Pesquisar

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Oxumarê

 Oxumarê

O Orixá Oxumarê é  a cobra arco-íris,o senhor dos ciclos, que caminha entre o céu e a terra; Em nagô quer dizer mobilidade e movimento, trazendo a abundância,  fartura e a cura para desequilíbrios amorosos e mudanças de ciclos. Este Orixá é  também símbolo da continuidade e da permanência. A transformação também é representada através da cobra, bem como a dualidade de um Orixá duplo, entre a água e a terra, macho e fêmea.



Oxumarê vem para diluir e desfazer o que não está positivo em nossa vida, trazendo a cor e a força da energia vital, já que ele atua finalizando ciclos e renovando as próximas fases. Ele é o senhor que acaba com ciclos dolorosos, trazendo a alegria e o recomeço em nossas vidas. No catolicismo, o sincretismo do Orixá Oxumarê é com São Bartolomeu e seu dia da semana é terça-feira. 

Os filhos de Oxumaré, não têm medo da mudança, na verdade eles buscam pelo novo, podendo ser em carreira, ciclo de amizades, moradias. A incerteza e a coragem de arriscar fazem parte de suas vidas e eles estão sempre se sacrificando para assim começarem um novo ciclo incerto, mas que trazem a eles muita motivação e felicidade. São guerreiros e esforçados, não fogem da luta para poderem alcançar o que almejam. Apesar da grande agitação são extremamente pacientes para esperar pelas oportunidades e “dar o bote” para agarrar o que desejam.

Arroboboi Oxumarê!

Mylene de Ogum Rompe Mato


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Nanã: a criação do homem

 Nanã: a criação do homem

Nanã é a ancestral que reina entre a lama e os pântanos, carrega em sua lenda o mistério da vida e da morte, há um itã particularmente poderoso que nos revela essa força criadora: o relato de que ela ofereceu o barro primordial para que Oxalá moldasse o homem.

No início de todas as coisas, diz-se, Oxalá tentou criar a humanidade com diversos materiais: vento, madeira, pedra, até mesmo óleo, mas nada se moldava ao seu intento. Então veio Nanã, senhora das águas paradas e da terra úmida, e do fundo de seu lago trouxe o barro perfeito. Daquela matéria, o divino Olorum sopraria vida e assim foi o homem foi criado. Mas, por ter sido feito do barro de Nanã, o ser humano também estava destinado a retornar à terra: morte e nascimento entrelaçados, ciclo que somente ela pode regar com sua sabedoria ancestral.



Esse itã sintetiza a transcendência de Nanã: ela não é apenas o início, mas também o fim e, sobretudo, o elo que liga ambos com serenidade e profundidade emocionada. Na Umbanda, ela é reverenciada como a “avó sagrada”, aquela mãe primordial que conduz os mistérios e cuida das transições entre os planos. Seu símbolo, o ibiri, bastão confeccionado com nervuras de palmeira decoradas com búzios, serve para afastar eguns e energias negativas, e para demarcar seu espaço sagrado nas giras e nos assentamentos. 

Mas Nanã, como matriarca da sabedoria, também estabeleceu fronteiras simbólicas. Há outro itã, tão curioso quanto este primeiro: conta-se que ela jamais aceitou a soberania de Ogum, senhor dos metais, exigindo que nenhum objeto metálico fosse utilizado em seu culto, nem facas, nem ferramentas. A eficácia de seu poder, segundo o mito, não depende de instrumentos forjados, mas da força primigênia da natureza. 

Nanã nos lembra que a origem e o destino partilham a mesma massa, somos barro, somos lama e, por isso, somos finitos. Mas quem nos banha nos mistérios do existir, quem nos convida à pausa, à moderação e ao respeito aos ciclos, é ela. 

Renata de Iansã


quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

70 vezes 7

 70 vezes 7

“Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?". Jesus respondeu: "Eu digo a você: não até sete, mas até setenta vezes sete. ” (Mateus 18:21-22)

Essa passagem bíblica nos ensina, de forma profunda, sobre o perdão. Ouso dizer ainda que é a virtude mais importante de todas. Quando Jesus diz “70x7” estava utilizando uma expressão hebraica que simboliza um número infinito. Ou seja, o ensinamento é que não há limites para o perdão. Devemos perdoar nossos irmãos incondicionalmente, assim como Deus nos perdoa.

Algumas pessoas têm uma visão distorcida sobre o ato de perdoar, acreditando que perdoar é esquecer, ignorar ou, até mesmo, que o perdão damos a quem nos fez mal. Mas o perdão é, sempre, para si. O papel dele é nos livrar do peso do ressentimento, da raiva e da amargura, nos permitindo seguir em frente. Sem ele, estagnamos.



Compreender isso na teoria é fácil, mas praticar é extremamente difícil. Por isso, ao ter essa resposta de Jesus, Pedro ficou desnorteado, pois se julgou não ser capaz de perdoar dessa maneira. É comum que pensemos ser injusto perdoar alguém, principalmente se o que a pessoa nos fez é algo que, diante do senso crítico, considera-se “imperdoável”. Mas deve-se tentar. Nem tudo compreendemos, mas o que a vida quer da gente, é isso: que a gente tente. Se arrisque. Busque perdoar e veja como tudo se torna mais leve. Busque seguir e veja como os caminhos se abrirão.

Assim como tudo, o perdão também pode se tornar um hábito. Daqueles que retomam o sentido da vida e voltam pro eixo. Praticá-lo evita a maioria esmagadora das doenças (pois essa maioria está ligada ao emocional) e arrependimentos. Pois a vida passa. E não vale a pena vivê-la carregando o que se deve soltar.

Lembre-se: o perdão não é para o outro. Ninguém é capaz de mudar as pessoas, só elas podem fazer isso por si mesmas. O perdão é para si, para que vivamos em paz. Nos permitimos aprender com as lições que a vida coloca em nosso caminho, praticando a humildade, pois ela é a chave para o perdão, e só assim iremos evoluir.

Camila de Iemanjá


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Orixá Obaluâe

 Orixá Obaluâe

Orixá reverenciado como senhor da Terra, detentor do poder sobre as doenças e a cura, Obaluaê é associado a São Roque no sincretismo, santo protetor dos enfermos e dos que atuam na arte da medicina. Sua figura, frequentemente envolta em palha da costa e no silêncio ritual, carrega um corpo de ensinamentos que transpassa os aspectos visíveis do sofrimento físico, e hoje trago aqui um pouco do conhecimento aprendido com este Orixá.

Na vida, Obaluaê me mostra todos os dias a importância de respeitar meus próprios limites, de honrar os momentos de recolhimento e de me escutar, escutar meu corpo. Mais do que curar doenças físicas, ele nos chama à cura interior. Períodos de crise, solidão ou fragilidade não são sinais de fraqueza, mas de transformação; tal como a terrra que se transforma em barro, que se transforma em tijolo e até na estrutura de uma casa. O processo pode ser lento e trabalhoso, mas só quem encara com coragem suas próprias sombras, se reconhece e renasce.



Silencioso, ele ensina que o recolhimento é sagrado, que há potência no silêncio e na introspecção, e que eles também curam.

 Atotô Obaluaê! Atotô babá!

 Lívia de Obaluaê


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Logunan

 Logunan

Esta Orixá é conhecida também como Oyá-Tempo, fornecendo suporte espiritual no campo da fé para todos os seres. É a Orixá que personifica o tempo e onde os acontecimentos se manifestam. A Orixá Logunan atua na linha da fé ao lado de Oxalá, representando a polaridade e dualidade nesta linha, sendo Oxalá o responsável pela irradiação da fé, iluminando os seres e os caminhos com a luz e animando tudo aquilo que sua energia toca. Já Logunan, a Orixá absorvedora é uma força neutra, atuando para equilibrar a relação das pessoas com a fé, buscando absorver os excessos causados pela fé, buscando a correção, o reequilíbrio e a reordenação daquelas pessoas que fazem uso mal-intencionado da fé e da religião.

Todos os dias da semana podem ser considerados como de Logunan, já que é a Orixá do tempo, mas costuma ser comemorado dia 11 de Agosto.  A saudação à Logunan é:  "Olha o tempo, minha mãe!"  Tal saudação pede que você aponte o dedo indicador de uma das mãos para o alto, fazendo movimentos circulares, como se estivesse mostrando o tempo.



Todos nós somos filhos de todos os orixás, isso já é sabido. O que cabe a nós é entender como cada Orixá age em nossa vida, alguns com maior intensidade e energia que outros, no caso de nossa mãe Logunan, devemos interpretar a ação de Logunan em nossas vidas como um aprendizado quanto ao tempo das coisas e quanto à fé para buscar o equilíbrio necessário para nossa própria vida. 

Olha o tempo, minha mãe!

Axé!

Mylene de Ogum Rompe Mato


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Produtividade, limpeza, organização e limites

 Produtividade, limpeza, organização e limites

O mundo moderno nos exige buscarmos pela produtividade a todo tempo. Tudo que fazemos sempre existe alguém avaliando se é um trabalho melhor ou pior do que já viu antes. Muitas vezes, as pessoas fazem isso sem se dar conta, sem a menor maldade, simplesmente aprenderam que a forma correta de encarar tudo é assim. E o pior é que nós mesmos, muitas vezes, temos o mesmo hábito e acabamos por ser muito duros com nós mesmos e com os outros. Tudo isso desmotiva e nos afasta do que realmente interessa que é a grande obra que está alinhada com nossas vocações divinas e missionárias.

Dada essa breve introdução falaremos agora do aspecto mais prático da coisa. É comum que façamos planos e metas de consumir um determinado conteúdo ou de conclusão de afazeres e que não consigamos, não porque não haja tempo hábil, mas porque muitas vezes ignoramos outras coisas que poderiam favorecer a nossa produtividade. Nossa capacidade está intimamente ligada a aspectos emocionais e muitos especialistas da área psicológica apontam que começando o dia com pequenos afazeres como arrumar a cama podem surtir um efeito impressionante. Concluindo pequenas tarefas é como se o cérebro assimilasse que você é capaz e que está pronto para um novo desafio. Dessa forma, quando mais coisas fizermos com menos preguiça e desânimo estaremos. Muitas pessoas têm por hábito deixar tudo para a última hora e outras poucas têm o costume de fazer tudo logo que recebem a tarefa. As pessoas que fazem a tarefa prontamente, muitas vezes dizem que é para ficar livre depois, mas não é o que acontece na prática, essas pessoas estão em constante movimento e evolução. Enquanto quem deixa tudo para depois, está mandando inconscientemente para seu cérebro a mensagem errada, que é preguiçosa e que não é capaz.



Pode parecer que o segundo parágrafo contradiz o primeiro, mas não é isso. O que está dito no segundo é uma forma de atitude correta e incorreta de aproveitar o próprio potencial, quanto no primeiro há uma crítica quanto a produtividade pela aprovação de terceiros, desalinhado com tudo que você acredita e que sua alma pede. 

Todos nós temos momentos de esgotamento e improdutividade, nesses momentos é sempre bom diminuir a rotação, organizar pensamentos e revisar objetivos. Uma atitude prática que pode ajudar nesses momentos é usá-los para limpar e organizar o ambiente, pois nesses afazeres além de ter tempo para refletir e não ficar focado no problema no qual está travado, nós iremos estar criando as condições ambientais favoráveis para a exploração do potencial. Se você tenta realizar uma tarefa difícil em um ambiente todo sujo e desorganizado, pode até ser que você consiga, mas se caso não conseguir o desgaste mental será muito maior e você se sentirá frustrado. É como se você dissesse a si mesmo “não consigo fazer nada, nem mesmo manter o local onde trabalho/vivo organizado e limpo”.

Além disso, nós umbandistas sabemos como um ambiente sujo atrai vibrações e espíritos negativos, o que claramente deve ser evitado. Por último, é importante lembrarmos de respeitar nossos limites. Às vezes queremos fazer algo “na marra”, mesmo que estejamos cansados e saturados daquela atividade, o que com certeza resultará em nova frustração.  É importante lembrar que muitas das grandes ideias da ciência se deram em momentos inusitados, quando o inventor não estava se forçando a encontrar a solução, muitas vezes as grandes ideias surgem naturalmente em um momento de distração. É claro que não podemos exagerar, não vamos descansar várias horas depois de uma horinha de trabalho, mas é bom ter pequenas distrações, como tirar um tempo para passear com o cachorro ao ar livre, uma brincadeira com os filhos/crianças ou outra atividade terapêutica que não tome muito tempo, como regar um jardim.

Que possamos sempre ser nossa melhor versão e que possamos fazer escolhas saudáveis para nossa evolução, pois isso é o primeiro amor. Cuidar de nós mesmos.

Axé

Ricardo de Ogum Matinata


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Orixá Airá

 Orixá Airá

O surgimento do culto a Airá antecede ao de Xangô, seu culto migrou de Savé para Oyó e, de Oyó, para Ketu. Airá é um Orixá da família do raio, mas pode também ser relacionado ao vento. Seu nome pode ser traduzido como “redemoinho”, pois é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território africano.

Airá é um Orixá Funfun, ou seja, Orixá que veste branco. É considerado uma divindade de caráter passivo e seus fundamentos são relacionados aos elementos água e ar. No Brasil, devido à associação com Xangô, lhe atribuíram ligação ao elemento fogo, porém está associado a Oxalá, onde ambos são detentores de paz (Oxalá é a paz, e Airá explana sua luz e estabelece a paz).

Ele é quem decide o que vai ser a paz (as leis que promovem a paz) e é uma lei transformadora, uma vez que, em tudo que Airá atua, há transformação; ele sempre dá sinais dessa transformação. Esse poder de transformação é aplicado à vida de seus filhos: eles sempre percebem o que há por trás do conflito e o que precisa ser feito para cessá-lo. Ele provoca o ambiente de paz e é a paz decisiva no ambiente conflituoso.



Ele obriga a estar diante da justiça provocada por você mesmo, pois é a paz que vai ser obedecida de qualquer forma. Então, é necessário equilíbrio, podendo ser considerado também o poder de transformação que faz com que a paz chegue. Existe um ponto de Airá que diz: “A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor.” Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional. Ao contrário de Oxalá, que representa a paz, Airá a estabelece e possui uma ação muito mais direta em sua imposição, podendo ser qualificada como uma sentinela de Oxalufã. Seria ele, Airá, quem estabelece sua vontade. Em uma das mãos, carrega uma chave que representa o domínio sobre portais espirituais e conhecimento sagrado; na outra, uma lança que simboliza o respeito.

Conta-se que, no princípio dos tempos, os céus e a terra estavam desconectados. Os homens viviam sem compreender os desígnios dos orixás, e muitos se perdiam em meio à escuridão da ignorância. Os orixás se reuniram no Orun (o mundo espiritual) para decidir quem seria digno de carregar o segredo que abriria as portas entre os mundos, permitindo que os ensinamentos celestiais chegassem aos humanos.

Xangô, rei da justiça e do trovão, desejava essa missão, pois via nela o poder de transformar os homens. Ogum, com sua força guerreira, também se apresentou, assim como Exu, o grande mensageiro. No entanto, Olorum, o Deus Supremo, escolheu Airá, o mais velho, o mais sereno, aquele que não gritava, mas ouvia os ventos e compreendia os silêncios do universo.

Como símbolo de sua missão, Olorum entregou a Airá uma chave prateada, feita do próprio brilho das estrelas. Essa chave era o único objeto capaz de abrir os portais entre o céu e a terra, permitindo que os segredos dos orixás, os ebós, os cantos, os rituais e os ensinamentos fossem transmitidos aos seres humanos.

Airá, com sua calma, não se vangloriou. Desceu à Terra em silêncio, caminhando sobre os ventos, e foi depositando em cada sacerdote o conhecimento certo no momento certo. Onde passava, deixava paz e sabedoria. Nunca usou a chave para benefício próprio. Guardou-a com reverência, pois sabia que aquilo que se abre também pode ser trancado.

Por isso, até hoje, diz-se que Airá é o orixá que detém a chave dos mistérios mais antigos. A chave que carrega em suas mãos não é apenas símbolo de abertura, mas também de responsabilidade espiritual.

As cores de Airá são o branco e o prata; seu dia da semana é a sexta-feira, e comemora-se o dia de Airá em 29 de junho, sincretizando na Igreja Católica com São Pedro, que é o detentor das chaves do céu.

Sua saudação é "Airá ponon opokodê", que significa “assim Airá fica feliz”, ou "Airá Lê", que significa “Airá está feliz”.

Segundo os itãs, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem.

 No entanto, Oxalá estava muito ferido e entristecido. Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde Iemanjá, sua esposa, o aguardava. Xangô não podia acompanhá-lo pois precisava colocar em ordem o próprio reino e pediu a Airá que fizesse isso em seu lugar.



Foi assim que Airá tornou-se o companheiro de Oxalá, pois a viagem foi muito longa já que Oxalá andava muito devagar (conta-se também que Airá carregava Oxalá nas costas) pelo fato de ainda estar se recuperando dos ferimentos que adquirira durante os sete anos de prisão. Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar. Para aquecê-lo e distraí-lo dos próprios pensamentos, Airá mandava que acendessem uma grande fogueira no acampamento. Oxalá observava o fogo e Airá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó.

Desse modo, tornou-se tradição acender a fogueira no dia 29 de junho de cada ano (no Brasil), em homenagem a Airá e à viagem que fez em companhia de Oxalá.

Os filhos de Airá são ciumentos, sentimentais, possessivos e sábios. Conseguem se organizar e preparar para situações futuras como se pudessem prever o que irá acontecer. São carinhosos, bondosos, com muita compaixão, autoritários, hora energética, hora calmos, são teimosos. Os filhos de Airá tem um magnetismo que atrai olhares, sua presença não deixa passar despercebido em qualquer ambiente. Altivos e desconfiados demoram a confiar nas pessoas, mas quando o cativam,  um filho de Airá é capaz de levar seu mundo nas costas até que você tem condições de caminhar sozinho novamente, mas jamais duvide da percepção de um filho de Airá, ele opta por te ajudar mas também sabe te destruir se for necessário e derrama a lava de um vulcão inteiro sobre suas soberba só pra você não esquecer que quem lhe estende a mão não deve ser traído.

Renata de Iansã


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Canela: Energia de prosperidade, proteção e amor

 Canela: Energia de prosperidade, proteção e amor

A canela além de ser uma especiaria aromática muito usada na cozinha, também tem seus benefícios medicinais e espirituais. Desde os tempos antigos, ela é utilizada por suas propriedades espirituais e por sua energia quente, vibrante e acolhedora. Uma especiaria considerada sagrada em diversas tradições, a canela carrega em sua essência a força da prosperidade, proteção e do amor.

Possui um aroma doce e marcante, capaz de elevar a vibração do ambiente, abrir caminhos e atrair boas energias. Por isso, é amplamente utilizada em rituais, banhos, defumações e simpatias. Queimar um pau de canela ou soprar canela na porta de entrada no primeiro dia do mês, por exemplo, são práticas populares para atrair fartura e abundância.

A canela possui uma energia que aquece o coração e renova o amor pela existência. Atua ativando o chakra do plexo solar e do coração, fortalecendo a autoestima e autoconfiança. O aroma da canela também é utilizado como fonte de energia trazendo foco para os momentos de desânimo e cansaço.



A especiaria também é utilizada para auxiliar na proteção espiritual, afastando energias que podem influenciar negativamente. Podendo ser usada em defumações, sachês e amuletos. Quando utilizamos a canela, seja em chás, banhos ou defumações, trazemos equilíbrio, calor, abundância e conexão com a sabedoria de nossos ancestrais.

E para finalizar o estudo é importante destacar que sempre antes de qualquer trabalho espiritual é importante procurar orientação dos guias, respeitar, estudar e conhecer o poder medicinal das ervas. Para que possamos sempre praticar a Umbanda com responsabilidade e fundamento.

Bruna de Obá


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Autorresponsabilidade mediúnica no cotiadiano: um compromisso com a Umbanda e com a consciência

 Autorresponsabilidade mediúnica no cotiadiano: um compromisso com a Umbanda e com a consciência

Em uma sociedade marcada por distrações, automatismos e terceirizações de culpa, falar sobre autorresponsabilidade já é, por si só, um chamado ao despertar. Mas quando esse conceito se entrelaça à mediunidade, sobretudo no contexto da Umbanda, ele se torna ainda mais urgente e sagrado. Afinal, o médium não é apenas um canal entre planos, mas também um ser humano em processo contínuo de lapidação interior, onde cada escolha cotidiana reverbera no campo espiritual.

A Umbanda, enquanto religião essencialmente caritativa e integradora, nos convida a entender a mediunidade não como privilégio, tampouco como fardo, mas como ferramenta de serviço e expansão de consciência. Nesse caminho, a auto responsabilidade mediúnica emerge como uma bússola ética e espiritual. Não basta incorporar. É preciso se incorporar de propósito, se vestir de intenção, se alinhar com o que se fala, pensa, sente e vibra dentro e fora do terreiro. 



É no cotidiano que o verdadeiro teste mediúnico se revela. Porque é fácil manter o equilíbrio dentro da gira, sob os atabaques, diante dos guias. Difícil é sustentar o mesmo eixo no trânsito, diante da injustiça, na solidão, ou no embate com o próprio ego. E é justamente aí que mora a responsabilidade maior: compreender que a mediunidade não se liga e desliga como uma lâmpada. Ela é um campo aberto de sensibilidade e influência mútua, que exige do médium disciplina emocional, vigilância de pensamentos e humildade constante.

Ser médium na Umbanda é também ser espelho. Espelho das entidades que se manifestam, sim, mas também espelho dos ensinamentos que se recebe. A forma como um médium trata o próximo, cuida da própria saúde mental, zela pela palavra e honra os compromissos, reflete diretamente na qualidade da sua conexão espiritual. Porque guia nenhum sustenta médium que não sustenta a si mesmo.

Portanto, falar em auto responsabilidade mediúnica é romper com a infantilização da espiritualidade. É deixar de esperar que os guias resolvam tudo, enquanto se negligencia a reforma íntima. É entender que o terreiro é um espaço de trabalho, mas a vida é o verdadeiro campo de prova. Cada ação, cada silêncio, cada escolha tem peso e consequência não por punição, mas por coerência vibracional.

A Umbanda não cobra perfeição, mas exige verdade. E a autorresponsabilidade é o que nos mantém verdadeiros com aquilo que pedimos, recebemos e prometemos diante da espiritualidade. Que sejamos, então, médiuns não apenas de passagem, mas de postura; não apenas de gira, mas de vida.

Érika de Ewá


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Pretos Velhos

 Pretos Velhos

Os Pretos Velhos são entidades espirituais profundamente respeitadas na Umbanda, representando o arquétipo de espíritos ancestrais dos africanos escravizados que, mesmo diante do sofrimento e da opressão, alcançaram elevado grau de sabedoria, amor e compaixão. Suas manifestações são marcadas pela fala mansa, os gestos calmos e a simplicidade, trazendo consigo a humildade e o acolhimento; realizando assim o trabalho com conselhos, passes energéticos, benzimentos e orações. Frequentemente se manifestam com nomes como Pai Joaquim, Vovó Maria Conga, Pai Benedito, entre outros, adotando uma postura de avós espirituais, sempre prontos para ouvir, aconselhar e curar.



A linguagem dos Pretos Velhos é simples e carrega forte sabedoria ancestral. Muitas vezes utilizam-se metáforas e histórias para transmitir ensinamentos profundos. Seu modo de falar com regionalismos como “fia”, “meu fio” e “sinhá”, cria uma atmosfera acolhedora que toca o coração de quem os procura. Os Pretos Velhos ensinam valores como perdão, paciência, fé e amor ao próximo. Sua missão é guiar os filhos de fé no caminho da evolução espiritual, resgatando a autoestima, ensinando a viver com mais equilíbrio e promovendo o bem coletivo. Em nossa casa, é muito comum essa linha de tão grande sabedoria, utilizar de instrumentos de trabalho, os quais sempre são perceptíveis e bastante notáveis:

CHAPÉU/LENÇO: são utilizados para proteger a coroa do médium;

BENGALA: não é utilizada só pela questão do arquétipo, mas sim também para auxiliar nos trabalhos de quebra de demanda, descarrego, transmutação de energias e abertura e fechamento de portais;

CAFÉ: além de sua representação histórica dos cafezais da época da escravatura, o café também é utilizado para firmar a conexão energética entre o médium e o guia, além de também trazer o cheiro que nos relembra a sensação de conforto e para o trabalho de limpeza realizado no próprio médium e no consulente. Nem todo preto velho toma café, alguns podem utilizar outra bebida como chás diversos;

CACHIMBO: além do aroma agradável do fumo junto com as ervas, o cachimbo é utilizado para o reequilíbrio energético dos chakras e para retirar as larvas astrais dos consulentes.

ERVAS: os pretos velhos possuem uma vasta sabedoria curandeira na utilização de ervas, as quais cada uma tem o seu poder de cura e atuam de diferentes formas no corpo espiritual, físico e mental: 

ROSA BRANCA: uma erva fria que traz paz e calmaria;

ALECRIM: uma erva morna que nos traz equilíbrio;

ARRUDA: uma erva quente que tem o poder de descarregar, afastar más energias e nos proteger;

GUINÉ: uma erva quente que é utilizada em banhos de descarrego e benzimentos. O Orixá regente dessa linha é Obaluaê, o senhor da cura. Suas cores são o preto e o branco e o seu dia da semana é segunda feira, sendo essas mesmas especificações para os pretos velhos.



Sua saudação é “Adorei as almas!”, o dia de comemoração a esses guias de luz é 13 de maio, pois é o dia da abolição da escravatura. Sua presença é um alívio para os que sofrem, um abraço para os que choram, um guia para os que buscam.

Eles nos convidam a caminhar com mais calma, a ouvir mais e a julgar menos. A Umbanda, com sua beleza plural, encontra nos Pretos Velhos um de seus pilares mais doces e profundos.Salve os Pretos Velhos! Adorei as almas!

Salmo de Iemanjá


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Não para nós, toda glória para Deus!

Não para nós, toda glória para Deus!

O Título acima é uma tradução não literal de um lema templário que diz no original: "Non nobis Domine, non nobis. Sed nomini Tuo ad gloriam". Uma tradução mais literal seria: “Não por nós Senhor, não por nós. Mas pela glória do Teu nome.”

Essa frase foi retirada do livro bíblico de Salmos e se refere claramente a que, antes de nós nos envaidecemos pelas conquistas, devemos agradecer a Deus por ter nos permitido alcançar, por ter nos dado saúde e capacidade para a luta pelos objetivos. Antes de tudo a glória é de Deus.

É interessante discutirmos sobre essa frase, principalmente em contexto religioso, pois se torna cada dia mais frequente as pessoas depois da glória passarem a se sentirem o próprio Deus, acharem que não tem mais o que aprender e perderem toda a humildade e isso no meio religioso, principalmente entre as lideranças é um grande câncer.

 


Podemos ver em variadas religiões líderes que se perderam no caminho, que começaram com um trabalho bonito e que depois passaram a atribuir milagres, benção e conquistas a si mesmos, muitas vezes, cobrando altos valores por atendimentos e “objetos abençoados”. Valorizando demasiadamente sua imagem e se esquecendo que quem os fez crescer foi a própria espiritualidade e Deus.  O que aconteceu com esses senhores, que na maioria das vezes realmente já tiveram uma conexão divina, foi que passaram a colocar o próprio nome a frente do de Deus. E por isso creio eu, se perderam, em busca de fama e dinheiro. Muitos deles ao invés de serem um guerreiro para a luz, tornam-se criminosos que cometem estelionatos para tirar o dinheiro suado de quem por inocência acredita em suas picaretagens.

E quem atira a primeira pedra e acha que isso não acontecerá jamais com ele, erra. No mundo umbandista por exemplo é muito comum médiuns se envaidecerem das consultas dos “seus guias”, se acham e dizem aos quatro ventos ser médiuns fortes, muitas vezes julgando a incorporação dos outros como sendo menos legítima, e não fazem isso por serem ruins, mas simplesmente porque os próprios consulentes confundem muito isso. Ao invés de agradecer a Deus e aos guias divinos, suas bênçãos muitas vezes tem uma gratidão maior ainda ao médium. A gratidão ao médium é correta, pois ele abdicou de tempo de sua vida para prestar auxílio à espiritualidade, mas aqueles médiuns que incorporam um guia espiritual “famoso” não fazem menos nem mais do que outro que tem um guia mais discreto. É muito fácil cair na armadilha da vaidade, na armadilha do dinheiro. Espiritualidade é coisa séria para gente séria e exige responsabilidade, como diz o Caboclo Sete Flechas.  

Só com muita oração e vigilância poderemos nos ver livres das “rasteiras” da vaidade. Para isso lembremos sempre de Deus nos momentos de glória e não só para pedir nos momentos de dificuldade. Por isso acredito que a frase templária é tão poderosa que, se sempre nos lembrarmos dela, ela poderá ser um escudo quanto a vaidade, a corrupção e outros males que sempre fazem muitos religiosos caírem.

Axé

Ricardo de Ogum Matinata


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Banho de ervas

 Banho de ervas

O banho de ervas nos leva a uma viagem profunda no tempo, porque o uso de ervas em banhos com fins espirituais, medicinais e rituais é milenar e carregada de simbologias sejam elas religiosa ou cultural dos povos ao redor do planeta. Que fazem o uso das ervas em banhos, defumações ou chás. Respeitando todas as ritualísticas próprias para ativação das energias ou propriedades que essas ervas trazem em seu âmago ou essência. Abaixo dois exemplos de povos e suas concepções sobre a utilização das ervas em banhos e ritualísticas:

Os povos originários do Brasil possuem uma rica tradição de uso de plantas medicinais, incluindo banhos terapêuticos. Essas práticas estão profundamente conectadas à cosmovisão indígena, que entende o corpo humano como parte de uma teia de relações com o ambiente, os seres espirituais e a natureza.

Nas culturas tradicionais africanas (como os povos iorubás, bantos, jejes), o uso de ervas era essencial para curas físicas, espirituais e rituais religiosos. Cada planta era conhecida por sua força espiritual (às vezes chamada de àsé/axé), e os banhos — chamados omi ero (água de limpeza, entre os iorubás) — já existiam como prática ancestral. Os sacerdotes de Ifá, os babalorixás e ialorixás detinham o conhecimento das folhas (ewé, em iorubá), e usavam-nas em banhos, defumações e unções. Algumas folhas só podiam ser usadas por pessoas iniciadas, por causa de seu poder espiritual. 

Conforme citado, os banhos de ervas trazem em si o espírito da erva, eflúvio, propriedade medicinais, energias ou àsé/axé, da erva ou ervas que estão sendo usadas no banho. Dependendo do grupo étnico ou ritualística que está fazendo uso do banho de ervas. Esses banhos podem ser para Descarrego: remover energias negativas, inveja, mau-olhado. Calmante: acalmar emoções e pensamentos.

Fortalecimento espiritual: proteger, energizar, preparar para rituais.

Atração: abrir caminhos, trazer amor, prosperidade, etc.

Para o preparo do banho deverá fazer um breve estudo sobre se a erva é quente morna ou fria, saber se podem ser usadas em conjunto, sua toxicidade verificar com um médico se tem alergia a alguma propriedade que aquela erva traz e procurar auxílio de Sacerdote ou Guia Espiritual, para auxiliar como fazer o banho, quando deve ser tomado, qual a frequência pode ser tomado, se pode ser de corpo todo ou a partir de uma parte específica do corpo, se tem a lunação correta para a colheita das folhas e ou feito e quais as ervas podem ser utilizadas para o fim desejado.

No preparo do banho de ervas o axé das ervas é manipulado com o axé da pessoa que está fazendo o preparo. Nessa troca de energética a pessoa que está fazendo o banho tem que estar concentrada no propósito que deseja atingir com aquele banho para assim poder alinhar suas energias ou vibrações com as energias da erva, potencializado e entrando em harmonia com a erva já em seu preparo. Por

isso é aconselhado sempre que possível que o banho seja feito todo pela pessoa que fará uso do banho.

Thiago Cecilio de Oxossi


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

As entidades espirituais são do médium? Elas o acompanham a todo momento?

 As entidades espirituais são do médium? Elas o acompanham a todo momento?

O assunto deste texto é polêmico, uma vez que cada casa e doutrina costuma ter visões diferentes sobre.  Inclusive existem vários sacerdotes e personalidades dentro da umbanda que tem uma visão formada e contrária a visão de nossa doutrina.

É comum alguns umbandistas acreditarem que as entidades que trabalham em conjunto com eles por meio da incorporação têm como missão principal acompanhar sua vida, a protegendo e guiando seus passos no dia a dia. Não é atoa que existe a célebre frase “quem me protege não dorme.”. Inclusive existem aqueles que acreditam que qualquer pessoa, mesmo as de outras religiões possuem guias de umbanda como exus, caboclos e preto velhos.  Qual seria o sentido disso? Muito comumente quem tem essa visão do mundo espiritual acredita também que não só os guias são deles, como também que estão por conta deles em todos os momentos.

Na nossa doutrina de Umbanda de Jurema acreditamos que existem sim os guias que podem estar ligados às pessoas, mas isso é uma exceção. Isso normalmente está ligado a uma missão espiritual que aquela pessoa tem, dessa forma nem nesses casos o guia é do médium, mas sim ele presta um serviço a lei divina para que a importante missão espiritual que aquela pessoa tem se cumpra. Podemos citar como exemplo alguns pais de santo, ou líderes espirituais diversos.

Na nossa visão o mais comum é que os guias de umbanda estejam ligados por uma missão com determinada casa de umbanda, não sendo eternamente preso a ela também. Temos que lembrar que os guias como nós evoluem e podem ser chamados para fazer trabalhos diferentes no mundo espiritual, assim que cumprirem sua missão em determinada casa. um exemplo quanto a isso é uma entidade que presta consultas e que não é dirigente da casa, ela pode ser chamada a assumir uma nova casa. Até mesmo os dirigentes espirituais não necessariamente comandarão a casa enquanto ela existir. Tudo é movimento e tudo evolui.

Outro ponto importante é nos lembrarmos que independente se temos guias ou não, eles não estão por nossa conta. Eles mesmos nos dizem que para interferir em nossa vida esse pedido tem que partir de nós mesmos ou estariam ferindo nosso livre arbítrio e consequentemente a lei divina.

Vale lembrar que não é porque os guias não são nossos que estamos desamparados espiritualmente, temos sim quem olhe por nós, não importando como os chamamos, se é um mentor, um anjo da guarda, um guardião etc. basta lembrarmos que se queremos conectarmos com Deus haverá quem nos dê amparo em seu nome.

Ricardo de Ogum Matinata


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Oroiná

 Oroiná

Senhora do fogo, sincretizada com Santa Sara Kali, padroeira do povo cigano. Na Umbanda praticada em nossa casa oroiná ocupa é colocada como orixá feminina, absorvedora da linha da Lei. 

Orixá do fogo e ar, seu fogo sagrado queima tudo aquilo necessário para a evolução.

Tal qual uma fênix que ressurge das cinzas temos em Orioná a capacidade da purificação, da libertação de vícios e concepções. 

Ao fazer um pedido a Oroiná, devemos estar preparados para abrir mão de tudo e lidar com a mudança que virá assim como o povo cigano, que se reunia em volta das fogueiras para fazer suas festas, mas sabiam que logo precisam seguir o caminho com seus acampamentos. Sem lástimas, sem remorso, sem olhar para trás, apenas confiando e seguindo. 

Sua saudação é kali yê, suas cores variam do laranja ao vermelho.

Pedro Maciel .’. de Xangô