Filhos de Iemanjá
Na Umbanda, Iemanjá é a Mãe das Águas Salgadas, senhora dos mares profundos, do acolhimento, da gestação da vida e dos afetos que ligam e sustentam. É o orixá que ensina sobre cuidado, pertencimento e amor que envolve, mas também sobre limites, maturidade emocional e responsabilidade afetiva. Ser filho ou filha de Iemanjá é, antes de tudo, carregar em si a força do mar não apenas no sentido biológico, mas no modo de estar no mundo.
Um dos principais desafios de quem é regido por Iemanjá é aprender a cuidar sem se anular. Filhos desse orixá costumam ser profundamente sensíveis, empáticos e disponíveis para acolher o outro. Têm facilidade em ouvir, proteger e amparar, muitas vezes assumindo o papel de “porto seguro” para familiares, amigos e até desconhecidos. O risco está em ultrapassar os próprios limites, esquecendo-se de si em nome das necessidades alheias. O aprendizado espiritual passa por entender que amar não é salvar, e que cuidar do outro não deve significar abandono de si mesmo.
Outro desafio importante está relacionado às emoções. Assim como o mar, os filhos de Iemanjá podem viver intensamente seus sentimentos, oscilando entre calmaria e tempestade interior. Tendem a guardar mágoas, carregar dores antigas e, por vezes, sofrer em silêncio. Na Umbanda, Iemanjá ensina que é preciso permitir que as emoções fluam, como as águas, sem represá-las. Elaborar perdas, frustrações e rompimentos são um exercício constante para esses filhos, que precisam aprender a confiar no movimento da vida e no tempo do axé.
Também é comum que os filhos de Iemanjá apresentem oscilações emocionais e energéticas ligadas aos ciclos lunares. A Lua, que rege as marés, influencia diretamente o campo emocional desses filhos, intensificando sentimentos, intuições e memórias, especialmente nas fases de lua cheia e lua nova. Nesses períodos, podem sentir maior sensibilidade, introspecção ou necessidade de recolhimento, assim como momentos de expansão afetiva e conexão espiritual profunda. O desafio está em reconhecer esses ciclos internos, respeitar o próprio ritmo e aprender a se equilibrar, compreendendo que essas variações fazem parte da sua natureza e da ligação ancestral com as águas.
A relação com a família e com os vínculos afetivos também é um campo de aprendizado. Filhos de Iemanjá geralmente valorizam muito o lar, a ancestralidade e os laços emocionais, podendo desenvolver dependências afetivas ou dificuldade em romper relações que já não fazem bem. O desafio espiritual está em compreender que o amor verdadeiro não aprisiona. Iemanjá, como grande mãe, ensina a nutrir, mas também a permitir que cada um siga seu próprio caminho.
Por fim, ser filho de Iemanjá na Umbanda é aprender a transformar sensibilidade em força espiritual. É reconhecer que a doçura não é fragilidade, mas potência. Que acolher não é fraqueza, mas sabedoria ancestral. Os desafios existem para lapidar a alma, ensinando equilíbrio entre emoção e razão, entre entrega e autonomia. Sob a proteção de Iemanjá, seus filhos aprendem que o mar ensina: tudo vem, tudo vai, e tudo pode ser purificado quando confiamos no movimento sagrado das águas.
Natália de Iemanjá
Nenhum comentário:
Postar um comentário