terça-feira, 4 de maio de 2021

Os Atabaques

Os Atabaques

 

Os tambores são instrumentos musicais de percussão formados por uma armação oca, tendo, sobre essa, uma pele esticada que produzirá um som quando for percutida. O som do atabaque vem da vibração do couro. Os primeiros tambores eram feitos de troncos ocos, cobertos pelas bordas com peles de répteis ou couro de peixes, sendo percutidos com as mãos. Com o desenvolvimento musical do ser humano, a grande variedade de tamanhos, formas, tipos de couros e de métodos de fixação da pele na madeira, foram surgindo.

Os tambores sempre tiveram funções diversas como a de transmitir alegria em festas populares, transmitir mensagens a distância e principalmente a função religiosa. Tidos como objetos sagrados, com poderes mágicos, mesmo atualmente sua confecção envolve rituais sagrados.

Em todo o mundo encontram-se religiões que utilizam este instrumento em seus cultos. Na China, há mais de 2.000 anos, usam-se tambores feitos de bronze nos rituais sagrados e cerimônias de casamento. No Japão um gigantesco tambor, chamado o-taiko, é percutido no ritual “Bate o Coração da Mãe-Terra”. Os nativos norte-americanos também associam os toques às batidas do coração da Mãe-Terra. Para os xamãs, o tambor é um veículo para invocação de espíritos, para curar e afastar as forças do mal.

O atabaque usado nos terreiros consiste em um tambor cilíndrico, ligeiramente cônico e comprido, a abertura maior é coberta por couro animal, esse couro pode ser de bode, boi ou búfalo (a escolha do couro vai depender do som que quer se produzir e da capacidade das tarraxas do atabaque de prender o material).



O nome do atabaque vem do árabe, at - tabaq, e significa “prato”. Seu som é condutor do axé dos orixás e guias. A vibração do couro e da madeira interagem, gerando forças capazes de relacionar-se diretamente com as mais variadas frequências vibratórias, de acordo com a necessidade dos trabalhos.

O primeiro terreiro fundado por Pai Zélio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas trabalhava sem atabaques, usando apenas as palmas e cantos na sustentação das giras, alguns terreiros ainda mantêm essa tradição. Outras tendas fundadas por Pai Zélio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas, introduziram os atabaque devido, principalmente, à influência do Candomblé.

            Na Umbanda os atabaques são percutidos com as mãos, já no Candomblé e nos terreiros de Umbanda traçada eles podem ser percutidos com varetas feitas com madeira de goiabeira, chamadas de aguidavis ou podem ainda ser percutidos de maneira alternada (usando uma das mãos e na outra mão um aguidavi).

Os atabaques são sagrados e devem ser respeitados, sua confecção terá a influência de alguns orixás. Na madeira está presente o axé de Xangô, nos aros metálicos está presente o axé de Ogum e Exu e no couro está presente o axé de Oxóssi.

O conjunto de atabaques no terreiro é formado, geralmente por um trio, nos cultos de nação cada atabaque terá um toque específico e uma obrigação, porém, isso não acontece na Umbanda. Quando a casa usa mais de 3 atabaques, a sequência RUN, RUMPI e LÉ deve ser respeitada (ao lado de um Run sempre um Rumpi e ao lado de um Rumpi sempre um Lé). Sendo assim a disposição de 5 atabaques deve ser, seguindo da esquerda para a direita: Lé - Rumpi - Run - Rumpi - Lé. Há casas que têm os 3 atabaques, mas eles não são um conjunto, nesses casos são usados atabaques do  mesmo tamanho, geralmente do tamanho do Rumpi.

Os atabaques são de extrema importância dentro do terreiro pois, são eles juntamente com a curimba que irão movimentar a energia durante a gira. Cada atabaque terá um nome e será consagrado a um orixá específico, variando de casa pra cada.


·   RUN: O maior atabaque, de tom mais grave. Seu nome em iorubá significa voz (ohùn) ou rugido (hùn). Na Tenda de Umbanda Caboclo 7 Flechas e Jurema esse atabaque é consagrado à Oxum

·   RUMPI: Atabaque de tamanho médio e de tom mediano. Seu nome em iorubá significa “rugido imediatamente” (hùn pi). Na Tenda de Umbanda Caboclo 7 Flechas e Jurema esse atabaque é consagrado à Oxalá.

·   LÉ: É o menor atabaque e tem o som mais agudo. Seu nome na língua Ewe (falada em Gana, Benim e Togo)  faz alusão ao seu tamanho e significa “pequeno”. Na Tenda de Umbanda Caboclo 7 Flechas e Jurema esse atabaque é consagrado à Oxóssi.

 

Nos barracões de Candomblé o Run é responsável pelos repiques feitos durante os toques enquanto Rumpi e Lé dão suporte para manter o ritmo dos toques. Na Umbanda essa regra não é aplicada porque os atabaques são tocados ao mesmo tempo e no mesmo ritmo, os repiques podem ser feitos por qualquer um dos 3 atabaques. O instrumento na nação Angola também pode ser chamado de Ilu, Angomba ou Engoma.

Como instrumentos sagrados que são, devem sair do terreiro apenas para trabalhos específicos em pontos de força na natureza (praia, cachoeira, pedreira, matas, etc). Não devem ser tocados por pessoas despreparadas, podendo acarretar alterações energéticas.

A afinação dos atabaques é primordial, a diferença de tonalidades entre eles, vindo do grave à aguda. Para um bom equilíbrio é importante que haja harmonia sonora, ajustando-se a afinação de acordo com a acústica do local.


Layla de Omolu

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