Reuniões
e sociedades espíritas
Dando
continuidade aos nossos estudos sobre o Livro dos Médiuns, hoje abordaremos o
conteúdo da segunda parte das manifestações espirituais, capítulo XXIX- “Reuniões
e sociedades espíritas”.
Neste
capítulo Kardec nos esclarece sobre pontos importantes das reuniões espíritas. As reuniões são momentos importantes por
permitirem trocas de ideias e estudos entre os encarnados presentes, e entre os
encarnados e os espíritos que ali se manifestam. Porém, para que uma reunião
ocorra da maneira correta é necessário preparo, tanto do lugar quanto dos
médiuns presentes.
Kardec
nos apresenta 3 tipos de gêneros de reuniões: as frívolas, experimentais e as
instrutivas.
·
Frívolas:
Compostas por pessoas que vão a reunião para se divertirem e assistirem ao
“show”. Essas reuniões são compostas por leitura da sorte, premonições sobre o
futuro, adivinhações. Geralmente os espíritos que se apresentam nessas reuniões
são espíritos zombeteiros, que atraídos pela egrégora (energia formada pelo
pensamento das pessoas reunidas ali) do lugar, se manifestam para brincarem e
se divertirem. As pessoas que frequentem apenas esses tipos de reuniões, não conhecem
a verdadeira natureza do mundo espiritual e nem dos espíritos de luz, que se
manifestam para ensinar e não para brincar.
·
Experimentais: São
reuniões em que o objetivo são as manifestações físicas, sendo elas as
manifestações que deram aos crédulos, conhecimento para a descoberta das leis
que regem o mundo espiritual. Dessas reuniões, os incrédulos saem mais
admirados do que convencidos, procuram explicações palpáveis para os eventos e
quando não as encontram, justificam com pretextos. Os crédulos e os que estudam
o mundo espiritual, nessas reuniões, são capazes de identificar farsas e
mistificações.
·
Instrutivas: São
reuniões as que mais geram conhecimento e devem ser realizadas de maneira muito
séria. As pessoas presentes devem se portar
de maneira séria, deve ter pensamentos bons, limpos, focados no trabalho
que será realizado. Se os presentes estão maus intencionados, portas se abrem
para que espíritos mal-intencionados atrapalhem os trabalhos. Se os presentes
não estão abertos para receber o conhecimento passado pelos espíritos de luz,
se esperam apenas manifestações como as descritas nas reuniões frívolas, esses
espíritos de luz se afastaram e espíritos zombeteiros tomaram conta da reunião.
Na
Umbanda essas reuniões podem ocorrer em junção ou separadamente. Há casas em
que o estudo é feito antes das consultas, há casas que tem dias específicos
para consultas e outros para estudos e há também aquelas casas em que os
espíritos zombeteiros já tomaram conta, onde o trabalho feito não é sério,
virando uma grande bagunça.

Em outro ponto, Kardec nos esclarece de que o estudo é de
extrema importância para a compreensão e a execução de bons trabalhos
espirituais. Um bom médium estuda muito, procura compreender os fenômenos e
seus efeitos, assim como pesquisa suas causas, assim ele está preparado para
distinguir o que é o trabalho de uma casa séria e o que não o é. O estudo
também é poderosa arma contra a obsessão e mistificação de médiuns desinformados,
os espíritos trevosos acham passagem fácil na mente desses médiuns, e o deixam cego
e mais desinteressado pelos estudos. Quando se tem estudo, o médium pode
perceber sinais de que está acontecendo algo de errado e assim procurar ajuda
para resolver aquele problema. Há aqueles médiuns também que já estão tão
apegados aos espíritos trevosos que não aceitam ajuda, não aceitam esclarecimento
de que aquilo faz mal para ele e que a situação deve ser analisada e melhorada.
O
médium obsidiado nunca aceita que está obsidiado. Infelizmente existem muitos
desses médiuns que não aceitam ajuda por acharem que seus “guias” são muito
evoluídos, por acharem que a pessoa que está fazendo a crítica não entende do
assunto. Várias casas têm em sua corrente esses médiuns, o que gera trabalhos perigosos
e bagunçados, pois os espíritos presentes ali não estão para ajudar e sim para
gerar discórdia e bagunça.
Todos
somos assistidos por um grupo de espíritos, esses espíritos são atraídos a nós
conforme nossos pensamentos e vibrações, somos o que vibramos. Então, se a
pessoa vibra raiva, angústia, tristeza, apenas coisas ruins, vai atrair para si
espíritos ruins. Se a pessoa vibra positividade, vai atrair para si mais e mais
espíritos positivos. Na Umbanda existem momentos, durante as reuniões, em
que determinado espírito negativo que
esteja acompanhando a pessoa, vai ser esclarecido e encaminhado, ou seja, a
influência daquele espírito sobre aquela pessoa irá cessar. Esse trabalho é
feito de acordo com o merecimento da pessoa e do espírito, e também não adianta
nada o espírito ser retirado e aquela pessoa continuar com os mesmos
pensamentos negativos e estilo de vida negativo, isso só irá atrair novamente
mais espíritos negativos.
Em todas as reuniões tem-se espíritos que aparecem com
regularidade, que podem ser chamados de frequentadores habituais, e há também
os espíritos protetores. Esses espíritos têm suas ocupações no mundo espiritual
e por isso as reuniões devem sempre serem feitas em dias e horários pré-determinados, para que os espíritos possam se organizar para estarem presentes.
Aqui observamos a importância do “ponto” (horário pré-estabelecido para que o
trabalho se inicie e termine), dentro daquele horário estabelecido os espíritos
ficam “à disposição” para nos ajudar, porém quando esse horário termina eles
têm outros afazeres e não podem ficar por nossa conta. Nessa parte, Kardec diz que os espíritos “superiores”
não são tão meticulosos com horários, que não se importam em comparecem quando
são chamados, desde que se tenha um objetivo, e que pontualidade rigorosa é
sinal de inferioridade.
Na
Umbanda não concordamos 100% com essa afirmação. Para nós umbandistas, a
pontualidade não é sinal de inferioridade, tendo em vista que os espíritos têm
outras tarefas a serem feitas no mundo espiritual e não podem dedicar 100% do
seu tempo a uma só tarefa. Concordamos que os espíritos podem ser chamados com
um objetivo pré-determinado, como uma defumação na casa de algum membro da
corrente ou consulente, porém, o horário desses trabalhos também são pré-estabelecidos.
Em outra parte, Kardec nos fala sobre as sociedades
propriamente ditas e sobre os médiuns que devem compor a casa. As casas devem
ser compostas por médiuns sérios, compromissados, dispostos a fazer um trabalho sério, a
estudarem e procurarem sempre se blindar contra as más energias e maus
espíritos que podem atrapalhar o bom andamento dos trabalhos. O laço que une os
médiuns com princípios semelhantes é muito forte, diferente daquele que une um
médium desinteressado aos demais, esse laço é fraco e basta uma pequena
divergência para que este seja rompido. O médium que não está em vibração
similar aos demais irmãos, começa a se incomodar com tudo que acontece na casa,
tudo é motivo para reclamação e fofocas, até que esse médium não se sente mais
parte do lugar e sai.

A casa
que preza pelo estudo e trabalho sério não se desfaz facilmente. Um grupo menor
é mais fácil de se ter pessoas que pensam
iguais (tem mais chances de permanecerem sólidas) do que grupos grandes onde
são várias pessoas diferentes, com pensamentos diferentes. Na Umbanda temos
diversos exemplos de casa com vários anos de funcionamento, que tem uma
corrente mediúnica grande, o médium que entra em uma casa deve respeitar e
internalizar as regras daquela casa e quando sentir que não se encaixa mais
ali, deve sair da mesma maneira que entrou, pela porta da frente. Tudo em nossa
vida tem mudanças, nada é constante e não seria diferente com a corrente
mediúnica de uma casa. Se a casa tiver fundamentos, estudo e médiuns de cabeça
firme, é muito difícil que ela feche, a não ser por ordem espiritual.
As regras da casa
servem para que haja hierarquia e ordem, sem isso, o conflito estaria armado
pois cada médium tem uma visão de como os trabalhos devem ser conduzidos, mas
quem sabe realmente a melhor forma é o Pai (ou Mãe) de Santo e o Pai ( ou Mãe)
Pequeno da casa. Mesmo com regras uma casa pode passar por problemas pois existem inúmeros espíritos
negativos que desejam o fim de uma casa. Se aquela casa trás paz, conhecimento
e auxílio para que as pessoas melhorem suas vidas, um espírito negativo vai
querer ver seu fim pois assim, sobra mais desespero e desgraça para que ele
possa se alimentar desse tipo de energia.
Assim,
esses espíritos procuram o elo mais fragilizado da corrente, ou seja, aquele
médium que começa a ter dúvidas sobre a casa e sobre os dirigentes e assim vira
um alvo fácil para a influência desses espíritos negativos. Esse médium
dissemina discórdia e fofocas contaminando outros médiuns e tentando destruir a
casa de dentro para fora. Sendo assim, os médiuns devem sempre estarem atentos,
ORAI E VIGIAI! O médium que se vê nessa situação, deve fazer uma auto análise
de suas ações e sentimentos, assim como procurar ajuda dos dirigentes e guias
da casa para que o problema seja solucionado antes que seja tarde demais.
Na
última parte do capítulo, Kardec traz o assunto das rivalidades entre as
sociedades. Existem inúmeras casas espíritas, assim como terreiros de Umbanda e
cada um vai ter sua forma de trabalhar. Algumas casas espíritas focam mais no
estudo da doutrina espírita, outras focam mais nos trabalhos mediúnicos, outra
nos trabalhos de desobsessão e todas delas estão corretas, não existe uma
maneira única e correta de se fazer os trabalhos. Assim como na Umbanda, onde
existem diversos terreiros e cada um deles vai ter diferenças entre si.
A
única regra universal e obrigatória, tanto para casas espíritas quanto para
terreiros de Umbanda é a prática do amor e da caridade, nenhum trabalho deve
ser cobrado, nenhum trabalho deve ser feito para ferir o livre arbítrio de
outra pessoa, devemos sempre seguir os ensinamentos de Jesus Cristo. Porém,
infelizmente, muitas pessoas ainda não entendem isso e continuam com a briga de
egos, para saber qual casa é melhor do que a outra, qual casa tem mais
fundamentos ou qual casa é a mais bonita e cheia de consulentes. Devemos
trabalhar em prol do amor e da caridade, multiplicando as casas que trabalham de
verdade.
Layla
de Omolu