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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Calunga pequena

Calunga pequena

O termo “calunga” é utilizado há muitos anos por povos africanos e, para nós umbandistas, é de muita valia saber o significado e diferenciar Calunga Grande de Calunga Pequena, conhecendo seus guardiões, como sair e entrar de cada uma delas e sempre respeitar a grande energia presente em ambos os locais. “Kalunga” foi uma palavra advinda do vocábulo Bantu, que traz em seu significado o “vazio” ou “espaço oco” que nascia dentro do peito de cada um quando um familiar ou uma pessoa querida desencarnava, sendo um sentimento muito parecido com que hoje chamamos de “luto”. Com o passar dos anos, o termo “Kalunga” foi sendo realocado e passou a se referir também aos cemitérios, pois os povos Bantos não tinham um vocábulo específico para se referirem a esses lugares, assim o “espaço vazio” físico desses povos se tornaram os cemitérios, os quais conhecemos por Calunga Pequena. 

Dentro da Calunga Pequena, encontra-se, muitas vezes, o Cruzeiro das Almas, um local sagrado e ponto de força extremamente importante, tanto para nós encarnados, quanto para os espíritos. Lá as pessoas depositam suas orações e seus sentimentos por todos aqueles que já desencarnaram, é o lugar em que, muitas vezes, vão para se tranquilizarem e para “manterem um contato” com seus entes queridos, como também para nos conectarmos com Pai Omolu.

Por outro lado, é também um ponto de força para todos os espíritos desencarnados, pois o Cruzeiro das Almas é uma grande fonte da energia divina e foco de luz. Podemos interpretar como uma via de mão dupla, muitas vezes vamos prestar nossas homenagens a alguma pessoa querida que já desencarnou e saímos de lá mais tranquilos, por outro lado a espiritualidade pode usar essa boa energia que foi depositada pelos encarnados, juntamente com a energia dos Orixás, para auxiliar os espíritos necessitados que estão na Calunga Pequena.



Então, podemos entender o Cruzeiro das Almas como uma espécie de farol que consegue auxiliar os encarnados, tal como encaminhar os espíritos que precisam ser cuidados por entidades de luz, sendo esse trabalho feito por guias que espalham o amor e a caridade como os Exus, Pombogiras e Pretos Velhos. Ao entrarmos na Calunga Pequena devemos respeito e reverência, assim como quando entramos nas matas, cachoeiras, nos bambuzais e no mar. No cemitério saudamos Pai Omolu, Ogum Megê e o Exu Guardião daquele local; e ao sairmos, devemos sempre pedir para que nenhuma energia pesada de espíritos sofredores nos acompanhe. 

Falando brevemente dessas três grandes forças protetoras da Calunga Pequena, o Pai Omolu tem sob seu domínio todos os espíritos que estão em processo de desencarne, ele é quem desata a conexão do espírito com o corpo material, guardando para que nenhum espírito de baixa vibração aproveite da energia daqueles que estão passando pelo desencarne. Já Ogum Megê é o falangeiro de Ogum que trabalha na linha das almas, uma espécie de entrecruzamento com Omolu, é quem desmancha magias, quem guarda os cemitérios e coloca disciplina nos espíritos insubmissos, trabalha também juntamente com Iansã, responsável por conduzir os espíritos desencarnados. E por fim, existem os espíritos iluminados que trabalham no meio de muita energia densa para levar a luz às almas, como os Exus e Pombogiras. É muito comum que os guardiões da Calunga Pequena sejam da falange dos Caveiras, como o Exu João Caveira, Exu Caveira, Tatá Caveira e Pombogira Rosa Caveira, mas não é uma regra, podendo ter outras falanges como guardiãs.

Que possamos respeitar a força das entidades e espíritos de luz que trabalham nesses locais e que sejamos guiados pelo farol do Cruzeiro das Almas, tendo sempre a proteção dos guardiões da Calunga Pequena.

Atotô, Pai Omolu! Salve o povo da Calunga Pequena!

Isabela de Iansã

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Boiadeiros

 Boiadeiros

Os boiadeiros na Umbanda atuam principalmente sob a vibração e regência de Ogum, sendo reconhecidos como verdadeiros “soldados” do astral. Sua atuação está profundamente ligada à Lei Maior, trabalhando com firmeza para proteger, impor ordem e realizar limpezas espirituais mais densas.

Guiados pela força, coragem e senso de honra característicos de Ogum, os boiadeiros enfrentam demandas espirituais com disciplina e determinação, sempre em defesa do equilíbrio e da justiça. Embora tenham em Ogum sua principal regência, também podem atuar em outras vibrações, como a de Iansã, especialmente no combate às energias negativas e de desobsessão, e de Oxóssi, quando o trabalho envolve conhecimento, estratégia e desbravamento espiritual.

Na prática, os boiadeiros são especialistas em limpeza espiritual, no recolhimento e encaminhamento de espíritos perdidos, além de auxiliar no reequilíbrio mental e energético dos consulentes. Sua atuação é marcada por movimento, firmeza e condução como verdadeiros guias que organizam e direcionam as energias no plano espiritual.



Mesmo que frequentemente os trabalhos estão ligados a esses orixás, os Boiadeiros podem atuar sob a influência de outros Orixás, dependendo da necessidade espiritual. Os Boiadeiros atuam limpando energias negativas e ajudando no descarrego, preparando os médiuns para o trabalho espiritual e ajudam a manter a ordem dentro do terreiro. Eles valorizam médiuns que sejam corajosos, leais e honestos.

Seus instrumentos de trabalho mais comuns são o chapéu, o laço e o chicote. O laço é usado para capturar ou conter espíritos em desequilíbrio, enquanto o chicote é empregado para afastar energias negativas e, de forma simbólica, romper influências espirituais indesejadas por meio do seu estalo. Durante seus rituais, também é frequente o uso de cigarros de palha, charutos e bebidas como cachaça com mel ou até mesmo o café.


Bruna de Obá


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Cangaceiros

 Cangaceiros

O arquétipo dos cangaceiros na Jurema carrega uma força extremamente simbólica. Ele não representa apenas figuras históricas, mas um campo espiritual de resistência e sobrevivência. Inspirados no cangaço, esses espíritos trazem a energia do sertão: duro, resistente e verdadeiro.

Esta linha é rara de se ver em casas de Umbanda. Contudo, em nossa doutrina (Umbanda de Jurema), é mais comum de serem vistos pelo fato de termos a influência do catimbó Jurema, e mesmo assim, é raro quando o “Cangaceiro do Capão Comprido” desce em terra. 



Certa vez, foi descrito pela entidade a razão por sua rara aparição, à qual exige muita energia porque leva-se muita energia densa embora. Seu trabalho é voltado para as quebras de demandas e principalmente aquelas que nós mesmo impusemos para a própria mente.

O uso de couro nas vestimentas históricas simboliza proteção, o que também se reflete energeticamente. Sua ligação com o sertão os conecta fortemente com a terra. Na prática espiritual, atuam no corte de demandas pesadas, na proteção espiritual intensa e na quebra de trabalhos negativos. Eles ensinam que a espiritualidade também é força, posicionamento e coragem.


Salmo de Iemanjá


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Boiadeiros

 Boiadeiros

A falange dos boiadeiros é uma linha muito importante na umbanda, atua em diversas casas, principalmente na nossa. Esta linha de trabalho traz o conhecimento dos caminhos da vida, do merecimento, do movimento pessoal de cada pessoa. Os boiadeiros trabalham na abertura de caminhos e na quebra de demandas, dando conselhos de diversas formas para clarear o caminho da vida das pessoas. 


Trazem consigo a essência do sertão, da superação das dificuldades sem perder o foco, da simplicidade da vida, da resiliência e da fé na proteção divina. Geralmente usam chapéu, costumam fumar palheiro ou cachimbo e tem adereços como o laço e o chicote, e bebem conhaque ou café. 

São regidos pela força de Iansã, e comumente também trabalham na Jurema Sagrada, juntamente com os mestres. Sua saudação é xetruá ou salve a boiada.  


Thiago Costa de Oxóssi


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Salve a Malandragem!

 Salve a Malandragem!

Salve a malandragem, é uma das saudações que utilizamos para dar boas vindas a linha dos malandros e malandras. Mas afinal de que forma essa linha atua dentro dos trabalhos de umbanda? 

Malandros e malandras são entidades espirituais que trazem consigo a sabedoria e a esperteza adquirida pelas dificuldades da vida, injustiças, preconceitos entre outros. Podem vir na linha da esquerda, juntamente com exus como na linha da direita. “Saravá seu zé pilintra moço do chapéu virado,na direita ele é maneiro, na esquerda ele é pesado“.


 

Atuam na quebra de demandas, vícios, abertura de caminhos além de auxiliar aqueles que solicitam sua ajuda a retomada do seu amor próprio, ensinam a importância do posicionamento, da coragem e do saber agir no momento certo. 

Apesar de seus arquétipos trazerem consigo vestimentas que remetem a bohemia ou a malícia, os malandros e malandras não incentivam a desonestidade, mentiras e enganação.Com seus gingados, fala mansa e alegre, nos fazem refletir sobre a importância de transformar aquilo que é dor em aprendizado e que para toda dificuldade criada existe um caminho, uma direção. 

Em nossa casa não é uma linha que vem com frequência, mas quando temos o privilégio da sua presença podemos desfrutar do seu axé e sabedoria para olhar cada desafio como crescimento.

Saravá !

Natália S. de Ogum Megê


quinta-feira, 26 de março de 2026

Caboclas na irradiação de Iemanjá

 Caboclas na irradiação de Iemanjá

Os caboclos são ancestrais indígenas que trabalham manipulando as sagradas forças da natureza, possuem um forte vínculo com a Mãe Terra e trazem consigo o seu modo de pensar e existir em perfeito equilíbrio com a mata. Nos terreiros, esses espíritos se manifestam como curandeiros, rezadores, lanceiros, guerreiros, chefes, flecheiros, caciques, agricultores, matriarcas e as encantadas d’água. E neste estudo em específico, quero falar um pouco das grandes guerreiras das matas que trabalham também com a energia d’água, guiadas por Iemanjá.

Pensando na água de fato, devemos sempre respeitá-la, pois sua força detém muitos poderes, causando desde o início da vida até a morte dos seres. Ela é um elemento que é a própria representação do conhecimento, passando por todas as civilizações, traz consigo a força primordial da vida na Terra, carregando toda nossa ancestralidade. A água purifica e, por esse motivo, é tão importante em diversos cultos religiosos. Além de tudo, é um elemento que trabalha nosso íntimo, assim como os diversos tipos de água, carregamos partes profundas e agitadas como os oceanos e partes rasas e tranquilas como a beira de um rio, sendo assim, em seus diversos tipos, a água manipula energias emocionais e sentimentais que carregamos conosco. 

Se tratando das águas de Mãe Iemanjá, devemos lembrar que toda e qualquer forma de vida existente hoje na Terra, foi originada no mar, sobre a força da grande Orixá Iemanjá. Quando pensamos no mar, podemos vê-lo como um grande ponto de força do nosso planeta, que decanta energia a todo instante e tem um grande poder curativo, já que no vai e vem de cada onda, a Mãe das Águas Salgadas sempre olha para cada filho, trazendo equilíbrio e geração. Esse vai e vem da corrente marítima, mostra que tudo passa em nossas vidas e que Iemanjá sempre estará comandando o barco, mesmo quando acreditamos que seja impossível navegar por determinados oceanos. 


O Brado - 08 DE DEZEMBRO - O DIA DE OXUM A CABOCLA IARA Para comemorar esta  data tão especial, o dia de Nossa Senhora da Conceição, nossa Grande Mãe  Oxum, falaremos


As caboclas que trabalham em sua linha, vibram em pontos de forças que remetem ao mar, como as praias e corais. Carregam consigo uma força muito grande do Sagrado Feminino e sempre fazem seu trabalho com cuidado e generosidade, abraçando quem as procura com ternura e dando-lhes o colo necessário. Podem se apresentar como guerreiras, caçadoras, sacerdotisas ou pescadoras, trabalhando também com descarregos emocionais, fornecendo uma verdadeira limpeza com a água salgada de Mãe Iemanjá. 

Os brados das Caboclas de Iemanjá são fortes e ao mesmo tempo delicados, são mantras que libertam a alma de sofrimentos. Seus movimentos são leves e resistentes, assim como as ondas do mar, limpam o terreiro com suas danças e retiram toda energia de baixa vibração, por outro lado, trazem consigo uma energia positiva, de renovação, para recarregar os lugares necessários. Além do conhecimento das matas, essas Caboclas de Água possuem uma força natural, carregam uma ancestralidade da origem do mundo e são capazes de nos ensinar ricos conhecimentos sobre a fauna e a flora, sobre a importância de sempre estarmos em harmonia com a Terra, com os animais e as plantas, mas principalmente sobre nossas questões mais íntimas. 

Assim como Iemanjá, as Caboclas de água possuem um grande colo e nele cabem todos os que as procuram, pois elas cuidam de todos os peixes sem distinção de cor, classe social, gênero, orientação sexual, seja lá quem for, essas Caboclas estarão prontas para comandar o barco de cada um rumo a um destino seguro. 

Alguns exemplos de Caboclas na irradiação da Mãe do Mar: Janaína, Jurema da Praia, Jandira, Mariana, Jussara, Cabocla da Areia, Areia Branca, Estrela do Mar. 

Salve as Caboclas d’Água! Okê, Caboclas!

Odocyaba, minha mãe Iemanjá!

Isabela de Iansã

terça-feira, 24 de março de 2026

Boiadeiros

 Boiadeiros

Os boiadeiros são uma linha de trabalho na Umbanda que irradiam com maior força a energia de Iansã, dos ventos, das mudanças, assim como um boiadeiro que na lida da época vivia em suas andanças, mudanças de rumo, estradas e rotas, para tocar a boiada até o destino final. Geralmente os guias com arquétipos de boiadeiros conversam de maneira firme e com trejeitos daqueles que tantas vezes recalcularam a rota e se entregaram às mudanças para finalizarem as travessias que faziam com as boiadas estradas afora.


Xilogravura Os Boiadeiros G - assinada por J. Borges - PE - Paiol - Sua  Loja de Artesanato


Além de auxiliarem os encarnados a lidarem com as questões relativas a mudanças, energias de estagnação, os boiadeiros foram trabalhadores de muita coragem, que encaravam os caminhos da vida sem saber o que lhe esperavam, ensinando e trazendo muito disso aos consulentes que são atendidos por eles. 

Costumam utilizar chicotes, laços e fumos para limpar energia e movimentar com firmeza as energias necessárias. O dia da semana desta linha é quinta-feira, a saudação é Xetruá e a cor de vela geralmente utilizada é laranja.

Mylene de Ogum Rompe Mato


quinta-feira, 19 de março de 2026

Linha dos piratas

 Linha dos piratas

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre essa linha tão misteriosa e pouco falada, porém muito respeitada na Umbanda. Para que possamos ter um melhor entendimento, vou começar contando a história desse povo ainda em vida, para logo em seguida, relacioná-la com seu trabalho espiritual. Os primeiros piratas surgiram por volta de 1620 e atuaram até cerca de 1730, nas ilhas caribenhas, período em que foram combatidos pelos espanhóis e sofreram uma queda considerável. Sua chamada "época de ouro" ocorreu por volta de 1650, quando reinaram por mais de meio século. As bases da pirataria caribenha estavam localizadas principalmente nas colônias inglesas de Port Royal (atual Jamaica), Nassau (Bahamas), e na colônia francesa da Ilha Tortuga (atual Haiti). Um dos erros mais comuns é o uso indevido de termos usados para se referir aos piratas do Caribe. Pirata, bucaneiro e corsário são frequentemente usados como sinônimos, quando, na verdade, cada um tem uma origem e significado diferentes. 

Pirata é um termo genérico usado para descrever qualquer pessoa que tenha saqueado o mar, em qualquer época ou lugar. Os corsários recebiam o que era conhecido como "cartas de corso", que os autorizava, em nome de seus governadores ou monarcas, a atacar navios de nações inimigas (principalmente a Espanha, na época) em favor da nação que representavam. Na prática, é difícil determinar onde começa a pirataria e termina o corso, já que o mesmo indivíduo poderia ser considerado um corsário por seus compatriotas e um pirata por seus inimigos. Os bucaneiros surgiram de colonos que foram privados de suas terras e se tornaram caçadores e depois piratas por serem excelentes marinheiros.





A navegação é uma atividade fundamental para os povos que, como os ilhéus, vivem em locais cercados por água. Mesmo antes da chegada dos europeus, a navegação já havia sido desenvolvida pelos povos nativos das Américas, que projetaram diferentes tipos de canoas para navegar rios e mares, graças às quais conseguiram povoar as diferentes ilhas da região. Como contam os ancestrais, os indígenas Miskitos, que viviam na costa do que hoje é a Nicarágua, já visitavam as ilhas para pescar, caçar e coletar frutas. Eles precisavam ser excelentes navegadores, pois, embora relativamente próximos, o arquipélago fica a mais de 200 quilômetros de mar aberto de onde viviam. 

De fato, quando os primeiros colonos europeus chegaram, ficaram impressionados com as habilidades marítimas dos Miskitos e de outros povos indígenas da região, que possuíam grandes canoas que podiam navegar grandes distâncias, mesmo em meio a uma tempestade. Os remos portáteis, por exemplo, são de origem indígena, já que os europeus, só conheciam os remos fixos ao barco quando chegaram à América. Foi por meio de seus antepassados e a herança deixada por eles que os piratas se tornaram exímios navegantes, usando de seu conhecimento e habilidades para lutar por igualdade, respeito e liberdade. 





Historicamente, o cinema ajudou a disseminar a ideia de que os piratas eram rebeldes, caóticos, individualistas e anárquicos, lutando por seus navios de forma feroz e desorganizada, com o único pretexto de aumentar suas lendas e obter fama e fortuna. No entanto, os verdadeiros piratas operavam sob sistemas democráticos muito avançados para a época: os capitães eram eleitos pelas tripulações dos navios, que estabeleciam códigos de conduta pirata para melhorar a convivência interna, já que muitos deles eram ex-marinheiros mercantes ou tinham desertado da Marinha Real para escapar das condições de trabalho abusivas que tinham que enfrentar, e buscavam justiça econômica graças à habitual distribuição equitativa do saque entre toda a tripulação. 

Lendas como Edward Tatch, mais conhecido como Barba Negra, e Henry Morgan foram muito famosos nessa época. Nascido em 1680, em Bristol, na Inglaterra, Edward servia num navio corsário baseado na Jamaica quando decidiu virar pirata, assumindo a identidade de Barba Negra. Ele comandava o navio chamado “Vingança da Rainha Anne” um antigo navio francês que ele capturou e equipou com 40 canhões. Apesar da fama, Barba Negra não era sanguinário ou brutal como diziam, em vez disso ele se aproveitava de sua aparência assustadora pela qual era conhecido, para conseguir respeito e a redenção de suas vítimas. Ele trançava sua longa barba negra e colocava pavios acesos debaixo do chapéu, para soltar fumaça durante os combates, o que o fazia parecer um "demônio saído do inferno". Em 1718, após uma árdua batalha, foi morto em combate contra forças da marinha britânica lideradas pelo tenente Robert Maynard. Dizem que Barba Negra levou cinco tiros e mais de 20 golpes de espada antes de cair. 

Henry Morgan foi um corsário galês que se destacou por seus feitos no Caribe, atuando como um agente da Inglaterra durante as guerras contra a Espanha. De bucaneiro a corsário, sua história reflete a complexidade da uma época marcada por conflitos entre Inglaterra e Espanha, ambição e a busca por poder e riqueza. Causou mais mal do que bem, ele ajudou a transformar a Jamaica em uma forte colônia inglesa no Caribe, mas também foi culpado pela morte e tortura de inúmeros civis espanhóis inocentes e espalhou o terror por toda a costa espanhola. Em vez de ser punido, Morgan foi bem recebido na Inglaterra, nomeado cavaleiro (Sir) pelo rei Carlos II e retornou à Jamaica como vice-governador, ajudando a combater a pirataria na região que antes frequentava como corsário. Morreu em 1688 no meio de riquezas e títulos, recebendo uma despedida real. 

Depois dessa pequena aula de história, falarei agora da parte espiritual dessa linha. Como muitas vezes a compreensão dos seres humanos é limitada, e tudo precisa ser preto no branco, um dia um marinheiro me explicou que os piratas viriam a ser a polarização da esquerda da linha das águas. Assim como em outras falanges existe o cruzamento com a energia de Exu, nesta também há, por exemplo, na linha de preto velho eles são conhecidos como Preto Velho Quimbandeiro; na de Caboclo é Caboclo Xoroquê; e na linha do povo d’água, são os Piratas. 

Nesse lado da esquerda o trabalho deles é principalmente purificação, descarrego e quebra de demandas pesadas. Eles vêm levando e limpando tudo aquilo que você considera um “tesouro de valor”, mas que já não te acrescenta em nada. Trazem consigo a força e importância da simplicidade, ajudando você a enxergar o verdadeiro valor da vida. Ensinam como é viver com pouco, a confiar em si mesmo, passar através das dificuldades e reconhecer o valor da irmandade. Eles vêm retirando tudo aquilo que você acredita ser essencial, para que consiga enxergar o que realmente necessita, quem verdadeiramente permanece ao seu lado e a força interior que você possui para recomeçar. 

E os tesouros escondidos? Bom, os famosos tesouros dos piratas não passam de um mito que, no astral, é nada mais que uma forma de nos fazer refletir sobre o acúmulo de bens materiais que fazemos em vida. Usa-se dessa lenda para pensar: “Vale a pena acumular tanto para, no fim, deixar que outros encontrem e aproveitem?” Fala sobre desapego e deixar para trás a ganância, é isso que os Piratas trabalham em nós. 

Nas poucas vezes que os vi no terreiro, eles desciam uns aos outros por cordas em cima do mastro de sustentação do nosso telhado. Tinham uma aparência cadavérica, vestindo blusas, saias e calças pretas e rasgadas, além de tapa-olhos, chapéus e sorrisos instigantes. Essa apresentação de caveira remete a leva do que não vale mais nada e o fim de ciclos. O mar representa a calunga grande para os umbandistas, no entendimento comum quem trabalha em calunga normalmente é Exu, por isso a semelhança nos trabalhos entre ambas às falanges, pois lá foi onde esses homens viveram, trabalharam e morreram. Inclusive alguns deles se apresentam nas linhas de Exu, pela energia de ambos serem parecidas. 

Conversando com Seu Sete catacumbas e Seu Sete flechas, eles explicaram que, na nossa casa os piratas não são de serem vistos com frequência, são espíritos difíceis de tratar, não atendem e nem conversam, pois o trabalho deles é por sua totalidade espiritual, vem apenas em trabalhos específicos, porém não incorporados e apenas durante a noite. Durante o dia ancoram suas embarcações à beira das praias, onde repousam; e ao anoitecer saem pelo mundo afora, vagando e auxiliando aqueles que precisarem. 

As sereias são conhecidas por alcançarem o interior oculto, aquilo que sentimos, mas não contamos a ninguém. Elas trazem essas emoções à tona para trabalhar a cura, a libertação, o autoconhecimento e a aceitação. Portadoras da força encantada da natureza, são vistas na mitologia como entidades que conectam os reinos terrestre e aquático. Os Piratas se encontram muito com as sereias, já que com o belo canto das mesmas, também precisam abrir mão do que anseiam para olhar para si, explorando a profundeza de seus desejos e seu inconsciente. Por isso, se um dia você quiser saber mais sobre os piratas, pergunte a uma sereia, com certeza uma delas já vai ter se cruzado com um. 


Salve a força e sabedoria ancestral da pirataria! Saravá a banda do mar! Adarrêô, Pirata! 


Valentina de Oxum


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Baianos

 Baianos

A linha dos Baianos é uma falange alegre que trabalha com alegria e sabedoria na linha de cura, proteção e quebra de demandas. A manifestação dessa linha é leve e enquanto quebram demandas, curam e protegem, dançam e também aliviam as dores dos consulentes, com risadas e alegrias típicas dos baianos de nosso País. Apesar de serem entidades brincalhonas, também sabem ser diretas e objetivas quando precisam em seus atendimentos.


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Além disso abrem caminhos, trabalham na quebra de demandas negativas e feitiços com uma sabedoria irreverente e única, trazendo a resiliência de um povo que apesar das lutas e batalhas, através de muita sabedoria ancestral conseguiram focar no melhor da vida, no lado bom, para viver a vida bem e amenizar os percalços que ocorreram no percurso.

Essa linha de trabalho irradia mais fortemente a energia dos Orixás Iansã e Oxalá, emanando fé e movimento, característicos da linha. Além desses Orixás, também relacionam a linha de trabalho aos Orixás Ogum e Oxóssi em alguns terreiros. Na Umbanda o dia dos Baianos comemora-se na terça- feira. 

Compartilho um ensinamento que uma Baiana me passou em uma experiência, disse que o “balançar” dos baianos incorporados, que também pode ser compreendido como uma dança, é uma forma de desviar dos problemas da vida, e que assim devemos fazer em nossa caminhadas, ir desviando dos percalços para não parar a caminhada e assim, irmos mais longe a cada dia.

Viva a Baianada!

Mylene de Ogum Rompe Mato.


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Povo cigano na Umbanda: Magia, alegria e sabedoria ancestral

Povo cigano na Umbanda:  Magia, alegria e sabedoria ancestral 

Os ciganos são reconhecidos por sua alma livre, sua conexão com o movimento e o desapego da vida material. Na Umbanda, a Linha dos Ciganos representa essa essência vibrante, trazendo consigo uma força espiritual marcada por alegria, sabedoria ancestral e magia natural. A presença da energia dos ciganos é marcada por alegria, conexão com a natureza, músicas e trajes coloridos. Seus trabalhos espirituais trazem cura, proteção, e conhecimentos ligados ao amor e prosperidade.



A Linha dos Ciganos tem uma profunda conexão com a energia feminina, honrando a sensibilidade, a força interior e o poder da intuição. Quando atendem mulheres, esses guias trabalham especialmente para fortalecer a autoestima, resgatar a autoconfiança e promover o acolhimento espiritual. A Orixá que rege a linha dos ciganos é Oroiná, que tem sincretismo religioso com Santa Sara Kali, considerada a protetora dos ciganos.

Dia 24 de maio, comemoramos o dia dos ciganos, seu dia da semana é a sexta feira, e sua cor é o laranja. Seus instrumentos de trabalho podem ser cristais, ervas, incensos e cartas. Embora a cor laranja seja muito presente, os ciganos podem trabalhar com outras cores, cada cigano pode ter uma cor de vibração que ele trabalhe mais. As cores vão estar presentes em suas roupas, velas e instrumentos de trabalho. As oferendas destinadas aos ciganos podem ter flores, incensos, frutas, pães e vinho. Em suas celebrações e rituais, a palavra Optchá é usada para saudar e celebrar, carregando em si a vibração da alegria cigana.

Bruna de Obá


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Pretos Velhos

 Pretos Velhos

Os Pretos Velhos são entidades espirituais profundamente respeitadas na Umbanda, representando o arquétipo de espíritos ancestrais dos africanos escravizados que, mesmo diante do sofrimento e da opressão, alcançaram elevado grau de sabedoria, amor e compaixão. Suas manifestações são marcadas pela fala mansa, os gestos calmos e a simplicidade, trazendo consigo a humildade e o acolhimento; realizando assim o trabalho com conselhos, passes energéticos, benzimentos e orações. Frequentemente se manifestam com nomes como Pai Joaquim, Vovó Maria Conga, Pai Benedito, entre outros, adotando uma postura de avós espirituais, sempre prontos para ouvir, aconselhar e curar.



A linguagem dos Pretos Velhos é simples e carrega forte sabedoria ancestral. Muitas vezes utilizam-se metáforas e histórias para transmitir ensinamentos profundos. Seu modo de falar com regionalismos como “fia”, “meu fio” e “sinhá”, cria uma atmosfera acolhedora que toca o coração de quem os procura. Os Pretos Velhos ensinam valores como perdão, paciência, fé e amor ao próximo. Sua missão é guiar os filhos de fé no caminho da evolução espiritual, resgatando a autoestima, ensinando a viver com mais equilíbrio e promovendo o bem coletivo. Em nossa casa, é muito comum essa linha de tão grande sabedoria, utilizar de instrumentos de trabalho, os quais sempre são perceptíveis e bastante notáveis:

CHAPÉU/LENÇO: são utilizados para proteger a coroa do médium;

BENGALA: não é utilizada só pela questão do arquétipo, mas sim também para auxiliar nos trabalhos de quebra de demanda, descarrego, transmutação de energias e abertura e fechamento de portais;

CAFÉ: além de sua representação histórica dos cafezais da época da escravatura, o café também é utilizado para firmar a conexão energética entre o médium e o guia, além de também trazer o cheiro que nos relembra a sensação de conforto e para o trabalho de limpeza realizado no próprio médium e no consulente. Nem todo preto velho toma café, alguns podem utilizar outra bebida como chás diversos;

CACHIMBO: além do aroma agradável do fumo junto com as ervas, o cachimbo é utilizado para o reequilíbrio energético dos chakras e para retirar as larvas astrais dos consulentes.

ERVAS: os pretos velhos possuem uma vasta sabedoria curandeira na utilização de ervas, as quais cada uma tem o seu poder de cura e atuam de diferentes formas no corpo espiritual, físico e mental: 

ROSA BRANCA: uma erva fria que traz paz e calmaria;

ALECRIM: uma erva morna que nos traz equilíbrio;

ARRUDA: uma erva quente que tem o poder de descarregar, afastar más energias e nos proteger;

GUINÉ: uma erva quente que é utilizada em banhos de descarrego e benzimentos. O Orixá regente dessa linha é Obaluaê, o senhor da cura. Suas cores são o preto e o branco e o seu dia da semana é segunda feira, sendo essas mesmas especificações para os pretos velhos.



Sua saudação é “Adorei as almas!”, o dia de comemoração a esses guias de luz é 13 de maio, pois é o dia da abolição da escravatura. Sua presença é um alívio para os que sofrem, um abraço para os que choram, um guia para os que buscam.

Eles nos convidam a caminhar com mais calma, a ouvir mais e a julgar menos. A Umbanda, com sua beleza plural, encontra nos Pretos Velhos um de seus pilares mais doces e profundos.Salve os Pretos Velhos! Adorei as almas!

Salmo de Iemanjá


quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Pretos velhos, sabedoria e intuição

 Pretos velhos, sabedoria e intuição

Devido seu culto à ancestralidade, a Umbanda carrega consigo uma vasta gama de histórias, culturas, valores e conhecimentos, os quais possuem extrema importância para sabermos e entendermos a origem, história e cultura de nosso país.

A Umbanda é formada por diversas linhas de trabalho e hoje, em especial, falaremos sobre a Linha das Almas ou a Linha dos Pretos velhos. E para conhecermos a grande força que esses espíritos trazem, precisamos conhecer sobre a história dos nossos ancestrais.

Historicamente, a prática da escravidão é antiga, existente nas civilizações do Egito Antigo e da Mesopotâmia, por exemplo. Em territórios africanos, as guerras entre povos sempre esteve presente, os povos mais fortes e vencedores dos conflitos escravizavam os mais fracos, visando, principalmente, a mão de obra para serviços braçais e domésticos. Com o passar dos anos e o início da expansão europeia, a prática da escravatura foi um grande negócio e comércio entre os próprios africanos e os europeus.

Com a chegada das grandes navegações portuguesas, os europeus aproveitaram-se dos povos originários para possuir mão de obra em abundância, principalmente para a lavoura. No entanto, os indígenas começaram a apresentar grande resistência ao processo de colonização e escravidão, o grande conhecimento deles sobre as matas, falicitava suas fugas, bem como as doenças trazidas pelos europeus dizimou um grande número de originários, pois eles não tinham um sistema imune adaptado às doenças.

Como já havia exploração de mão de obra africana na Europa, os portugueses decidiram comprar escravizados africanos e iniciar o tráfico negreiro, o qual roubou milhões de africanos de suas terras, histórias e culturas, trazendo-os para o Brasil. Assim como ocorria na África, os conflitos entre as tribos também aconteciam aqui, sabendo disso, os brancos que compravam os escravizados, preferiam africanos de tribos diferentes para dificultar a comunicação e evitar possíveis revoltas.

Posteriormente a tanto sofrimento para os indígenas e negros, ascenderam-se movimentos abolicionistas, mas como toda mobilização da parte oprimida, a abolição foi lenta e gradual, começando com a Lei do Ventre Livre, posteriormente a Lei dos Sexagenários e em 13 de maio de 1888, foi oficialmente imposta em território nacional a abolição da escravatura, por meio da Lei Áurea. Porém, por mais que tenha sido lindo no papel, a liberdade e vitória deste povo estava longe de ser real, pois a abolição não foi acompanhada de políticas públicas e sociais para que de fato houvesse mudanças e inclusão de todos. Assim, pessoas pretas ficaram à mercê e contavam com a própria sorte, buscando meios para manter-se vivo.

Quando a Umbanda foi anunciada, o Caboclo das Sete Encruzilhadas deixou claro que seria uma religião para todas as pessoas, independente de cor ou condição social, onde todos estavam com vestes brancas e descalços, para que até as pessoas mais oprimidas socialmente pudessem estar presentes e serem vistas como iguais a qualquer pessoa que viesse a frequentar e praticar a religião.

Compreendido um pouco da história de nossos ancestrais, a Linha das Almas ou Linha de Pretos Velhos na Umbanda traz justamente nossa ligação com a ancestralidade africana e, ao mesmo tempo, nos trazem memórias dolorosas dos tempos de cativeiro. 

Os vovôs, vovós, tios, pais e mães nos trazem que a pior das escravidões é o apego que temos na vida material e em nosso próprio ego. E a maior das dores é a que carregamos na nossa alma por conta de todas as histórias dessa e de outras vidas. Mas por outro lado, a sabedoria dos pretos velhos é um norte para uma vida mais plena onde a fé, a humildade e oamor são as ferramentas para superar os desafios e encontrar a paz interior. A sabedoria de preto velho acalma o coração e a alma, é expressada através de palavras calmas e pacíficas que ensinam a importância de ter paciência e de aceitar os desafios da vida com serenidade, sendo nossos mestres da humildade, da sabedoria e da fé, pois mesmo nos maiores momentos onde o desacreditar na espiritualidade e na humanidade era extremamente plausível, os nêgos velhos nos mostraram e mostram que o perdão é a verdadeira liberdade da alma e, em momentos sombrios, a fé é a luz que nos guia, pois os que têm fé também adoecem, sentem raiva, tristeza, sofrimentos diversos, mas é ela que nos auxilia a aguentar firme, mesmo quando tememos a escuridão.

Eles nos ensinam que nenhum sofrimento é em vão e todos eles podem ser transformados em conhecimento e evolução espiritual. Eles se comunicam com uma linguagem humilde e fala tranquila, nos remetendo a tranquilidade, o acalento e a paciência de saber o tempo certo das coisas. Preto velho nos ensina que ter sabedoria, não é apenas saber muito, mas sim agir com amor, acolher sem julgamentos e ter humildade sempre. São entidades guiadas pela força de Obaluaê e tendem a realizar trabalhos voltados à cura e ao equilíbrio. 

Alguns instrumentos de trabalho dos pretos velhos:

Cachimbo: limpeza astral das pessoas, médium, consulente e cambone. A fumaça pode quebrar demandas ou consagrar objetos como patuás e imagens.

Lenço/chapéu: usados para proteção do Ori do médium.

Café/chá e outras bebidas: não são todos os pretos que usam café. Depende do arquétipo do guia. As bebidas auxiliam na limpeza e na consagração também.

Bengala: pode ser usada através das batidas no chão para direcionamento de espíritos que necessitam de ajuda.

Seu dia de comemoração é 13 de maio, dia da abolição da escravatura no Brasil. Seu dia da semana é segunda-feira; suas cores são preto e braco; seu ponto de força é o cruzeiro das almas e sua saudação é “Adorei as almas!”

A intuição se denomina a capacidade de compreensão ou uma forma de conhecimento que se baseia em percepções rápidas e subconscientes. Sendo descrita como um pressentimento ou sensação, mas é uma certeza tranquila que vem de dentro de você.

Já o instinto é um comportamento muitas vezes inconsciente e automático, pode ser definida como uma resposta rápida. Por exemplo, quando estamos em uma situação de perigo, temos dois instintos: luta ou fuga.

A intuição e o instinto são ferramentas importantes no trabalho dos pretos velhos, porque eles conseguem perceber as necessidades e as dificuldades de cada pessoa, guiando-os na tomada de decisões oferecendo claridade e direcionamento.

A intuição é fundamental para a cura física e emocional ajudando a identificar as causas das dificuldades,conseguem perceber os bloqueios energéticos e as causas das doenças.

Intuição e instinto permite aos guias oferecer ajuda, conselhos e cura com base numa sabedoria que vai além do conhecimento racional.

Ana Laura de Oxum, Isabela de Iansã e Lilian de Oxaguiã