Pesquisar

Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta justiça. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta justiça. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de março de 2026

Xangô

 Xangô

O culto a Xangô iniciou-se onde, atualmente, se localiza a Nigéria, no antigo Império de Òyó, o reino mais importante e influente dos povos iorubás. Seu nome teve origem no idioma Iorubá, a etimologia da palavra Sàngó (Xangô) significa “Sa” quer dizer “senhor” e “ango” significa “fogo oculto”, sendo traduzido como “senhor do fogo oculto”.

A admiração e respeito por Xangô iniciaram ainda quando ele era um líder humano, venerado por sua força, poder militar e pela capacidade de fazer justiça para seu povo. Coroado o quarto Alafim (rei) de Òyó, Xangô chegou ao poder por ter destronado seu irmão Ajacá-Dadá de seu reinado, pois o achava com poucas habilidades para guerrear e não conseguia governar seu povo. Ajacá foi exilado de Òyó e colocado como rei de um pequeno vilarejo distante de seu irmão. Assim, Xangô deu início ao seu grande reinado, procurando sempre governar com o prestígio de seus súditos e reinava pautado na justiça e na razão. Com o passar do tempo, Xangô soube de um composto mágico da terra dos Baribas e mandou sua esposa Oyá buscá-lo, composto esse que seria o início do fim do reinado de Xangô. 

Quando Iansã tinha o composto mágico em mãos, sua curiosidade era grande e, em um certo momento, Oyá provou da poção e a cuspiu logo em seguida, pois o gosto a desagradou, mas quando Iansã cuspiu, entendeu o poder do líquido: a poção a fez cuspir fogo. Xangô, com ganância de poder, gostou do que soube, pois já era o homem mais poderoso entre os homens, com a possibilidade de cuspir fogo, seus inimigos iriam temê-lo ainda mais. O Grande Rei começou então a lançar seus assombrosos jatos de fogo e, em um dos disparos, atingiu árvores, incendiou pastagens e animais, seu povo com muito medo, chamou aquilo de raio e, da fornalha da boca de Xangô, o fogo jorrava e causava incontáveis acidentes no Reino de  Òyó, junto às chamas haviam barulhos e explosões, os quais ficaram nomeados de trovão.

Após o incêndio, os conselheiros de Xangô se reuniram e decidiram destituir o rei, enviando um general para derrotá-lo. Gbaca desafiou Xangô à luta, o venceu e humilhou Xangô, expulsando-o da cidade de Òyó. Xangô foi obrigado a cometer suicídio, para manter o costume antigo: se a desgraça caía sobre o reino, o rei era o culpado, posteriormente seus ministros tiravam sua coroa e obrigavam-no a tirar a própria vida.


A nova batalha de Xangô - revista piauí


Assim, Xangô cumpriu sua sentença e retirou sua vida em uma floresta próxima ao reino. As notícias espalharam pela cidade, mas ninguém encontrou seu corpo, seus fieis acreditaram que Xangô tinha sido transformado em uma força divina, um Orixá. Com isso, os povos iorubás acreditam que sua morte teria sido injusta e Orum, para ser justo, lhe concedeu a imortalidade e Xangô passou também a ser glorificado após sua morte, sendo cultuado por zelar pela justiça e pela ordem terrana, conhecido como Orixá do Trovão e Senhor da Justiça.

Em nossa casa, Xangô está assentado no pólo irradiador da quarta linha da Umbanda, a Linha da Justiça Divina, juntamente com Iansã, o Orixá absorvedor. O Orixá Xangô é o fogo que ilumina para julgar, é a divindade que carrega consigo a força da justiça, da razão e do juízo divino. Xangô está no trovão que ruge entre os céus e na energia incandescente e abrasadora que purifica nossas emoções. Traz consigo a força da razão, que não é uma força impulsiva, mas sim uma força pensada, calculada e baseada em valores éticos, sendo justa e construtiva.

Xangô personifica a força moral e cósmica que regula o equilíbrio do mundo, sua justiça é firme e imparcial, pois Xangô usa de seu fogo para iluminar os dois lados de uma situação, ouvindo-os e julgando-os com equilíbrio, agindo sempre com neutralidade. Além de seu fogo purificador, Xangô também usa o oxê: seu machado duplo e um dos símbolos mais poderosos na mitologia iorubá e nas religiões de matrizes africanas. O oxê traz, justamente, o equilíbrio em suas duas lâminas, mostrando que toda ação tem duas possibilidades e dois lados, sendo justo ou injusto diante os olhos de Xangô. Assim, utiliza o oxê para executar suas sentenças espirituais, punir os injustos e tomar suas decisões com seu golpe certeiro.

Xangô é a força de decisão, vontade e iniciativa. É a energia que traz consigo estabilidade e equilíbrio, a organização dos pensamentos e a vontade de vencer. Assim como um bom rei, Xangô traz a solidez em suas decisões, a discussão pela melhora e o espírito nobre das pessoas. Xangô também aguça o poder de liderança em seus filhos, a vontade de tomar iniciativas para ir atrás do que se acredita e conseguir alcançar aquilo que deseja. Muitos pensam em Xangô como uma força punitiva e até mesmo vingativa, mas devemos lembrar que sua justiça é equilibrada. Mesmo que seja uma força rigorosa, não é irredutível no sentido de ser inflexível ou insensível, mas sim inteligente e ponderado, nos ensinando que a justiça divina não é cega e muito menos automática, devendo sempre ser aplicada com consciência e responsabilidade.

A justiça de Xangô é firme e estável, assim como suas pedreiras, mas não é cega ao arrependimento. Xangô nos ensina que há julgamento e justiça, mas que também perdoar é um ato de coragem e de busca pelo equilíbrio. Perdoar também é justiça, quando esse perdão é acompanhado de cura, há um aprendizado e evolução e, assim como o objetivo do trabalho de Pai Xangô, há o restabelecimento do equilíbrio e a reconstrução da harmonia das relações envolvidas. Sua justiça nos ensina que devemos ser sempre firmes em nossos julgamentos, mas nunca cegos para aqueles que sinceramente querem consertar seus erros. Xangô não age por vingança, age para corrigir os erros e garantir que a verdade divina prevaleça.


Xangô, o pai justo, senhor das pedreiras, que venha nos valer! - Blog IJEP


Que, assim como Xangô, possamos ser firmes, justos e ponderados em nossas escolhas, que busquemos o equilíbrio em nossos julgamentos conosco e com o próximo. Que possamos equilibrar nossas escolhas de agir e esperar, falar e calar e, principalmente, de punir e perdoar, Xangô nos ensina que justiça não é sinônimo de ser irredutível, mas sim de sabedoria para reconstruir o equilíbrio perdido, sendo o perdão um ato de justiça divina, pois exige sabedoria e paciência para atingir o equilíbrio de sua balança. Comentando brevemente sobre seus filhos, são pessoas com uma personalidade forte de liderança, são incapazes de dar um passo maior que a perna, possuem senso de justiça aguçado, corajosos, se irritam com facilidade, bons debatedores, argumentadores e oradores, orgulhosos: não costumam admitir seus erros ou aceitar a derrota, são incisivos e autoritários: muitas vezes querem fazer as coisas do seu jeito, por pensarem que fazem melhor que outras pessoas.

Seu dia comemorativo é dia 24 de junho, dia da semana é quarta-feira, suas cores são laranja, marrom e vermelho. Suas oferendas podem ser feitas em pedreiras, montanhas e cachoeiras, sendo as mais conhecidas: amalá ou caruru de xangô (feito de quiabo cortado, camarão e dendê), milho assado, frutas como banana da terra, figo e romã, bebidas como cerveja branca e vinho tinto.

Kaô Kabecilê, meu Pai Xangô!

Isabela de Iansã


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Justiça e Direitos Naturais

Justiça e Direitos Naturais

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, refletiremos sobres as informações transmitidas no livro III capítulo 11- Conhecimento do futuro quando um homem mata o outro 
Kardec começa questionando os espíritos sobre de onde vem o sentimento de justiça, se esse sentimento é adquirido pelo convívio na sociedade, ou faz parte da natureza do homem, somos esclarecidos que esse sentimento faz parte da natureza do homem desde sua criação, por esse motivo as injustiças cometidas por outros nos chocam tanto, causando tanto incômodo. Com o passar do tempo, e o convívio com os outros esse sentimento vai sendo apurado, com a elevação da moral. Mas a essências dessa virtude foi dado por Deus aos homens.
Muitas vezes o que parece justo para um pode não parecer justo aos olhos do outro, somos explicado que isso ocorre devido à contaminação do sentimento de justiça pelas paixões terrenas, o que faz com que vejamos as coisas sob um falso ponto de vista.
Os espíritos nos dizem que “A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um”, e que tais direitos são determinados tanto pela lei humana quanto pela lei natural. Com o passar do tempo a lei humana vai se alterando e se adequando à moral de época da humanidade, por exemplo, a escravidão, fogueira da inquisição e outros atos hoje tidos como abomináveis eram permitidos pela lei humana. Com a mudança da moral a lei dos homens poderá se aproximar ou se afastar da divina. Chamam-nos a atenção também, para o tribunal da consciência, pois o que fazemos em nossas vidas privadas, nossos pensamentos, estão sujeitos ao julgamento pelo tribunal de nossa consciência. 
Resultado de imagem para justica

O codificador pergunta aos espíritos  reveladores em que se baseia a justiça para a lei natural, Qual seria sua “constituição”.Nos respondem então que temos no nosso coração essa base, essa justiça, para todos os nossos atos. E que quando sentirmos dúvidas, quando a linha entre ambas as justiças ficar tênue, devemos lembrar das palavras de Cristo “Deseje para os outros o que quereríeis para vós mesmos”, e dizem também que Deus não poderia ter nos dado guia mais seguro do que nossa própria consciência. 
Lembram-Nos ainda que Deus não fez uns de limo mais puro que outros, somos todos iguais, essa igualdade se mostra também nos direitos naturais e que esses são externos. 
A umbanda nos ensina sempre a diferenciar, ponderar, agir com empatia para com o próximo. Muitas vezes julgamos o irmão, nos achamos no direito de julgar por nos sentirmos superiores aos nossos irmãos, mas somos todos iguais. Acredito que se colocar no lugar do outro seria a forma mais justa de agir em algumas situações, aceitando que se caminhássemos por onde o outro caminhou, se pensássemos nas mesmas pedras que nosso irmão pisou, provavelmente agiríamos da mesma forma.

Xangô, orixá da Justiça, se mostra sempre com seu “oxé” (machado de corte duplo) para nos lembrar que a justiça sempre terá pelo menos dois pontos de vista. Outro símbolo da justiça é a balança, porém devemos nos lembrar que a justiça não está nos pratos da balança, mas sim no prego central que a sustenta e da mobilidade. 
Como diz o ditado “Está escrito na pedra”, a lei justiça e os direitos naturais foram gravados por Deus em nossos corações. 
Pedro Maciel ‘’ de Xangô

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Características dos filhos dos orixás: Linha da justiça

 

Características dos filhos dos orixás: Linha da justiça

 

Os orixás regentes da linha da justiça são Xangô (irradiador) e Iansã (absorvedor).

O sentimento de justiça (não a nossa justiça, mas a justiça divina) é a energia que manifesta nesta linha através dos orixás acima mencionados. A vibração de Xangô remete à vastidão das montanhas e às asas da justiça e as entidades desta linha são mistas, geralmente, de caboclos, pretos velhos e pessoas da lei. Xangô é o orixá do equilíbrio, da razão e do juízo divino e Iansã, na justiça divina, quando ativada, é regente da lei nos campos da justiça. Iansã é a divindade da justiça em que a natureza eólica (vento) expande o fogo de Xangô, e assim que o ser é purificado de seus vícios ela entra em sua vida, redirecionando-o e conduzindo-o a outro campo no qual retomará sua evolução.

Portanto, Xangô é o fogo que nos purifica de nossos próprios vícios emocionais, reequilibrando-nos e Iansã é o ar que areja nosso emocional e nos proporciona um novo sentido da vida e uma nova direção ou meio de vida. Xangô paralisa e purifica; Iansã movimenta e direciona.

Vejamos as características dos filhos da linha da justiça.



 Filhos de Xangô: os filhos de deste orixá são justos, prudentes, disciplinados, organizados, metódicos, vaidosos e extremante pontuais. Tem uma capacidade de analisar de forma imparcial, tomam decisões muito equilibradas, apresentam um tipo firme, enérgico, seguro e absolutamente austero, tem uma autoestima e autoconfiança muito grande. Podem demorar para tomar uma decisão, mas quando tomam essa decisão é definitiva, gostam de defender os injustiçados, são ciumentos, possessivos e gostam de dar a última palavra. São inflexíveis e agem com intratabilidade e autoridade, mas apesar disso são bondosos, justos, misericordiosos, generosos e inteligentes.

É fácil perceber os filhos de Xangô até mesmo por seu físico que é bem característico, são pessoas de porte forte, podem engordar facilmente se não cuidarem, pois ganham massa ou gordura com facilidade. Mas é tanta a autoestima e a energia que mesmo com muito peso não são pessoas sedentárias e “paradas”, estão sempre à frente de questões que acreditam e nunca fogem de uma questão quando solicitados. Não gostam de aventura, nem de novidades, gostam de tudo do mesmo jeito, no mesmo horário, programado com antecedência. São pessoas que não guardam rancor. Sabe aquela frase “na dúvida faça”, para os filhos de Xangô é: “na dúvida não faça”, pois para eles se não tem certeza é melhor não fazer. São conselheiros e não gostam de ser contrariados, podendo facilmente sair da serenidade para a violência, mas tudo medido, calculado e esquematizado. Acalmam-se com a mesma facilidade quando sua opinião é aceita.

Quando entram no negativo são aquele tipo de pessoa que explode, que não consegue se contrariar; se antes gostavam de ficar com a família, quando entram no negativo gostam de ficar isolados; se antes eram justos, no negativo ficam rancorosos e vingativos;  quando se sentem contrariados ou alvo de injustiças, quem antes era um bom líder, no negativo, fica uma pessoa gananciosa, corrupta, autoritária, arrogante, crítica e que julga o tempo todo.

Kaô Kabecilê.

Filhos de Iansã: normalmente são muito corajosos e tem o espírito de guerreiro, assim como Iansã.  São muito extrovertidos, autênticos, audaciosos, autoritários e não se importam com opinião alheia; são impulsivos e tem personalidade marcante. Alegres, otimistas, vaidosos, irritáveis, atirados, perseguem seus desejos, são diretos no que querem, não escondem seus sentimentos de ninguém, são muito tagarelas e animados, podendo ser vingativos.

Tendem a ser possessivos e seu gênio muda repentinamente sem que ninguém esteja esperando. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem, partem para outra, como se seu antigo parceiro nunca tivesse existido. São extremamente fiéis à pessoa que amam enquanto a amam.

Quando as coisas estão complicadas, os filhos Iansã vem como um raio e mostram diretamente “aqui está o problema”, só que um raio, como sabemos, não é uma coisa suave. Então, quando for pedir um conselho para filhos de Iansã eles não vão te fazer carinho na cabeça, simplesmente vão chegar e falar qual é o problema, sem rodeios. Como são muitos impulsivos eles já chegam falando o que está errado, mesmo sem querer falar para magoar a pessoa, falam muitas coisas sem pensar. Quando entram no negativo se tornam muito estressados, com tudo e todos.

Eparrey Iansã.

Lembrem-se da reflexão e do equilíbrio, sempre.

Axé.

Ana de Iansã

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Caboclos na irradiação de Xangô

 Caboclos na irradiação de Xangô

Os caboclos são ancestrais indígenas que trabalham manipulando as sagradas forças da natureza, possuem um forte vínculo com a Mãe Terra e trazem consigo o seu modo de pensar e existir em perfeito equilíbrio com a mata. Nos terreiros, esses espíritos se manifestam como curandeiros, rezadores, lanceiros, guerreiros, chefes, flecheiros, caciques, agricultores, matriarcas e as encantadas d’água. E neste estudo em específico, quero discorrer um pouco sobre os grandes caboclos que trabalham na irradiação de Xangô, o rei do fogo e da justiça.

Antes de falar sobre os caboclos de fato, é preciso falar brevemente sobre a

grande energia de Pai Xangô. Em suas histórias, conta-se que Xangô era um rei imbatível, que governava com precisão, sabedoria, temperança e, principalmente, com justiça. É a divindade que trabalha no pólo irradiador da Linha da Justiça, trazendo equilíbrio e harmonia para seus filhos, principalmente aqueles exageradamente desequilibrados, bem como trabalha muito a racionalidade, trazendo à tona os verdadeiros valores da vida, para que nossa evolução seja contínua, baseada sempre na justiça de Xangô. Pai Xangô é a justiça em sua plenitude, mas também é a ira dos trovões que ecoam pelos céus. Para tomada de decisões, ele reflete, pondera e observa todo seu reino do alto da mais grandiosa pedreira, tornando-se capaz de julgar com precisão e baseado no juízo divino, então devemos sempre lembrar que, antes de pedir justiça ao Grande Rei, ela cairá primeiramente sobre nós mesmos, nos fazendo perceber se estamos sendo justos em nossas vidas e com o outro, para posteriormente podermos ter auxílio da justiça divina, justiça essa que não é sinônimo dos nossos quereres e do que podemos achar justo.

Feito uma breve descrição da energia de Xangô, os caboclos que trabalham em sua força trazem conselhos baseados em sabedoria e racionalidade, são primorosamente justos e sempre prezam pela clareza. Quando incorporados, falam rápido, são sucintos, diretos e sem mistérios, as conversas são breves, com eles não há delongas, muitas pessoas podem não gostar dos atendimentos por isso, mas são guias sábios e seus trabalhos são de extrema valia dentro de um terreiro.

Assim como Xangô, caboclos que trabalham em sua irradiação possuem um grande poder de justiça e de racionalidade, aconselhando todos que os procuram, pautados na Justiça Divina, estando sempre prontos para guiar seus filhos de fé. Alguns exemplos de Caboclos na irradiação de Xangô: Sete Pedreiras, Serra Negra, Ventania, Trovoada, Itacolomy, Pedra Preta, Girassol, Cobra Coral, Sultão das Matas, Urubatão, Arranca Toco, Machado de Ouro, Itacuruçá. Salve a força das matas e dos caboclos! Okê! 

Kaô, meu Pai Xangô!

Isabela de Iansã


quinta-feira, 24 de abril de 2025

Linha da justiça na Umbanda Sagrada

 Linha da justiça na Umbanda Sagrada

Lembrando que essa justiça que falamos aqui não é a justiça do ser humano e sim a justiça de Deus. Os orixás regentes dessa linha são Xangô, o irradiador e Iansã, também conhecida como Oyá, a absorvedora.

Xangô é responsável por levar a justiça, enquanto Iansã absorve os desequilíbrios e dá direcionamento à justiça divina. Trazendo, assim, o equilíbrio. O símbolo de Xangô é machado. E seu ponto de força são as pedreiras. Seu sincretismo é com São Jerônimo. Podendo variar de casa para casa, lembrando que o orixá não é o santo com o qual é sincretizado. O dia em que comemoramos Xangô é 30 de setembro e suas cores são marrom e vermelho. Sua saudação é “Kaô Kabiesilê Xangô”

Os símbolos de Iansã são a espada e o Eruexim (rabo de cavalo), com o qual controla e afasta o espírito pois ela é responsável por encaminhar os espíritos após a morte. E seu ponto de força são as campinas. O dia em que comemoramos Oya é dia 4 de dezembro e suas cores são o vermelho, laranja e amarelo. Sua saudação é “Eparrey Oya” que significa “salve a senhora dos raios”.

Ana de Iemanjá


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Xangô

Xangô

Dando continuidade ao estudo referente aos Orixás, trataremos hoje sobre Xangô, onde se mencionará a sua linha de atuação, as características de seus filhos e algumas curiosidades interessantes.

Xangô é um Orixá bastante cultuado na Umbanda sendo considerado Deus da justiça, dos raios, dos trovões e do fogo, além de ser conhecido como protetor dos intelectuais.

Esse orixá é considerado o mestre da sabedoria, gerando o poder da política e justiça. Os que nele creem o buscam para resolver problemas relacionados com documentos, estudos, trabalhos intelectuais, dentre outros.

Atua na 4° linha da Umbanda, isto é, na linha da justiça juntamente com Iansã, sendo orixá irradiador de equilíbrio divino conferindo harmonia em toda criação de Deus. O seu campo de atuação é a razão e Xangô rege a vida de todos despertando o senso de equilíbrio e justiça em cada um. Além disso, como é também o orixá do fogo dá ânimo para a vida consumindo e purificando tudo aquilo que estiver ruim.

Quanto ao sincretismo haverá variações conforme o terreiro, mas pode ser sincretizado com São Jerônimo, cuja data é 30 de setembro, com São Pedro cuja data é 29 de junho ou com São João cuja data é 24 de junho. Suas cores podem ser o vermelho, branco ou marrom, seu elemento é o fogo, as pedras, pedreiras, trovões e raios. Seu dia é a quarta-feira, seu metal é o cobre, ouro e chumbo e suas ervas são o alecrim do mato, erva-tostão, parreira, filha de limão e folha de goiabeira.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Justiça da reencarnação


Justiça da reencarnação


Dando sequência ao nosso estudo sobre o livro dos espíritos, analisaremos as informações contidas no livro 2 capítulo 4- Justiça da Reencarnação.
Kardec pergunta aos Espíritos Reveladores em que se baseia o Dogma da Reencarnação e é então esclarecido. Na justiça de Deus e na Revelação (Os dez mandamentos, os ensinamentos transmitidos por Jesus Cristo e a revelação do espiritismo). Dizem ainda que Deus é bondade e seria diferente de sua essência punir eternamente um espírito, dessa forma Ele sempre deixa uma porta aberta para que possamos por meio de experiências, alcançar um novo de grau de evolução aprendendo com os erros.
O codificador da doutrina espírita comenta sobre o ensinamento passado, dizendo que todos os espíritos têm por destino a perfeição e a vida no plano físico é uma ferramenta para que possamos alcançá-la. A reencarnação sustentada na justiça divina se torna o principal pilar de esperança, dessa forma um erro nunca será eterno, teremos sempre quantas chances forem necessárias para aprender, entender e corrigir o erro cometido.
É possível encontrar vários pontos em comum entre o ensinamento transmitido pela doutrina Kardecista e a Umbanda por nós praticada, por exemplo, ao analisarmos o momento da anunciação da Umbanda no plano físico pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, temos a orientação de que a religião seguiria os ensinamentos de nosso senhor Jesus Cristo.


A visão passada pelos espíritos reveladores vai de encontro com os ensinamentos umbandistas, estamos na Terra como seres encarnados para que possamos corrigir erros cometidos em vivências anteriores. Isso ocorre também com os guias que nos acompanham e auxiliam em nossos trabalhos ao se colocarem à disposição para nos ajudar com toda humildade e amor, estão também caminhando na evolução espiritual.
Voltemos nosso pensamento para os tempos da escravidão, não é lógico pensarmos que Deus permitiria que um ser por ele criado fosse torturado à revelia. Através da reencarnação Deus da chance para que até mesmo o torturador se arrependa, enxergue seus erros e possa corrigi-los. Um escravo em uma passagem encarnado, pode ter sido um senhor de escravos impiedoso em outra, obtendo dessa forma a oportunidade de apreender com os atos que cometeu.
Sempre que nos desviamos do amor e caridade, estamos nos desviando do caminho natural de nossa evolução. Os nossos atos enquanto encarnados serão analisados por Xangô e seus representantes da justiça de divina, para que tenhamos sempre a oportunidade de melhorar.

“Não se acerta se não errar”

Pedro” de Xangô


terça-feira, 20 de junho de 2017

As Sete Linhas de Umbanda

As Sete Linhas de Umbanda

  

            Como já foi feito um estudo anterior sobre orixás, adentraremos agora em um tema muito importante no universo umbandista e que está intimamente ligado aos orixás. As sete linhas de umbanda são traduzidas como as sete principais energias de Deus, sendo elas; Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração. Cada uma dessas linhas possui dois orixás principais que são responsáveis por manipular um determinado tipo de energia. Um desses orixás é responsável por irradiar a energia da linha e o outro fica responsável por absorver essa mesma energia quando a mesma esta em desequilíbrio.

       Um exemplo simples de como isso funciona, está na linha da fé. A fé é muito importante para qualquer pessoa. Mesmo os ateus necessitam ter fé, acreditar em algo, nem que seja na ciência e principalmente em si próprios. Nesse sentido, oxalá, que é o orixá irradiador do trono da fé, atua nas pessoas de forma a gerar essa fé. No entanto, quando a fé é muito abundante também poderá gerar vários desequilíbrios, sendo o fanatismo o mais comum deles. Para evitar essa “sobrecarga” de fé existe Logunan (ou Oia tempo) que é o orixá absorvedor dessa linha. Desta mesma forma atuam os orixás regentes das outras linhas de umbanda.
        Apesar de haverem classificações diferentes de diferentes escolas umbandistas, apresentaremos a seguir o modelo das sete linhas que nosso terreiro segue. Este modelo é bem recente e foi apresentado por Rubens Saraceni através de seus mentores.
           
          As sete linhas de umbanda com seus respectivos orixás irradiadores e absorvedores:

Fé (1ª Linha): Oxalá e Logunan
Amor (2ª Linha): Oxum e Oxumaré
Conhecimento (3ª Linha): Oxossi e Obá
Justiça (4ª Linha): Xango e Yansã
Lei (5ª Linha): Ogum e Oroiná
Evolução (6ª Linha): Obaluaiê e Nanã
Geração (7ª Linha): Iemanja e Omolu 

            As linhas da fé, amor e conhecimento são mais simples de serem entendidas, uma vez que seus próprios nomes já são bem sugestivos. Da mesma forma como a fé, que

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Orixás regentes 2018

Orixás regentes 2018


E o ano de 2017 chegou ao fim. Ano regido por Pai Oxóssi, ano em que aprendemos, nos refizemos, conquistamos, passamos por momentos felizes e tristes, lutas e dificuldades.

2017 deixará, com toda certeza, muitas lembranças e ensinamentos. E então nos despedimos deste ano e nos preparamos para uma nova caminhada, um novo ciclo.

Todo início vem carregado de possibilidades e é o momento de nos elevarmos, de trabalhar a nossa fé, o momento de reorganizarmos nosso interior, de refletir sobre o que fica e o que deixamos ir.

Recomeçar é isso, é fazer uma limpeza interior, é tentar nos conectar ainda mais com Deus, evoluir espiritualmente e buscar foco e força para alcançar os objetivos para o próximo ano.

2018 vem regido por Pai Xangô e a partir de junho terá a companhia de Mãe Iansã. Em suma, este ano será um ano de busca e cobrança por justiça. No entanto, essa justiça será alcançada se os povos se unirem, se recuperarem sua fé, e acreditarem que a justiça pode ser alcançada.

Com a influência da Mãe Iansã, 2018 passará muito rápido, assim como foi em 2017, um ano que passou tão rápido quanto a flecha lançada por Pai Oxóssi. Isso porque seus ventos e raios darão a impressão do tempo passar mais rápido.

Fica o conselho de não deixar as coisas se acumularem, não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje, e principalmente, não deixar de buscar pelos seus objetivos.

Podemos esperar por um ano bastante quente, não apenas em questões ambientais, mas também no que diz respeito aos ânimos pessoais, sendo um ano de batalhas.

A natureza buscará se defender ante as manifestações de Mãe Natureza, o que resultará em tragédias naturais.

Um conselho para esse próximo ano é nos mantermos firmes em nossas convicções e tentar a cada dia elevar a nossa fé, não deixarmos de fazer o bem, pois Pai Xangô é justiceiro e tem o símbolo do machado de dois gumes, o que devemos entender é que a justiça acontecerá para os dois lados, onde os que praticam o bem e caridade receberão por suas boas ações, e os que não forem corretos serão cobrados na mesma proporção.

Esse ano será um ano de nos avaliarmos, será um ano claro, correto e realista, onde poderemos corrigir nossos erros e mudarmos pontos negativos em nossas vidas.

Como será um ano embasado na justiça e nas batalhas, não será um ano fácil. Assim devemos sempre ORAR E VIGIAR. Todos seremos julgados e receberemos a condenação por nossos atos. Será um ano em que as verdades aparecerão e as máscaras irão cair e algumas pessoas usarão da anarquia para se proteger.

Como dissemos, não será um ano tranquilo e, por essa razão, a depressão será o mal do ano e muitos optarão por “dar fim à própria vida”, o que sabemos ser uma grande ilusão, pois a vida não termina aqui e tentar desviar dos problemas dessa maneira é indiretamente ampliar o sofrimento.

Desta forma, nossa fé e ligação com Deus devem estar mais fortes que nunca.

Mas como tudo feito em nosso plano superior é perfeito, mãe Iansã, dominadora de Eguns, irá reger junto com Pai Xangô. Assim, quando sentir a tristeza chegar perto, quando pensamentos negativos começarem a aparecer em suas mentes, não deixem de chamar por ela.

Mãe Iansã, mãe guerreira, dedicada aos seus filhos, quer que lutemos nossas batalhas, não nos quer desanimados.

Então é o ano de lutar, buscar nossos objetivos, não deixar injustiças acontecerem sem fazer nada para impedir.

Acho que é uma boa hora para fazermos uma lista de objetivos e batalhar por cada um deles nesse 2018, pois teremos Pai Xangô e Mãe Iansã lutando do nosso lado.

Que Deus abençoe nossas vidas e nos capacite para essa nova caminhada. Que comecemos o ano com muita fé. Que Pai Xangô e Mãe Iansã nos possibilitem caminhos de luz e que todas as Entidades de Luz nos protejam.
Que venha 2018, que venha um ano de fé.
Bruno de Oxóssi

sábado, 12 de agosto de 2017

Oroiná (Egunitá)

Oroiná (Egunitá)



Assim como Logunam e Obá, Oroiná é um dos orixás menos conhecido das Sete linhas de Umbanda, até devido isso é importante essa publicação, a fim de entendermos a importância desse orixá. Hoje conheceremos um pouco de Oroiná que atua na quinta linha da Umbanda, a linha da lei. Falaremos de sua atuação, características de seus filhos e algumas curiosidades.

Antigamente Oroiná era chamada de Egunitá, esse nome foi modificado porque fazia confusão com uma das qualidades do Orixá Iansã, mais especificamente Iansã Egunitá. Oroiná é a senhora do fogo, é o orixá que tem o domínio do fogo, assim como Xangô. No entanto o fogo de Oroiná é característico por consumir e purificar os desequilíbrios e vícios dos seres. O sufixo “iná” na língua iorubana significa fogo, desta forma acredita-se que o nome Oroiná tenha relação a isso, significando senhora do fogo ou orixá do fogo. Tanto Iansã quanto Oroiná atuam conjuntamente na linha da justiça e da lei, isso ocorre devido a esses dois tronos complementarem um ao outro. Como já dito em outros textos, essas linhas trabalham em conjunto para trazer o que é de merecimento de cada ser conforme a lei de Deus, podendo ser trazidas provas ou oportunidades. Em consequência da atuação em conjunto dessas linhas existe muita confusão quanto a linha de Oroiná e Iansã, dependendo da fonte da pesquisa suas linhas podem estar invertidas, tendo Iansã na linha da lei e Oroiná na da justiça.

A despeito das confusões, na umbanda sagrada a linha de atuação de Oroína é a quinta linha, a linha da lei. Ogum é o orixá irradiador do trono da lei e Oroína o feminino absorvedor dessa mesma linha. O trono da lei trabalha especificamente no ordenamento dos processos da vida. Enquanto Ogum estimula os seres para se organizarem para vencer seus problemas, Oroiná retira a ordem dos processos que poderiam ser destrutivos se avançassem. 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Liberdade de Pensar

Liberdade de Pensar

Dando continuidade ao estudo do Livro dos Espíritos, discutiremos, agora, os ensinamentos presentes no Livro III- capítulo 10, mais especificamente sobre a liberdade de pensar.

Quando Karcec questiona aos espíritos sobre a possibilidade de existir algo através do qual os humanos poderiam possuir total liberdade, os Espíritos são diretos em sua resposta e nos dizem que, através do pensamento, possuímos a total liberdade. Na seqüência, Kardec questiona se o homem seria o responsável pelo seu próprio pensamento e nos diz que somos responsáveis pelos nossos pensamentos perante Deus, e a Justiça Divina.

Analisando as respostas do ponto de vista umbandista, podemos perceber diversas semelhanças. Nossos amados guias sempre nos ensinam que uma das virtudes mais difíceis de aprender e dominar é a pureza de nossos pensamento. 


Muitas vezes em nosso cotidiano nos pegamos com pensamentos maldosos, pensamentos depressivos, imorais e de baixas vibrações. Quantas vezes nos pegamos em devaneios julgando nossos semelhantes. 

Essa virtude é extremamente difícil de ser dominada, de ser assimilada, pois conseguimos nos habituar a filtrar nossos pensamentos e deixá-los mais puros, ignorá-los de certa forma, porém, só se ignora algo que está presente. Se bloqueamos algum pensamento de baixa vibração é porque antes ele foi formado em nosso consciente. Os pensamentos no futuro tornar-se-ão ações e, ambos, pensamentos e ações serão julgados pela Justiça de Divina que difere em muito da justiça dos homens.

Certa vez, um dos guias que trabalha em nosso terreiro me disse que a única coisa que estará conosco o tempo todo será o nosso pensamento, mesmo que nós sejamos presos, torturados. Nosso pensamento será sempre livre para nos levar onde quisermos. 


A essência de nosso pensamento está diretamente relacionada ao orixá Exú Mirim, que trabalha na nossa intenção. O princípio do pensamento sem Exú Mirim nem o “nada” existiria, pois para existir o “nada” precisamos primeiro pensar nele. 

Do que adianta fazer algo pensando que não queria estar ali, fazer o bem esperando algo em troca. Um assassino, em seu âmago, sabe que tirar a vida de seu semelhante, de seu irmão é errado. 

Todos os nossos pensamentos, os princípios e intenções, os pensamentos ditos e principalmente os não ditos, serão todos analisados por nosso Pai Xangô, representante da força da justiça de nosso pai Olorum.

Axé!

Pedro” de Xangô

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Orixá Xangô

 Xangô


    Xangô é um Orixá muito conhecido e cultuado na Umbanda, atua na linha da justiça juntamente com Iansã. Considerado a força divina da justiça, dos raios, dos trovões e do fogo. Seu culto faz parte da cultura Iorubá, chegou ao Brasil através de africanos que vieram escravizados. Fisicamente Xangô é descrito como um Orixá jovem, forte e de grande agilidade. Xangô nos auxilia trazendo equilíbrio, senso de justiça, ajudando na resolução de problemas judiciais, estudos e trabalhos intelectuais.

    Em nossa casa comemoramos seu dia 24 de junho, sendo sincretizado com São João Batista. Xangô é Orixá do trovão e do fogo. Durante as festas de São João Batista, é comum o uso de fogueiras, fogos de artifício e outros elementos associados ao fogo. Essa similaridade de símbolos contribuiu para a associação entre Xangô e São João Batista. 

    São João Batista, em sua pregação também é visto como um defensor da justiça e da retidão moral. Ambos são figuras de autoridade e respeito, que facilita a associação simbólica entre eles.

    O dia da semana de Xangô é a quarta feira, suas cores são vermelho, branco e marrom. Seus elementos são o fogo, raios, trovões e as pedras. Como forma de demonstrar respeito e devoção usamos a saudação Kaô Kabecilê, que se traduz como venha saudar o rei. Os metais de Xangô são o cobre, ouro e chumbo. O símbolo do Orixá é o machado ou oxé. Podemos oferendar para o Orixá velas brancas, vermelhas e marrons além da cerveja escura, vinho tinto doce, licor de ambrosia e flores. Para despachar sua oferenda escolhemos seu ponto de força como por exemplo a pedreira, montanha ou cachoeira.

    Para finalizar, vamos falar um pouco sobre as características dos filhos de Xangô, que são pessoas firmes, enérgicas e seguras. Muitas vezes, se posicionam de maneira incisiva contra situações injustas, tanto em relação a eles quanto a outras pessoas. Gostam de dar conselhos e quando contrariados podem ficar nervosos. São considerados comilões, autoritários, briguentos mas não guardam rancor. Mas também são justos, carismáticos e divertidos. Podem demorar para tomar atitudes pelo medo de serem injustos com alguém.

Bruna de Xangô


quinta-feira, 8 de maio de 2025

Xangô

 Xangô

Xangô é um orixá muito conhecido e cultuado na Umbanda, atua na linha da justiça juntamente com Iansã. Considerado a força divina da justiça, dos raios, dos trovões e do fogo. Seu culto faz parte da cultura iorubá, chegou ao Brasil através de africanos que vieram escravizados. Fisicamente Xangô é descrito como um orixá jovem, forte e de grande agilidade.

Xangô nos auxilia trazendo equilíbrio, senso de justiça, ajudando na resolução de problemas judiciais, estudos e trabalhos intelectuais. Em nossa casa comemoramos seu dia 24 de junho, sendo sincretizado com São João Batista. Xangô é orixá do trovão e do fogo. Durante as festas de São João Batista, é comum o uso de fogueiras, fogos de artifício e outros elementos associados ao fogo. Essa similaridade de símbolos contribuiu para a associação entre Xangô e São João Batista. 

São João Batista, em sua pregação também é visto como um defensor da justiça e da retidão moral. Ambos são figuras de autoridade e respeito, que facilita a associação simbólica entre eles. O dia da semana de Xangô é a quarta feira, suas cores são vermelho, branco e marrom. Seus elementos são o fogo, raios, trovões e as pedras. Como forma de demonstrar respeito e devoção usamos a saudação Kaô Kabecilê, que se traduz como venha saudar o rei. Os metais de Xangô são o cobre, ouro e chumbo. O símbolo do orixá é o machado ou oxé. Podemos oferecer para o orixá velas brancas, vermelhas e marrons além da cerveja escura, vinho tinto doce, licor de ambrósia e flores. Para despachar sua oferenda escolhemos seu ponto de força como por exemplo a pedreira, montanha ou cachoeira.

Agora vamos falar um pouco sobre as características dos filhos de Xangô, que são pessoas firmes, enérgicas e seguros. Muitas vezes, se posicionam de maneira incisiva contra situações injustas, tanto em relação a eles quanto a outras pessoas. Gostam de dar conselhos e quando contrariados podem ficar nervosos. São considerados comilões, autoritários, briguentos mas não guardam rancor. Mas também são justos, carismáticos e divertidos. Podem demorar para tomar atitudes pelo medo de serem injustos com alguém.

Bruna de Obá


terça-feira, 26 de maio de 2026

Oroiná

 Oroiná

Dentro das forças sagradas que regem o universo espiritual, Oroiná também conhecida como Egunitá em algumas tradições se manifesta como o fogo divino que não apenas aquece, mas julga, purifica e transforma. Ela não é o fogo comum que se vê… é o fogo da alma, da consciência e da justiça que vem do alto.

Sua vibração está profundamente conectada ao povo cigano e encontra seu sincretismo em Santa Sara Kali, trazendo uma energia que une mistério, força espiritual, liberdade e destino. Assim como Santa Sara Kali é guia e protetora dos caminhos, Oroiná atua como aquela que enxerga além das aparências e coloca cada coisa em seu devido lugar.

Oroiná/Egunitá é o orixá do fogo e da justiça divina. Sua atuação é firme, reta e implacável quando necessário. Ela não age pelo impulso, mas pela verdade. Seu fogo não destroi por destruir ele queima aquilo que está em desequilíbrio, que não é justo, que não está alinhado com o propósito espiritual. É uma energia que limpa, corta demandas, desfaz injustiças e reorganiza caminhos.

Sua vibração é intensa e profundamente transformadora. É o tipo de força que não permite máscaras. Diante de Oroiná, tudo vem à tona. Tudo é revelado. Tudo é ajustado.



Os filhos de Oroiná carregam dentro de si essa mesma força. São pessoas de personalidade marcante, olhar firme e intuição afiada. Sentem quando algo não está certo e dificilmente conseguem ignorar injustiças. Têm um senso natural de verdade e justiça, o que muitas vezes os coloca em situações de confronto ao longo da vida.

São almas que passam por grandes processos de transformação como se fossem constantemente lapidadas pelo fogo. Caem, se reerguem e voltam ainda mais fortes. Carregam magnetismo, presença e uma conexão espiritual profunda, muitas vezes ligada à ancestralidade cigana, ao mistério e aos caminhos do destino.

Por outro lado, podem lidar com intensidade emocional, impulsos fortes e uma tendência a reagir quando feridos ou injustiçados. Seu aprendizado está no equilíbrio: usar o fogo como luz, e não como destruição.

Em nossa tradição, Oroiná/Egunitá é reverenciada no dia 24 de maio, data em que sua força se expande e pode ser cultuada com ainda mais conexão, fé e entrega.

Falar de Oroiná é falar de verdade, de lei divina e de transformação inevitável. É entender que existe um fogo que não falha…um fogo que não erra…um fogo que simplesmente coloca tudo no lugar.

 Erika de Ewá.