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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Medicina indígena

 Medicina indígena

Os povos indígenas trazem culturas ricas de tradições ancestrais e conhecimentos em todas as áreas da vida, principalmente quando se trata da área da saúde, de modo que as diversas práticas e saberes ficaram popularmente conhecidos como medicina indígena e esse conhecimento é transmitido de geração em geração, através de cada ancestral físico e espiritual da floresta.

Na floresta, o cuidado é coletivo, ou seja, sempre é cuidado o corpo, o espírito e a terra. Assim, quando um integrante da aldeia está doente, todos da aldeia se encontram doentes, pois o um é coletivo. As práticas de cura indígena envolvem rituais de banho, defumação, garrafadas, xaropes e chás.

Muito se observa os processos ensinados dos ancestrais para os mais jovens e a importância de preservarmos esses ricos rituais através de plantas medicinais como o cumaru, mucuíba, copaíba, andiroba. São usadas também raízes de árvores, folhas, sementes trituradas, óleos e leites das próprias plantas, cada uma tendo sua rica importância. A forma em que esses conhecimentos são passados para os mais novos é através de cantos, muito da cultura indígena é ensinado através de cantigas e de histórias nos encontros das aldeias.

Para os povos tradicionais, a medicina indígena não é apenas uma forma de cura do físico, está ligada à identidade dos povos e à natureza, é a mais pura raiz da ancestralidade brasileira, é uma energia vital para cada um que compõe o coletivo indígena, é uma forma de cuidar de si mesmo, do próximo e de preservar a natureza.



Os indígenas acreditam que muitas doenças acontecem por causa da destruição que causamos ao ambiente, seja ele terrestre ou aquático, pois o princípio de tudo é a Mãe Terra e ela é habitada pelos Waimahsã, que são seres guardiões da natureza, com os quais todos os seres humanas devem interagir e se comunicar para pedir licença e usufruir dos recursos que nossa casa pode nos dar. De outro lado, ao destruirmos os ambientes, estaremos destruindo a casa dos Waimhsã, assim eles lançariam doenças, conflitos e feitiçarias para àqueles que destruíram seu lar.

Nesse contexto, os povos tradicionais creem que não é possível tratar doenças apenas com medicamentos, a cura depende de uma combinação de vários fatores: medicina das plantas, benzimentos e, principalmente, mudança de costumes como dietas específicas para cada mazela, exclusão de carne, sexo, álcool, bem como diferentes tratamentos à mãe natureza.

Quando se há preconceito, as pessoas vestem uma ignorância enorme, a qual impossibilita o entendimento do conhecimento indígena. Digo isso pois várias pessoas acreditam que a cura tradicional e espiritual é na verdade uma cura que envolve magia e energias negativas, quando na verdade, é apenas uma medicina diferente da medicina branca e ocidental. 

É importante valorizarmos cada ensinamento trazido pela espiritualidade e por povos indígenas, sempre mantendo o respeito para compreendermos cada aspecto cultural de seus rituais e cerimônias de cura. Que os encantados das matas nos direcionam e nos guie na busca pelo conhecimento ancestral! 

Isabela de Iansã


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