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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Obá

 Obá

Obá é uma divindade originária do povo iorubá, identificada como a Orixá do rio Níger (ou rio Obá) e reconhecida como a primeira esposa de Xangô, filha de Iemanjá e Oxalá. Ela é descrita como uma guerreira energética, temida e fisicamente mais forte que muitos Orixás masculinos, tendo derrotado divindades como Exu, Oxumarê e Orunmilá em batalha. 

Em algumas vertentes de Umbanda, Obá atua como a regente do Trono Feminino do Conhecimento, constituindo, ao lado de Oxóssi, a terceira linha de forças da religião. Enquanto Oxóssi ocupa o pólo positivo e irradiante, estimulando a expansão e a busca pelo saber, Obá está assentada no pólo magnético negativo ou cósmico, que possui uma natureza absorvente e concentradora.



Um Itã conta que em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá, quando percebeu ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá. Xangô era muito curioso se aproximou da cena, para observar à espreita. Prontamente se encantou com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração Xangô foi notado. As mulheres o cercaram, e ele foi levado à presença da Orixá. Esta lhe comunicou que era grave sua falta e que o preço por violar o culto sagrado de Elecô era a morte. Mas a própria Obá se encantou com a inigualável beleza de Xangô e relutou em aplicar a sentença de morte, usando de sua supremacia no culto para ditar novas regras “Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte”. 

Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado. A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elecô. Foi o início de uma grande paixão. A deusa guerreira e justiceira, que pune os homens que maltratam mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem que ia muito além do ódio. A rainha de Elecô aprendeu a amar e ser amada. Nasceu, dessa grande paixão, uma criança, uma menina, chamada Opará, bela, justiceira e feroz como os pais. Foi ela quem prosseguiu com o culto de Elecô.

Elementos que Rege Obá exerce domínio sobre diversos domínios da natureza e da vida espiritual:

Águas turbulentas: É a senhora das águas revoltas dos rios, das pororocas, quedas d'água e das enchentes;

Barro e Lama: Além da água, ela controla elementos como o barro, o lodo e a terra úmida que sustenta a vegetação;

Fogo e Conhecimento: É associada ao princípio arcaico do fogo que trazendo a transmutação, e na Umbanda, rege o Trono Feminino do Conhecimento, atuando para aquietar o racional e paralisar conhecimentos distorcidos;

Transformação e Justiça: É a guardiã da roda e responsável pela transformação dos alimentos crus em cozidos, além de atuar na defesa da justiça e do equilíbrio.•Lado Esquerdo: É saudada como a guardiã da esquerda (lado do coração), representando a ancestralidade feminina suprema.

Os filhos e filhas de Obá possuem personalidades marcantes, muitas vezes influenciadas pelo arquétipo da "mulher valorosa e incompreendida". São descritos como pessoas extremamente sinceras e diretas, o que pode levar a magoar os outros com sua franqueza. São fieis àqueles que amam e dedicados às amizades, embora possam ser excessivamente ciumentos e possessivos. São lutadores bravos, determinados a alcançar seus ideais, frequentemente ocupando cargos de liderança ou carreiras desafiadoras como juízes e advogados. Podem sofrer com um certo complexo de inferioridade e ter dificuldade em estabelecer comunicações afetivas, agindo com agressividade defensiva por medo de serem enganados. Costumam ser pessoas de estrutura forte, rosto redondo e traços marcantes, como sobrancelhas grossas e lábios acentuados.

Thiago S. Cecílio de Oxóssi



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