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segunda-feira, 29 de junho de 2026

O tempo ancestral de Nanã

 O tempo ancestral de Nanã

Quando o tempo é pensado na força ancestral de Nanã, devemos pensar que essa energia traz um tempo que não é linear, apresentando passado, presente e futuro, como conhecemos. Nanã carrega um tempo que apresenta ciclicidade e profundidade, carrega um tempo ancestral e sagrado, que traz uma força espiritual que nos conecta com o princípio de toda existência, pois a Mãe Ancestral carrega uma memória de quando a terra ainda era formada, onde as águas paradas já começavam a guardar os segredos da criação da vida. 

A manifestação do tempo ancestral de Nanã pode ser observada, por exemplo, nos ciclos da natureza, como as estações do ano e nos ciclos da lua, onde Nanã é associada à lua minguante, pois assim como Nanã habita nas águas paradas e profundas, a lua minguante é a fase final de todo ciclo lunar, é a energia necessária para que possamos recomeçar. Em muitos cultos, essa fase lunar é o tempo de rituais de encerramento de ciclos, assim como a energia de Nanã, que representa o final do ciclo da matéria, onde há a morte e o retorno à terra, como também decanta aquilo que não é mais necessário para que possamos iniciar uma nova fase. 




O tempo de Nanã é um tempo de transformação, paciência e reflexão. Nanã nos ensina que nem tudo precisa ser imediato, diferente do tempo de Iansã, que trabalha com um tempo rápido e dinâmico, trazendo o movimento impulsivo dos ventos. O tempo de Nanã é um tempo ancestral, lento e cíclico, ela traz uma energia estática de suas águas paradas, é um tempo que traz sabedoria, cura e amadurecimento para seus filhos. Iansã trará um tempo que proporcionará mudança, caminhos abertos, tendo como seu fim o movimento dinâmico, já Nanã manipula o tempo que decanta, que exige paciência, tendo como seu fim o repouso, repouso esse que nos trará de volta ao nosso princípio, para uma mudança silenciosa e demorada, mas cheia de aprendizado e carregada de uma sabedoria ancestral. 

 Nanã é muito associada ao processo de decantação, que nada mais é que o processo que separa o que é denso do que se é sutil. Da mesma forma que acontece a decantação, Nanã e seu tempo consegue purificar nosso corpo físico e espiritual, separando as energias densas, voltando-as para seu barro para serem trabalhadas, das energias que devem permanecer com seus filhos. Nanã manipula a energia que nos mostra que há um tempo necessário para que as situações, emoções, dores e aprendizados que vivemos se decantem para que haja uma separação do que precisamos absorver e aprender do que é preciso voltar à terra. 



É necessário dizer que a decantação é um processo demorado, que não pode ser apressado, pois quando se movimenta um processo que está sendo decantado, tudo se mistura novamente e assim é preciso começar outra vez o mesmo processo. Com isso, Nanã não permite que seu trabalho seja feito com pressa, pois seu tempo é baseado em reflexão, em recolhimento para nós mesmos. Tornando essa fala mais palpável, imaginem uma garrafa com água e barro, se a agitarmos, essa água fica turva por causa do barro, porém, se a deixarmos em cima de algum lugar para que esse barro decante, a terra irá assentar no fundo da garrafa e a água ficará limpa novamente. 

Esse é o ensinamento do tempo de Nanã: mesmo que sejamos seres imediatistas e, muitas vezes, preferimos um movimento e uma mudança mais brusca, com soluções palpáveis e mais rápidas, é preciso ter-se silêncio e espera para que algumas coisas se decantem e ajeitem por si só, pois não devemos apressar o que precisa ser transformado com calma, assim como a água da garrafa, precisamos de tempo para que aconteça nossa limpeza espiritual e emocional.   

                             

Isabela de Iansã


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