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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Guiadas

Guiadas


     As guiadas ou guias são consagrados usados por médiuns e praticantes, servem para proteção espiritual, firmeza energética e conexão com determinadas linhas espirituais. Funcionam como instrumento de defesa e canalização de energia. Normalmente as guiadas utilizadas para bloquear ou descarregar energias negativas durante as giras, ou atendimentos. Também funcionam como elo vibratório entre o médium e a entidade. As guiadas normalmente são de proteção, quando usadas no dia a dia ou trabalho simples. Ou de trabalho, específicas da entidade incorporada e usadas apenas em giras. 

Geralmente, cada linha tem suas cores de acordo com os trabalhos, por exemplo:

  • Verde: mata, caboclos, Jurema;

  • Branco: oxalá, paz e elevação;

  • ⁠Preto e vermelho: Exu e Pombogira, proteção de esquerda;

  • Preto e branco: pretos velhos, sabedoria.

Algumas casas aceitam que as guias sejam compradas prontas; em outras casas, assim como a nossa, são feitas pelos próprios médiuns, podendo ser preparadas usando contas, sementes, Búzios ou elementos naturais. Devem ser feitas em um momento e lugar calmo, ouvindo pontos de acordo com o fundamento da guia e se concentrando no momento; as guias não devem ser emprestadas, não devem ser usadas para dormir, em relações íntimas e algumas não se usam nas águas, por exemplo guias de Orixás que têm elemento fogo; devem passar por limpeza espiritual, em nossa casa colocamos uma vela de acordo com a guia para queimar ao lado da guia ou no caso da Jurema, descarregamos ela nos pés da Jurema no terreiro.



Em nossa casa os membros da corrente usam a guia branca de oxalá, mas giras e trabalhos na casa e a guia verde, branca e amarela, referente às cores dos Orixás que regem a casa, nas giras e em trabalhos referentes à casa. Os médiuns que já participaram do feitio da Jurema também usam a guia de Jurema que é verde, vermelha, amarela e branca, representando as cores das raízes que são utilizadas no feitinho para fazer o licor, essa é usada no dia a dia.

Os médiuns da corrente e auxiliares usam a guia verde, de Oxóssi, também usada no dia a dia. Os médiuns da corrente e colaboradores usam a guia amarela, de Oxum, utilizada apenas nas giras. Também temos as guias dos Orixás, onde cada médium utiliza as guias dos seus orixás de cabeça, normalmente do Orixá de frente e alguns do adjunto. As demais guias dependem da instrução dos guias da casa para serem usadas, no dia a dia ou apenas nas giras, de acordo com os trabalhos e necessidades de cada um.

As guias são uma forma de proteção e canalização de energia, são instrumentos sagrados e devem ser tratados com cuidado e respeito.

Rebeca de Ossain


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Oração a Exu

 Oração a Exu

Salve o guardião dos caminhos, senhor da ordem e do equilíbrio, que dá o chão para que eu

possa pisar.

Grande protetor, que conhece todas as encruzilhadas, sei que não há lugar que seus olhos não vejam ou porta que sua chave não abra.

Abra meus caminhos pra que eu possa caminhar, Exu. Me ensine também a reconhecer quando sou eu que estou bloqueando a minha estrada. E a diferenciar quando o que precisa se abrir não é o caminho, mas a minha postura diante dele.

Sei que sua força não apenas remove os obstáculos do mundo externo, mas que também revela os desvios internos que precisam ser realinhados. Que eu tenha coragem e humildade para reconhecer a minha desordem.

Senhor da comunicação, que compreende todas as línguas, todas as fomes, todas as direções.

Que eu aprenda o valor da palavra, a expressar o que sinto com clareza e firmeza, e saiba recebê-las de volta.

Que a sua luz carregada de puro movimento não pare de me transformar, conectar, nem de abrir e fechar portas para o mundo.



Divindade que não se prende, me ensine a viver na liberdade e no seu caos criativo, onde a cada dia que passar, eu possa aprender a aceitar a minha falta de controle perante a vida e as situações, e tenha sabedoria para dançar no ritmo da espiritualidade.

Que eu possa sempre honrar a sua força, lembrando que ela está em tudo e em todos, todo o

tempo, mantendo a roda da vida girando.

Sei que nada acontece antes do tempo certo. Exu, me conduza pelo caminho da paciência, e que eu não a confunda com a inércia, entendendo que ela é, na verdade, preparo e ação consciente. 

E as conquistas exigem tempo e constância, pois sem estrutura, nada se sustenta.

Que eu aprenda, com você, a entrar e sair de qualquer lugar. Que nenhum desafio me convença a parar de caminhar.

Exu, a você, peço com fé, mas também buscando andar com verdade, pois sei que os caminhos que se abrem contigo, só se percorre com coragem e presença.

Obrigada, Exu, por tudo!

Camila de Iemanjá


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Oxum

 Oxum

Oxum, é a orixá que traz em sua essência o amor em sua totalidade. Atua na segunda linha da Umbanda, juntamente com Oxumarê, sendo ela, a Orixá irradiadora do amor. Enquanto ela irradia, Oxumarê vem absorvendo todo o excesso, trazendo o equilíbrio para nossas vidas. 

Oxum é dona do ouro, da riqueza, prosperidade e abundância. Da beleza, gentileza e encanto. Traz consigo seu abebé (espelho de mão dourado), sendo suas cores o amarelo ouro e o rosa claro. Em algumas casas pode ser cultuada com a cor azul escuro também. Seu ponto de força são as águas doces (cachoeiras, riachos, nascentes, rios), sendo essa, a melhor representação do amor divino, pois, a água, é o que nutre toda a criação de Deus aqui na Terra. É o que nutre tudo que nós amamos, nutre a vida. A água também é ligada a outro domínio de Oxum, a fertilidade e fecundação.

O sincretismo varia, alguns a sincretizam com Nossa Senhora Aparecida (devido ao local de sua aparição, o rio), outros com Nossa Senhora da Conceição (pela grande representação do amor materno), e outros, ainda, com outras Santas. Sua data de adoração segue o sincretismo, sendo N.S Aparecida 12 de outubro e N.S da Conceição 08 de dezembro. As oferendas a Oxum costumam conter mel, ovos de galinha, frutas amarelas e doces, flores amarelas, rosas ou que nascem no pé da cachoeira. Velas amarelas ou rosas, dependendo do propósito da oferenda.


 


O espelho que Oxum carrega, não significa apenas beleza, traz uma forte representatividade. Quando voltado para si, nos mostra a importância do amor próprio, a importância de se enxergar por inteiro, dar a nós mesmos a devida atenção que merecemos. Nós conseguimos enxergar beleza e amor em tudo que tocamos e vemos, mas a maior dificuldade, é enxergar esse amor em nós mesmos. Devemos lembrar que, o amor deve brotar primeiro em nós, para que depois possamos passá-lo adiante.

É importante ressaltar que Oxum não se restringe a apenas beleza, gentileza e doçura. Em diversos itãns, Oxum demonstra que possui uma grande inteligência e astúcia, onde, através de suas estratégias, consegue derrotar um exército inteiro sem levantar nem uma espada.

O nome “Oxum”, faz referência ao rio Nigeriano, que traz o nome “Òsun”, e é o nome também de um pó de coloração avermelhada, utilizado em rituais para trazer a vida. Sua saudação original é escrita da seguinte forma: 



Significando então: Salve a benevolente mãezinha! Sendo mais comumente saudada com “Ora iê iê ô”.

Os filhos e filhas deste Orixá tendem a ser preguiçosos, egocêntricos, sabem mascarar seus sentimentos, são estrategistas, manipuladores, encantadores e costumam chamar atenção por onde passam. Prezam pela sua boa aparência, e amam se perfumar. São pessoas que quando amam alguém, são extremamente profundos em seus sentimentos, mas não choram por ninguém, só se for por raiva. Podem ter problemas com o perdão e o equilíbrio emocional. São ciumentos, vingativos e podem possuir baixa autoestima; são ambiciosos, teimosos, resilientes e controladores. São pessoas carismáticas, amorosas e normalmente gostam de crianças. 

Oxum é a imponência das águas fortes, mas também a delicadeza, beleza e encanto de uma nascente. Tem o perigo do ferrão da abelha, mas ao mesmo tempo tem a sutileza e a doçura do mel.

Oxum é muito mais do que podemos compreender; é doçura, encanto, beleza, imponência, inteligência, presença, sutileza, graciosidade…

Axé!

 

Lays de Oxaguian


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Exu de 2 cabeças

 Exu de 2 cabeças

Exu de 2 cabeças é um exu de encruzilhada, onde é seu ponto de forças; trabalha na força de Exu, Ogum e Iansã, referente aos caminhos e ventos. Trabalha trazendo o equilíbrio entre a razão e a emoção, se não houver equilíbrio, não haverá caminhos abertos. 



O ponto riscado do Exu de 2 cabeças são três tridentes, representando os três pólos (positivo, negativo e neutro), trazendo o equilíbrio, mostrando que tudo nessa vida tem dois lados e tem o caminho do meio, que é a busca pelo equilíbrio. Deve-se conhecer os dois lados para se escolher o caminho, que pode ser pro bem ou pro mal, depende do ponto de vista, sempre relacionado às leis divinas. O importante é que, ao escolher o caminho, deve-se sustentar essa escolha, mas não ter medo de voltar atrás se preciso for, pois permanecer no erro leva ao desequilíbrio. Ele fuma charuto e, por enquanto, bebe água (que é um líquido que pode se transformar naquilo que precisa).

Se precisar encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção, é só ir até ele.

Laroyê Exu de 2 cabeças 

Rebeca de Ossain


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A força da tempestade

 A força da tempestade

Iansã vem da terra dos antigos povos iorubás, na África, senhora dos ventos, das tempestades, dos raios e dos movimentos da vida. Nada em Iansã é parado. Ela sopra o que precisa ir embora, levanta o que estava caído e ensina que mudar também é uma forma de viver.

Ser filho ou filha de Iansã é carregar essa força dentro de si. É sentir tudo com intensidade. É ter um coração que não aceita injustiças, uma alma que não se acomoda e uma coragem que muitas vezes aparece antes mesmo da certeza. Quem é de Iansã sabe que a vida raramente acontece de forma tranquila.

Existe sempre um vento interno empurrando para frente, pedindo mudanças, cobrando atitudes, exigindo verdade. Mas nem sempre é fácil. Há dias em que a tempestade parece não ter fim. Dias em que os pensamentos se atropelam, as emoções transbordam e o peso de sentir tudo tão profundamente se torna cansativo.

Muitas vezes os filhos de Iansã precisam lutar contra a própria impulsividade, contra a vontade de resolver tudo na hora, contra a dificuldade de aceitar que nem todas as batalhas dependem apenas da sua força.

Existe também o desafio de ser incompreendido. Porque por trás da imagem forte existe alguém extremamente sensível. Alguém que sente mais do que demonstra. Alguém que, apesar da coragem, também se machuca, também se decepciona e também precisa de acolhimento.

Ser de Iansã é aprender que força não significa estar em guerra o tempo todo. É entender que nem todo vento precisa virar furacão. Que algumas situações se resolvem com silêncio, outras com paciência e outras simplesmente com a sabedoria de deixar partir.



Quem carrega Iansã conhece o peso e a beleza das transformações. Sabe o que é perder, recomeçar, reconstruir e seguir em frente mesmo quando tudo parece desabar. E talvez seja justamente por isso que os filhos desse orixá nunca permanecem os mesmos. A vida os transforma constantemente.

Porque Iansã é assim. Ela é a tempestade, mas também é a brisa depois dela. E ser filho ou filha de Iansã é descobrir, ao longo da caminhada, que a maior força não está no vento que derruba tudo, mas na capacidade de continuar em pé depois que ele passa. 

Eparrey, Iansã

Jéssica de Obaluaê


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Instrumentos dos guias

 Instrumentos dos guias

Os guias da Umbanda utilizam diversos instrumentos de trabalho durante os atendimentos e rituais. Esses instrumentos variam de acordo com a linha de atuação de cada entidade, podendo incluir velas, ervas, pemba, bengalas, água fluidificada, cachimbos, charutos, bebidas, dentre outros elementos específicos.

A função desses instrumentos não está no objeto em si, mas na energia e na finalidade espiritual que eles representam. As velas auxiliam na iluminação espiritual e na firmeza dos trabalhos. Já as ervas são utilizadas para limpeza e descarrego energético, a água fluidificada ajuda na harmonização das energias, e a pemba é empregada para traçar símbolos sagrados e pontos riscados.

Esses instrumentos são importantes porque servem como meios de transmissão das energias dos guias, auxiliando nos processos de cura espiritual, proteção, orientação e equilíbrio energético dos consulentes. Dessa forma, contribuem para que o trabalho espiritual seja realizado com maior eficiência e segurança.



Ou seja, todos os instrumentos que lhe for confiado para guardar deve se tratar com respeito, pois ali tem a energia do guia que ali trabalhou, seja para guardá-los ou os servirem.

João Pedro de Omolu


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Logunan

 Logunan

Logunan é uma das Orixás Yabás conhecidas como a Orixá do Tempo, sua saudação é "olha o tempo minha mãe". Por ser uma orixá do tempo, sua energia diz muito sobre o tempo de Deus e não o nosso tempo carnal. Este tempo de Deus seria o tempo que as coisas levam para acontecer conforme a vibração do universo e não nosso tempo no relógio. 

Além disso, esta Orixá também traz muito sobre a fé, pois junto com o tempo de Deus vem a espera. A espera pelo tempo dEle, pela organização ideal das vibrações para que as coisas ocorram, bem como a real necessidade para que aconteçam.



Logunan trabalha conosco a fé em saber esperar o tempo de Deus, compreender que é diferente do nosso carnal e confiar que no tempo dele que as coisas realmente devem acontecer, energética e espiritualmente, não no tempo que achamos ideal.. e que na maioria das vezes é o "agora", imediatamente.

Que possamos saber compreender e viver o tempo do universo, vibrar junto com a vontade divina. 

Axé!

Mylene de Ogum Rompe Mato


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Fumo

 Fumo

Na Umbanda, comumente vemos diversas entidades usando o fumo nos trabalhos. O uso do fumo é muito associado à limpeza do corpo espiritual e é usado como descarrego. A linha da esquerda usa bastante o fumo nas limpezas dos consulentes, o fumo atua descarregando energias pesadas e densas. Devemos entender que o fumo é um elemento que atua em diversos aspectos, pois tem suas propriedades naturais, por ser uma erva, porém ele queima, gerando energia e transformação. O fumo atual no sensorial do consulente e dos médiuns envolvidos no trabalho, trabalhando o cheiro misturado às outras ervas, trabalha a queima e o calor, transformando esse elemento em fumaça. Diversas linhas utilizam do fumo nos seus trabalhos, como Exus, Pombogiras, Caboclos, Pretos Velhos, Boiadeiros e Marinheiro. 



A utilização do fumo pode ser feita de maneira misturada com outras ervas, gerando assim um controle e também uma maior concentração energética ou pode ser usado puro e sozinho também, tudo isso depende da ocasião e do tipo de trabalho que está sendo realizado. O melhor jeito de entender a aplicação nos trabalhos é perguntando diretamente aos guias, pois assim eles explicam a maneira que eles conseguem visualizar o trabalho e como eles manipulam aquela energia. Dessa forma, até o trabalho flui melhor, pois conseguimos entender o que está sendo feito  e o que está acontecendo.

Devemos sempre entender que o fumo é um elemento sagrado e possui uma importância gigante na umbanda, por isso devemos usá-lo de maneira séria e respeitosa.

                                                                                                                    Leonardo de Oxossi”


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cravo-da-índia

 Cravo-da-índia

O cravo-da-índia é uma especiaria conhecida por seu aroma intenso e por sua presença tanto na espiritualidade quanto na ciência. Pequeno em tamanho, mas rico em significado, ele é utilizado há séculos por diferentes culturas ao redor do mundo. Rico em eugenol, uma substância com propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antissépticas. Por isso, é amplamente utilizado em produtos odontológicos e estudado por seus benefícios à saúde. Além disso, possui alto poder antioxidante, auxiliando na proteção das células do organismo.

Durante a Idade Média, o cravo-da-índia era tão valioso que chegou a ser considerado um produto de luxo, sendo usado como moeda de troca em algumas regiões do mundo. Seu comércio movimentou expedições marítimas, disputas entre impérios e ajudou a impulsionar as grandes navegações.

O cravo está associado à proteção espiritual, ao fortalecimento energético e ao equilíbrio das vibrações. É comum seu uso em banhos, defumações e preparos ritualísticos voltados para afastar energias negativas e fortalecer a caminhada espiritual. Hoje, além de seu valor culinário e científico, o cravo continua sendo apreciado em diversas tradições espirituais por seu simbolismo de força, proteção e prosperidade.



Alice de Xangô


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Obá

 Obá

Obá é uma divindade originária do povo iorubá, identificada como a Orixá do rio Níger (ou rio Obá) e reconhecida como a primeira esposa de Xangô, filha de Iemanjá e Oxalá. Ela é descrita como uma guerreira energética, temida e fisicamente mais forte que muitos Orixás masculinos, tendo derrotado divindades como Exu, Oxumarê e Orunmilá em batalha. 

Em algumas vertentes de Umbanda, Obá atua como a regente do Trono Feminino do Conhecimento, constituindo, ao lado de Oxóssi, a terceira linha de forças da religião. Enquanto Oxóssi ocupa o pólo positivo e irradiante, estimulando a expansão e a busca pelo saber, Obá está assentada no pólo magnético negativo ou cósmico, que possui uma natureza absorvente e concentradora.



Um Itã conta que em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá, quando percebeu ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá. Xangô era muito curioso se aproximou da cena, para observar à espreita. Prontamente se encantou com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração Xangô foi notado. As mulheres o cercaram, e ele foi levado à presença da Orixá. Esta lhe comunicou que era grave sua falta e que o preço por violar o culto sagrado de Elecô era a morte. Mas a própria Obá se encantou com a inigualável beleza de Xangô e relutou em aplicar a sentença de morte, usando de sua supremacia no culto para ditar novas regras “Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte”. 

Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado. A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elecô. Foi o início de uma grande paixão. A deusa guerreira e justiceira, que pune os homens que maltratam mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem que ia muito além do ódio. A rainha de Elecô aprendeu a amar e ser amada. Nasceu, dessa grande paixão, uma criança, uma menina, chamada Opará, bela, justiceira e feroz como os pais. Foi ela quem prosseguiu com o culto de Elecô.

Elementos que Rege Obá exerce domínio sobre diversos domínios da natureza e da vida espiritual:

Águas turbulentas: É a senhora das águas revoltas dos rios, das pororocas, quedas d'água e das enchentes;

Barro e Lama: Além da água, ela controla elementos como o barro, o lodo e a terra úmida que sustenta a vegetação;

Fogo e Conhecimento: É associada ao princípio arcaico do fogo que trazendo a transmutação, e na Umbanda, rege o Trono Feminino do Conhecimento, atuando para aquietar o racional e paralisar conhecimentos distorcidos;

Transformação e Justiça: É a guardiã da roda e responsável pela transformação dos alimentos crus em cozidos, além de atuar na defesa da justiça e do equilíbrio.•Lado Esquerdo: É saudada como a guardiã da esquerda (lado do coração), representando a ancestralidade feminina suprema.

Os filhos e filhas de Obá possuem personalidades marcantes, muitas vezes influenciadas pelo arquétipo da "mulher valorosa e incompreendida". São descritos como pessoas extremamente sinceras e diretas, o que pode levar a magoar os outros com sua franqueza. São fieis àqueles que amam e dedicados às amizades, embora possam ser excessivamente ciumentos e possessivos. São lutadores bravos, determinados a alcançar seus ideais, frequentemente ocupando cargos de liderança ou carreiras desafiadoras como juízes e advogados. Podem sofrer com um certo complexo de inferioridade e ter dificuldade em estabelecer comunicações afetivas, agindo com agressividade defensiva por medo de serem enganados. Costumam ser pessoas de estrutura forte, rosto redondo e traços marcantes, como sobrancelhas grossas e lábios acentuados.

Thiago S. Cecílio de Oxóssi



quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Canela

 Canela

A canela é uma especiaria muito conhecida por seu aroma marcante e por suas diversas utilizações na culinária, na medicina popular e nas práticas espirituais. Obtida da casca de árvores do gênero Cinnamomum, ela é utilizada há milhares de anos por diferentes povos ao redor do mundo. Do ponto de vista científico, a canela contém compostos bioativos, como o cinamaldeído, responsável por grande parte de seu aroma característico. 

Estudos indicam que ela possui propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas, podendo auxiliar no combate aos radicais livres e no equilíbrio do organismo quando consumida de forma adequada. Pesquisas também sugerem que a Canela pode contribuir para o controle da glicemia em algumas pessoas, embora não substitua tratamentos médicos. Além disso, seu aroma é frequentemente estudado por seus possíveis efeitos sobre a sensação de bem-estar e conforto emocional.



Na Umbanda, a Canela é associada à prosperidade, atração de boas energias, fortalecimento espiritual e abertura de caminhos. É comum seu uso em banhos, defumações, amacis e trabalhos voltados para a abundância, o amor-próprio e a elevação da vibração energética. Muitas pessoas acreditam que seu aroma ajuda a harmonizar o ambiente e estimular sentimentos de alegria e confiança. Dentro de algumas tradições umbandistas, a Canela também é relacionada à energia do fogo, da transformação e do movimento, sendo utilizada para impulsionar objetivos e renovar as energias pessoais. Seu uso costuma ser acompanhado de orações, firmezas e intenções positivas.

Uma curiosidade interessante é que tanto a ciência quanto a espiritualidade reconhecem o impacto que os aromas podem ter sobre o ser humano. Enquanto a Umbanda compreende esse efeito como uma influência energética e vibracional, a ciência explica que determinados cheiros podem estimular áreas do cérebro ligadas às emoções, memórias e sensações de prazer. Assim, a Canela representa um belo encontro entre tradição, espiritualidade e conhecimento científico. Seja em um banho de ervas, em uma defumação, em um chá ou em uma receita especial, ela continua sendo valorizada por suas características únicas e por tudo aquilo que simboliza para diferentes culturas e crenças.

Rebeca de Ossain


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Café

 Café

O café é um elemento extremamente importante no Brasil, considerando principalmente  nosso contexto histórico. O café sempre foi algo considerado valioso, tanto que em tempos passados éramos um dos principais exportadores de café do mundo. Assim, ele se consolidou muito na época da escravidão, tínhamos enormes fazendas com uma estrutura complexa para a criação e preparação dos grãos.



Quando entramos no contexto da Umbanda, conseguimos visualizar melhor entendendo o contexto por detrás do café. Uma linha que utiliza muito o café nos trabalhos dentro dos Terreiros é a linha dos Pretos Velhos. Vemos diversas vezes o café sendo usado em bebidas, em guiadas feitas com seus grãos e conseguimos ver em defumações, ou seja, ele é um elemento muito presente na umbanda. 

O café pode ser usado de diferentes maneiras de acordo com o trabalho, por exemplo: Um preto velho te dá uma xícara de café para beber durante um atendimento. Esse café além de ajudar na limpeza, vai esquentar a pessoa e trazer um sabor mais doce e acolhedor. Tudo no terreiro possui um significado e uma importância, devemos compartilhar esse tipo de visão, pois assim as pessoas conseguem entender o gigante valor que uma simples xícara de café possui.

Leonardo de Oxossi”


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Calunga pequena

Calunga pequena

O termo “calunga” é utilizado há muitos anos por povos africanos e, para nós umbandistas, é de muita valia saber o significado e diferenciar Calunga Grande de Calunga Pequena, conhecendo seus guardiões, como sair e entrar de cada uma delas e sempre respeitar a grande energia presente em ambos os locais. “Kalunga” foi uma palavra advinda do vocábulo Bantu, que traz em seu significado o “vazio” ou “espaço oco” que nascia dentro do peito de cada um quando um familiar ou uma pessoa querida desencarnava, sendo um sentimento muito parecido com que hoje chamamos de “luto”. Com o passar dos anos, o termo “Kalunga” foi sendo realocado e passou a se referir também aos cemitérios, pois os povos Bantos não tinham um vocábulo específico para se referirem a esses lugares, assim o “espaço vazio” físico desses povos se tornaram os cemitérios, os quais conhecemos por Calunga Pequena. 

Dentro da Calunga Pequena, encontra-se, muitas vezes, o Cruzeiro das Almas, um local sagrado e ponto de força extremamente importante, tanto para nós encarnados, quanto para os espíritos. Lá as pessoas depositam suas orações e seus sentimentos por todos aqueles que já desencarnaram, é o lugar em que, muitas vezes, vão para se tranquilizarem e para “manterem um contato” com seus entes queridos, como também para nos conectarmos com Pai Omolu.

Por outro lado, é também um ponto de força para todos os espíritos desencarnados, pois o Cruzeiro das Almas é uma grande fonte da energia divina e foco de luz. Podemos interpretar como uma via de mão dupla, muitas vezes vamos prestar nossas homenagens a alguma pessoa querida que já desencarnou e saímos de lá mais tranquilos, por outro lado a espiritualidade pode usar essa boa energia que foi depositada pelos encarnados, juntamente com a energia dos Orixás, para auxiliar os espíritos necessitados que estão na Calunga Pequena.



Então, podemos entender o Cruzeiro das Almas como uma espécie de farol que consegue auxiliar os encarnados, tal como encaminhar os espíritos que precisam ser cuidados por entidades de luz, sendo esse trabalho feito por guias que espalham o amor e a caridade como os Exus, Pombogiras e Pretos Velhos. Ao entrarmos na Calunga Pequena devemos respeito e reverência, assim como quando entramos nas matas, cachoeiras, nos bambuzais e no mar. No cemitério saudamos Pai Omolu, Ogum Megê e o Exu Guardião daquele local; e ao sairmos, devemos sempre pedir para que nenhuma energia pesada de espíritos sofredores nos acompanhe. 

Falando brevemente dessas três grandes forças protetoras da Calunga Pequena, o Pai Omolu tem sob seu domínio todos os espíritos que estão em processo de desencarne, ele é quem desata a conexão do espírito com o corpo material, guardando para que nenhum espírito de baixa vibração aproveite da energia daqueles que estão passando pelo desencarne. Já Ogum Megê é o falangeiro de Ogum que trabalha na linha das almas, uma espécie de entrecruzamento com Omolu, é quem desmancha magias, quem guarda os cemitérios e coloca disciplina nos espíritos insubmissos, trabalha também juntamente com Iansã, responsável por conduzir os espíritos desencarnados. E por fim, existem os espíritos iluminados que trabalham no meio de muita energia densa para levar a luz às almas, como os Exus e Pombogiras. É muito comum que os guardiões da Calunga Pequena sejam da falange dos Caveiras, como o Exu João Caveira, Exu Caveira, Tatá Caveira e Pombogira Rosa Caveira, mas não é uma regra, podendo ter outras falanges como guardiãs.

Que possamos respeitar a força das entidades e espíritos de luz que trabalham nesses locais e que sejamos guiados pelo farol do Cruzeiro das Almas, tendo sempre a proteção dos guardiões da Calunga Pequena.

Atotô, Pai Omolu! Salve o povo da Calunga Pequena!

Isabela de Iansã