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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Casca de coco no terreiro

 Casca de coco no terreiro

“Vovô não quer… Casca de coco no terreiro;

Porque faz lembrar… Dos tempos de cativeiro”

Cantamos muito esse ponto em nossa casa para a linha dos pretos velhos, um ponto cheio de significado e que evidencia a ancestralidade dentro da nossa religião. 

Na época da escravidão, a casca do coco era usada de várias maneiras porque era um material natural, gratuito e fácil de encontrar, permitindo que os escravizados improvisassem ferramentas e utensílios diante da extrema falta de recursos. Muitas vezes, as cascas eram amarradas aos pés como uma forma rudimentar de proteção, já que trabalhavam descalços em terrenos duros, quentes e cheios de pedras ou espinhos. Embora desconfortáveis, pesadas e abrasivas, essas cascas ajudavam a evitar ferimentos mais graves e tornaram-se símbolo de improviso forçado.

Além disso, a casca de coco era utilizada como cuia para comer e beber, para carregar pequenas quantidades de água ou comida, e até como ferramenta de trabalho, servindo como concha para escavar ou alimentar animais. Esses usos, tão ligados ao cotidiano de exploração, reforçaram sua associação com pobreza extrema, humilhação e desumanização. 

Para os escravizados, que não tinham acesso a objetos básicos como sapatos, utensílios domésticos ou instrumentos de trabalho dignos, a casca de coco representava a dureza cruel da vida no cativeiro.

Uma imagem contendo pessoa, no interior, homem, frente

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Conhecer a história dos pontos cantados é fundamental para compreender a profundidade espiritual, cultural e ancestral que sustenta cada canto dentro do terreiro. Os pontos não são apenas músicas, são vibrações e ensinamentos dos guias e a memória sagrada do povo que construiu essa religião. 

Renata de Iansã