na Umbanda, essa vibração é percebida nas forças da natureza, nos Orixás, nas ervas sagradas, nos pontos cantados e nos rituais realizados nos terreiros. Cada elemento possui uma energia específica capaz de harmonizar o campo espiritual e emocional do indivíduo. Por isso, os rituais e trabalhos espirituais buscam sempre elevar a vibração do ambiente e das pessoas presentes.

Outro ponto de grande proximidade entre o hermetismo e a Umbanda é a Lei de Causa e Efeito, que afirma que toda ação gera uma consequência. Na visão espiritualista, essa lei representa a justiça divina que regula a evolução do espírito. Na Umbanda, entende-se que cada pensamento, palavra e atitude produz reflexos energéticos que retornam ao próprio indivíduo. Essa compreensão incentiva a prática da caridade, da humildade e do respeito ao próximo, pois a evolução espiritual acontece por meio das escolhas e atitudes que cada pessoa toma ao longo da vida.

Além disso, o Princípio do Ritmo pode ser relacionado aos ciclos naturais de aprendizado espiritual. A Umbanda ensina que cada espírito passa por experiências, provas e oportunidades de crescimento ao longo de sua jornada. Assim como a natureza possui ciclos de nascimento, crescimento e renovação, o espírito também percorre caminhos de aprendizado que fazem parte de sua evolução.

Dessa forma, as leis herméticas e as leis divinas compreendidas dentro da Umbanda apontam para uma mesma verdade espiritual: o universo é regido por princípios de equilíbrio, justiça e harmonia. Nada acontece por acaso, e cada experiência vivida contribui para o desenvolvimento da consciência espiritual. A prática da Umbanda, baseada na caridade, na mediunidade e na conexão com as forças da natureza, busca justamente alinhar o ser humano com essas leis universais, permitindo que ele evolua em sabedoria, amor e responsabilidade espiritual.

Rebeca de Ossain


terça-feira, 31 de março de 2026

Estrela de Davi nos pontos riscados

 Estrela de Davi nos pontos riscados

A história da Estrela de Davi, conhecida no hebraico como Magen David ou Escudo de Davi, é uma narrativa que atravessa milênios e diversas civilizações antes de se consolidar como o principal símbolo da identidade judaica e um pilar esotérico na Umbanda. Embora a tradição a conecte ao rei bíblico de Israel, não existem registros arqueológicos de que Davi a utilizasse no século X a.C.; na verdade, o hexagrama, uma figura geométrica de seis pontas formada por dois triângulos sobreposto, era um motivo decorativo comum em culturas antigas tão distintas quanto a indiana, onde é chamado de Shatkona, a egípcia e a mesopotâmica. Em sinagogas da Antiguidade, o símbolo aparecia ocasionalmente, mas dividia o protagonismo com a Menorá, o candelabro de sete braços, que era o verdadeiro emblema distintivo do povo hebreu naquela época.

A associação mística e o nome "Escudo de Davi" ganharam força durante a Idade Média, especialmente dentro da Cabala e de tratados de magia. Nesse período, o símbolo passou a ser visto como um poderoso talismã de proteção, alimentado por lendas que afirmavam que o exército do Rei Davi portava escudos com esse formato para garantir invencibilidade. Paralelamente, no mundo ocultista, o hexagrama ficou conhecido como "Selo de Salomão", representando o domínio espiritual sobre os elementos e a união dos opostos, como o fogo e a água ou o masculino e o feminino. Foi somente a partir do século XVII, em Praga, que a estrela começou a ser adotada oficialmente como um símbolo comunitário judaico, ganhando contornos políticos e identitários no século XIX com o movimento sionista, que buscava um emblema que representasse os judeus de forma análoga ao que a cruz representava para os cristãos.

Atualmente, a Estrela de Davi é frequentemente utilizada em múltiplos contextos: nas sinagogas e na diplomacia como marca nacional; na joalheria e na cultura popular como amuleto de proteção e boa sorte, na Alta Magia e na Umbanda como um símbolo de equilíbrio hermético. No terreiro, ela é essencial para assentar energias, representando o axioma de que o que está em cima é como o que está embaixo, servindo como um portal que harmoniza as forças dos Orixás com a vida terrena dos fiéis.

Estrela de David judaica seis pontas de estrelas em preto com o ícone de  vetor de estilo de bloqueio 552643 Vetor no Vecteezy

A presença da Estrela de Davi, ou hexagrama, nos pontos riscados da Umbanda constitui um dos exemplos mais profundos do sincretismo e da complexidade esotérica que definem esta religião brasileira. Longe de ser uma mera apropriação estética, o símbolo é utilizado como uma ferramenta de escrita sagrada, funcionando como um mapa geométrico que traduz leis universais para o plano material através do uso da pemba.

Dentro da umbanda, a estrela representa a união entre o plano espiritual e o plano físico. O triângulo com o vértice voltado para cima simboliza a ascensão da alma, a busca humana pelo divino e a força do elemento fogo, enquanto o triângulo com o vértice para baixo representa a descida da luz divina, a manifestação dos Orixás na matéria e o elemento água. Esse encontro de direções opostas sinaliza que, naquele momento ritualístico, o terreiro se torna um ponto de equilíbrio.

Além da simbologia geométrica, a Estrela de Davi no ponto riscado assume uma função prática de regência e organização de forças. Em muitas doutrinas, as seis pontas da estrela são associadas a diferentes vibrações de Orixás, enquanto o centro do símbolo, o hexágono central, é reservado à irradiação de Oxalá, que atua como o eixo pacificador e unificador de todas as outras energias. O hexagrama atua como um verdadeiro escudo de proteção capaz de blindar o ambiente contra investidas de energias densas e espíritos desequilibrados, funcionando também como um condensador de força espiritual para trabalhos de cura e limpeza.

Em suma, a Estrela de Davi na Umbanda é uma assinatura de autoridade espiritual. Ela demonstra que a entidade que risca o ponto possui domínio sobre as leis do equilíbrio universal e utiliza essa sabedoria para manter a ordem e a proteção durante os rituais. Através deste símbolo, a religião reafirma sua identidade integradora, que une conhecimentos do ocultismo ocidental e tradições milenares para estabelecer um canal direto de comunicação com o sagrado.

Renata de Iansã