O charlatanismo e a trapaça
charlatanismo e a trapaça são desvios graves quando observados à luz da espiritualidade, especialmente dentro da Umbanda, que se fundamenta na caridade, na verdade e na responsabilidade espiritual. A Umbanda não se constrói sobre promessas fáceis nem sobre o medo, mas sobre consciência, ética e compromisso com o bem. Onde há engano intencional, não há fundamento espiritual, há vaidade.
Espiritualmente, o charlatanismo nasce quando o indivíduo coloca o ego acima da mediunidade. Quando o dom deixa de ser instrumento de serviço e passa a ser ferramenta de poder, controle ou lucro desmedido, rompe-se o princípio básico da Umbanda: servir sem iludir. Guias verdadeiros não alimentam fantasias, não exploram dores alheias e não sustentam discursos que retiram do outro sua autonomia espiritual. A trapaça, nesse contexto, não é apenas moral; ela é energética.
Na Umbanda, o médium é ponte, nunca protagonista. Quando alguém se coloca como “dono da verdade espiritual”, cria dependência emocional ou vende soluções milagrosas, afasta-se da vibração dos guias e aproxima-se de campos espirituais desarmônicos. A espiritualidade séria não ameaça, não impõe medo, não cria urgências artificiais. Ela orienta, esclarece e respeita o tempo de cada um.
Os próprios guias da Umbanda são claros em seus ensinamentos: não existe trabalho espiritual que funcione sem verdade. Pode haver encenação, palavras bonitas e rituais vazios, mas sem propósito e sem ética nada se sustenta no plano espiritual. A trapaça pode até enganar os olhos humanos por um tempo, mas jamais engana o campo espiritual, que responde com desequilíbrio, queda de força e afastamento da proteção verdadeira.
Charlatanismo também se manifesta quando se utiliza o nome da Umbanda para justificar práticas sem fundamento, misturando crenças, criando narrativas de medo ou cobrando valores abusivos sob a promessa de “resolver tudo”. A Umbanda não nega a necessidade de sustento material das casas, mas repudia a exploração da fé. O que é justo se constroi com transparência; o que é engano se constroi com manipulação.
Em nossa casa, esse princípio é levado com seriedade e respeito. Não há cobrança pelos trabalhos espirituais realizados. Tudo é feito pelo amor, pela caridade e pelo compromisso com o bem. A ajuda espiritual não é mercadoria, nem moeda de troca; é serviço, doação e responsabilidade. O que sustenta nossa casa é a fé consciente, o trabalho honesto e a união daqueles que compreendem que o verdadeiro axé nasce do coração limpo e da intenção reta.
Do ponto de vista espiritual, todo ato de trapaça retorna como aprendizado. A lei de causa e efeito atua silenciosamente, ensinando que aquilo que não é construído na verdade se desfaz. A Umbanda ensina que a espiritualidade não protege a mentira, não fortalece o orgulho e não sustenta o falso saber. Quem caminha fora da ética pode até ter discurso, mas perde axé.
Falar de charlatanismo na Umbanda não é acusar, mas alertar. Alertar que espiritualidade não é palco, não é espetáculo e não é comércio de ilusões. É compromisso diário com a verdade, com o respeito ao outro e com a própria consciência. Onde há humildade, há guia. Onde há verdade, há força. E onde há caridade, a Umbanda se mantém viva e verdadeira.
Érika de Ewa
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